26 outubro 2014

RELIGIOSIDADE E O MISTICISMO NA IDADE MÉDIA-LIÇÕES PARA NOS HOJE


A Igreja Medieval em grave necessidade de reforma

Encontramos a Igreja Católica, no ápice da idade média (séculos 13 a 15), com a maioria das práticas litúrgicas, incorporadas do paganismo, já institucionalizadas dentro da estrutura eclesiástica. O cenário está sendo preparado pelo Senhor da História para a Reforma do Século XVI. A religião foi transformada de uma devoção consciente a Deus, baseada no que conhecemos de Deus pelas Escrituras e exercitada pelas diretrizes da sua Palavra; no misticismo subjetivo, baseado em tradições humanas, exercitado em práticas obscuras.

A Igreja, que deveria aproximar as pessoas cada vez mais de Deus e de sua Palavra, na prática afasta os fiéis da religião verdadeira. Os rituais e a liturgia são realizados em uma língua desconhecida (Latim). Os seguidores são sujeitos a uma hierarquia estranha à Bíblia, na qual os administradores maiores se preocupavam mais com o jogo político do que com a situação espiritual dos fiéis. Aqueles que se dedicavam mais ao estudo da palavra, em vez de estarem próximos dos fiéis, conscientes de suas lutas, necessidades e pecados, isolam-se em mosteiros. Novas estruturas monásticas são formadas e multiplicam sua influência. Os poucos escritos refletem um misticismo que enaltece a trindade, mas, ao mesmo tempo, apresentam uma ênfase mística que os distanciam da realidade.

Outras cabeças pensantes da Igreja, em vez de procurar um retorno à teologia das Escrituras, embarcam num intelectualismo que pretende explicar de forma palatável à razão humana os mistérios de Deus – esses também distanciam a Igreja e sua hierarquia de sua missão e daqueles que a seguem em busca espiritual sincera ou por conveniência. Certamente, fica cada vez mais evidente que o caminho da reforma está sendo preparado por Deus. A Igreja está deteriorada em seu íntimo – os problemas aparecem. O remanescente fiel ficará mais evidente e desabrochará no tempo apontado por Deus.

Estudando a situação da igreja nesse período, identificamos três erros dignos de destaque e que servem de alerta para os nossos dias.

1. O perigo do deslumbramento com o mundo – a sede de aceitação e poder
A Sede do poder – A Igreja já vinha sendo caracterizada pela sede do poder e por seu envolvimento com o mundo político. Na era medieval os exemplos de envolvimento intenso com o poder político se multiplicaram.

No ápice do poder da igreja medieval, o papa que deteve maior poder foi Inocêncio III (1198-1216). Ele controlava tanto a Igreja Católica como o Império. Humilhou o rei Felipe Augusto, da França, interditando todo o país, forçando-o a receber de volta sua esposa divorciada, que havia apelado ao Papa. A seguir, humilhou o Rei João, da Inglaterra, numa disputa sobre a indicação do arcebispo de Canterbury. Mais uma vez interditou um país e convidou o rei Felipe, da França, a invadir a Inglaterra se o Rei João se recusasse a aceitar os seus termos. Mais ou menos na mesma época, interferiu na Germânia (Atual Alemanha), definindo a sucessão imperial naquele país, utilizando as tropas francesas como forma de pressão.

Em 1215 Inocêncio III convocou o Quarto Concílio Laterano (não confundir com Luterano), no qual algumas doutrinas estranhas à Palavra de Deus foram formalizadas, como por exemplo: a obrigação de uma confissão auricular anual; a doutrina da transubstanciação (que afirma que o pão e o vinho da comunhão não somente simbolizam, mas milagrosamente se transformam no corpo e no sangue de Cristo); e a terminologia do sacrifício da missa (uma vez que o corpo de cristo era repetidamente quebrado a cada liturgia).

Esse é apenas um exemplo de como a liderança maior da igreja tomou interesse muito mais pelo poder e pelo envolvimento político, do que pela saúde espiritual dos fiéis. Pior ainda, quando esses líderes se voltavam para ações na esfera religiosa, era no sentido de promover a incorporação de práticas estranhas no seio da Igreja – feriam ainda mais a ortodoxia já combalida. A Igreja ia se desenvolvendo com uma língua estranha, distanciada do povo, e com práticas cada vez mais pagãs em sua liturgia.

A lição para nós – Aceitação social e proximidade do poder têm sido constantes inimigos da pureza doutrinária que deve marcar a igreja verdadeira. Esse é uma característica não só da igreja medieval, mas também dos nossos dias. A ânsia por aceitação vem, muitas vezes, às custas de princípios e de nossa identidade. Como cristãos, perdemos com freqüência grandes oportunidades de marcar presença pelo testemunho, como sal da terra (Mt 5.13), mas capitulamos perante as pressões do poder. Muitos dos nossos políticos chamados de “evangélicos” têm tido um comportamento reprovável e posturas éticas que envergonham e trazem condenação até dos descrentes. No meio de um mundo que é maldade, a Palavra de Deus nos aponta à manutenção dos padrões de justiça de Deu: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21).

Em adição, devemos estar alertas para não trazermos práticas estranhas à Palavra de Deus ao seio de nossa liturgia. Óleos santos, peças de roupa, pentes benzidos, cerimônias diversas (soar de trombetas, pão e água, cultos na montanha) – como se essas coisas tivessem poder espiritual em si, constituem uma violação a uma adoração em espírito e em verdade, como nos comanda a Palavra. Por isso Paulo nos adverte, em 2 Co 11.3: “Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo”.

2. O perigo do isolamento
O ápice do Monasticismo – Apesar dos mosteiros e conventos terem surgidos entre o 3 o e o 6 o século da Era Cristã, foi na idade média que eles atingiram o seu auge, com o desenvolvimento de várias ordens monásticas. A ordem dos Agostinianos foi fundada entre 1233 e 1244. Os Beneditinos, trazendo uma tradição do terceiro século, foram reformados com o trabalho de Bernardo de Clairvaux (1090-1153). Os dominicanos foram formalmente estabelecidos por uma bula papal de 1216 e se organizaram definitivamente em torno de 1221. Os Carmelitas, constituídos de peregrinos à terra santa, se juntaram no monte Carmelo (daí o nome), para viver “a vida do profeta Elias”, em torno de 1191. Os Franciscanos se organizaram pelo trabalho de Francisco de Assis, em 1223, desenvolvendo-se em vários ramos independentes, como o dos Capuchinhos. E assim foi, neste período, com várias outras ordens de menor importância. Praticamente a única ordem monástica que não surgiu neste período foi a dos Jesuítas, formada em 1540 – na onda da Contra-Reforma.

Qual o problema com o Monasticismo? Poderíamos dizer que aqueles que eram mais devotos e estudiosos da Palavra, possivelmente desencantados com o estado da Igreja e seu envolvimento com os regentes temporais e com a política, procuraram isolamento. Essa medida, aparentemente correta, fez com que esse tipo de liderança deixasse de interagir com os fiéis. Além de privar os seguidores de um direcionamento maior, o isolamento fez com que perdessem o contato com a realidade e com os problemas do dia-a-dia. A vida vivida no mosteiro não somente era artificial, mas representava um tipo de Cristianismo estranho às Escrituras. Asceticismo – ou seja, a rejeição de tudo que é material, é uma identificação errada do que é o mal verdadeiro (Cl 2.21). O pecado jaz no íntimo das pessoas (Sl 51.5) e não é a intensa meditação ou isolamento que irá purificar o nosso ser. Nem tão pouco será a vida espartana, penitências ou sacrifícios inúteis, os quais podem ter até “aparência de piedade” (2 Tm 3.5), mas não podem expiar o nosso pecado. O lado irônico do isolamento e do Monasticismo é que dando a aparência de uma aproximação de Cristo, contribuiu para o estabelecimento de uma religião humana, de salvação pelas obras, pela privação, pelo sofrimento – uma religião que fechou-se, tornando-se um fim em si mesma.

