12 dezembro 2012

A Ideologia Carismática


 “Mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se” (Mt.13:25) * José Gonçalves Santa Inquisição. Em séculos passados qualquer idéia que inspirasse um suposto ecumenismo, era tratada pela igreja católica como uma heresia que devia ser veementemente combatida. Um dos instrumentos criados para fazer valer as decisões da igreja romana contra os hereges foi o tribunal da “santa inquisição”. Historiadores afirmam que a “santa inquisição” foi responsável pela morte de milhares de pessoas. Voltemos um pouco no tempo, mais precisamente ao tribunal de Córdoba no ano de 1630, para vermos como o romanismo tratava aqueles que não rezassem de acordo com sua cartilha. Diz um documento do “santo ofício”: “Que a maldição de Deus Todo – Poderoso e da gloriosa Virgem Maria, dos Bem – Aventurados Apóstolos são Pedro e São Paulo, e de todos os Santos do Céu venha sobre vós e cada um de vós, assim como todas as pragas do Egito e as maldições que caíram sobre o faraó e seu povo, pois não haveis obedecidos aos mandamentos divinos. E que sejais submetidos às mesmas sentenças que flagelaram Sodoma e Gomorra, Datan e Abiram, engolidos pela terra por causa do pecado de desobediência cometido contra Deus. E que sejais malditos em vosso comer, beber, velar, dormir, levantar, andar, viver e morrer. Endurecei-vos em vosso pecado com o demônio sempre à vossa direita até o Juízo Final, onde sereis condenados. Que vossos dias sejam curtos e penosos. Que vossos bens caiam nas mãos de estranhos que os possam gozar. Que vossos filhos sejam órfãos e caiam na necessidade, banidos de vossas casas queimadas. Que toda a gente vos deteste, sem piedade de vós e de vossos negócios. Que vossa malvadeza permaneça na memória de todos, oposta à veneração divina. Que maldito sejam o pão, o vinho e a carne que vós comeis e bebeis, a roupa que vestis, as camas onde dormis, que vós sejais malditos com todas as maldições do Antigo e Novo Testamento, malditos com Lúcifer, Judas e todos os diabos dos infernos, que eles sejam vossos senhores e vossa companhia. Amém” Aqui no Brasil muitos protestantes amargaram os efeitos desse ‘anátema’. A propósito, diz o historiador J. Reis Pereira: “A pregação do evangelho pelos batistas não era vista com bons olhos pelos sacerdotes católicos. Tanto mais que o povo ouvia os pregadores. O povo brasileiro é, em geral, tolerante. Mas pode chegar a extremos de violência quando açulado pelos seus líderes religiosos. E isso aconteceu inúmeras vezes (...) Inicialmente, os padres atacavam os pregadores no púlpito e através de artigos nos jornais da cidade. Uma acusação freqüente era de que os protestantes usavam Bíblias falsas. Quando esses meios falhavam e continuava a haver conversões, apelavam para a violência, algumas vezes contando com a ajuda das autoridades”.
