11 julho 2013


Lição 02 - 14/07/13 "ESPERANÇA EM MEIO À ADVERSIDADE"


TEXTO AUREO =  “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filp                 1 .21).

VERDADE PRÁTICA = Nenhuma adversidade poderá reter, a graça e à poder do Evangelho.

LEITURA BIBLICA = FILIPENSES 1: 12-21

INTRODUÇÃO

Todas as ocasiões em que Deus derramou do Seu Espírito, a igreja experimentou uma profunda paixão por Deus e pelas almas perdidas; o avivamento sempre deságua em evangelização; sempre se transforma em uma cachoeira demissões transculturais. No avivamento, a igreja entende que a tarefa da evangelização é uma tarefa sua e não de anjos.Quando o Espírito Santo é derramado, a visão de Deus passa a ser a visão da igreja e o mundo passa a ser a sua paróquia; no avivamento, os que são alcançados e trazidos aos celeiros, logo são enviados e levados aos campos.

O VALOR DA ADVERSIDADE, 1.12-18

Paulo expressou seu louvor a Deus pela participação dos crentes filipenses no progresso do evangelho, e fez uma petição por eles. Agora ele procura dissolver as inquietações que sentiam relativas a ele, obviamente em resposta às investigações que fizeram. E quero, irmãos, que saibais (12). Eles desejam saber as perspectivas do apóstolo (12), a possibilidade de visitá-los (25), o estado de saúde de Epafrodito (2.26) e quando ele pode lhes enviar ajuda (4.10ss.). Eles sofreram com ele por causa do evangelho numa participação comum na adversidade (1.7,28,30), e estão ansiosos em ter informações de suas condições pessoais e da situação do evangelho em Roma. Ele os assegura que Deus está tirando o bem do mal, está glorificando a si mesmo e está revertendo os acontecimentos a favor dos servos que o amam.

1. O Progresso do Evangelho (1.12,13)

As coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho (12). O compromisso de Paulo é tão completo, que ele não consegue dizer como ele está sem dizer como está o evangelho. Lucas nos conta algo da situação que Paulo vivia. O apóstolo era constantemente vigiado, mas tinha permissão para morar em casa alugada, receber visitas e lhes anunciar as boas novas do Reino de Deus (At 28.16,30,31). Seu aprisionamento não restringiu o evangelho; pelo contrário, maior (mailon) se tornou a ocasião para o seu avanço.

O uso do termo grego mailon dá a entender que os crentes filipenses esperavam notícias ruins. Na opinião de certos expositores, o termo evidencia mudança nas circunstâncias de Paulo, particularmente quando analisado à luz da referência à sua “defesa” (apologia, ).
A sugestão é que Paulo tivesse sido transferido de sua residência provisória (At 28.30) para a prisão, onde os indivíduos sob julgamento ficavam presos. Por essa razão, os filipenses esperariam que esta custódia mais rígida significasse mais sofrimentos.

Mas o apóstolo acaba com a suposição. A palavra grega prokopen (proveito; “progresso”, BJ, NTLH, NVI, RA; “avanço”, AEC), que também ocorre no versículo 25, era usada para descrever sapadores que abriam fossos, trincheiras e galerias subterrâneas em preparação à chegada de um exército ou outro grupo bélico. E derivada do verbo prokoptein, que significa “cortar árvores e vegetação rasteira”. Em vez de impedir o “progresso” do evangelho, a prisão de Paulo serviu para tirar obstáculos e aumentar a propagação das boas novas (cf. 1 Tm 4.15). Este é o desejo supremo de Paulo, pouco importando o que lhe aconteça pessoalmente.

De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana (13). Melhor tradução: “As minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas” (AEC, RA). Em Cristo quer dizer “por causa de Cristo” (NVI). O termo grego praitorio é interpretado de quatro modos importantes: a) A guarda pretoriana, significando os soldados; b) o palácio do imperador; c) os quartéis da guarda pretoriana; d) as autoridades judiciais ou as pessoas que ouvem os casos dos prisioneiros. A última opção, caso aceita, se ajustaria com a referência à “defesa” no versículo 7, sendo possibilidade aceitável.  Lightfoot demonstrou imparcial e categoricamente que praitorio não pode ser aplicado ao palácio, nem aos quartéis os soldados ou ao acampamento pretoriano. Refere-se a um grupo de homens, uma guarda ou companhia de soldados. Embora não excluamos a interpretação que diz se tratar de autoridades judiciais, a idéia de uma companhia de soldados afigura-se melhor. Augusto tinha dez mil desses homens. Esta interpretação se harmoniza com a declaração lucana de Paulo ter morado durante certo tempo em casa alugada.

Em Efésios 6.20, carta escrita na mesma prisão pouco antes de Filipenses, Paulo fala de ser “embaixador em cadeias” (halusei; cf. At 28.20). A alusão é à corrente que prendia guarda e prisioneiro. A cada mudança de guarda Paulo tinha nova oportunidade de testemunhar de Cristo. Na prisão de dois anos grande número de guardas teria ouvido o evangelho de Paulo. Ele havia testemunhado na prisão filipense (At 16.25-32); e agora ainda testemunhava (4.22). Além deste testemunho pessoal, é possível que Paulo já tivesse defendido oficialmente a si mesmo e ao evangelho (7).

