31 janeiro 2013

 
UM HOMEM DE DEUS EM DEPRESSÃO

Lição 05 - 03/02/2013
 
TEXTO ÁUREO = Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados ;perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Co 4.8,9).
VERDADE PRÁTICA =  Os conflitos de Elias o levaram a enfrentar períodos de depressão e tristeza. Mas o Senhor ajudou-o superar.

LEITURA BIBLICA = I REIS 19: 2-8

INTRODUÇÃO
Qual o limite de um homem? Como ele se comporta quando e encontra numa situação-limite? Nessas circunstâncias, há na vida algum sentido ou significado? Foi com a proposta de a estas perguntas que o psiquiatra vienense Viktor E. Frankl escreveu o livro: Em Busca de Sentido.

Frankl foi um dos poucos sobreviventes de campo de concentração nazista durante a segunda Guerra Mundial, responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus! Gordon W. Allport, amigo de Frankl e renomado psicólogo da Universidade de Harvard, destaca o fato que Frankl foi prisioneiro durante muito tempo em campos de concentração, onde seres humanos eram tratados de modo pior do que se fossem animais, e que ele se viu reduzido à existência nua e crua.

O pai, a mãe, o irmão e a esposa de Viktor Frankl morreram em campos de concentração ou em crematórios, e, excetuando sua irmã, toda a sua família morreu nos campos de concentração. Como foi que ele — tendo perdido tudo o que era seu, com todos os seus valores destruídos, sofrendo fome, frio e brutalidade, esperando a cada momento a sua exterminação final — conseguiu encarar a vida como algo que valia a pena preservar?

Nas páginas 16 e 17 de seu livro, Frankl narra a dramaticidade de viver em um campo de extermínio: “O não iniciado que olha de fora, sem nunca ter estado num campo de concentração, geralmente tem uma ideia errada da situação num campo desses, imagina a vida lá dentro de modo sentimental, simplifica a realidade e não tem a menor ideia da feroz luta pela existência, mesmo entre os próprios prisioneiros e justamente nos campos menores.

É violenta a luta pelo pão de cada dia e pela preservação e salvação da vida. Luta-se sem dó nem piedade pelos próprios interesses, sejam eles do indivíduo ou do seu grupo mais íntimo de amigos. Suponhamos, por exemplo, que seja iminente um transporte para levar certo número de internados para outro campo de concentração, segundo a versão oficial.
Mas há boas razões para supor que o destino seja a câmara de gás, porque o transporte de pessoas doentes e fracas representa uma seleção dos prisioneiros incapacitados de trabalhar, que deverão ser dizimados num campo maior, equipado com câmaras de gás e crematório. E neste momento que estoura a guerra de todos contra todos, ou melhor, de uns grupos e panelinhas contra outros. Cada qual procura proteger a si mesmo ou os que lhe são chegados, pô-los a salvo do transporte, ‘requisitá-los’ no último momento da lista do transporte.

Um fato está claro para todos: para aquele que for salvo dessa maneira, outro terá que entrar na lista. Afinal de contas, o que importa é o número; o transporte terá que ser completado com determinado número de prisioneiros.

Cada qual então representa pura e simplesmente uma cifra, pois na lista constam apenas os números dos prisioneiros. Afinal de contas, é preciso considerar que em Auschwitz, por exemplo, quando o prisioneiro passa pela recepção, ele é despojado de todos os haveres e assim também acaba ficando sem nenhum documento, de modo que, quem quiser, pode simplesmente adotar um nome qualquer, alegar outra profissão etc.

Não são poucos os que apelam para esse truque, por diversas razões. A única coisa que não dá margem a dúvidas e que interessa aos funcionários do campo de concentração, é o número do prisioneiro, geralmente tatuado no corpo. Nenhum vigia ou supervisor tem a ideia de exigir que o prisioneiro se identifique pelo nome, quando quer denunciá-lo, o que geralmente acontece por alegação de ‘preguiça’. Simplesmente verifica o número que todo prisioneiro precisa usar, costurado em determinado pontos da calça, do casaco e da capa, e o anota (ocorrência muito temida por suas consequências).

O que faz sentido numa situação dessas? Como bem observaram os editores da obra de Frankl, ele toca na essência do que é ser humano: usar a capacidade de transcender uma situação extremamente desumanizadora, manter a liberdade interior e, desta maneira, não renunciar ao sentido da vida, apesar dos pesares. E manter-se aberto para a vida, mesmo naquelas situações aparentemente sem sentido e dessa forma encontrar o sentido mais profundo da transcendência humana.

A história de Viktor Frankl possui alguma similaridade com a do profeta Elias — ambos viveram situações-limite. Frankl era um judeu que sobreviveu ao extermínio promovido pelo nazismo; Elias, também judeu, sobreviveu ao extermínio promovido pelo rei Acabe. Assim como Frankl, Elias era humano! Estava sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17).
Muitas vezes ficamos tão fascinados com o registro bíblico sobre homens e mulheres de Deus que acabamos esquecendo de que os mesmos eram humanos! Passamos a enxergá-los como heróis e como tal acreditamos que eles não possuem falhas. Todavia a Escritura mostra os homens de Deus como de fato os são — homens vigorosos, destemidos, corajosos e ousados — mas ainda assim humanos.

Com Elias também foi assim. Elias foi um profeta que deixou seu legado na história bíblica como um gigante espiritual. Um servo de Deus de profunda convicção espiritual e consciente de sua missão profética.
Por causa disso, enfrentou soberanos, falsos profetas e o coração de um povo dividido. Isso deixou uma sobrecarga sobre ele, e foi isso que fez aflorar na vida do profeta de Tisbe todo o seu lado humano, frágil e carente da ajuda divina (1 Rs 19.1-18).

