19 março 2013

Entrevista com o promotor do caso Igreja Maranata revela fatos chocantes acerca da máfia do dízimo



Membros da Maranata no ES usam Bíblia para coação, diz promotor

Paulo Panaro informou que, após prisões, ameaças continuaram. Membros são investigados por estelionato, tráfico de influência e outros.




Portal G1

Os líderes da Igreja Maranata presos nesta terça-feira (12), em Vila Velha, na Grande Vitória, suspeitos de intimidarem testemunhas e autoridades, usavam a Bíblia como forma de coação. A afirmação foi dada pelos promotores de justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) Paulo Panaro e Jerson Ramos, em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, na manhã desta quarta-feira (13). Além disso, Panaro também informou que, mesmo após as prisões, uma testemunha continuou sendo coagida e ameaçada.

Os quatro pastores presos nesta terça-feira, em uma operação conjunta entre o Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) e Polícia Federal, são apontados como agentes intelectuais que estariam interferindo no curso das investigações, ameaçando e intimidando testemunhas a mudarem seus depoimentos e até membros do Ministério Público e do Judiciário. A Igreja Cristã Maranata é investigada pelo MP-ES desde março de 2012, por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, falsidade ideológica e desvio de erário.

O MP-ES deu mais detalhes de como aconteciam as coações, que utilizavam até a Bíblia. "Membros da Igreja Cristã Maranata estavam sendo coagidos pelos líderes da igreja. É uma instituição hierarquizada. O pastor por ser o líder tem a dominação de todo o seu rebanho, e o que ele diz deve ser realizado. Então, essa coação, diferente da normalidade, onde a coação é direta dizendo o que uma pessoa deve fazer ou deixar de fazer, ela é feita através do uso de uma interpretação manipulada da Bíblia", explicou o promotor Paulo Panaro.

Para o também promotor Jerson Ramos, trechos da escritura sagrada eram usados de maneira subliminar. "Distorciam a forma da mensagem, trazendo informações subliminares, que acuavam as pessoas, que ficavam subjugadas às pessoas que transmitem a mensagem. As pessoas ficaram apavoradas", esclareceu.

Algumas expressões utilizadas dentro da própria igreja também eram usadas como forma de coagir as pessoas. "O que se observa é o seguinte, dentro da instituição, a expressão 'caído' para eles é muito grave. Você ser um caído é gravíssimo, ser um excluído é gravíssimo. Eles excluíam as pessoas dentro da própria instituição, ela é relegada a segundo plano, como forma de coação, eles se sentiam caídos, excluídos", frisou Panaro.

Intimidações continuam

 O promotor Paulo Panaro também afirmou ter recebido uma denúncia na tarde desta terça-feira (12) dizendo que uma testemunha recebeu telefonemas ameaçadores, mesmo após as prisões. "Mesmo a Justiça tendo determinado a prisão dessas pessoas com a finalidade de fazer cessar essas coações, parece que a ação da Justiça não as intimidou. Ontem (terça-feira), cheguei ao meu gabinete e encontrei um documento assinado de uma das vítimas, falando que tão logo a imprensa veiculou a notícia das prisões, a pessoa recebeu três telefonemas ameaçadores. Diziam 'Fulano, você viu o que você fez?' Eu vim de longe para te pegar, vou só esperar a poeira baixar para você ver o que vai acontecer", revelou o promotor.

Segundo Panaro, a testemunha coagida nesta terça-feira (11) já vinha sofrendo ameaças. "Essa é uma testemunha que queriam que ela se retratasse, ela não se retratou e isso está acontecendo com ela. Vou investigar as ligações para detectar os proprietários das linhas e tomar as medidas cabíveis", concluiu.

Outro lado

Por meio de nota, a Igreja Cristã Maranata disse que jamais coagiu testemunhas ou ameaçou autoridades. Ainda informou que está processando judicialmente aqueles que estão acusando a instituição, de acordo com a lei. A Igreja acredita que todas as acusações e acontecimentos desta terça-feira, com a prisão dos pastores, foram pautadas no desejo de retaliação e perseguição.

A Igreja Maranata foi criada no Espírito Santo há 45 anos e conta com mais de 5 mil templos em todo o país. No último domingo (10), um evento realizado pela igreja reuniu mais de 100 mil pessoas em Vitória.
 
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                                     "Bom dia ES"
 
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Glossário da 'Obra'

 1. Obra: jargão comum e enfadonhamente proferido entre os adeptos da Maranata. Necessariamente, há uma alusão imediata à Instituição quando se pronuncia tal palavra. Na prática, tal palavra refere-se à própria Instituição enquanto conjunto de doutrinas, dogmas, usos, costumes e práticas. Em suma, é o nome dado ao sistema religioso que perfaz a Maranata e que obrigatoriamente esteja subordinado ao seu Presbitério. É bastante comum em suas pregações enfatizarem mais esse termo “Obra” do que o próprio nome Jesus Cristo, ou Deus, ou Espírito Santo. Dada a representatividade e relevância de tal termo, percebe-se que em documentos e livros sob o domínio da Maranata e até mesmo na escrita dos adeptos (seja no Orkut, MSN, E-mail, etc), sempre se faz questão de escrever essa palavra com a inicial maiúscula, denotando tratar-se de um nome próprio. Há um grau de veneração bastante explícito sobre “essa Obra”, aferido pelo comportamento e discurso dos membros da Maranata. Eis abaixo alguns desdobramentos, variantes do termo em questão:
 
1.1. Fazer parte da Obra: estar emembrado efetivamente na Maranata.
1.2. Mentalidade de Obra: acatar as doutrinas e práticas da Maranata.
1.3. Entendimento de Obra: dar-se à submissão às ordenanças da Maranata.
1.4. Falar mal da Obra: criticar as doutrinas da Maranata.
1.5. Sair da Obra: deixar de ser membro da Maranata.
1.6. Padrão da Obra: adoção dos usos, costumes e liturgia, bem como aos maneirismos e dialeto (linguajar) estereotipado da Maranata.
1.7. Descaracterizar a Obra: sobre o fato de alguém não se vestir ou não se portar de acordo com o padrão estabelecido como ideal.
1.8. Imagem da Obra: zelo descomunal em relação ao nome da Instituição, principalmente exercitado fora dos domínios da Maranata. É a representatividade da Instituição através do adepto.
1.9. Expor a Obra: em referência a algo negativo realizado por algum membro que causa ou causou alguma má fama ao nome e à imagem da Maranata.
1.10. Discernimento de Obra: é normalmente uma adjetivação ou elogio aos adeptos que apresentam atitudes satisfatórias ao sistema religioso da Maranata.
1.11. Obra como forma de vida: absorção integral dos ditames, mandamentos e preceitos das doutrinas particulares da Maranata. Alienação total em relação a tudo o que não for da “Obra” ou que não esteja sob o controle do Presbitério. Participação e adoção fanatizada a tudo que pertine e gravita em razão da Maranata. Se a ideologia “Obra” censurar, o objeto de censura deve ser banido, abandonado, não praticado. Em nada se assemelha do “novo nascimento”, conforme vemos nas Escrituras, mas trata-se sim de um comportamento cujo perfil e estereotipo do indivíduo se torna tal qual o convencionado pela liderança, uma identidade que seja particular apenas daquela massa específica.
1.12. Doutrina da Obra: em referência as práticas religiosas e costumes particulares da Maranata.
1.13. Obra Dinâmica: diz-se em referência às mudanças periódicas que ocorrem na instituição em matéria de doutrinas, procedimentos e mandamentos. Esse “dinamismo” justifica-se pelas revelações de novas práticas que se diz Deus conceder à Maranata. Ensina-se que assim como Deus concede novas revelações doutrinárias, Ele também pode revogar, acrescentar ou alterar as já existentes. Esse é o dinamismo da “Obra”, mudanças e variações da vontade de Deus.
1.14. Obra Revelada – Obra Maravilhosa – Obra Preciosa – Obra Perfeita – Obra Gloriosa – Obra Redentora – Obra Completa – Obra Única – Grande Obra – Obra de Davi – Obra de Paulo – Obra de Valentes – Obra Filho Único: jargões pertencentes ao linguajar que são altamente repetitivos e de auto-exaltação gratuita ao sistema supramencionado. Tais nomenclaturas elevam o sistema a um status de divindade, principalmente ao se valer de prerrogativas e adjetivos exclusivos da Trindade, como “Maravilhoso”, “Glorioso”, “Redentor”, “Precioso” e, principalmente, “Filho Único”.
2. Projeto: é a referência a toda teoria doutrinária costurada pelo Presbitério ao longo dos anos, bem como, é o andamento do sistema doutrinário da Maranata: cumprimento de sua rotina. É também a subserviência às novas doutrinas, obediência às orientações e mandamentos que estão sendo repassados periodicamente pelo Presbitério. Também, é a adaptação dos textos descontextualizados do Velho Testamento a favor da fundação da Maranata, como que a referida Instituição fosse um projeto profetizado por Deus desde os tempos judaicos.
2.1. Fora do Projeto: é a condição de uma pessoa que saiu da Maranata e, logo, é estigmatizada como fora do projeto da salvação. Muito utilizado em referência a cristãos de outras Denominações por não conhecer e praticar as doutrinas da Maranata. Comumente também é usado contra aqueles membros que estão se afastando das ordenanças e atividades da Maranata.
3. Revelação: é outro clichê de muita repetição e padrão no meio deles. Mormente, é a referência a quase tudo que é positivo e de boa fama em referência a algo próprio do sistema da Maranata. Observa-se que tal jargão substituiu adjetivos positivos no linguajar dos membros, tais como, em vez de falarem, algo como, ótimo, bom, excelente, falam que foi “revelado” ou “na revelação”.  Também é o nome dado ao método de alegorização dos versículos das Sagradas Escrituras. Alegam que em toda e qualquer passagem bíblica há mensagens ocultas de Deus para seu povo, decifráveis através de recursos como simbologia, numerologia e tipologias, que pretensamente chamam de “revelação além da letra” ou “palavra revelada”. O termo também é utilizado para adjetivar a própria desenvoltura e eloqüência de um pregador na ministração da Palavra. Também, chamam de “revelação” as decisões e ordens da liderança, dos pastores, sobre a vida da igreja e dos adeptos. Ou seja, toda ordem, mandamento, mudança, aconselhamento que incida na vida do adepto, quase sempre, ganha o status de  “revelação”. Sendo assim, segue alguns de seus derivados:
3.1. Sem-revelação: aquele que não entrega as mensagens lançando mão do recurso das simbologias e tipologias tão estimadas no sistema. Aquele que não reproduz o que foi mandado nas apostilas ou reuniões. Aquele que dá mais valor à Teologia e estudo das Escrituras do que às mensagens repetitivas, enlatadas e padronizadas do sistema religioso. Aquele membro que possui linguajar, atitudes, pregações, comportamentos, ainda que sejam nada pecaminosos, mas que destoam da massa coletiva, é geralmente depreciado com tal adjetivo.
3.2. Não entendeu a revelação: aquela pessoa que não adere a qualquer uso ou costume, como certas indumentárias, corte de cabelo, barba; aquele que descumpre alguma ordenança do pastor; aquele que não dá o devido valor aos conformes e interesses do sistema da Maranata.
3.3. Fora da revelação: em referência ao membro da Maranata que não segue as orientações pastorais e os dogmas de forma categórica, ainda que esteja a praticar a justiça, o amor, e a fé. Também em alusão aos crentes de outros grupos cristãos.
3.4. Alcançar a revelação: se emoldurar ao estereótipo do sistema da Maranata: passar a falar com o linguajar padronizado, pregar fazendo alegorias e simbologias com as Sagradas Escrituras, trajar-se conforme o exigido e usar cortes de cabelo e rosto barbeado de acordo com a tradição do sistema. Também é referência a uma suposta descoberta de um novo entendimento alegórico de determinada passagem bíblica.
4. Igreja Fiel: é mais uma alcunha dita pela liderança e os membros em referência à Igreja Maranata. Acreditam que a Maranata é a própria expressão delimitada da Igreja que será arrebatada por Jesus, a Igreja Fiel. Dessa forma, implicitamente, dirigem-se a todas as igrejas ou denominações religiosas, que não praticam as doutrinas, dogmas e os costumes específicos e particulares da Maranata ou da “Igreja Fiel”, como a Igreja Infiel. Não afirmam, portanto, que a Maranata é a “Igreja Fiel”, mas de forma sutil e dissimulada, afirmam que a “Igreja Fiel” é aquela igreja que pratica e vive certas doutrinas e dogmas, referindo-se claramente aos praticados unicamente pela Igreja Maranata.
5. Corpo de Cristo: apesar do sentido original da expressão Corpo de Cristo se referir ao organismo vivo, que é a Igreja Cristã como um todo, formada por todos os cristãos compromissados espalhados pela Terra, na Maranata, porém, esse termo é usado num sentido mais exclusivista e restrito possível em referência ao corpo de membros da Maranata. Segue algumas derivações:
5.1. Viver corpo: é a referência à condição em que o membro frequentemente deve está se fazendo presente nas dependências dos patrimônios e está sempre unido com os membros da Maranata, cumprindo os mandamentos e realizando as atividades do sistema religioso em questão. Cumprir as “revelações” e “orientações” dos pastores e da liderança geral.
5.2. Entendimento de Corpo: diz-se o membro que “vive corpo”.
6. Clamor: diz-se a oração padronizada da doutrina da Maranata. Consiste na imprescindível recitação da frase “clamamos pelo sangue de Jesus” como recurso fundamental para que o membro possa fazer jus ao perdão de seus pecados e se fazer apto para se achegar à presença de Deus. Também usa-se o “clamor” como instrumento para provocar a atenção de Deus para conceder proteção e livramento ao adepto. Segue algumas derivações.
