20 agosto 2013


Lembra-se disso: Iconografia: quadro os dois caminhos

Os mais velhos devem lembrar. Mas o quadro abaixo, assim como os discos do cantor evangélico Oséias de Paula e a caixinha de promessas era presença quase que obrigatória nos lares crentes. Tão logo se chegava em uma moradia de fieis, o sujeito se deparava com essa mensagem visual, que reforçava o ethos assembleiano.


Sobre esse símbolo da iconografia assembeliana assim nos diz Gedeon Alencar:
Um quadro muito antigo, denominado de 'Dois Caminhos', talvez a única representação artística da época, e mesmo assim, rejeitada por muitas igrejas, é o bom exemplo da adequação cultural do neopentecostalismo. 
No caminho largo - o caminho da perdição -, está o cinema, o teatro, o cassino, as festas, pessoas (muitas) bem vestidas com chapéus, luvas, casacos, cartolas, guarda-chuvas, etc. Muitos enfeites. No jargão evangélico: muita vaidade. Muito espaço. Repetindo, o caminho é largo. Uma grande porta de entrada com uma faixa de Bem-Vindo. No prédio do teatro tem uma frase: 'Profanação de domingo', uma das grandes ênfases da teologia em décadas passadas.
No outro lado, no caminho estreito - o caminho da salvação -, templos, casas de oração, tendas, pessoas (poucas) vestidas sem ostentação, com muita simplicidade, nenhum sinal de festas ou 'coisas mundanas'. Nem precisa dizer que não há nenhum cinema, teatro ou jogo, do lado de cá. Ao lado e todos os prédio, episódios e atitudes existem versículos bíblicos para 'fundamentar' a aprovação (caminho estreito), ou condenação (caminho largo), dos mesmos.
Por mera especulação, como seria atualmente o quadro 'os dois caminhos' em sua versão gospel? 
O cinema, o teatro, a dança, as belas roupas, as festas, os muitos enfeites, todos mudaram de lado, estão (também) no 'caminho estreito'. Aliás, agora, por causa da multidão que aderiu, tiveram que 'alargar' a estrada para caber tanta gente... De forma iconográfica, sejamos sinceros, não dá para retratar atualmente o caminho largo e o estreito. 
Não há, pelo menos na estética, nenhuma diferença. Ressalva seja feita: o cassino não mudou de lado. Ainda. E esse é o meu medo.


ALENCAR, Gedeon. Protestantismo tupiniquim: hipóteses sobre a (não) contribuição evangélica à cultura brasileira. São Paulo: Arte editorial, 2005.

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