14 março 2013

Lição 11 - 17/03/13 - OS MILAGRES DE ELISEU


TEXTO ÁUREO = “Ora, o rei falava a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito” (2 Rs 8.4).

VERDADE PRÁTICA = Os milagres realizados por Eliseu não visaram à glorificação pessoal do profeta, mas demonstraram o amor e a graça de Deus. 

LEITURA BIBLICA = 2 Reis 2: 9-14

INTRODUÇÃO

..disse Eliseu: Distribui-os aos homens para que comam! Seu ajudante replicou: Como poderia eu distribuí-los para cem pessoas? Eliseu repetiu: Distribui-os aos homens para que comam! Assim fala o Senhor: Comerão e ainda há de sobrar. O ajudante distribuiu os pães em presença do povo. Eles comeram, e ainda houve sobra, de acordo com a palavra do Senhor (2 Rs 4.42-44).

 A atitude de Eliseu, o homem de Deus, está diretamente ligada a atitude de Jesus, o filho do Homem, que nos evangelhos, com olhos de compaixão, vê a multidão faminta: Dai-lhes vós mesmos de comer... (Marcos 6.37). A voz profética é inconfundível: distribui-os aos homens para que comam... Interessante notar, contudo, em nossas bíblias, que quase todas as passagens, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, que relatam esta atitude de compaixão de alimentar multidões recebem o título de "a multiplicação dos pães". E é realmente difícil "escapar" desta interpretação que se cristalizou nos inúmeros sermões e publicações. 

Entretanto, temos visto outro caminho que o da multiplicação milagrosa: o da partilha responsável. Em nenhuma das passagens bíblicas onde a multidão é alimentada (2 Reis 4.42-44; Mateus 14.13-21; 15.32-39; Marcos 6.30-44; 8.1-9; Lucas 9.10-17; João 6.1-14) aparece o termo: multiplicação. Com isto não estamos negando as incontáveis pregações que falaram, e falam, da multiplicação dos pães; mas devemos considerar que idéia da multiplicação milagrosa não faz parte da preocupação primeira daqueles que relataram a ação divina nestes casos. 

A palavra comum é justamente a distribuição. Pessoas em trânsito tinham garantido, por lei, o direito de colher espigas, de alimentar seu rebanho, de apanhar os grãos caídos durante a vindima; a esmola, recomendada aos pobres destinava-se, em especial, àqueles que caminhavam à Jerusalém. Mesmo assim, havia pessoas famintas, sem ter o que comer... A distribuição do pão preservou, através dos evangelhos principalmente, a compaixão do Reino de Deus: Deus se preocupa com os fracos, famintos e peregrinos.

Como símbolo de fé, o alimento partilhado, revela o padrão do Reino de Jesus quanto a justiça social: todos comem e são saciados! Não há distinção! Não há sectarismo! Não há contendas! Não há privilégios... Na distribuição dos alimentos há harmonia fraterna (o cerne do Reino que "criará novos céus e nova terra" reúne o novo povo) que nasce da presença do Reino. Uma presença abençoadora: "tomou os pães e, após ter dado graças, partiu-os e os distribuiu..." A atmosfera de bênção faz de qualquer deserto um lugar de aproximação e de reconciliação. Que haja hoje a mesma voz profética, o mesmo coração de compaixão, que crê na providencia divina e que diz: "Comerão e ainda há de sobrar!"

Abundância de Víveres

"Aconteceu conforme o homem de Deus dissera ao rei: 'Amanhã, por volta desta hora, na porta de Samaria, tanto uma medida de farinha como duas medidas de cevada serão vendidas por uma peça de prata'. O oficial tinha contestado o homem de Deus perguntando: 'Ainda que o Senhor abrisse as comportas do céu, será que isso poderia acontecer?' O homem de Deus havia respondido: 'Você verá com os próprios olhos, mas não comerá coisa alguma!' E foi exatamente isso que lhe aconteceu, pois o povo o pisoteou junto à porta da cidade, e ele morreu." 2 Reis 7:18-20

      





A nação de Israel estava em mais uma de suas guerras contra a Síria. O rei deste país, junto com seu exército, havia sitiado a cidade de Samaria, sede do governo de Israel. O povo daquela cidade, sem conseguir sair para comerciar mantimentos para sua sobrevivência, estava vivendo uma das maiores crises de abastecimento da sua história.
A falta de alimento e a carestia eram tamanhas, que uma cabeça de jumento era vendida por oitenta siclos de prata, quase 1 quilo desse metal (cada siclo pesava 12 gramas). A fome era tanta que muitos estavam comprando esterco de pomba para comer. E, pior do que isso, alguns chegaram ao ponto de matar e comer os próprios filhos pequenos.

Diante desse quadro chocante de miséria e barbárie, o rei de Israel voltou-se contra o profeta Eliseu e declarou que Deus era o culpado daquela tragédia social. Indignado, ele ainda perguntou se valia a pena continuar tendo esperança em Deus (2 Reis 6:24-33). Que tristeza ver que naqueles dias o povo de Deus havia caído em tamanha assolação e desgraça.

Eliseu então se levanta e profetisa que o socorro de Deus chegaria rapidamente; que naquela mesma hora, no dia seguinte, haveria abundância de víveres. Uma medida de farinha (algo em torno de 9 litros) e duas de cevada (aproximadamente 18 litros) custaria apenas 1 siclo de prata. Que milagre poderoso estava para acontecer!

Todavia, o capitão da guarda real duvidou que Deus pudesse realizar tal façanha. Eliseu respondeu que ele veria isso acontecer, mas não participaria do milagre (2 Reis 7.1-2). E lemos no texto citado acima que foi exatamente o que ocorreu. 

De modo sobrenatural, os inimigos sírios foram desbaratados e fugiram, deixando tudo que tinham e todo suprimento para trás. A profecia de Eliseu cumpriu-se e a provisão de Deus chegou! Porém o capitão, que havia duvidado, foi atropelado pelo povo e morreu à porta da cidade.

E hoje, como as pessoas estão vivendo? Não é a mesma situação que acabamos de ver? Atualmente só se houve falar em crise financeira nos noticiários da TV e nos jornais. Países europeus antes tão prósperos agora estão endividados. Nunca se viu tanta fome e miséria como neste século. E esse fantasma da crise vive assombrando a todos, homens e mulheres, pobres e ricos, famílias e empresas. Como então viver seguro nas abundâncias de Deus?

O milagre da abundância é para aquele que crê!

Temos aprendido nesta sequência de estudos sobre finanças que Deus tem projetado uma vida próspera para seus filhos. Uma vida abundante no corpo, na alma e no espírito. Mas isso é para todo aquele que crê. Pois a fé vê o amanhã e enxerga o que Deus está para fazer logo adiante. Deus se move em favor daqueles que O buscam e acreditam em Suas promessas. Eliseu creu e experimentou o milagre de Deus. Mas aquele capitão não creu, e perdeu até a vida.

O milagre da abundância é para aquele que glorifica a Deus!

Deus opera na vida daqueles que reconhecem que tudo vem dele. Quando as coisas acontecem pelo agir de Deus, e não pelo nosso próprio braço, temos a certeza de que é Ele quem nos abençoa; é Ele quem libera nossa prosperidade. E assim Deus é glorificado através da nossa vida e testemunho. Então, no meio das crises, podemos crer e declarar como o salmista "Não morrerei, mas viverei; e contarei as obras do Senhor." Salmo 118:17.

O milagre da abundância não cai do céu, é provocado!

Uma coisa que precisamos entender é que tanto a abundância quanto a necessidade tem uma causa. Deus não havia planejado aquele cerco à cidade de Samaria. Aquilo era o resultado do pecado do próprio povo e dos seus reis que faziam o que era mau aos olhos de Deus. Os erros de ontem projetam as desgraças de hoje.

Mas graças a Deus que já nos tem preparado o escape. Não precisamos viver debaixo de maldição. Em Cristo fomos libertados de toda miséria. Pecado confessado é pecado perdoado. Portanto, devemos acertar nosso passado, nos arrependendo de termos andado longe de Deus, e tomar posse de todas as bênçãos que Ele nos deu em Cristo Jesus. É preciso corrigir o que está errado, pagar as dívidas, organizar as contas, entregar a Deus o que lhe pertence (dízimos e ofertas), fazer uma reserva financeira, repartir com os mais necessitados etc. Isso prepara o caminho para a chegada das abundâncias de Deus em nossa vida.

"E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." 2 Crônicas 7:14

Certamente, há um tempo de muita abundância reservado para o povo de Deus. O Pai de toda provisão não planejou miséria para os seus filhos. Creia nisso. Hoje, podemos até não ter, podemos até estar enfrentando uma dificuldade, mas amanhã Deus trará Suas abundâncias para as nossas mãos. E o que Deus faz durará para sempre. Toda glória pois a Ele!


OS MILAGRES DE RESTAURAÇÃO

A Cura de Naamã = 2 Reis 5:1-19

Você confia em Deus? Alguma vez desconfiou ao confiar em Deus? Quando você pediu ajuda, a resposta de Deus lhe pareceu simples, ou até mesmo infantil? Você achou mesmo que foi fácil demais? É possível ver o poder de Deus mesmo nas coisas simples da nossa vida?
Na Bíblia, encontramos milagres grandiosos de Deus que foram executados de uma maneira bem simples. E um destes milagres queridos está relatado em 2 Reis no capítulo 5.

Como diz o próprio texto, Naamã era um grande homem diante do seu senhor (rei da Síria), e de muito respeito, era um homem valente, poderoso, muito orgulhoso, porém leproso.
A Síria vivia em constante guerrilha contra Israel, e com os confrontos diretos, uma menina hebréia foi feita prisioneira e se tornou serva da mulher de Naamã. A menina via o sofrimento de seu senhor Naamã, e a tristeza de sua esposa, enquanto a doença proliferava. Lembrou-se do profeta Eliseu, que fazia milagres em nome de Deus, e creu que ele poderia curar o seu senhor, trazendo alegria de volta àquela casa.

A menina chegou até a sua senhora e disse: “Oxalá que o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria! Ele o restauraria de sua lepra”. 2 Reis 5:3 a esposa fala a Naamã que ainda havia uma chance de ele ser curado.Logo Naamã resolve procurar o Profeta Eliseu para ser curado leva consigo dez talentos de prata, seis mil ciclos de ouro e dez mudas de vestidos. Naamã foi então até a casa de Eliseu. Chegou com seus carros e seus cavalos à porta de Eliseu. Eliseu apenas enviou uma mensagem através de seu servo a Naamã: Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão e serás purificado. O rio Jordão é um rio barrento e caudaloso. . Naamã ficou furioso, pois o profeta nem foi vê-lo. Enviou um servo e nem se sujeitou à sua presença, e ainda por cima o mandou que se lavasse no rio Jordão.

