06 junho 2013

Lição 10 - 09/06/13 - "A NECESSIDADE E A URGÊNCIA DO CULTO DOMESTICO"

TEXTO ÁUREO = “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv 22.6).

VERDADE PRÁTICA = O culto doméstico, além de desenvolver na criança o princípio da adoração a Deus, sedimenta em nossos filhos os verdadeiros valores morais.
 
LEITURA BIBLICA  = SALMOS 78.1-8
INTRODUÇÃO
Através de Moisés, o Senhor intima os israelitas a repassar aos seus filhos, com toda a diligência, os princípios da Palavra de Deus (Dt 6.7). Isto significa que os mais importantes conceitos da vida são formados na intimidade do lar e reforçados no culto doméstico.
O culto doméstico significa literalmente o culto da família. E, portanto, urna oportunidade da família, reunida, manter a comunhão constante com Deus, através da leitura da Sua Palavra, da oração e dos cânticos de louvor
 
 PAIS CONSCIENTES DO SEU DEVER
1. Adão. Quando os filhos de Adão ofereceram ao Senhor as primícias do seu trabalho (Gn 4.3,4), demonstraram haver recebido de seus pais conceitos sólidos sobre Deus e seu relacionamento com o homem. Isto significa que Adão e Eva faziam o culto doméstico com os seus filhos; doutra forma: como poderiam eles saber acerca do culto ao verdadeiro Deus?

2. Noé. Por ocasião do encontro de Deus com Noé, ordenou-lhe o Senhor: “Entrarás na arca, tu e os teus filhos, e a tua mulher, e as mulheres de teus filhos contigo” (Gn 6.18). Conclui-se, pois, que se Noé não houvesse ensinado os seus filhos a obedecerem a Deus, eles não teriam entrado na arca com o pai.

3. Abraão. O próprio Deus dá este testemunho de Abraão: “Pois eu o escolhi para que ele ordene a seus filhos ... para que guardem o caminho do Senhor; deste modo o Senhor realizará para Abraão o que lhe prometeu” (Gn 18.19 – A Bíblia de Jerusalém).

Esta passagem assinala a responsabilidade que Deus confia ao sacerdote do lar. Temos por dever ensinar aos filhos os preceitos da vida espiritual e ter a percepção da vontade divina para a vida de cada membro da família, a fim de que Deus encontre lugar neles para os seus propósitos.

4. Os pais de Moisés. As atitudes de Moisés (Hb 11.24-27) denotam a diligência dos seus pais na transmissão do conhecimento de Deus no âmbito doméstico.
Moisés passou muito mais tempo sob a influência da cultura egípcia, no palácio de Faraó, do que com os seus pais. Todavia, o curto período em que estivera na casa paterna foi suficiente para que a sua fé em Deus fosse devidamente estruturada. Este exemplo é apropriado para a vida moderna. Hoje as crianças permanecem mais com os de fora do que com os pais. Por isto todo o tempo de convívio com a família deve ser sabiamente administrado pelos pais para imprimir e reforçar os valores espirituais indispensáveis à vida de seus filhos.

5. Eunice e Lóide. O ministério de Timóteo tinha como base o conhecimento adquirido em três fontes: os rabinos que o instruíram na sinagoga; os mestres cristãos, entre eles, Paulo; e, principalmente, sua família — sua mãe e sua avó. Em 2 Timóteo 3.15, Paulo faz-nos entender que o conhecimento secular torna o homem culto, ao passo que o conhecimento e a prática (Mt 7.24) das Sagradas Letras faz o homem sábio. Eunice é lembrada como a mãe piedosa e dedicada à instrução espiritual de seu filho. Ë o modelo para todas as mães cristãs.
 PAIS NEGLIGENTES
1. A negligência de Ló. A maneira como Ló comportava-se diante de sua família, assentado passivamente à porta da iníqua e pecaminosa Sodoma (Gn 19.1), contribuiu de forma substancial para que suas filhas chegassem à decadência moral a que chegaram (Gn 19.31-38).
Apesar de suas virtudes, ele não foi diligente na formação espiritual e moral de suas filhas permitindo-lhes conviver numa sociedade como a sodomita, que lhes deformaria o caráter e os padrões morais. Esta falta de firmeza teve como conseqüência a desestrutura da família e a geração de uma descendência ímpia.

2. O povo de Israel. Em Juízes 2.10, vemos a negligência de todo um povo quanto à ordenança divina de repassar os conhecimentos de Deus aos filhos. Tudo aquilo aconteceu porque se levantou uma geração que não conhecia ao Senhor. Se os pais estivessem comprometidos com a recomendação de Moisés (Dt 6.7), aproveitando todos os momentos em família para transmitir os valores espirituais aos seus filhos, aquela tragédia teria sido evitada.

Se hoje existem filhos de crentes que não reconhecem o poder e a soberania do Senhor, isto se deve à negligência dos pais em relação às Escrituras Sagradas. Deus exige que os pais cuidem da formação espiritual de seus filhos. Se não atentarmos para este dever, traremos desastrosos resultados à sua vida. Se quisermos uma igreja fiel e consciente de seus deveres, devemos cuidar que nossos filhos sejam fiéis ao Senhor e à sua Palavra. E isto deve ser feito através do exemplo e do diálogo.
a)      A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO = Dt 11.13-23
A importância do culto doméstico evidencia-se no fato de que as Escrituras nos ensinam o dever de adorarmos a Deus (Sl 95.1-6; Ap 14.7).

1. É uma prioridade (vv. 13.22). O desconhecimento dos preceitos de Deus pode ocasionar a desobediência. A diligência em ensinar os preceitos de Deus aos filhos contribui para a obediência que cada filho, em particular, deve ao Senhor.

2. É um fator de segurança e prosperidade. Ao insistir pela obediência aos seus preceitos, Deus ensinava a Israel como tornar-se forte e capaz de dominar as forças inimigas que o cercavam. Era o meio seguro para o sucesso e a prosperidade. (v. 18).
Os versículos anteriores enfocam duas importantes advertências feitas a Israel: a primeira diz que a obediência aos preceitos divinos traria força e tranqüilidade ao povo; e a segunda, que o pecado encurtaria os seus dias na terra e impediria a sua prosperidade, quer como indivíduos, quer como povo (vv. 16,17).

3. É uma escola diária e permanente. Esta é a feliz concepção de muitas famílias. Moisés expõe três importantes regras para quem quiser prosperar e vencer na longa jornada da vida:

a. Coração cheio da Palavra de Deus. “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma”. Este é também o meio bíblico, recomendado ao crente, para preservar-se do pecado. Leia SI 119.11.

b. Olhos fixos na Palavra de Deus. “Atai-as por sinal na vossa mão”. Este era o único meio para tê-la sempre presente, como guia no caminho da justiça. Só assim seria possível ao israelita meditar na Palavra de Deus.

e. A Palavra na boca para ser proclamada. (v.. 19-ARA). A Palavra de Deus ensina que devemos aproveitar as nossas oportunidades “remindo o tempo” (Cl 4.5).
b) A IMPORTÃNCIA DO CULTO DOMESTICO
De que maneira conseguiremos formar devidamente nossos filhos? Através do culto doméstico. Somente assim haveremos de fortalecer os laços de afeição, amizade e comunhão entre os membros de nossa família. Quando isto acontece, a própria igreja é fortalecida, pois a sua base é formada por famílias.
Se este padrão for seguido, cada geração será melhor e mais forte espiritualmente do que a anterior. Muitos reclamam da frieza espiritual da igreja moderna, mas será que eles formaram filhos “fervorosos” na fé? Será 
que os cultos familiares são aquecidos com a presença do Espírito? (2 Tm 3.14).

Paulo mostra que a vida de Timóteo achava-se alicerçada naquilo que havia aprendido. Por conseguinte, a superficialidade de alguns rebanhos deve-se a um ensino deficiente que não pode ser atribuído necessariamente àquilo que se aprende ou deixa de se aprender na igreja, mas sim no lar. O culto doméstico é a essência da formação cristã em família.
OS PRIVILÉGIOS DO CULTO DOMÉSTICO
Os crentes realizam o culto doméstico com o propósito de obter comunhão com Deus. Consideram- no um motivo de prazer, um privilégio e não uma obrigação enfadonha.