“A palavra de Deus não está presa” (2 Tm 2.9), de forma que ele pode dizer que o evangelho é apresentado por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares (13). A tradução todos os demais lugares é obviamente inexata. Leitura melhor é: “todos os demais” (AEC, NVI, RA; cf. CH, NTLH).

Esta frase confirma a dedução de que Paulo não se refere a um palácio, mas a um grupo de pessoas; provavelmente aos que o visitavam e a outros a quem subseqüentemente contaria a Palavra do Senhor. Sua prisão proporcionou nova oportunidade para testemunhar de Cristo.

2. O Incentivo dos Romanos (1.14)

E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor (14). Muitos (pleionas) dos irmãos indica que alguns não se abalaram com o fato de Paulo estar preso. A expressão no Senhor é mais bem compreendida se não for considerada junto com irmãos, mas com tomando ânimo. Esta tradução é mais precisa: “Os irmãos, em sua maioria, motivados no Senhor pela minha prisão” (NVI; cf. BAB, BJ, CH, NTLH, RA). Muitos dos irmãos romanos ficaram “mais [extraordinariamente] ousados para” (BAB) falar a palavra.

Os melhores manuscritos têm “palavra de Deus” (CII, RA) ou “Palavra do Senhor”. O verbo grego latem (falar) denota o fato de falar e não o conteúdo do discurso.6 Ou seja, a tendência ao silêncio foi de fato vencida. Não que eles não estivessem falando, mas que ganharam nova e maior ousadia para proclamar a Palavra de Deus sem medo. A vitória sobre o medo não se baseava na probabilidade da libertação de Paulo, pois esta de maneira nenhuma era certa. Os fatores determinantes dessa vitória foram o espírito triunfante de Paulo e seu sucesso evidente em testemunhar. Foi sua coragem que deu novo alento aos crentes romanos tímidos que, possivelmente por perseguição, tinham desanimado.

3. A Proclamação de Cristo (1.15-18)

Entre os que ficaram mais corajosos em declarar a Palavra do Senhor, há alguns que pregam a Cristo por inveja e porfia (15). Eles pregam por espírito de erin, porfia, “rivalidade” (NVI), “divisão” (OH) ou “partidarismo”. Seu objetivo, diferente do apóstolo, não é exaltar primariamente a Cristo, mas promover interesses próprios. Paulo diz que eles anunciam a Cristo por contenção (eritheias, 17); melhor, “por facção”, “por discórdia” (RA). Originalmente, a palavra significava trabalhar por pagamento. Com a passagem do tempo, veio a descrever a pessoa de acentuadas ambições profissionais, alguém que se exalta ou se promove para cargo público. Estes são auto promotores e interesseiros.7 Não puramente (17) é tradução literal (ou “não castamente”). Eles não falam toda a verdade, mas só a que serve para seus propósitos. Seus motivos são misturados, corrompidos com egoísmo (cf. Tg 3.14). Na verdade, estes não estão pregando no sentido exato do termo. E por isso que Paulo usa o verbo grego katangellousin (“anunciar”), palavra diferente da normalmente usada para referir-se à pregação. Eles estão tornando conhecido os fatos do evangelho, talvez a vida, morte e ressurreição de Jesus, mas o fazem por ciúme ou outros motivos indignos. São ortodoxos, mas não têm coração.

Julgando acrescentar aflição às minhas prisões (17). Eles acham que estão, literalmente, “levantando atrito” para Paulo. Esforçam-se em tornar a prisão do apóstolo uma experiência irritante, possivelmente suscitando inimigos contra ele, dessa forma pondo sua vida em maior perigo, ou no mínimo aborrecendo-o em espírito. Talvez, estes indivíduos sejam os insinceros mencionados em 2.21, que “buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo” (NVI; cf. BJ; cf. tb. Mt 23.15). Não são judaizantes, pois em outras cartas Paulo declara que eles arruínam o evangelho; não é o que ele diz aqui.

E possível que Romanos 14 seja um texto descritivo desses indivíduos.  Certos expositores sugerem que são os antigos mestres da igreja, que estão com inveja da ampla popularidade de Paulo.9 Se isto for verdade, comprova que é característica da natureza humana sentir ciúme de colegas de profissão: médicos têm ciúmes de médicos, ministros de ministros, etc. Em todo caso, as ações dessas pessoas aqui se originam de algo pessoal contra Paulo. presumem que a pregação que fazem tornará a prisão de Paulo insuportável.

