10 julho 2013




Manila é um dos lugares mais populosos da Terra. E, assustadoramente, há mais de 2 mil pessoas que moram no mesmo lugar que os mortos, no Cemitério de Navotas. A vida segue...
Viver de dia e de noite entre os mortos é uma questão de sobrevivência para as famílias filipinas, que vivem amontoados em barracos construídos sobre os túmulos de Navotas, uma das áreas de Manila atoladas na pobreza. Centenas de pessoas residem neste lugar reservado aos mortos, pela falta de recursos para encontrar um beco no imenso labirinto populoso que rodeia a capital.
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Virginia, viúva de 51 anos, mora há três décadas sobre uma linha de nichos de cinco metros de altura construída com tábuas de madeira, lonas, caixas de papelão e vários tipos de peças.
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De cima, é possível ver esta cidade sombria, onde as ruas estão cercadas por fileiras de túmulos e lixo cobrindo quase todos os cantos. O cheiro é nauseante, mas os habitantes parecem já estarem acostumados…
Quando cheguei nesta ‘habitação’ era pior. Tinha mais lixo e o mar chegava até aqui! Nos instalamos porque a proximidade com o oceano nos permitia ganhar mais dinheiro.” – disse uma lavadeira originária de Samar, ao leste do país.

A área habitada do cemitério e próxima ao mar, é considerada como a água mais poluída do mundo. No entanto, proporciona sustento para milhares de pessoas que trabalham nas proximidades do porto de pesca e apanham mariscos ou outro tipo de animal marinho que consegue sobreviver neste ambiente.
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Arnold, da cidade turística de Puerto Galera – sul de Manila, mudou-se para Navotas para ganhar dinheiro e sustentar seus três filhos. “É muito sujo! Me abasteço financeiramente e dentro de algumas semanas volto pra casa.”, diz o coletor de mexilhões de 22 anos.
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Em um país onde a religião católica é onipresente e a população convive com muitas superstições pagãs, o fato de compartir a moradia com cadáveres não parece incomodar os habitantes deste bairro. Aqui, a necessidade de sobrevivência grita mais assustadoramente que fantasmas.
CartaCapital

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