22 agosto 2013


Lição 08 - "A SUPREMA ASPIRAÇÃO DO CRENTE"


TEXTO ÁUREO = “Prossigo para o alvo, pelo premio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” Fp 3: 14

VERDADE PRATAICA = A maior aspiração do crente deve ser a conquista do prêmio da soberania vocação em Cristo Jesus.


LEITURA BIBLICA - FILIPENSES 3: 12-17

INTRODUÇÃO

Ele os adverte contra os enganadores judaizantes (vv. 1-3) e apresenta seu próprio exemplo. E aqui ele enumera os privilégios do seu estado judaico que ele rejeitara (vv. 4-8), descreve a questão da sua própria escolha (vv. 9-16) e conclui com uma exortação para que os filipenses se guardem dos homens maus e sigam seu exemplo (vv. 17-21).

A Descrição dos Verdadeiros Cristãos = vv. 1-3

Parece que a igreja dos filipenses, embora fosse uma igreja fiel e próspera, era perturbada pelos mestres judaizantes, que se empenhavam em guardar a lei de Moisés e misturar o cumprimento dela com a doutrina de Cristo e suas instituições. Ele inicia o capítulo com advertências contra esses sedutores.

Ele os exorta a “... que vos regozijeis no Senhor” (v. 1), a descansarem satisfeitos no interesse que tinham nele e no beneficio que esperavam dele. E do caráter e da motivação de cristãos sinceros regozijarem-se em Cristo Jesus. Quanto mais aproveitarmos o conforto da nossa religião tanto mais vamos nos agarrar a ela; quanto mais nos regozijarmos em Cristo tanto mais dispostos estaremos a realizar e sofrer por Ele e tanto menos perigo correremos em ser afastados dele. “A alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8.10).

Ele os exorta a tomarem cuidado com os falsos mestres: “Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós”; isto é, as mesmas coisas que eu já vos preguei; como se tivesse dito: “O que foi apresentado aos ouvidos de vocês será apresentado aos seus olhos: o que falei formalmente será agora escrito, para mostrar que continuo com o mesmo parecer”.
Não me aborreço. Observe: 1. Os ministros não devem se aborrecer se precisarem escrever ou falar coisas que acreditam ser seguras e edificantes para o povo. 2. E bom ouvirmos as mesmas verdades com freqüência, para avivar a memória e fortalecer a impressão das coisas importantes. E uma curiosidade atrevida ou maliciosa sempre desejar ouvir algo novo. O apóstolo apresenta uma exortação necessária aqui: “Guardai-vos dos cães” (v. 2).

O profeta chama os falsos profetas de cães mudos (Is 56.10), aos quais o apóstolo parece se referir aqui. Cães, por causa da sua maldade contra os confessores fiéis do evangelho de Cristo, latindo e mordendo esses cristãos. Eles exultavam as boas obras em vez da fé em Cristo; mas Paulo os chama de maus obreiros: eles se orgulhavam do fato de serem da circuncisão, dilacerando a igreja de Cristo; ou, então, contendiam por um rito cancelado, um mero cortar insignificante da carne.

Ele descreve os cristãos verdadeiros, que são, na verdade, da circuncisão, a circuncisão espiritual, o povo exclusivo de Deus, que está em aliança com Ele, semelhantemente aos israelitas do Antigo Testamento:
“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne”. Encontramos três aspectos aqui: 1. Eles adoravam no espírito, em oposição às ordenanças carnais do Antigo Testamento, que consistiam em “...manjares, e bebidas, e várias abluções” (Hb 9.10). 

O cristianismo nos livra dessas coisas e nos ensina a sermos íntimos com Deus em todos os deveres da adoração religiosa. Devemos “. adorar a Deus em espírito” (Jo 4.24). A obra cristã não tem propósito algum se o coração não estiver envolvido nela. “Tudo quanto fizermos, devemos fazê-lo de todo o coração, como ao Senhor” (veja Cl 3.23); e devemos adorar a Deus na força e graça do Espírito divino, que é tão característico do estado do evangelho; este é o ministério do Espírito (2 Co 3.8). 2. Eles se gloriam em Jesus Cristo e não nos privilégios característicos do judaísmo, nem naquilo que os satisfaz na igreja cristã — meros prazeres e desempenhos exteriores.