Mas há outros que pregam por espírito de amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho (16). Estes, a despeito de equívocos pessoais, pregam (15, kerussousin, “proclamam”, BJ, RA) pelos mais sublimes motivos do amor (agapes), e não por ambição partidária e facciosa (cf. 1 Co 13). O objetivo dessas pessoas é o mesmo de Paulo, que foi posto (16, keimai, “incumbido”, RA), como soldado colocado de sentinela pelo capitão, para defesa (apologian) do evangelho. Aqui, o termo evangelho significa todos os seus testemunhos e a propagação de Cristo. Pelo que deduzimos, não se refere primariamente à defesa de Paulo em seu julgamento pessoal; seja como for, estas — a defesa pessoal e a defesa do evangelho — estão igualadas na mente do apóstolo.

Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade (18). Contanto que (plen hoti) também pode ser traduzido por “uma vez que” (RA). Esta é, na verdade, a única maneira que Paulo encara a questão (cf. 1 Co 1.17). Esses que pregam por fingimento (prophasei, lit., “pretexto”, AEC, BAB, RA) são os que falam não puramente (17). O propósito em que pregam, embora não o conteúdo da mensagem, é diferente do de Paulo. Não é a mensagem que anunciam, mas o espírito em que anunciam que é falho. Paulo, como no versículo 17, usa o verbo kataggelletai , ou seja, pelo menos Cristo é “anunciado”, se não genuinamente “proclamado”. Pelo visto, Paulo vence todo o aborrecimento pessoal acerca da situação, e expressa em linguagem um tanto quanto abrupta um ato decisivo da vontade: Nisto me regozijo e me regozijarei ainda (18).

Ele não vai permitir que querelas particulares esfriem o seu amor pelo evangelho e seu progresso. A paixão que monopoliza o todo de sua vida é o “progresso do evangelho” (ver comentários no v. 11).

Por conseguinte, ele enfatiza o bem que está sendo feito — Cristo está sendo anunciado — e não os motivos ruins dos partidários (4.8). A atenção aos princípios básicos o poupa da amargura de alma. A verdade do evangelho capturou o seu amor; por essa razão ele suportará qualquer golpe que vier sobre ele, em vez de permitir que sirva de impedimento ao evangelho.

Nos versículos 12 a 20, Alexander Maclaren descobriu o tema “O Triunfo do Prisioneiro”: 1) O propósito monopolizador que submete todas as circunstâncias a seu serviço, 12; 2) O contágio do entusiasmo, 13,14; 3) A ampla tolerância do entusiasmo, 15-19; 4) O confronto calmo da vida e da morte, pois ambos engrandecem a Cristo, 20,21.

O TRIUNFO SOBRE A ADVERSIDADE, 1.19-26

1. A Base do Triunfo (1.19).

Porque sei que disto me resultará salvação (19), ou melhor, “minha libertação” (CII, NVI; cf. NTLH, RA). Parece ser citação de Jó 13.16 na Septuaginta.

Paulo está, ao que parece, se comparando com Jó. O texto de Filipenses 2.12-15 é muito parecido com as determinações finais de Moisés aos israelitas (cf. Dt 3lss.), semelhança que também indica comparação com Moisés. Se tal especulação for justificável, então Paulo está se fortalecendo no Senhor (cf. 1 Sm 30.6), analisando a sorte semelhante dos santos de quem ele leu nas Escrituras veterotestamentárias. Com isso, ele identifica a utilidade da adversidade.

A palavra disto (touto) refere-se ao anúncio de Cristo, do qual Paulo acabara de falar no versículo 18, ou ao conjunto total de suas circunstâncias? Provavelmente ambas as opções estão corretas. Isto resultará (lit.; ou “redundará”, BJ, RA) em sua salvação, O termo grego soterian (salvação) significa mais que a “libertação” da prisão ou a morte, pois para ele pessoalmente pouco lhe importava viver ou morrer (20). Os profetas e salmistas do Antigo Testamento usavam soteria para referir-se à vitória do vencedor de uma competição.

Paulo evidentemente se imagina em batalha, lutando não “contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades” (Ef 6.12), contra os quais a peleja final será a vitória (cf. 1.27-30). Além disso, sua prisão lhe aperfeiçoará o caráter para a glória de Cristo. Ele tem certeza de “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28), e que seus esforços nesta situação serão suas testemunhas no dia do julgamento.


Pela vossa oração quer dizer, literalmente, “pela vossa súplica” (AEC, BAB, RA; ver comentários no v. 4). A participação que Paulo e os crentes filipenses têm em comum o deixa inteiramente ciente da necessidade das orações dos seus companheiros cristãos.
E pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo significa, literalmente, “provisão abundante” (epichoregias; cf. RA; cf. tb. “que vos dá”, Gl 3.5). A palavra é derivada de chorus, que descreve as pessoas usadas como plano de fundo nas tragédias gregas. O estado escolhia uma pessoa que supria as despesas do chorus, custeando as despesas de treinamento e sustento. Apalavra também era usada para descrever a beneficência de cidadãos ricos que, dando um banquete, forneciam comida e entretenimento para a noite.

