07 dezembro 2012

Pastor é preso no RJ acusado de liderar quadrilha de milicianos

RIO — Policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) prenderam na quinta-feira 11 suspeitos de integrar uma milícia na Zona Oeste. Eles são acusados de agiotagem, formação de quadrilha e extorsão. O bando seria chefiado, segundo a polícia, pelo pastor Dijanio Aires Diniz — um dos 11 presos —, que se entregou na Academia de Polícia, na Cidade Nova, enquanto era procurado. Ele usava, de acordo com a investigação, a Igreja Pentecostal Deus é a Luz, em Campo Grande, como escritório para fazer empréstimos e cobranças. A ação recebeu apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público, e da Subsecretaria de Inteligência.
— A igreja funcionava como uma espécie de disfarce para ele estar junto perto das pessoas. Ele conseguia clientes e depois cobrava, sob ameaças de morte, até 60% sobre o valor do empréstimo. Além disso, havia a exploração da fé das pessoas. A igreja foi alvo de busca e apreensão, mas não foi fechada — disse o delegado titular da Draco, Alexandre Capote.
Segundo ele, o pastor, que negou todas as acusações, chefiava o esquema junto com o ex-PM Carlos Henrique Garcia Ramos, preso desde maio deste ano. Ainda de acordo com o delegado, os ganhos da quadrilha chegavam a R$ 500 mil por mês. O grupo é chefiado também pelo ex-PM Toni Ângelo, que está foragido.
No templo, Dijanio prometia curas milagrosas, de Aids a surdez. “Há quanto tempo a senhora estava surda desse ouvido esquerdo?”, pergunta o pastor num dos vídeos postados em seu canal no YouTube. A fiel responde: “Há 13 anos. Estou ouvindo perfeito (sic)”.
Bando alterava combustível
Em outro vídeo, cadastrado no site em outubro de 2009, o pastor promove uma sessão de exorcismo para tirar “o espírito da Aids” de um homem. No fim, Dijanio abraça o fiel e afirma que ele está curado. Para comprovar a cura, ordena ao homem que corra até a porta da igreja e volte ao altar.
A prisão dos 11 acusados fez parte da Operação Pandora II. O objetivo era prender 13 integrantes da milícia, que atua nos bairros de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Paciênca e Santíssimo, todos na Zona Oeste. Além de agiotagem, a quadrilha, segundo a polícia, chefiava um esquema de alteração de combustível, que era distribuído em vários pontos da cidade. O grupo explorava ainda máquinas caça-níqueis, transporte alternativo e tinha uma rede de “gatonet” (TV por assinatura ilegal), com mais de cinco mil assinantes.
— Eles estão atuando em todas as áreas que podem funcionar como financiadoras da milícia — disse o delegado Alexandre capote.
A operação contou com a participação de 96 policiais, comandados por cinco delegados. As investigações, que já duram mais de um ano, vão continuar. Para o subchefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, com as prisões, outras pessoas podem subir na hierarquia na quadrilha. Mas a polícia continuará com as ações até que a milícia seja desmantelada.
— Não há grupo de milicianos intocável— disse ele.


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