30 janeiro 2013

40 Mártires, 40 Coroas

Da história da Igreja dos primeiros séculos existe um relato que veio impressionar os cristãos ao longo dos tempos. Um grupo de soldados crentes, numa das legiões do Império Romano, foi condenado à morte por sua conversão ao Cristianismo, ora poderosamente difundido e perseguido. Esses soldados foram colocados no meio de um lago congelado, para que morressem. Antes lhes deram a palavra do imperador de que se abandonassem a fé e se arrependessem de terem sido convertidos, poderiam ser libertos, passando antes pelo oficial em serviço.

Naquela noite, porém, o guarda teve uma visão. Ele via anjos pairando sobre os condenados, que iam coroando os que morriam e eram de imediato levados ao Céu. Ele escutou um cântico, como de um grande coral, nos céus, cuja letra dizia: “Quarenta mártires, quarenta coroas”. Num dado momento o guarda notou que um dos cristãos aproximava-se, e logo viu que ele iria demonstrar o seu arrependimento. Chegou-se e renunciou a sua fé diante do oficial, pois estava vendo seus companheiros caírem mortos um por um. O guarda anotou seus dados pessoais. Fixou seu olhar no rosto disforme e infeliz e disse pausadamente: “Louco, se tu tivesses visto o que eu vi nesta noite, tu terias morrido e ganhado tua coroa! Como renunciaste, mostrando-te arrependido, ela ficou e está lá suspensa e será minha! Toma o meu lugar aqui e minhas armas e eu tomarei a tua coroa”.

Aquele guarda romano, desfazendo-se de sua armadura, rumou para junto dos mártires onde acabou morrendo por ter tido um encontro com o Senhor Jesus. Da sua legião terrestre embrenhou-se na legião dos combatentes celestiais e galgou a glória da vida eterna.
 
Desconheço Autoria



Os 40 Santos Mártires de Sebástia - Armênia (+c.320) 
No ano de 313 Constantino, o Grande, promulgou um édito libertando os cristãos das perseguições de fé e equiparou-os aos pagãos diante da lei. Mas seu co-regente Licinius favorecia aos pagãos e na sua parte do império decidiu erradicar o cristianismo, que era, lá, consideravelmente difundido. Licinius preparou suas tropas para lutar contra Constantino, que temendo uma rebelião, decidiu liberar os cristãos do seu exército.

Na época, um dos comandantes militares da cidade armênia de Sebástia era Agricolaus, um adepto zeloso do paganismo. Sob seu comando estava a companhia do forte da Capadócia – Bravos Soldados – que lhe renderam vitórias em numerosas batalhas. Todos eram cristãos. Quando estes soldados recusaram oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, Agricolaus prendeu-os. Os soldados mergulharam em profunda oração e num determinado momento à noite ouviram uma voz: 
“Perseverem até o fim então vós sereis salvos”.
Na manhã seguinte os soldados foram levados a Agricolaus. Neste momento o pagão tentou lisonjeá-los. Ele começou a enaltecer seus valores, sua juventude e força; mas, exigiu-lhes a renúncia à Cristo, e por recompensa ganhar o respeito e as benesses do Imperador. Após ouvir novamente as recusas, Agricolaus deu ordens para algemar os soldados. O mais velho deles, Kyrion, disse: ”O imperador não lhe deu o direito de nos algemar”. Agricolaus ficou embaraçado e ordenou que os soldados voltassem à prisão sem algemas.

Sete dias depois, o renomado juiz Licius chegou em Sebastia e julgou os soldados. Os santos responderam firmemente:
 “Podem tirar as nossas insígnias e também nossas vidas, pois nada é mais precioso para nós do que Cristo Deus”. Em vista disto, Licius ordenou que os mártires fossem apedrejados. Mas as pedras voavam por eles inteiramente; e a pedra atirada por Licius golpeou Agricolaus na face. Os torturadores imaginaram que os santos eram guardados por alguma força invisível. Na prisão, os mártires passaram a noite a orar e novamente ouviram a voz do Senhor, confortando-os: “Aquele que acreditar em Mim não morrerá, mas viverá. Sejam bravos, não tenham medo e obtereis uma coroa incorruptível”.

No dia seguinte o juiz novamente os interrogou na frente do torturador, mas os soldados permaneceram inflexíveis.

Era inverno, e havia um espessa neve. Eles alinharam os soldados e os colocaram num lago gelado não muito longe da cidade, sob guarda durante toda a noite. A fim de persuadir os mártires a mudar de vontade, uma aquecida casa de banhos foi instalada perto da margem. Durante a primeira hora da noite, quando o frio estava insuportável, um dos soldados não agüentou e teve um ímpeto de ir à casa de banho, mas mal tropeçara na soleira da porta, caiu morto. Na terceira hora da noite, o Senhor enviou consolações aos mártires: repentinamente apareceram luzes, o gêlo derreteu e a água do lago tornou-se quente. Todos os guardas dormiam, exceto um que fazia a vigília, de nome Aglaios. Ele viu no lago, uma radiante coroa sobre a cabeça de cada mártir. Aglaios contou trinta e nove coroas e imaginou que o soldado que fugira, tinha perdido a sua coroa. Em seguida, Aglaios acordou os outros guardas, tirou seu uniforme e lhes disse: “Eu também sou cristão” e se uniu aos mártires. De pé no lago ele orava: “Senhor Deus, eu creio em Ti, em Quem estes soldados acreditam. Me junte a eles também e considere-me digno de sofrer com Teus servos”.

Pela manhã os torturadores viram com surpresa que os mártires ainda estavam vivos, e que seu guarda Aglaios glorificava Cristo com eles. Então tiraram os soldados da água e lhes quebraram as pernas. Durante esta terrível execução, a mãe do mais novo dos soldados, Meliton, pediu que seu filho não sofresse durante a execução. Eles colocaram os corpos dos mártires num carro para queimá-los. O pequeno Meliton ainda respirava e o deixaram na grama. Sua mãe então levantou seu filho e carregou-o sobre seus próprios ombros, atrás do carro. Quando Meliton ofegante deu seu último suspiro, sua mãe o colocou no carro ao lado dos corpos de companheiros de sofrimentos. Os corpos dos santos foram queimados e os ossos carbonizados foram atirados na água, para que os cristãos não os recolhessem.

Três dias depois os mártires apareceram em sonho ao abençoado Pedro, Bispo de Sebástia, e mandou-o pegar suas relíquias no local do “enterro”. O bispo acompanhado de vários clérigos recolheu as relíquias dos gloriosos mártires à noite e sepultou-as com honra.

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