08 dezembro 2012

Ser seguidor de Jesus. O que é isso?



Como professor da Escola Bíblica Dominical esta é uma pergunta que me faço diariamente.
 Existe um conflito muito grande entre o saber e o fazer, e entendo que quem sabe é mais cobrado, uma vez que não poderá dizer-se ignorante acerca de determinada regra ou situação.
Ensinar é uma arte e requer talento e conhecimento, mas, o saber sem o fazer é um discurso vazio, principalmente se o objeto em estudo trata de questões morais, sociais, de mudanças de vida!
Um diálogo entre o general Junot, um brilhante auxiliar de Napoleão, e seu líder, em meio às turbulências de uma batalha, nos mostra o quanto o ensino anda de mãos dadas com o exemplo:
“(...) No meio da noite, o general Junot, procurou-o e, de novo, tentou mostrar o perigo de o imperador ir à frente de batalha. Napoleão olhou-o com firmeza e disse: - Não tem jeito, eu vou. - Mas por que, comandante? E Napoleão respondeu: - É mais fácil puxar do que empurrar. Servir de exemplo não é a melhor forma de ensinar; é a única forma!”
Como posso falar de Jesus, dizendo-me seguidor de suas instruções, se não procuro agir como o Mestre? E vale ressaltar que estas instruções eram transmitidas através de diálogos seguidos de exemplos práticos, reais e exeqüíveis. Como quando discursou sobre perdão para seu discípulo Pedro:
 “Jesus respondeu: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18:22)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
 Logo depois o Mestre é negado três vezes pelo mesmo discípulo e Lucas narra: “E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.” Lc 22:61 Pedro experimentou o perdão propagado pelo Mestre, a pratica estava consoante ao ensino.
Voltaire disse em Tratado sobre a Tolerância algo que me chama muito a atenção: “(...) aos que querem imitar Cristo que observem bem, pois aos imitadores cabe mais atitude de mártir do que de algoz.”
Temos observado, e não precisa ser tão bom observador, uma ascensão do movimento neo-pentecostal, e com isto a degradação do Evangelho. Os púlpitos são palcos da verborragia, as ovelhas são vistas como cifrões, e o Evangelho é customizado para atender a demanda. Amor é uma palavra pronunciada sempre acompanhada de dinheiro, o outro é alguém que tenho que destruir uma vez que é “cavalo” do inimigo e o despacho gospel é a solução para todos os problemas. Onde está Jesus Cristo nisto tudo?
Lamento que as igrejas, mesmo as sérias e/ou equilibradas, não vejam na parábola do Bom Samaritano um grande ensinamento do Mestre para que estejamos atentos às necessidades do outro. Serviço social na igreja é tão somente a campanha do quilo e, por conseguinte, a distribuição de cestas básicas para alguns membros mais necessitados. Acho que isto é muito importante e um dever do cristão e da Igreja, afinal para isto é que os dízimos deveriam servir, porém, conforme a chamada “visão” de cada líder, e visão aqui, ao que me parece, é mais importante que as doutrinas ensinadas por Jesus, determina-se a construção de templos faraônicos ou o gasto em coisas que os fiéis sequer são consultados, na verdade os fiéis são coagidos a crer que isto ou aquilo é o melhor para eles, pois liderança não pode ser criticada, afinal “o céu é lugar para gente obediente”, e eu acrescentaria: para obediente, mudos, surdos e encabrestados. Pode até haver boa vontade, mais não vejo transparência e equidade ou democracia, mas democracia em regime supostamente “teocrático” é algo impraticável.
Gostaria de ver uma igreja preocupada com a sociedade, dando o pão e estendendo a mão para que o indivíduo saia de determinada situação. Pedro e João foram corajosos ao dizerem para o aleijado à porta do templo, chamada Formosa:“E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: Olha para nós.”(At 3:4) Será que podemos gritar para a sociedade: Olhem para nós! Será que, enquanto cidade edificada sobre o monte, podemos colocar a “cara” à mostra?  Infelizmente os políticos da chamada “ala evangélica” estão atolados na mesma lama dos que não professam esta fé. As igrejas estão se transformando em Shopping Center, onde bênçãos estão “dispostas nas prateleiras” conforme o gosto do cliente e sua capacidade de pagar por tal serviço. Quantos “pastores” podem sair à busca da ovelha perdida convictos que as que estão no aprisco estão a salvo?
Assim como José, poderíamos matar a fome do “mundo” se soubéssemos administrar o que Deus nos dá, mas o que temos feito? Dizimos e ofertas são entregues para aplacar a “fúria” de Deus sobre nossa finanças, o chamado tirar o devorador (e é assim que é pregado em muitas igrejas), uma vez que isto foi feito, “-Meu papel foi cumprido.”
O negue-se a si mesmo foi trocado pelo: “nego a mim mesmo que estou doente, falido, etc..”, pois desta forma, com confissões positivas, você é mais que vencedor, cabeça e não cauda, blá, blá, blá...
 Se você quiser que as coisas melhorem na sua casa ou no seu trabalho ou na sua igreja, você precisa dar o exemplo. Se as pessoas ao seu redor não percebem o seu esforço e o seu firme propósito, dificilmente promoverão as mudanças necessárias.
Ninguém chega ai Pai se não for através do Filho. E é o Filho, Jesus Cristo Homem, que temos de seguir, para assim podermos adorar o Filho, Jesus Cristo Deus!
Grande abraço a todos.
Vivam vencendo!!!
Seu irmão menor.

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