20 maio 2013

Babel Gospel: Tá aí!



Há muitos e muitos anos, no meio cristão evangélico as tensões entre protestantes e pentecostais tomavam grande espaço nas pautas eclesiais. De um lado estavam aqueles(as) que se afirmavam estudiosos das Escrituras, praticantes de uma liturgia solene, afeitos ao investimento educacional e sensíveis às causas sociais.  De outro o grupo daqueles(as) que se abriam aos dons espirituais, aos milagres e aos cultos mais descontraídos e fervorosos.
 
Não havia problema algum com as duas práticas, pois é correto estudar a Palavra, realizar um culto racional, abrir-se ao derramar do Espírito Santo e à manifestação dos dons, orar pela cura, promover a libertação de quem está oprimido(a) por demônios etc. A dificuldade se instala quando as ações e reflexões destas duas confrarias são cristalizadas servindo de fundamento para diversos tipos de violências exercidas reciprocamente.
 
Posteriormente surge um novo grupo que seleciona algumas coisas dos protestantes e dos pentecostais, porém inclui e enfatiza novidades importadas de outras religiões e filosofias religiosas. Estas últimas podem ser caracterizadas pela cura interior, prosperidade financeira, batalha espiritual, regressão ao ventre materno, entrevista a demônios e quebras de maldições. Tais práticas aumentam consideravelmente a audiência para estas religiões.
 
Formado este “neo-modelo-híbrido-evangélico-de-ser”, duas reações ocorrem. A primeira reação foi daqueles que outrora se estranhavam, isto é, protestantes e pentecostais. O “projeto” desses ex-briguentos e agora parceiros foi rechaçar as distorções promovidas pelos “neo-modelos-híbrido-evangélico-de-ser”. Como a repulsa não surte muito efeito, a segunda reação é um afastamento aproximado aos “neos”. Isso gerou uma espécie de “protestantes novos” e “pentecostais novos”.
 
Acontece que as mudanças no mundo cristão-evangélico não pararam. Se nos “neo-modelos-híbrido-evangélico-de-ser” mais e mais novidades são inseridas pela busca de novos adeptos e aumento da audiência, nos “novos-protestantismos-de-antes” e “novos-pentecostalismos-de-outrora” os mesmos anseios passam a orientar as agendas eclesiásticas. Percebe-se uma desconfiguração tamanha. Não é mais a boa teologia, a busca dos dons espirituais e a confiança num Deus extraordinário que se move no ordinário da vida que move os corações e mentes.
 
Nestes “novos-protestantismos-de-antes” e “novos-pentecostalismos-de-outrora”, o Evangelho, a santificação, o estudo sério e profundo das Escrituras, a transformação da mente, o fervor espiritual e os carismas do Espírito Santo não são tão importantes. A busca pela fórmula do sucesso, do “espetáculo cúltico”, do treinamento para dar resultado (de inspiração “herbalifeana”), das práticas que fazem aumentar a membresia e o controle maior da liderança sobre os/as liderados/as dão o tom.
 
Aumenta o cinismo, a falsidade, a descrença, o desamor e o ceticismo... Tudo isso com uma falsa roupagem de espiritualidade cristã. O Jesus das Escrituras foi trocado por um “Jesus boa pinta, megatrilionário, destruidor dos fracos, patrocinador dos fortes e poderosos”.
 
O que era sólido se desmancha no ar.
 
Falta estudo bíblico sério em muitas Escolas Dominicais. Falta discipulado sério em muitas igrejas. Enfim, falta um encontro com Deus diário, profundo, transformador, libertador e salvífico.
 
A fé de muitos tem se esfriado, mesmo em meio aos calores desse fogo estranho que queima nas velhas-novas-igrejas e nos “neo-modelos-híbrido-evangélico-de-ser”.
 
Ponto negativo para os “neo-modelos-híbrido-evangélico-de-ser”, para os "novos-protestantismos-de-antes” e os “novos-pentecostalismos-de-outrora”. Qual será o fim disso?
 
Abraços.
Vivam vencendo!!!
Seu irmão menor.
 

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