Observamos nesta narrativa que o orgulho Naamã foi ferido por duas vezes:

1. A primeira vez por causa do profeta que desprezou vê-lo;
2. A segunda é quando o Profeta manda-o mergulhar por sete vezes no rio Jordão.
Mas quero tratar especificamente nesta oportunidade sobre o que oORGULHO causa na vida de todo aquele que se deixa controlar por ele.
De acordo com Aurélio ORGULHO é: conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor próprio demasiado; soberba. Também pode ser uma palavra sinônima de presunção, vaidade e por ai vai...

Este sentimento causa nas pessoas o seguinte:

1. Deixa as pessoas poderosas de mais para se entregar ao que Deus pede ou manda; AUTOSUFICIÊNCIA (ver 2 Reis 5:11 e 12);

As pessoas muitas vezes se acham poderosas demais para se entregar ao que Deus pede ou manda. Muitas vezes é algo tão simples e visto como insignificante perante os homens, no entanto Deus tem os Seus propósitos.
Os desígnios de Deus têm um fundamento simples: Aceitação da Sua Vontade. Muitas vezes Deus testa nossa confiança e em nossa desconfiança mostramos realmente o que somos, orgulhosos.
Certamente os rios mencionados por Naamã eram muito lindos, circundados por bosques de raríssima beleza. Suas águas eram cristalinas, diferente das águas do rio Jordão que era imundo.

2. Deixa as pessoas incrédulas àquilo que Deus pode operar em suas vidas. (ver 2 Reis 5:10-14).

“Muitas vezes Deus testa nossa confiança e em nossa desconfiança mostrando o quanto realmente somos orgulhosos.'"

Muitas vezes somos como Naamã. Não cremos em muitas coisas, e quando teantamos crer, nosso orgulho é ferido, e achamos que as pequenas coisas que Deus nos pede são insignificantes demais para obtermos qualquer resultado.
As coisas que Deus nos pede são apenas pequenas provas de amor que podemos dar a Ele por tudo que nos fez, faz e ainda fará. Devemos confiar mesmo nas pequenas coisas, pois o amor de Deus é revelado tanto nas pequenas como nas grandes coisas.  Se alguma vez você duvidar da vontade de Deus, lembre-se da história de Naamã. As pequenas coisas são grandes aos olhos de Deus. As coisas insignificantes são de extrema importância para Deus.

AS ÁGUAS DE JERICO = “Os homens daquela cidade disseram a Elizeu: Eis que é bem situada esta cidade, como vê o senhor, porém as águas são más, e a terra estéril. Ele disse: trazei-me um prato novo e ponde nele sal. E lho trouxeram. Então ele saiu ao manancial das águas e deitou o sal nele e disse: Assim diz o SENHOR: Tornei saudáveis estas águas; já não procederá daí morte e nem esterilidade”. 2 Rs 2.19-21

Sabemos que o sal tem duas prioridades, são elas: CONSERVAR e SALGAR e não tornar água amarga em doce e nem tirar a esterilidade da terra, entretanto, o que aconteceu foi um milagre que não sabemos explicar porque é uma realização sobrenatural, cuja dimensão só Deus sabe como funciona. Existem textos bíblicos que fala sobre o sal em alguns sentidos, no antigo testamento e novo. Discorreremos de forma simples sobre esse milagre. A cidade de Jericó era boa a vista do profeta Elizeu, isso fora confirmado pelos próprios moradores, porém existiam dois problemas que eles consideravam graves:

1. A água era ruim;
2. A terra era estéril.

Não há nada tão belo que seja totalmente completo, a Cidade de Jericó era bem situada, porém duas coisas eram imprescindíveis para a sobrevivência água para beber e a terra para produzir frutos, mas para que a água e a terra sarassem seria necessário um milagre da parte de Deus, era preciso que alguém fosse usado por ele.

Deus sempre se utilizou de métodos simples para realizar milagres, podemos ver em toda trajetória do povo de Deus na terra. Nesses episódios homens estavam envolvidos, é claro que não era qualquer um, mas os escolhidos por Deus para realizar a sua obra. A presença deles fazia toda a diferença, aonde quer que fossem; em Jericó ou em qualquer outro lugar do mundo. Águas amargas se tornaram doces (Ex 15.22-25); O azeite da viúva (2 Rs 4.1-7); O filho da sunamita (2 Rs 4.8-37); A morte que havia na panela (2 Rs 4.38-41); Vinte pães satisfazem cem homens (2 Rs 4.42-44; Naamã é curado da lepra (2 Rs 5.1-14); o flutuar do machado (2 Rs 6.1-6); às águas do mar (2 Rs 2.19-21). Em cada milagre algo era utilizado. Jesus também realizou milagres com as mesmas características (Jo 2.6-7; 9.6,7; Mc 8.22).

O maior milagre da contemporaneidade = O milagre da atualidade é a igreja ser o sal da terra “Vós sois o sal da terra” (Mt 5.13,14), o sal em ação dá gosto e conserva, se ele for insípido com que há de salgar e conservar. A Igreja tem um papel fundamental e importante no mundo, ela é o sal em ação.

Deus ainda continua a realizar milagres por toda terra através do seu evangelho, não há milagre da salvação sem evangelho. Também muitas vezes nos encontramos em situações que parecem sem soluções, mas quando acreditamos no SENHOR geralmente os milagres acontecem. Ele ainda é o mesmo. A terra de Jericó era estéril e a água ruim, mas o Senhor mudou e ainda muda situações, acreditem.