 Irmãos Separados: Os tempos mudaram, a visão católica também. Em anos mais recentes percebe-se que o discurso católico com respeito aos dissidentes (antigos hereges) tem se tornado mais atenuado. As decisões agora não são mais verticalizadas como anteriormente, mas horizontalizadas, isto é, procura-se estabelecer um diálogo com os antigos dissidentes ou hereges, e o caminho mais curto para isso é o do ecumenismo. No Concílio do Vaticano II (1961 –1965) observamos uma forte ênfase da Igreja Católica sobre o ecumenismo. Na sessão: “A relação dos Irmãos separados com a Igreja Católica”( novo termo para aqueles que dantes eram “os dissidentes”), lemos: “Os irmãos separados de nós realizam, também, não poucas ações sacras da religião cristã. Estas podem, sem dúvida, por vários modos, conforme a condição de cada Igreja ou Comunidade, produzir realmente a vida da graça. Devem mesmo ser tidas como aptas para abrir as portas à comunhão salvadora. “Portanto, mesmo as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham deficiências, de forma alguma estão destituídas de significação e importância no mistério da salvação. O Espírito Santo não recusa empregá-las como meios de salvação, embora a virtude desses derive da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica. “Contudo, os irmãos de nós separados, tantos os indivíduos como suas Comunidades e Igrejas, não gozam daquela unidade que Jesus Cristo quis prodigalizar a todos aqueles que regenerou e convivificou num só corpo e em novidade de vida e que as Sagradas Escrituras e a venerável Tradição da Igreja professam. Somente através da Igreja católica de Cristo, auxílio gera de salvação, pode ser atingida toda a plenitude dos meios de salvação. Cremos também que o Senhor confiou todos os bens do Novo Testamento ao único Colégio apostólico, à cuja testa está Pedro, a fim de constituir na terra um só corpo de Cristo, ao qual necessário que se incorporem plenamente todos os que, de alguma forma, pertencem ao povo de Deus (...) É sem dúvida necessário que os fiéis católicos, na ação ecumênica, se preocupem com os irmãos separados, rezando por eles, comunicando-se com eles sobre assuntos da Igreja, dando os primeiros passos em direção a eles (...) 
Este Sagrado Sínodo constata com alegria que a participação dos fiéis católicos na ação ecumênica cresce de dia para dia. Recomenda-se aos Bispos de toda a terra para que seja por ele prudentemente promovida e dirigida” Observa-se uma mudança radical por parte do Concílio do Vaticano II com relação aos dissidentes do catolicismo. Contudo essa mudança, como revela esse documento, ainda mantém o mito de ser o catolicismo a legítima igreja de Cristo, o mito de que o papa é o sucessor de Pedro, além do fato de manter de pé antigos dogmas como os da “venerável tradição”. Irmãos em Cristo O esforço de ‘unir’ católicos e protestantes tem LEIA TEXTO NA ÍNTEGRA NO LIVRO: DEFENDENDO O VERDADEIRO EVANGELHO (CPAD, 2009) 

 MUDANÇA DE PARADIGMA CRISTOCENTRISMO x MARIOCENTRISMO NA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA

 
“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (apóstolo Paulo, I Cor. 3:11) A expressão “mudança de paradigma” é freqüentemente usada pelos historiadores da filosofia. Na Grécia antiga os filósofos pré – socráticos, também denominados de “naturalistas”, preocupavam-se em dar explicações sobre o “arché” ou principio de todas as coisas. Para Tales de Mileto, que viveu no século VII a.C, esse princípio do qual todas as coisas derivaram era a “água”, por outro lado Anaximandro que viveu entre os séculos VII e VI a.C., o “apeiron” ou o ilimitado explicaria a origem de todas as coisas. Já Anaxímenes afirmava que o “ar” e não a água era o “arché” de todas as coisas. Até aqui esses pensadores estavam preocupados em dar explicações sobre o “cosmo”. A grande mudança no pensamento grego, como afirmam os historiadores da filosofia, veio com os “sofistas” ( os sábios). Com a escola sofística “o homem” e não “o cosmo” passou a ser o centro do universo. Protágoras de Abdera que viveu entre 491 e 481 a.C, afirmou ser “o homem a medida de todas as coisas”. Nesta frase de Protágoras está revelada a grande mudança de paradigma na história do pensamento