6.1. Está no clamor: é um jargão em referência ao estado em que o crente da Maranata sempre lança mão de uma oração devidamente acompanhada da recitação da frase a fim de que possa está constantemente recebendo livramento de Deus no desempenho de alguma atividade que possa gerar tribulação ou opressão.
6.2. Clamor constante: o mesmo que “está no clamor” sempre que ora.
6.3. Viver o clamor: é a condição do membro quando ora jamais esquece da repetição ou do recite do mantra “clamamos pelo poder do sangue de Jesus”.
7. Orientação: ordenança amparada pela infalibilidade pastoral cujo cumprimento é obrigatório. Está, em teoria, abaixo da “revelação”, mas na prática o peso é o mesmo. Tanto a “orientação” quanto a “revelação” é uma ordem a ser cumprida.
8. Varão: bordão religioso muito comum no meio deles como direcionamento dado a membros e visitantes masculinos.
9. Valente: diz-se o adepto que se submete fiel e piamente ao ideário “Obra”, divulgando-o, defendendo-o; aquele que se submete aos serviços de mutirões de limpeza, atividades administrativas ou de cunho evangelístico. Usa-se essa palavra para dar o sentido de heroísmo aos adeptos, e assim massagear o ego e seduzi-los cada vez mais em prol dos interesses e caprichos da Maranata. Usa-se isoladamente ou como “varão valente” ou “valente da Obra”.
10. Nobre: em referência às pessoas que se vinculam à Maranata. Subjetivam aos adeptos que os mesmos adentraram em uma “casta” superior e são agora partes de uma nobreza, enquanto se subentende que os crentes de outros grupos não são “nobres”.
11. Valoroso: diz-se o adepto, normalmente, com função e cargo que é fiel à “Obra como forma de vida”. Adjetivo usado comovarão valoroso” ou “serva valorosa”.
12. Vinha: em referência à própria Instituição Igreja Maranata.
13. Herança: usa-se tal termo para se referir à Maranata e seu aparato doutrinário como uma grande herança concedida por Deus através de uma revelação aos fundadores. Sair da Maranata é “abrir mão da herança”, segundo a teologia da Maranata.
14. Parentela: alusão ao corpo de membros efetivado e fiel à ideologia “Obra”. Rol de membros.
15. Jovem: é todo aquele indivíduo que não se casou ainda. Começa a receber esse rótulo desde os quinze anos até o momento em que contrai matrimônio.
16. Murmurador: aquele que não aceita as arbitrariedades e os abusos autoritários dos mandos, imposições e proibições emanadas da liderança;
17. Desacertado: aquele que perdeu suas funções ou cargo na congregação; diz-se o membro que é visto comumente com roupas fora do “padrão da Obra”: bermuda, barba por fazer (no caso dos homens), calça comprida, camiseta, blusa sem manga. Aquele que não se submete aos usos e costumes de maneira geral do sistema.
18. Rebelde: diz-se o membro que normalmente afronta e desobedece a liderança de forma intrépida e sem nenhum constrangimento. A esse tipo de pessoa normalmente é destinado à exclusão da Igreja, ou, quando menos, a rejeição total por parte dos membros, que são conscientemente orientados pela liderança a se afastarem do “rebelde”.
19. Questionador: diz-se aquele que realiza perguntas sagazes e inteligentes sobre as doutrinas e dogmas da Maranata. Ou aquele que questiona as doutrinas da “Obra” sem inibição, sendo cauteloso e curioso sobre a procedência e origem bíblica de cada doutrina.
20. Leproso: diz-se o membro que se encontram em pecado ou que está demonstrando explicitamente desgosto com o sistema religioso da Maranata. Membros estigmatizados com esse termo, geralmente, está fadado ao isolamento e o abandono afetivo e social por parte dos membros da Maranata.
21. Desobediente: simplesmente em referência àquele que não acata o famigerado alfabeto do “OBDC”.
22. OBDC: jargão enfadonhamente repetitivo visando o recrutamento à obediência restrita e cega às “orientações” e “revelações” da liderança. É comum usarem tal criptografia no chavão religioso: “Na escola aprendemos o ABC, na Obra, o OBDC.”
23. Enfermo: em alusão àqueles membros que possuem características (sinais e sintomas) que são expostos nas famigeradas aulas Síndrome da Queda e Enfermidade no Corpo. Na verdade, diz-se aqueles que não estão submissos ao sistema religioso como um todo, de modo que, no mínimo sinal de distinção, são “diagnosticados” como tal. O membro “enfermo” deve ser observado e rejeitado para não “infectar” os demais. O “enfermo” é uma variação dos estados acima relatados que está profundamente incomodando a liderança e, por isso, dele, todos devem se afastar.
24. Laranja-podre: diz-se o membro de cargo episcopal que tinha grande potencial na “Obra”, mas a largou por algum motivo, principalmente porque negou as suas doutrinas. A “laranja-podre” deve ser excluída porque pode “contaminar” as demais. A maioria, portanto, que atinge esse nível classificatório é excluído.
25. Tumor: membro que compromete a “imagem da Obra”, normalmente pelo seu infeliz passado pecaminoso. Ou aquele que compromete o pretenso elitismo espiritual da Maranata. É usado como “tumor no corpo”. Um tumor subentende-se que deve ser extirpado.
26. Caído: em referência, simplesmente, a todo e qualquer dissidente da Maranata, ainda que continue firme na presença de Deus em outra Denominação. Em referência a todo ex-membro da Maranata. Usa-se esse termo comumente como “caído da Obra” ou “caído da graça salvadora”.
27. Cabritos ou Bodes: geralmente em referência aos cristãos de outros grupos evangélicos, significando que eles não serão salvos, pois não são ovelhas de Jesus. O termo também é muito usado para se dirigir aos antigos adeptos da Maranata. Utiliza-se esses termos sediciosos baseando-se na passagem de Mateus 25.
28. Defunto: membro que outrora possuía grande influência na Maranata, normalmente pastor benquisto e popular, mas que acabou sendo excomungado ou saiu por conta própria da Instituição. Também se atribui esse termo àqueles membros versados nas Escrituras que confrontaram e tentaram argumentar com muitos membros sobre as doutrinas contraditórias e causou incisivas subversões no meio da Maranata. É utilizado para estimular a ruptura social e fraternal dos membros com o dissidente, tendo em vista que ninguém pode manter contato com o “defunto” para não se contaminar, em alusão à tradição judaica da Lei de Moisés.
29. Primo: em vez de se dirigirem como irmãos em Cristo, atribuem esse adjetivo em tom pejorativo aos cristãos de outras congregações. Subtendendo-se como se eles não fossem filhos de Deus, mas de outro ser. É uma ilustração indireta de que os membros da Maranata seriam como os judeus, descendentes da promessa (Jacó) e os demais cristãos que estão fora da Maranata, da herança (Esaú) seriam os amalequitas, primos dos judeus.
30. Amalequita: uma generalização maldosa aos cristãos de outros grupos evangélicos; uma sediciosa alusão aos filhos da geração de Esaú, o desobediente a Deus.
31. Filhos de Baal: em referência a pastores e ex-membros que questionam e não se prostram as doutrinas do Presbitério. É comum recorrer esse termo para referir-se àqueles membros que discorrem sobre a Maranata na internet.
32. Apóstata: líder ou membro que não ensina aos demais membros da Maranata aquilo que o Presbitério necessariamente deseja ou que estabelece como verdade. Bem como, é uma acusação àqueles que questionam, conforme as Escrituras, as doutrinas da Maranata. É também dirigido aos expositores das contradições da Maranata na internet.
33. Heresia: é tudo aquilo que é contrário à “doutrina da Obra” ou diferente daquilo que o Presbitério estabelece como “revelação” e doutrina, mesmo que, independentemente, seja acordado com as Sagradas Escrituras. Portanto, tudo que não estiver de acordo com as doutrinas e dogmas confeccionados pelo Presbitério é, inquestionavelmente, heresia.
34. Evangelho Social: um termo pejorativo em referência às obras sociais, caridosas e fraternais de outras agremiações evangélicas, a saber, visitar presídios, hospitais, favelas, asilos ou quaisquer doações beneficentes. Apregoa-se que tais ações são coisas de crentes que se preocupam com as coisas do mundo e não com a Eternidade.
35. Religião: qualquer organização ou grupo que se diga cristão que não esteja debaixo do governo e liderança do Presbitério da Maranata ou que não tenha uma placa da Maranata na porta da Igreja. Nisto, portanto, se inclui, evidentemente, todas as outras Denominações evangélicas.
36. Tradição: grupo de evangélicos mais conservadores em relação ao batismo com Espírito Santo e dons espirituais. Batista, Presbiteriana, Metodista, Luterana, enfim, Denominações tradicionais são rebaixadas por esse termo.
37. Movimento: termo esnobe em referência as demais igrejas pentecostais do meio evangélico.
38. Mescla: generalização desdenhosa em relação às práticas dos grupos neopentecostais ou de outras igrejas que se envolvem com assuntos mundanos. Bem como, em estrita alusão a uma potencial associação espiritual de um adepto da Maranata com cristão de outra Denominação.
39. Opressut: trocadilho infantil dado ao site de relacionamento social Orkut para subverter os adeptos que lá só há opressão. Um mecanismo de autodefesa para inibir o acesso de membros ao site, a fim de não se depararem com a comunidade Já Fui Um Maranata, onde há debates sobre os problemas doutrinários e administrativos que a Maranata vive.
40. Cospel: trocadilho indecente que fazem com as palavras “cuspe” e “gospel” em referência a música gospel (assim classificada no meio evangélico).
41. Ex-jesus-vem: alusão sarcástica e desdenhosa aos egressos da Maranata, independente de eles estejam fiéis aos propósitos cristãos. O fato de a Maranata ter esse nome, associam que a dissidência de tal Instituição seria a mesma coisa que perder a Salvação ou ignorar a volta de Jesus.
42. “Banco”: jargão religioso sarcástico dado àqueles que perderam suas funções e cargos temporária ou permanentemente, e ficam necessariamente sentados nos últimos bancos do templo, coibidos de orarem e participarem de certas ou todas as atividades eclesiásticas, numa exposição ridícula e inferiorizada da pessoa.
43. Cajadada: diz-se a repreensão severa dada por um pastor da Maranata.
44. Escarnecedor: para os mais radicais, todo aquele que não é da “Obra” ou aqueles que não conhecem verdadeiramente o Senhor Jesus. Os opositores e contestadores das doutrinas da Maranata são enquadrados muitas vezes nessa categoria.
45. Ímpio: em relação a todo aquele que não é associado à Maranata, mais precisamente os sem vínculo com alguma instituição religiosa.
46. Cobreiro: trocadilho sarcástico com a doença de mesmo nome em referência ao obreiro que não é útil aos interesses e caprichos do sistema religioso da Maranata – que não possui “mentalidade” ou “entendimento de Obra”.
47. APDSJ: sigla do cumprimento “A Paz do Senhor Jesus” para ninguém descobrir que você é crente, ou marca registrada que você é membro da Maranata. Criptografia bastante usada e facilmente observada nos fóruns de discussão e bate-papos pelos membros da Maranata quando iniciam, findam e se despedem das conversações.
48. “É uma benção”: frase irônica em relação alguma criança desobediente, hiperativa.
49. Rebeca: bordão em referência a namorada de algum obreiro da Maranata.
50. “Razão”: jargão em referência àquele visitante ou neófito que naturalmente apresenta uma verve cultural ou teológica apurada e que, naturalmente, deixa os membros e o pastor inseguro com seu nível de conhecimento, e que pode ameaçar o status quo dos costumes e dogmas medievais e contraditórios da Maranata. Quando uma pessoa desse nível dialoga com os adeptos sem conteúdo da Maranata, normalmente, é por detrás acusado de “está na razão” ou “razão pura”. Usa-se esse jargão, também, àqueles que são simples curiosos e perguntadores das doutrinas e práticas do sistema e que até o momento não compreendeu a coerência bíblica dos ensinos da Maranata. Também é em referência a qualquer membro que se defende de algum abuso ou agressão de pastor. 
51. Letrista: diz-se a pessoa que valoriza as Escrituras e também transmite o conteúdo das passagens bíblicas de forma primária, pura e simples, sem lançar mão dos arranjos das interpretações mirabolantes e alegóricas. É também uma forma de se referirem aos cristãos da “tradição”.
52. Adversário/Inimigo: é a única maneira como se referem ao Diabo (do grego, caluniador) ou Satanás (do hebraico, Inimigo e acusador). Há uma proibição em relação ao pronunciamento desses nomes gregos e hebraicos, pois acreditam numa espiritualização maligna dessas palavras estrangeiras, de modo que só se referem ao Maligno por palavras do português. Tal moda uma vez apregoada entre eles, é transmitida de pregador para pregador. Mesmo se numa leitura de determinado trecho das Escrituras aparecer essa citação, substituem o nome registrado na Bíblia pelas palavras “adversário” ou “inimigo”.
53. O sangue de Jesus tem poder: bordão religioso pronunciado em toda e qualquer circunstância que promova escândalo ao adepto. É dito espontaneamente, porém, sem o mínimo de reflexão. Assemelha-se ao uso da expressão “nossa senhora!” dita por católicos (praticantes ou não).
54. Maranata: expressão originária do aramaico e registrada nas Escrituras na carta de Paulo aos Coríntios. O significado dessa palavra é “Vem Senhor”, porém ao ser utilizada em documentos e escrita dos membros da “Obra” soa mais como um marketing denominacional, uma propaganda proselitista em razão da altivez religiosa, do que a forma original e sincera utilizada por Paulo.
55. Profético: expressão bastante usada para dar um ar de autoridade espiritual aos estudos dos seminários; principalmente, enfatiza-se tal termo quando tentam relacionar passagens do Antigo Testamento com a fundação e doutrinas da Maranata.
56. Idolatria: diz-se a atitude do adepto em não obedecer subservientemente às ordens dos pastores e do Presbitério.
57. Feitiçaria: Participar de cultos e reuniões espirituais com cristãos de outras denominações cristãs; assim como se levantar contra as doutrinas da Maranata.
58. Opressão: em referência a tudo aquilo que não esteja de acordo com a moralidade ascética e formal do sistema da Maranata. Músicas seculares (mesmo que saudáveis), músicas cristãs (que não seja da Maranata), filmes, jogos de mesa, cinema, teatro são comumente referidos com esse jargão. Também, esse bordão é usado para rotular os adeptos que se encontram com doenças depressivas que em vez de serem acolhidos e assistidos, são estigmatizados como “oprimidos” e devem ser isolados para não contaminarem os outros, pois estão sendo usados e deixaram se sucumbir pelo “Adversário”. Bem como, usa-se tal termo em alusão as pessoas que se apresentam nos cultos embriagados, a mendigos ou vestidos inadequadamente. 
59. Tristemunho: trocadilho sarcástico com as palavras “triste” e “testemunho”, para se referirem à vida prática cristã de crentes de outras Denominações, subtendendo que eles não apresentam uma vida cristã suficientemente digna.
60. Amigo da Obra: diz-se a pessoa de envergadura social, geralmente políticos, celebridades e empresários simpatizantes da Maranata, que de alguma forma “ajuda” a Instituição, porém ainda não membro.
61. Mobral: tendo em vista acreditar-se na superioridade e nobreza dos membros da Maranata, referencia-se os crentes de outras denominações como “mobrais”, pois não cursaram e não tiveram um bom preparo espiritual de “nível superior”, como os da Maranata.
62. Mundo: em referência a tudo aquilo que não esteja inserido na Maranata.
63. Ecumenismo: Distorcem o real sentido desse termo, para um sentido exclusivista. Consideram que seja ecumênico qualquer associação a pessoas de outra Denominação (ainda que sérias). Para justificar o afastamento e isolamento dos demais grupos, ensinam que é ecumênico qualquer contato com outros grupos. Assistir cultos em outras Denominações, participar de eventos evangélicos, ouvir pregações pela TV ou rádio, pode ser uma prática ecumênica, segundo esse entendimento. Ecumenismo, na verdade, trata-se da busca pela unificação do Catolicismo, Ortodoxismo e Protestantismo, ou das demais religiões pagãs, como que todos fossem um caminho que levassem a Deus, e não esse ensinamento equivocado, egocêntrico, separatista, e fragmentador do Corpo de Cristo que a Maranata faz questão de proferir, apenas para inserir os demais grupos evangélicos nesse conceito.
“Todo cristão que aceita cegamente as opiniões da maioria e segue, por medo ou timidez, o caminho da conveniência ou da aprovação social, torna-se mental e espiritualmente num escravo.” Martin Luther King. Jr


Organização

1.  Totalitarismo
O Totalitarismo é um sistema de governo adotado por Instituições (estados, igrejas, tribos, grupos, seitas) em que todos os poderes ou órgãos administrativos ficam concentrados nas mãos de um governante, família, facção ou classe. O governo não reconhece limites à sua autoridade e se esforça para regulamentar todos os aspectos da vida pública e privada, sempre que possível. Os indivíduos submetidos a um movimento totalitário não têm participação na tomada de decisão, senão são submissos aos valores promulgados por meio do líder para controlar não só a maioria, mas também todos os aspectos da vida pessoal. Os movimentos totalitários mantêm o poder político através de uma propaganda abrangente, divulgada através dos meios de comunicação controlados pelo Governo, em que cada unidade (casa, igreja, departamento etc.) é acessada para informar e reforçar as diretrizes.
O Governo, através da propaganda, tende a endeusar a Instituição e o líder(es), no que é marcado pelo “Culto de personalidade”, que é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes – reais e/ou supostas – do governante a da Instituição, bem como da divulgação positivista de sua figura, com o fim de adquirir apoio total dos subordinados às decisões de seu “grande” e “inestimável” líder. Cultos de personalidade são freqüentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias. Um culto da personalidade é semelhante à apoteose, ocorrido geralmente em seitas religiosas de cunho radical, que consiste em elevar o líder ao estatuto de divindade, de anjo, ou seja, endeusar ou deificar uma pessoa devido a alguma circunstância excepcional. Os cultos incluem cartazes gigantescos com a imagem do líder ou com frases enaltecendo a Instituição, constante bajulação dos mesmos por parte de meios de comunicação e muitas vezes perseguição aos dissidentes. Também o regime totalitário tem o total o controle sobre a economia, a regulação e restrição da liberdade de expressão, a vigilância em massa e o disseminado uso do terrorismo de Estado, que consiste na utilização por parte do governo de métodos ilegítimos para introduzir o medo na população para alcançar seus objetivos sociais e políticos. Não só com o controle total das informações, a propaganda totalitária e o culto ao líder, o governo visa também alienar a população, fornecendo-lhe ocupações, diversões, que as distraiam das preocupações e pensamentos.
Na Igreja Maranata o totalitarismo religioso é bastante intenso, pois o sistema procura controlar a vida privada de seus adeptos a ponto de torná-los, compulsoriamente, “reeducados” a fim de passarem o resto de suas vidas sob a dependência moral, psicológica e espiritual da Igreja Maranata. Os ensinos da Maranata tendem a endeusar a Instituição e seu arcabouço de dogmas e patrimônios, implantando uma palpitante idolatria, açulando nos membros uma paixão exclusivista, um sentimento elitista e narcisista religioso. De tal sorte que, manipulados e entusiasmados, passam a confundir a Instituição Maranata como uma projeção perfeita e mais evoluída da Igreja de Jesus e a personificação exata da “Obra do Espírito Santo”, em si mesma. Nesse regime totalitário religioso, toda a iniciativa pessoal dos adeptos deve ser canalizada, a priori, para a satisfação dos caprichos da Instituição Igreja Maranata, a qual não reconhece a seriedade cristã de nenhuma outra Igreja, a não ser a de si mesma.
O governo da Maranata arregimenta seus membros através da autopropaganda feroz e saturada divulgada nos seminários e através de meios de comunicação (vídeo-conferência – satélite), marcadas pela exaustividade do culto à “Obra Maravilhosa” (sistema religioso próprio) e, indiretamente, às sumidades eclesiásticas do Presbitério, principalmente o Presidente. A figura do presidente é indireta e sutilmente reverenciada como um indivíduo especial e único. Experiências apoteóticas, sobrenaturais sobre ele sempre são apresentadas a fim de sacralizar suas decisões e liderança. Sua história e ocupação são sempre atribuídas como vontade divina, mas também é endossado por um jogo de vitimismo demagógico para comover os adeptos.
Também é disseminado o terrorismo e a chantagem psicológica, que se tornaram fontes de convencimento e adestramento tão eficazes quanto à propaganda totalitária. Também controlam as informações de seus adeptos via meios de comunicação, em que cada igreja tem instalado um equipamento de satélite, sintonizado diretamente com o Presbitério e o Presidente para que possam freqüentemente estar ministrando diretrizes e doutrinas ao povo da Igreja Maranata. Então, introduzindo a paranóia do medo e o sentimento de culpa, a liderança exerce o controle da vida dos membros visando-lhes a dedicação obstinada e severa ao sistema, com o fim de regular e restringir a liberdade de expressão, o senso crítico e de vigiar e desencorajar os membros contra a subversão e dissidência do sistema religioso.
1.1. Chauvinismo
O Chauvinismo ou Propaganda totalitária: é o termo dado à técnica de recorrer à propaganda de opinião exacerbada, tendenciosa, ou agressiva em favor de um país, grupo ou idéia com fins de persuasão e doutrinamento. Associados ao chauvinismo, frequentemente identificam-se com expressões de rejeição radical a seus contrários, desprezo às minorias, narcisismo, mitomania. É praticado pela Maranata a uma intensidade descomunal, em cultos, escolas dominicais ou mesmo, na atuação individual dos membros, em conversas despretensiosas e no evangelismo da Instituição. Entretanto, é, sobretudo, quando os adeptos são arregimentados pela liderança a se fazerem presentes em congressos de massa (que se chama de “Seminários da Obra”) que os doutrinadores, em especial o Primaz, propagandeiam emotiva e agressivamente a favor do sistema religioso da Instituição e denigrem a esmo as demais Denominações, na tentativa de introjetar na mente dos ouvintes a imaginação de que a Maranata se encontra numa posição melhor do que as demais Igrejas.
A liderança da Maranata, exaustivamente, apela para discursos triunfalistas que provocam a euforia coletiva, invariavelmente, nascendo e moldado a personalidade dos membros à xenofobia e narcisismo religioso, assim como, o sentimento eugênico e “ultranacionalista” em seu caráter. Experiências e testemunhos apoteóticos de pessoas proeminentes do sistema, necessariamente engendrados com factóides sobrenaturais, são usados em demasia como eficazes instrumentos de persuasão e recrutamento, a fim de cultivar, no imaginário dos membros, a aura de mito sobre liderança e sobre própria origem da Instituição e suas doutrinas – ou seja, revestindo de uma reverência sacra e intocável os pastores e o sistema, no psicológico da congregação, no reforço à adesão e conformação com o autoritarismo e submissão absoluta aos líderes.
O Ufanismo é demasiadamente impressionante, sempre a base de sensacionalismos, em vangloria de supostos méritos extraordinários, com o qual se enaltece as “riquezas” e “potências” da Maranata: seus atributos, suas vantagens, suas doutrinas, seus louvores, seus pastores, seus patrimônios, seu satélite, seus membros, seu evangelismo no exterior, sua organização, enfim, absolutamente tudo que é vinculado e que provém da Maranata é enaltecido com o adjetivo de “revelado”, na pretensão de assegurar e confortar os membros de que a Maranata é a mais evoluída espiritualmente e perfeita em organização de todas as opções de igrejas do mercado. A liderança aproveita, de forma oportunista, dos fatos positivos que ocorrem no meio da Maranata para glorificarem o seu sistema religioso, assim como, fatos negativos ocorridos nas demais igrejas, noticiados na mídia, são convenientemente aproveitados para desfazer e menosprezar a espiritualidade alheia; ao passo que a liderança se esforça desmedidamente em acobertar os episódios e escândalos próprios, preservando a realidade fictícia e idealizada construída meticulosamente no imaginário dos membros.
As pregações e aulas da Maranata, em sua maioria, resumem-se em apenas vangloriar a “placa” e o sistema religioso próprio, de modo que, é uma agressão à mente dos adeptos tão avassaladora, que, dada a repetição saturada das propagandas chauvinistas, eles, à medida do tempo, perdem a lógica da realidade, de sorte a dificilmente conseguirem perceber o mundo idealizado e romântico criado, em suas mentes, pela liderança. “Lobotomizados” nesse mundo poético, perdem a capacidade de enxergar as notórias incoerências dos atos de seus líderes e da doutrina da Maranata, aprovando ou desaprovando atitudes que seriam tanto para as Escrituras quanto para a lógica humana, no mínimo, terminantemente contrárias. A liderança extrapola na mitomania e na vangloria das “riquezas” da Maranata, a ponto dos adeptos, já totalmente inebriados, tornarem-se pessoas crédulas e infantilizadas, acreditando em justificativas simplistas, espiritualizadas, míticas; muitas vezes expondo a si mesmos a uma situação que é interpretada por terceiros como infantilismo, embotamento e fanatismo, como também, pedantismo, empáfia e soberba religiosa.
1.2. Centralização do Poder
A Centralização do Poder é aplicada a todas as “unidades locais” – assim denominadas as igrejas em si pelo Estatuto da Instituição Igreja Maranata – espalhadas por todo o país e mundo, e estão plenamente subservientes aos quereres e ordens da cúpula central da Instituição. Não há individualidade e liberdade para o ministério local trabalhar as particularidades da igreja, conforme a inspiração do Espírito Santo, tampouco há respeito e consideração às individuais necessidades da igreja local. Todas as igrejas estão sob o domínio totalitário do Presidente, as quais devem seguir pragmaticamente o modelo, as determinações e as ordens “reveladas por Deus” exclusivamente a ele e ao Presbitério. Mensalmente todas as “unidades locais”, dos Estados ou cidades do país, com seus respectivos pastores e membros, deslocam-se, em caravana, com o fim de se reunirem em conjunto nas chácaras da Maranata, em um absoluto estado de isolamento da civilização (visando a facilitação do recrutamento) submetendo-se a um intenso doutrinamento na ideologia “Obra como forma de vida”, ministrada exclusivamente pelos pastores do Presbitério e, sobretudo, pelo Presidente – através de transmissão via satélite/vídeo-conferência (em telões) diretamente de Vitória-ES.
Após a aquisição de um satélite em 2010, o Presbitério passou a centralizar quase que exclusivamente a responsabilidade dos ensinos doutrinários em si mesmo, retirando praticamente a pedagogia religiosa dos diáconos e pastores das igrejas, de tal modo que durante três ou mais dias da semana o Presbitério obrigatoriamente entra em sinal com todas as igrejas do Brasil e exterior para transmitir as ditas novas (e reforçar as antigas) “orientações” e “revelações do Senhor” à “Igreja Fiel”. Até a ministração da Palavra nos cultos, por vezes, é realizada através de via-satélite, para todas as igrejas se voltarem para a pregação do Presidente ou de seus correligionários. Todas as igrejas devem acatar a transmissão e pregações por vídeo-conferência, sob pena do pastor local ou o contestador sofrer severas sanções.
Em reforço ao governo totalitário, em 2011, o Presbitério implantou o Sistema de Gestão de Igrejas (SGI), que consiste num programa de informática, no site da Maranata, de acesso exclusivo e fechado aos pastores das igrejas e seus respectivos ajudantes (diáconos, obreiros capitães de Grupo de Assistência ou secretárias), no qual devem relatar semanal e mensalmente dados e números referentes aos membros da igreja local. Desde as presenças individuais de cada membro aos cultos, aos mutirões, aos ensaios, às reuniões, a quantidade de faltas às madrugadas, às vezes das inscrições em seminários, à fidelidade ao dízimo, até a nível de igreja, como o número de batizados por temporada, o censo da Igreja Local,  as quantidade de reuniões semanais, enfim, tudo dever ser devidamente reportado ao SGI com dados e relatórios, em caráter permanente, obrigatório e constante, para que o Presbitério possa controlar e ter ciência dos mínimos detalhes que ocorrem nas igrejas da Maranata.
2. Patrulhamento Ideológico
O Patrulhamento ideológico é uma atividade política adotada por instituições, grupos, seitas, países e sistema, normalmente, de regimes isolacionistas e autoritários, que consiste em doutrinar cada um de seus adeptos para que exerçam constantemente a vigilância militante dos valores, princípios, dogmas e normas que perfazem o sistema ao qual estão submetidos, no intuito de preservá-lo e protegê-lo de qualquer ato contraditório. Os adeptos são doutrinados a entender que a oposição de suas ideias é uma grande transgressão ao destino e saúde de sua instituição, aos seus particulares valores, de modo que é necessário que, de pronto, devam agir radicalmente contra um eventual movimento subversivo, blindando o sistema. Cada adepto, uma vez inundado do êxtase para com a instituição, particularmente, absorve a responsabilidade de espionar e desencorajar quaisquer iniciativas que possam levar a questionamentos, discordâncias ou diálogos sobre a natureza dos princípios, dogmas e fatos da Instituição, com os quais podem levá-la ao descrédito. Na Maranata, a liderança arregimenta seus membros a executar fielmente a patrulha de seu sistema, de sorte a lhes insular um sentimento de militância e policiamento obstinado, no que provoca muitos a encarnar um personagem que traduz em uma valentia quixotesca, na pretensão de exibirem o seu “zelo” pela “Obra”.
Esses indivíduos de tão enlevados e necessitados de amostrarem a sua fidelidade pela “Obra”, aos olhos de terceiros, pode se interpretar como uma exposição ridícula e fanfarrona. A expressão máxima do Patrulhamento ideológico na Maranata é o famigerado “Grupo de Intercessão”, o qual, apesar do nome, exerce a função de uma verdadeira polícia interna de espionagem de membros e tribunal de sumários julgamentos da vida alheia, sem direito a defesa e contraditório, sentenciado tudo arbitrariamente sob a justificativa de “revelação do Senhor”. O policiamento do “Grupo de Intercessão” consiste em espionar, dentro da igreja, “rebeldes”, “questionadores”, “desviados”, “desacertados” ou mesmo supostos “desobedientes” ou membros que “não entenderam a Obra”, esperando o momento exato de agir contrariamente, ocorrendo assim verdadeiros linchamentos morais e emocionais daqueles já considerados no grau de “inimigos da Obra” – ora punindo-os, ora excluindo-os da Instituição.
Também, destaca-se que no afã de proteger o nome da Maranata de subversões e descrédito, cria-se internamente um ambiente de medo e insegurança, onde todos passam a ter desconfiança do seu próximo – inevitavelmente, gerando no psicológico dos adeptos a paranóia e a culpa. Apesar do sistema tentar transmitir uma mensagem piedosa e saudável do seu ambiente, a verdade é que, em razão desse patrulhamento, há dentro da Maranata um clima de guerra entre os próprios membros, onde, entre si, praticam o policiamento e espionagem, muitas vezes, uns denunciando os outros aos seus superiores hierárquicos. Exceção feita à piedade das liturgias dos cultos e louvores, assim como, as pregações com apelos espirituais afetados e exagerados, a Maranata possui, na realidade, uma atmosfera que, para muitos, em sua intimidade, é extremamente carregada, pesada, difícil, artificial, para alguns até desagradável e inconveniente, devido ao clima de conflitos internos, mexericos, delações, olhadelas, observações, julgamento da vida alheia, tendo como base de aferição de atos dos mais fúteis e mesquinhos possíveis. É sabido que há sentimentos de hostilidades e aversões dirigidos a pessoas e coisas que possam vir a ser considerados opositores as idéias da Instituição.
3. Ostracismo
O Ostracismo é uma radical forma de punição política ou religiosa empregada por diversas instituições (igrejas, países, facções etc.) contra indivíduos que apresentam características que não se enquadram com os restritos atributos asseverados pela liderança, cuja finalidade é manter o poder e zelar o status quo do sistema, impedindo qualquer manifestação contrária às conveniências do Governo. Na Maranata, a liderança recruta a igreja a ostracizar os membros que, aos seus olhos, não são satisfatórios à “Obra Maravilhosa”. Promove-se a indiferença e rejeição afetiva contra aqueles que desobedecem ao pastor, que questionam os motivos doutrinários, que estão a faltar às atividades ou mesmo por recomendação injustificável da liderança.
Se essa política xenófoba já é causadora de inúmeros problemas emocionais e psicológicos, agrava-se ainda mais quando um adepto deseja deixar ou de fato abandona a organização, ou quando ele é expulso da Igreja. Os pastores promovem o Ódio Religioso contra aqueles que deixaram o grupo, demonizando e denegrindo a imagem dos egressos, de forma a adestrar as ovelhas para o rompimento afetivo e completo abandono social àqueles que negaram o projeto, perderam a bênção ou saíram da Obra. A ruptura familiar, naturalmente, é estimulada de modo indireto, quando o sentimento de elitismo religioso reforça o ego dos membros e a política do ostracismo é reiteradas vezes ministradas em Seminários e reuniões às portas fechadas.
Essa sedição contra os “desertores” não ocorre em cultos públicos ou em reuniões às portas abertas, senão em encontros nos maanains destinados a algumas categorias da Igreja (membros com função e cargos, normalmente), a fim de impedir constrangimentos jurídicos, reprovação pública ou escândalos a neófitos que ainda não se definiram efetivamente na Maranata. Nessas reuniões fechadas, ministradas pelos pastores, os dissidentes são demonizados como apóstatas, hereges, caídos, vadios, libertinos, serpentes, porcos, doidos, ladrões de dízimos, sempre nesse viés extremista e negativo de alto apelo emocional, suscitando o ódio religioso e provocando euforia e entusiasmo negativo contra os dissidentes. Desliguem os telefones na cara!”, “Batam a porta na cara!”, “Atravessem a rua para não cruzar com o caído!”, Que até a minha família me abandone, caso eu saia dessa Obra!,Não falem com defuntos, para não se contaminarem! são exemplos práticos sempre expostos do como proceder contra aqueles que saíram de nós, mas não era um dos nossos.
Muitos dissidentes hoje da Maranata estão devastados emocionalmente, com profundas feridas na alma em razão dessa política nervosa e iracunda provocada pela liderança, que doutrinou familiares e amigos de muitos a romperem com os seus. E estão separados de antigos amigos e da família biológica, em função das práticas extremistas e fundamentalistas do fanatismo religioso emulado pela Maranata; porque para a teologia da Maranata não há modo honroso de deixar a organização.

4. Repressão Religiosa

A Repressão religiosa é usualmente utilizada pela liderança Maranata como mecanismo de chantagem para conter e calar manifestações de oposição, subversão e dissidência ao regime estabelecido. A repressão religiosa é recorrida por Igrejas de regimes de força: com uma liderança autoritária, centralizadora e totalitária. A Inquisição promovida pela Igreja Católica entre os séculos XV e XVIII foi uma forma organizada e ampla de repressão política e religiosa. Não obstante a Igreja Maranata não possuir, por motivos óbvios, uma “inquisição” aos moldes da Romana, isto é, por inflicção física, a seu turno, utiliza a violência moral e psicológica para inibir qualquer manifestação contrária às opiniões e caprichos estabelecidos pelo Presbitério, como chantagens, ameaças em nome de Deus ou mesmo detrações públicas.
As punições aos adeptos variam conforme o grau de incidência do ato desabonador do “desobediente” sobre imagem da Instituição. Ou seja, a repressão do adepto “rebelde” está diretamente dependente ao dano que ele supostamente causa à Maranata, segundo a aferição da liderança, naquilo que ela é exposta interna ou socialmente, ou mesmo por desobediência direta do membro aos fundamentos, costumes e dogmas do sistema religioso. Os pastores são os únicos que podem aplicar as punições, podendo, porém, delegá-las aos “ungidos” e diáconos. Elas são bastante rigorosas e vexatórias, promovendo, por vezes, a exposição ridícula das pessoas, no que implica muitas vezes em depressões e conflitos emocionais gravíssimos aos apenados. Os tipos de punições na Maranata são:
a) Advertência – são repressões em razão de pequenos deslizes, como descumprimento de horários, infidelidade no dízimo e faltas esporádicas; as quais muitas das vezes são realizadas nos púlpitos das igrejas, à frente de todos, dirigindo-se, indiretamente, ao devedor do sistema, ora com piadinhas sarcásticas e esnobes, ora com insolência e grosserias;
b) Cassação das funções e cargos – é a punição decorrente de comportamentos reputados como erráticos pelo sistema, a saber, questionamentos, desobediência a doutrinas, contestações a ordenanças de pastores, faltas freqüentes ou mesmo ter supostamente cometido algum pecado público; tal punição é sarcasticamente definida como “banco” – em razão de o adepto punido ficar numa exposição ridícula e humilhante, sob a “orientação” de assentar-se nos últimos bancos do templo, apartado e sem contato afetivo com os demais membros, sem exercer as funções eclesiásticas – numa ostentação mesquinha, por parte da liderança, de um troféu, como de um exemplo a não ser seguido – com a finalidade de intensificar no apenado o sentimento de culpa e o complexo de inferioridade, de tal modo que seja estimulado a voltar a ser “fiel à Obra” (leia-se: enquadrar-se aos estereótipos do sistema religioso), e;
c) Excomunhão ou Exclusão Sumária – se após de ter ido “para banco” e reiterar na desobediência aos conformes do sistema, ou mesmo que cometa um pecado escandaloso que espante os membros da igreja, o membro oficialmente não fará mais parte dos quadros de membros da Instituição, e, ainda que ele insista em continuar a frequentar a Igreja, os demais são terminantemente proibidos de comunicarem ou manter contato com o excluído.
5. Obscurantismo
O Obscurantismo é um método de governar que oculta fatos e argumentos que, em função de sua natureza dúbia, podem causar denuncias ou contradições nos atos, nas decisões e nas afirmações de certos grupos que se arvoram donos da verdade. É um recurso político e religioso que se opõe a difusão do conhecimento à massa, aos subalternos do sistema. É um estado de espírito oposto à razão, ao pensamento crítico e ao progresso intelectual; de um intento por parte da liderança de não permitir a instrução e o acesso ao conhecimento do povo, engenhosamente objetivando um estado de completa ignorância (desinformação e alienação) aos subordinados, assim como, depreciando a sua capacidade de pensar e refletir criticamente.
Seja conhecimento a nível social, político, religioso e cultural, o povo é submetido a um feroz doutrinamento que desencoraja a sua capacidade de reflexão e senso crítico, incutindo a culpa no povo a respeito da sua capacidade humana de raciocinar, embora não lhes admitindo, mas visando a liderança um estado de infantilismo e pobreza de conteúdo nos seus súditos, a fim de impedir, num futuro, em razão de um potencial esclarecimento, que se levantem contra o sistema. É uma tática de governo que nega a instrução e o conhecimento à massa de subalternos, para preservar o estado de ignorância, de modo a facilitar o poder de controle das Instituições. Todo o governo que recorre do obscurantismo acredita que quanto mais desinformado o povo for a respeito de política, religião, teologia, Bíblia, ciência, seja o que for o teor da Instituição, mas fácil é de controlá-los e submetê-los às suas verdades apregoadas.
As religiões sectárias lançam mão desse estratagema a fim de demonizar a racionalidade humana, associando a capacidade de pensar e refletir por si próprio, do ser humano, como uma arma carnal, não-espiritual e do diabo; de maneira a incutir a infantil compreensão de que a obediência servil e alienada as verdades dos líderes é a exata expressão de fidelidade e seriedade espiritual. Qualquer manifestação intelectual, racional, bíblica e lógica, mesmo que coerente, mas que possa confrontar com as “verdades absolutas” da liderança, tende a ser proibida e demonizada. É assim na Maranata, pois seu governo censura seus subordinados a não acessarem conhecimentos teológicos, estudos, livros e tratados cristãos, a não ser aqueles de autoria da própria Maranata, preservando o mérito e autoridade pernóstica da liderança e assegurando a credibilidade das doutrinas exclusivas da Instituição.
5.1. Secretismo Religioso
O Secretismo Religioso é um artifício fundamentalmente recorrido à organização da Maranata. O caráter secreto é um inerente atributo das reuniões e encontros do sistema religioso cujo objetivo é torná-lo fechado, isolado, a fim de não expor as suas “verdades”, as intimidades dos conteúdos teológicos, as deliberações administrativas e as decisões tomadas sobre a vida das pessoas enquanto membros da Maranata. Há uma variedade de reuniões com caráter secreto, para as quais, rigorosamente, só determinadas castas “superiores” ou ditas “edificadas” da igreja podem participar. Os componentes dessas reuniões ou encontros seguem a cartilha de que jamais podem revelar o conteúdo ou assunto tratado, para que se mantenha oculto, em mistério, as matérias expostas aos não participantes.
Além da parte prática, que é ocultar informações e decisões de visitantes e membros, o secretismo religioso tem o poder de suscitar, naturalmente, nos adeptos das reuniões às portas fechadas a sensação de mistério e privilégio espiritual em relação ao restante dos membros não participantes, comumente reputados pelo sistema como “não-edificados” suficientemente para receberem tal “conhecimento”. As práticas secretas estimulam uma vaidade elitista, orgulho religioso e ostentação espiritual ao participante. Reuniões de pastores, “culto-proféticos”, seminário de 7º período, “grupo de intercessão”, algumas reuniões de jovens, reunião de obreiros, são exemplos de reuniões que são revestidas da capa do obscurantismo religioso.
5.2. “Segredos da Obra”
De acordo com a teologia da Maranata, Deus revelou a liderança “Segredos da Obra”. Se há secretismo religioso entre os internos, por conseguinte, em relação aos de fora, é mais acentuado. Muito embora as palavras de Jesus asseverem que tudo que se falar às escondidas deve ser anunciado sobre os telhados e nada há oculto para que seja revelado, na Maranata, porém, é ensinado que Deus houvera revelado “segredos da Obra” especialmente a seus fundadores, de tal sorte que é terminantemente proibido se falar dos detalhes e minúcias do sistema da Maranata a pessoas não-membros.
Tais “segredos” seriam as doutrinas originais e particulares da teologia da Maranata, assim como os conteúdos expostos em seminários, reuniões, encontros e distribuídos em apostilas. Ao curioso deve ser explicado tudo de forma evasiva e superficial – “não podemos revelar os segredos dessa Obra”. Seminários, cultos e reuniões, por exemplo, são proibidos expressamente de serem gravados, seja até mesmo em áudio. Já se chegara até a proibir meras filmagens e fotografias descompromissadas (de recordação) dentro dos “maanains”, a fim de preservar a sensação de mistério, a pretensão espiritual e a aura de mítica do local, e, sobretudo, para impedir que os absurdos e sentimentos dúbios que são ministrados pelo Presbitério, sejam publicados e divulgados na sociedade.
5.3. Falta de Prestação de Contas
A Falta de Prestação de Contas ou Intransparência Orçamentária é diretriz basilar do governo da Maranata. Os valores arrecadados dos dízimos e ofertas são omitidos dos adeptos, ficando tão-somente sob a ciência do Presbitério (em matéria geral) e do pastor e tesoureiro (a guisa local). Não há prestação de contas ou exposição do memorial descritivo de custos e arrecadações mensais aos membros, tampouco dos negócios firmados pelo Presbitério na aquisição e alienação de bens. O Estatuto da Instituição Religiosa, também, é omitido dos membros que não podem reclamar o seu acesso e ciência – ainda que seja devido por lei e público nos cartórios – sob pena de sofrerem retaliações e sanções muito severas os membros que insistirem no acesso. A fim de amedrontar e desencorajar os curiosos sobre a prestação de contas e a ciência do Estatuto, lança-se mão de chantagens e ameaças processuais, imputando crime de calúnia e difamação, induzindo-lhe ao erro o membro desinformado como que fosse algo contrário a lei essa nobre atitude de um membro da Maranata. Não obstante ensinarem que “o maanaim é dos membros”, não se justifica o motivo pelo qual levou a alienação de algum deles.
Tudo é muito oculto e nada pode ser revelado em matéria que envolva administração de finanças, as quais estão totalmente a mercê da consciência do Presbitério. Na verdade, há um desgosto ou mesmo um medo muito acentuado da liderança central, assim como nos pastores locais quando se defrontam com algum diligente e cauteloso membro desejando saber o caráter dessas questões omitidas da Instituição e o destino de seus dízimos e contribuições voluntárias. E, quando as chantagens não fazem efeito, apela-se quase sempre para ameaças de punições, castigos divinos, assim como discriminando e estimulando a igreja a ostracizar o “questionador”, até ele ser recomendando a se retirar da Maranata.
5.4. Censura
A Censura é usada pela Maranata no sentido de controlar e suprimir informações, opiniões e até formas de expressão que possivelmente possam promover o senso crítico e racional e que, por ventura, possa, no futuro, se levantar contrárias ao sistema religioso da Instituição. O propósito da censura está na manutenção do status quo, evitando a discussões de idéias que se estabeleçam ameaçadoras à alteração do sistema. É um mecanismo utilizado para manutenção do poder e proteger a credibilidade das doutrinas da Maranata. É também realizada a supressão de certos pontos de vista e opiniões divergentes ao do Presbitério, do pastor da igreja local e do sistema como todo, através das ameaças divinas e rogação de maldições, assim como pela desconstrução da pessoa do contestador e da promoção da ruptura sócio-afetiva (fraternal e até familiar) para com ele.
Censura-se o contato com dissidentes e até mesmo com membros que estão a contestar o sistema da Maranata, a fim de que eles não conheçam os motivos reais e as justificativas dos dissidentes, e, assim, o sistema mantém o corpo de membros no estado de ignorância, totalmente alienado da verdade. A censura se aplica também contra sites e redes sociais que suscitam o senso crítico e reflexivo nos adeptos sobre a real natureza da Instituição Maranata, expondo e discutindo suas incoerências bíblicas, valores cultivados e contra-sensos e escândalos da administração.
Este método de coibição de informação (censura) tende a influenciar, emoldurar e manipular a opinião dos adeptos de forma a evitar apoio e crédito a outras idéias que não sejam as defendidas pelo Presbitério. Aliás, é pressuposto basilar do obscurantismo que quanto mais desinformados e ignorantes os adeptos se tornarem, mais fácil é de manejá-los, controlá-los para a satisfação do sistema, num perfeito comportamento de manada. No entanto, não utilizam esse nome “censura” para justificar as suas decisões inibitórias, mas a chamam, como de praxe, de “orientação do Senhor”, pela qual a censura se justifica em termos de “proteção espiritual”; mas, na verdade, esconde uma posição mesquinha de submeter os adeptos aos caprichos e opiniões unilaterais do poder do Presbitério.
O objetivo é infantilizar e inferiorizar os adeptos em relação à liderança, permanecendo-os em eterna ignorância e submissão, a fim de eles se considerarem a si mesmos como incapazes de pensar por si próprios, de maneira tal que tudo que eles, por ventura, pensem e meditem seja, de modo automático, associado pejorativamente como “razão”; por conseqüência, só devem eles confiar e acreditar na “revelação” – que, em suma, seria tudo aquilo que está, fundamentalmente, enquadrado nos caprichos e “verdades” estipuladas pelo Presidente e o Presbitério da Maranata.
5.5. Proibição de Teologia e Musica Gospel
A censura é usada para proibir o contato com a Teologia e a Bíblia, literatura, estudos, pregações (áudio e vídeo) e músicas de autoria de outros cristãos não membros da Maranata. As músicas evangélicas são generalizadamente adjetivadas como “Cospel”, “sem-obra” e “sem-revelação”. A literatura cristã, de autores não membros da Maranata, também é rebaixada como “letra”, “teologia”, “razão”, “filosofia”, “sem-revelação”, etc. A censura religiosa se configura claramente quando se coíbe e repreende a busca até mesmo de estudos bíblicos sistemáticos, como a Teologia Cristã que é altamente ridicularizada e abominada pela liderança. Outra expressão de censura, é que a própria Bíblia é desacatada ou têm sua autoridade inferiorizada, sendo julgada como um “livro comum”, de sorte que é reputado como “letra” qualquer entendimento bíblico que confronte com as contradições doutrinárias da Maranata.
Assim, a autoridade espiritual do ensino, não é calcada nos preceitos bíblicos, senão naquilo que a liderança ou o sistema diz entender da Bíblia – a que se chama de  “revelação”. Em poucas palavras, tudo que está na Bíblia que contradiz o sistema da Maranata é reputado como “letra, pois a letra mata”, “é teologia” e “razão do homem”; ao passo que tudo que a liderança diz entender da Bíblia é considerado como “revelação além da letra” ou “palavra-revelada”. Desencorajam e depreciam toda forma de aquisição de conhecimento espiritual e bíblico, através da promoção da alienação e desinformação, a fim de exercer o controle religioso de forma irrefutável e autoritária.
Portanto, apostilas, vídeos, áudios de pregações de exclusividade dos homens do Presbitério são distribuídas somente a pastores e alguns diáconos e obreiros que, em tese, seriam os mais compromissados com o sistema. Álbuns musicais de membros da Maranata e literatura de escritores ligados ao Presbitério, por outro lado, são comercializados e promovidos no seio institucional. Todos esses produtos ligados à Maranata são espiritualizados como “revelados direto da Eternidade”; ao passo que os produtos literários, musicais, didáticos das demais expressões cristãs são reputados como “letra”, “religião”, “razão”, “teologia”, “filosofia”, “tudologia”, “sem-obra” etc.
5.6. Proibição do Orkut
O Orkut é a rede social que causa maior pavor ao Presbitério, pastores e membros da Maranata, porque nela se encontra a comunidade de ex-adeptos (pastores, ungidos, diáconos, obreiros, senhoras etc.) – Já Fui Um Maranata – cujo conteúdo contém debates, testemunhos, desabafos, exposições de verdades doutrinárias e administrativas da Instituição. Por isso, temendo que tal comunidade ganhasse popularidade e conhecimento entre os adeptos, a liderança recorreu do estratagema de que Deus havia revelado ao Presbitério que “o Orkut é uma arma do Inimigo para enganar os servos da Obra”, por isso decretou que os membros estariam proibidos de acessarem essa “perigosa” rede social, assim como aqueles que fossem seus usuários, estavam sob a “orientação” de imediatamente apagarem seus perfis, uma vez que o Presbitério e a liderança local estariam fiscalizando e punindo aqueles que não os obedecessem a “revelação do Senhor”. Para reforçar a demonização dessa rede social, afirma-se que a etimologia da palavra Orkut viria supostamente do gaulês antigo que significaria: Ork: Potro e Ut: Inimigo – “Potro do Inimigo”.