OS MILAGRES DE JULGAMENTO

Eliseu Amaldiçoou os Jovens Para Que Morressem? “Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos”.  2 Reis 2.23,24

O fato de aquele grupo não estar acompanhado pelos pais, denota, em primeiro plano, não se tratar de crianças, mas de jovens com idades entre 12 e 16 anos. O escárnio promovido contra o profeta parece ter tido um fundo espiritual blasfemo, a começar pela expressão “sobe”, que se referia ao altar mais alto de Betel, destinado aos sacrifícios idólatras (1Rs 13).

Os jovens, ainda, chamaram o profeta de “calvo”, palavra que, na verdade, identificava a pessoa enlutada. Mas, no caso de Eliseu, talvez estivesse sendo acusado da morte de seu irmão de ministério, Elias. Assim, o que esperava por Eliseu em Betel não seria uma recepção digna de um profeta de Deus, mas a execução de um criminoso. E, pelo fato de Eliseu ter sido comissionado pelo próprio Deus, o qual lhe atribuiu poderes espirituais, a rejeição advinda da rebeldia daqueles jovens não lançava o profeta apenas na desonra, mas, também, classificava seus poderes como “malignos”, o que era uma clara e intensa blasfêmia contra o Espírito de Deus. Por derradeiro, o texto bíblico declara que Eliseu apenas amaldiçoou aqueles jovens pela blasfêmia proferida. Foi a providência divina que estabeleceu um desagravo mais rigoroso.


A DOENÇA DE GEAZI =  Geazi foi arruinado pela ganância

VOCÊ já quis muito ter uma coisa? — * Se já, você não é diferente da maioria das pessoas. Mas será que você deveria tentar conseguir o que quer a todo custo, até contando uma mentira? — Não, não deveria. Uma pessoa que faz isso é gananciosa. Vamos ver como um homem chamado Geazi foi arruinado pela ganância. Ele era ajudante de Eliseu, um profeta do Deus verdadeiro, Jeová.

Eliseu e Geazi viveram há muito tempo, uns mil anos antes de Jesus, o Filho de Deus, nascer na Terra. Jeová usou Eliseu para fazer coisas maravilhosas — realizar milagres! Por exemplo, a Bíblia fala de um homem importante do exército sírio que tinha uma doença terrível chamada lepra. Ninguém era capaz de curá-lo, mas Eliseu era.

Quando Eliseu era usado por Deus para ajudar as pessoas a ficarem boas, ele nunca aceitava dinheiro. Sabe por quê? — Porque Eliseu sabia que aqueles milagres vinham de Jeová, não dele mesmo. Quando Naamã foi curado, ele ficou tão feliz que quis dar ouro, prata e roupas de excelente qualidade a Eliseu. O profeta não quis ficar com nada, mas Geazi queria muito aqueles presentes.

Depois de Naamã ter ido embora, Geazi correu atrás dele sem Eliseu saber. Quando alcançou Naamã, sabe o que Geazi disse? — ‘Eliseu me mandou dizer que dois visitantes acabaram de chegar. Ele gostaria que o senhor lhe entregasse duas peças de roupa para ele dar a esses homens.’

 Mas isso era mentira! Geazi inventou essa história sobre os dois visitantes. Ele fez isso porque desejava muito aquelas roupas que Naamã queria dar a Eliseu. Claro que Naamã não sabia de nada. Por isso ele ficou feliz em entregar os presentes a Geazi. Naamã até mesmo deu a Geazi mais do ele pediu. Sabe o que aconteceu depois? 

Quando Geazi voltou para casa, Eliseu perguntou: ‘Aonde você foi?’
‘Ah, eu não fui a lugar nenhum’, respondeu Geazi. Mas Jeová revelou a Eliseu o que Geazi tinha feito. Assim, Eliseu disse: ‘Este não é o momento de aceitar dinheiro e roupas!’
Geazi pegou dinheiro e roupas que não pertenciam a ele. Assim, Deus fez com que a lepra de Naamã passasse para Geazi. O que você acha que podemos aprender disso? — Uma coisa que aprendemos é que não devemos inventar nem contar histórias que não são verdade.


Por que Geazi inventou aquela história? — Porque ele era ganancioso. Ele queria ter o que não lhe pertencia, e assim tentou conseguir essas coisas mentindo. Por causa disso, ele sofreu com uma doença terrível pelo resto da vida.
Na verdade, Geazi perdeu algo ainda mais valioso do que a saúde. Você sabe o que foi? — Ele perdeu o favor de Deus, perdeu seu amor. Nenhum de nós gostaria de perder isso, não é mesmo? Então, precisamos ser bondosos e estar sempre prontos para dividir nossas coisas com os outros.

CONCLUSÃO

As Escrituras não têm apenas uma palavra para expressar a noção de milagre. O conceito inclui pensamentos expressos por vários termos: “maravilha”, “obra poderosa” e “sinal”. O termo “maravilha” chama a atenção para a impressão causada pelos milagres. “Milagre”, do latim miraculum, significa algo que evoca maravilha. Um milagre é um acontecimento além do normal, que evoca a consciência da presença e do poder de Deus. Surpreendentes providências e coincidências, tanto quanto fenômenos da natureza, podem provocar admiração semelhante, quando evidenciam o eterno poder e a divindade de Deus (Rm 1.20).
“Obra poderosa”, na história bíblica, aponta para a presença de atos sobrenaturais de Deus, envolvendo o poder que criou o mundo do nada. Trazer um morto à vida, obra que Jesus fez mais de uma vez (Lc 7.11-17; 8.49-56; Jo 11.38-44), obra que Elias, Eliseu, Pedro e Paulo também fizeram (1 Rs 17.17-24; 2Rs 4.18-37; At 9.36.41; 20.9-12), é uma obra de tal poder criador; não acontece por acaso ou coincidência e não pode ser explicada a partir do curso natural das coisas.

