26 agosto 2013

Araruama: Igreja investe dízimos e ofertas na construção de casas para membros sem moradia

igreja-dízimo-casas-fiéis
Publicado no O Cidadão RJ

Sargento da Polícia Militar da 25ª CIA em Cabo Frio, Fábio Mendonça é o pastor da Assembleia de Deus Ministério Lagoinha no bairro Outeiro, em Araruama. Uma congregação com cerca de 200 membros, que tem surpreendido a muitos revertendo dízimos e ofertas em moradias para membros em condições de vulnerabilidade social, sem nenhum tipo de custo. A igreja também possui dois veículos van, que servem para o transporte de membros que moram em localidades como Regamé, Km 30, Rio do Limão e Fazendinha.
“Fui amparada na hora que mais precisei, hoje tenho a segurança de um lar”, disse Andréa Silva Rocha, benificiada com uma das casas.

Confira a seguir a entrevista com Pastor Fábio Mendonça

igreja-dízimo-casas-fiéis1
JOC – Como surgiu o projeto?
Da observação e convivência com pessoas com dificuldades. Do desejo de assisti-las. A igreja a princípio se assustou com a ideia, mas eu tinha que ser o primeiro a mostrar que poderia acontecer. Na Polícia Militar eu trabalho com manutenção, usei minha experiência na área no projeto. Por isso, eu mesmo fiquei de frente, inclusive, ajudando a cavar a fundação das casas.
JOC – Qual o critério de escolha dos beneficiados?
A prioridade é o grau de dificuldades das pessoas.
JOC – O projeto já recebeu críticas?
Sim, alguns pastores me perguntaram se eu não estava “arrumando” muito trabalho. Se Deus pensasse no trabalho que o ser humano dá a Ele em relação à desobediência a seus princípios, não teria feito o mundo. Tudo que fazemos na vida pode nos gerar problemas, você não compra um carro, por exemplo, pensando que o pneu pode furar um dia, mas no benefício que você vai ter com o veículo.
JOC – Qual o maior desafio na concretização do projeto?
O maior desafio era não desperdiçar material e economizar com mão de obra. Foram construídas quatro casas em apenas quatro meses, os dízimos e ofertas foram revertidos para a obra. Além de mim, mais três pedreiros ajudaram na realização das construções trabalhando voluntariamente aos finais de semana.

igreja-dízimo-casas-fiéis2
JOC – A igreja ganhou ofertas para a construção das casas?
Não sou de pedir. Acredito que quando o trabalho é direito, o Espírito Santo se encarrega de mover o coração das pessoas ao desejo de ofertar. E assim foi: um membro doou mil tijolos, outro duas pias… E agora, estamos construindo mais quatro kitinetes, com o desafio de entregá-las até o dia 12 de outubro. Pois, hoje, temos duas senhoras alojadas na igreja, uma delas está no espaço onde eu atendia, meu gabinete pastoral e a outra na “salinha” das crianças.
JOC – Como é a administração do projeto?
É da igreja, assim como, a manutenção também é feita pela igreja. As pessoas assumiram o compromisso de cuidar das casas enquanto precisarem morar nelas e nós administramos isso.
igreja-dízimo-casas-fiéis3
JOC – O senhor possui projeto político?
Não. Se eu estiver fazendo isso na intenção de ser candidato o trabalho é em vão, não tenho interesse político nenhum.
JOC – Quais suas considerações finais?
As igrejas devem ficar mais atentas à necessidade do povo. Sejam elas materiais ou espirituais. Há igrejas em que a maioria dos membros não possui necessidades financeiras, mas sempre há os que precisam de ajuda espiritual e aqueles que precisam de ajuda material.

Comentário de Wáldson: Esse amado pastor, está começando a entender a bíblia. Do que temos conhecimento, são raríssimos exemplos como esse. Tem muito pastor de teologia liberal que diz ter feito opção pelos pobres, porem ganha mais de 10 mil reais (estou chutando), em quanto tem fieis em sua membresia que ganha um salário mínimo. Isso é justo? Se houvesse vergonha na cara, essa iniciativa do Pr. Fábio Mendonça seria tão comum nas grandes igrejas quanto a do “quilo do amor”. Mas como disse Dom Robson Cavalcante: “esses (...) são bons de congressos e revoluções de bar, mas não muito chegados a andar de mulas por sertões nunca antes trafegados...”.

Abraços.
Vivam vencendo o 'eu'.
Seu irmão menor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário