10 maio 2013

Lição 06/05/13 - A INFIDELIDADE CONJUGAL

TEXTO ÁUREO - “Cria em mim, 6 Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (SI 51,10).

VERDADE PRÁTICA  - A infidelidade conjugal sempre traz terríveis conseqüências espirituais, morais e sociais àqueles que a praticam.
 
LEITURA BIBLICA – 2 Sm 12; 5 – 13
INTRODUÇÃO
Davi foi um exemplo de heroísmo, tanto pela sua bravura, como pela sua fé e confiança em Deus. O Senhor testificou  dele, ao dizer. “Achei a Davi ,meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (SI 89.20).

Entretanto, este homem não foi fiel; deixou-se levar pelo sentimento e pela paixão do coração, sendo derrotado pela intemperança, que trouxe grandes prejuízos, não somente a ele,mas a todo Israel. O descuido e a falia de oração e vigilância, com o trabalho do Senhor, têm levado muitos crentes, fiéis servos de Deus, à derrota. Nesta lição, estudaremos, antes de tudo,como confiar no Senhor e não em nossas forças, ou em nossa posição social, política e eclesiástica. Devemos pôr a nossa confiança no Senhor, para não sermos derrotados, como Davi, rei de Israel.
 
ADULTERIO UM GRAVE PECADO
Os mandamentos de Deus proíbem o adultério. A Bíblia diz em Êxodo 20:14 “Não adulterarás.”
Deixar a esposa ou o esposo, por causa de outra pessoa, é legalmente possível, mas é adultério aos olhos de Deus. A Bíblia diz em Lucas 16:18 “Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério.”
Cobiçar a mulher ou o homen alheio é uma forma de adultério. A Bíblia diz em Mateus 5:27-28 “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

Como tratou Jesus a mulher adúltera? A Bíblia diz em João 8:10-11 “Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”

A vontade de Deus é que evitemos imoralidade sexual. A Bíblia diz em 1 Tessalonicenses 4:3 “Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição.”
A INTEMPERANÇA LEVA O CRENTE A PECAR
l.Era tempo de sair (25m 11.1,2). Diz o texto que Davi “ficou em casa”; “se pôs a dormir à hora da tarde”;’“levantou-se do seu leito”. Antes ele dizia: “De madrugada te buscarei” (Sl 63.1), Agora, quando devia orar, vigiar e procurar saber como estavam seus soldados no campo de batalha, foi “dormir”e,depois,”passeai”no”terraço real de sua casa”. Enquanto “passeava”, viu uma mulher se banhando, e esta era formosa à vista (2 Sm 11 .2).

Este passeio custou muito caro ao soberano de Israel. Levou-o à tentação, à cobiça da mulher do próximo e, por fim, ao adultério. Davi perdeu o autodomínio, que é a temperança. Deus disse a Caim: “Senão fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7). A Palavra do Senhor tanto é proveitosa para nos advertir... como para nos corrigir (2 Tm 3.16). Atentemos para os ensinos das Escrituras e saibamos discernir  as circunstâncias para fugirmos das tentações.

2.Um passeio fora de tempo(25m 11.2). O pecado da cobiça leva o homem ou a mulher a perder o domínio e a ficar sob o desejo da carne, O “passeio de Davi”, mesmo em seu palácio, levou-o à intemperança e à cobiça da mulher de Urias  (2 Sm 11.2).
 
Quando estamos na vontade de Deus, temos poder (At 5.32); quando perdemos a graça, a preguiça dá lugar à tentação. O pecado oferece prazer, mas traz aflição (Rm 2.9). Davi chegou a confessar: “Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia” ( Sl 32.3).

3.Uma pessoa pode levar outra a pecar (2 Sm 11.2-4). Bateseba, que fora tomar banho, não no lugar apropriado para esse fim, contribuiu para a queda de Davi. O exibicionismo nudista da mulher de Urias, ao tentar o servo do Senhor, levou-o a quebrar um dos maiores preceitos de Deus (Lv 18.20). O cristão deve ter cuidado com seu modo de vestir e de andar diante do sexo oposto. O (a) irmão(a) faz parte daqueles que vivem nos balneários, nas praias, onde se propaga o nudismo?
A PARÁBOLA PROFERIDA POR NATA
Deus não faz acepção de pessoas, e não tem o culpado por inocente (Dt 10.17;- Na 1.3; - At 10.34). O homem mais santo é capaz de pecar, de transgredir. Nossos corações se não são iguais, são semelhantes. A medida em que andarmos em Espírito, venceremos as concupiscências da carne (015.16).

