04 janeiro 2013

Lição 01 - 06/01/2013  - "A Apostasia no Reino de Israel"


TEXTO ÁUREO

“E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou diante dele” (1 Rs 16.31). – Esse casamento do filho de Onri com a filha de Etibaal pode ter sido arranjado por Onri devido a razões políticas. A presença de Jezabel trouxe apoio oficial, na nação de Israel, à adoração a Baal. Baal significa “senhor”ou “marido”. Baal era um deus da tempestade, uma divindade dominante da religião Cananéia. Ele era considerado providencial por enviar chuvas e fertilidade à terra, semeando assim a vida

VERDADE PRÁTICA

A apostasia na história do povo de Deus é um perigo real e não uma mera abstração. Por isso, vigiemos.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Reis 16.29-34.


INTRODUÇÃO

Ao contrário de Judá, onde todos os reis pertenceram à descendência de Davi, em Israel, 9 diferentes famílias ocuparam o trono, e todas as mudanças de família foram manchadas com sangue. Assim, chegamos a Onri, que era o chefe do exército do rei Elá. Elá tinha sido morto por Zinri, mas boa parte de Israel não queria Zinri governando e fizera Onri seu rei. Onri e seus aliados foram enfrentar Zinri, que preferiu atear fogo na sua fortaleza, morrendo queimado e Onri se firmou como o novo rei de Israel, inaugurando uma nova dinastia, que ficaria na história como a pior, a mais pecadora e a mais perniciosa de todas as famílias que reinaram no Norte.

Onri governou durante 12 anos, e do ponto de vista material foi um governo de progresso e consolidação política. Instalou a capital do reino em Samária, que estando no cume de um outeiro, era uma posição privilegiada para uma capital, pois veremos que mesmo tendo sido diversas vezes assediada por inimigos, ela seria somente dominada pelos assírios que ainda assim precisaram impor um cerco de 3 anos à cidade, antes de poderem tomá-la. Com Onri Israel começou a se projetar internacionalmente e um período de prosperidade se iniciou. A paz com os irmãos vizinhos de Judá também foi firmada e logo mais veremos os dois reinos juntos em ações militares, bem como a família de Onri se unindo pelo casamento com a família real de Judá.

Mas como com todos os reis de Israel, Onri fez o que era mau aos olhos do Senhor, e com a sua morte, o seu filho Acabe assumiu o trono. A administração de Acabe continuou o que foi iniciado por seu pai, e Israel prosperou tendo obtido vitórias militares importantes sobre os Sírios, quando instruído por um profeta enviado por Deus, os israelitas, mesmo em inferioridade, venceram os sírios de Bene-Hadade. Relatos dos assírios também registram uma vitória importante de Israel e seus aliados sobre a Assíria na famosa batalha de Carcar.

Por todo Israel, Acabe construiu e fortificou muitas cidades incluindo Jericó (I Rs  16:34; 22:39). Além disso, impôs pesados tributos em gados de Moabe (II Rs 3:4), que lhe proporcionaram um favorável equilíbrio no comércio com a Fenícia e a Síria.

A respeito de Judá, assegurou uma política de amizade pelo matrimônio de sua filha Atalia com Jorão, filho de Josafá (865 a.C.) O apoio de Judá fortaleceu Israel contra a Síria. Mantendo a paz e desenvolvendo um lucrativo comércio, Acabe esteve em condições de continuar o programa de construções na Samaria. A riqueza que cobiçava para si mesmo, está indicada em I Reis 22:39, onde se faz referência a uma "casa de marfim". O marfim descoberto pelos arqueólogos nas ruínas de Samaria pode muito bem ser do tempo de Acabe.

Enquanto Onri pôde ter introduzido Baal, o deus de Tiro, em Israel, Acabe promoveu o culto a este ídolo. Em sua grande cidade capital, Samaria, construiu um templo a Baal (I Reis 16:30-33). Centenas de profetas foram levados a Israel para fazer do baalismo a religião do povo de Acabe. Do narrador bíblico ouvimos em I Rs 21:25 que ninguém se igualou a Acabe no desagradar a Deus. Acabe se casou com uma princesa de Sidon, cuja influência maléfica sobre ele e sobre todo o Israel não encontrou paralelo na história bíblica. Seu nome era Jezabel. Jezabel poderosamente influenciou todo o governo de Acabe; instalou oficialmente em Israel o culto a Baal; e de todas as maneiras perseguiu e buscou a destruição de quem quer que fosse fiel a Jeová.

O objetivo deste estudo é trazer algumas informações, colhidas dentro da literatura evangélica, com a finalidade de ampliar a visão sobre a apostasia no reinado de Acabe. Não há nenhuma pretensão de esgotar o assunto ou de dogmatizá-lo, mas apenas trazer ao professor da EBD alguns elementos e ferramentas que poderão enriquecer sua aula.

I.   AS CAUSAS DA APOSTASIA

Jezabel, no hebraico, significa "casta, virtuosa, sem idolatria". Imagine! Esta mulher muitíssimo ímpia, idolatra, maquinadora, odienta, usando um nome que significa virtuosa, sem pecado. Alguma coisa muito má levando o nome de boa. Mas, ironicamente, é "casta?" — com um ponto de interrogação. Como? Quando? Onde? Como foi que ela se tornou casta?

           Agora olhe para Acabe. "Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau aos olhos do Senhor, mais do que todos os que foram antes dele. Como se fosse pouco andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, ainda tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou" (I Reis 16:30-31). Acabe significa "um como pai" ou "estampado com a natureza de seu pai". Jezabel representa a falsa doutrina e Acabe é sua vítima.

A Bíblia declara que não bastava que Acabe tivesse um coração inclinado para pecado, idolatria e contemporização. Ele traz para a sua vida uma influência satânica que o confirmará em seu pecado. "Não houve ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau aos olhos do Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o instigava" (I Reis 21:25).

