28 abril 2013

Igreja evangélica mantém tradição do século XX e possui templos diferentes para negros e brancos

A cidade rural de Canguçu, no Rio Grande do Sul, possui uma peculiaridade na Igreja Luterana local: uma congregação para negros e outra para descendentes de alemães.

A divisão teve origem no início do século XX, numa proibição aos negros de frequentarem os cultos junto com os descendentes dos imigrantes europeus. Na época, havia resistência dos membros da denominação para a permissão de que os negros entrassem nos templos, embora a denominação desenvolvesse trabalhos missionários em comunidades quilombolas.

Atualmente, a proibição não existe mais, embora o costume de cultuar em templos diferentes permaneça. A cidade, que possui 53 mil habitantes e fica a 300 km de Porto Alegre, abriga a congregação Redentora, formada por descendentes de europeus, e a congregação Manoel do Rego, fundada em 1927 e formada por afrodescendentes.

O pastor Edgar Quandt é o líder das duas congregações, e diz que já houve tentativas fracassadas de tornar as igrejas em uma só. Segundo o presidente da associação quilombola da cidade, Marco Antônio Matos, os membros de ambas as congregações decidiram que o melhor seria manter como está.

Esse caso é único em todo o país, e de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, as duas linhas da denominação – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e Igreja Evangélica Luterana do Brasil – não possuem relato de algo semelhante.

O coral da congregação Redentora conta com membros das duas congregações, e outras atividades eclesiásticas, como festas por exemplo, são realizadas em conjunto. “Não há discriminação, como às vezes parece de fora. Eles gostam de ter [cada um] a sua congregação. Há uma integração muito boa em toda a nossa igreja”, diz o pastor Quandt.
Folha de S. Paulo

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