Eles se gloriam no seu relacionamento com Cristo e no seu interesse nele. Deus fez com que os israelitas fossem obrigados a se alegrarem diante dele nos átrios da sua casa; mas agora que a essência veio, as sombras foram dissipadas e devemos gloriar-nos somente em Cristo Jesus. 3. Eles não confiam na carne, nas ordenanças carnais e desempenhos exteriores. Devemos deixar de confiar em nós mesmos, para podermos confiar apenas em Jesus Cristo, o eterno fundamento. Nossa confiança, bem como nossa alegria, é apropriada para Ele.

A Rejeição à Falsa Confiança = vv. 4-8

A apóstolo aqui se coloca como exemplo de alguém que confia apenas em Cristo, e não nos seus privilégios como israelita.

Ele mostra o quanto podia orgulhar-se pelo fato de ser judeu e fariseu. Que ninguém pense que o apóstolo estava desprezando essas coisas (como as pessoas normalmente fazem) pelo fato de não se gloriar nelas. Se tivesse se gloriado e confiado na carne, ele teria mais motivos para fazê-lo do que qualquer outra pessoa: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu” (v. 4). Ele tinha tantos motivos para jactar-se tanto quanto qualquer outro judeu.

Seus privilégios hereditários. Ele não era um prosélito, mas um israelita nato: “.. . da linhagem de Israel”. E ele era “...da tribo de Benjamim”, que cuidava do Templo.

Essa tribo ficou do lado da tribo de Judá quando todas as outras se revoltaram. Benjamim era o predileto do pai; era uma tribo favorita. “...hebreu de hebreus”, um israelita de ambos os lados, por pai e mãe, e de geração em geração; nenhum dos seus ancestrais tinha se casado com gentios. 2. Ele podia orgulhar-se da sua relação com a Lei e com o concerto, porque tinha sido “.. circuncidado ao oitavo dia”; ele tinha o sinal do concerto de Deus em sua carne e foi circuncidado no dia designado por Deus. 

No conhecimento era fariseu, criado aos pés de Gamaliel, um eminente doutor da lei: e foi um estudioso instruído em todo o conhecimento dos judeus, instruído conforme a verdade da lei dos pais (At 22.3). Ele era “...fariseu, filho de fariseu” (At 23.6), e conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” (At26.5). 4. Ele teve uma conversão irrepreensível: “...segundo a justiça que há na lei, irrepreensível”: até onde a exposição da lei pelos fariseus ia, e de acordo com a mera letra da lei e observância exterior dela, ele podia desobrigar-se da violação dela e não podia ser acusado por nenhuma quebra da lei. 5. Ele tinha sido um homem ativo a favor da sua religião.

Como fez uma profissão de fé firme dela, sob o título e caráter de um fariseu, ele perseguiu aqueles que via como inimigos dela. “.. segundo o zelo, perseguidor da igreja”. 6. Ele mostrou ser sincero, embora tivesse um zelo sem conhecimento para dirigir e governar o exercício desse zelo: “...zeloso para com Deus, como todos vós hoje sois. Persegui este Caminho até morte” (At 22.3,4). Tudo isso seria suficiente para deixar um judeu orgulhoso confiante, e seria suficiente para fundamentar a sua justificação. Mas:

O apóstolo nos diz aqui como é pequena a importância dessas coisas, em comparação com o seu interesse em Cristo e com suas expectativas dele: “Mas o que para mim era ganhe reputei-o perda por Cristo” (v. 7); isto é, essas coisas que ele tinha considerado ganho enquanto era fariseu, reputou-as perda por Cristo. “Eu deveria considerar-me um perdedor se, para devotar-me a elas, tivesse perdido meu interesse em Jesus Cristo”. Ele as considerava perda; não somente insuficiente para enriquecê-lo, mas que certamente o empobreceriam e o destruiriam, se confiasse nelas, em oposição a Crista.

Observe: O apóstolo não persuadiu os filipenses a fazer qualquer coisa que ele não fizesse, a deixar de fazer qualquer coisa que ele também não deixasse, nem arriscar-se em alguma coisa em que ele próprio não tivesse arriscado sua alma imortal. “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor” (v. 8). 