A mensagem então é: que a tendência dos cristãos que se apegam a pecados secretos e luxúria abraçam uma falsa doutrina que só os instiga e confirma em seus pecados, e contraem matrimônio com esta doutrina. A última coisa de que Acabe tinha necessidade era Jezabel. Quão perigosa! Ela salientou o que havia de pior nele, magnificou esse aspecto, e o destruiu. Dá-se o mesmo com a falsa doutrina. Se houver qualquer pecado, paixão ou mundanismo em você, a última coisa de que você precisa é uma doutrina que traga à tona o que você tem de pior.

Quando Davi pecou com Bate-Seba, ele não necessitou de um falso profeta com uma mensagem tranqüilizadora para dizer-lhe quanto Deus o amava. Ele necessitava de um profeta imparcial, Natã, com um dedo apontado, clamando: "Tu és o homem." Os que pregam a doutrina de Cristo mostram ao povo a diferença entre o mal e o bem. De seus lábios não sai nenhuma mistura. "À meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro" (Ezequiel 44:23). Ezequiel denuncia esses falsos profetas que se enriquecem trazendo uma mensagem que escusa o pecado.

         "Conjuração dos seus profetas há no meio dela, como um leão que ruge, arrebatando a sua presa; eles devoram as almas, tomam tesouros e coisas preciosas, e multiplicam as suas viúvas no meio dela. Os seus sacerdotes transgridem a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa para derramarem o sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. Os seus profetas têm feito para eles reboco com argamassa fraca, tendo visões falsas, e predizendo-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado" (Ezequiel 22:25-28).

         Como conseqüência, temos uma geração toda de crianças confusas que nem mesmo podem reconhecer o mal quando o vêem. Os falsos profetas as enganaram. Chamam de bom quando roqueiros de cabelos cor de púrpura, vestidos como sadomasoquistas, emproam-se e giram sexualmente no púlpito, explodindo seu "rock and roll".

Dizem-lhes que o sexo fora do casamento é bom enquanto você estiver apaixonado e enquanto você de fato respeitar o outro parceiro. Pregadores e professores têm-se tornado os maiores defensores do pecado na nação.

II. OS AGENTES DA APOSTASIA

Acabe fez o mau mais que todos os que reinaram antes que ele, e o fez com particular raiva contra Jeová e Israel. Não se satisfez com romper o segundo mandamento adorando imagens; também quebrantou o primeiro, adorando outros deuses: tomar levianamente os pecados menores abre o caminho para os maiores.

Casar com outros ofensores atrevidos também acrescenta a maldade e apressa os homens a irem aos maiores excessos.
Um dos súbditos de Acabe, seguindo o exemplo de sua ousadia, se aventurou a reconstruir Jericó. Como Acã, se meteu com o anátema; tomou para uso próprio o que estava dedicado à honra de Deus: começou a edificar desafiando a maldição bem conhecida em Israel; mas nunca nenhum endureceu seu coração contra Deus e prosperou.

Acabe arrependeu-se em face à pregação de Elias. A mensagem de Elias atingiu-o muito. Ele rasgou as vestes e, por algum tempo, andou em humildade. Deus chamou a essa atitude arrependimento. "Não viste que Acabe se humilha perante mim?" (1 Reis 21:29). Daquele dia em diante ele poderia olhar para trás e dizer: "Arrependimento? Sim. Mediante a pregação daquele grande profeta de Deus, Elias, em meu jardim em Jezreel... " Para ele era uma experiência do passado, e não um caminhar diário. Não durou muito tempo. O problema era que ele havia feito uma aliança com o mundo. Ele estava de acordo com o pecado. Havia-se tornado irmão e amigo do mundo. "Irmão", aqui, significa "afinidade, um exatamente igual a mim, alguém que eu respeito". Ele estava em aliança com o que Deus havia amaldiçoado.

E também hoje há um arrependimento superficial, apesar de verdadeiro. Se a aliança com o mundo não for rompida, a pessoa voltará ao antigo estado.

Acabe alegava amar a verdade, mas no íntimo odiava a reprovação. Acabe e Josafá iam juntos à guerra contra a Síria. Quatrocentos falsos profetas pregavam sucesso: "Subam e vocês prosperarão. Vencerão." Acontece que havia um profeta solitário contra os 400 falsos profetas. Ouça a exigência de Acabe para ouvir a verdade: "Porém Micaías disse:

Tão certo como vive o Senhor o que o Senhor me disser, isso falarei. Vindo ele à presença do rei, este lhe disse: Micaías, iremos a Ramote-Gileade à peleja, ou deixaremos de ir? Respondeu-lhe ele: Sobe, e triunfarás, porque o Senhor a entregará nas mãos do rei. Disse-lhe o rei: Quantas vezes te conjurarei, que não me fales senão a verdade em nome do Senhor?" (I Reis 22:14-16). Mas em seu coração ele não desejava ouvi-la; ele a odiava. Então ele mandou encarcerar o profeta.

Pastores, professores e todos os da congregação hoje dizem: "Desejamos muito a verdade. Pregue-a conforme ela é. Vá. Despeje-a. Não importa quanto machuque." Mas em seus corações, alguns estão dizendo: "Sombria demais. Dura demais. Já não agüento isto."

"Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com o seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos" (Ap 2:20). A palavra grega aqui traduzida por Jezabel é sinônimo de falso mestre.

Chegamos à perigosa condição sobre a qual Cristo avisou. Há multidões de pastores, professores e evangelistas sob o encanto sedutor da doutrina de Jezabel. Estes mestres seduzidos, por sua vez estão produzindo "filhos da sedução". Ensinam a prostituição e o consumo de alimento dos ídolos — isto é prostituição espiritual. É comer o alimento demoníaco de doutrinas que escusam o pecado.

Quero dizer, de modo que não reste dúvida, que é perigoso dar ouvidos a ensino errôneo. A falsa doutrina pode condená-lo ao inferno mais rapidamente do que todas as paixões ou pecados da carne. Os falsos pregadores e mestres estão mandando mais gente para o inferno do que todos os traficantes de drogas, rufiões e prostitutas combinados. Não acho que esta seja uma afirmativa exagerada — creio nisso. Multidões de cristãos cegos, mal conduzidos, estão cantando e louvando ao Senhor em igrejas escravizadas pela falsa doutrina. Milhares sentam-se para ouvir mestres que estão pregando a doutrina de demônios — e ainda saem dizendo: "Não é maravilhoso?"

Cristo não considera esta questão de maneira superficial. Seus olhos ainda penetram a igreja, e ele vem para advertir, expor e salvar o seu povo e seus servos desta terrível sedução. Seria bom que levássemos este assunto a sério. É sério com relação à igreja que você freqüenta. É sério quanto a quem você está dando ouvidos. É sério o ensino que domina seu coração.


A marca de um cristão seduzido é ser "levado por todos os lados" buscando algum ensino novo, diferente, estranho. A Bíblia adverte: "Não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas" (Hebreus 13:9). Não se deixe conduzir de cá para lá. Não nos referimos aqui às vezes em que um crente maduro ouve em outra igreja (que não a sua) um verdadeiro homem de Deus pregar a Cristo e o arrependimento. Referimo-nos aqui a correr de um lugar para outro, de seminário para convenção, de uma igreja para outra, de reunião de milagre após reunião de cura, não tendo raízes. Seus ouvidos estão sempre em comichão para ouvir algo novo, algo sensacional, algo que entretém, algo agradável à carne.
 

III.   APOSTASIA

Possivelmente, muitas pessoas na Igreja hoje pensam que enquanto o sangue de touros e bodes não podia realmente esconder os pecados daqueles que “não estavam completamente prontos para mudar”, o sangue de Jesus pode fazê-lo, porque é muito mais eficaz. Esta é uma idéia errada. Embora verdadeiramente o sangue de Jesus seja muito mais “eficaz”, ele esconde de Deus apenas aqueles pecados dos quais verdadeiramente nos arrependemos. Embora muitos cristãos hoje digam que “Deus não vê os nossos pecados, mas apenas o sangue”, a Bíblia diz que “os olhos do Senhor estão em todo lugar contemplando os maus e os bons” (Pv 15:3). E também “todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos que prestar contas.” (Hb 4:13) Você vê, Deus conhece nossos motivos. Ele vê nossos corações. Nunca podemos enganá-lo, mesmo que nos decepcionamos nos mesmos.

Sim, uma vez que nos arrependemos verdadeira e completamente, nosso pecado que estava entre Ele e nós é removido e “Assim como o oriente dista do ocidente” (Sl 103:12) Ele não se lembra mais deles. Mas isto é resultado de um espírito quebrantado e contrito. É algo que acontece com aqueles que vêm a Deus com um coração sincero e verdadeiro (Hb 10:22). Quando, à luz de Deus, somos convencidos do que fizemos e do que somos e nos arrependemos de verdade, nossos pecados são de fato perdoados e removidos para sempre.

Entretanto, se Deus não aceitava o sangue de animais inocentes para perdoar pecadores não arrependidos, quanto menos aceitará o sangue de Seu mais precioso Filho para aliviar cristãos não arrependidos de sua justa recompensa. Se não estamos prontos e desejosos de nos arrepender total e completamente e nos voltarmos dos nossos maus caminhos, o sangue de Jesus não nos fará bem algum.

Não faz diferença se nascemos de novo. De fato, tentar tirar vantagem do sangue precioso do Filho de Deus deste modo só tornará pior a nossa situação. Deus nunca é escarnecido ou decepcionado, mesmo que nós nos decepcionemos.

As verdades que estivemos investigando aqui neste texto aplicam-se a crentes tanto quanto a descrentes. Os passos necessários para receber perdão são também para os cristãos. Há muitos membros de Igreja hoje que, embora tenham um dia nascido de novo, não estão totalmente convencidos do pecado nem inteiramente arrependidos e, portanto, não completamente perdoados. Muitos dos filhos de Deus estão andando em pecado e, portanto, não foram, eu repito, não foram perdoados por Deus. Receber a vida eterna, na verdade, requer uma convicção inicial e arrependimento. Entretanto, a necessidade de perdão não acaba aqui. Assumindo que alguém tenha realmente nascido na família de Deus, ainda permanece a necessidade de um arrependimento contínuo.

Arrependimento, para o crente, não é meramente uma ocorrência única, mas uma experiência diária, cada vez mais profunda. Quanto mais crescemos espiritualmente, mais próximo caminhamos com a luz do mundo, mais profundamente sentimos nosso estado pecaminoso. Quando eu era um novo cristão, pensava algo assim: “depois de 20 ou 30 anos caminhando com o Senhor, vou ser realmente santo”. Mas, a minha experiência depois de 20 ou 30 anos, é: “eu sou verdadeiramente ímpio e merecedor da morte”. Embora nesta posição, eu sei que sou constantemente perdoado e limpo. Glória a Deus, conforme “confessamos” os nossos pecados, Ele faz duas coisas. Não apenas nos perdoa por aquilo que fizemos, mas nos limpa daquilo que somos. (I João 1:9).

Em I João 1:7, vemos ainda que há uma outra exigência a ser cumprida para sermos perdoados. Nesta passagem está claro que o perdão não é apenas uma “coisa de um tempo só”. É uma experiência contínua para cada cristão verdadeiro. João nos ensina que “Se andamos na luz, como Ele é a luz,... o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado”. A palavra “se” aqui indica que há definitivamente um pré requisito para a nossa limpeza. “Andar na luz significa que estamos sendo constantemente iluminados pela luz do semblante de Jesus. Nós estamos vivendo em Sua presença a cada dia. Assim, pela expressão de Sua face, cada pensamento, atitude ou ação é revelado a nós como realmente é. Se, e quando, eles forem pecadores, então poderemos nos arrepender novamente e experimentar o maravilhoso perdão e a purificação que são gratuitamente dados a nós em Cristo.
Para um crente viver em perdão, ele precisa andar na presença de Deus, respondendo continuamente a qualquer convicção de pecado quando ela ocorrer.

A causa básica da apostasia é o pecado. Muitos Cristãos não resistem ao pecado. Devido à sua atitude de complacência, expõem-se ao pecado e conseqüentemente se afastam do Senhor. Este afastamento pode levá-los a uma condição de esfriamento tal que resulte em negação da fé (apostasia). “Não vos enganeis: “As más companhias corrompem os bons hábitos” (I Co 15:33). Jesus disse: “O pecado reinará por toda a parte e arrefecerá o amor de muitos” (Mt 24:12; Bíblia Viva).