Assim, as experiências de Paulo resultarão em sua salvação pelos “recursos do Espírito” (CII), que “fornecerá tudo que for necessário”. O Espírito não só suprirá inicialmente a graça, mas continuará distribuindo graça suficiente à medida que surgirem as necessidades. A expressão Espírito de Jesus ocorre somente aqui no Novo Testamento. Expressões semelhantes deixam claro que a alusão é ao Espírito Santo (At 5.9; 16.7; Rm 8.9; 1 Co 12.4; 2 Co 3.17; Gl 4.6). Pouca diferença faz se o Espírito é a provisão ou se ele traz a provisão. Lightfoot está provavelmente certo quando diz: “O ‘Espírito de Jesus’ é o doador e o dom”.

O que está claro é que a base do triunfo é pela oração dos crentes filipenses e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo. Ambos são necessários. No original, só há uma preposição (dia, “por”) unindo a oração e o socorro. A medida que a oração sobe, o socorro (“provisão”, RA) do Espírito desce. As orações dos crentes filipenses e a graça de Deus são como “dois baldes em um poço; enquanto um sobe, o outro desce”.

2. A Esperança do Triunfo (1.20-24)

Segundo a minha intensa expectação e esperança 20. O termo grego apokaradokian (expectação) indica o afastamento total de tudo para fixar-se no objeto do seu desejo. E, literalmente, “estender a cabeça” para ver algo ao longe; obviamente, no caso de Paulo era o Dia de Cristo. De que em nada serei confundido (20) é mais bem traduzido por “de que em nada me envergonho” (ASV). Paulo não se envergonhava do evangelho antes de ir para Roma (Rm 1.14-16), e é sua firme esperança de que agora não lhe faltará confiança (“coragem”, AEC, CII, NTLH; “ousadia”, BJ, RA; “determinação”, NVI); literalmente, “franqueza no falar” (cf. At 14.13). Ele deseja que Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte (20). Cristo é o sujeito desta oração, que foi colocada na voz passiva. Meyer sugere que o passivo foi usado, porque o apóstolo percebe que ele é o órgão da operação de Deus. Portanto, Paulo não está dizendo: “Eu engrandecerei a Cristo”, mas: Cristo será... engrandecido. O seu corpo será o “teatro no qual a glória de Cristo é representada” (cf. Rm 12.1; 6.13).

O viver é Cristo (21) é tradução literal, pois viver é o sujeito da frase. Lightfoot traduz assim: “Para mim a vida é Cristo”. Outra opção tradutória é: “Vivendo, eu viverei Cristo”.” As palavras para mim não querem dizer “em minha opinião”.

O sentido é mais enfático, sendo equivalente a: “O compromisso de minha vida é com Cristo”. Cristo é o objetivo da vida natural de Paulo. Ele é o começo e o fim. Levando em conta a referência ao corpo (20), fica claro que Paulo está falando da totalidade de sua vida fisica e prática de serviço (cf. Rm 6.16). O que torna esta vida significativa e frutífera é Cristo.

Semelhante vida não é possibilidade humana. E obra divina. Por conseguinte, a referência pressupõe a vida profunda e interior de Deus na alma. Paulo declara: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20).
Paulo se rendeu completamente a Cristo, que vive nele e por ele (cf. 2 Co 4.10,16; 5.15,17; Cl 3.3). Ele é “constrangido” por uma nova força — o amor (2 Co 5.14). Para ele, a vida é vivida ao máximo só em Cristo, pois “a vida eterna é esta:” Conhecer “a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Ele está dizendo: “A presença de Cristo é a alegria de minha vida, o espírito de Cristo a vida de minha vida, o amor de Cristo o poder de minha vida, a vontade de Cristo a lei de minha vida; e a glória de Cristo o fim de minha vida”.

O morrer é ganho (21) Literalmente, “ter morrido”, quer dizer, morrer seria vantajoso. O tempo verbal em grego não indica que a morte em si é ganho, mas aponta o estado depois da morte. O termo grego kerdos (ganho) era usado para descrever juros em dinheiro. Portanto, morrer é trocar o capital e os juros e ter mais de Cristo do que viver.  

O conceito paulino de ganho está em nítido contraste com o motivo vulgar de vantagem material que caracterizava os comerciantes de Filipos; e não nos esqueçamos de que foi esse mesmo motivo que inicialmente suscitou hostilidade à pregação do evangelho naquela cidade (At 16.19). J. W. C. Wand traduz da seguinte forma: “Para mim a vida significa realmente Cristo, e a morte traria mais vantagem”. Hamlet, no famoso monólogo “Ser ou Não Ser”, discute se “é melhor viver e sofrer as setas da boa sorte ou morrer e arriscar a sorte de sonhos acusadores”.

Nenhuma perspectiva é agradável. Shakespeare “julga que a vida e a morte são males, e não sabe qual delas é a menos maléfica; Paulo julga que ambas são bênçãos, e não sabe qual delas preferir”. Por 30 anos o apóstolo tem vivido, não para si, para coisas materiais ou para promoção pessoal, mas para Cristo. Ele está preparado para morrer, porque está preparado para viver. O viver direito assegura o morrer direito. “Ser tudo para Cristo enquanto eu vivo [é] descobrir, por fim, que ele é tudo para mim quando eu morrer”.