A Lição para nós – Essa tendência, de isolamento, está sempre presente no campo Cristão. É saudável estarmos sempre juntos, em ambiente de igreja, mas às vezes levamos isso ao extremo. Desaprendemos a nos comunicar com o mundo. Esquecemos nossa missão. Passamos a falar com “jargões evangélicos” – palavras que soam estranhas ou desconhecidas àqueles a quem deveríamos estar comunicando as boas novas da salvação. Nossa preocupação é muito maior com encontros, acampamentos, do que na organização de uma ação eficaz de evangelização. Jesus disse que não pedia ao Pai que fôssemos tirados deste mundo (Jo 17.15). Aqui fomos colocados para interagir saudavelmente com a sociedade, transformando-a, reformando-a, purificando-a, sendo verdadeiramente luz do mundo (Mt 5.14). Aprendamos com essa era obscura da igreja, na qual o isolamento dos que eram mais fiéis terminou por descaracterizar de vez a sua doutrina e mensagem.

3. O perigo dos extremos – Racionalismo vs. Misticismo
Escolasticismo – É na Idade Média, em paralelo ao isolamento do monasticismo, que vários intelectuais, no seio da Igreja, deslancham aquilo que ficou conhecido como escolasticismo. Apesar do termo ser difícil de definir, podemos considerá-lo como uma referência ao período, na idade média, no qual surgiram inúmeros escritos que apelavam consideravelmente para a razão humana, no sentido de estabelecer e provar as bases da religião. Representam uma tentativa de harmonizar filosofia com teologia, procurando demonstrações racionais de verdades teológicas. Nomes como Anselmo (1033-1109) e Abelardo (1079-1142) são considerados como co-fundadores do movimento; Pedro Lombardo (+/- 1164) um representante importante e Tomás de Aquino (1227-1274) o seu expoente máximo – com o seu tratado Summa Theologica. João Duns Scotus (1226-1308) e Guilherme de Ockam (1280-1349), são também escritores importantes desse período.

Contemporâneos de uma igreja cambaleante em sua ortodoxia e prática – deslumbrada pelo poder e pelo mundanismo, os Escolásticos procuravam restaurar o cerne doutrinário da instituição. Erraram em depender ao extremo do racionalismo; em desconhecer a profundidade e gravidade do pecado que afeta a capacidade de raciocinar corretamente sobre as coisas espirituais (Rm 1.22). Na realidade, deixaram de lado o ensinamento bíblico da depravação total das pessoas. Achavam que a fé era racionalmente explicável, esquecendo-se que aprouve a Deus salvar pela “loucura” da pregação. (1 Co 1.21). Apesar dos Escolásticos, às vezes, confrontarem o poder temporal dos Papas, eles serviram também para sistematizar muitas doutrinas Católico Romanas estranhas às Escrituras, como relíquias, culto às imagens, purgatório, o sistema hierárquico e a estrutura sacramental de salvação pelas obras. Inúmeras páginas foram escritas com justificativas racionais para a utilização dessas práticas. Os Reformadores do Século 16 encontraram, em função dos Escolásticos, ampla documentação dos desvios doutrinários que eficazmente combateram.

O Misticismo – Misticismo é um termo meio vago que cobre amplos pontos de vista e abordagens à prática religiosa. Em muitas situações, misticismo não pode ser dissociado com muita clareza da prática correta da religião. Por outro lado, várias manifestações do misticismo são radicais, extremas e bastante distanciadas da ortodoxia verdadeira. Uma definição genérica de misticismo seria: “qualquer postura, coisa ou situação que nos leva ao contato com a realidade existente além dos cinco sentidos”. De uma forma ou de outra, o misticismo sempre esteve presente na igreja. Na igreja primitiva, manifestou-se com intensidade nos Montanistas, e nos nossos dias encontra grande expressão em muitas igrejas evangélicas, independentemente das barreiras denominacionais.

Na Idade Média, situado no outro extremo do Escolasticismo, no meio dessa Igreja conturbada, temos o desenvolvimento do misticismo no seio do isolamento monástico. Como se procurassem um afastamento da abordagem racionalista, muitos passaram a escrever obras puramente devocionais. Refletindo um desejo de se elevar acima das agruras deste mundo, almejavam uma aproximação imediata com a pessoa de Deus. Objetivavam atingir a certeza da salvação e chegar à verdade não pela dedução lógica, mas pela experiência. Muitos podem ter sido crentes sinceros, enfatizando o amor e a aproximação com Deus.

Os místicos nunca foram considerados hereges e a igreja medieval, na realidade, os encorajou, como um contra-ponto ao Escolasticismo. Em função do seu caráter subjetivo, o misticismo enfatizou consideravelmente, além de uma postura pessoal de devoção, a questão dos sonhos, visões e outras formas de revelação que seriam utilizadas por Deus em paralelo às Escrituras. Estiveram também presentes, posteriormente, no meio da Reforma, quando Lutero confrontou uma comunidade que ficou conhecida como “Os Profetas de Zwickau” indicando que o Espírito Santo falava pela objetividade das Escrituras.

Tomás à Kempis (1380-1471) – Nascido na Alemanha e criado na Holanda, este místico foi um dos grandes exemplos desse período, lido e prezado tanto por católicos como por protestantes. Tomás ocupou toda a sua vida em três atividades: copiar a Bíblia (lembrem-se que, naquela época, não havia imprensa); meditação devocional; e escrever vários livros. Ficou, entretanto, conhecido por apenas um desses, intitulado “A Imitação de Cristo”. Escrito originalmente em Latim, em quatro volumes, foi traduzido depois para várias línguas. Existem mais de 2000 edições conhecidas deste livro que até o teólogo Charles Hodge classificou como “...a pérola do misticismo germânico-holandês”. Um outro teólogo protestante escreveu: “... o que torna este livro aceitável a todos os Cristãos, é a ênfase suprema colocada sobre Cristo e a possibilidade de comunhão imediata com ele e com Deus”.

Entretanto, ao lado dos elogios pelo seu caráter devocional e pela exaltação que faz da pessoa de Cristo, é possível perceber que foi escrito por um Católico Romano. No livro encontramos referências à adoração e ao conceito católico romano dos “santos” (por exemplo, no Livro 1, cp. 18, lemos sobre “... os santos que possuíam a luz da perfeição e da religião verdadeira”. No cp. 19, lemos que em certas ocasiões “... a intercessão dos santos deve ser ferventemente implorada”). Existe também a aceitação da doutrina do purgatório (por exemplo, no Livro 1, cp. 21, lemos que deveríamos viver uma vida de trabalho e sofrimento “... se considerássemos em nossos corações as dores futuras do inferno ou do purgatório”).

Na melhor das hipóteses, o livro é contraditório, como no exemplo a seguir: de um lado indica o mérito das obras (Livro 2, Cp. 12, “... nosso mérito e progresso consistem não nos muitos prazeres, mas no suportar de muitas aflições e sofrimentos”), enquanto que em outro trecho fala da inutilidade delas (Livro 3, cp. 4, “considere seus pecados com desprazer e tristeza e nunca pense de você mesmo como sendo alguém, por causa de suas boas obras”). Em adição aos aspectos romanos, a ênfase do livro é colocada em uma vida de isolamento como sendo o ideal do cristão, em vez do envolvimento sadio com a criação em uma vida de testemunho e proclamação das verdades divinas.

A lição para nós – A religião verdadeira alimenta o ser humano em sua totalidade. Quando a prática do cristianismo não está corrompida, há satisfação tanto para o corpo como para a alma. A idéia de que existe mérito no sofrimento ou no isolamento, não é Bíblica, mas provém de um conceito de que, de uma forma ou de outra, operamos a nossa própria salvação. O misticismo existe desenfreado em nossos dias e não como uma característica saudável da igreja, mas como um problema em seu seio. De uma certa forma, ele ocorre como uma reação à ortodoxia morta, ou a um intelectualismo estéril, como aconteceu na idade média. Entretanto, no cômputo final, apesar de parecer uma ênfase em ações e posturas piedosas, ou a uma vida de devoção intensa e real, o Misticismo desvia os nossos olhos de Cristo; concentra a atenção nos nossos méritos, nas coisas que fazemos ou que deixamos de fazer; nos objetos aos quais atribuímos valor espiritual; ou nas formas de comunicação com Deus que são estranhas à Palavra e à suficiência das Escrituras.

Conclusão
Podemos aprender muito com a situação da Igreja na Idade média. Ela foi progressivamente se afastando de Cristo, não somente pelo mundanismo crescente e pela incorporação de práticas pagãs; como também por um isolacionismo intenso e igualmente contraditório à sua missão.

Como anda a nossa igreja? Como caminha a nossa religiosidade? Como se encontra a nossa vida devocional? Estamos nos achegando a Deus, em devoção sincera, através de Cristo, pelo poder do Espírito Santo – desejosos de fortalecer o nosso testemunho em um mundo hostil? Ou estamos fabricando um tipo peculiar de religião que atende os nossos anseios místicos, ou a nossa sede intelectual, mas que nos afasta cada vez mais dos caminhos que deveríamos percorrer? Meditemos no que Deus quer de nós,como expressa Mq 6.6-8, verificando que a prática da justiça e o amor à benevolência não são compatíveis com uma vida estéril ou distanciada do mundo em que ele nos colocou.

Solano Portela


 

25 outubro 2014

"APARECIDA", O MILAGRE DA SANTA QUEBRADA

"... porque os costumes dos povos são vaidade;pois cortam do bosque um madeiro, 
obra das mãos do artífice, com o machado;com prata e ouro o enfeitam, 
 com pregos e martelos o fixam,para que não oscile. 
Os ídolos são como um espantalho em pepinal, e não podem falar; 
necessitam que quem os leve, porquanto não podem andar. 
Não tenhais receio deles, pois não podem fazer mal, 
e não está neles o fazer o bem." Jr. 10:1-5  

"Aparecida", de Rodrigo Alvarez: o milagre da santa quebrada

Ao contar a história de Aparecida, a obra revela que a estátua de 300 anos quase foi destruída – além de ser usada e abusada por políticos

  •  
SANTA PARTIDA A estátua de  Nossa Senhora hoje – e da forma como chegou para restauração, em 1978. Foi quase um milagre (Foto: Divulgação)
SANTA PARTIDA A estátua de  Nossa Senhora hoje – e da forma como chegou para restauração, em 1978. Foi quase um milagre (Foto: divulgação )

Era noite de terça-feira, 16 de maio de 1978. No interior da Basílica de Aparecida, a missa das 8 horas estava em curso. Quando o padre Antônio Lino começou a distribuir as hóstias, acabou a luz. Na confusão que se seguiu, um vulto correu na direção do altar, onde estava a imagem religiosa mais importante da história do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Entre gritos do padre, que percebeu o movimento, o invasor saltou 2 metros e 20 centímetros de altura e tentou arrancar a santa do cofre de ouro onde ela estava, de porta aberta. Foi barrado por três folhas de vidro, que a protegiam. Pulou de novo e esmurrou a proteção. Na terceira vez, Rogério Marcos de Oliveira, de 19 anos, conseguiu arrancar do oratório a estátua de 36 centímetros de altura. A cabeça da santa saiu voando e se espatifou no chão. A luz voltou subitamente, como partira. O assaltante, dias depois posto num hospício, saiu caminhando lentamente para a saída da igreja. Levava na mão ensanguentada a santa de barro sem cabeça. Quando um guarda tentou detê-lo, a estátua caiu e se rompeu em vários pedaços.
Assim começa uma sequência eletrizante de capítulos do livro Aparecida (Globo Livros, 239 páginas), de Rodrigo Alvarez, que conta a história da padroeira do Brasil. Uma imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição foi encontrada por três pescadores no fundo do Rio Paraíba do Sul, perto da vila de Guaratinguetá, em 1717. Assim surgiu Nossa Senhora Aparecida. Desde então, a devoção por ela cresceu, em paralelo à formação do Brasil. “Nossa Senhora é parte da identidade brasileira”, afirma Alvarez, de 40 anos, correspondente da TV Globo no Oriente Médio. “Aparecida foi um símbolo do Brasil muito antes do samba, do futebol, da bandeira e mesmo da palavra brasileiro, que não existia quando ela foi descoberta. Tem uma legitimidade de 300 anos, que nenhum outro símbolo nacional tem.”
Medium_1077

Lançado há quatro semanas, Aparecida já vendeu mais de 100 mil exemplares. Lidera as listas de mais vendidos na categoria de não ficção. O livro começou a nascer há quatro anos, depois de uma longa temporada de Alvarez  nos Estados Unidos. Ele queria escrever sobre religião, buscava um tema relevante ao Brasil, se interessou por Aparecida. “Descobri que não havia um livro bom que contasse os 300 anos de história da imagem”, afirma. Ao mergulhar no assunto, percebeu que a história da santa se misturava à própria história do Brasil. Fora abusada no Império, ignorada nos primeiros anos da República, usada por Getúlio Vargas para unir o país, nos anos 1930, e pela ditadura militar para se legitimar, nos anos 1960. Dessa mistura de história religiosa e política nasceu o livro.

Enquanto ele era escrito, Alvarez, num golpe do destino, foi convidado a trabalhar em Jerusalém. Desde 2013, vive com a mulher e os três filhos a 1 quilômetro e meio do local onde a tradição diz que Cristo foi crucificado. De manhã, leva os bebês para passear no Santo Sepulcro, como se estivesse num parquinho. “Hoje, me emociono mais com a religião”, diz ele. “Aqui, está tudo vivo. É como se tivesse acontecido ontem.”

O livro de Alvarez ganha tons de thriller policial ao narrar o ataque à imagem e sua dramática reconstrução, em 1978 – assim como o sequestro que se seguiu. Depois de dizer ao público que a santa seria restaurada por especialistas do Vaticano, os padres do santuário de Aparecida levaram a estátua às escondidas ao Museu de Arte de São Paulo, o Masp. Lá, sob intenso sigilo, os 2 quilos e 550 gramas de material consagrado foram entregues aos cuidados de uma jovem artista plástica chamada Maria Helena Chartuni, a restauradora. Mais de 30 anos depois, ela contou a Alvarez que quase teve um ataque de pânico quando viu o que lhe cabia fazer. Numa caixa forrada de pano branco, jaziam dezenas de pedaços do que antes fora a imagem. A cabeça, praticamente só lascas e pó, estava numa caixinha ainda menor, para além de qualquer possibilidade de restauração. A situação exigia um milagre.
 