CONCLUSÃO

Na confecção deste pequeno estudo, buscamos consultar literatura que mais se aproxima com o pensamento de nossa denominação, tentando não perder a coerência teológica. Evitamos expressar conceitos e opiniões pessoais sem o devido embasamento na Palavra, pois a finalidade é agregar conhecimentos, enriquecer a aula da escola dominical e proporcionar ao professor domínio sobre a matéria em tela. Caso alcance tais finalidades, agradeço ao meu DEUS por esta grandiosa oportunidade.


Subsídio para o Professor 



INTRODUÇÃO
Nesta Aula inaugural trataremos, conforme os tópicos propostos pelo comentarista do trimestre, acerca da apostasia no reino de Israel à época do rei Acabe. Sabe-se que a história da apostasia nesse reino começo na época de Jeroboão I, filho de Nebate, logo em seguida à cisão da nação de Israel(doze tribos) em duas partes: reino de Judá (reino do Sul - duas tribos: Judá e Benjamim) e reino de Israel (reino do Norte - 10 tribos). Mas, o período mais crítico e perigoso para Israel(reino do norte) ocorreu no reinado de Acabe, filho de Onri(fundador de Samaria). Nessa época, o culto ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal, trazendo como consequências uma apostasia sem precedentes e pondo em risco a identidade nacional e espiritual do povo de Deus, com o banimento do verdadeiro culto a Jeová. A perseguição àqueles que se opuseram à idolatria de Acabe e Jezabel foi ferrenha. Foi tão ferrenha que Elias pensou que só ele escapara da morte. Mas, quando achava que somente ele havia permanecido fiel a Deus, foi surpreendido com a notícia de que ainda havia sete mil que não haviam dobrado seus joelhos a Baal (1Rs 19:14,18).
A apostasia é obra do maligno, e como tudo que é obra do maligno começa de forma sorrateira, quase que imperceptível, dentro de uma ou outra atitude que, embora seja contrária à Palavra de Deus, é tida como aceitável e plenamente justificável. A apostasia é, sobretudo, um fenômeno interno, um ato de rebeldia que vem do profundo do ser humano e que, por isso, não é perceptível à primeira vista. Como nos diz o Senhor por boca do profeta Ezequiel, o primeiro sinal da apostasia é interno, pois se trata de “levantar ídolos no coração” (Ez 14:3,4). É algo que não é percebido pelo homem, já que só Deus conhece o coração do homem (1Sm 16:7).
I. APOSTASIA
1. O que é apostasia. Apostasia deriva-se da expressão grega “apostásis”,que significa afastamento. Com relação à fé cristã, apostasia significa abandonar a fé cristã de forma consciente e premeditada. Então, para que haja apostasia é necessário que a pessoa tenha experimentado o novo nascimento, ou seja, que tenha certeza de sua salvação e aí, de forma consciente e deliberada, abandona a fé e passa a negar toda verdade por ela experimentada. Ninguém pode abandonar aquilo que nunca teve. Para que haja apostasia é necessário o abandono consciente e premeditado da fé.
No Antigo Testamento a apostasia era considerada adultério espiritual. Israel era chamado de “esposa de Jeová”. Sempre que Israel seguia a outros deuses, ou se curvava diante de ídolos, era acusado de apostasia. Esta foi, inclusive, a causa principal do cativeiro babilônico.
Satanás, aquele “querubim ungido”, descrito em Ezequiel 28:13-17 e Isaias 14:12-15, tinha plena consciência e premeditou sua rebelião contra Deus. Ele não é apenas um apóstata, é também o pai da apostasia.
O pecado da Apostasia, normalmente, resulta como consequência da prática continuada de outros pecados. Foi assim com o Rei Saul, foi assim com Judas, foi, também assim, com Israel, no deserto, quando de sua jornada rumo à Canaã. O Senhor Deus não abandonou Israel no primeiro pecado de murmuração, na primeira rebeldia ou no primeiro pecado de idolatria. Mas, a prática continuada destes pecados resultou em juízo divino contra Israel.
Israel conhecia Deus e tinha experiência com Ele. Esta é uma condição básica para que alguém possa conhecer o pecado da Apostasia. O apóstata tem que tomar sua decisão de forma consciente e premeditada. Apesar de tudo que Israel viu Deus fazer no Egito e em dois anos no deserto, mesmo assim Israel persistiu sendo rebelde, desobediente, duro de coração, incrédulo. Assim, em Cades Barnéia, no deserto de Parã, o cálice da ira de Deus se encheu, diante de mais uma provocação - “E disse Deus a Moisés: até quando me provocará este povo? E até quando me não crerão por todos os sinais que fiz no meu deles? Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei…”. Agora, não havia mais a possibilidade de um acordo.A apostasia estava consumada!
Assim, baseado no que aconteceu com Israel, que, pela prática do pecado continuado, sem arrependimento real e sincero, acabou praticando o pecado da apostasia, também estamos sujeitos a cometer aquele mesmo erro. Este é um risco que corre o crente desviado, e todos aqueles que têm um pé no mundo e outro na igreja. Está escrito: “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura” (Pv 29:1).
2. Apostasia no reino de Israel. As palavras: “tu e a casa de teu pai” (1Rs 18:18), não apenas denunciam a apostasia instaurada no reino do norte, mas também revelam que ela possuía uma tradição histórica. Muitos anos antes dos ministérios proféticos de Elias e Eliseu, Israel havia alcançado a estrutura de uma grande nação com o reinado de Davi (1024-965 a.C). Davi foi um grande estadista e graças à sua piedade religiosa e sua extraordinária capacidade político administrativa, conseguiu unificar o fragilizado estado hebreu. Nos dias de Davi, portanto, havia uma só terra, um só povo, um só Deus, um só Templo e uma só Lei.
Após o reinado de Davi, reinou em Israel, ainda unificado, o seu filho Salomão. Foi neste reinado que a apostasia fincou raízes; que cresceu durante o reinado de Jeroboão (reino do Norte - 10 tribos), e que se generalizou superlativamente no reinado de Acabe. É exatamente durante o reinado de Acabe que a apostasia ameaça suplantar totalmente a adoração ao Deus verdadeiro e é nesse período que surge Elias, um dos maiores profetas da história bíblica. Os estudiosos estão de acordo em dizer que pela primeira vez a verdadeira fé no Deus vivo corria real perigo.
Desde a morte de Jeroboão até o aparecimento de Elias perante Acabe, o povo de Israel experimentou grande declínio espiritual. Governado por homens que não temiam a Jeová e que encorajavam formas estranhas de culto, a maioria das pessoas rapidamente perdeu de vista seu dever de servir ao Deus vivo, e adotou muitas das práticas da idolatria.
Nadabe, filho de Jeroboão, ocupou o trono de Israel apenas por alguns meses. Sua carreira maléfica foi subitamente interrompida por uma conspiração encabeçada por Baasa, um de seus generais, para obter o controle do governo. Nadabe foi morto, com toda a sua descendência na linhagem da sucessão, “conforme a palavra do Senhor que dissera pelo ministério de seu servo Aías, o silonita; por causa dos pecados de Jeroboão, o qual pecou, e fez pecar a Israel“(1Rs 15:29,30). Assim pereceu a casa de Jeroboão. O culto idólatra introduzido por ele tinha levado sobre os culpados ofensores os juízos retributivos do Céu; e a despeito disso, os reis que se seguiram - Baasa, Elá, Zinri e Onri - durante o período de aproximadamente quarenta anos, continuaram no mesmo curso fatal de perversidade.
Durante a maior parte deste período de apostasia em Israel,  o rei Asa reinava no reino de Judá. No início de seu reinado, Asa confiou no Senhor e ele foi vitorioso em vários conflitos. Todavia, o longo relato do fiel serviço de Asa foi mareado por alguns erros, cometidos nas vezes em que ele deixou de pôr sua confiança inteiramente em Deus.
Dois anos antes da morte de Asa, Acabe começou a reinar em Israel. Seu reinado foi marcado desde o início por uma estranha e terrível apostasia. Seu pai, Onri, o fundador de Samaria, tinha feito “o que parecia mal aos olhos do Senhor; e fez pior do que todos quantos foram antes dele” (1Rs 16:25); mas, os pecados de Acabe foram ainda maiores. Ele “fez muito mais para irritar o Senhor Deus de Israel do que todos os reis de Israel que foram antes dele“, agindo “como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate” (1Rs 16:33,31). Não contente com encorajar as formas de adoração seguidas em Betel e Dã, ousadamente levou o povo a grosseiro paganismo, substituindo o culto de Jeová pelo de Baal.
Tomando por esposa a Jezabel,filha de Etbaal, rei dos sidônios”, e sumo sacerdote de Baal, Acabe “serviu a Baal, e se encurvou diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria” (1Rs 16:31,32).
Acabe não somente introduziu o culto de Baal na metrópole do reino, mas sob a liderança de Jezabel construiu altares pagãos em muitos “lugares altos”, onde ao abrigo de bosques circundantes os sacerdotes e outros relacionados com esta sedutora forma de idolatria exerciam sua danosa influência, até que quase todo o Israel estava indo após Baal. “Ninguém fora como Acabe, que se vendera para fazer o que era mau aos olhos do Senhor; porque Jezabel, sua mulher, o incitava. E fez grandes abominações, seguindo os ídolos, conforme a tudo o que fizeram os amorreus, aos quais o Senhor lançou fora da sua possessão, de diante dos filhos de Israel” (1Rs 21:25,26).
Acabe era fraco em capacidade moral. Sua união por casamento com uma mulher idólatra de caráter decidido e temperamento definido, resultou em desastre tanto para ele como para a nação. Destituído de princípio, e sem nenhuma alta norma de reto proceder, seu caráter foi facilmente modelado pelo espírito determinado de Jezabel. Sua natureza egoísta era incapaz de apreciar as bênçãos de Deus a Israel e seus próprios deveres como guardião e líder do povo escolhido.
Sob a danosa influência do reinado de Acabe, Israel afastou-se do Deus vivo, e corrompeu seus caminhos perante Ele. Por muitos anos tinham estado a perder o senso de reverência e piedoso temor; e agora parecia não haver ninguém que ousasse expor a vida colocando-se abertamente em oposição à predominante blasfêmia. A escura sombra da apostasia cobria toda a terra. Imagens de Baal e Astarote estavam em todo lugar para serem vistas. Templos idólatras e bosques consagrados em que se adoravam as obras das mãos dos homens foram multiplicados. O ar estava poluído com o fumo dos sacrifícios oferecidos aos falsos deuses. Montes e vales ressoavam com o perturbado clamor de um sacerdócio pagão que sacrificava ao Sol, à Lua e às estrelas.
Pela influência de Jezabel e de seus ímpios sacerdotes, o povo fora ensinado que os ídolos que haviam sido erguidos eram divindades que regiam por seu místico poder os elementos da terra, fogo e água. Todas as dádivas do Céu - os riachos, as fontes de águas vivas, o suave orvalho, os chuveiros de águas que refrigeravam a terra e faziam que os campos produzissem com abundância - eram atribuídos ao favor de Baal e Astarote, em vez de ao Doador de toda boa dádiva e todo dom perfeito. O povo esqueceu-se de que montes e vales, rios e fontes, estão nas mãos do Deus vivo; que Ele controlava o Sol, as nuvens do céu e todos os poderes da Natureza.
Por intermédio de fiéis mensageiros, o Senhor enviou repetidas advertências ao rei apóstata e ao povo; mas vãs foram essas palavras de reprovação. Em vão os inspirados mensageiros sustentaram o direito de ser Jeová o único Deus em Israel; em vão exaltaram as leis que Ele lhes havia confiado.
Seduzidos pela suntuosa exibição e os fascinantes ritos da idolatria, o povo seguia o exemplo do rei Acabe e sua corte, e se entregava aos intoxicantes e degradantes prazeres de um culto sensual. Em sua cega loucura, preferiram rejeitar a Deus e Seu culto. A luz que lhes fora tão graciosamente concedida tornara-se em trevas.