Poderíamos traduzir o versículo assim: “Para mim, vivendo e morrendo, Cristo é o ganho”. Maclaren faz um comentário esplêndido sobre esta passagem: “Para o escravo, não faz diferença se ele está lá fora, no frio e na chuva, ‘arando a terra e cuidando do gado’, ou se ele está servindo seu senhor à mesa. E serviço do mesmo jeito. Apenas é mais quente e mais leve em casa do que no campo. Trata-se de promoção ser feito escravo portas a dentro”.

Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher (22). A gramática rudimentar indica o dilema do apóstolo. Mas o significado é claro: “Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher” (RA). Cristo é o fruto do trabalho de Paulo (Rm 1.13; 1 Co 3.6). Grotius entende que fruto da minha obra é expressão idiomática que significa “que vale a pena”. Então, teríamos: “Se o viver na carne me vale a pena..  A tradução de Wand ajuda a esclarecer o significado: “Visto que a existência física me dá a oportunidade de trabalho frutífero, já não sei qual preferir”.26 Viver, de acordo com a tradução de Barth, “significa estar fazendo colheita”.27 Certos expositores afirmam que o termo grego gnorizo (sei) significa “declarar”. Neste caso, a idéia é: “Se é melhor para a igreja que eu viva, então não declararei minha escolha pessoal”.

Mas de ambos os lados estou em aperto (23). Estou em aperto é, literalmente, “estou apertado” (cf. N’VI). O termo grego synechomai descreve o viajante numa passagem estreita, cercado pelos lados, podendo ir só para a frente. Moffatt traduz assim:
“Estou num dilema” (cf. BJ). Tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor (23). Literalmente, tendo o desejo (BAB), dando a idéia de que não é apenas mais um entre muitos desejos. O verbo grego analusai (partir) é metáfora extraída do ato de soltar estacas e cordas de tendas para levantar acampamento (cf. 2 Co 5.1; 2 Tm 4.6). Tendo em vista que sua profissão era fabricante de tendas, esta metáfora fornece modo apropriado de Paulo descrever sua partida desta vida. O verbo também descrevia a ação de erguer âncoras e fazer-se à vela.

Adam Clarke sugere que era metáfora tirada do comandante de um navio, em porto estrangeiro, que desejava fazer-se à vela rumo a seu país, mas que ainda pão tinha ordens do proprietário. Barclay destaca que a palavra também é usada para referir-se à solução de problemas. O estado depois da morte dará soluções aos enigmas profundos da vida (1 Co 13.12). Partir e estar com Cristo são ações simultâneas. Quer dizer, ao morrer, a pessoa entra imediatamente na presença do Senhor. Para o cristão, estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (Jo 14.3; 2 Co 5.8).

Para descrever a experiência de estar com Cristo, Paulo usa termos superlativos, os quais são parcialmente obscurecidos pelas traduções: Ainda muito melhor (RC), “muito melhor” (AEC, BJ, NVI), “bem melhor” (NTLH), “incomparavelmente melhor” (RA) e “a melhor coisa para mim” (CH).

Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne (24). Este é o outro lado do dilema de Paulo. Por um lado, ele deseja estar com Cristo; por outro, ele reconhece seu dever com a igreja. Entre estas alternativas ele mantém um “equilíbrio santo”. A vontade de Deus deve ser feita, mesmo que signifique subordinar o seu desejo ao seu dever para com os outros. Epimenein te (ficar “em”) é, literalmente, “permanecer por” e não “em” a carne. Significa “resistir por”, “não ceder por”, como o soldado que se recusa a deixar o posto (cf. 17).

Ninguém vive para si. Paulo tem de pensar no bem-estar dos amigos de Filipos. Ele está pronto a renunciar as beatitudes eternas pelo serviço terreno. Não seria esta a “mente de Cristo” que ele tanto deseja para os crentes filipenses (2.5-8) e que caracteriza a vida do apóstolo (Rm 9.3; 1 Co 10.33)? Não há melhor quadro que este para descrever o modo em que o cristão entende a relação deste mundo com o outro mundo, acerca de recompensas e serviços. O desejo de Paulo não é a morte, mas Cristo. A morte é apenas a entrada numa relação mais plena com ele. Em nenhum sentido, Paulo a considera fuga das responsabilidades desta existência temporal.

A acusação de que o cristão é tão ligado ao outro mundo que se interessa apenas pelos assuntos da outra vida é uma caricatura fundamentada em engano da fé cristã. O bem dos outros sempre tem de vir primeiro, à frente de todo desejo pessoal. Por conseguinte, Paulo está pronto a continuar seu serviço para que os crentes filipenses fiquem “mais fortalecidos, como os filhotes de pássaros precisam da mãe até que as penas cresçam”.

