19 março 2013

Marco Feliciano nas páginas amarelas da Veja: "Eu acredito no diálogo"

 
A edição especial da Veja desta semana (20 de março), tem as páginas amarelas dedicadas a um homem que causou polêmica e dividiu opiniões nos últimos dias. O deputado federal Marco Feliciano, o novo presidente da Comissão de Direito Humanos e Minorias, fala com a exclusividade a uma das maiores revistas deste país.

"O deputado federal Marco Feliciano é metrossexual. Calma. A palavra define homens muito preocupados com a aparência, e ele preenche os requisitos básicos: alisa o cabelo, desenha a sobrancelhas, gosta de perfumes, usa anel.", ressaltando a vaidade do pastor, o que ainda incomoda mutos cristãos, a revista Veja abre a entrevista, por Juliana Linhares.

Ao ser questionado sobre as acusações de racismo, por afirmar que o povo africano era amaldiçoado, Feliciano usa do livro de cabeceira, a Bíblia, para esclarecer a questão: "No Gênesis, a Bíblia conta que Noé, quando saiu da arca, embebedou-se e ficou nu. O filho mais novo dele, Cam, riu do pai e contou o que havia visto aos dois irmãos. Quando Noé soube da história(...) lançou uma maldição sobre o filho de Cam, Canaã. Disse que Canaã seria escravo(...) E de Canaã vieram aqueles que povoaram parte da Etiópia." diz.

"Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande de mais(...) Minha mãe é negra" acrescentou.

Sobre os homossexuais, Feliciano expõe seu ponto de vista e conta o que o incomoda: "A minha formação cristã me ensina que o ato homossexual é errado, que é pecado. Eu não aceito o ato, mas aceito os homossexuais.".

O pastor da Assembleia de Deus, que se opõe abertamente ao ato homossexual, declara que não só contrataria uma babá com outra orientação sexual, dependendo de seu posicionamento, claro. Como tem, como decorador de sua casa um homossexual. "Quem fez a decoração da minha casa e organiza os aniversários de minhas filhas é um homossexual. Ele almoça comigo e com minha esposa. Por que? Porque é homossexual mas não faz o ato.".

Muitos outras questões foram esclarecidas pelo deputado federal Marco Feliciano, além de mencionar companheiros da bancada evangélica, falou sobre politica e afirmou "Em 2014, a conversa vai ser muito diferente". 


Confira a entrevista na íntegra:

Fonte: Revista Veja | Edição 2313

Um comentário:

  1. debate entre movimentos de minorias LGBT e o movimento evangélico no Brasil (do qual participo), reflete o despreparo intelectual do povo brasileiro. Parece ser impossível discordar de outrem sem ser tratado como inimigo.

    Ninguém pode tirar do homossexual o direito de ser homossexual; mas ninguém pode tirar dos evangélicos de discordar da prática homossexual.

    A ironia é que os movimentos de esquerda lutaram e alguns de seus idealistas até morreram pelo direito de discordarem do poder estabelecido, a ditadura militar; hoje se alguém discorda do pensamento deles no que diz respeito à homossexualidade, aborto, e outros pontos de vista, são tratados como inimigos da pátria.

    O cristianismo errou no passado, ao tentar impor a fé, pelas cruzadas, e pela Santa ( santa????) Inquisição e outros meios. Hoje aprendemos, a duras penas, a sermos combatidos e contestados; aprendemos que nem mesmo a fé, que consideramos essencial ao ser humano, deve ser imposta. Isto foi uma libertação da ignorância.

    O movimento LGBT, que tem muitas pessoas com formação humaníssima trai a si mesmo nessa formaçao ao tentar impor a sua escolha sexual; a pecha de ignorância, que já foi marca dos cristãos vai acabar por cair sobre eles.

    Homossexuais têm direito de serem homossexuais, mas todos devem ter o direito de discordar deles, inclusive os evangélicos , isto não faz de ninguém um homofóbico; evangélicos têm o direito de serem evangélicos e todos podem discordar deles, inclusive o movimento LGBT; afinal de contas aqui não é a Irlanda onde ser católico significa ser inimigo dos protestantes.

    É triste ver um país em que até árabes e judeus convivem pacificamente mergulhar no sombrio mar da divisão, onde todos que discordem de homossexuais são homofóbicos e todos que discordam dos evangélicos são antireligiosos. Não é por um país assim que lutamos.

    Uma mensão honrosa ao jornalista Reinaldo Azevedo pelo excelente artigo sobre o assunto, publicado em seu blog esta semana. Mostrou que é possível discordar, criticar sem perder o respeito e o tirocínio.

    Que Deus nos ajude!

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