“Sinal” é um termo regularmente usado para milagres no Evangelho de João, onde sete milagres-chave são registrados, indicando que os milagres apontam para algo; são portadores de uma mensagem. Os milagres, nas Escrituras, estão quase todos agrupados no tempo do êxodo, de Elias e Eliseu, ede Cristo e seus apóstolos. Eles dão autenticidade aos que os operaram como representantes e mensageiros de Deus (cf. Ex 4.1-9; 1 Rs 17.24; J0 10.38; 14.11; 2Co 12.22; Hb 2.34) e, além disso, mostram o poder de Deus trazendo a salvação e executando o seu juízo, apesar de toda oposição. Os milagres da Bíblia não são absurdos ou irracionais.

Também não são meras demonstrações de poder, cuja única finalidade seria demonstrar esse poder. Os milagres cumprem diretamente os propósitos de Deus e são condizentes com sua majestade e santidade.
A crença no miraculoso é essencial no Cristianismo. A encarnação e a ressurreição de Jesus são os dois supremos milagres das Escrituras, definindo a fé crist& Ninguém pode rejeitar a vida de Jesus ou a sua ressurreição sem rejeitar a própria fé. Não há nada de irracional na crença deque o Deus que criou o mundo pode intervir nele criativamente em qualquer tempo; na verdade, seria irracional crer em qualquer outro Deus. Finalmente, o irracional não á a fé nos milagres bíblicos, mas a dúvida a respeito deles.

Subsídio para o Professor

INTRODUÇÃO

O ministério de Eliseu foi ratificado pelos milagres que Deus realizou por sua instrumentalidade. Foram 14 (quatorze) milagres ao longo de seu ministério, a saber: (1) dividir as águas do Jordão (2Rs 2:14); (2) sanear uma fonte (2Rs 2:19-22); (3) amaldiçoar zombadores (2Rs 2:24); (4) encher os poços com água (2Rs 3:15,26); (5) multiplicar o azeite de uma viúva (2Rs 4:1-7); (6) predizer uma gestação (2Rs 4:17); (7) fazer voltar à vida um jovem morto (2Rs 4:32-37); (8) neutralizar veneno (2Rs 4:38-41); (9) multiplicar pães (2Rs 4:42-44); (10) curar a lepra de Naamã (2Rs 5:1-19); (11) amaldiçoar Geazi com lepra (2Rs 5:20-27); (12) preparar armadilha para a força militar Síria (2Rs 6:8-25); (13) revelar um exército de anjos (2Rs 6:15-16); e (14) predizer o alívio para a sitiada Samaria (2Rs 6:24-7:20). De forma geral, esses milagres foram manifestos em momentos de angústia, onde apenas Deus poderia intervir, como foi o caso da predição da abundância de alimentos para Samaria sitiada e faminta, e a volta à vida do filho da Sunamita, que havia morrido.
Nesta Aula, trataremos apenas 08(oito) dos 14(quatorze) milagres que Deus realizou por instrumentalidade de Eliseu. Dividiremos aqui as narrativas desses milagres em quatro grupos, tornando o ensino mais didático: milagres de provisão, restituição, restauração e julgamento. Todas essas intervenções divinas operadas por Eliseu tinham como único propósito não exaltar as virtudes do profeta, mas evidenciar a graça e a glória do Todo-Poderoso.


I. OS MILAGRES DE PROVISÃO

1. A multiplicação dos pães(2Rs 4:42-44). ”E um homem veio de Baal-Salisa, e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada e espigas verdes na sua palha, e disse: Dá ao povo, para que coma. Porém seu servo disse: Como hei de eu pôr isso diante de cem homens? E disse ele: Dá-o ao povo, para que coma; porque assim diz o SENHOR: Comer-se-á, e sobejará. Então, lhos pôs diante, e comeram, e deixaram sobejos, conforme a palavra do SENHOR“.
Este é um milagre de  Provisão. O milagroso poder de Deus se manifestou através da pequena quantidade de alimento que se multiplicou e se tornou mais do que suficiente para cem homens. Essa era a forma de Deus demonstrar que Ele proveria aos seus profetas. Quando Jesus esteve aqui na Terra, em sua forma encarnada, Ele operou um milagre com a mesma dinâmica, mas em maior proporção (cf Lucas 9:10-17). Em ambos os acontecimentos, é assaz evidente a graça de Deus em prover o necessário para os carentes.
2. Abundância de víveres (ler 2Rs 7:1-18). O contexto histórico desta narrativa bíblica refere-se à época do rei Jorão, filho de Acabe. Tal qual o seu pai, fez o que era mau aos olhos do Senhor Deus de Israel  (2Rs 3:1,2). Ele aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, que fizera pecar a Israel; não se apartou deles (2Rs 3:3). A consequência de suas ações pecaminosas foi o cerco à cidade de Samaria pelo rei da Síria, Ben-Hadade. Com a cidade sitiada, a consequência natural foi a escassez de alimentos. Por causa do cerco e, por conseguinte, a fome severa, até canibalismo foi praticado: as mães comiam seus próprios filhos (2Rs 6:28). Esse reprovável ato dessas mulheres é uma demonstração clara que Israel perdera a fé e se afastara da confiança em Deus. Um dos resultados principais do repúdio a Deus e à sua Palavra é a perda do amor e da afeição à família (cf. Dt 28:15,53-57).
Eliseu profetizara que a falta de alimentos chegaria ao fim e que seus preços cairiam, até chegar ao normal (2Rs 7:16). E foi o que aconteceu. Foi realmente um grande milagre, que aconteceu de forma sobrenatural e fora da lógica humana. Com esse acontecimento, os israelitas compreenderam que a palavra do Senhor era realmente a verdade, e que Deus, na sua misericórdia, salvara a nação apóstata, da calamidade, para que se arrependesse e voltasse a Ele; e que a incredulidade e a recusa em obedecer a palavra de Deus resultaram em mais castigos(veja o caso do capitão - vv. 2,17-20).
É Deus, não os ídolos sem valor, quem nos dá nosso alimento cotidiano. Apesar de nossa fé às vezes ser fraca ou bem pequena, jamais nos tornemos céticos quanto à provisão do Senhor. Quando nossos recursos estiverem reduzidos e nossas dúvidas forem muito fortes, lembremo-nos de que Deus pode abrir as comportas do Céu.