3. O Resultado do Triunfo (1.25,26)

E, tendo esta confiança, sei que ficarei e permanecerei com todos vós (25). O começo deste versículo deve ser lido com o versículo 24. Quer dizer, Paulo está confiante de que viver é vantajoso para os crentes filipenses; ele expressa uma convicção pessoal (2.24) e não uma profecia. Ele declara sua opinião firme de que Deus permitirá o que for melhor. Literalmente, ele está dizendo: “Permanecerei” (meno) com todos vós e “permanecerei pronto para ajudar” (parameno) todos vós. Para proveito vosso e gozo da fé é mais bem traduzido por “para o vosso progresso { prokopen; ver comentários no v. 12] e gozo na fé” (AEC; cf. NVI).
Para que a vossa glória aumente por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós (26) é, literalmente, “para que o vosso motivo de orgulho abunde em Cristo Jesus em mim pela minha presença de novo convosco”.

O termo grego kauchaomai (glória) pode ser usado em sentido falso e em sentido legítimo (cf. Rm 15.17; Ef 2.9).  A glória (kauchema) dos crentes filipenses tem de estar em Cristo, embora o objeto dessa glória se baseie em Paulo. Parousia (ida) é a palavra usada no grego secular para descrever a entrada cerimoniosa de um rei ou governador em uma cidade, com todas as manifestações de alegria pertinentes ao evento. Paulo está convicto de que se lhe for permitido rever os crentes filipenses, a participação mútua entre eles os levará a lhe dar um acolhimento de rei.

Os versículos 12 a 26 narram “A Santa Confiança”, que se baseia em: 1) Na providência amorosa de Deus revelada nos acontecimentos passados, 12-18; 2) Na presença ininterrupta de Cristo em cada momento, 21; 3) Na habilidade de Deus configurar a morte ou a vida, no futuro, para o cumprimento dos seus propósitos, 19-26.

Subsídio para o Professor

INTRODUÇÃO

É possível ter esperança em meio à adversidade? Aquele que tem fé em Cristo, sim; sejam quais forem as circunstâncias! A esperança de Paulo na adversidade está latente quando ele comunica aos seus irmãos: “As coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12). Aqui, quem fala não é uma pessoa que se acampa em um escritório opulento e distante do sofrimento alheio, mas um ser humano que redige uma mensagem de esperança em um lugar contrário a qualquer esperança: a prisão. O apóstolo Paulo estava preso em Roma, sob algemas, com esperança de ser absolvido em seu julgamento por meio das orações da igreja (Fp 1:19; Fm 22). Paulo era um homem que nutria a sua alma de esperança (Fp 2:24). Ele se considerava prisioneiro de Cristo, e não de César. Não eram os homens maus que estavam no controle da sua vida, mas a providência divina.

I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

1. Paulo na prisão. Quando Paulo foi preso em Jerusalém, ao testemunhar ousadamente perante o sinédrio judaico, o próprio Deus apareceu a ele numa visão e lhe disse: “… Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma” (At 23:11). Contudo, sua viagem para Roma foi tumultuada e cheia de percalços.

Paulo chegou a Roma como um prisioneiro depois de enfrentar um terrível naufrágio. Durante dois anos, ficou detido numa prisão domiciliar em Roma (At 28:30), na companhia de um soldado da guarda pretoriana, que o guardava (At 28:16; Fp 1:13). Nessa prisão domiciliar, numa casa alugada por ele mesmo, tinha liberdade para receber as pessoas e instruí-las (At 28:23). Nesse tempo, pregou o reino de Deus com toda a intrepidez, e sem nenhum impedimento ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo (At 28:31).
Paulo jamais se considerou prisioneiro do imperador romano, mas prisioneiro de Cristo. Jamais murmurou atribuindo a Satanás suas algemas. Embora Satanás tenha intentado contra ele, nunca Paulo o considerou como o agente de seus sofrimentos. Quem estava no comando de sua agenda não era o inimigo, mas Deus. Paulo não acreditava em casualidade nem em determinismo. Ele sabia que a mão da Providência o guiava até mesmo na prisão. Ele foi perseguido, odiado, caluniado, açoitado, enclausurado, mas jamais viu os seus adversários como agentes autônomos nessa empreitada. Ele sempre olhou para os acontecimentos na perspectiva da soberania e do propósito de Deus. Considerava-se embaixador em cadeias. Estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.
Paulo considerava o evangelho mais importante que o evangelista; a obra, mais importante que o obreiro. A divulgação do evangelho é mais importante que o mensageiro. Por isso, na prisão Paulo foca sua atenção na proclamação do evangelho, e não em si mesmo. Não importa se o obreiro vive ou morre, desde que o evangelho seja anunciado (Fp 1:20). (1)

2. Uma porta se abre através da adversidade. As cadeias de Paulo abriram portas para o evangelho. Deus é o Senhor da obra e também dos obreiros. Ele abre portas para a pregação e usa os acontecimentos que atingem os obreiros como instrumentos para ampliar os horizontes da evangelização. Porque Paulo estava preso, ele pôde alcançar grupos que jamais alcançaria em liberdade. Os homens podem prender você, mas não o evangelho. Paulo não é um malfeitor social, nem um preso político, mas um embaixador de Cristo em cadeias. Sua prisão é uma tribuna. Suas algemas são megafones de Deus.

