11 janeiro 2013

Lição 2 - "Elias, o Tisbita"

TEXTO ÁUREO

E ele lhes disse: Qual era o trajo do homem que vos veio ao encontro e vos falou essas palavras? E eles lhe disseram: Era um homem vestido de pelos e com os lombos cingidos de um cinto de couro. Então, disse ele: É Elias, o tisbita” (2 Rs 1.7,8). - Isto nos dá a entender que Elias deveria ter uma vida mais ou menos retirada da comunidade, uma espécie de “eremita” no deserto, o que, aliás, inspirou algumas ordens religiosas cristãs, notadamente a ordem dos “carmelitas”, que se inspiraram em Elias para construir a sua vida monástica.
VERDADE PRÁTICA

A vida de Elias é uma história de fé e coragem. Ela revela como Deus soberanamente escolhe pessoas simples para torná-las gigantes espirituais.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Reis 17.1-7.


INTRODUÇÃO

Neste capítulo estudaremos de uma forma mais detalhada os fatos relacionados à vida e a obra de um dos maiores personagens da história bíblica: Elias, o tesbita! Elias aparece nas páginas da Bíblia como se viesse do nada. De fato, a Escritura silencia-se a respeito identidade de seus pais e também de sua parentela, apenas diz que ele era tesbitados moradores de Gileade (1 Rs 17.1-7)! Parece pouca informação para um homem que irá ocupar um grande espaço na literatura bíblica posterior. Raymond B Dillard (2011, p.21), destaca que “Elias aparece em cena de maneira surpreendentemente repentina. Ele é apresentado sem qualquer informação sobre sua vida anterior, sem referência à sua família ou tribo em Israel, e até mesmo seu lugar de nascimento (Tisbe) não é conhecido ao certo ainda hoje.

Não lhe é atribuída nenhuma linhagem elaborada, por meio da qual talvez pudéssemos identificá-lo no registro social do antigo Israel, e não é mencionado nenhum grupo específico do qual ele pudesse ser considerado o porta-voz; habitava em Gileade, uma área periférica no antigo Israel, isolada do outro lado do Jordão. Ele não tinha fama nem notoriedade, nenhuma influência política específica, não tinha credenciais para comandar um interrogatório, nenhum título acadêmico acompanhando o seu nome”.

Todavia é esse homem enigmático que protagoniza os fatos mais impactantes na história do profetismo de Israel. Isso acontece quando denuncia os desmandos do governo dos seus dias e desafia os falsos profetas que infestavam o antigo Israel. O expositor bíblico Oracio Simian Yofre (2010, pp. 516,517) observa que “do ponto de vista da história da religião de Israel, a importância do profeta Elias reside no fato de que com ele se chega a um novo nível no desenvolvimento da profecia bíblica.

De modo mais claro do que acontece com Balãao ou Natã, estabeleceu-se em Elias a clara distinção entre o profeta escolhido pela vontade divina explícita e os grupos proféticos (ou escolas proféticas), movimentos carismáticos mais ou menos espontâneos, dos quais nos falam outros textos do Antigo Testamento.

Com efeito, os profetas do tempo de Elias e também os anteriores mostram-se como um grupo (1 Sm 10.5,10-13; 2 Rs 10.19); estão ligados a um lugar de culto (um lugar alto ou bamah 1 Sm 9.12) ou mais propriamente a um santuário (Guibeá: 1 Sm 10,5.10; Shiló: 1 Sm 3.19- 21); atuam em êxtase profético (1 Sm 19,18-24); muitas vezes ocasionados pela música (2 Rs 3.15) e pela dança (1 Rs 18.26-29). A eles pertence a interrogação sobre o futuro (1 Sm 28,4-7; 1 Rs 14,1-18). Elias se encontra, porém, mais próximo dos profetas individuais dos “tempos novos” (profetas “escritores” a partir do séc. VIII) do que das escolas proféticas. Com Elias se atinge assim alguns traços do profetismo que permanecerão estáveis no desenvolvimento ulterior da profecia bíblica.

A identidade de Elias

Seu nomesua terra e sua gente = Como vimos, o relato sobre a vida do profeta Elias inicia-se com uma declaração sobre a sua pessoa, sua terra e seu povo: “Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade” (1 Rs 17.1). O nome Elias, deriva do termo hebraicoHelohim, traduzido como Deus. Helohim aparece muitas vezes na sua forma abreviada El. Por outro lado, a palavra Jah é uma abreviação hebraica para o lahvé, o nome impronunciável de Deus para os judeus. Dessa forma o nome “Elias” é uma combinação das abreviaturas dos nomes El (Deus) Jah (Senhor).

Quando levamos em conta o pronome possessivo hebraico, a tradução do nome Elias é O Senhor é o meu Deus ou ainda Meu Deus é Jeová. Elias era de Tisbe, um lugarejo situado na região de Gileade e a leste do rio Jordão. Esse lugar não aparece em outras passagens bíblicas, mas é citado somente no contexto do profeta Elias (1 Rs 21.17; 2 Rs 1.3,8; 9.36).

