08 maio 2013

Pastor Marcos Pereira é preso por estupro no Rio

Líder evangélico foi detido na Via Dutra no fim da noite. Agentes da DCOD cumpriram dois mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça do Rio. 

O LADO MAU - O pastor Marcos prega: segundo testemunhas, em seu reinado de trevas ele usa a religião para ganhar poder e dinheiro

O pastor evangélico Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, foi preso na noite desta terça-feira no Rio de Janeiro. Agentes da Delegacia Especial de Combate às Drogas (DCOD) detiveram o pastor às 22h15 na Rodovia Presidente Dutra. Contra Pereira havia dois mandados de prisão preventiva com base em acusações de estupro - como VEJA revelou em 2012. O pastor, que comanda igrejas no subúrbio do Rio e na Baixada Fluminense, foi levado para a sede da delegacia, no Andaraí, na Zona Norte.

Por meio de interlocutores e advogados, Marcos Pereira fez, pouco depois de ser preso, um chamado: solicitou que seguidores de sua corrente evangélica se dirigissem à sede da delegacia para protestar contra a prisão, que ele considera abusiva.

Contra o pastor, foram abertos recentemente seis investigações, referentes a seis casos de estupro. Os mandados de prisão preventiva que resultaram na detenção desta noite são referentes a dois desses casos. Os juízes que decretaram a prisão foram Richard Fairclough, da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, e Ana Helena Mota LIma, da 2ª Vara Criminal da mesma comarca.

As suspeitas sobre o pastor Marcos começaram a cerca de uma ano, quando a delegacia especializada abriu inquérito para investigar o religioso por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico de drogas e quatro homicídios.

Uma das denunciantes de estupro, ainda segundo o delegado, é a ex-mulher do pastor. Outra contou à polícia que foi abusada dos 14 aos 22 anos. Os mandados de prisão preventiva foram decretados pelos juízes Richard Fairclough, da 1ª Vara Criminal de São João de Meriti, e Ana Helena Mota LIma, da 2ª Vara Criminal da mesma comarca.

Entre as mortes em que o pastor Marcos Pereira é investigado está a de uma mulher que teria descoberto sessões de orgia que seriam promovidas por ele em um apartamento na Avenida Atlântica, na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio. O imóvel está em nome da igreja e avaliado em R$ 8 milhões. Segundo Márcio Mendonça, um irmão do pastor foi condenado por este crime.

Marcos Pereira está preso na sede da DCOD, no Andaraí, Zona Norte do Rio. Vários fiéis estiveram no local para prestar solidariedade ao pastor. Eles foram embora pouco antes de 1h. O religioso será transferido na manhã desta quarta-feira para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Segundo o delegado, ele não tem formação superior em Teologia e ficará preso em uma cela comum.

Influente na política e frequentemente visto na companhia de autoridades, Marcos Pereira ganhou notoriedade com seu poder de convencimento sobre criminosos presos, o que rendeu a ele uma imagem de “pacificador”. Marcos Pereira chegou a trabalhar em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae, que se dedica a recuperar jovens que tiveram envolvimento com o tráfico.

A parceria acabou a partir de uma troca de acusações entre Pereira e o líder do grupo, José Júnior. Em fevereiro de 2012, Júnior deu uma entrevista ao jornal carioca ‘Extra’ na qual acusava Pereira de ter ordenado ataques do tráfico em vários pontos do estado em 2006 – no episódio que deixou 20 pessoas mortas e ficou conhecido com “Rio de sangue”.

O pastor sempre negou as acusações e moveu ação contra José Júnior por calúnia. Júnior chamou, à época, o pastor e ex-aliado de “psicopata” e disse ter sido ameaçado por ele.

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