FÉ E HISTÓRIA O Santuário de Aparecida e, no alto, o escritor Alvarez com seu livro. A santa é o  símbolo mais antigo do Brasil (Foto: Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens e divulgação)
Cinquenta dias depois, quando o trabalho de restauro terminou, com o auxílio inesperado de uma cola argentina, a cabeça da santa fora inteiramente refeita por Maria Helena, com base em duas cópias entregues a ela pelos padres. No finalzinho, um deles, Izidro de Oliveira Santos, insistiu que a santa fosse pintada em cor mais clara. Maria Helena se recusou, bateu o pé, e a santa continuou marrom-escura, quase preta, cor que ganhara no lodo do Rio Paraíba do Sul havia 300 anos. A história não acaba por aí. Quando a estátua foi devolvida à basílica, o padre Izidro a sequestrou do altar e tentou pintá-la da cor que julgava apropriada, no fundo de sua casa. Quase estragou a relíquia. Maria Helena teve de ser chamada novamente a dar outra demão de tinta na imagem, com a cor “terra de siena queimada”. Desde então, não se discute mais a morenice da santa.
O sucesso de Aparecida é impulsionado por um fenômeno editorial que sacode o país faz algum tempo, os livros religiosos. É o segmento do mercado editorial cujas vendas mais crescem. Entre 2012 e 2013, elas cresceram 17% e passaram de 72 milhões de exemplares. O antropólogo Bernardo Lewgoy, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, diz que a literatura religiosa é o gênero preferido por 54% dos brasileiros nas classes E e D e por 21% das classes A e B. “Os que menos leem têm começado a ler mais, privilegiam gêneros religiosos”, diz ele. A estabilidade financeira e a expansão  da classe média ajudam e provocam outras mudanças no mercado. Se, há cinco anos, os livros espíritas eram os mais vendidos, hoje, outras religiões crescem em ritmo acelerado. O caso mais evidente é o padre Marcelo Rossi, cujos últimos lançamentos – Ágape e Kairós, lançados pela Globo Livros – venderam, juntos, 12 milhões de exemplares. Agora é a vez de Aparecida. “Acho positivo que busquem a religião e a espiritualidade”, diz Alvarez. “As pessoas procuram respostas à vida difícil que levam nas grandes cidades.” Aparecida talvez não tenha exatamente essa resposta. Mas ajuda a entender o Brasil e a fé dos brasileiros. Além de ser uma tremenda leitura.
Época, 25/10/14


 A VERDADEIRA HISTÓRIA DA 'SENHORA' APARECIDA 

        Vou relatar os fatos verídicos referentes à imagem dessa Senhora. Localiza-se o início de sua história no período da Colonização Brasileira.

        Corriam muitas lendas sobre descobertas de jazidas riquíssimas de ouro e outras preciosidades. O contágio do entusiasmo atingia as vascas do fascínio. O povo paulista, sobretudo, ardia numa febre desvairada provocada pelas lendas das esmeraldas, as valiosíssimas pedras verdes, cujas montanhas se encravavam quais seios úberes em plena selva.

UM PACTO PELA NOSSA SANTIDADE


O documento a seguir está sendo postado como uma contribuição aos esforços que devem ser realizados por nós cristãos para manter a pureza no lar, especialmente em uma era onde nossas casas estão tão sujeitas à invasão da pornografia pela televisão e pela Internet. Este pacto tem sido mencionado em palestras ministradas sobre o assunto "Integridade" e distribuído aos solicitantes. O pensamento básico é que a formalização de um pacto familiar traz, em si, muito mais força e comprometimento pessoal do que a simples menção ou repetição de diretrizes, que são facilmente esquecidas. A Palavra de Deus nos dá muitos exemplos de pactos solenes e vivemos em uma era de informalidades, onde a confirmação pública de intenções vai desaparecendo.

Não podemos esquecer a responsabilidade dos pais na administração do lar, formulando as regras de convivência e comportamento a todos os que ali habitam, principalmente aos filhos. A imposição de certos limites deve ser feita em amor, mas com firmeza. Eles nunca devem ser excessivos e irracionais, mas sim extraídos da Palavra de Deus e fundamentados nos princípios cristãos.

Que Deus possa abençoar a cada um que veja utilidade na aplicação deste recurso.

SE VOCÊ CONCORDA COM ESTE PACTO E DESEJA FAZER UMA SUBSCRIÇÃO PÚBLICA, PREENCHA O FORMULÁRIO ABAIXO E SEU NOME SERÁ POSTADO NESTA PÁGINA.

Nós, abaixo assinados, pessoas responsáveis perante o nosso Soberano SENHOR e Criador; habitantes deste lar; conscientes dos males da nossa geração e, especialmente, dos perigos em potencial para os nossos corações e mentes, possibilitados pela utilização da Internet; desejosos de utilizar este meio unicamente como uma ferramenta abençoada providenciada pelo SENHOR para o fortalecimento do nosso conhecimento da criação de Deus, para entretenimento saudável, e para comunicação rápida e eficaz com nossos familiares e amigos; contribuindo, na medida de nossas possibilidades, com o avanço do Reino de Deus; nos achegamos, conjuntamente, nesta ocasião para pactuar e concordar nos seguintes pontos:

1. Não nos envolveremos em qualquer tipo de conversação, por “chat”, por “e-mail”, ou por outra forma qualquer, que não esteja em harmonia com as diretrizes da Bíblia. Da mesma maneira, teremos a coragem necessária de demonstrar nossa ética e convicções cristãs perante nossos amigos e conhecidos, fazendo uma dissociação de nossas pessoas de qualquer interação que, em seu andamento, der sinais de que está progredindo na direção errada.

2. Imediatamente “deletaremos” qualquer “e-mail”, anúncio, propaganda, ou material recebido pela Internet, que venha a sugerir (mesmo que o grau de sugestão seja mínimo) imoralidade, pornografia e linguagem imprópria; e não seguiremos os passos e laços contidos nessas comunicações, exercitando todo o esforço para não procurarmos leitura e exame demorados no material que contém estes tipos de apelo.

3. Não tomaremos a iniciativa de “pesquisar” e de dar andamento a “links” a quaisquer sites que apresentem ou promovam imoralidade e pornografia.

4. Depois de realizarmos uma pesquisa legítima, em qualquer assunto, não vamos “clicar” em qualquer “link” que possa vir junto da pesquisa legítima, mas que sugira ou atraia a sites de teor pornográfico ou imoral. 

5. Procuraremos fazer com que nossos hóspedes, visitantes e amigos, que freqüentam o nosso lar, cumpram este pacto. Não teremos receio de falar explicitamente sobre estes padrões e demandaremos que qualquer envolvimento nas práticas condenadas neste pacto, cessem imediatamente.

6. Sabedores que apesar de sermos salvos pelo poder e pelo sangue de Cristo Jesus, temos ainda um coração que é enganoso; que Satanás espera oportunidades para agir, visando a destruição de nossas almas e vidas; que estaremos em uma melhor posição de guarda deste pacto se mantivermos prestação de contas, uns para com os outros, sem criar ocasiões para o pecado; estaremos restringindo o acesso à Internet aos computadores comuns existentes em nossa sala de estar, e não teremos acesso em nossos quartos.

7. Temos a percepção completa de que a questão da “privacidade” é secundária à questão da “pureza”, coberta por este pacto. Temos a convicção de cada subscritor tem direito à sua vida privada e seus relacionamentos individuais; entretanto, “privacidade” NUNCA deverá ser utilizada como uma cobertura ao pecado, ou para a quebra de nossas obrigações, como cristãos, às determinações que especificam a pureza como caminho a ser seguido pelo servo de Deus.

8. Não promoveremos, nem encaminharemos piadas sujas, ou qualquer outro tipo de material que contenha pontos objetáveis, impuros ou impróprios. Nos desligaremos de qualquer lista que demonstre costumeira remessa de matérias de conteúdo duvidoso, ou que dá mostras a estar caminhando nesta direção.

9. Entendemos que os nossos “portais”, provedores, ou “gateways” poderão conter chamadas a páginas e sites que levam a situações condenáveis ou colocadas perigosamente nos limites. Não seguiremos essas “chamadas” ou qualquer “link” que contenha pessoas com pouca roupa, sabedores de que tais situações destroem a dignidade daquelas pessoas, como criaturas de Deus, e que oferecem as nossas mentes e corações oportunidades de pecarmos contra o SENHOR.

10. Sabemos que apesar do propósito deste pacto ser a utilização da Internet, a questão da “pureza” não está restrita a esta área, mas cobre todos os aspectos de nossas vidas pessoais. Consequentemente, nos esforçaremos para nos lembrar de nossas responsabilidades semelhantes nos filmes que viermos a assistir – em casa e com nossos amigos, nos programas de televisão que viermos a assistir, nas músicas e letras que viermos a ouvir e nos relacionamentos que tivermos com outras pessoas.


Baseamos essas decisões não no nosso próprio poder, mas confiantes no livramento divino da tentação e do pecado; considerando a questão da “pureza” não uma expressão de auto-justiça, mas um simples enquadramento nas diretrizes da Palavra de Deus, especialmente como lemos em Rm 6:19; Fp 4:8; 2 Co 12:21; Gl 5:19; Ef 5:3; Cl 3:5 – assinamos este pacto no ______ dia de _____________, no ano da graça do Nosso Senhor Jesus Cristo de Dois mil e Catorze, na cidade de _________________________.



SE VOCÊ CONCORDA COM ESTE PACTO E DESEJA FAZER UMA SUBSCRIÇÃO PÚBLICA, ENVIE SEU NOME, CIDADE, E COMENTÁRIOS E IREMOS POSTÁ-LOS NESSE BLOG.

Abraços.

Vivamos vencendo o pecado!!!

Seu irmão menor.


24 outubro 2014

O LEGADO DOS JESUÍTAS NO BRASIL

Certa jovem está trabalhando em uma loja, vendendo roupas como de costume, quando é abordada por um homem que a chama no canto, a fim de lhe falar em particular:
– Moça, com licença. Sou pastor evangélico e preciso entregar uma revelação a você. Fizeram uma obra de feitiçaria contra sua família. Pagaram R$ 1.000,00 para acabar com seu casamento.
A moça ficou assustada com aquelas palavras e logo tratou de buscar uma forma de quebrar aquelas maldições, afinal, sua família está em jogo. Ligou a TV e viu outro pastor fazendo uma oração forte. Em seguida, o tele evangelista pediu que o telespectador colocasse um copo com água sobre o aparelho de televisão, pois iria orar repreendendo todos os tipos de demônios, cujos nomes são os mais variados.
Ela bebeu a água benta do pastor e depois decidiu fazer uma visita na campanha das causas impossíveis daquela denominação do universo neopentecostal do Reino de Deus. Chegando lá, a sessão de descarrego pegou fogo e os espíritos malignos tinham oportunidade de contar seus objetivos antes de serem expulsos. Depois desse fogo, o que pegou fogo foi a fogueira de dinheiro. Parecia a sarça que Moisés viu. Ardia em chamas, mas não se consumia.
A mensagem foi muito emocionante. A partir de agora a moça estava determinada a determinar. O desfecho daquela reunião de poder foi realizado com a proposta de que as pessoas levassem uma rosa ungida, pois este objeto protegeria a família e sugaria todos os maus espíritos e maus olhados daquela casa. A moça, mais do que depressa pegou a sua, pois tinha certeza que seria mais eficaz que o galho de arruda de sua avó. Ela estava se agendando para participar da próxima reunião, pois o pastor havia avisado que iria ungir os celulares para que cessassem as cobranças de cartão de crédito.
Esse caso é baseado em fatos reais e num primeiro momento pode surgir o seguinte questionamento: o que ele tem a ver com o legado dos jesuítas? Somente obteremos a resposta para essa pergunta voltando alguns anos na história.

A origem dos Jesuítas

Os Jesuítas fazem parte de uma ordem religiosa da Igreja Católica chamada “Companhia de Jesus”. Esta ordem foi fundada em 1534 por sete estudantes da Universidade de Paris, os quais visavam desenvolver um trabalho de acompanhamento hospitalar e missionário, sob os votos de pobreza e castidade.
Além disso, a Companhia de Jesus foi um movimento oriundo da contrarreforma, cujo um dos principais objetivos era o de impedir o avanço da Reforma Protestante. Este grupo de sete estudantes liderados por Inácio de Loyola, organizou esta ordem com características de muita disciplina e rigidez, dando ênfase à absoluta abnegação, conforme já vimos anteriormente e à obediência total ao papa e às doutrinas católicas. Essa postura antiprotestante pode ser vista nas famosas palavras de Inácio de Loyola em sua obra Exercícios Espirituais: “Acredito que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da igreja assim o tiver determinado.” [1]
O Papa Paulo III confirmou a nova ordem em 1540, sendo a mesma reconhecida por bula papal. Inácio de Loyola foi escolhido como primeiro superior geral, enviou seus companheiros e missionários para vários países, primeiramente entre os europeus e em seguida entre os asiáticos, africanos e americanos, com o intuito de criar escolas e seminários.[2] Quando Inácio de Loyola morreu em 1556, já havia aproximadamente mil jesuítas em vários países da Europa e missionários na África, Índia, China, Japão, Paraguai e Brasil.
A Companhia de Jesus nasceu em um período muito fértil, pois a Europa estava vivendo o ápice da “Era dos descobrimentos” em busca de novas rotas comerciais para as Índias. As explorações marítimas pioneiras (Portugal e Espanha) levavam consigo equipes de desbravadores, representantes da Igreja Católica e posteriormente os missionários jesuítas.

Os primórdios da colonização

Em 22 de Abril de 1500 chegava a tripulação portuguesa com cerca de 1.350 homens e oito franciscanos liderados pelo frei Dom Henrique Soares de Coimbra, totalizando nove capelães, um para cada cento e cinquenta tripulantes. O capitão-mor das dez naus e das três caravelas fazia parte de outra ordem religiosa e militar, a Ordem de Cristo. Esta ordem foi criada em 1319 pelo Papa João XXII e foi através dela que a expedição portuguesa foi financiada.
Na véspera da partida da expedição de Cabral, houve uma cerimônia religiosa. Num Domingo, 8 de Março de 1500, o Bispo Diogo Ortiz benzeu a bandeira da Ordem de Cristo. A bandeira foi passada para Dom Manuel I e em seguida para o descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral.
No primeiro Domingo em solo brasileiro, dia 26 de Abril, os portugueses celebraram a também primeira missa, dirigida pelo Frei Henrique. Na primeira Sexta-feira da paixão, dia 01 de Maio, frei Henrique celebrou a segunda missa, a qual foi precedida por uma procissão. Participaram desta cerimônia mais de mil portugueses e aproximadamente cento e cinquenta nativos.
Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada de Cabral, escreveu sua famosa carta, datada de 1° de Maio de 1500, contando as coisas que viu em solo brasileiro. Caminha conta que durante a segunda missa, os nativos ajudaram a carregar a cruz para o local designado, ajoelharam-se, colocaram-se de pé e ergueram suas mãos imitando os portugueses em seus ofícios religiosos:
Ali disse missa o Padre Frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco, assistindo a ela, perto de cinquenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós. E quando se chegou ao Evangelho, ao nos erguermos todos em pé com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco e alçaram as mãos, estando assim até se chegar ao fim; e então tornaram a assentar-se, como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram todos assim como nós estávamos, com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que nos fez muita devoção.” [3]
Com esse episódio Caminha ficou entusiasmado e solicitou ao rei D. Manuel I que enviasse missionários para a terra, a fim de batizá-los o mais depressa possível: “O melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar essa gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”[4]
Havia mais de um milhão e meio de habitantes divididos em mais de mil etnias. Dentre esses habitantes, estavam os aimorés, apinajés, caetés, botocudos, caipós, tupinambás, canelas, tupiniquins, cariris, tabajaras, goitacazes, guaianazes, guaranis e tupis.
A solicitação de Caminha para o envio de missionários não foi atendida e sua carta esteve arquivada por quase trezentos anos, tendo sido encontrada na Torre do Tombo em Lisboa pelo historiador espanhol Juan Bautista Muñoz no ano de 1793.[5]
Padres jesuítas catequizando índios.
Padres jesuítas catequizando índios.

A chegada dos Jesuítas no Brasil

Dom Manuel I não atendeu à solicitação de Caminha. Somente durante o reinado de seu sucessor, D. João III, é que chegaram novos religiosos em nossa pátria. João III declarou que “a principal coisa que me moveu a mandar povoar as ditas terras do Brasil, foi para que a gente delas se convertesse à nossa Santa Fé católica”.[6]
Em 1549 chegava ao Brasil um grupo de seis missionários liderados pelo Padre Manuel da Nóbrega. Os missionários vieram acompanhados de mais de mil pessoas, entre soldados, artesãos, colonos, funcionários e aproximadamente quatrocentos criminosos que haviam sido condenados a viverem fora de sua terra natal, além de Tomé de Sousa, que seria o primeiro Governador do Brasil.
Nóbrega e os outros missionários moraram entre os indígenas por quase um ano. A percepção inicial de Manuel da Nóbrega era de que os índios eram como “papel branco em que se poderia escrever à vontade”.[7]Ele pensava que teria um futuro promissor com aqueles índios: “estão estes Negros mui espantados de nossos officios divinos. Estão na egreja, sem ninguem lhes ensinar, mais devotos que os nossos Christãos”.[8]
Aparentemente seria fácil evangelizar os nativos “não alcançados”, mas logo Manuel da Nóbrega foi percebendo que não era tão fácil assim, pois os portugueses não eram cristãos tão devotos e os índios viviam se revoltando contra as constantes tentativas de serem escravizados.
Diante destas circunstâncias, Nóbrega solicitou que se enviassem novos reforços missionários, mesmo que fossem fracos de engenho e doentes do corpo. Nesta leva de missionários jesuítas aparece José de Anchieta, que na ocasião era noviço e que ficou apelidado depois de “Apóstolo do Brasil”. Anchieta sofria de espinhela caída.
Essa nova leva de missionários não se preocupava com a genuína conversão dos índios e sim na conversão religiosa dos mesmos. Entre 1558 e 1566, os jesuítas teriam batizado entre 12 a 15 mil índios. O padre Eusébio Dias Laços chegou a batizar num só dia 3.700 nativos. Anchieta disse feliz em uma de suas cartas: “Os que em toda esta província foram este ano, pelo trabalho dos nossos, arrancados à impiedade e purificados pelo batismo chegam a dois mil (tal é a bondade de Deus!)”,[9] mostrando certo conceito banalizado com respeito à ordenança de Cristo.

23 outubro 2014

LIÇÃO 04 - 26/10/14 - "A PROVIDENCIA DIVINA NA FIDELIDADE HUMANA

 

TEXTO ÁUREO:“Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei”(Dn 3.1 7).

VERDADE PRATICA:Se formos fieis, a providencia divina jamais faltara

LEITURA BÍBLICADaniel 3.1-7,14

l-INTRODUÇÃO

A imagem descrita no capítulo dois, "cujo esplendor era excelente, e a sua vista terrível", representa o governo dos homens; enquanto a enorme estátua de ouro no presente capítulo simboliza a religião dos homens.

II - NABUCODONOSOR  QUER   INSTITUIR   UMA  RELIGIÃO MUNDIAL:
Ler Dn 3.1-7 - A imagem era grande, de trinta metros de altura e três metros de largura. Somente a cabeça do colosso, do capítulo 2, era de ouro; mas essa imagem inteira era desse metal.

As Escrituras não nos informam se a estátua era de Bel-merodoque, padroeiro de Babilônia, ou se do deus Nebo, do qual foi derivado o nome do rei, ou se era da própria pessoa de Nabucodonosor. De qualquer forma, o ídolo era uma imagem nova e nacional.

Todas as raças, em todas as gerações, têm a constante inclinação de inaugurar novos cultos para satisfazerem o orgulho humano. Mas a exortação para nós é: "Pelejar pela fé que de uma vez para sempre foi confiada aos santos." Judas 3.
Nabucodonosor queria consolidar todas as nacionalidades do mundo em uma só nação. Para alcançar tal coisa era essencial que o governo fosse supremo em tudo, tanto no sentido religioso como no civil.

Roma pagã, séculos depois, fez o mesmo, perseguindo os crentes não somente porque faziam cultos a Cristo, mas porque não adoraram a César, o imperador, como um ser divino.

Alguns dos governos modernos estão inclinados a agir como absolutos. Se acharem que qualquer doutrina é fanática, pode ser a doutrina do batismo, a da cura divina, a da segunda vinda de Cristo, ou qualquer outra, o pastor da igreja é avisado que deve mudar a doutrina da sua igreja.

Note-se como o rei, para dar prestígio à inauguração da nova religião, ajuntou as autoridades de todas as províncias do seu vasto reino.

Vê-se, na maneira de repetir "os sátrapas, os prefeitos e presidentes, os juízes, os tesoureiros, os conselheiros, os oficiais, e todos os governadores das províncias" (Versículos 2 e 3), a pompa e a ostentação do culto.

Observe-se, também, como se repete na história (Versículos 5, 7, 10 e 15, as palavras: "o som da buzina, do pífaro, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de música."

Nesse culto religioso de Nabucodonosor não havia coisa alguma para a alma. Consistia apenas de coisas para agradar os olhos e os ouvidos: um formalismo da melhor música e das cerimônias mais bonitas e atraentes perante a imagem grande em tamanho, mas tudo tão somente para despertar as emoções do povo.

Tudo era muito oco e vazio.   Não havia coisa alguma do verdadeiro sacrifício de  sangue,  de  perdão  do pecado,  do Espírito Santo, nem do novo nascimento com poder de livrar o pecador de seus pecados.

Era uma religião sem sangue que exaltava o homem e se opunha a Deus, que colocava o culto das imagens em lugar do culto a Deus.