1. A tentação bate à porta (2 Sm 12.4). “Havia numa cidade dois homens; um rico e outro pobre”. Na casa do primeiro chegou um “viajante”. Este era a “tentação”, que bateu à porta de Davi. Tenhamos cuidado, meus irmãos, com este”viajor perigoso”,que bate em todas as portas: do rico, do pobre, do pastor, do presbítero, do diácono, do solteiro, do casado, do jovem e de todos os crentes, O “rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas” (2 Sm 12.2), e o pobre nada possuía, senão uma cordeira que ele comprara e criara. Aquele tomou a ovelha deste, matou-a, preparou-a e banqueteou-se com o amigo.

2. Julgamento precipitado (2 Sm 12.5,6). O furor de Davi se acendeu contra aquele homem. Ele não notou que a mensagem era para si próprio; por isso condenou à morte o que tomara a única ovelha do pobre, dizendo: “Digno de morte é o homem que fez isso” (2 Sm 12.5). Aquele que vive a pecar, não suporta as faltas. Presenciamos este fato dentro da igreja, onde alguns crentes em pecado estão sempre a acusar os outros.

3. O pecado endurece o coração (Pv 4.14-17). A transgressão desta lei levou o rei Salomão à queda. a manchar sua vida moral e espiritual, e perverter seu coração (Ne 13.26), fazendo-o esquecer a misericórdia de Deus.
Leia e anote as quatro dádivas de Deus concedidas a Davi:

 l)”Eu te ungi rei sobre Israel;
2) Eu te livrei das mãos de Saul;
3)Eu te dei a casa de teu Senhor;
4) Eu te dei a casa de Israel e de Judá” (2 Sm 12.7,8).

“Tu feriste a Urias e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom” (2 Sm 12.9).

Ninguém pode afirmar que a tentação vem de Deus (Tg 1.13,14). Às vezes, Ele consente,a título de provação, para convencer o homem de seus erros e trazê-lo para mais perto dele. Aconteceu assim com Davi, sendo necessário o envio de um profeta para levar-lhe uma mensagem de arrependimento.
AS CONSEQUÊNCIAS DA INFIDELIDADE CONJUGAL
1. A infidelidade conjugal de Davi (2 Sm 12.10-12). Davi, depois de cometer o pecado de infidelidade conjugal, foi repreendido por Deus, e, através do profeta Natã, ouviu a sentença, por sua transgressão: “Não se apartará jamais a espada da Lua casa (família)...; o que fizeste em oculto, eu farei perante todo Israel e perante o sol”.

2. O pecado produz inquietação. Davi havia perdido toda a alegria, inclusive a da sua salvação (SI 51.12). No entanto, o Espírito Santo, embora triste (Ef 4.30), continuava ao seu lado ( Sl 51.11)0 pecado afasta o homem de Deus. Ninguém pode ter comunhão com o Senhor, sem que abandone o pecado.

Tem muita gente por aí conformada com essa situação. Davi clamou: “Não me lances fora”. Ele sabia que se não fosse perdoado, seria afastado de Deus, assim como Adão e Eva (Gn 3.23); Coré, Datã e Abirã (Nm 16.32,33); Acã, Minam e Arão (Js 7. 24,26; - Nm 12).

3. O perdão de Deus reabilita o homem (SI 32.1,2). Davi, ao confessar o seu pecado, recebeu o consolo através do profeta Natã: “Deus perdoou o teu
 pecado”(2 Sm l2.13; - Sl32.5).

O pecado perdoado pelo Senhor é totalmente esquecido por Ele (Mq 7.19). Perdão e gozo andam juntos. Este é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22), e o possuir é mandamento do Espírito (Ef 4.4). Todos nós estamos sujeitos à queda, mas Deus é grandioso em perdoar os nossos pecados (Is 55.7), e jamais se lembra deles (Hb 8.12), pois os lança no “mar do esquecimento”.

Davi, apesar de perdoado colheu o fruto de seu pecado:

1) morreu seu primeiro filho com a mulher de Urias (2 Sm 12.14-18);

2)sua filha, Tamar, desonrada por Amnom, também seu filho (2 Sm 13.12-14); 3) a revolta de Absalão (2 Sm 15.10-14) e o seu vergonhoso comportamento  (2 Sm 16.20-23).

4. Confissão e perdão produzem gozo (2 Sm 12.13; - 1 Jo 1.9). A confissão é do homem, o perdão, de Deus.  Cada falta cometida deve ser confessada. A confissão deve ser: com palavras, não com gestos ou intenção (Rm 10.10); feita a Deus, que é perdoador, e a Jesus Cristo, nosso Sacerdote; e diante da igreja, a critério do pastor                                (Mt 18.15- 17).

Davi humilhou-se diante das palavras do profeta Natã. Após ouvir o que Deus mandara lhe dizer, arrependeu-se e recebeu o perdão. Ele pediu a purificação do seu pecado (SI 5 1.2): “Purifica-me com hissope”. Foi com este instrumento que levaram vinagre à boca de Jesus (Jo 19.29). Davi pediu que seu pecado fosse apagado. Isto mostra que a dor moral da nossa infidelidade não se “purifica” de qualquer forma.

CONSELHOS CONTRA A INFIDELIDADE
O diabo tem investido alto na grande missão de tornar o adultério algo comum, normal, aceitável por todos. Veja-se, por exemplo, os filmes, programas e em especial as novelas nacionais, o adultério esta sempre presente; transmitindo uma imagem de correto ou de solução para problemas conjugais; a forma que é traçada as cenas, induzem aos telespectadores a aceitar e a torcer pelo casal adultero. É o diabo plantando no subconsciente coletivo a idéia desta prática, é lamentável, mas, tem sido muito bem sucedido em suas investidas.

No meio cristão, o adultério tem encontrado lugar, não é raro surgirem comentários estarrecedores desta prática em igrejas, abalando a boa moral da obra do Senhor. O que leva o servo do Senhor a cair em tais situações? A resposta mais acertada seria: “Falta de vigilância!”

O Senhor nos alerta a estarmos vigilantes :
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26.41) O diabo está muito próximo (Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. 1Pe 5.8) , ávido por brechas através da quais acessa o homem e o influencia a agir segundo a carne.

O Adultério tem sua principal causa na falta de vigilância, o pecado abre acesso para a ação maligna na vida.

Há inúmeros fatores que facilitam ao cônjuge permitir que pensamentos impuros surjam em suas mentes, quando alimentados produzem o ato. Enumero algumas:


> Más companhias:
“Felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado!” (Sl 1.1 NTLH) É preciso que saibamos escolher as pessoas que vamos constituir como amigos. Jamais devemos criar laços de amizades com pessoas que reconhecidamente são indignas, e, que vivem segundo os impulsos deste mundo pervertido. Há um provérbio popular que exprime grande sabedoria e realidade, observe: “Diga-me com quem andas e direi quem és!” Quem são teus amigos? Companheiros? Confidentes? Conselheiros? Orientadores? Devemos possuir a mente de Cristo e apenas os cheios do Espírito Santo possui a mente de Cristo e estão aptos a serem o nosso próximo, muito próximos. É necessário que haja limites e discernimento no agir.

> Concupiscência dos olhos:

“Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração.” (Mt 5.28 NTLH) O Senhor Jesus falando às multidões faz referência ao adultério e foi taxativo ao afirmar: “Quem olhar uma mulher (homem) com desejo sexual, já adulterou com ela (ele)” este texto se aplica com o mesmo valor às mulheres.

Amados de Deus, se não tens estrutura suficiente para resistir aos desejos que surgem no interior, a melhor solução é evitar freqüentar determinados locais (praias, piscinas, etc) . Jesus completa dizendo : “Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno.” (Mt 5.29 NTLH). Na realidade o Senhor não quer que você extirpe o olho, mas, que saiba usá-lo, que não seja instrumento de pecado. Se não tens força o suficiente, evite!

> Falta de sabedoria do cônjuge:
“Que os dois não se neguem um ao outro, a não ser que concordem em não ter relações por algum tempo a fim de se dedicar à oração. Mas depois devem voltar a ter relações, a fim de não caírem nas tentações de Satanás por não poderem se dominar.” (1Co 7.5 NTLH) O sexo é uma prática que deve ser normal no seio do casamento, sua ausência por algum tempo, necessita do consentimento do cônjuge. Infelizmente, a falta de sabedoria tem encontrado lugar em muitas vidas e regras quanto à freqüência das relações sexuais são inventadas e determinadas como lei, a conseqüência é o surgimento de intrigas, que abrem brechas para a ação do maligno; este possui em suas mãos todo um universo de sexo a oferecer.

Irmãos queridos ouçam as palavras ungidas do Apóstolo Paulo e deixem que o óleo do Espírito Santo seja derramado sobre vossas vidas.
A palavra adultério é usada também, figuradamente para exprimir a infidelidade do povo eleito para com Deus.

A pratica do sexo é restrita aos casais casados. Os solteiros que mantém uma vida sexual ativa estão em pecado e são destituídos da glória do Senhor.

O mandamento do Senhor para conosco é que sejamos santos! Firmes! (“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” Ef 6.13) o suficiente para não sermos abalados por nada que se levante contra a vida, enquanto, passamos por esta terra. Os costumes comuns aos filhos dos homens, jamais deve, encontrar lugar na vida dos filhos de Deus.
“Em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou. Pois eu tenho a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” Rm 8.37-39

CONCLUSÃO

Como em todos os tópicos e subtópicos anteriores prefiro não expor a minha opinião pessoal em nenhuma matéria aqui tratada. A conclusão não poderia ser diferente. Deixemos que a Bíblia fale ou conclua pôr si mesma:
Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porem aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13. 4).

Subsídio para o Professor


A infidelidade conjugal (adultério), do hebraico na’aph é uma das práticas condenadas nos Dez Mandamentos: “Não adulterarás” (Êx 20.14).
Um caso de infidelidade conjugal no Antigo Testamento bastante conhecido é o de Davi:
E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu? Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa. (2 Sm 11.3-4)
As consequências deste episódio foram trágicas, pois culminou na trama da morte do marido de Bate-Seba, Uriaz (2 Sm 11.14-17). Davi pagou um alto preço por isso (2 Sm 12.14-19). Apesar do grande erro cometido, ao assumir seu pecado e demonstrar sincero arrependimento, a graça e a misericórdia de Deus se manifestaram em forma de perdão absoluto (2 Sm 12.13), isentando Davi das consequências legais de sua inflação:
Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera. (Lv 20.10)
Em soberania e graça Deus concedeu o seu perdão a Davi. Quem pode contestá-lo? Quem é o legalista que confrontará o Senhor por ministrar em graça o seu perdão?

No Novo Testamento o tema infidelidade conjugal (adultério) é tratado por Jesus:
"Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela". (Mt 5.27-28)
O termo grego para “adultério” é moicheúseis, e para “cobiçar” epithumesai, que no contexto implica em ansiar, desejar possuir. Jesus foi para além da letra da Lei e dos comportamentos aparentes, enfatizando o “espírito” da Lei e as intenções do coração (homem interior). Conforme A. T. Robertson:
"Jesus situa o adultério nos olhos e no coração antes do ato externo". Wunsche (Beitrage) cita duas declarações rabínicas pertinentes ao tema traduzidas por Bruce: “Os olhos e o coração são dois corretores do pecado”. (Comentário Mateus & Marcos: à luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 73).

Dessa forma, mais uma vez os legalistas sofreram um duro golpe, pois com certeza, muitos dos que condenavam e apontavam os pecados alheios “concretizados” se viram incluídos no rol de adúlteros.

Outro episódio bastante conhecido no Novo Testamento é o da mulher pega em fragrante adultério:
"E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais". (Jo 8.3-11)
Mais uma vez a graça é manifesta em forma de atenção, compaixão, perdão e responsabilização. Sim, a graça perdoa, mas responsabiliza: “Vai-te em paz e não peques mais“.

INFIDELIDADE CONJUGAL E PERDÃO

A infidelidade conjugal (adultério) na vida do cristão geralmente é resultado de uma associação de fatores, dentre os quais: Acomodação com a vida espiritual (negligência na vida de oração e falta de vigilância), vida carnal, conflitos no casamento, etc.

A infidelidade promove na vida dos cônjuges e dos familiares dores, frustrações, angústias e tantos outros males (espirituais, sociais, morais e emocionais), podendo inclusive destruir o casamento e a harmonia familiar.

Diante de toda essa realidade é preciso deixar claro que a infidelidade conjugal se enquadra na categoria de pecado, e nesta condição é possível de ser perdoado. Essa possibilidade é geralmente negligenciada por cônjuges que aguardam a mínima (ou máxima) falha do outro, no sentido de ver nisso oportunidade e causa para o divórcio e novo casamento (em algumas situações a ideia já está maquinada em mentes perversas, pervertidas ou sem temor a Deus). Entre os textos que fundamentam a necessidade de perdoar os nossos ofensores destacamos:
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. (Mt 6.12)
Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. (Mt 18.15)

Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas. (Mt 18.33-35)

