06 agosto 2013

Devemos examinar 'TUDO', literalmente?


“Examinai tudo. Retende o bem". (1Ts.5.21).

Constantemente eu tenho visto irmãos (e até pastores) citarem 1Tessalonicenses 5.21 como uma ordem para, do ecletismo, extrairmos coisas boas. Aparentemente (é só aparente), para muitos, Paulo pede a igreja para ler, ver e ouvir, todo tipo de mensagem vinda de todas as direções. Sejam oriundas de mestres das seitas, de ateus, de mundanos e de movimentos controversos como G12, M12, MDA, IURD, IMPD, Confissão Positiva, Teísmo Aberto, etc. E retirar dessas fontes aquilo que "é bom". Mas, será era isso que o autor tinha em mente?

Se há uma coisa que os “não ortodoxos” detestam na Bíblia chama-se CONTEXTO. É isso mesmo, ninguém que cita algo fora de contexto gosta de ser exortado a voltar ao verdadeiro sentido do texto. Somos considerados "desmancha prazer", “chatos”, “pentelhos”, “bibliólatras”, “irritantes”, etc. Porém, eu não estou aqui para agradar a homens. Meu compromisso é com a verdade bíblica. Assim, precisamos esclarecer o assunto. Pois, como falei acima, tem um monte de cristãos bebendo de toda fonte amarga como se pudesse extrair água doce. As pessoas estão entorpecidas pelo relativismo pós-moderno; embriagadas com a prostituição contida no cálice de ouro da grande meretriz (Ap.17.4); hipnotizados com o "canto da sereia". Espero que alguns voltem à ebriedade espiritual e despertem dessa hipnose com a leitura desse meu texto.

Afinal de contas: Examinar tudo é “tudo” mesmo?

Confesso que até eu já entendi assim um dia. Mas, precisamos amadurecer:
O apóstolo Paulo nunca concordou com esse pensamento, basta ver o contexto: “Não desprezeis as profecias”. (1Ts.5.20). Ele estava falando das "profecias". Ele fez a mesma recomendação aos Coríntios (ver 1Co.14.29). O "exame" que ele estava solicitando é das profecias ditas na igreja. Esse "tudo" que Paulo se refere é a "tudo" o que foi dito nas profecias. Não tem nada haver com as heresias pregadas na mídia, os ensinos controversos dos neo-evangélicos ou a tudo o que se ouse e ler. E diga de passagem que as tais “profecias”, diferente do que dizem nos jardins de oração pentecostais e dos supostos “rhemas” de líderes neopentecostais que recebem e declaram, no contexto paulino aqui apreciado, devem sim ser julgadas e examinadas. E não tratadas literalmente como “palavras de Deus”. Respeitando o encerramento de toda revelação divina doutrinária e profética nas Escrituras (Sola Scriptura: Mt.11.13; Lc.16.16; 1Co.4.6; Pv.30.6; Ap.22.18). Pois, se Deus não encerrou a sua revelação, então, todo “guru” que afirmar ter visto Deus, conversado com ele, e recebido uma nova mensagem para o mundo, deveria ser recebido pela igreja e seus escritos adicionados às Escrituras. É como disse John Ankerberg: "Se a doutrina bíblica não é o padrão final, então onde traçar os limites do que é ou não é cristão?".

O cristão deve guardar-se do "fermento". Temos várias recomendações na Bíblia quanto a isso, inclusive do próprio apóstolo Paulo:

"E Jesus lhes disse: Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus". (Mt.16.6);

"Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus". (Mt.16.12);

“Preveniu-os Jesus, dizendo: Vede, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes”. (Mc.8.15);

Comentário bíblico: Pelo visto, Jesus não mandou seus discípulos examinarem a doutrina dos fariseus e dos saduceus e reter o que é bom. Ele mandou tomar cuidado e guardar-se.

"Um pouco de fermento leveda toda a massa". (Gl.5.9);

Comentário bíblico: Diferente do que muitos dizem. Só um pouco faz mal sim.

"Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade. Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais". (1Co.5.7).

Comentário bíblico: Pelo visto, o apóstolo Paulo não mandou aqui que os crentes examinassem tudo e ficassem com o que é bom. Pelo contrário, ele mandou não vos associar com “irmãos” que vivem pregando heresias ou ensinos controversos e muito menos misturarmos com suas práticas. Pelo contexto, Paulo trata dos que estão entre nós. Ele usa a palavra grega "sunanamignumi" (traduz no texto ARA: associásseis) que significa "misturar-se com" ou "relacionar-se com". Ou seja, Paulo manda aos crentes não se misturarem ou relacionarem com qualquer "irmão" que se envolve com pecados morais e doutrinários. Mas, infelizmente, a igreja evangélica, influenciada pelo relativismo, não considera mais pecados doutrinários. "Cada um tem a sua doutrina". Não é isso que dizem agora? Contudo, Paulo cita o "idólatra" no referido texto. Referindo-se a um pecado doutrinário e não meramente moral. Uma vez que o idólatra no mínimo é: politeísta. (doutrina que existem vários deuses). Paulo cita o pão asmo, pão sem fermento. Hoje, não se fala mais de pecados doutrinários. E pouco se fala de pecados morais. É triste a situação. O pão já não é mais asmo. Maranata! Vem Senhor Jesus!

“Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más”. (2Jo.1.8-11).

Comentário bíblico: João não mandou os irmãos receberem, examinarem tudo e reterem o que é bom daqueles que fossem em suas casas. Uma das doutrinas mais atacadas pelos falsos mestres é a cristologia. Contudo, na interpretação equivocada de 1Ts.5.21 tem um monte de crentes recebendo em suas casas canções de grupos que subtraem, adicionam ou distorcem os ensinos sobre Cristo. Ouvem e assistem mensagens de todo e qualquer que fala de Jesus na TV, no DVD ou na internet. Mas, que Jesus? O Jesus bíblico? Histórico? Definido pela ortodoxia?

Conclusão

Meu querido irmão ou pastor, não leia, assista ou ouça mensagens fora da ortodoxia bíblica. Acautelai-vos e guardai-vos. Não seja reflexivo, seja bíblico! Reflita, medite, mas, na Palavra de Deus (Sl.1.2). Guarde o seu coração dessas coisas. Basta um pouco para causar divisão e destruição no meio da igreja de Cristo.

Ouvir Edir Macedo, R.R. Soares, Valdemiro Santiago, Silas Malafaia, Samuel Ferreira, Miguel Ângelo, Jabes Alencar, Jorge Linhares, Flamarion Portela, Jerônimo Onofre, João Batista, Valnice Milhomens, Joyce Meyer, André Valadão  e etc., é uma perca de tempo.

Lembre-se que não é só no amor que devemos nos unir, mas também na verdade. Se esta não acompanha (Ef.4.15), estamos promovendo divisão e não a unidade do corpo de Cristo. Pense nisso.

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”. (1Co.1.10).

Meu abraço.
Vivam vencendo os 'falsos doutores' da biblia!!!
Seu irmão menor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário