27 março 2013


Justiça afasta líderes e nomeia um interventor para a Igreja Cristã Maranata

Um administrador judicial vai comandar a igreja, com plenos poderes administrativos e financeiros


A Justiça decretou intervenção na Igreja Cristã Maranata. Um administrador judicial vai comandar a igreja, com plenos poderes administrativos e financeiros. Ele assume o lugar de Elson Pedro dos Reis, que ocupava o cargo interinamente. Ao novo gestor, que deverá prestar contas de seus atos diretamente ao juiz, está vedada somente a interferência nas atividades religiosas, que continuam sob o comando dos pastores.



O novo presidente da igreja deverá ser nomeado pela Justiça nos próximos dias. A escolha inicial, citada inclusive na decisão, foi pelo nome do perito Jerry Edwin Ricaldi Rocha, que recusou a indicação na noite de ontem, fato já informado aos juízes da Vara Especial da Central de Inquéritos. “Problemas de sáude, ocorridos no fim de semana, me impedem de aceitar a função”, explicou Rocha.



A decisão foi proferida na última sexta-feira, mesmo dia em que quatro pastores da igreja – incluindo seu presidente – foram liberados da prisão. Elson, Itamar Carlos Pimenta Coelho, Amadeu Loureiro e Gedelti Gueiros tinham sido presos dez dias antes por coagirem testemunhas.



No final do ano passado a Justiça já tinha afastado toda a cúpula da igreja, incluindo seu presidente histórico, Gedelti Gueiros. Foram os próprios pastores da Maranata que indicaram os novos administradores, comandados pelo pastor Elson Pedro dos Reis.



Mas ao longo dos últimos meses, segundo os promotores Grupo de Atuação Especial de combate ao Crime Organizado (Gaeco), as decisões da Justiça não vinham sendo respeitadas. Os administradores afastados continuavam a se reunir e, segundo as acusações, estavam ameaçando testemunhas.



Pelo menos 20 pessoas foram coagidas a mudarem depoimentos prestados à Justiça e sete delas chegaram a alterar suas declarações. O objetivo era impedir a apuração dos desvios praticados por membros da cúpula da igreja, e que podem ter resultado em um rombo de R$ 21 milhões.


Entenda o caso:


Desvio de dízimo

Em fevereiro de 2012, o Ministério Público Estadual começou a investigar se o dízimo era desviado. Polícia Federal e Ministério Público Federal investigam se parte do dinheiro desviado teria sido usada para importar, ilegalmente, equipamentos para transmissão de cultos

Acusados

O vice-presidente da igreja, Antônio Angelo Pereira dos Santos, e o diácono e contador Leonardo Alvarenga foram apontados como os responsáveis pela corrupção. Segundo o MPES, mais pastores estariam envolvidos

Operações

No fim de 2012, MPES e PF fizeram busca, apreensão e sequestro de bens da igreja e de pastores. Gedelti Gueiros, então presidente, foi afastado pela Justiça

Prisões

No último dia 12, quatro pastores foram presos acusados de coagir testemunhas, promotores e uma juíza para mudarem os depoimentos sobre fraudes.

"Conduta inadequada levou à intervenção"

Pastores investigados vinham desrespeitando a Justiça, diz juiz


A Gazeta

"Foi a conduta inadequada dos pastores que estão sendo investigados pelo desvio de recursos do dízimo da Maranata que levou à intervenção judicial na igreja". A afirmação é do juiz Manoel Cruz Doval que, ao decretar a medida, na última sexta-feira, assinalou "que essas pessoas não vinham respeitando as decisões da Justiça".
 Em sua decisão, Doval assinala: “Este juízo se debruça hermeticamente sobre a tentativa de permanência no poder da Igreja Maranata, em desobediência à determinação judicial da qual restaram plenamente cientes”. E acrescenta: “Houve límpida demonstração de desídia por parte dos investigados”, pontua o juiz.

Ele cita como exemplos a tentativa de obstruir as investigações e a obtenção de provas ao longo do processo. Além disso, diz que não houve respeito à exigência de afastamento das sedes administrativas da igreja e de contato entre os líderes.

Ele refere-se a outra decisão judicial, do fim de 2012, quando foi feita a Operação “Entre Irmãos” pela Polícia Federal, em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na época, toda a diretoria da igreja foi afastada, incluindo o então presidente, Gedelti Gueiros.
A Justiça permitiu que a Maranata indicasse a nova diretoria, mas isso não impediu que os antigos líderes continuassem mandando. Diz o juiz: “Foram substituídos por novos e verdadeiros ‘longa manus’ – expressão em latim que significa mão longa ou executor de ordens – da diretoria anterior”.

Tanto é assim, complementa o juiz, que até o presidente interino, Elson Pedro dos Reis – indicado pela própria igreja –, acabou sendo preso. E acrescenta: “Não se obteve a almejada boa-fé processual, tanto que justamente sob a nova administração e que decorreu o cometimento de supostos novos crimes” e que culminou com a prisão de quatro pastores, relata a decisão.

Por essas atitudes, que Doval destacou como “má conduta”, foi decretada a intervenção judicial. “Neste momento em que correm as investigações não me parece razoável manter a cúpula sob a direção de membros que possam sofrer influenciações diretas ou sutis, de natureza reverencial”, diz o juiz em sua decisão.

Desde 2012, a cúpula da Maranata é investigada por desvio de recursos do dízimo, que pode chegar a R$ 21 milhões. As apurações são feitas pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, pela Polícia Federal, e pelas Receitas Estadual e Federal.

Nome de administrador será indicado nos próximos dias

O novo interventor vai comandar a Maranata com plenos poderes nas áreas administrativa e financeira. Poderá ter acesso, segundo a decisão da Justiça, a todas as dependências e a todos os documentos, além de poder “contratar, dispensar, afastar, gerir, fiscalizar”, além da movimentação financeira junto às instituições bancárias, diz o texto da decisão.

Sua atuação, no entanto, não poderá interferir nas atividades religiosas, que vão continuar sob o comando dos pastores da Igreja Maranata.

Será dado ao novo administrador da Maranata, a partir do momento em que for indicado, um prazo de 90 dias para concluir os trabalhos. Ele terá ainda que prestar contas de seus atos diretamente ao juiz.

2 comentários:

  1. Olá meu querido irmão, boa noite!
    Que história incrível essa sobre a Igreja Maranatha. Obreiros presos, coagindo testemunhas, desrespeitando as autoridades!
    Achei intrigante para mim o fato da justiça nomear interventores para uma Igreja "Evangélica". Isso é coisa de outro planeta, mas quando vemos o que estamos presenciando todos os dias com o nome de evangélicos, deles se pode esperar qualquer coisa, até notícias como esta. É uma pena! O povo está precisando do Evangelho que salva!
    Receba o meu abraço.
    Que Deus o abençoe.

    ResponderExcluir
  2. Olá amado José das Graças Silva Oliveira,
    paz e graça.
    Muito grato por ter escrito. Isso é muito bom para mim.
    Desde que me entendo por gente, nunca tinha visto uma igreja evangélica de fato, sofrer intervenção da Justiça, usando um Interventor para a liderar. Isso é sofrível e vergonhoso.
    A que ponto chegamos é lamentável.
    Precisamos de igrejas santas, com líderes santificados e que detestem o apego ao vil metal.
    Deus continue te abençoando em nome de Jesus.
    Vigiemos: Jesus breve virá.
    Abraço fraterno e carinhoso.
    Seu irmão menor.
    Viva vencendo!!!

    ResponderExcluir