A quem Paulo alcançou por causa de sua prisão em Roma?

a) A guarda pretoriana (Fp 1:13). A guarda pretoriana era a guarda de elite situada no palácio do imperador. Era composta de 8 a 10 mil soldados romanos. Dia e noite, durante dois anos, Paulo era preso a um soldado dessa guarda por uma algema. Visto que cada soldado cumpria um turno de seis horas, a prisão de Paulo abriu caminho para a pregação do evangelho no regimento mais seleto do exército romano, a guarda imperial. Paulo, no mínimo, podia pregar para quatro homens todos os dias. Toda a guarda pretoriana sabia a razão pela qual Paulo estava preso, e muitos desses soldados foram alcançados pelo evangelho (Fp 4:22). Assim, as cadeias de Paulo removeram as barreiras e deram a ele a oportunidade de evangelizar os mais altos escalões do exército romano.
b) Todos os demais membros do palácio (Fp 1:13). Além dos soldados, Paulo também evangelizou as demais pessoas que viviam no pretório. Por causa de sua prisão, Paulo esteve em contato com outro grupo de pessoas: os oficiais do tribunal do imperador César. O apóstolo encontrava-se em Roma como prisioneiro do Estado, e seu caso era importante. Além das pessoas que viviam no pretório, Paulo recebia na prisão domiciliar muitas pessoas, e a todas elas ele influenciou e a muitas delas ganhou para Jesus por meio do evangelho (At 28:23-31). Como foi dito acima, Paulo estava preso, mas a Palavra de Deus estava livre.

II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (Fp 1:12,13)

1. O poder do Evangelho. De modo objetivo, Paulo quer que os irmãos saibam que as coisas que lhe aconteceram, a saber, seu julgamento e a sentença de prisão, contribuíram para o progresso do evangelho, em vez de ser um impedimento, como era de esperar. Essa é mais uma ilustração maravilhosa de como Deus sabe desfazer os planos malignos de demônios e homens, obter vitória onde parecia haver apenas tragédia e conquistar uma coroa, em vez de ficar com as cinzas.

Jamais seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos convicção de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1:16). Se o evangelho é poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloquentes oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas demonstração do poder de Deus (1Co 2:4-6).


2. A preocupação dos filipenses com Paulo. ”E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho” (Fp 1:12). Este versículo indicia que os filipenses estavam preocupados com o bem-estar de Paulo. Eles não entendiam que aquela prisão era para a glória de Deus. Eles conjecturavam que sua prisão tivesse retardado a propagação do evangelho. Paulo, porém, via os acontecimentos como um plano sábio de Deus para o cumprimento de um propósito glorioso, ou seja, o progresso do evangelho. Paulo havia estado na primeira prisão em Roma por dois anos. Paulo pode até ter questionado a razão que o Senhor Deus tinha para um período de aprisionamento tão longo, porque este fato efetivamente o impediu de realizar mais viagens e pregações. Mas Paulo veio a entender, e queria que os filipenses soubessem sem dúvida alguma, que as coisas que aconteceram tinham na verdade, contribuído para o maior progresso do evangelho. Foi durante esta primeira prisão que o Espirito Santo, por instrumentalidade do apóstolo, nos presenteou as Epístolas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom. Cartas que tem abençoado e edificado espiritualmente inumeráveis pessoas ao longo da peregrinação da Igreja.
A perseguição jamais obstruiu o evangelho nem impediu o crescimento da Igreja. A Igreja sempre cresceu mais em tempos de perseguição do que em tempos de bonança. Quem semeia com lágrimas, com alegria recolhe os feixes. A igreja primitiva avançou com mais força na era dos mártires do que nos tempos áureos da sua riqueza. Os maiores avivamentos da Igreja aconteceram em tempos de dor e perseguição. O avivamento coreano aconteceu nos anos mais dolorosos de perseguição e martírio. A igreja chinesa cresceu explosivamente nos anos mais dramáticos da perseguição de Mao Tsé-Tung. A prisão de Paulo abriu espaço para a evangelização em Roma.

3. Paulo rejeita a autopiedade. Paulo não se concentrava no seu sofrimento com autopiedade. Ele estava preso, algemado, impedido de viajar, de visitar as igrejas e de abrir novos campos. Porém, ao escrever à igreja de Filipos, não enfatiza os seus sofrimentos, mas o progresso do evangelho. A Palavra é mais importante que o obreiro. O vaso é de barro, mas o conteúdo do vaso é precioso. O que importa não é o bem-estar do obreiro, mas o avanço do evangelho. Paulo sabia “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8:28).

III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (Fp 1:14-18)

14 - e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.
15- Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente;
16 - uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho;
17 - mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.
18 - Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda.
Duas motivações predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apostolo Paulo atuava. São elas:

1. A motivação positiva. “e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor“.

O fato de Paulo estar em prisão levou a maioria dos crentes de Roma a um despertamento espiritual e a um engajamento no trabalho da pregação. Os crentes ficaram mais entusiasmados. Os obreiros se mexeram. A fé, a confiança e a paciência de Paulo, apesar de sua prisão, ajudaram os cristãos de Roma a ganharem confiança. Eles viram a fé de Paulo e isto fortaleceu a sua própria fé. Eles ousaram falar a Palavra com mais confiança, sem temor. Com mais e mais crentes ganhando ousadia para falar o Evangelho de Jesus Cristo, mais e mais pessoas ouviram a mensagem e tiveram a oportunidade de aceitá-la. Isto deu a Paulo uma grande alegria. Ele transmitiu esta boa noticia aos seus amigos e irmãos em Filipos, para que pudessem saber como Deus estava operando através de sua situação difícil. Por isso ele se expressou: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram tem, antes, contribuído para o progresso do Evangelho” (Fp 1:12).