II. OS MILAGRES DA RESTITUIÇÃO

1. A restauração do filho da sunamita (2Rs 4:32-37). ”E, chegando Eliseu àquela casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua cama.  Então, entrou ele, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao SENHOR. E subiu, e deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu. Depois, voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele; então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos. Então, chamou a Geazi e disse: Chama essa sunamita. E chamou-a, e veio a ele. E disse ele: Toma o teu filho. E veio ela, e se prostrou a seus pés, e se inclinou à terra; e tomou o seu filho e saiu”.
Na cidade de Suném (4:8), perto do Mar da Galiléia, havia uma senhora casada com um próspero fazendeiro que se mostrou generosa para com o profeta, dando-lhe boa acolhida em sua casa e até construindo um quarto extra, especialmente para hospedá-lo em  suas passagens por lá. Ela tinha tudo o que precisava, mas não tinha o que mais desejava - um filho.
Em Israel a ausência de filhos era sempre motivo de chacota e desprezo, e ainda que o marido fosse estéril ou demasiadamente velho, a culpa sempre era da  esposa. A sunamaita, apesar da tranquilidade financeira, carregava sobre si esse imenso desconforto. Eliseu, por sua vez, retribuiu a generosidade intercedendo pelo milagre de um filho, e Deus concedeu-lhe essa graça.
Passados alguns anos aquela criança adoeceu gravemente e acabou falecendo nos braças da mãe. Ela, que no início duvidara da promessa de Eliseu, agora, amadurecida na fé, pôde crer na restituição miraculosa de seu filho morto. Agiu rapidamente no sentido de encontrar o profeta e nem contou ao marido o que havia ocorrido, na certeza de que Deus resolveria a questão antes que a tragédia viesse à tona. Eliseu deixou tudo o que estava fazendo para vir em socorro da mulher e da criança, e ao chegar na casa fez duas coisas: clamou a Deus e tentou aquecer aquela pequena vítima.
O método de Eliseu funcionou. Deus ouviu o seu clamor e, com isso, a confiança daquela mãe, que mesmo em meio às lágrimas, foi surpreendentemente recompensada. Prostrou-se aos pés de seu benfeitor, cheia de júbilo, e saiu com o filho nos braços glorificando a Deus.
Aquilo que cabe a nós, isso devemos fazer, pois Deus mesmo concedeu os meios naturais que nos ajudam a sobreviver. Porém, há coisas que só pela força sobrenatural de Deus podemos obter.
2. O machado que flutuou (2Rs 6:1-7). ”E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derribando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou e disse: Ai! Meu senhor! Porque era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E, mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez nadar o ferro. E disse: Levanta-o. Então, ele estendeu a sua mão e o tomou“.
O fato do machado de ferro ou de bronze, que havia afundado, ter subido à superfície foi um completo milagre. Foi uma demonstração do poder de Deus. Um machado de ferro ou bronze, naqueles dias, era uma ferramenta muito cara, e esse pobre homem ficou aflito ao pensar na sua responsabilidade pela ferramenta emprestada. O milagre serviu para enfatizar aos jovens profetas que, no conflito com a adoração a Baal, Deus trabalhava a favor deles. Também serviu para mostrar o cuidado e a provisão de Deus para aqueles que confiam nele, mesmo nos acontecimentos mais insignificantes da vida cotidiana. Deus está sempre presente. Ele está pronto a restituir o que perdemos, mas precisamos ter consciência disso.


