22 abril 2013


No Sudão, quem se declara cristão, é considerado criminoso




Um ano e alguns meses após a decisão de divisão do território em dois países distintos, as notícias sobre a região não são nada animadoras. Ainda acontecem muitos ataques mútuos e cristãos do Sudão do Sul têm sofrido forte perseguição. Cristãos de todo o mundo são convidados a continuar orando pelo Sudão do Sul e o Sudão

Tudo começou com um telefonema ao final do dia. Uma voz desconhecida do outro lado da linha deu instruções para Felipe: como prioridade das tarefas da manhã seguinte, ele deveria informar o escritório da Comissão de Ajuda Humanitária (HAC) sobre sua situação. A próxima coisa que ele soube é que estaria dividindo uma cela na prisão, com banheiros intoleráveis e algumas pragas infestadas nos cobertores utilizados por vários outros homens.

O terrível crime de Felipe: ele é cristão, de origem sudanesa do sul, e trabalha para trazer esperança aos sudaneses localizados ao norte, através de um ministério de prestação de serviços na área da saúde. A cidade de Cartum, no Sudão, é o único lugar do mundo o qual ele já conheceu, mesmo assim, por ser cidadão do Sudão do Sul, o governo do Norte considerou-o um estrangeiro e, portanto, indesejável ao país.

As hostilidades e tensões contra os cristãos no Sudão têm aumentado significativa e rapidamente. Em 2011, a nação vigorava na 35ª posição da Classificação de países por perseguição da Portas Abertas. Em 2012, passou a ocupar o 16º lugar. Quando um país “sobe” na lista, isso representa um aumento na perseguição aos cristãos. Em janeiro de 2013, o Sudão subiu ainda mais, preenchendo, atualmente, a 12ª posição.

Desde a separação do país em dois Estados: Sudão e Sudão do Sul, em 2011, o Sudão tornou clara a sua intenção de transformar a legislação nacional, baseando-a totalmente na Sharia (lei islâmica). Para tal, decidiu “tirar do caminho” qualquer um que possa atrasá-los a alcançar seu objetivo (como os cristãos, que são contrários ao estabelecimento de uma nação islâmica no Sudão, por exemplo).

Em 24 de dezembro de 2012, o jornal pró-governo Akhir Lahza anunciou uma operação contra organizações não governamentais que teriam recebido fundos dos EUA. Estes eventos destacam a intenção política do governo, que se utiliza, em grande de número, de publicidade da mídia para fazer valer a sua opinião favorável ao islamismo.

Sob tais circuntâncias, o sofrimento vivido diariamente e de maneira silenciosa, fica por conta da Igreja. A Portas Abertas soube que diversas congregações foram demolidas e muitos ministérios cristãos foram fechadas como parte dessa ação do governo de instaurar um Estado islâmico.

Sudão e Sudão do Sul: a perseguição religiosa acontece em ambos os países

Em julho de 2011, o Sudão do Sul tornou-se o mais novo país do mundo, ao oficializar sua independência do restante do Sudão. Segundo reportagem da BBC, "o Sudão do Sul nasceu como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres. Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões", ou seja, "nasceu sendo um dos maiores [países] do continente [africano], superando as áreas de Quênia, Uganda e Ruanda somadas."

Economicamente, o Sul do país, de maioria cristã, é mais rico em reserva de petróleo e recursos naturais que o Norte, por isso, nos conflitos de independência, exigia mais autonomia política. Já o Norte, de maioria muçulmana, lutava pela dominação do território sudanês, defendendo a implantação da Sharia (lei islâmica) em todo o país. A soma total de mortos no conflito - encerrado em janeiro de 2005, com um acordo de paz entre o Norte e o Sul do país - é de aproximadamente dois milhões de sudaneses.

Um ano e alguns meses após a decisão de separação do território em dois países distintos, as notícias sobre a região não são nada animadoras. Ainda acontecem muitos ataques mútuos e cristãos do Sudão do Sul têm sofrido com forte perseguição. Há uma semana, a Portas Abertas Brasil soube do caso de um casal de missionários brasileiros que teve de sair do país às pressas e procurar abrigo no Egito para não sofrer retaliações por pregar a Palavra de Deus.

Cristãos pedem oração pelo Sudão do Sul e o Sudão

Cristãos de todo o mundo são convidados a continuar orando pelo Sudão do Sul e o Sudão após a assinatura de um acordo sobre a produção de petróleo. Por meio do documento, decidiu-se que o Sudão do Sul vai retomar a produção de petróleo pela primeira vez, em mais de um ano, conforme relatou notícia da BBC.

A produção de petróleo foi interrompida em janeiro do ano passado, depois de o Sudão e o Sudão do Sul discutirem por uma partilha mais proporcional das receitas do petróleo. Em uma visita à Igreja Mission Society, o líder religioso Anthony Poggo disse que "a disputa entre os dois países já está afetando as pessoas comuns porque os preços têm subido significativamente".

"A construção de boas relações entre o Sudão e o Sudão do Sul é crucial para ambos os países", ele comentou. "Como pessoas que antes formavam um único país, temos de ser, no mínimo, bons vizinhos."

Poggo também levantou preocupações sobre conflitos em Kordofan do Sul, as regiões do Nilo Azul e Darfur, dizendo que a paz nessas regiões é essencial para a paz em todo o Sudão e as relações com o Sul.

Os conflitos em curso têm provocado crises humanitárias que afetam milhares de cristãos. Poggo acredita que a comunidade internacional deve manter a pressão sobre ambos os países para que as soluções para os conflitos sejam encontradas o mais breve possível.

Apesar dos desafios, ele disse que a maioria das pessoas ainda tem esperança de um futuro melhor.

"As pessoas estão contentes por ter um novo país; sentem que são cidadãos de primeira classe em seu próprio país", compartilhou ele. "O importante é que todos estão dispostos a perseverar. Como fizeram no passado, querem permanecer firmes um pouco mais." Ore pelos cristãos nesses dois países!

Fonte: Portas Abertas Internacional, Portas Abertas Brasil e Christian Today

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