1. Bênçãos diárias. Jesus ao ensinar os discípulos a orar, disse: “O Pão nosso de cada dia nos dá hoje” (Mt 6.11). Ninguém questiona sobre a necessidade que todos têm da alimentação diária para o sustento físico. Do mesmo modo, o culto doméstico deve ser considerado necessário, e, muito mais, ainda, por tratar-se do privilégio da família, reunida, participar da cotidiana “refeição espiritual’.

2. União no lar. Qualquer reunião da família, de algum modo, pode ser um fator de união entre os seus membros. O encontro familiar na presença de Deus, é essencial para esta união. (1 Co 12.12,13).

3. Comunhão com Deus. É óbvio, é lógico, é bíblico que todos os membros da família, os que crêem em Deus e na Sua palavra, participem do culto doméstico, pois eles recebem de Deus as bênçãos materiais indispensáveis à sobrevivência, tais como o alimento e o oxigênio que respiram, bem como todas as outras provisões para a vida e a saúde (At 14.17; Mt 5.45). Além disso, todos têm a esperança da vida eterna, que receberam de graça, mediante a fé em Cristo Jesus (Ef 2.8-10); e, portanto, devem gratidão a Deus pelos benefícios recebidos dEle para esta vida, e, também, para a eterna. (Sl 103.2).

4. A escolha do horário do culto. Cabe à família, por certo, marcar a hora para o culto doméstico, mas, até nisto, a Bíblia oferece uma boa sugestão. “Ensinai-as a vossos filhos.., deitando-te e levantando- te” (v.19). Vemos, então, que o culto pode ser realizado pela manhã ou a noite. Em nossa casa o fazemos na hora do café da manhã, e, também, à noite, antes de deitarmos, em condições de envolver o maior número possível doe filhos neste encontro com Deus e a Sua Palavra. Todavia, qualquer que seja o horário escolhido Imprescindível haver pontualidade, regularidade e devoção na celebração do culto, a fim de não transformado num costume. 
CARACTERISTICAS DO CULTO DOMÉSTICO
1. Seus inegáveis benefícios.

a. E fator de harmonia. Torna o ambiente familiar mais agradável, contribuindo, assim, para estreitar a comunhão entre os membros da família e evitar as desavenças e a desunião no lar. (Sl 133; Rm 14.18,19).

b. E meio divino de fortalecimento espiritual. Começar o dia com um encontro com Deus fortalece os membros da família, para enfrentar com otimismo e segurança os problemas e as tentações durante dia (Hb 13.5,6).

c. Produz consciência da presença Deus no lar. E meio eficaz de recordar os oráculos de Deus e tornar viva a sua presença, como amigo e protetor ilimitado (Sl 73.16, 17).

d. Aviva a convicção de que Deus se interessa por nós. Dá, aos membros da família, a convicção de que Deus é o companheiro constante no lar, interessado em tudo o que fazemos e falamos (Rm 8.28).

e. Revela agradecimento a Deus. E apropriado expressão de reconhecimento e gratidão a Deus pelas suas misericórdias, através das provisões diárias (Sl 103.1-5). -

f. Traz beneficio à mente. E um meio eficiente para suprir a meditação do dia e proporcionar as bem aventuranças do Salmo 1 (Fp 4.8,9).
FINALIDADE DO CULTO DOMÉSTICO
1. O lar como parte da Igreja. Já é conhecido o conceito de que é em casa que demonstramos quanto de cristianismo possuímos.
Jesus disse: “porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). Estas palavras nos ensinam duas coisas: que o culto doméstico, em que toda a família se reúne para ler a Palavra de Deus e orar, é oportuno porque todos podem desfrutar da presença de Deus; e que o reconhecimento dessa presença requer de todos um comportamento santo no lar.

2. Uma fé robusta nos membros da família. Como todos os demais dons, a fé é passível de desenvolvimento. Pode aumentar e crescer (2 Co 10.15; 2 Ts 1.3). A fé, que é o canal das bênçãos de Deus, não progride e não cresce automaticamente e, sim, pela prática dos exercícios que compõem o culto doméstico — leitura da Palavra de Deus (Rm 10.17) e a oração (Jd 20).