III.  OS MILAGRES DE RESTAURAÇÃO

1. A cura de Naamã (ler 2Rs 5:1-19). Algumas coisas nos chamam a atenção no relato desse milagre.
a) O testemunho da fé (2Rs 5:1-8). Naamã, general do exército da Síria, era um grande homem diante do seu rei, do seu povo, e de muito respeito…porém, leproso. Na vida de um grande homem, por mais importante e destacado entre o seu povo, há sempre um “porém“. Não adianta ensoberbecer, há sempre um “porém”. Este general havia conquistado tudo que desejava, “porém, havia perdido aquilo que mais prezava - sua saúde, tornara-se leproso. A menina israelita, por sua vez, perdera tudo que mais amava, mas manteve saudável a sua fé. E apesar da indignação de ser raptada, de perder o contato com a amada família, de ser reduzida à vil escravidão, de perder a sua infância, de ter de servir a um tirano, inimigo de seu povo, e pior ainda, um leproso, apesar de tudo isso manteve firme sua confiança em Deus. Mostrou-se disposta a testemunhar de sua fé naquele ambiente hostil, oferecendo uma benção àquele que a ofendeu: “tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (2Rs 5:3). A atitude e a fé dessa menina israelita nos dá a seguinte lição: nem sempre o ambiente onde vivemos, estudamos e trabalhamos vem a ser aquilo que gostaríamos, mas nunca deixará de ser um lugar de oportunidade, onde nossa fé, mesmo com lágrimas, poderá ser semeada e mudanças alegres poderão ser colhidas (veja Salmo 126:6).
As boas novas logo se espalharam chegando até o trono do rei da Síria, Ben-Hadade. Aquele reino próspero e poderoso nada podia fazer em benefício de seu herói, mas o “fraco” reino de Israel, por eles saqueado, possuía homens com grande poder espiritual. O opressor agora dependia do oprimido, o forte precisava do fraco, e dessa forma o nome de Deus foi exaltado entre as nações. Ben-Hadade enviou seu general favorito ao rei de Israel, com uma grande comitiva, um batalhão fortemente armado e uma considerável fortuna, a fim de encorajar a cooperação do rei Jorão - “encontrar o tal profeta milagroso”. A abordagem de Naamã foi direta e honesta, mas o rei de Israel interpretou mal aquele pedido, confundindo com um pretexto para provocar uma nova guerra (cf. 2Rs 5:7). Sua cegueira espiritual o impedia de enxergar a grande oportunidade que Deus havia proporcionado. Imaginem a repercussão internacional que seu reino poderia obter se o grande Naamã fosse socorrido pelos “poderes de Israel”? O rei Jorão sabia que Eliseu tinha esse poder, mas a desprezível idolatria que maculava sua alma o impedia de raciocinar com clareza.
Naamã levou à presença do rei Jorão, como retribuição à sua petição, a exorbitante quantia de 10 talentos de prata (350 kg), 6.000 siclos de ouro (68 kg) e dez vestes festivais (trajes de luxo adornados com pedras preciosas). Certamente uma parte daquele tesouro caberia ao profeta que o curasse. Não tardou a que as noticias chegassem aos ouvidos de Eliseu, o qual repreendeu a estupidez do rei Jorão e sua incredulidade: “Porque rasgastes as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel” (2Rs 5:8).
b) O exercício da fé (2Rs 5:9-19). Chegou Naamã, com sua comitiva, seu exército, seu poder e sua carga preciosa à casa do profeta, mas Eliseu não se deixou impressionar com toda aquela ostentação, de modo que nem ao menos se deu ao trabalho de ir saudá-lo ou festejá-lo. Conhecia o objetivo de sua visita e, provando a sua fé, mandou o seu discípulo, Geazi, ao encontro de Naamã, no portão, com a seguinte instrução: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo” (2Rs 5:10). Perante Deus não há lugar para soberba; Naamã precisava aprender esta lição. Se alguém busca uma bênção de Deus, que busque isso com humildade e fé ou nada receberá - “pois todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”(Lc 14:11).
O arrogante general começou a desanimar e a perder as esperanças de uma cura espetacular, em função do preconceito contra o método do profeta e pela maneira como foi tratado. Desejou voltar para casa imediatamente, mas seus assessores, munidos de um sincero desejo de vê-lo curado, convenceram-no com muita inteligência, cautela e lógica: “O senhor é homem valente e nunca se negou a uma tarefa por mais difícil que fosse. Temos certeza de que o senhor faria qualquer coisa que o profeta pedisse sem hesitar ou demonstrar temor. Por que, então, não poderia fazer algo tão simples?” (2Rs 5:13 - parafraseado).
A questão agora estava nas mãos de Naamã. Em seu desespero, já havia crido até nos conselhos de uma escrava estrangeira, percorrera grande distância rumo ao desconhecido e fizera um considerável investimento em busca da solução para o seu drama. Faltava-lhe agora o passo final - “agir com fé”. Finalmente, o grande estadista abriu mão do orgulho e mergulhou no “lamacento” rio Jordão. Posso até imaginar a expectativa de seus companheiros. “Mergulhou uma, duas vezes, e nada! Mergulhou terceira, quarta e quinta vez, e nada aconteceu! Mergulhou pela sexta vez e não houve sequer um vestígio de mudança. A angústia foi aumentando; teria o profeta passado um trote no general? Se desistisse ali teria perdido a grande oportunidade de sua vida, mas não desistiu; exercitou sua débil fé até o fim e, por isso, o resultado foi melhor que o esperado. Não apenas obteve a cura, como também ganhou uma pele rejuvenescida, tal como a pele de uma criança.
Naamã voltou à presença de Eliseu com seu corpo purificado, sua alma lavada e suas mãos repletas de dádivas. A transformação foi completa; Deus mudou-lhe o exterior e o interior, e fez dele um novo homem. O profeta, ao olhar tamanha alegria, alegrou-se também; não pela fortuna que lhe foi oferecida, mas pela preciosidade de uma vida transformada e agora consagrada ao verdadeiro Deus.
2. As águas de Jericó (2Rs 2:19-22). ”E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que boa é a habitação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. E ele disse: Trazei-me uma salva nova e ponde nela sal. E lha trouxeram. Então, saiu ele ao manancial das águas e deitou sal nele; e disse: Assim diz o SENHOR: Sararei estas águas; não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha dito“.
Este texto narra a história das águas amargas de Jericó que foram restauradas por Deus através da instrumentalidade do profeta Eliseu. No acontecimento desse milagre, o profeta pede um prato novo e, dentro deste, se coloque sal. Feito isso, Eliseu profetiza, em nome do Senhor, que aquelas águas tornem-se potáveis. E assim aconteceu - “ficaram sãs aquelas águas“. Aqui, o “sal”simboliza um elemento purificador (Lv 2:13; Mt 5:13), enquanto o “prato novo” simboliza um instrumento de dedicação especial ou exclusiva para aquele momento. Na verdade, ao tornar saudáveis as águas salobras, usando um prato de sal, Deus quis mostrar aos “seminaristas”(os discípulos de Eliseu) que Ele tem total controle e autoridade sobre a natureza (veja o caso de Elias no ribeiro de Querite - 1Reis 17:4-6). Com esse milagre, Deus quis dar tranquilidade de provisões aos discípulos de Eliseu.