ocidental; a visão de mundo deixou de ser cosmocêntrica para se tornar antropocêntrica. O homem agora passava a ser o centro das atenções na filosofia ocidental. Quanto mais observo o movimento de renovação católica mais convencido fico dessa “mudança de paradigma” no pensamento carismático Cristocêntrico no passado, mariocêntrico no presente. A diferença entre a mudança de paradigma do pensamento grego para o carismático, é que aquele foi uma mudança que provocou um progresso na civilização, enquanto este promoveu um retrocesso dentro da renovação. Ainda muito cedo em sua história, a renovação carismática demonstrava ser incompatível com o catolicismo tradicional. Seus traços doutrinários que lembravam os pentecostais clássicos incomodavam o clero romano, por isso “em 1974, o movimento abandonou o termo pentecostal por outro mais neutro: carismático para não ser confundido com os pentecostais mais antigos”. Quando examinamos o Novo Testamento observamos que a diferença entre esses termos impostas pela renovação carismática, não tem fundamento uma vez que os termos pentecostal e carismático, podem ser visto nas páginas sagradas como sinônimos e suas diferenças são puramente didáticas. A palavra pentecostal aplicada no início à vinda do Espírito Santo, conforme registrada em Atos dos Apóstolos 2:4, posteriormente tornou-se sinônimo dos carismas desse mesmo Espírito. A propósito, observa a Enciclopédia Judaica: “O termo “pentecostal” derivado de ‘pentecostes’ é uma tradução grega para a palavra hebraica ‘Shavuot’ (semanas), uma das mais importantes festas do judaísmo antigo, os judeus helenistas (...) que só utilizavam o idioma grego, chamavam o shavuot de ‘Pentecostes’ ( do grego Pente Kostus, que significa o ‘qüinquagésimo’) porque era festejado cinqüenta dias após a oferenda do molho de cevada que se fazia no Templo de Jerusalém, no segundo dia de Pessach (páscoa)”. Como o derramamento do Espírito Santo (Atos. 2:1-4) aconteceu nesse dia, o termo “pentecostal” ficou associado as manifestações do Espírito de Deus. É precisamente isso o que diz o expositor bíblico J.D.G.Dunn , ao falar sobre “A Significância do Pentecostes para os Cristãos Primitivos” : “ O Pentecostes significa, primeiramente, o derramamento do Espírito que Deus prometeu para os tempos do fim. As manifestações carismáticas e extáticas que se atribuíam ao Espírito de Deus era um aspecto distintivo e importante do cristianismo palestino mais primitivo bem como do cristianismo helenístico posterior (...). At 20:16 pode até indicar que a igreja em Jerusalém observava o Pentecostes como aniversário do derramamento do Espírito(cf. I Cor.16:18)” Por outro lado o termo carismático que vem do grego charismatón (derivado de charizomai – dom, graça), aparece na primeira carta aos Coríntios (12:4), quando Paulo usa o termo para também se referir as manifestações do Espírito Santo na Igreja. Archibald Thomas Robertson, erudito em língua grega, comenta em The Word’s New Testament Pictures, que essa palavra “significa um favor (...) concedido ou recebido sem um mérito” . O ‘charismaton” passou a ser um termo também usado para os dons do Espírito Santo. Querer fazer uma diferença abismal entre esses termos, como pretende a renovação é revelar claramente a ideologia desse movimento, tentando dar-lhe uma identidade mais católica. Em seu livro Carismáticos e Pentecostais – adesão na esfera familiar, a socióloga Maria das Dores C. Machado, mostra que a ingerência na Renovação Carismática, principalmente pelo papado tem a nítida intenção de controlá-la. Na página 48 de seu já citado livro, a doutora Machado afirma: “De maneira geral, revelam um esforço da hierarquia da igreja, sobretudo do papado, em controlar o movimento, evitando possíveis cismas, e ao mesmo tempo canalizar a militância evangelizadora em favor da religião católica. A devoção à Virgem Maria foi estimulada para demarcar as fronteiras entre o catolicismo e o pentecostalismo e em certa medida reforçar a identidade religiosa dos carismáticos.” Não há, pois, como negar que a renovação católica moderna perdeu aquela identidade pentecostal e bíblica que caracterizou o início do movimento, para se tornar uma caixa de ressonância do catolicismo