3. Recursos para perseverar na doutrina. A vida espiritual deve ser compartilhada, especialmente, com os membros da família (At 16.34).
Não é regra, mas é justo esperar que os pais tenham experiência espiritual, conhecimento da Palavra de Deus e convicção das verdades eternas. Só assim serão capazes de ajudar os filhos e despertar neles interesse pela doutrina. Antes de perseverar na doutrina é necessário aprendê-la e conhecer a sua importância para a salvação.

4. Renovação espiritual no seio da família. Tudo no mundo é passível de desgastar-se e envelhecer, e a vida espiritual também está sujeita a sofrer estas coisas. Mas o plano de Deus é que o nosso homem interior se renove de dia em dia (2 Co 4.16).
E vontade de Deus, e é conveniente a nós, que todo o nosso ser, dia a dia, seja renovado “no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10).

5. Despertamento no seio da família (Gn 35.1-5). Só a eternidade poderá revelar a importância dos lares onde pais zelosos se empenham pelo despertamento da família e pela obediência desta à Pala- via de Deus.

6. Um altar no lar. O altar é símbolo de adoração e sacrifício, e aparece na Bíblia desde Gênesis ao Apocalipse (Gn 8.20; Ap 16.7). O altar está relacionado com o progresso espiritual e com as grandes vitórias alcançadas pelo povo de Deus. Leia Gn 22.1-17; 1 Rs 18.30-40. A adoração a Deus deve ser contínua, isto é, uma prática diária ininterrupta, como meio da família manter a comunhão com Deus.

CONCLUSÃO
A falta de tempo para se refletir na Palavra de Deus, em família, é uma ameaça contra a estabilidade espiritual dos filhos e dos cônjuges. Levemos em conta que os dias atuais são mui difíceis, em virtude de seus perversos ensinos tentarem neutralizar os valores bíblicos e espirituais que devem nortear a casa e a igreja.

O mundo impõe um padrão de conduta que nada tem a ver com o do cristão. Ë no lar que a criança deve adquirir convicções que a tornem capaz de resistir aos valores deturpados do mundo. Portanto, muito cuidado! Se o culto doméstico e o ensino sistemático da Palavra forem negligenciados pelos pais, a família estará fadada ao fracasso, às vezes, irreversível.

Por falta do altar de adoração a Deus, através da leitura da Bíblia, do louvor e de oração no culto doméstico, muitas famílias estão empobrecidas na vida espiritual, e outras tantas têm fracassado totalmente.
 
 
Subsídio para o Professor 

INTRODUÇÃO
No lar, devemos ter, em primeiro lugar, a presença de Deus, que deve ser uma constante desde o momento em que um homem e uma mulher passam a ter intenção de formar uma família. Deus deve sempre ocupar o primeiro lugar em todas as ações de nossa vida (Mt 22:37,38). A família cristã precisa ter em mente que há um plano diabólico para destruir suas bases e levá-la à queda espiritual e moral. Não há outra forma de fazer face a esse ataque mortal, se não for através da busca da presença de Deus no lar.
O grande segredo da manutenção da esperança do povo de Israel em Deus, apesar da rejeição de Jesus Cristo, está na vida devocional familiar que foi estabelecida desde os primórdios da história daquele povo, e é na manutenção de uma vida devocional familiar, que os cristãos poderão resistir aos ataques do adversário e constituir uma igreja vitoriosa que será arrebatada ao término desta dispensação. A vida devocional familiar é denominada, comumente, de “culto doméstico” e é a mola mestra de toda a prática que conduz a família a uma vida de santidade, de direção do Espírito Santo, e que se constitui no segredo para a vitória da família sobre o mal e, consequentemente, de toda a igreja do Senhor. O culto doméstico propicia os momentos diários para o fortalecimento do lar, por meio da oração, da leitura da Bíblia - “a espada do Espírito” -, e do louvor a Deus, no meio do qual Ele se faz presente.

I. O CULTO DOMÉSTICO
“Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca; Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do SENHOR, assim como a sua força e as maravilhas que fez; Para que a geração vindoura a soubesse, os filhos que nascessem, os quais se levantassem e a contassem a seus filhos”(Sl 78:1,4,6).

1. O que é  o Culto Doméstico? É um período específico na agenda da família cristã quando todos os membros da família reúnem-se para, juntos, terem um momento de intimidade conjunta com Deus. É um tempo de devoção familiar. É um excelente caminho se queremos fazer da nossa família uma extensão da igreja, ou vice-versa. Esta prática no lar é o cimento armado, o alicerce seguro que não pode ser olvidado, se de fato queremos uma casa edificada solidamente.
Infelizmente, precisamos reconhecer, que a estrutura da família moderna se transformou radicalmente nestes últimos anos; a vida é extremamente agitada; corremos para o trabalho, para a escola, faculdade e tantos outros compromissos seculares e eclesiásticos que têm contribuído para o afastamento dos membros da família entre si. Em alguns casos a situação tem se agravado, de tal maneira que o lar não passa de um hotel, onde os membros se encontram apenas para comer e dormir, ou um posto de gasolina, onde só vão para abastecer, ou ainda, um campo de batalha, onde só se encontram para brigar. Precisamos nos esforçar para reestruturar nosso tempo, nossos compromissos e nossos horários para podermos, ao menos uma vez por semana, termos nosso tempo para a leitura da Bíblia com a família, a oração com os filhos e por eles.
O ideal de Deus para a família cristã é que, junta, ela cultue ao Senhor todos os dias. Em alguns lares tem-se tornado uma prática quase impossível devido aos horários que não se harmonizam. Outros o conseguem e as experiências são ricas. Outros há que fazem do culto doméstico uma obrigação diária e se não o fizerem o castigo de Deus pode descer sobre a família. Uma atitude assim, por parte dos pais, pode acarretar dois graves prejuízos: Primeiro, o culto se torna um fardo para todos, quando deve ser uma hora alegre e descontraída; Segundo, isto passa para os filhos a imagem de um Deus punitivo, castigador e não um Deus de amor. Além disso, os feitos de uma participação forçada podem gerar no coração dos filhos um desejo de libertação que geralmente ocorre quando se tornam adolescentes. E daí se originam conflitos nas famílias.

2. A restauração da instrução doméstica. A respeito do ensino divino a ser ministrado no lar, o Senhor ordena: “E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimidarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 6:6,7).
Estão os nossos lares realmente calçados nas Escrituras Sagradas num mundo tão turbulento como este em que vivemos? Tem sido a Bíblia vivida dentro do Lar? “Não é pela Palavra lida, nem pela Palavra falada, mas pela Palavra vivida que a Palavra da Vida nos foi revelada”. Este é um pensamento que retrata a necessidade humana de ter um lar onde a Bíblia seja vivida diariamente.
Há, também, o problema que filhos enfrentam quando os pais são fiéis e piedosos leitores da Bíblia (leem dez, vinte vezes), mas mantêm um relacionamento péssimo entre e com os filhos. A Bíblia só é lida e não é vivida. Quando os filhos são pequenos é gostoso sentar-se com eles para ler as histórias bíblicas, orar, fazer exercícios bíblicos, etc. Mas, só contar as histórias não é suficiente. A confiança de Davi, a ousadia dos profetas, a coragem de Moisés com o povo, a dependência de Deus de Jó  e outros mais, são atitudes que os filhos querem ver em nossa vida. As crianças até os sete anos, cuja fase, segundo os psicólogos, é de formação de caráter, estão lendo a nossa vida e o tipo de relacionamento que temos com Deus. Que Bíblia temos apresentado aos nossos filhos nessa faixa etária?


II. O CULTO NO LAR
Segundo o Dr. Caramuru Afonso Francisco, “Lar” é uma palavra latina cujo significado primeiro é o de um local, nas antigas residências romanas, em que se procedia à adoração dos antepassados familiares. Segundo ele, o historiador francês Foustel de Coulanges em seu livro “A Cidade Antiga”, nos ensina que havia um compartimento nas casas romanas onde somente poderiam entrar os membros da família, onde eram cultuados os antepassados familiares, os chamados “deuses lares”. Normalmente, havia um altar em honra a estas divindades e um fogo que nunca se apagava, onde se realizava tal adoração. Vê-se, portanto, que a ideia do “lar” está vinculada a ideia de uma ligação espiritual entre os membros de uma mesma família, ou seja, o “lar” é a própria unidade espiritual dos integrantes de uma família.
O “lar”, portanto, é o ambiente afetivo, emocional e espiritual que deve existir entre os integrantes de uma família. O que faz gerar uma família é, precisamente, a existência deste clima de fraternidade, de amor e de afeto.