III - OS TRÊS HEBREUS SÃO DENUNCIADOS:
Ler Dn 3.8-12 - Podemos imaginar a enorme multidão espalhada na planície de Dura diante da gigantesca estátua de ouro. Ao soar a música das buzinas, dos pífaros, das harpas, das sambucas, dos saltérios, das gaitas e de toda a qualidade de instrumentos, todas as pessoas se prostram em adoração ao ídolo; todas a adoram a não ser os três hebreus, cujos vultos, em pé na planície, se salientavam contra a luz do céu.

Por certo, ao povo de Deus não faltavam inimigos; consta que "no mesmo instante... acusaram os judeus" ao rei.

IV - OS TRÊS HUMILDES HEBREUS PERMANECEM FIRMES:
Ler Dn 3.13-18 - Diz-se que o temporal bate com mais força contra os montes mais altos da cordilheira. Certamente a fúria do rei bateu com toda a força nesses três vultos erguidos, tanto no espírito como no físico, na planície de Dura.

Note-se, no versículo 15, como Nabucodonosor desafiou, não somente aos homens, mas a Deus.

A atitude dos mártires - Deus ordena: "Não farás para ti imagem de escultura.... Não te encurvarás a elas." Êxodo 20.4,5.

O rei lhes mandara: "Quando ouvirdes o som da buzina, do pífaro, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, e de toda a sorte de  música,   vos   prostrareis,   e   adorareis   a   imagem."

Antes disso, Daniel resolvera firmemente não se contaminar com as iguarias do rei.

Os três hebreus aqui resolveram firmemente a não se contaminar com a religião do rei e responderam:  "Deus...   nos pode livrar ; ele nos livrará...  se não, fica sabendo que não serviremos a teus deuses."

Essa é a atitude do espírito dos verdadeiros mártires; se Deus não nos livrar, ainda assim não serviremos a Satanás. Melhor é  sermos queimados vivos aqui do que sermos lançados no fogo eterno, "onde o fogo não se apaga." Lucas 12.4,5; Marcos 9.48.

Policarpo, queimado em praça pública, no ano 169, é um exemplo destacado de como morrem os mártires. Quando foi levado perante o tribuno, o procônsul começou a exortá-lo dizendo:   "Tem piedade da  tua velhice; jura pelo futuro de César  (o imperador); arrepende-te e diz:  "Mata os ateus"   (querendo dizer, "os crentes").

Policarpo passando um olhar calmo sobre a multidão respondeu: "Faz 86 anos que sirvo a meu Rei, e Ele jamais  me fez mal algum, e como posso blasfemar Aquele que me salvou?"

— "Vou lançar-te para seres devorado pelas feras, se não te arrependeres"; disse o procônsul.

"Chama-as", disse o mártir.

"Vou domar o teu espírito pelo fogo"; disse o romano.

"Estás ameaçando-me com o fogo que arde somente por um momento, porém, estás ignorando o fogo do castigo eterno"; disse-lhe Policarpo.

Logo depois, ligado para ser queimado vivo, exclamou: "ó Pai do Teu amado e bendito Filho, Jesus Cristo! ó Deus  de  todas   as  potestades e de toda a criação! Eu Te bendigo porque me julgaste digno desse dia, e desta hora, para receber a minha porção entre os mártires, no cálice de Cristo, eu Te  louvo por  todas  estas  coisas;   bendigo-Te;   glorifico-Te;   pelo eterno Sumo-sacerdote,  Jesus   Cristo,  Teu bem-amado Filho, por Quem e com Quem, no Espírito Santo, seja dada a  glória a Ti, agora  e para sempre. Amém."

os crentes fiéis demonstram, pela  vida, o espírito do Mestre: Ele,  ao  morrer,  deixou  a  Sua  bolsa  para Judas, Sua roupa para os soldados, Sua mãe para João, Seu perdão para o ladrão morrendo na cruz e Sua paz para os discípulos.
Pode-se acrescentar mais que a atitude de espírito do verdadeiro mártir, muitas vezes, não é a de morrer por Deus mas a de viver por Ele. Diz-se que Garibaldi, célebre patriota italiano, quando combatia a Áustria, pela unificação da Itália, clamou convidando seus patrícios para servirem no seu exército:
"Não tenho dinheiro, nem comida, nem roupa, nem provisões, nem recursos; siga-me todo o homem que está pronto a sofrer a pobreza, desprezo, fome, doença e a morte, e que ama a Itália."

É assim que Cristo nos chama para O servir - Lucas 9.57-62.

V - OS FIÉIS SERVOS DE DEUS SÃO LANÇADOS VIVOS NA FORNALHA ARDENTE:
Ler Dn 3.19-23 - Então Nabucodonosor se encheu de furor  (v. 19) - O rei irou-se a ponto de perder o juízo. É melhor que "todo  o homem  seja  pronto para   ouvir,   tardio  para falar, tardio para se irar." Tiago   1.19.

Lembremo-nos da ira  de Caim (Gn.  4.5),  de Moisés (Num. 20.10), etc. Por causa da sua ira Nabucodonosor errou:
(1) - Em chamar os "homens mais fortes" para atar os três hebreus, homens mansos e humildes que qualquer soldado sozinho podia subjugar. 

(2) - Na sua fúria, em vez de mandar os servos prepararem um fogo lento, mandou que aquecessem o mais possível o forno, o qual diminuiria os sofrimentos das vítimas, coisa   contrária ao que o rei queria. 

(3) - Ainda mais as chamas intensas consumiram os fiéis servos do rei.

VI - SÃO CONSERVADOS MILAGROSAMENTE:
Ler Dn 3.24-27 - Vejo quatro homens. . . e o aspecto do quarto é semelhante ao filho dos deuses (v. 25): Gloriosa verdade é: todas as vezes que os homens lançam fora um filho de Deus, esse filho encontra a mais doce e íntima comunhão com o seu Senhor.

Outros exemplos: O  cego de nascença. João 9.34,35; Paulo e Silas. Atos 16.19 e 27; João em Patmos. Apocalipse 1.9,10.    

Os três hebreus não foram salvos da fornalha ardente, mas salvos nela, a qual é uma salvação ainda maior.

O fogo não tinha poder algum sobre os seus corpos (v. 27) : O fogo apenas queimou os seus grilhões. O fogo, nem qualquer perseguição, não atinge a vida que é verdadeira, somente consomem os grilhões que nos prendem em um nível baixo e nos libertam para gozar de uma vida inefável.

VI - NABUCODONOSOR GLORIFICA A DEUS:
Ler Dn 3.28-30 - Os três hebreus não escolheram a saída dos crentes que acham melhor desobedecer e assim conservarem-se vivos para continuar a obra de Deus. Se eles se tivessem aproveitado de tal desculpa teriam perdido a grande influência que tinham sobre o rei, como se vê nos versículos 28 a 30.

De qualquer forma, é como Tertuliano declarou e como a história do mundo revela: "O sangue dos mártires é a semente da Igreja." Isto é, onde cai o sangue dos mártires, aí nascem muitos filhos para Deus - Lucas 21.16, 18.

Todas as vezes que um filho de Deus é vencido na tentação de agradar aos homens, ele perde a oportunidade de glorificar ao Deus verdadeiro.

Mas todas as vezes que tem uma experiência mais íntima do poder de Deus, aumenta também a esfera de seu ministério.

Lembremo-nos, cheios de gratidão, de que a liberdade de cultos e de crença, da qual gozamos, foi ganha pela fé, heroísmo e sacrifício de alguém como os três hebreus.

Fato é, e sempre sem exceção, que o melhor culto do mundo é oco e vão, enquanto que até mesmo na fornalha de fogo ardente pode-se gozar da presença de Deus.