2. A motivação negativa. ”Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia…”.

Paulo ficou sabendo que alguns dos irmãos e irmãs que tinham recentemente demonstrado ousadia para falar a respeito de Cristo o estavam fazendo “por inveja e porfia”. É válido ressaltar que todos aqueles que pregavam a Cristo eram crentes que possuíam a doutrina correta e agiam, compartilhando-a com os outros. Conquanto o resultado final pudesse ser o mesmo (as pessoas ouvindo as Boas Novas), alguns, na verdade, tinham motivos errados em sua pregação. Agora que o grande missionário Paulo tinha sido silenciado, na prisão, alguns desses irmãos estavam esperando fazer um nome para si mesmos, através da lacuna deixada por Paulo. Talvez eles esperassem alcançar uma grande notoriedade, tentando atrair a atenção das pessoas para longe de Paulo e em direção a si mesmos. Estas pessoas não tinham nenhum amor por Paulo. Elas esperavam até mesmo que, ao implantarem igrejas e ganharem convertidos, estivessem aborrecendo a Paulo, tornando, assim, a prisão do apóstolo algo ainda mais frustrante. Eu não duvido que esta síndrome maldita, ainda hoje, se intromete entre aqueles que se dizem pregadores do evangelho.
É bom saber que o foco de Paulo não está nele mesmo, mas em Cristo. O foco do apóstolo está no conteúdo do evangelho, e não na motivação dos pregadores. Sua atenção não está no que as pessoas lhe fazem, mas em como o evangelho avança.

IV. O DILEMA DE PAULO (Fp 1:19-22)

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1:23,24).
Embora o apóstolo Paulo estivesse cheio da graça de Deus desejando imediatamente estar com Cristo, ao voltar sua atenção para a necessidade da comunidade de Filipos ele entra num dilema. O dilema era este: “desejo de morrer e estar com Cristo”, mas “julgo mais necessário… ficar na carne” e assim continuar a sua comunhão com os crentes e o serviço a eles.
Embora Paulo tenha vivido em íntima comunhão com Cristo durante o seu serviço na Terra, desde a sua conversão, estar com Cristo no Céu seria uma situação mais próxima e mais íntima do que qualquer homem poderia imaginar. Paulo não tinha dúvida de que a morte seria ainda muito melhor, porque na morte ele atingiria o seu objetivo final (estar com Cristo) e finalmente teria a comunhão eterna na presença de Deus (ler 2Co 2:5-8).
Paulo estava preparado e pronto para morrer a qualquer momento por sua fé, e ele realmente aguardava ansiosamente a morte por causa da certeza de estar com o Senhor para sempre. Mas ele sabia que os seus desejos pessoais tinham que estar subordinados à vontade de Deus. Paulo sentia que o seu ministério na terra ainda não estava completo e que precisava viver para ajudar as igrejas a crescerem e a se solidificarem. Paulo colocava as necessidades dos seus irmãos crentes acima de sua própria vontade. Este deve ser, também, o desejo de todo líder inspirador e responsável com a Obra de Jesus Cristo.

CONCLUSÃO

Paulo jamais centralizou a sua vida em si mesmo, em seus desejos e necessidades. Ele sempre colocou os outros na frente do eu. Ele sempre abriu mão de seus direitos a favor dos outros. A sua gloriosa esperança em meio à adversidade era estar com Cristo, mas por amor à igreja estava disposto a ficar. Se para ele o viver era Cristo, o motivo para continuar vivo era abençoar os irmãos (Fp 1:24,25). Em meio ao sofrimento, e após olhar para o sofrimento alheio, o apóstolo não se julga no direito de partir com Cristo sabendo que poderia ser um instrumento de Deus para encorajar irmãos na fé, edificá-los, e encorajá-los a proclamar o Evangelho ao mundo. A lição apostólica não poderia ser outra: quando olhamos para o sofrimento alheio e decidimos aliviá-lo brota em nós a esperança de sermos salvos das nossas adversidades. Estar com Cristo deve ser o nosso anseio, mas enquanto Ele não vem estaremos com Cristo juntamente com as pessoas sofredoras. O nosso sofrimento deve impulsionar-nos a proclamar a outrem aquilo que nos dá esperança: o Evangelho.

Bibliografia:

William Macdonald - Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 55 - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
 Filipenses - A alegria triunfante no meio das provas - Rev. Hernandes Dias Lopes.
(1)  Paulo, o maior líder do cristianismo - Hernandes Dias Lopes.

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