O plano divino para a família é que cada família seja um “lar“, ou seja, um grupo de pessoas que estejam unidas, que tenham supridas suas necessidades existenciais, emocionais, afetivas, psicológicas, como também lhes sejam dadas as condições mínimas para que possam sobreviver até que possam se sustentar materialmente, bem como viver, por si sós, em sociedade, tudo isto sem deixar de considerar que a família deve ser um altar, não a falsas divindades, como faziam os pagãos romanos, mas, sobretudo, um altar onde Deus possa ser adorado e louvado, como vemos, por exemplo, ocorrer na família do patriarca Josué (Js 24:14,15).
1. Quem na família deve ser o responsável pelo culto no Lar? Em primeiro lugar, tal responsabilidade pesa sobre o pai (Ef 6:4; Dt 6:6-7). Quando tal não é possível, então esta missão fica com a mãe (2Tm 1:5). E se nenhum destes dois não puderem, tal ministério passa a ser dos filhos (Lc 8:39).
2. Exemplos a serem seguidos. Um dos mais conhecidos pregadores da história da Inglaterra foi o Rev. Richard Baxter. Quando ainda jovem, foi chamado a pastorear uma grande igreja, de membros ricos e instruídos, porém frios e carnais. Ficou desanimado e cheio de desapontamentos com o que havia encontrado ali. Experimentou vários meios para despertar a igreja dormente. O jovem pregador dizia: “O único meio de levantar a igreja e circunvizinhança é restabelecer o culto doméstico! Levantar  o altar familiar nos lares!”. Durante três anos consecutivos, visitava os lares no intuito de estabelecer o culto doméstico como prática comum aos membros de sua igreja. Após muito trabalho, finalmente conseguiu. O ambiente de adoração e comunhão nos lares foi a base do movimento que encheu sua igreja não só numericamente, mas também com muito poder e, provocou o surgimento de um glorioso ministério em sua vida. Richard Baxter provou que para a igreja, o altar familiar  nos lares dos membros, é indispensável.
Na família de Wesley havia 19 filhos, mas nenhum se achava demasiadamente ocupado para não participar do culto doméstico. Diariamente gozavam de inúmeras bênçãos e mais de cem pessoas, entre vizinhos e amigos, se congregavam nos cômodos humildes da casa dos Wesley para se ajoelharem perante o Trono de Deus. Eram horas perdidas? Não! Isto formou o alicerce do reavivamento mundial que acompanhou o ministério de John Wesley . O Culto Doméstico abençoa a pessoa, o lar, a igreja e o mundo!
3. Quais são os elementos do Culto no Lar?  - “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2:42). Este versículo nos dá a fórmula para um relacionamento correto com Deus tanto no lar como entre os lares. Veja que os cristãos primitivos continuavam na doutrina dos apóstolos (seguindo as Escrituras) na comunhão (entre as famílias) no partir do pão (comunhão com Deus) e nas orações (dependência de Deus).
a)    Leitura e ensino da Bíblia. A leitura da Bíblia deve ser elemento insubstituível no Culto Doméstico. A mesma deve contribuir com o enriquecimento da família inteira. Os pais devem explicar as passagens que os filhos não entendem. Histórias bíblicas, dramatizações, literaturas evangélicas, são ajudas para variar, mas nunca para tomar o lugar da Bíblia.
b)    Oração. Através da Oração o filho fala com o Pai. A oração é, para a vida espiritual, o mesmo que a respiração é para vida física. Deve ser uma parte natural na vida do lar cristão. A oração no culto doméstico pode ser variada. A família pode orar em uníssono. Também o pai ou a mãe pode dirigir uma oração, cada membro da família pode fazer uma oração de apenas uma frase, ou até pode haver oração silenciosa. Seja qual for a maneira, a oração deve ser específica.
c)     Louvor. Hinos e corinhos são muito eficazes para se cantar em atitude de adoração, no culto doméstico. As crianças aprendem muito acerca de Deus cantando corinhos.