Nunca dantes o povo escolhido de Deus caíra tão baixo na apostasia. Havia “quatrocentos e cinquenta” “profetas de Baal”, além de “quatrocentos profetas de Asera” (1Rs 18:19). Nada menos que o milagroso poder operador de Deus poderia preservar a nação de destruição total. Voluntariamente, Israel havia-se separado de Jeová; todavia, o Senhor por compaixão ainda amava aqueles que haviam sido levados ao pecado, e estava prestes a enviar-lhes um de Seus mais poderosos profetas, Elias, por cujo intermédio poderiam ser levados de volta à fidelidade ao Deus de seus pais.
II. AS CAUSAS DA APOSTASIA
1. Casamento misto. O casamento misto é um instrumento poderosíssimo na mão do inimigo para retirar a identidade do povo de Deus, para impedir a sua continuidade. Os casamentos mistos foram o fator principal da apostasia religiosa de Israel. Salomão e Acabe são exemplos tristes desse fato.
Acabe era um israelita, mas não se preocupou em obedecer a lei de Deus no tocante ao casamento, e casou com uma mulher maligna, Jezabel. Esta mulher era oriunda da cidade de Tiro onde seu pai fora “sumo sacerdote”  e rei (1Rs 16:31). Ela adorava Baal (Baal significa “senhor” ou “marido”. Era um deus da tempestade, uma divindade dominante da religião Cananéia. Segundo os seus adoradores, ele era considerado providencial por enviar chuvas e fertilidade à terra, semeando a vida).
Provavelmente, Onri arranjou o casamento entre seu filho Acabe e Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios. Foi sem dúvida, um casamento que selou o acordo entre os dois países. Embora as implicações políticas tenham sido omitidas do registro bíblico, o programa religioso que Jezabel promoveu pode muito bem ter sido parte desse acordo.
Certamente, o casamento de Acabe foi realizado sob um profundo desrespeito às determinações de Deus contra tais casamentos mistos. A desconsideração de Onri e de Acabe ao mandamento divino levou a uma total rebelião contra os outros mandamentos. A fim de agradar a sua esposa idólatra, Acabe construiu um templo e um altar para o falso deus Baal (1Rs 16:32), que foi ocupado pelas centenas de sacerdotes de Jezabel (1Rs 18:19); promoveu deste modo a idolatria e levou toda a nação de Israel ao pecado. Ele construiu uma espécie de símbolo de Aserá, uma indicação de que o degradante culto à fertilidade estava instalado em Samaria. De certo modo, ele aparentemente tentou permanecer fiel a Deus (1Rs 21:27-29), mas a adoração a Baal era a sua verdadeira religião. Um casamento fora da vontade de Deus pode nos conduzir para longe dEle.
Não tenha dúvida, o casamento misto é uma declarada desobediência ao mandamento de Deus (Ml 2:11). Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento não encontramos amparo para o casamento misto. Ele não é a vontade de Deus para o Seu povo (Dt 7:3,4; 2Co 6:14-17).
2. Institucionalização da idolatria. Após a divisão do reino de Israel (945 a.C.) - em Judá (reino do sul) e Israel (reino do norte) -, Jeroboão é aclamado rei em Israel. Esse rei entendeu que seu povo poderia ir a Judá para adorar ao Deus único e verdadeiro, Jeová, e voltar-se contra ele e até o matar. O rei então, ergue altares de adoração em lugares importantes em Israel, constrói dois bezerros para que o povo adorasse, um em Dã e o outro em Betel (1Rs 12:26-31). Israel então mergulha na idolatria e se afasta do Senhor por meio de um rei mau que permaneceu por 22 anos no seu reinado. Outros reis vieram após Jeroboão e deram prosseguimento a idolatria em Israel. Um desses reis foi o ímpio Acabe. Ele surgiu pouco mais de 50 anos depois Jeroboão. Diz o texto sagrado que ele não só cometeu os pecados de Jeroboão, como também casou-se com Jezabel e instituiu o culto a Baal (1Rs 18:18), tornando essa adoração como religião oficial em Israel. Era como se o Deus de Israel passasse a ser Baal e não Jeová. Sua mulher por outro lado matava os profetas de Deus (1Rs 18:13).
O Senhor, porém, reage contra a idolatria de seu povo, e prediz grande seca em Israel, através de Elias (1Rs 17), numa época em que o povo vivia um dos piores momentos de sua história, um povo eleito que conhecia os grandes feitos do Senhor, mas estava mais uma vez entregue ao pecado da idolatria.
O que levava aquele povo a se afastar tão facilmente do Senhor e seguir a outros deuses? Por que a idolatria era tão fascinante aos israelitas?
a) Porque as nações ao redor de Israel criam que a adoração a vários deuses era superior à adoração a um único Deus, ou seja, quanto mais deuses melhor. O povo de Deus sofria influência dessas nações e constantemente as imitava, ao invés de obedecer ao mandamento de Deus no sentido de se manter santo e separado delas.
b) Porque os deuses das nações vizinhas a Israel não exigiam nenhum tipo de obediência a padrões morais, como o Deus de Israel. Por exemplo, muitas das religiões pagãs incluíam imoralidade sexual religiosa no seu culto, tendo para isso prostitutas cultuais. Essa prática sem dúvida atraia muitos israelitas. Deus, por sua vez, exigia padrões morais para o seu povo, vida de consagração, adoração com reverência.
c) Porque acreditavam que os deuses da fertilidade prometiam o nascimento de filhos; os deuses do tempo (sol, lua, chuva etc.) prometiam as condições apropriadas para colheitas abundantes e os deuses da guerra prometiam proteção dos inimigos e a vitória nas batalhas. A promessa de tais benefícios fascinava os israelitas; daí, muitos se dispunham a servir aos ídolos, ou seja, aos demônios(cf Dt 32:17).
A Bíblia deixa claro que por trás de toda idolatria, há demônios, que são seres sobrenaturais controlados pelo diabo. Tanto Moisés quanto o salmista associam os falsos deuses com demônios. Veja: “Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais“(Dt 32:17); “E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios(Sl 106:36-37 ).
O grande pecado de Israel em toda a sua história, desde o Egito, foi a idolatria. Mas será que nós, como igreja de Deus, estamos isentos de tal abominação? Algumas vezes, talvez nos falte o entendimento e o discernimento espiritual das coisas espirituais. Satanás tem semeado no meio do povo de Deus, muitas vezes, de uma forma sutil e discreta o principio da idolatria. Há grande semelhança entre os dias de hoje e os dias de Elias. Entre os homens de hoje e os daquela época, ou entre a igreja de hoje e o povo de Israel, as atitudes dos homens quase sempre são as mesmas. Nossas fraquezas, necessidades e desejos, que nos levam ao pecado, são os mesmos.
Idolatria não é somente adorar a imagens de escultura, mas é tudo aquilo que toma o lugar de Deus em nossa vida; é aquilo que amamos, nos dedicamos, entregamos toda a nossa atenção, intenção e tempo, em detrimento da presença de Deus em nossa vida; é aquilo que rouba a nossa adoração e comunhão com Ele. Muitas vezes, o trabalho, a faculdade, prazeres, propósitos de vida, filhos, enfim, tudo isto é bênção do Senhor, mas não podem ocupar o lugar do Senhor em nossa vida, não podem roubar a nossa adoração e o nosso tempo com Deus. Ele precisa estar no centro, mas quando todos esses fatores de nossa vida estão cheios da nossa atenção, dedicação e tempo, de maneira que não há mais tempo para orar, não há mais tempo para adorar e relacionar-se com o Pai, e ouvir a sua voz através da sua Palavra - e o problema maior é que perdemos a sensibilidade espiritual e passamos a viver assim -, então há ídolos na nossa vida.
Para muitos a religião é um grande ídolo, ao invés de aproximá-lo de Deus o distancia. Seus conceitos e doutrinas tornam-se mais importantes que o próprio Deus, como aquelas religiões que Jesus condenou por não reconhecerem que ele era o Messias. Essa é uma situação que nos cega e nos leva a viver distante da vida que o Senhor tem para todos nós. Pense nisso!
III. OS AGENTES DA APOSTASIA
1. Acabe. Acabe foi o oitavo rei de Israel. Foi um líder e estrategista militar de grande capacidade. Todavia, foi o rei mais ímpio de Israel - “E fez Acabe, filho de Onri, o que era mal aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que foram  antes dele. E sucedeu que (como se fora coisa leve andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate), ainda  tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e se encurvou  diante dele. E levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria. Também Acabe fez um bosque, de maneira que Acabe fez muito mais para irritar ao SENHOR, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele“(1Rs 16:30-33).
Os reis de Israel e de Judá, tanto os bons como os maus, tiveram profetas enviados pelo Senhor para aconselhá-los, confrontá-los e ajudá-los. O rei Davi teve um amigo fiel, Natã, um homem de Deus. Acabe poderia ter tido em Elias um conselheiro. Mas enquanto o primeiro escutou Natã e estava disposto a se arrepender de seus pecados, o segundo viu Elias como seu inimigo. Por quê? Pelo fato de que Elias sempre lhe trazia más notícias, e ele se recusou a reconhecer que havia sido a sua própria desobediência constante a Deus e a persistente adoração aos ídolos, não as profecias de Elias, que trouxeram o mal à sua nação. Acabe culpou Elias por trazer profecias de juízo em vez de aceitar seu conselho e mudar seus maus caminhos.
Acabe não estava disposto a tomar atitudes corretas. Além do mais, era casado com uma mulher ímpia que o impeliu à adoração aos ídolos; era um homem infantil que se remoia por vários dias caso a sua vontade não fosse feita; aceitava os conselhos de sua esposa má, escutava somente os “profetas” que lhe davam boas notícias e cercava-se de pessoas que o encorajavam a fazer o que bem quisesse. Mas, o valor do conselho não pode ser julgado pelo número de pessoas a favor ou contra. Acabe constantemente escolheu seguir a opinião da maioria daqueles que o cercavam, e isto o levou à morte.
Pode parecer agradável ter alguém que nos encoraje a fazer qualquer coisa que quisermos,  porque é difícil aceitar o conselho que é contrário aos nossos desejos. Porém, as nossas decisões devem ser baseadas na qualidade de conselho, não em sua atratividade ou na opinião da maioria de nossos companheiros. Deus nos encoraja a seguir as orientações de conselheiros sábios, mas como podemos testar o conselho que recebemos? A orientação que concorda com os princípios contidos na Palavra de Deus é confiável. Devemos sempre separar o conselho dos nossos próprios desejos, da opinião da maioria, ou de qualquer coisa que pareça melhor em nossa perspectiva limitada, e pesá-lo à luz dos mandamentos de Deus. Ele nunca nos levará a fazer o que proibiu em sua Palavra - mesmo em relação aos princípios. Diferentemente de Acabe, devemos confiar nos conselheiros retos e ter a coragem de nos posicionar contra aqueles que desejam que façamos o contrário. (fonte: Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal).
2. Jezabel. A história de Jezabel encontra-se em 1Reis 16:31 a 2Reis 9:37. Seu nome é usado como um sinônimo para a grande iniquidade em Apocalipse 2:20. Ela eliminou sistematicamente os representantes de Deus em Israel. Promoveu e patrocinou a adoração a Baal. Esposa de Acabe, ocupa o lugar de esposa mais ímpia na Bíblia. A Palavra de Deus até usa seu nome como um exemplo das pessoas que rejeitam completamente o Senhor (AP 2:20,21).
Muitas mulheres pagãs casaram-se em Israel sem reconhecer o Deus que seus maridos adoravam. Estas trouxeram consigo as suas religiões. Mas nenhuma foi tão determinada quanto Jezabel para fazer com que todo os Israel adorasse os seus deuses. Para o profeta Elias, ela parecia ter tido sucesso. Ele sentiu que era o único ainda fiel a Deus até que o Senhor lhe disse que ainda existiam sete mil que não haviam se apostatado da fé. Um “sucesso” notável de Jezabel foi contribuir para a causa da queda final de Israel - a idolatria. Deus castigou as dez tribos do norte por sua idolatria e fez com que fossem levadas para o exílio.