IV. OS MILAGRES DE JULGAMENTO

1. Maldição dos rapazes (2Rs 2:23-24). ”Então, subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns rapazes pequenos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo, sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então, duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois daqueles pequenos“.
No caminho entre Jericó e Betel, um dos centros de adoração ao bezerro, Eliseu se deparou com um grupo de rapazes arruaceiros que o chamaram de “calvo” e o desafiaram, em tom de escárnio, a subir ao Céu como Elias. Certamente, esses “rapazes pequenos” tinham ouvido seus pais rirem da notícia que Elias subira ao Céu, possivelmente dizendo: ‘Se Eliseu afirma isso, que então ele mostre como é feito e que ele, o velho calvo, suba também‘. Essa zombaria contra o profeta era um desdém pelo seu Senhor. Para desagravar a honra do Senhor, Eliseu pronunciou contra eles um julgamento divino, formulado na lei da bênção e da maldição, segundo o concerto (ler Lv 26:21,22; Dt 30:19). Após Eliseu amaldiçoá-los “em nome do Senhor […] duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois deles”. O próprio Deus julgou aqueles rapazinhos degenerados, enviando-lhes duas ursas. Não dá prá saber se eles morreram ou não.
Não sabemos como reconciliar completamente esse incidente com o caráter de Deus ou com a bondade do profeta. Se tal reconciliação for possível, devemos entender que os “rapazes” eram suficientemente crescidos para responder moralmente. Eliseu pronunciou essa maldição a fim de vingar a honra do Senhor que havia sido ofendida quando os jovens proferiram aquelas palavras para insultá-lo.  Insultar um mensageiro de Jeová é o mesmo que ofender o próprio Deus.
2. A doença de Geazi (ler 2Rs 5:20-27). Nesta narração, observamos a razão principal pela qual Geazi foi julgado: o abandono da fé - a cobiça pelos bens terrenos o levou à maldição. A jovem escrava israelita exercitou sua fé, apesar da tristeza que ardia em seu coração. Naamã exercitou sua fé, mesmo com o preconceito arraigado em seu coração, mesmo com a decepção na corte do rei Jorão, mesmo não entendendo a lógica do profeta, e agora, depois de curado, exercitou mais uma vez a sua fé na convicção de que o “Deus de Israel” o acompanharia de volta a seu país (2Rs 5:17). Mas Geazi, embora conhecesse bem de perto os prodígios do Senhor, em lugar de exercitar, abandonou a sua fé, trocando o sustento de Deus por um modo “mais fácil” de prover o seu conforto. Geazi engendrou um plano diabólico para tirar o máximo proveito daquela situação. Certamente o fascínio do lucro fácil causou um desequilíbrio na mente daquele cobiçoso discípulo, a ponto de usar o santo nome de Deus para justificar sua cobiça: “ tão certo como vive o Senhor, hei de correr atrás dele e receberei alguma coisa” (2Rs 5:20).
Aproveitando-se da euforia e da boa fé do novo convertido Naamã, usou o nome do profeta, inventando a chegada de novos hóspedes como pretexto para ganhar um pouco do que Eliseu recusou. E ganhou mesmo, mais ainda do que pediu; angariou para si 68 kg de prata e duas vestes festivais (2Rs 5:21-23). Bem que a Palavra de Deus nos alerta: “porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm 6:10). E, como um pecado chama outro pecado, o jeito foi continuar mentindo para acobertar o seu deslize. Mas de Deus não se esconde nada. Deus fez com que Eliseu soubesse de tudo por meio de uma visão (2Rs 5:26).
Veja como são as coisas, um pagão estrangeiro foi curado, pela nobreza de sua fé, enquanto um israelita, um estudante de teologia, tomou o lugar do pagão, para a desonra de sua fé. Assim como Acã, Ananias e Safira, Judas Iscariotes….também Geazi vendeu sua alma por prazeres passageiros. A cobiça desse jovem só lhe trouxe maldição, pois com a prata que surrupiou de Naamã, herdou também a lepra que antes era dele (2Rs 5:27). Geazi foi à procura de Naamã em busca de “alguma coisa” e terminou sem “coisa alguma”. Foi em busca de valores materiais, mas perdeu os espirituais. É um perigo quando alguém troca o “ser” pelo “ter”.

CONCLUSÃO
Eliseu realizou milagres fantásticos, sim, mas era um dom de Deus; foram uma clara demonstração do poder de Deus, que teve como propósito específico demonstrar a graça de Deus e sua glória nas mais diferentes situações. Em nenhum momento Eliseu ensoberbeceu-se do dom que havia nele, e nem deixou transparecer que se tratava de algo que ele conseguia manipular através do domínio de alguma técnica. Não há dúvida nenhuma que em todos os milagres realizados estavam a unção de Deus.

Bibliografia
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 53 - CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento - Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.2 - CPAD.
Porção Dobrada - Pr. José Gonçalves - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
Marcos (o evangelho dos milagres) -  rev. Hernandes Dias Lopes.
Elias e Eliseu (homens de ação) - Editora cristã Evangélica.

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