13 maio 2013


Sou brasileiro, e não brasilólatra

Porque o Brasil ainda é um país subdesenvolvido

Sou brasileiro, amo muito o meu país. E gostaria de poder dizer, de boca cheia, que todos os cidadãos brasileiros desfrutam dos cinco valores fundamentais propiciados pelo Estado: segurança, liberdade, ordem, justiça e bem-estar. Mas é preciso ter bom senso e reconhecer que o Brasil ainda está longe — muuuito longe — dos países desenvolvidos. E não posso me dar ao luxo de pensar que somos uma potência mundial. Aliás, nem no futebol o somos, na atualidade. 

Mesmo assim, vemos pessoas, especialmente nas redes sociais, agindo como autênticos brasilólatras. Elas enaltecem tanto o Brasil, a ponto de o idolatrarem e reagirem com hostilidade a qualquer opinião pela qual se confronte o nosso país com Estados desenvolvidos. Não admitem que, a despeito de todos os avanços nos últimos anos, sobretudo no âmbito econômico, o Brasil continua sendo um país subdesenvolvido.

Se alguém (brasileiro ou estrangeiro) critica a conduta do governo e diz que aqui a educação, a segurança e a ordem são inferiores às do Japão e de muitos países da Europa — e é evidente que são —, os adeptos da brasilolatria logo se arvoram contra o tal, chamando-o de inimigo da pátria. Se acontece algum crime chocante nos Estados Unidos ou na Inglaterra, eles afirmam: "Está vendo? Há violência em todo lugar. O Brasil é o melhor país do mundo. E aqui não há terremotos, furacões..."

O fato é que os nossos índices de violência são altíssimos; nosso sistema de educação é precaríssimo; nossas leis estão ultrapassadas; as cadeias, superlotadas (e mesmo assim a criminalidade não para crescer!), e a impunidade impera. É enorme a desigualdade social. E não existe civilidade; as pessoas não respeitam o próximo. Motoristas avançam sobre os pedestres, mesmo na faixa de pedestres (!), estacionam onde bem entendem (mas acionam o sinal de pisca-alerta), não obedecem a ninguém.

Vamos assistir a tudo isso impassíveis e bater palmas para esse estado de coisas negativas? Se na Alemanha e na França, de modo geral, há ordem e civilidade, por que não valorizar isso, elogiar e até imitar? Se em Portugal a saúde pública é melhor do que a nossa, por que não querer que aqui tenhamos algo parecido? Se os Estados Unidos, a Europa e o Japão são modelos em muitas áreas, por que se revoltar contra eles?

Aliás, Japão e Alemanha são bons exemplos do que estou falando. Arrasados ao fim da Segunda Guerra Mundial, começaram a se reerguer a partir de 1945 e hoje são duas grandes potências. Veja se eles abrem mão da cooperação internacional. Em vez de ficarem chorando por causa do leite derramado, como muitos políticos brasileiros fazem, procuram melhorar a cada dia a vida de seus cidadãos.

Finalmente, reconheço que muitas coisas melhoraram em nosso país, nos últimos dez anos — outras pioraram. Mas penso que, antes de sermos brasileiros, somos seres humanos. E, como tais, devemos amar e ajudar as pessoas, independentemente de sua nacionalidade. Em contrapartida, devemos, também, valorizar o que há de positivo em outros países. Afinal, em um mundo globalizado, a cooperação e a interdependência entre os países são fundamentais para o progresso e a sobrevivência de todos.

Ciro Sanches Zibordi

Nenhum comentário:

Postar um comentário