14 maio 2013

Ministério Público do ES denuncia 19 membros da Igreja Maranata

Dezenove membros da Igreja Cristã Maranata, incluindo pastores, foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPES) pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha e duplicata simulada. Elas teriam praticado desvio de dízimo da igreja, envolvendo uma movimentação financeira de R$ 24,8 milhões, segundo o próprio MPES. De acordo com o Jornal A Gazeta, nove promotores integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) assinaram o pedido de abertura de ação penal pública contra os denunciados, que terão dez dias de prazo, a partir da citação judicial, para responder às acusações.

Pastores da Igreja Cristã Maranata são investigados pelo Ministério Público do Espírito Santo desde março de 2012, por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, falsidade ideológica e desvio de dinheiro público. Quatro pastores foram presos em março deste ano, apontados como agentes intelectuais que estariam interferindo no curso de investigações, ameaçando e intimidando testemunhas, e até membros do MPES e do Judiciário, mas foram soltos no fim do mesmo mês.

De acordo com a investigação, para esconder o desvio do dízimo, o esquema usava notas fiscais superfaturadas. Apenas em uma papelaria em Vila Velha, a igreja gastou quase R$ 1 milhão.

Conforme a denúncia, a igreja encomendava o serviço e pedia uma nota com valor bem acima do correto. Como por exemplo, para um serviço que custasse R$ 5 mil era registrada uma nota de R$ 8 mil. No acerto de contas, a empresa ficava com os R$ 5 mil e os integrantes da igreja envolvidos no esquema levavam os R$ 3 mil de sobra.

 

 Outro lado

O administrador judicial da Igreja Cristã Maranata, Júlio Cezar Costa, afirmou que "dentro dos princípios éticos e legais a que se submete, não existe na denúncia citação contra a instituição religiosa", e que por isso não tem motivo para se manifestar.

Costa ainda reiterou que a denúncia "é apenas o primeiro passo e não uma condenação". Afirmou também que, ao final, caberá ao Poder Judiciário dizer se a denúncia procede ou não.

Entre os denunciados está o o ex-presidente da instituição, Gedelti Gueiros. “No caso do pastor Gedelti não há provas disso e não há, absolutamente, nenhum ato ilícito que justifique a menção, quanto mais a denúncia dele”, disse o advogado Gustavo Varella.

Denunciados


Gedelti Victalino Teixeira Gueiros
Denunciado por estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita 

Antônio Angelo Pereira dos Santos
Estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita


Arlínio de Oliveira Rocha
Estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita


Mário Luiz de Moraes
Estelionato e formação de quadrilha


Wallace Rozetti
Estelionato e formação de quadrilha


Amadeu Loureiro Lopes
Estelionato e formação de quadrilha


Antonio Carlos Peixoto
Estelionato e formação de quadrilha


Antonio Carlos Rodrigues de Oliveira
Estelionato e formação de quadrilha


Jarbas Duarte Filho
Estelionato e formação de quadrilha


Leonardo Meirelles de Alvarenga
Estelionato e formação de quadrilha


Carlos Itamar Coelho Pimenta
Estelionato e formação de quadrilha


Sérgio Carlos de Souza
Estelionato e formação de quadrilha


José Eloy Scabelo
Duplicata simulada


Ricardo Alvim Madela de Andrade
Duplicata simulada


Daniel Amorim de Oliveira
Duplicata simulada


Daniel Luiz Peter
Duplicata simulada


Paulo Pinto Cardoso Sobrinho
Duplicata simulada


Welllington Neves da Silva
Duplicata simulada


Urquisa Braga Neto
Duplicata simulada



Entenda os termos:

Estelionato majorado
Art. 171: Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
Parágrafo 3º da mesma lei:
A pena aumenta-se de um terço se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.

Apropriação indébita
Art. 168: Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção.

Quadrilha ou bando
Art. 288: Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes.

Duplicata simulada
Art. 172: Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado.


Nenhum comentário:

Postar um comentário