VII - CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O primeiro império mundial, o de Nabucodonosor, iniciou-se com a inauguração de uma estátua (Daniel 3) para ser adorada por todos os habitantes da terra.
O último império gentílico, o do Anticristo no tempo do fim, erguerá outra imagem deslumbrante e serão mortos todos aqueles que não a adorarem - Apocalipse  13.14,15.

Devemos sujeitar-nos "a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei como superior, quer aos governadores." I Pedro 2.13.

Porém, tanto o exemplo dos três hebreus como várias outras Escrituras nos ensinam que devemos obedecer ao Soberano dos soberanos, antes de qualquer autoridade civil - Atos 4.18,19.

Tal fidelidade, como a dos três hebreus, é o fruto do Espírito Santo - Gálatas 5.22.  

Subsídio para o Professor

Em todos os tempos, os crentes fiéis têm mantido a decisão de não abrir mão de seu direito de fidelidade a Deus e de obediência a Ele em tudo, mesmo que esta posição irredutível custe-lhes a vida. Daniel nos legou o verdadeiro exemplo de fidelidade a Deus, e sua fidelidade obteve a aprovação e a conseqüente recompensa divina. Deus jamais deixa os seus servos desamparados (SI 9.10).

DANÇA NA IGREJA - É VÁLIDO?



Veja o vídeo;



Há dois tipos de dança mencionada na Bíblia: a dança mundana e a dança espiritual.


A dança mundana é praticada por homens e mulheres [em conjunto] e está associada ao pecado e à imoralidade (Ex. 32:19; Jó 21:7,11-12; 1 Sm. 30:16; Mt. 14:6). A dança espiritual é praticada privadamente com membros do mesmo sexo perante o Senhor (Ex. 15:20-21; Jz. 11:34; 21:21; 1 Sm. 18:6; 2 Sm. 6:14).

Segundo, a dança feita pelo povo de Deus no Antigo Testamento era completamente diferente da dos pagãos.

Há diferentes palavras hebraicas para esses tipos de dança.

- A palavra hebraica em Salmos 150:4 é "MACHOWL," que se refere à dança em roda. A palavra foi traduzida como dança em referência à dança em Israel em Sl 30:11; 149:3; Jer. 31:13 e Lm. 5:15. Esta palavra hebraica nunca foi usada como a dança pagã.

- Uma palavra usada para descrever a dança pagã é "CHUWL," que significa “torcer ou rodopiar” (de modo circular ou em espiral), isto é, (especificamente) dançar, contorcer-se em dor (especialmente de parto) ou medo.” Esta palavra é encontrada em 58 versos, mas só é traduzida como dançar em Juízes 21 e 23.
Em outras passagens, é traduzida por “angústia” (Dt 2:25), “ferida” (I Cr 10:3), “aflito” (Es 4:4), “trabalho de parto” (Jo 15:20), “sacode” (Sl 29:8), “dolorida” (Sl 55:4), etc. Assim, nunca é usada para descrever a dança em Israel.
- Outra palavra hebraica para dança é RAQAD. Significa “pisar com força, pesadamente”, isto é “dar saltos ao redor (selvagemente ou por alegria). dançar, pular, saltar, fugir”. É traduzido por “dançar” três vezes, em I Cr 15:29 (dança de David), Jó 21:11 (a dança dos filhos dos perversos) e Is 13:21 (dança dos sátiros). Esta é a única exceção à regra que diferentes palavras hebraicas são usadas para descrever a dança de Israel e a dos pagãos. 

- Outra palavra hebraica para dançar é CHAGAG. Significa “mover-se em círculos, isto é (especificamente) marchar numa procissão sagrada, para observar um festival; por implicação, estar saltitante: - celebrar, dançar, (observar, guardar) uma festa (num dia santo) solene, andar à roda”. Usado em 14 versos, mas usualmente traduzido por festejar, celebrar. Só traduzido como “dançar” uma vez em I Sm 30:16 (dançando com os amalequitas). 

- Uma palavra hebraica final traduzida para dançar é KARAR. Esta é a palavra hebraica traduzida para dançar em II Sm 6:14 e 16, descrevendo a dança de David perante o Senhor e não é usada em qualquer outra passagem.

Deus deu uma rigorosa ordem a Israel para que eles não seguissem o caminho dos pagãos. Eles deveriam ser diferentes dos povos pagãos em torno deles, os quais adoravam ídolos. “E não andareis segundo os modos da nação que eu expulsei de vós, pois eles cometeram todas essas coisas e portanto eu os abominei. Mas eu vos disse: vós herdareis a terra deles, e Eu lhas darei para vossa posse, uma terra de que flui leite e mel: Eu sou o Senhor vosso Deus que vos separou dos outros povos...E sereis santos perante Mim: pois Eu o Senhor sou santo e vos separei dos outros povos, para que sejais meus” (Lv 20:23-26).
“23 E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. 24 E a vós vos tenho dito: Em herança possuireis a sua terra, e eu a darei a vós, para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o SENHOR vosso Deus, que vos separei dos povos. ... . 26 E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus.” (Lv 20:23-26 ACF)

A mesma Bíblia exorta os cristãos para serem separados do mundo (Rm 12:1-2). Não nos devemos conforme aos modos sensuais do mundo, tais como seus lascivos modos de dançar. Ainda, se você vai a um show de “rock cristão”, o tipo de dança que você vê é exatamente o mesmo do mundo. O grupo CCM Super Chicks [“Música Cristã Contemporânea dos Super Pintinhos”] é uma ilustração. As garotas dançam de modo sensual. Kirk Franklin e MaryMary são outros dois exemplos. Eles se vestem inadequadamente e dançam exatamente como o mundo. Não há justificativa para isso na Bíblia.

Terceiro, o Sl 150 não é um comando para todos dançarem, mais do que o Sl 69 é um comando para os cristãos amaldiçoarem seus inimigos.

“27 Acrescenta iniqüidade à iniqüidade deles, e não entrem na tua justiça. 28 Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos.” (Sl 69:27-28 ACF)

Muitas das coisas que Israel fez, não fazemos hoje na época da igreja. Isto inclui a circuncisão dos bebês, sacerdócios e ofertas, adoração no templo, restrições dietéticas, leis sabáticas, festivais religiosos, dízimos múltiplos e muitas outras coisas.

Determinamos qual parte do Antigo Testamento manter, em comparação com o Novo Testamento. O modo de vida do crente é encontrado na fé [descrita] no Novo Testamento. E não há exemplo de dança no Novo Testamento. Jesus não dançou. Os apóstolos não dançaram. Não havia danças nas primeiras Igrejas.

A dança no Antigo Testamento esteve associada ao reino de Deus (Sl 149:3; Jr 31:4-13). A razão porque nenhuma dança é mencionada no Novo Testamento é porque este é o período da rejeição e exílio de Cristo. O Noivo está fora [da terra], está num país distante (Mt 9:14-15). Na Última Ceia, o Senhor Jesus disse:“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.” (Mt 26:29 ACF) Quando chegar o dia do casamento do Cordeiro, então virá o tempo em que os crentes dirão “Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.” (Ap 19:7 ACF) Eu não tenho dúvida que a alegre dança mencionada em Sl 149 e 150 e Jeremias 31 começará! “Ora vem, Senhor Jesus!” [Ap 22:20 ACF] Quando o reino de Deus voltar a esta terra na volta de Cristo, então dançaremos e não será dança de rock & roll.


David Cloud
 
Copyright 2013 Todos os direitos reservados | Blog Uma Alma Sedenta | Em Defesa da Fé Cristã Protestante