Temos uma grande dificuldade em aplicar os textos acima no contexto da infidelidade conjugal. Geralmente duas posições extremas são adotadas. A primeira é a legalista, que exige em todos os casos a exposição e a punição eclesiástica pública (mesmo em casos que não ganharam tal dimensão), o castigo severo, a exclusão arbitrária, a impossibilidade do perdão e da reconciliação conjugal. A segunda é extremamente liberal, e trata a infidelidade conjugal de maneira banal, como algo comum, inclusive podendo ser vivenciada e tolerada em nome de uma “graça” que não é a graça bíblica, racionalizando o fato, e usando a liberdade cristã para dar ocasião a carne, privando do Reino de Deus os que assim agem (Gl 5.13, 16-21). É preciso buscar o equilíbrio nos posicionamentos.

Não tenho dúvida alguma que a vontade do Pai celestial nos casos de infidelidade conjugal, onde o arrependimento da parte infiel é notório e verdadeiro, é a liberação do perdão. O próprio Deus foi vitimado pela infidelidade de Israel:
O relacionamento entre Deus e Israel é frequentemente comparado a um contrato matrimonial (e.g. Is 54.5; Jr 3.14; cf. Ef 5.22-32). “Desviando-se do Senhor”, a fim de adorar aos ídolos, Israel foi considerado por Deus como um caso de infidelidade ou prostituição espiritual. O casamento de Oséias deveria ser, portanto, uma lição prática para o infiel Reino do Norte. (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1273)

O perdão do Senhor para com a infidelidade de Israel é descrito da seguinte forma:
E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR. E acontecerá, naquele dia, que eu responderei, diz o SENHOR, eu responderei aos céus, e estes responderão à terra. E a terra responderá ao trigo, e ao mosto, e ao óleo; e estes responderão a Jezreel. E semeá-la-ei para mim na terra e compadecer-me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és meu povo! E ele dirá: Tu és o meu Deus! (Os 2.19-23)
Algumas palavras quero destacar no texto bíblico acima. São elas: benignidade, misericórdia e fidelidade. Israel sofreu por sua  infidelidade, mas o Senhor retribuiu a infidelidade de Israel com fidelidade, bondade e misericórdia.

Há muitos livros que tratam sobre o tema “perdão”, que mostram os benefícios do mesmo.
Lendo a biografia de Davi, escrita por Charles R. Swindoll, me deparei com a seguinte narrativa que exemplifica bem o que acabamos de colocar:
As palavras de perdão e graça ditas são maravilhosamente terapêuticas para o ofensor, não importa quão pequena ou quão grande seja a ofensa. Expressar nossos sentimentos remove toda a dúvida. Stuart Briscoe escreve:
Há alguns anos, uma mulher muito bem vestida me procurou no escritório, muito aflita. Ela havia aceitado o Senhor alguns dias antes, mas pedira para ver-me porque algo a perturbava. A mulher contou-me uma história desagradável de um caso que estava tendo com um dos amigos do marido. A seguir, ela insistiu que o marido tinha de saber e que eu devia contar-lhe! Essa foi uma experiência nova para mim!

Depois de alguma discussão com a mulher, telefonei para o marido. Quando chegou em meu escritório, contei-lhe o que tinha acontecido. A reação dele foi algo notável e belo de se ver. Voltando-se para a esposa em lágrimas e com medo, ele disse:- Amo você e a perdôo. Vamos começar de novo.

Muitas coisas tiveram de ser esclarecidas e muitas feridas curadas; mas a resposta dele mostrando perdão, por compreender o perdão de Deus, tornou-se a base de uma nova alegria e uma nova vida. (Davi: um homem segundo o coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1998, p. 317)

Por ser, na dimensão humana, o mais íntimo dos relacionamentos (Gn 2.24), o casamento é o que mais sofre com a infidelidade.

Na condição de pastor, já tratei de vários casos envolvendo a infidelidade conjugal, e sempre trabalhei no sentido da manutenção dos casamentos, incentivando o perdão e a restauração dos mesmos. Cada caso é um caso, e implica em uma série de considerações, de acompanhamento, e de muito diálogo, sempre tendo a Bíblia como fundamento no processo do aconselhamento pastoral, buscando acima de tudo a glória de Deus.

Resolvi enfatizar o perdão no presente subsídio, visto que na lição bíblica a abordagem sobre a infidelidade conjugal  concentra-se na questão descritiva e preventiva (questões muito pertinentes ao tema). O perdão é o melhor remédio para a restauração e a cura de casamentos vitimados pela infidelidade.