 

Elias — um homem como os outros

Um homem sentimental = O apóstolo Tiago destacou em sua epístola a dimensão humana do profeta Elias. Elias era homem, estava também sujeito aos sentimentos peculiares aos seres humanos. E isso o que o apóstolo diz: “Elias era homem semelhante a nós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu” (Tg 5.17).Tiago diz duas coisas importantíssimas sobre Elias que nós parecemos esquecer: primeiramente “Elias era homem”. Elias foi um gigante espiritual, mas era homem! Não era um anjo! Quando escrevi um comentário para a Escola Dominical sobre a vida do rei Davi, destaquei esse fato: “Davi era humano, demasiado humano! Foi Nietzsche quem usou essa expressão em um outro contexto.

Todavia, acredito que ela se aplica bem a Davi. Davi era tudo aquilo que podemos identificar como humano. Um homem espiritual, mas humano. Um guerreiro forte, mas ao mesmo tempo um líder quebrantado (SI 34.18). Um homem que sabia pensar e ao mesmo tempo chorar (2 Sm 12.22). Davi em algumas vezes se mostra extremamente racional e em outras um homem altamente emocional. Davi era humano! As vezes ficamos com um sentimento de decepção quando vemos Davi se emaranhando nas teias do pecado sexual.

E evidente que a Escritura reprova veementemente essa ação de Davi, todavia isso nos mostra um outro lado da moeda — Davi era um homem!
E como homem, estava sujeito a falhas. Ele não era um anjo, ou um semideus ou ainda um dos heróis antigos, mas um homem que amava a Deus mesmo com todas as suas fragilidades.

As vezes esquecemos que, ao escolher Davi, o profeta Samuel, sob direção divina, disse: “já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração” (1 Rs 13.14). Deus procurou um homem, e não um semideus. Não um herói.

Não devemos esquecer a nossa humanidade. Às vezes encontramos crentes que não querem mais ser humanos, eles buscam um projeto de espiritualidade destituído da parte humana. Isso é extremamente perigoso. Devemos ser crentes espirituais, mas não esquecendo de que ainda habitamos neste tabernáculo (2 Pe 1.14).

Assim como Davi, Elias também era humano. Ele estava sujeito aos
“mesmos sentimentos”. Elias não era apenas espiritual, era também sentimental! Alegrava-se, mas também se entristecia! Talvez o que distingue Elias dos demais mortais é que ele não maquiava seus sentimentos. Ele os punha para fora.

Um homem espiritual = Como vimos, há muitas semelhanças nas histórias de Frankl e do profeta de Tisbe, em especial quando levamos em conta a dimensão psicológica ou subjetiva. Todavia há diferenças também. Elias não era psiquiatra, não possuía formação em comportamento humano, mas era um profeta com uma profunda vida espiritual. Se Frankl se valeu do que ele mesmo batizou com o nome de logoterapia, uma técnica que busca um sentido para a existência, Elias buscou o sentido dessa mesma existência em Deus. Elias era servo do Deus vivo, razão última de toda a existência humana! Dizendo isso de uma outra forma, o profeta de Tisbe era um homem espiritual.

Elias era um homem espiritual e vários fatos narrados nas Escrituras atestam essa verdade. Primeiramente vemos Elias como um profeta profundamente envolvido com a Palavra de Deus: “E, que segundo a tua palavra fiz todas essa coisas” (1 Rs 18. 36). Em segundo lugar, observamos que o profeta de Tisbe possuía uma profunda vida devocional. Elias era um homem de oração: “Subiu Acabe a comer e a beber; Elias, porém, subiu ao cimo do Carmelo, e, encurvado para a terra, meteu o rosto entre os joelhos, e disse ao seu moço: Sobe e olha para o lado do mar. Ele subiu, olhou e disse: Não há nada. Então, lhe disse Elias: Volta. E assim por sete vezes” (1 Rs 18.42,43). Elias aprendera a arte da oração!

As causas dos conflitos de Elias

Decepção = O capítulo 18 de 1 Reis narra a fantástica vitória que o profeta Elias obtivera sobre os profetas de Baal. O Senhor havia respondido a oração do seu servo e respondeu com uma demonstração inequívoca do seu poder. O Senhor enviou fogo do céu em resposta à oração de Elias (1 Rs 18.38).
O que Elias esperava em resposta a esse avivamento era um total quebrantamento do povo, incluindo a casa real. Todavia o avivamento não alcançou as proporções desejadas. A casa de Acabe ficou insensível a ele. Jezabel mandou dizer a Elias, em tom de ameaça: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles” (1 Rs 19.2). Parece que a vitória havia se convertido em derrota! Sem dúvida Elias ficou decepcionado, não com o seu Deus, mas com o príncipe de seu povo!

Para a psicóloga Esther Carrenho (2001, pp.148-149) essa sem dúvida foi a razão que motivou o profeta Elias ficar deprimido. Em sua excelente obra, Carrenho faz uma análise detalhada sobre os principais conceitos da Depressão, em especial quando ela se manifesta em personagens bíblicos tais como: Jó, Moisés, Davi e Elias.

Na sua análise sobre o profeta de Tisbe, Carrenho destaca que:
“Quando analisamos psicologicamente os fatos na vida de Elias, podemos também concluir que sua depressão poderia ser chamada de “depressão após o sucesso”. Esse é um tipo de depressão que também pode cair sobre muitas pessoas. Normalmente, diante de um desafio, o corpo passa a produzir um excesso de adrenalina para que a pessoa dê conta de executar todo seu plano até ver o desafio cumprido. Uma vez que a tarefa está encerrada, a produção de adrenalina também cessa, trazendo para o corpo uma prostração e um cansaço de tal forma que algumas pessoas demoram alguns dias para se recuperarem novamente”.

Medo = Diante da ameaça de morte sentenciada pela rainha Jezabel, a reação de Elias foi imediata: “Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar a sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço” (1 Rs 19.3). Elias teve medo e fugiu! O homem que havia confrontado Acabe e os falsos profetas de Baal e Aserá, agora fugia temendo morrer pela mão de uma mulher! Não devemos esquecer que Elias era um homem semelhante a nós e sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17).

Os gigantes também possuem seus momentos de fraqueza! Não há dúvidas de que aqui os sentimentos falaram mais alto do que a fé!

Esther Carrenho destaca que: “Acabe relata tudo para sua mulher, Jezabel, que se enfurece com Elias ao saber da morte dos profetas de Baal. Ela manda um aviso dando lhe 24 horas de prazo; depois disso, ela o destruirá da mesma forma com que ele destruiu e matou os profetas. Elias sentiu medo diante da ameaça de Jezabel. E esse medo vai desencadear uma depressão que faz com que Elias, o grande herói e vencedor, se prostre em total desânimo”.

As consequências dos conflitos

Fuga e isolamento = O texto sagrado destaca a fuga do profeta Elias (1 Rs 19.3). O homem de Deus que havia enfrentado situações tão adversas, agora se vê impotente diante das ameaças de uma rainha pagã. Ele se viu sem escapatória diante dessa nova situação e temeu por sua vida. Humanamente falando, era ficar e morrer. Devemos observar que o Senhor não recriminou Elias por isso, nós também não devemos fazê-lo.

Por outro lado, Elias não apenas fugiu, ele também se isolou. “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto” (1 Rs 19.4). Essa é uma marca de uma pessoa deprimida — ela busca o isolamento. Somos seres sociais e como tal não podemos viver no isolamento. Carrenho (pp. 150,151) vê o medo e isolamento de Elias como os dois primeiros sintomas depressivos do profeta: “O primeiro sintoma da depressão presente em Elias é o medo.

Ele se deu conta de que, humanamente falando, não tinha escapatória, e diante da sensação de impotência foge para salvar a própria vida.
‘Elias teve medo e fugiu para salvar a vida.’ O segundo sintoma é o isolamento. ‘Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia.’ Foi no deserto e sozinho que ele achou que poderia se proteger do ataque de Jezabel.

Autopiedade e desejo de morrer = Vemos ainda as marcas do comportamento depressivo do profeta na sua atitude de autopiedade, um termo sinônimo para autocomiseração, cunhado pelos psicólogos. Elias achava que somente ele ficara como um servo fiel do Senhor. “Eu fiquei só” (1 Rs 19.10). Ele achava que todos haviam apostatado ou abandonado a fé. Não havia mais fiéis, somente ele. Como o texto deixa claro, isso era ver a realidade de forma distorcida. Deus possuía ainda seus sete mil (1 Rs 19.18).

Mas Elias foi mais além — ele agora queria morrer. “E pediu para si a morte” (1 Rs 19.4). Os psicólogos observam que este é um sintoma de uma pessoa com depressão profunda. Ela perde o encanto pela vida.
Elias, portanto, precisava urgentemente da ajuda do Senhor.

Carrenho destaca com muita propriedade que: “O desejo de morrer não significa desejo de se matar. Há diferença entre sentir o desejo de morrer, não querer continuar a viver, e o desejo de se matar. Elias pede que Deus tire a vida dele, que na verdade é uma forma de ter a vida terminada, mas sem a própria participação. Para muitas pessoas, o simples fato de pensar em morrer já se torna um peso insuportável, pela culpa que elas sentem”.



O socorro divino

Um breve esboço da estadia do profeta Elias no Monte Horebe ou Sinai, que é uma espécie de resumo do que foi dito até aqui, pode ser dado como segue:

A) Elias entrando na caverna

a) Decepção (1 Rs 19.2)
b) Medo (1 Rs 19.3)

B) Elias dentro da caverna

a) Fuga (1 Rs 19.3)
b) Isolamento (1 Rs 19.4)
c) Autopiedade (1 Rs 19.10)
d) Desejo de desistir e morrer (1 Rs 19.4,18)

C) Elias saindo da caverna A terceira e última parte é a que iremos analisar agora — Elias saindo da Caverna. Foi o escritor americano John Gray (1995, pp.42,43) quem popularizou a figura da caverna como símbolo de conflitos psicológicos.

Em seu livro: Homens São de Marte e as Mulheres são de Venus, que se tornou best-seller, ele escreveu:  “Quando um homem está estressado, ele se retira para dentro de uma caverna na sua mente e se concentra na resolução de um problema. Ele geralmente escolhe o problema mais urgente ou mais difícil.
Ele fica tão concentrado na resolução desse problema que perde temporariamente a noção de tudo o mais. Outros problemas e responsabilidades desaparecem gradualmente no pano de fundo.
Em tais momentos, ele se torna progressivamente distante, esquecido, insensível e preocupado em seus relacionamentos. Por exemplo, quando tiver uma conversa com ele em casa, parece que somente
5% de sua mente estão disponíveis para o relacionamento enquanto os outros 95% ainda estão no trabalho.

Sua plena consciência não está presente porque ele está ruminando o próprio problema, esperando encontrar uma solução. Quanto mais estressado estiver, mais preso ao problema ficará. Em tais momentos, ele é incapaz de dar a uma mulher a atenção e o sentimento que ela normalmente recebe e certamente merece. Sua mente está preocupada, e ele se sente impotente para liberá-la. Se, no entanto, ele puder encontrar a solução, ele se sentirá melhor instantaneamente e sairá da caverna; repentinamente ele estará à disposição para participar do relacionamento novamente.

Entretanto, se ele não puder encontrar uma solução para seu problema, então permanecerá enfiado na caverna. Para sair, ele ficará atraído pela resolução de pequenos problemas, como ler o jornal, ver televisão, dirigir seu carro, fazer exercícios físicos, assistir a um jogo de futebol, jogar basquete, e por aí afora. Qualquer atividade desafiadora que inicialmente requeira somente 5% de sua mente pode ajudá-lo a esquecer seus problemas e a sair. Assim, no dia seguinte, ele será capaz de redirecionar seu foco para seu problema com mais sucesso.

No caso de Elias, fica evidente o fato que se não fosse a mão do  Senhor, Elias jamais teria conseguido sair daquela caverna.

Esther Carrenho destaca esse fato: “Elias, na minha opinião, é o exemplo bíblico mais forte e significativo de uma pessoa deprimida. Primeiro, porque sua depressão poderia ser classificada como severa.
Há todos os indícios e sintomas de alguém que se prostra sem recursos próprios para sair da situação sem ajuda externa.

Só depois que Elias é assistido, até de maneira sobrenatural, é que ele recobra suas forças e consegue caminhar novamente em direção ao monte Horebe.

Provisão física = O socorro do Senhor chegou até o profeta na forma de provisão física ou material: “Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come”(l Rs 19.5). Os psicólogos veem aqui um dos sintomas da depressão de Elias — a inapetência ou alteração dos hábitos alimentares. Nesse estado a pessoa pode não querer comer como também pode possuir um apetite exagerado. Em ambos os casos é necessário o auxílio de terceiros.

Esse sintoma é denominado pelos psicólogos de inapetência, isto é, “a alteração nos hábitos alimentares, quando tanto pode ocorrer a falta de apetite como o comer exagerado. No caso de Elias, ele só dorme e não tem nenhum interesse em providenciar o alimento. E preciso que o anjo traga a alimentação pronta. Os familiares e aqueles que cuidam de pessoas com depressão precisam saber que em muitos casos é preciso tomar a iniciativa de, respeitosa e amorosamente, por um tempo, cuidar do deprimido.”

No caso do profeta, o anjo do Senhor é quem o auxilia providenciando-lhe alimento. Ele precisava alimentar-se e Deus fez com que isso fosse providenciado: “Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir” (1 Rs 19.6,7).

Provisão espiritual = Observamos que Elias se alimentou de pão e água, sem dúvida alguma, elementos de natureza material. Todavia a forma e o instrumento usado por Deus para fazê-los chegar até ao profeta era de natureza espiritual. Como já vimos, o texto sagrado diz que um anjo do Senhor foi quem providenciou aqueles víveres para o profeta (1 Rs 19.5,6). Mas não foi apenas um anjo que prestou auxílio ao profeta. O próprio Deus a quem Elias servia o conduziu durante todo o tempo. A própria ida de Elias ao monte Horebe fez parte dessa terapia. Ali Elias seria revitalizado não apenas na sua vida espiritual, mas também na sua vida emocional (1 Rs 19.8-15).

O Dr. Rodrigo Pires do Rio (2010, pp.82,83) destaca esse momento na vida do profeta Elias: “A experiência do deserto marcou a caminhada de Elias. Deserto não apenas como região externa, mas, principalmente, como experiência interior. Elias viveu em uma época de corrupção e suborno, de uso abusivo e absurdo do poder, de ruptura com as coisas de Deus e culto de idolatrias. Ele teve momentos de não saber, de estar perdido, de ter medo, de achar que tudo estava terminado, de querer fugir e morrer. Ele procurou Deus nos sinais tradicionais (terremoto, vento, fogo) e não O encontrou.

Pareceu-lhe, como para muitos de nós hoje, que não havia sentido na vida, nem direção a ser seguida. Os sinais tradicionais eram para Elias nada mais que lâmpadas que já não se acendiam. Elias só encontrou a Deus, de maneira inesperada, na brisa leve, que significa voz de calmaria suave. A brisa leve indica algo, um fato que, de repente, faz a pessoa ficar calada, cria nela um quebrantamento e, assim, a dispõe para escutar; provoca nela expectativa.

A brisa leve é o “sair de si próprio” para se encontrar novamente, é rever as próprias convicções pela Palavra de Deus; é redescobrir o sentido da vida pela vida que vem de Deus. Elias desesperou-se, perdeu-se, procurou, perseverou e reencontrou-se em Deus (2 Rs 2.11).

Acabamos de observar que os homens de Deus também têm conflitos.
Padecem também dos males comuns a todos os mortais. Todavia é perceptível que o servo de Deus conta com uma forma de auxílio diferenciado — ele não está sozinho neste mundo e por isso não depende apenas dos limitados recursos humanos. O Senhor se faz presente nas horas conflituosas da vida e presta-nos o seu auxílio. Lemos nos Salmos as palavras: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas angústias” (SI 46.1).

O psiquiatra cristão John White observa que: “Todos nós experimentamos tais sentimentos de vez em quando. As soluções são muitas: uma boa caminhada, contar as bênçãos, uma boa noite de sono, uma conversa com os amigos, alguns hinos de louvor, uns momentos a sós com Deus.
Quando, entretanto, os sentimentos continuam a nos assaltar por semanas e meses, devemos procurar ajuda de alguém [...]

Infelizmente, os cristãos têm uma inclinação para considerar suas depressões só em termos espirituais. Acham que desapontaram a Deus.
Os judeus religiosos fazem o mesmo, interpretando suas experiências dentro de uma estrutura religiosa. E os conselheiros espirituais, presos nessa mesma estrutura, podem muito bem diagnosticar um problema espiritual em algum cliente, mas não perceber uma enfermidade depressiva em outro, de modo que a fé vai ser encorajada onde ela não existe, ou o louvor em um coração murcho como uma ameixa seca.
 

Subsídio para o Professor 


INTRODUÇÃO
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Sempre que realizamos ou estamos prestes a realizar algo importante para Deus, enfrentamos o ataque do inimigo. Até ao triunfo do Carmelo quando Elias sozinho enfrentou quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e quatrocentos do poste-ídolo Aserá, não se observa nele segundo as Escrituras nenhum traço de depressão espiritual. Mas depois do Carmelo e mais precisamente quando Elias aguardava à entrada de Jezreel boas notícias que dentro de um prognóstico seu viriam da casa real, tudo mudou (1Reis 18:46). Elias fez um prognóstico que uma vez exterminados os falsos profetas de Baal, Deus, de imediato, enviaria o avivamento espiritual sobre toda a nação. Isto fica mais evidente quando depois da vitória sobre os falsos profetas, Elias disse a Acabe: Sobe, come e bebe, porque já se ouve ruído de abundante chuva (1Reis 18:41). A chuva era o sinal! Quando Acabe deu a notícia a Jezabel, ela prontamente enviou um mensageiro dizer a Elias: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles (1Reis 19:2). Elias esperava uma renovação espiritual na realeza face a presença de Deus incidida no Monte Carmelo, demonstrando que só Ele é Deus e Senhor em Israel. Entretanto, ouve uma ferrenha oposição ao profeta de Deus e isto lhe causou depressão, levando-o a desistir de lutar. Ele tirou os olhos de Deus e colocou-os nas circunstâncias. Isso pode acontecer com qualquer um de nós, por isso precisamos ter muito cuidado.

I. DEPRESSÃO

1. O que é depressão. É uma doença física como outra qualquer, só que desorganiza as reações emocionais. Ela é muito complexa e difícil de ser diagnosticada, pois um dos seus principais sintomas pode ser confundido com tristeza, apatia, preguiça, irresponsabilidade e em casos crônicos como fraqueza ou falha de caráter. É muito comum ouvir as pessoas dizer que estão deprimidas, quando apenas estão chateadas, estressadas ou porque se desentenderam com alguém.
Muitas pessoas, até aquelas consideradas muita calmas, perderia a paciência ou se chatearia numa briga de trânsito, invertida profissional, falta de grana, doença na família, perda de um ente querido, desemprego, crise conjugal, etc. Isto é comum na vida das pessoas, oscilamos o nosso humor diariamente. Só que depois de um curto período de tempo voltamos ao normal, sem grandes dramas, correndo atrás do prejuízo. Já a pessoa deprimida ou com predisposição, às vezes com uma chateação corriqueira, pode ser nocauteada e cair num abismo sem fim. Porque é assim mesmo que se sente um deprimido. Uma pessoa sem perspectiva de vida, sem amor próprio, pessimista, desanimada que não vê graça em nada a não ser no seu isolamento e luto em vida. Na realidade este desânimo perante a vida não é falta de atitude e sim um mau funcionamento cerebral. Porque embora muitas pessoas acham que depressão é tolice, “ela é uma doença, um desequilíbrio bioquímico dos neurotransmissores (mensageiros químicos do impulso nervoso) responsáveis pelo controle do estado de humor. Em alguns casos, a cura não depende, como se costuma pensar, da vontade própria”(fonte: http://www.espacovidaclinica.com.br/tratamentos.asp?tratamento=1).
Devemos ter cuidado para não associar a depressão com pecado, o que costuma acontecer em muitas igrejas. Essa doença, dependendo do caso, pode ser tratada tanto com medicação quanto por meio de terapia e aconselhamento. Não podemos descartar a possibilidade de uma cura divina, e, quando necessário, atentar para a necessidade de uma intervenção médica (Mt 9:12).
2. Sintomas da Depressão. Os sintomas da pessoa com depressão podem passar completamente despercebidos e só tomamos consciência da situação quando a pessoa comete alguma “asneira”. Depois é demasiado tarde. Alguns dos sintomas são: Após um período de tristeza, a pessoa esmorece e fica “isolada do mundo”. Não sente vontade de reagir, não acha graça em nada, se sente angustiada, sem energia, chora à toa, tem dificuldade para começar uma tarefa, dificuldade em terminar o que começou, persistência de pensamentos negativos e um mal-estar generalizado: indisposição, dores pelo corpo, insônia ou sonolência, alterações no apetite, falta de memória, concentração, vulnerabilidade, fraqueza, taquicardia, dores de cabeça, suores ou outros sintomas físicos que joga a pessoa pra baixo; pessimismo, hipocondria, autocrítica; sentimentos de culpa, de vergonha, de desamparo; sentimento de que não é digno; perda de interessa no trabalho e/ou na vida sexual, tensão, tendência a acidentes, etc.
3. Causas da depressão. A depressão pode ser causada pela maneira como se vive no trabalho, no lar, na escola. O emprego que não oferece recompensa, mas não pode ser deixado porque não há outro em vista; muita tensão de horários e prazos; tensão doméstica, econômica, déficit de sono, pouco exercício físico, problemas pessoais, problemas de criação, problemas na infância, problemas de relacionamento, distância de Deus, a meia-idade (difícil para o homem, ainda mais difícil para a mulher), desapontamentos, enfermidade, depressão após o parto, rejeição, alimentação inadequada, efeito de entorpecentes, perda de emprego, perda de posição, perda de pessoas queridas por morte, divórcio, abandono etc., etc. Outras causas não têm sentido aparente, porém, na verdade, são provocadas por um desequilíbrio interno, como desordens glandulares ou hipoglicemia.
A verdade é que a depressão é uma condição da qual Satanás se aproveita para tornar o povo de Deus inútil para a Obra do Mestre. Entende o cristão deprimido que Deus dá perdão, mas não o experimentou ou acha que não foi salvo ou que perdeu a salvação (coisa que a Bíblia não ensina), ou ainda que cometeu o pecado imperdoável (sem saber defini-lo). Satã ataca o cristão com o cansaço que deprime, e, assim, vem o sentimento de fraqueza, ansiedade e medo. Medo da morte, medo do amanhã, medo de gente, medo de coisas específicas, e medos mal definidos também.
Como se vê, as causas da depressão podem ser as mais diversas, inclusive não podemos descartar os casos hereditários. Há pessoas que, ao que tudo indica, têm alguma propensão, vinda dos seus pais, para desenvolver esse tipo doença. Mas, na maioria das vezes, a causa da depressão é cultural, isto é, depende do estilo de vida no qual as pessoas se integram e a que são expostos.

II. ELIAS - UM HOMEM COMO OS OUTROS

Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra. E orou outra vez e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto” (Tg 5:16-18).
Elias foi um homem levantado por Deus em tempo de crise política e apostasia religiosa em Israel. Ele, ousadamente, confrontou os pecados do rei Acabe, dizendo-lhe que em seu reino não choveria por três anos, e chamou a nação indecisa a colocar sua confiança em Deus. De uma forma milagrosa multiplicou o alimento da viúva de Sarepta; também orou a Deus em favor do filho da viúva, que havia morrido, e Deus o ressuscitou. Elias desafiou os quatrocentos e cinquenta profetas do deus Baal e os quatrocentos do poste-ídolo Aserá, no alto do monte Carmelo, e triunfou valentemente sobre eles, Deus deu-lhe uma vitória espetacular diante do povo de Israel; depois da vitória, ou seja, de provar que “só o Senhor é Deus”, Elias motivou o povo a que os falsos profetas do falso deus Baal fossem mortos.
Pergunto: como é possível nos dias de hoje nos identificarmos com uma pessoa tão extraordinária como o profeta Elias? Todavia, Tiago disse: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós…” .
É difícil tentar ver alguma semelhança com um homem que tinha esse tipo de fé. Seria mais fácil nos identificarmos com alguém como Pedro. Pedro era um individuo, que antes de ter sua vida controlada pelo Espírito Santo, estava sempre metendo os pés pelas mãos, quebrava promessas e ainda negou ao Senhor; mesmo depois de muitos anos de convertido ainda cometia atitudes incondizentes com o padrão espiritual de um apóstolo (cf. Gl 2:11-13). Também seria fácil nos identificar com Davi, às vezes ele tinha problemas com Deus; tinha problemas com os filhos; não sabia em quem confiar; caiu em adultério; mandou matar. Estes sim, eram homens sujeitos às mesmas paixões que nós.
No entanto, Tiago não falou sobre Davi, nem sobre Pedro. Falou daquele habitante do deserto, de origem humilde e insignificante humanamente falando: Elias. O que Tiago queria dizer era que Elias era um ser humano de natureza semelhante à que temos - com sentimentos, disposições de ânimo e constituição física igual. Era alguém tão humano quanto nós; ele tinha também os pés de barro. Não era um super-homem nem um super-crente. Depois de retumbantes vitórias, Elias ficou deprimido e pediu para si a morte.
Precisamos parecer com Elias nos seguintes aspectos: um distanciamento do mundo, fidelidade a Deus e um comprometimento com a Palavra de Deus. Aliás, a fidelidade inabalável de Elias a Deus e o comprometimento com a sua Palavra, faz dele um exemplo de fé, destemor e lealdade a Deus, ante a intensa oposição e perseguição às falsas religiões e aos falsos profetas. Temos habilidade de imitar esse grande homem de Deus?

III.  AS CAUSAS DOS CONFLITOS DE ELIAS

1. Decepção. O sentimento de incapacidade ou fracasso, diante da realização de um trabalho aparentemente inútil, pode nos levar à depressão. Disse a ímpia Jezabel: “Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles” (1Reis 19:2). Elias não estava preparado para esta resposta da realeza, pois entendia que todo o problema em Israel se resumia aos falsos profetas. Concluiu que uma vez exterminados, não só a chuva cairia, mas a fome deixaria de assolar a nação, o pasto ressurgiria para alimentar o gado; lagos, córregos e rios alegrariam o povo em abundância de água. Que mais a realeza e a multidão queriam? Mas, o seu prognóstico foi uma decepção; por isso, caiu em depressão. Elias caiu em depressão por se achar um fracassado em sua missão espiritual para com o povo e, sobretudo com Acabe e Jezabel. As bênçãos materiais, Deus tinha derramado; mas as espirituais, como a salvação e a mudança de atitude da realeza para com Ele mesmo e seu povo, o Senhor não realizara. Isso foi o bastante para o mundo de Elias ruir. Disse o profeta: “Basta; toma agora a minha alma, não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Elias não teve poder de reação para lidar com o ocorrido. É um perigo quando objetivamos algo e em prol deste algo empenhamos toda a nossa força sem lograr êxito. Elias se sentiu assim. Julgou que seu esforço foi em vão porque Deus não agiu na realeza de Israel conforme seu ponto de vista. A vontade do Senhor é soberana!
2. Medo. Quando Elias soube da oposição da realeza ao seu grande feito no Monte Carmelo, a sua reação imediata foi esta: “Temendo, pois, Elias, levantou-se e, para salvar sua vida…“(1Reis 19:3). O profeta valente e ousado agora estava fugindo de medo das ameaças da rainha que poderia lhe tirar a própria vida. Num dado momento, Elias pensou que sua vida dependia da ímpia Jezabel e não de Deus. Por isso, ele temeu e fugiu. Sempre que tiramos nossos olhos de Deus para colocá-los nas circunstâncias adversas afundamos num pântano de desespero.

IV. AS CONSEQUENCIAS DOS CONFLITOS

1. Fuga e isolamento. Fugir é a primeira reação quando nos sentimos incapazes diante do inimigo (1Reis 19:3). Moisés, incompreendido pelos filhos de Israel e procurado por Faraó, fugiu para Midiã (Ex 2:15). Davi tomou a mesma atitude; durante prolongada crise, fugiu para Aquis, rei de Gate, fazendo-se de louco (ler 1Sm 21:10-15).
Elias realizou grandes feitos perante o Senhor: extirpou a idolatria de Israel (1Reis 18:19-40) e fez chover sobre a terra, após um longo período de seca (1Rs 18:41,42; Lc 4:25; Tg 5:17,18). Todavia, isso não impediu que o profeta ficasse apavorado diante das desprezíveis ameaças de Jezabel (1Rs 19:4,9). Então, fugiu! Ele entrou na caverna da solidão quando mais precisava de pessoas à sua volta. A depressão prega esse artefato: quando mais precisamos de companhia queremos nos trancar nos quartos escuros. Elias dispensou o seu moço, quando mais precisava dele. Muitos, por não confiarem plenamente em Deus, usam o sono, o isolamento, o entretenimento, e tantas outras coisas para fugir da realidade. Se você estiver enfrentando um problema difícil, a ponto de desejar esconder-se em uma cisterna (1Sm 13:6), saiba que o Senhor tem um escape para você (Sl 91;Hb 13:5).
2. Autopiedade e desejo de morrer. Depois de percorrer muitos quilômetros, Elias deixou o seu discípulo e se prostrou debaixo de um zimbro de tanta exaustão. Observemos que a Palavra é clara: “e ali deixou o seu moço” (1Rs 19:3). Elias perdeu o ânimo para ensinar o seu discípulo e o amor por si próprio  - “Ele, porém, entrou pelo deserto caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” (1Reis 19:4). Ele perdeu completamente a perspectiva do futuro. Elias pediu para si a morte. Ele julgou que o melhor tempo da sua vida havia ficado no passado e que o futuro só lhe reservava um espectro de desespero. A angústia de Elias lhe trouxe um estado espiritual mórbido. Um anjo lhe acorda com pão e água, ele come e volta a seu estado mórbido anterior: dormir. Se antes uma pequena nuvem era sinal de milagre, agora nem um anjo é capaz de lhe mostrar a vitória (1Reis 19:5,6).

V. O SOCORRO DIVINO

Deus tratou a depressão de Elias através de vários recursos.
1. Deus o tratou por meio da sonoterapia(1Reis 19:5,6)
A depressão deixa a mente agitada. Uma pessoa deprimida fica com o corpo cansado, mas a mente não desliga. Elias precisou dormir e descansar para sair do buraco da depressão. Deus encontrou o seu servo num momento de desmotivação e desespero. A depressão lhe era tão intensa que desejou a morte (1Reis 19:4). E nessa condição sentou-se debaixo de uma árvore e dormiu profundamente. Deus permitiu que o seu servo tivesse um momento de descanso.
2. Deus o tratou por meio da alimentação adequada(1Reis 19:6)
Deus preparou uma refeição para Elias no deserto. Deu-lhe pão e água e ele recobrou suas forças. Uma pessoa deprimida, muitas vezes, sente náuseas do alimento. É preciso fortalecer o corpo no tratamento dessa doença. O Senhor, através de seu anjo, o alimentou e permitiu que repousasse. Não houve nenhuma reprimenda, sermão ou repreensão. Deus providenciou uma refeição de pão quente e água fresca e o deixou descansar. Era preciso recobrar suas forças físicas. Creio que isto é necessário não só no caso de Elias. É preciso repousar, descansar e ter uma alimentação adequada. Podemos prevenir a depressão proporcionando um período de descanso.
3. Deus tratou Elias por meio da mudança de ambiente
Elias precisava de tempo e de um novo ambiente, para considerar sua vida sob um novo ponto de vista. Deus tirou Elias do deserto (1Rs 19:7,8) e levou-o à sua presença, em Horebe. 1Reis 19:9 diz: “Ali entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?”. O profeta passou uma noite inteira no “aposento” de Deus. Foi o próprio Senhor que o conduziu à sua presença. Os versos 7 e 8 deixam claro isto: “Voltou segunda vez o anjo do senhor, tocou-o e lhe disse: Levanta-te, e come, porque o caminho te será sobremodo longo. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus“. Deus estava em silêncio quando Elias estava prostrado no chão pedindo para si a morte. Agora, no monte Horebe é diferente, Deus lhe dirige a palavra: “Que fazes aqui Elias?”. Deus não o condenou por sua atitude. Ao invés disso faz essa pergunta. Deus queria entender. Não que Ele não entendesse, mas queria que o profeta expressasse, verbalizasse o seu problema. Certas vezes precisamos colocar para fora os nossos sentimentos, mas devemos fazê-lo de uma maneira responsável. Deus também fez Elias entender e enfrentar a realidade. Para vencer a depressão é preciso entender e enfrentar a realidade.
Quem não anela ouvir em meio às tempestades a voz inconfundível de Deus? A palavra de Deus é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos (Sl 119:105). E mais: “Na tua presença há plenitude de alegria” (Sl 16:11). O profeta deprimido, como qualquer outro crente, precisava da amável e confortadora presença de Deus. Foi somente no trono do Pai que Elias se reencontrou com a verdadeira alegria que a depressão espiritual lhe tirou.
4. Deus o tratou dando-lhe a oportunidade do desabafo
Elias estava dentro da caverna, quando Deus lhe perguntou: “O que fazes aí, Elias?”. Deus, assim, o ordena a sair da caverna para destampar a câmara de horror da alma e espremer o pus da ferida - “Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem” (1Reis 19:10). O desabafo é uma necessidade vital para a assepsia da alma. Faça o mesmo: conte a Deus, conte a um bom amigo que lhe seja instrumento de Deus.
5. Deus o tratou dando-lhe bem-estar espiritual - Deus se revelou maravilhosamente a Elias
Em 1Reis 19:11 está escrito: “Disse-lhe Deus: Sai, e põe-te neste monte perante o Senhor. Eis que passava o Senhor…” . São poucos os casos bíblicos em que Deus se revela de uma maneira especial para os seus filhos. Abraão foi chamado amigo de Deus (Tg 2:23). Enoque andou com Deus (Gn 5:24). Jó depois da provação, quando perdeu bens, amigos, filhos, saúde, pôde dizer: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso me abomino no pó e na cinza” (Jó 42:5,6). Existe um anelo em todo cristão para contemplar a grandeza do Senhor, à semelhança de Moisés que suplicou a Deus: “Rogo-te que me mostres a tua glória. Respondeu-lhe, o Senhor: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:18,19). É na vontade soberana de Deus que está o segredo de sua manifestação pessoal aos seus. Isto não implica dizer que não devamos pedir e orar pela bênção. Devemos sim, buscar acima de tudo o Deus da bênção e não meramente a bênção como é corrente nos dias de hoje! Elias, assim como os outros, foi agraciado por Deus com sua maravilhosa manifestação.
Em 1Reis 19:11, Deus não estava num grande e forte vento; muito menos no terremoto. Em 1Reis 19:12, o Senhor não estava no fogo, mas numa brisa suave e tranquila. À suave manifestação de Deus, Elias “envolveu o rosto no seu manto…” (1Rs 19:13). O profeta sentiu o marcante poder santificador e renovador do Senhor. Não há depressão espiritual que resista ao tratamento do Médico dos médicos. É Ele quem unicamente amassa o barro porque Ele é o oleiro!
6. Deus deu uma lição no profeta Elias
Em 1Reis 19:18 Deus fala assim: “Também conservei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou“. Deus é o mestre por excelência. Ele ensinou ao rebelde e insensível profeta Jonas o valor do verdadeiro amor ao próximo através da morte de uma simples planta (Jn 4:6-11). O salmista aprendeu o valor da disciplina divina, pois escreveu: “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Bem sei, ó Senhor, que os teus juízos são justos, e que com fidelidade me afligiste” (Sl 119:67,75). Elias experimentou a correção celestial em sua vida, mas antes disto se estribou em sua fidelidade a Deus para reclamar sua proteção. Em 1Reis 19:14 ele repete com mais intensidade o que falara no versículo 11: “Tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida“. Não é correto quando temos a oportunidade de ficar frente a frente com o Altíssimo e ficamos querendo nos justificar, com autocomiseração, se fazendo de vítima, tentando convencer a Deus de nosso extremo zelo (1Reis 19:14). Deus não nos mandou ser extremamente zeloso, mas sim zeloso apenas. Todo extremo é perigoso.
O profeta ouviu do próprio Deus: “Também conservei em Israel“, Elias, “sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1Rs 19:18). Deus mostra-nos nosso equívoco: tem mais gente passando pelo que estamos passando - Sete mil joelhos que não se dobraram a Baal. Elias estava se achando o último dos profetas. Talvez imaginasse que nele se resumisse a esperança de Israel. Elias aprendeu que Deus é Deus. Que lição!
7. Deus renovou a vocação profética de Elias
1Reis 18:15,16 evidencia isto: “Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria. E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar” (1Reis 19:15,16).
Uma vez revigorado, Elias, o tesbita, tinha que ungir Hazael como rei da Síria; Jeú como rei de Israel; e a tarefa mais difícil, que era ungir a Eliseu como profeta em seu lugar. Elias tinha agora que passar o cajado. Talvez não imaginasse que este dia chegasse nestas circunstâncias. Contudo, tinha sido renovado para tal missão! Já que pediu a morte, Deus prepara seu sucessor na sua “barba”. Sempre precisaremos do renovo de Deus em nossas vidas. Grandes homens de Deus precisaram! Elias necessitou! Portanto, busquemos o trono da graça do Senhor, pois de lá, somente de lá vem o reavivamento que nos curará de toda depressão espiritual.
8. Deus providenciou um amigo próximo (1Reis 19:19-21)
É interessante observar que Deus não lhe deu apenas um sucessor, mas alguém que o amava e o compreendia suficientemente bem para servi-lo e encorajá-lo. Todos nós precisamos de outros cristãos em nossa vida para nos ajudar e encorajar. É por isso que Deus estabeleceu a igreja, para vivermos em comunhão, em amizade e em encorajamento mútuo.

CONCLUSÃO

Como Elias, podemos estar sujeitos às mesmas situações. Há crentes que passam por momentos de depressão, perdem o ânimo e acreditam que Deus sequer está ao lado deles. Mas veja o que aconteceu com Elias. Deus o socorreu e o alimentou de forma sobrenatural, convidou-o para uma caminhada, para mais perto de si, e mostrou quem seria o seu substituto no Reino do Norte. Mesmo em momentos de depressão, os servos de Deus podem contar com o seu cuidado proteção e orientação. Deus não só habita no alto e santo lugar, mas também com o contrito e quebrantado de coração (Is 57:15). Jeová jamais deixaria seus filhos sozinhos, no quarto escuro e solitário da depressão espiritual. O hino 193 da harpa cristã traz a confiança inabalável em Deus oriunda do usufruto de Sua presença apesar da depressão: “Ele intercede por ti, minh’alma; Espera Nele, com fé e calma; Jesus de todos teus males salva, E te abençoa dos altos céus”. 

Tenham todos uma boa aula.
Aprecie bem o conteúdo dessa Lição que é, dentre as 13 uma das melhores.
Grande abraço.
Vivam vencendo!!!
Seu irmão menor. 

BIBLIOGRAFRIA

1 - FRANKL, Viktor E. Em Busca de Sentido. 31a edição, Rio de Janeiro: Editoras Sinodal/Vozes, 2011.

2 - FRANKL, Viktor e. Em Busca de Sentido. Rio de Janeiro: Ed. Sinodal/ Vozes, 2011.

3 - John White, psiquiatra cristão, no entanto oberva que: “Frankl é um deleite e uma frustração para os cristãos. E um prazer na sua concepção do fato fundamental de que precisamos entender porque estamos vivos. Mas é uma frustração porque ele foge à questão básica (o significado final da existência), confinando-se ao significado idiossincrático da existência de cada pessoa. Uma mãe abandonada, por exemplo, pode ser ajudada a suportar as dificuldades entendendo que o significado de sua vida consiste na criação de um futuro pra os eu filho aleijado” (WHITE, John. As Máscaras da Melancolia num psiquiatra cristão aborda a problemática da depressão e do suicídio, p. 103, Editora ABU, 2001).

4 - GONÇALVES, José et al. Davi - as vitórias e derrotas de um homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

5 - CARRENHO, Esther. Depressão: tem luz no fim do túnel. São Paulo: Editora Vida, 2007.

6 - CARRENHO, Esther. Depressão: tem luz no fim do túnel. Idem.

7 - CAREENHO, Esther. Depressão. Idem.

8 - CARRENHO, Esther. Depressão. Idem.

9 - GRAY, John. Os Homens são de Marte e as Mulheres são de Vênus – um guia prático para melhorar a comunicação e conseguir o que você quer nos seus relacionamentos. 12° edição. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1995.

10 - CARRENHO, Esther. Depressão. Idem.

11 - CARRENHO, Esther. Depressão. Idem.
12 - DO RIO, Rodrigo Pires. O Poder da Contra a Depressão. Belo Horizonte: Ed. Dynamus, 2010.

13 - WHITE, John. As Máscaras da Melancolia: um psiquiatra cristão aborda a problemática da depressão e do suicídio. São Paulo: Editora ABU, 2001.

14 - Livro Porção Dobrada - Casa Publicadora das Assembleias de Deus - José Gonçalves – 2012

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