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gálatas 1:6-8

Cavaleiro veloz
Já fui um Maranata

Um comentário:

  1. DECLARAÇÃO PÚBLICA DE DIREITOS

    A Igreja Cristã Maranata é composta por um povo ordeiro, pacífico e de boa índole. Cidadãos legítimos e contribuintes deste País. Não somos melhores ou piores! Somos o que somos, fruto de uma experiência congregacional que acumula uma trajetória de 45 anos de existência no contexto social e religioso, contribuindo para o desenvolvimento desse país e sua gente. Não adotamos uma postura exclusivista e nem nos segregamos da sociedade, como alguns insistem em afirmar. Os nossos pastores, em sua grande maioria, são trabalhadores, atuando nos mais diversos segmentos do mercado de trabalho e não percebem remuneração da Igreja. São voluntários e voluntariosos, bem como todos os que oferecem sua contribuição espontânea, seja no serviço ou no custeio das operações da instituição. Não realizamos qualquer tipo de coleta nos cultos, que são públicos e a contribuição ou doação (conhecida biblicamente como dízimo) é espontânea, não sendo, portanto, ninguém, absolutamente, constrangido ou coagido a contribuir com a causa.
    Como qualquer instituição que opera no ambiente em que está inserida, possuímos uma administração composta por homens, são os líderes da Igreja. Razão pela qual – lógico - temos necessidades administrativas, operacionais e financeiras para suportar as atividades de manutenção e operação da Igreja. Fica claro uma coisa: sendo uma instituição gerida por homens, estamos sujeitos às vicissitudes que cercam a vida humana, como erros, falhas, acertos, conquistas, alegrias e tristezas. Estamos sujeitos a errarmos e a responder na medida do erro e da cominação estipulada em lei. Esta é uma premissa básica para qualquer cidadão ou instituição que está submetida à ordem jurídica de um Estado, como o brasileiro. Sendo assim, gostaria de pontuar algumas premissas e valores que norteiam os membros desta nobre instituição:
    1) Temos os mesmos deveres e DIREITOS que todos neste país;
    2) Não abrimos mão dos nossos direitos na mesma medida em que seremos responsabilizados pelos DEVERES;
    3) A Igreja está constituída juridicamente, portanto é legal na ordem jurídica do país e possui em seus quadros liderança competente e responsável para gerir os seus assuntos e necessidades internas e externas;
    4) A Igreja - sua liderança e membros-, em última análise e instância não abre mão de ser administrada por uma diretoria por ela escolhida (ELEITA), conforme lhe garante a ordem jurídica a que está submetida;
    5) Não aprovamos ou aceitamos ingerência ou administradores estranhos ao quadro da instituição;
    6) Não está em discussão em nenhum momento o corpo doutrinário, os costumes e modos/ferramentas/símbolos de culto da Igreja, que não ferem em nada a ordem jurídica deste estado;
    7) Somos livres para servir o nosso Deus e da forma como temos entendido em sua palavra (fé) que é a mais aceitável;
    8) Queremos continuar a nossa missão de anunciar as boas novas do evangelho com tranqüilidade amor e respeito;
    9) Queremos continuar a nossa missão de anunciar as boas novas do evangelho com tranqüilidade amor e respeito;
    10) Não coadunamos com ilícitos, práticas reprováveis ou ilegais e nem com a desobediência à ordem jurídica em vigor;
    11) Queremos ver restaurada, imediatamente, estes direitos em nossa Igreja, conforme prevê a ordem jurídica;
    12) Que seja convocada, imediatamente a eleição da nova diretoria e quem irá presidi-la.

    Postas estas premissas, declaramos que a intervenção ora prolatada pela justiça do Espírito Santo a pedido do Ministério público do Espírito Santo seja imediatamente, após a eleição do novo corpo diretor, segundo o Estatuto da instituição, suspensa.

    Nós como membros e pastores da Igreja Cristã Maranata exigimos o respeito e para com os nossos direitos estatutários e legais, emanados da constituição e normas infralegais para continuar edificando esta nobre instituição, como temos feito!

    Respeitosa e cordialmente,

    Pr. Carlos Alberto Dias de Oliveira
    GOVERNADOR VALADARES - MG

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