tradicional. Reavivamento mariano Doutrinas que tiveram suas origens na Idade Média, a conhecida Idade das Trevas, começaram a ser incorporadas à Renovação: “ Uma das características bem peculiar da Igreja Católica é a sua flexibilidade para assimilar novas tendências, sem dividir. Isto aconteceu com movimento carismático católico que alcançou seu ápice na década de 70, mas, com o tempo, a hierarquia católica começou a dar algumas diretrizes ao movimento para que se tornasse mais católico. Entre essas diretrizes estava uma ênfase maior na participação da missa, eucaristia e na veneração a Maria” . Até aqui já é possível percebermos que de fato houve uma mudança de paradigma no pensamento da Renovação Carismática, outrora cristocêntrico, agora centralizado na Virgem Maria. É precisamente isso o que diz Paulo Romeiro, um dos maiores estudiosos das seitas no Brasil. Em entrevista à revista VINDE, Romeiro põe em destaque esse enfoque mariano por parte da renovação carismática: “ o movimento carismático não se afasta da idolatria. Ao mesmo tempo em que fala do Senhor, fala da senhora (...) os líderes do movimento carismático confirmam, na mídia, que o objetivo deles é exaltar Nossa Senhora. Dizem que precisam “restaurar o espaço de Maria” . Ficamos perplexos quando vemos importantes líderes carismáticos renovando o marianismo, uma doutrina estranha às Escrituras Sagradas. O marianismo se tornou a pedra fundamental no atual movimento de renovação carismática. Vemos isso, por exemplo quando lemos as palavras do padre mexicano, o carismático Salvador Carrillo Alday, que ao comentar sobre os “frutos do Espírito”, coloca a devoção a Maria como sendo um deles: 1. “Verdadeira conversão a Deus e renovação interior bastante profunda; 2. Experiência de nova relação de intimidade com Cristo; 3. Forte consciência que a comunidade religiosa só pode ser criação do Espírito Santo, que derrama em nossos corações o amor de Deus; 4. A fome da Palavra de Deus ( Am 8:11); 5. A volta para uma devoção séria e centralizada na Santíssima Virgem”. Como prova desse “fruto do Espírito”, Carrillo elenca neste mesmo livro testemunhos de carismáticos que na busca de seu “pentecostes” ou na própria experiência do “batismo no Espírito Santo”, põe em relevo a pessoa de Maria. Na página 55 lemos o testemunho de um desses batizados: “ recebi o batismo no Espírito e devo dizer que o Senhor agiu maravilhosamente comigo e estou muito satisfeito (...) verifiquei claramente a presença singular da Virgem Maria na ação carismática do Espírito nas almas”, e na página 58, um outro testemunho diz: “Cresci no amor de Maria, e com grande alegria aproximo-me mais do Pai”. Ainda nas páginas 63 e 67 se lê: “o Senhor e a Virgem Santíssima eram meus grandes confidentes; neles encontrei força para continuar”, e “ a Virgem Maria estava muito próxima de mim como mãe” . Ainda na mesma obra, página 37 e 38, o autor ao falar sobre a Oração na renovação carismática, responde à pergunta: ‘E o que dizer da Virgem Maria, Mãe de Jesus?’, diz: “Sempre está presente em todo o grupo de oração. E é normal e devido pois, assim como participou tão intimamente do mistério de Jesus, da encarnação do Filho de Deus durante sua vida na terra, ao pé da cruz e da efusão do Espírito Santo no dia de pentecostes, assim também, cada vez que se procura construir o corpo de Cristo, a Igreja reconhece sua presença de mãe e sente sua poderosa intercessão a favor de todos os filhos seus. Ela é verdadeiramente a Mãe da comunidade orante”. Para o carismático Isac Valle, dentre os muitos efeitos produzidos pela renovação carismática, um deles é “ um grande apreço pela devoção a Maria Santíssima”. As palavras: “devoção” e “intercessão” ligadas a pessoa de Maria são freqüentemente citadas nas obras de autores da renovação carismática. O também carismático padre italiano S. Falvo afirma em sua obra: “O Espírito Santo nos Revela Jesus”, que é Maria quem revelará Jesus nas páginas do seu livro. Na página 33 ele diz: “E será Maria, a criatura que a Cristo mais se assemelha e que conheceu a Jesus mais e melhor do que todos os homens, quem no-lo revelará” . Em palavras mais simples, para Falvo, é Maria e não o Espírito Santo o agente da