 CONSELHOS CONTRA A INFIDELIDADE

1. Fuja das tentações. Afirma o pr. Elinaldo Renovato: “O cristão, por mais que se considere santo, não está imune às tentações. Jesus em tudo foi tentado, mas não pecou (Hb 4:15). Se Jesus foi tentado, Davi foi tentado (e caiu vergonhosamente), Sansão foi tentado, Salomão foi tentado; José(filho de Jacó) foi tentado; o crente, nos dias presentes, não pode achar que está livre de cair em tentação”. Ante o perigo, façamos como José: fuja. Ele fugiu (Gn 39:12). José, por lealdade e fidelidade a seu Deus, bem como por lealdade a Potifar, continuou resistindo ao pecado. Ele triunfou sobre a tentação, porque de antemão já estava firmemente decidido a permanecer obediente ao seu Senhor e a de não pecar (Gn 39:9). O crente em Cristo Jesus vence a tentação da mesma maneira. O apóstolo Paulo, também, aconselhou Timóteo a fugir - “Foge também das paixões da mocidade…”(2Tm 2:22). 
Humanamente pensando, José nada teria a perder em aceitar a oferta da mulher de Potifá. Ele era um rapaz jovem vigoroso e essa mulher não devia ser feia. A tentação era realmente forte e, além do mais, Potifar lhe tinha absoluta confiança. No dia em que sofreu o ataque mais decidido da mulher de Potifar, não havia sequer uma testemunha que o pudesse incriminar. Entretanto, José não tinha a dimensão humana em vista, mas tão somente a dimensão divina - “E o Senhor estava com José“, frase que revelava a íntima comunhão que havia entre José e Deus. José não podia, de forma alguma, deixar de cumprir a Palavra de Deus, deixar de observar os princípios demonstrados pelo Deus de seu pai. A calúnia da mulher de Potifar manchou a reputação de José, mas não atingiu a sua integridade, o seu caráter. 
É assim que deve agir todo o crente que sofre a tentação. Como José, o cristão necessita constantemente da graça de Deus para manter-se puro e santo, não se iludindo com os efêmeros e falsos prazeres do pecado, pois o “Adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5:8). A Bíblia nos admoesta: “Sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 20:7; 1Pe 1:15,16). 

2. Honre o seu cônjuge. O homem, como esposo, tem o dever de honrar a esposa - “… far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele” (Gn 2:18), ou, como diz a Bíblia, na Linguagem de Hoje: “… vou fazer para ele alguém que o ajude, como se fosse a sua outra metade”. O que Deus fez foi uma “companheira” que deveria estar sempre junto ao homem. No entanto, há homens que têm vergonha de suas esposas. Nunca são vistos juntos. Às vezes, por causa das marcas do tempo em suas mulheres, quando perdem a graça da juventude, deixam de se interessar por suas esposas; isso é brecha para o Adversário penetrar no relacionamento conjugal. Crente salvo não pode esconder a esposa nem negar ser casado - isto é desonra para a esposa. Honrar a esposa, dando-lhe o apreço e o respeito necessário, é fator decisivo para uma vida conjugal ajustada e gratificante. Admoesta-nos o apóstolo Pedro: “… vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco …” (1Pedro 3:7). Quando esta verdade é entendida, e vivida, então o relacionamento doméstico fica mais fácil. Também há mulheres que, com o passar do tempo, deixam de se interessar e honrar seus maridos. A Bíblia, porém, recomenda à esposa a reverenciar o marido (Ef 5:33).

3. Cuide da parte sexual (1Co 7:3,5). Cuidar dessa parte do matrimônio é importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do marido e sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o Diabo procura prejudicar o relacionamento, a fim de destruir a família. O Inimigo tem trabalhado de modo constante para levar o marido ou a esposa a pecar nessa área. Muitos pastores tem caído na cilada do Inimigo, por isso seus ministérios foram à bancarrota por causa da infidelidade conjugal. Cuidado! “os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais macio do que o azeite, mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois fios. Os seus pés descem à morte; os seus passos firmam-se no inferno. Afasta dela o teu caminho e não te aproximes da porta da sua casa; para que não dê a outros a tua honra, nem os teus anos a cruéis. Bebe a água da tua cisterna e das correntes do teu poço. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Porque os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor, e ele aplana todas a suas carreiras” (Pv 5:3-5,8,9,15,18,21).

Boa aula.
Deus te dê sabedoria.
Grande abraço.
Viva vencendo!!!
Seu irmão menor.

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