Jezabel detinha grande poder. Ela não só controlava seu marido, Acabe, mas tinha também 850 sacerdotes pagãos sob seu controle. Estava comprometida com o seus deuses e a conseguir o que desejava. Acreditava que o rei tinha o direito de possuir qualquer coisa que quisesse. Quando Nabote se recusou a vender a sua vinha a Acabe, Jezabel cruelmente mandou matá-lo e tomou a posse da terra. O plano dela para eliminar a adoração a Deus em Israel levou a dolorosas consequências. Antes de morrer, sofreu a perda de seu marido em combate e seu filho nas mãos de Jeú, que tomou o trono à força. Ela faleceu da mesma maneira hostil e desdenhosa como viveu.
Quando vemos Jezabel e Elias, precisamos admirar a força do comprometimento de cada um. A grande diferença era com quem estavam comprometidos. Ela, consigo mesma e com seus falsos deuses; ele, com o único Deus verdadeiro. No final, o Senhor provou que Elias estava certo.
Com o que ou com quem você está mais comprometido? Como Deus avaliaria o seu comportamento? (fonte: Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal).
IV. AS CONSEQUENCIAS DA APOSTASIA
1. A perda da identidade nacional e espiritual. A identidade dessa nação como povo escolhido é algo bem definido nas Escrituras Sagradas. Desde a sua criação como nação eleita, Israel foi identificado como povo de Deus (Ex 19:5). Todavia, nos dias do rei Acabe Israel teve sua identidade nacional e espiritual ameaçada. A idolatria era a causa principal. A idolatria é infidelidade a Deus. É rompimento da aliança. É quebra dos votos de fidelidade. É uma torpeza.
O povo da aliança havia abandonado o Deus vivo, criador, provedor e redentor, para se curvar diante dos ídolos pagãos. A nação de Israel era culpada de adorar aos deuses das nações pagãs a seu redor, especialmente o deus cananeu da chuva, Baal. Sempre que havia uma seca ou fome, em vez de se voltarem para o Senhor, os israelitas buscavam a ajuda de Baal (1Rs 18:19). A adoração pagã envolvia ritos sensuais de fertilidade, e para isso havia prostitutos cultuais de ambos os sexos.
A idolatria era sinônimo de prostituição tanto no sentido literal quanto no simbólico. Israel havia rompido sua aliança com Deus, quebrara seus votos de fidelidade, indo após outros deuses e se prostituindo com eles.
A idolatria de Israel era como a infidelidade conjugal. O “adultério” rompeu o laço de “casamento” de Israel com o Senhor e impossibilitou uma comunhão mútua. A idolatria anuída e supervisionada pelo casal real, Acabe e Jezabel, quase levou Israel à perda de usa identidade nacional e espiritual. Mas, Deus tinha preservado um remanescente fiel. Elias quando achava que somente ele havia permanecido fiel a Deus, foi surpreendido com a notícia de que ainda havia sete mil que não haviam dobrado seus joelhos a Baal (1Rs 19:14,18).
2. O julgamento divino. Uma religião que se desvia da verdade não agrada a Deus, ao contrário, está sob Seu juízo.
Deus ama o seu povo. Ele não desejava que Isael perdesse sua identidade espiritual e nacional. Desta feita, manda o seu profeta, Elias, para confrontar a família real idólatra e os seus seguidores. Neste contexto de degradação moral e espiritual, Elias foi o profeta extremamente necessário para o conflito entre a verdadeira religião, com seus padrões de uma vida virtuosa, e o culto a Baal com sua ênfase na devassidão. A época do profeta Elias exigia não só um grande espírito de coragem e ousadia como também de realizações maiúsculas. Deus manifestou o seu supremo poder e juízo através deste profeta em acontecimentos milagrosos que ocorreram um após o outro, a fim de derrotar as forças de Baal e de Aserá. Esse relato no faz lembrar a forma como o Senhor revelou o seu supremo poder nas pragas contra o Faraó e os deuses do Egito na época de Moisés.
Elias, na qualidade de mensageiro de Deus, pronunciou uma palavra de juízo da parte do Senhor contra a nação rebelde de Israel. Deus ia reter a chuva durante três anos e meio (cf 1Rs 17:1; Tg 5:17). Esse juízo humilhava Baal, pois seus adoradores criam que ele controlava a chuva e que era responsável pela abundancia nas colheitas.
O anúncio da seca deu início ao conflito entre Deus e Baal, que atingiu o seu clímax no Monte Carmelo. Assim que a batalha foi consolidada, Elias recebeu ordens do Senhor para se isolar no deserto durante o período da seca, e Deus milagrosamente proveu seu alimento através dos meios mais improváveis.
CONCLUSÃO
O caminho da apostasia é resultado da multiplicação da iniquidade (Mt 24:12). Em períodos de crise espiritual, onde a maldade se dissemina com muito maior facilidade, é maior o perigo da apostasia, em especial, num mundo como o de nossos dias, onde o desenvolvimento tecnológico permite a ampla divulgação, em tempo real, de toda e qualquer informação, ideia ou pensamento. Os dias finais da dispensação da graça são dias em que haverá multiplicação da ciência (Dn 12:4), mas a ciência será, quase sempre, dirigida para o aumento do pecado e da maldade entre os homens. Diante de uma atitude desta, muitos sofrerão grandemente por se manterem fiéis à Palavra de Deus, sendo considerados retrógrados, atrasados e, não raras vezes, mantidos sob severa censura, reprovação e incompreensão por parte dos homens. Muitos não suportarão esta pressão e serão levados a tomar a forma do mundo, a aceitar viver de acordo com os princípios depravados hoje vigentes e seguidos pelos ímpios, o que fará com que se inicie o caminho rumo à apostasia. Estejamos, pois, alertas! Devemos sempre estar firmes na Palavra do Senhor e não cedermos um milímetro sequer do que nos mandam as Escrituras Sagradas.

 
Bibliografia
William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 53 - CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.2 - CPAD.
Poção Dobrada - Pr. José Gonçalves - CPAD.

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