revelação divina. É bem verdade que esse ranço mariano na RCC já aparecia entre alguns dos primeiros carismáticos, todavia não de forma tão acentuada, nem nas proporções em que se encontra hoje, pois como já falamos a grande maioria dos primeiros carismáticos era cristocêntrico. Em seu livro: “Católicos Pentecostais”, Kevin Ranaghan relata algumas experiências de supostos “batismos no Espírito Santo” no início desse movimento, que nos permite enxergarmos claramente isso. Na página 92 do citado livro, lemos: “Descobrir uma profunda devoção a Maria, e posso agora louvar a Deus” . Ranaghan continua a citar mais testemunhos: “Como muitos dos nossos amigos já descobriram, o Espírito Santo renovou nosso amor pela igreja. Onde antes havia apenas o verniz institucional para nós, descobrimos agora vida, poder e calor. As devoções naturais, como a de Maria, por exemplo tornaram mais significativas” . Tudo o que temos afirmado até aqui não se trata de frases soltas nem descontextualizadas. Importantes vozes dentro da renovação há muito empunharam a bandeira do marianismo. O cardeal Suenens, respeitada autoridade dentro da renovação carismática, fala de uma “comunhão do Espírito Santo em Maria”, e diz mais: “ a união vivida com Maria é da mesma ordem: respirar Maria é respirar o Espírito Santo” . Atento a toda essa nova ênfase dada á pessoa da Virgem Maria por parte da renovação carismática católica em solo americano, a obra The New International Dictionary of Pentecostal and Charimastic Movements, traz uma importante observação sobre esse assunto. Após analisar cinco das principais diferenças entre os pentecostais clássicos e a renovação carismática católica, esta conceituada obra conclui: “A abençoada virgem Maria, embora simbolicamente não ocupe o foco da reunião da renovação carismática católica (americana), é todavia esperada estar presente e algumas vezes é invocada em hinos ou orações. Participantes da renovação católica carismática que tem achado o seu caminho dentro do movimento mariano, tendo crescido acostumado a agir como canal de mensagens do céu, podem não hesitar em expressar profecias que crêem ter recebido da parte de Maria ou de outros santos através de sonhos, visões ou ‘locuções interiores” Em sua defesa, teólogos carismáticos fazem um verdadeiro malabarismo exegético, no sentido de justificar essas crenças antibíblicas, em especial o culto a pessoa de Maria. Muitos deles seguindo Tomás de Aquino tentam de forma perspicaz fazer uma diferença, que logicamente não existe, entre “venerar” e “adorar” ou entre “latria” e “dulia”, enquanto outros afirmam que somente “no catolicismo popular” é que as pessoas confundem esses termos. Façamos uma breve reflexão sobre as afirmações feitas até aqui, tanto por parte da renovação carismática como também por parte do catolicismo tradicional, no que concerne ao destaque dado a “devoção” a Maria e seu papel de “intercessora” e até mesmo como aquela que “revela” a pessoa de Cristo. No mínimo essas afirmações são problemáticas, pois, contrariam o ensino das Sagradas Escrituras. Primeiramente a Bíblia diz “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” ( Mt. 4:10), em segundo lugar a Escritura afirma que só existe um mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” ( I Tm.2:5), em terceiro lugar, a Bíblia diz que o agente da revelação divina é o Espírito Santo, é ele quem nos revela a pessoa de Jesus: “ Quando vier, porém o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir” ( Jo. 16:13), e em quarto lugar a Escritura é taxativa em afirmar: “ Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”. ( I Jo. 1:3). Todos esses problemas teológicos insuperáveis dentro da atual renovação carismática, com uma teologia medieval enxertada em seu seio e que a leva a se auto contradizer, nos mostra que essa crise pela qual passa a atual renovação católica é estrutural. Em palavras mais simples, o problema é mais sério do que comumente se tem pensado, uma vez que se encontra nos alicerces sobre os quais a renovação foi edificada. 
José Gonçalves da C. Gomes, Ministro do Evangelho, Conferencista e professor de grego, hebraico e teologia sistemática. 
 

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