4. Características de um bom Culto Doméstico:
a)    Regularidade. O tempo não é tão importante, mas a regularidade é importante e necessária. Há famílias que gostam de ter as suas devoções familiares no período da manhã, antes que os membros saiam para os deveres do dia. Há outras famílias que preferem tê-los à noitinha, depois do jantar. O importante é achar o tempo apropriado para a sua família e persistir no costume fielmente, dia após dia.
b)    Seja Breve.  Há pessoas que acham que para que o culto doméstico seja abençoado, tem que ser prolongado. Cultos de oração com duração de uma hora podem ser edificante para os adultos, mas, em havendo crianças participantes dos mesmos, estes deverão ser encurtados. O tempo gasto no culto doméstico é determinado pela idade dos membros da família e sua situação particular.
c)     Variedade. Monotonia pode matar o interesse e causar desagrado. A seguir, damos uma ideia para o Culto Domestico:
1.     Enriqueça o culto com cânticos que sejam escolhidos pela família. Alguém que toque algum instrumento pode acompanhar os hinos.
2.     Promova uma participação maior dos presentes, sem constrangê-los.
3.     Após a leitura da Bíblia, aplique a mensagem no dia a dia dos presentes, fazendo esta pergunta: Como mudaria minha vida se eu realmente vivesse o que está dizendo este versículo? Na prática do culto, as Escrituras Sagradas é o mais importante. A discussão e os comentários são muito significativos quando são analisadas algumas passagens objetivando esmiúça-las e digeri-las.
4.     Em algumas ocasiões deve-se memorizar algumas partes da Bíblia.
5.     Leia histórias bíblicas narrativas.
6.     Procure textos que falem de pais, mães, jovens, crianças, e velhos. Depois leia na presença deles, homenageando-os.
7.     Leiam juntos um capítulo da Bíblia.
8.     Leia em voz alta, partes dos livros de Jó, Salmos, etc.
9.     Prepare, com cada membro da família, uma lista de gratidão a Deus.
10.  Faça a leitura diária recomendada nas Lições Bíblicas da Escola Dominical da sua Igreja. Se possível procure comentário numa Bíblia de Estudo.


III. A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO
O culto doméstico é um elemento importante, mas não é o único elemento da adoração familiar a Deus. A adoração a Deus envolve todos os nossos gestos, todas as nossas atitudes no lar. Tudo o que fizermos, tudo o que falarmos, tudo o que pensarmos em nossa família deve refletir uma vida transformada por Cristo Jesus. Tudo deverá ser feito para a glória do nome do Senhor e isto será uma adoração a Deus, pois adorar é servir e estamos servindo a Deus durante todo o tempo e não apenas quando nos dedicamos, durante algum tempo, a louvar e a bendizer o nome do Senhor.

1.     Para os Pais. O culto doméstico ajuda a criar mais harmonia entre os cônjuges quando eles têm os mesmos propósitos, isto é, ter uma família consagrada a Deus. Através da oração em conjunto e a leitura da Bíblia, eles recebem coragem, conforto, esperança para uma vida em harmonia com Deus e com os outros.
2.     Para os Filhos. O culto doméstico produz esperança em Deus desde os primeiros anos de vida dos filhos do crente em Jesus. Eles são salvos de uma vida de vadiagem entre as massas de jovens desocupados, deprimidos e flutuantes sobre o mar da vida, que mais tarde irão chorar “vaidade de vaidade, tudo é vaidade”(Ec 12:8).

3.     Para a união do Lar. O culto doméstico é um fator que unifica a família inteira. Josué incluira sua família quando fez a sua declaração de fé com o propósito de fazer a vontade de Deus: “Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais….. porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.”. Há  famílias que estão se desinteressando por causa da falta de um líder e porta-voz. Cornélio, chamou seus parentes e amigos (At 10:24); e o carcereiro de Filipos ouviu, creu e regozijou-se, ele e a sua casa (At 16:27-34).

IV. O CULTO DOMÉSTICO NÃO PODE SUBSTITUIR O CULTO CONGREGACIONAL

Diríamos que, numa situação de normalidade, não pode existir a figura do “crente, em casa“, embora seja frequente encontrar alguém dizendo: “agora eu sou crente, em casa“. Sempre que alguém age desta forma, certamente, do ponto de vista espiritual, está doente.
Quando uma Família, pequena, ou numerosa, se afasta de sua Congregação e passa a dirigir seu próprio culto, em casa, não é uma situação normal. Esse culto, com cheiro de rebeldia, não se encaixa nos padrões do chamado Culto Doméstico.
A Palavra de Deus diz: “Não deixando a nossa congregação como é costume de alguns, antes admoestamos uns aos outros…”, ou como diz a Bíblia, na Linguagem de Hoje: “…animemos uns aos outros” (Hb 10:25).
Paulo afirma que “assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros”(Rm 12:5). Um membro separado dos demais membros, tende a morrer.
O apóstolo João afirma que “se alguém diz: eu amo a Deus, e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (1João 4:20). Assim, por analogia, nós dizemos: “Se alguém diz que tem comunhão com Deus, mas não pode congregar com os irmãos, é mentiroso”. A verdadeira comunhão com Deus exige que se tenha comunhão com todos os seus filhos.
Para um crente salvo, em comunhão com Deus, a “sua igreja”, ou congregação, está para ele como o Templo e a Cidade de Jerusalém estavam para os judeus. Mesmo no cativeiro, em Babilônia, os judeus diziam: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir Jerusalém à minha maior alegria” (Salmo 137:5-6). Sendo este o sentimento, o amor do judeu para com o Templo e para com a cidade de Jerusalém, alguma coisa tem que estar errado quando um crente afasta-se de sua Igreja, e de sua Congregação e passa a congregar-se, isoladamente, realizando “cultos” em sua própria casa e para sua família. Esses “cultos” não possuem as características do Culto Doméstico, biblicamente falando.
Por outro lado, há também os que se afastam de suas congregações para serem crentes, em casa, “cultuando” a Deus através dos programas evangélicos, ou cultos, transmitidos pela televisão.
Até mesmo a “Santa Ceia” é tomada em casa. Também os cultos virtuais não podem substituir os cultos congregacionais. O Salmista Davi afirmou: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união”(Salmo 133:1). Portanto, aquele que se declara que “agora sou crente em casa”, com certeza, espiritualmente, está doente. Creia nisto!


CONCLUSÃO
Por tudo que falamos nesta Aula, seria assaz redundante dizer que o Culto Doméstico é importante para a família e, por conseguinte, para a igreja. No entanto, o que temos verificado é que esta prática tem cada vez mais escasseado nos lares ditos evangélicos; é uma ação que tem se tornado cada vez mais rara, para prejuízo de todos, a começar dos integrantes da família e espalhando-se para a igreja e para a sociedade como um todo. O tempo já pequeno de comunicação entre pais e filhos tem sido ocupado com tudo, menos com um momento de adoração a Deus, onde a família possa compartilhar seus momentos de alegria e de angústia. É imperioso, indispensável que a família tenha estes instantes de adoração coletiva a Deus, que haja uma troca de experiências entre os membros da família, bem como que todos possam se ajudar em oração e aprenderem a Palavra de Deus.
Quando os cônjuges compreendem o dever do Culto Doméstico, podem ser fortalecidos na fé e preparados para enfrentarem as dificuldades que sempre surgem, através de um encontro diário com Deus. Os filhos podem ficar tão envolvidos por este santo costume que quando passarem um dia sem o culto doméstico, sentirão como se o dia estivesse incompleto.



Bibliografia:
Biblia de Estudo Pentecostal
Biblia Jerusalém
Lições Biblicas - 1987
A importância do Culto Doméstico - Dr. Caramuru Afonso Francisco - PortalEBD

Aproveite o domingo: evangelize, faça uma visita a um hospital, procure aquele irmão que você não vê a muito tempo na congregação.
Não deixe o domingo ser seu. Que ele seja de fato do Senhor.
Abraços.
Viva vencendo!!!
Seu irmão menor.




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