Charles R. Swindoll (2010, pp. 28,29) destaca que Gileade, região onde vivia o profeta Elias, “era um lugar solitário e de vida ao ar livre, onde seus habitantes eram provavelmente rudes, queimados do sol, musculosos e fortes. Nunca foi um lugar de educação, sofisticação e diplomacia. Era uma terra árida, e muitos acham que a aparência de Elias tinha muita relação com sua terra. Seus hábitos beiravam o grosseiro e o áspero, o violento e o severo — não muito diferente de outros personagens fortes que Deus introduzira na cena em certos momentos da história de um mundo insuspeito.

Estes personagens podem não ter muitos amigos, mas uma coisa é certa: eles não são ignorados. Os profetas são sempre assim. Elias se tornou muito maior do que o meio no qual vivia. Na verdade não foi Tisbe que deu nome a Elias, mas foi Elias que colocou Tisbe no mapa! “Elias foi um grande campeão de Deus. Sua vitória estava no fato de que ele fazia o que Deus lhe ordenava e confiava que Deus não o decepcionaria. A vida de Elias nem sempre transcorreu tranquila. Ele viveu em uma época de grande corrupção política, moral e espiritual. A sua vitória é prova de que o crente pode ser vencedor, mesmo que tenha de viver e trabalhar entre ímpios.

Quanto maiores são as trevas, maior é o brilho da luz (Mt 5.14-16).
Davi, Pedro, Paulo, também construíram uma história cheia de sentido e significância. Da mesma forma Gunnar Vingren, Daniel Berg,
Emílo Conde, etc. Todos nós deveríamos imitá-los e viver de tal modo que a nossa história se tornasse um testemunho para a posteridade.

Sua fé e seu Deus = Para termos uma compreensão sobre o lugar que o Deus de Israel ocupa no contexto dos profetas Elias e Eliseu, se faz necessário entendermos a teologia dos livros dos Reis. A teologia desse livro mostra claramente que há um único Deus bem como um único local de adoração, o Templo. Thomas Romer (2010, p.377) destaca que “a veneração do Senhor em Betei ou em Dan constitui o “pecado de Jeroboão” (2 Rs 10.30). Seu culto em outros “lugares altos” e sua veneração em companhia de Baal, de Ashera ou outras divindades caracterizam o “pecado dos pais” (isto é, dos reis anteriores, cf. 1 Rs 15.3). A ideologia de Reis é, portanto, antipoliteísta, exclusivista e antissamaritana”.

Elias era um homem comprometido com a adoração verdadeira.
Como um israelita professava sua fé no Deus verdadeiro que através da história havia se revelado ao seu povo. Com o desenrolar dos fatos, vemos o profeta afirmando essa verdade. Quando ele desafiou aos profetas de Baal, orou: “Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és Deus em Israel e que eu sou teu servo e que segundo a tua palavra fiz todas essas coisas” (1 Rs 18.36). Essa oração do profeta revela pelo menos três fatos que são cruciais no contexto do livro de 1 Reis:


1. Uma teologia correta sobre a divindade — “Tu és Deus”. O deus Baal existia na mente do povo, mas ele não era Deus. Se a teologia do povo estava errada, então sua crença forçosamente também estava. Sem uma teologia correta a fé fica deformada. Elias procura corrigir esse aleijão da fé israelita quando chama- lhes a atenção para o fato de uma única divindade — essa divindade é o Deus dos patriarcas. Infelizmente os problemas com as igrejas evangélicas hoje também estão no campo teológico.

Uma teologia deformada, onde Deus é entendido como um grande garçom a serviço dos mais variados desejos, sem dúvida alguma é a grande responsável pelo processo de fragmentação que ora passamos. Estamos crescendo, mas é um crescimento com espumas.

2. Uma correta antropologia — “Eu sou teu servo”. As culturas pagãs possuíam não só uma teologia errada, mas também uma antropologia errada. Sem uma compreensão adequada do papel do homem na religião, se torna muito fácil o culto se perverter. O estudo das religiões comparadas revela que os homens são divinizados e os deuses humanizados.

Nos dias de Elias, Baal era o deus não apenas da natureza, mas também da fertilidade. Nesses rituais era natural a prostituição como parte do culto. Onde a teologia está errada, a antropologia também está. Merrill F. Unger (2008, p.174) comenta que “os textos ugaríticos de Ras Shamra (Ugarite), datados do século XIV a.C., mostram Baal como filho de El, o rei do panteão cananeu, deus da chuva e da tempestade.

Em Ugarite, a consorte de Baal era sua irmã, Anat, mas na Samaria do século 9o a.C., Aserá assume esse posto (18.19). Como Anat, ela era a padroeira do sexo e da guerra. Culto à serpente, prostituição masculina e feminina, assassinato e sacrifícios de crianças e todo vício concebível estavam associados à religião Cananeia. Os sacerdotes e profetas de Baal eram assassinos oficiais de criancinhas, por isso mereceram a morte (18.40).

3. Uma correta bibliologia — “Conforme a tua Palavra fiz essas
coisas”. O desprezo à Palavra de Deus esposada nos livros da Lei de Moisés sem dúvida fora a causa dessa apostasia. Os erros na teologia, antropologia ou em qualquer outra área da fé, tem sua origem numa compreensão inadequada da Palavra de Deus.

Antonio Vieira, escritor do século XVI, costumava dizer que a Palavra de Deus quando dita no sentido daquilo que Deus disse, é a Palavra de Deus.Todavia quando dita no sentido daquilo que Deus não disse, são antes palavras do demônio. De fato existem milhares de cultos e crenças usando a Bíblia nos seus rituais. Todavia a Bíblia pregada por eles não são a Palavra de Deus, porque são ditas no sentido daquilo que Deus não disse. São interpretações para apoiar uma doutrina ou crença equivocada. São palavras do demônio.

O ministério profético de Elias

Sua vocação e chamada = Em suas notas homiléticas sobre aMissão do profeta Elias, a obra The Pulpit Commentary destaca:


1. De onde foi derivada. Ele não foi ensinado por homem. Ele era inculto e iletrado. O Deus que o separou desde o ventre de sua mãe o chamou pela sua graça. Ele era um mensageiro extraordinário para uma grande emergência. Mas observe: quando Deus usa tal mensageiro, homens cuja missão é derivada diretamente do alto, os“sinais de um apóstolo” são realizadas por eles. Nós não somos obrigados a ouvir um anjo do céu, a menos que ele nos mostre as suas credenciais.

2. Quando foi conferida. (1) Foi quando a iniquidade abundava. Quando Hiel tinha construído Jericó; quando Acabe levantou um templo para Baal; quando Jezabel reuniu seu exército de falsos profetas; quando a fé dos eleitos de Deus estava em perigo. A hora mais escura é sempre antes do amanhecer.

(2) Quando os meios ordinários eram insuficientes. Havia verdadeiros sacerdotes em Jerusalém; havia “filhos dos profetas”, provavelmente em Betei e Samaria; havia sete mil fiéis em Israel, mas o que eram estes contra uma rainha como Jezabel, contra toda essa propaganda e um sistema como o dela? A própria existência do povo de Deus estava em jogo. Elias foi convocado para fazer um julgamento, ele estava armado com “poder de fechar o céu que não choveu nos dias de sua profecia”. Somente a luz da verdade, a luz que iluminou a escuridão do mundo, preservou a nação da extinção total.

A vocação e chamada de Elias foram, portanto, divinas da mesma forma como foram as vocações e chamadas dos demais profetas canônicos. Esse fato é logo percebido quando vemos o profeta Elias colocar Deus como a fonte por trás de suas enunciações proféticas: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou” (1 Rs 17.1). Em outra passagem bíblica Elias diz que suas ações obedeciam diretamente a uma determinação divina (1 Rs 18.36). Somente um profeta chamado diretamente pelo Senhor poderia falar dessa forma.

A vocação de Elias se manifesta em um contexto onde:

1. Não havia referenciais — no antigo Israel os reis não agiam apenas como governantes do povo, mas também como referencial espiritual. Quando um rei fazia o que era mau aos olhos do Senhor, as consequências de suas ações eram logo sentidas pelo povo. Se havia uma apostasia generalizada, como de fato havia, isso se devia a falta de um modelo ou referencial para seguir.

Acabe com sua esposa, Jezabel, infelizmente eram modelos, mas modelos de um culto idólatra. E nesse contexto que Deus levanta o profeta de Tisbe para trazer o povo novamente para o verdadeiro modelo de adoração. Elias se torna uma referência.

2. Havia uma privatização do ministério profético  Logo que chegou à posição de rainha em Israel, Jezabel empreendeu uma campanha para exterminar os profetas do Senhor (1 Rs 18.4).

O holocausto só não foi total porque o Senhor preservou os sete mil que não se dobraram diante de Baal (1 Rs 19.18). No lugar dos verdadeiros profetas, Jezabel pôs seus profetas particulares: “Vendo-o, disse-lhe: És tu, ó perturbador de Israel? Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do S e n h o r e seguistes os baalins. Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas do poste-ídolo que comem da mesa de Jezabel”(l Rs 18.17-19).

Os profetas que “comiam da mesa de Jezabel” eram aqueles aos quais ela havia alugado. Eram profetas comprados, profetizavam somente o que ela e seu marido gostavam de ouvir. O verdadeiro profeta não se vende porque nenhuma profecia parte da vontade humana (2 Pe 1.20).

Nenhum sistema é profético e nenhum profeta se rende ao sistema. Os profetas do Senhor geralmente dizem coisas que não queremos ouvir, mas que precisamos ouvir. Eles não satisfazem vontades, mas necessidades. É um perigo quando nos cercamos de “profetas particulares” que estão sempre amaciando o nosso ego.

Ninguém gosta de ser confrontado, mas a crítica também faz parte do nosso crescimento. Quando o cristão cai na tentação de se auto-vitimar, ficando sempre na defensiva achando que todos estão contra ele, então corre um sério perigo. Ele corre o risco de rejeitar um conselho divino apenas porque ele veio na forma de confronto ou crítica. Evidentemente não podemos viver em função das críticas, mas não devemos nos fechar ao ponto de não vermos em algumas delas um instrumento divino para nos corrigir.

Aprecio o que escreveu John Maxwell (2002, pp.151-156) sobre
como tratar corretamente com as críticas: “Não veja somente o crítico; veja se há uma multidão”. A história a seguir ilustra esse ponto: A Sra. Jones convidou um grande e famoso violonista para entreter o seu chá de tarde.


Quando ele acabou a sua apresentação, todos se aglomeraram ao redor. “Eu tenho que ser honesto com você”, disse um dos convidados: “Eu acho que o seu desempenho foi absolutamente terrível. Ouvindo aquela crítica, a anfitriã interpôs: não preste atenção nele. Ele não sabe o que está dizendo.

Ele só repete o que ouve de todo mundo. Eu estou sugerindo que você amplie sua visão; vá além do crítico e veja se ele possui um pouco de humor. Considere a possibilidade de que você está ouvindo a mesma crítica de várias pessoas. Se este é o caso, e os críticos estiverem certos, então você precisa perceber que tem um desafio a encarar.”

A natureza do seu ministério = A natureza divina e, portanto, sobrenatural do ministério do profeta Elias é atestada pela inspiração e autoridade que o acompanhavam. A história do profeta de Tisbe é uma história de milagres. De fato, o primeiro livro dos livros de Reis atribui ao profeta Elias sete grandes milagres: Elias faz cessar as chuvas; multiplica a comida da viúva; restaura à vida o filho da viúva; faz descer fogo do céu no monte Carmelo; restaura as chuvas; invoca fogo sobre soldados e divide as águas do Jordão.

É, portanto, uma história de intervenções divinas no Reino do Norte. Encontramos por toda parte nos livros de Reis as marcas da inspiração profética no ministério de Elias. Isso é facilmente confirmado pelo cronista bíblico quando se refere à morte de Jezabel (2 Rs 9.35,36). Assim como Elias predisse, aconteceu! Elias possuía inspiração e autoridade espiritual.

Mas não são somente os milagres e a inspiração divina os elementos autenticadores do ministério profético de Elias, mas o seu caráter também. As palavras de Elias eram autenticadas por suas ações. Os falsos profetas também possuem uma certa margem de acertos em suas predições, todavia as suas práticas distanciadas da Palavra de Deus são quem os desqualificam. Elias, portanto, possuía carisma e caráter.

Podemos então dizer que o caráter pode não ter dado fama a Elias, mas com certeza lhe deu nome (1 Rs 17.1); pode não lhe ter dado notoriedade, mas certamente lhe conferiu autoridade (1 Rs 17.1); não o transformou em herói, mas o fez reconhecido como profeta (1 Rs 17.2,3); e fez com que ele enxergasse Deus até mesmo onde aparentemente Ele não estava (1 Rs 17. 8-9 — foi sustentado por uma mulher, gentia, viúva e pobre). Com acerto, o pastor Claudionor de Andrade (2007, pp.16,17) destaca com muita precisão alguns dos aspectos do caráter de Elias como sendo: ‘'fidelidade; coragem; determinação; obediência; coragem e fragilidade. ”

Elias e a monarquia

Buscando a justiça social = Na história do profetismo bíblico observamos a ação dos profetas exortando, denunciando e repreendendo aos reis (1 Rs 18.18). O livro de 1 Reis mostra que o profeta Elias foi o pioneiro a atuar dessa forma. Na verdade, as ações dos profetas revelam uma luta incansável não somente em busca do bem-estar espiritual, mas também social do povo de Deus.

Quando um monarca como o rei Acabe se afastava de Deus, as consequências poderiam logo ser percebidas na opressão do povo. A morte de Nabote, por exemplo, revela esse fato de uma forma muita clara (1 Rs 21.1-16). Acabe foi confrontado e denunciado pelo profeta Elias pela forma injusta como agiu!

Os expositores bíblicos Bill T. Arnold e Bryan E. Beyer (2001, pp.
232-234) comentam que: “O famoso episódio da vinha de Nabote (capítulo 21) ilustra a extensão do pecado de Acabe e sela o seu destino. Nabote era um cidadão cuja propriedade era vizinha ao palácio em Samaria. O rei queria anexar a vinha de Nabote às propriedades reais, mas a antiga lei israelita proibia a venda de uma herança. A ideia pareceu absurda para Nabote (v.3) e Acabe tinha respeito suficiente pela lei para saber que ele não conseguiria fazer Nabote voltar atrás em sua decisão (v.4).

Sendo a filha do rei de Sidom, Jezabel supôs que o rei de Israel deveria estar acima da lei, como era o caso em outros países. Ela tomou para si a responsabilidade de resolver a questão. Mediante traição, engano e o assassinato de Nabote, ela adquiriu a vinha para Acabe. Mais uma vez, o profeta Elias estava lá para anunciar o julgamento (w. 17-24).
Acabe “se vendeu para fazer o que era mau perante o Senhor” (v.25; ver também o v. 20). Como resultado disso, Elias declarou que a dinastia de Acabe seria completamente destruída.”

Restauração do culto = Como vimos, os monarcas bíblicos serviam tanto de guias políticos como espirituais do povo. Quando um rei não fazia o que era reto diante do Senhor, logo suas ações refletiam nos seus súditos (1 Rs 16.30). A religião, portanto, era uma grande caixa de ressonância das ações dos reis hebreus. Nos dias do profeta Elias, as ações de Acabe e sua mulher Jezabel sofreram oposição ferrenha do profeta porque elas estavam pulverizando o verdadeiro culto (1 Rs 19.10). Em um diálogo que teve com Deus, Elias afirma que a casa real havia derrubado o altar de adoração ao Deus verdadeiro e em seu lugar levantado outros altares para adoração aos deuses pagãos. Como profeta de Deus, coube a Elias a missão de restaurar o altar do Senhor que estava em ruínas (1 Rs 18.30).

Matthew Polle (2010, pp. 701,702) comenta que a prioridade do profeta Elias foi reparar o altar. Isso foi feito rapidamente visto que ele pode ter contado com a ajuda do próprio povo. Esse altar foi reparado especificamente para aquele momento. Poole ainda observa que esse altar fora construído pelos antepassados objetivando a oferta do sacrifício, mas por haver sido negligenciado necessitava de reparos. Os danos causados a esse altar, que estava quebrado, pode ter sido feito pelos próprios sacerdotes de Baal ou por seguidores do baalismo que rivalizavam com o culto ao Deus verdadeiro.

Elias e a literatura bíblica

Nos livros da literatura bíblica de 1 e 2 Reis, a história do profeta Elias deve ser vista em um contexto onde “os profetas são enviados por Javé para exortar a que não se renegue o verdadeiro culto a Javé. Ele dispõe de poderes milagrosos, e sua palavra se realiza. Esse elemento vale também e sobretudo para os seus prenúncios da ruína do reinado e dos estados de Israel e Judá. O arrependimento do rei pode provocar um adiamento da chegada da desgraça (1 Rs 21.17-29; 2 Rs 22.15-20;n2 Rs 20.1-11).”15

No Antigo Testamento = Até aqui vimos que os dois livros de Reis e uma porção do livro das Crônicas trazem uma ampla cobertura do ministério profético de Elias. O Antigo Testamento mostra que com Elias tem início a tradição profética dentro do contexto da monarquia. Foi Elias que abriu caminho para outros profetas que vieram depois dele. Mas Elias não possuía apenas um ministério de cunho profético e social. Seu ministério também é usado na literaturabíblica em um sentido escatológico. O profeta Malaquias predisse o aparecimento de Elias antes “do grande e terrível dia do Senhor” (Ml 4.5).

No Novo Testamento = Em o Novo Testamento encontramos vários textos associados à pessoa e ministério do profeta Elias. Jesus identifica João, o batista, como aquele que viria no espírito e poder de Elias (Lc 1.17; Mt 1.14; 17.10-13). No monte da transfiguração, o evangelista afirma que Elias e Moisés falavam com o Salvador acerca da sua “partida” (Mt 17.3).

Quando o Senhor censurou a falta de fé em Israel, ele trouxe como exemplo a visita que Elias fizera à viúva de Sarepta (Lc 4.5-26). No judaísmo dos tempos de Jesus, Elias era uma figura bem popular devido aos feitos miraculosos, o que levou alguns judeus a acharem que Jesus seria o Elias redivivo (Mt 16.14; Mc 6.15; 8.28).16

Os comentaristas bíblicos observam que os capítulos 17 à 22 do livro de 1 Reis, que cobre o período do reinado de Acabe, mostra que o declínio religioso termina com arrependimento ou julgamento divino.

De fato observamos que a mensagem profética de Elias visava primeiramente a produção de arrependimento e não a manifestação da ira divina. Isso é visto claramente quando Acabe se arrepende e o Senhor adia o julgamento que havia sido profetizado para os seus dias (1 Rs 21.27-29). Fica, pois, a lição para nós revelada na história do profeta Elias, que a graça de Deus é maior do que o pecado e suas consequências. Fomos alcançados por essa graça!


Subsídio para o Professor

Um dos homens mais enigmáticos da Bíblia é, sem dúvida, o profeta Elias. Sobre sua origem pouco se sabe, além do fato de que era oriundo de uma localidade citada apenas nos relatos relacionados à sua vida, Tisbi, nos arredores de Gileade. Apesar de sua origem humilde, era um homem que estava diante do Senhor (1Rs 17:1). Estar diante de Deus é a melhor posição para quem deseja ter um ministério frutífero. Quando Acabe se deparou com o profeta Elias, surgido do nada, encontrou uma pessoa simples, vestido de forma simples, com uma mensagem simples, mas que estava, acima de tudo, diante de Deus. Sua mensagem foi direta e contundente; ele foi direto com o rei Acabe, mostrando que Deus estava irritado com as atitudes do monarca.
Acabe acreditava que Baal era o responsável por enviar a chuva e trazer plantações que alimentassem toda a nação. Se isso era verdade, então Israel realmente não precisava do Senhor. Mas Deus estava naquele momento usando Elias para dizer ao rei que o Deus de Israel faria com que a nação passasse por privações por causa de sua idolatria. E a estiagem duraria pelo menos três anos, tempo suficiente para amolecer o coração do povo e mostrar-lhe que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó era o Deus que abençoava o povo com suas dádivas.
Após desafiar o rei, Elias se tornou conhecido em todo o reino, e foi procurado por Jezabel em diversos lugares. A obediência de Elias o preservou em segurança das mãos de Jezabel nos anos de seca, e o preparou para os próximos desafios que iria enfrentar para que o povo retornasse aos caminhos do Senhor. Temos habilidade de imitar esse grande homem de Deus?

I. A IDENTIDADE DE ELIAS
A Bíblia Sagrada não nos dá conhecimento sobre a vida de Elias antes do inicio e seu Ministério, o que vem demonstrar que a Palavra de Deus tem o intuito de revelar aquilo que é pertinente à salvação do homem. Elias aparece nas páginas das Escrituras em 1Reis 17:1 e de forma repentina, sem qualquer explicação, nem mesmo da sua genealogia, como é costumeiro fazer-se quando se trata, pelo menos, de personagens da história de Israel. É apresentado apenas como “Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade”.
Elias foi profeta do Reino do Norte, nos reinados de Acabe e do seu filho Acazias. O nome Elias, que significa “o Senhor é meu Deus”, fala da convicção inabalável que destacou esse profeta (1Rs 18:21,39). A vida dele girou em torno do conflito entre a religião do Senhor e a religião de Baal. Sua missão era levar os israelitas a reconhecerem sua apostasia e reconduzi-los à fidelidade ao Deus de Israel(1Rs 18:21,36,67). Elias era pois um restaurador e um reformador, empenhado em restabelecer o concerto entre Deus e Israel.
Elias tinha um traje característico, diferente daqueles usados pelas pessoas de seu tempo, tanto que bastava a descrição desta vestimenta para identificá-lo, a saber: “…um homem vestido de pêlos e com os lombos cingidos de um cinto de couro…” (cf. 2Rs 1:8). Isto nos dá a entender que Elias deveria ter uma vida mais ou menos retirada da comunidade, uma espécie de “eremita” no deserto. No entanto, embora Elias demonstre, pelos seus trajes e pela forma repentina com que se apresenta na história sagrada, que deveria viver um tanto quanto retirado da comunidade, não é correto dizer que haja respaldo bíblico para dizer que vivia isolado dos demais homens do seu tempo. Pelo que podemos observar do texto sagrado, percebemos que Elias tinha uma relação bem próxima aos chamados “filhos dos profetas”, ou seja, aos jovens que se dedicavam ao estudo da Palavra de Deus e a uma vida de serviço ao Senhor nas “escolas de profetas”, cuja origem remonta aos tempos de Samuel (1Sm 10:5;19:20). Com efeito, as páginas sagradas permitem-nos vislumbrar que Elias tinha um estreito relacionamento com estes grupos (2Rs 2:2,4), sendo até possível que Elias tenha sido uma figura proeminente de tais grupos quando se apresentou ao rei Acabe, o que, aliás, explicaria a facilidade com que tenha conseguido se apresentar ao rei.
Apesar de tão parcos conhecimentos a respeito de Elias antes do início do embate com Acabe, Jezabel e os responsáveis pelo culto de Baal, tais informações já nos são preciosas no sentido de se mostrar que alguém, para ser usado eficazmente pelo Senhor, precisa ter três pontos que havia na vida de Elias: um distanciamento do mundo, fidelidade a Deus e um comprometimento com a Palavra de Deus. Aliás, a fidelidade inabalável de Elias a Deus e o comprometimento com a sua Palavra, faz dele um exemplo de fé, destemor e lealdade a Deus, ante a intensa oposição e perseguição às falsas religiões e aos falsos profetas.

II. O MINISTÉRIO DO PROFETA ELIAS
1.  Sua vocação e chamada. A vocação de Elias é logo percebida quando o vemos colocar Deus como a fonte de suas enunciações proféticas: “Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou” (1Rs 17:1). Em outra passagem bíblica Elias diz que suas ações obedeciam diretamente a uma determinação divina (1Rs 18:36). Somente um profeta chamado diretamente pelo Senhor poderia falar dessa forma.
Mas, o que é vocação? Vocação é o apelo (chamado) de Deus a uma pessoa. Ele faz seu convite a cada pessoa, homem ou mulher, independente de raça, cor, idade, ou posição social. No trabalho do Senhor, é Ele quem sabe verdadeiramente escolher a pessoa certa para a missão que Ele determinar. Quando assim o faz, certamente, o caminho à vitória é certo e inevitável. Elias foi levantado por Deus para transmitir mensagens à nação de Israel(o reino do norte, o reino das dez tribos), à época do rei Acabe, considerada uma das piores do povo de Israel. Nesta época a vida espiritual do povo de Israel estava muito aquém do padrão estabelecido por Deus. Mas, mesmo nos momentos de decadência espiritual, Deus não deixa o seu remanescente sem profeta.
Não é fácil assumir um compromisso tão grande qual esse de Elias. Não sei se hoje existiria alguém com um quilate espiritual e compromisso com a Palavra de Deus à altura. O fato aqui é que Deus quando vocaciona algum servo seu para o desempenho de uma tarefa, seja para confortar ou confrontar, nada poderá se colocar no caminho de Deus. Elias foi enviado para confrontar, não confortar, e transmitiu a mensagem do Senhor a um rei que frequentemente rejeitava sua mensagem só porque ele a trazia. É interessante pensar nos incríveis milagres que Deus realizou através de Elias, mas faríamos bem em enfocar a comunhão que compartilhavam.
O Senhor tem tarefas para fazermos, mesmo quando sentimos medo e fracasso. Embora possamos desejar realizar milagres incríveis para o Senhor, devemos, em vez disso, enfocar o desenvolvimento de nossa comunhão com Ele. O verdadeiro milagre da vida de Elias foi a sua amizade extremamente pessoal com Deus. E este milagre também está disponível a nós.

2. A natureza do Ministério de Elias. A natureza do ministério de Elias é atestada pela inspiração e autoridade que o acompanhavam. Em muitas partes dos livros de Reis encontramos as marcas da inspiração profética no ministério de Elias. Essas são virtudes inerentes ao homem que é vocacionado por Deus à realização de seu serviço. Deus jamais chamaria o seu servo se lhe não dotasse de autoridade e inspiração. Foi assim que aconteceu com os apóstolos no inicio da igreja: Jesus os encheu de poder e inspiração para enfrentar as imensas dificuldades que eles teriam que enfrentar (cf At 1:8).
O primeiro livro de Reis atribui ao profeta Elias sete grandes milagres: faz cessar as chuvas; multiplica a comida da viúva; restaura à vida o filho da viúva; faz descer fogo do céu no monte Carmelo; restaura as chuvas; invoca fogo sobre soldados e divide as águas do Jordão. Assim como Elias predisse, aconteceu! Elias possuía inspiração e autoridade espiritual.  “Mas, não são somente os milagres e a inspiração divina os elementos autenticadores do ministério profético de Elias, o seu caráter também. As palavras de Elias eram autenticadas por suas ações. Os falsos profetas também possuem uma certa margem de acertos em suas predições, todavia as suas práticas distanciadas da Palavra de Deus são quem os desqualificam. Elias, portanto, possuía carisma e caráter. Podemos então dizer que o caráter pode não ter dado fama a Elias, mas com certeza lhe deu nome (1Rs 17.1); pode não lhe ter dado notoriedade, mas certamente lhe conferiu autoridade (1Rs 17.1); não o transformou em herói, mas o fez reconhecido como profeta (1Rs 17:2,3); e fez com que ele enxergasse Deus até mesmo onde aparentemente Ele não estava (1Rs 17:8-9 - foi sustentado por uma mulher, gentia, viúva e pobre)” (pr. José Gonçalves - Porção dobrada, CPAD).

III. ELIAS E A MONARQUIA
Na história do profetismo bíblico, principalmente nos períodos monárquicos dos reinos de Judá e de Israel(reino do Norte), observamos a ação dos profetas exortando, denunciando e repreendendo aos reis (cf 1Rs18:18). O livro de 1Reis mostra que o profeta Elias foi o primeiro a atuar dessa forma.
Elias, profeta do Senhor, natural de Gileade, foi o homem que Deus usou para falar contra as perversidades do reinado de Acabe e de sua mulher - a maléfica Jezabel. A punição de Deus sobre as atrocidades de Jezabel tinha chegado ao extremo. A rainha praticamente havia acabado com quase todos os profetas. O terror era espalhado sobre o reino. Baal tinha sido decretado como o deus de Israel. Para Jezabel a lei era seu desejo, a ordem era seu pensamento. Mas, a Palavra de Deus veio a Elias: “Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra(1Reis 17:1). A ordem de Deus foi imperativa, Elias tinha que chegar até o rei Acabe, e dizer as palavras que o Senhor havia ordenado. Imagine  a revolta de Jezabel, o descrédito, pois quem mandava no reino era ela. Quando Deus ordena alguma coisa para seus servos, não precisamos se preocupar com o futuro; Deus dirige tudo. Começava a punição de Deus através da seca. Foram três anos e meio sem chover. Animais mortos, a plantação não existia mais; a fome e as doenças proliferavam todo Israel.
O reinado de Acabe foi um período crucial para o povo da antiga nação de Israel(reino do Norte). Através da influencia da rainha Jezabel, e dos esforços de seus sacerdotes, o baalismo ameaçava extinguir a adoração a Deus tanto no Reino de Judá como no Reino de Israel. O próprio Acabe se tornou um adorador de Baal e construiu um templo para seu culto em Samaria, que foi ocupado pelas centenas de sacerdotes de Jezabel (1Rs 18:19). Ele construiu uma espécie de símbolo de Aserá, uma indicação de que o degradante culto à fertilidade estava instalado em Samaria. De certo modo, ele aparentemente tentou permanecer fiel a Deus (1Rs 21:27-29), mas a adoração a Baal era a sua verdadeira religião. Certamente, era uma época que exigia pessoas corajosas para que a causa do Senhor permanecesse viva, e Deus tinha à sua disposição a coragem de Elias.
Em épocas difíceis Deus levanta homens e mulheres dispostas a enfrentar as mais duras situações, e concede-lhes da sua graça para que cumpram seu ministério. Elias foi um profeta de seu tempo. Ele era uma pessoa disposta a, por Deus, enfrentar diversos desafios. Dentre suas características, encontramos a coragem. Esta fala sobre a intrepidez diante de situações hostis, como no caso do desafio aos profetas de Baal e Astarote (ao todo 850: 450 de Baal de 400 de Astarote - 1Rs 18:19). Aproximar-se do rei e dizer que não haveria chuva por um determinado número de anos e ser sustentado pelos corvos são atitudes que exigem coragem e fé.

Restaurar o altar do Senhor e encharcá-lo com água, para que a combustão do sacrifício fosse ainda mais difícil, também exigiu fé e coragem. Como se não bastasse, Elias ainda foi mantido por uma viúva, numa época em que a seca predominava e os recursos dessa mulher eram tão escassos que ela mesma disse que iria preparar a última refeição para ela e seu filho, e depois iriam morrer. Ele simplesmente obedeceu a Deus: Levanta-te, vai para Sarepta, que pertence a Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei a uma mulher viúva ali que te sustente”(Rs 17:9). É preciso ter coragem para depender de Deus em situações bastante adversas e crer que Ele é responsável por nos sustentar.

IV. ELIAS E A LITERATURA BÍBLICA
No Antigo Testamento, a história de Elias encontra-se em 1Reis 17:1 até 2Reis 2:11. Ele também é mencionado em 2Crônicas 21:12-15; Malaquias 4:5,6. No Novo Testamento, em Mateus 11:14; 16:14; 17:3-13; 27:47-49; Lucas 1:17; 4:25,26; João 1:19-25; Romanos 11:2-4; Tiago 5:17,18.

CONCLUSÃO
Devemos aprender com Elias a ter disposição, prontidão em fazer a vontade de Deus. Elias não é visto titubear nenhuma vez. Mandado falar a Acabe de que não choveria, sem qualquer resistência atendeu ao chamado do Senhor, como também quando mandado a falar com o rei de que choveria, mesmo sabendo que seria hostilizado, como o foi. E como explicar que enfrentasse um povo totalmente idólatra, com 850 profetas, sozinho? Para Elias, o importante era saber que o que fazia era sob a direção divina. Ao contrário de outros profetas, que têm seu receio e titubeio registrados nas páginas sagradas, Elias é sempre determinado e bem disposto. Devemos ter este comportamento, enquanto salvos na pessoa de Jesus Cristo. Jesus era assim, determinado a cumprir a vontade do Pai (Hb 10:7,9). A propósito, este comportamento é requerido pelo Senhor de todos os Seus servos, apesar das adversidades da vida, pois assim nos diz: “…no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João 16:33b).
Também, com Elias aprendemos que se faz necessário termo uma contínua experiência pessoal com o Senhor. Devemos andar de fé em fé (Rm 1:17), num crescimento espiritual contínuo e ininterrupto. Os santos têm de se aperfeiçoar (Ef 4:12), necessitam crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador (2Pe 3:18). Os justos devem brilhar mais e mais (Pv 4:18). Nosso amor deve aumentar a cada dia (Fp 1:9).


BIBLIOGRAFIA

William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 53 - CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck. 
Comentário Bíblico Beacon, v.2 - CPAD.
Porção Dobrada - Pr. José Gonçalves - CPAD.

DILLARD, Raymond B. Fé em Face da Apostasia: o evangelho segundo Elias e Eliseu. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
YOFRE, Oracio Simian. In: Dicionário de Homilética. São Paulo: Ed.
Paulus/Loyola, 2010.
Keil & Delitzsch argumentam que o complemento “dos moradores de Gileade” nos informa que Elias não vivia em seu lugar natal senão que foi estrangeiro em Gileade. Toshav em si não se refere aos não-israelitas,mas da mesma forma como ger refere-se àquele que vivia fora de sua pátria e de sua tribo sem ser parte desta, como em Lv 25.41 e Jz 17.7 onde vivia um levita originário de Betei, chamado degar da tribo de Efraim” (KEIL & DELITZSCH in Comentário Al Texto Hebreo Del Antiguo Testamento Pentateuco e históricos, tomo 1. Editorial CLIE, Barcelona, Espana.
SWINDOLL, Charles R. Elias: um homem de heroísmo e humildade. São Paulo: Editora Vida, 2010.
GILBERTO, Antonio. Elias, o campeão de Deus. In: Lições Bíblicas para a Escola Dominical, CPAD, Iº trimestre de 1984.
ROMER, Thomas. Antigo Testamento: história, escritura e teologia.São Paulo: Ed. Loyola, 2010.
UNGER, Merril Frederick. Manual Bíblico. São Paulo: Vida Nova,
2008.
VIEIRA, Antonio. Sermões. Ed. Lello &c Irmãos, Porto, Portugal.
HAMMOND, J. In: The Pulpit Commentary, vol. V, 1 Kings.Hendrickson Publishers Marketing. USA, 2011.
MAXWELL, John C. Seja o Líder Que Todos Querem Ter usando o seu carisma para motivar pessoas. Ed. SEPAL, 2002.
Para um comentário detalhado sobre os milagres de Elias, veja o livro de Larry Richards: Todos os Milagres da Bíblia. Editora United Press, 2003.
ANDRADE, Claudionor. In Lições Bíblicas para A Escola Dominical: A Busca do Caráter Cristão - aprendendo com homens e mulheres da Bíblia, CPAD, 3º trimestre de 2007.
ARNOLD, Bill &c BEYER, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento — uma perspectiva cristã. São Paulo: Ed. Cultura Cristã, 2001.
POOLE, Matthew. Matthew Poole’s Commentary on the Holy Bible, volume 1 — Genesis to Job. Hendrickson, USA, 2010.
 ZENGER, Erich Sc BRAULIK, Georg. Introdução ao Antigo Testamento. Edições Loyola, 2003.
Enciclopédia de Cultura Bíblica. Editora Mundo Cristão.

Tenha uma Aula proveitosa.
Deus te dê sabedoria e te use, para glória do nome de Jesus e edificação dos seus ouvintes.
Grande abraço.
Viva vencendo!!!
Seu irmão menor.



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