Aqui o apóstolo se explica.

Ele nos conta o que ambicionava e procurava alcançar: era o conhecimento de Jesus Cristo, seu Senhor, uma familiaridade experimental e confiante com Cristo como Senhor; não meramente imaginário e especulativo, mas um conhecimento prático e eficaz dele. Assim o conhecimento é, às vezes, colocado no lugar da fé: “... com o seu conhecimento, ou o conhecimento dele, o meu servo, o justo, justificará a muitos” (Is 53.11).

E essa é a superioridade do conhecimento. Há uma superioridade abundante e transcendente da doutrina de Cristo, ou da religião cristã, acima de todo o conhecimento da natureza e progressos da sabedoria humana; porque é adequada ao caso dos pecadores caídos e os supre com tudo de que necessitam e tudo que podem desejar e esperar, com toda sabedoria salvadora e graça salvadora. 2.

Ele mostra de que forma tinha desistido dos seus privilégios como judeu e fariseu: E, na verdade; sua expressão surge com um triunfo e elevação santos: alla men cmn ge kai. Há cinco partículas no original: tenho também por perda todas as coisas. Ele tinha mencionado anteriormente as coisas, seus privilégios judeus: aqui ele fala de todas as coisas, todos os prazeres mundanos e meros privilégios exteriores, ou quaisquer coisas que pudessem estar competindo com Cristo pelo trono em seu coração, ou se candidatassem a receber mérito e recompensa. Ali ele tinha dito que reputava essas coisas como perda. Mas podemos perguntar:

“Ele continuava com a mesma inclinação e não se arrependeu por tê-las renunciado?” Não, agora ele fala no tempo presente: E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas. Mas pode ser dito: “E fácil dizer isso; mas o que ele faria se chegasse diante da provação?” Pois ele nos relata que tinha agido ele mesmo de acordo com essa estimativa do caso: “pelo qual sofri a perda de todas estas coisas”. Ele havia renunciado a todas as suas honras e vantagens, como judeu e fariseu, e se submetido a todas as desgraças e sofrimentos que faziam parte do seu ministério de pregação do evangelho. 

Quando se envolveu completamente na religião cristã, arriscou tudo e sofreu a perda de todas as coisas pelos privilégios de ser um cristão. Não, ele não só as reputava perda, mas esterco, skybala — restos lançados aos cachorros; elas não são apenas menos valiosas do que Cristo, mas completamente desprezíveis, quando estão em concorrência com Ele. Observe: O Novo Testamento nunca fala da graça salvadora em termos de diminuição, mas, pelo contrário, a representa como o fruto do Espírito divino e a imagem de Deus na alma do ser humano; como uma natureza divina, e a semente de Deus. E a fé é chamada fé preciosa; e a mansidão é preciosa diante de Deus (1 Pe 3.4; 2 Pe 1.1ss.).

O Interesse, Esperança e Alvo do Apóstolo - vv. 9-14

Temos visto ao que o apóstolo renunciou; vamos ver agora ao que ele resolveu se apegar, a saber, a Cristo e ao céu. O seu coração estava amoldado a essas duas grandes verdades do cristianismo.

O apóstolo tinha o seu coração voltado para Crista e para sua justiça. Isso é ilustrado em diversos exemplos:  Ele desejou ganhar a Cristo; ele se consideraria um beneficiário indescritível se tivesse interesse apenas em Cristo e em sua justiça e se Cristo se tornasse seu Senhor e Salvador. “...para que possa ganhar a Cristo”; como o corredor ganha o prêmio ou o marinheiro alcança o porto desejado. A expressão sugere que precisamos esforçar-nos por Ele e buscá-lo, e tudo isso não é suficiente para ganhá-lo.  Para que “... seja achado nele” (v. 9), como o homicida involuntário era achado na cidade do seu refúgio, onde estava seguro do vingador do sangue (veja Nm 35.25). Ou esse texto pode estar aludindo a um comparecimento judicial; assim precisamos ser achados em paz pelo nosso Juiz (2 Pe 3.14). Estamos aniquilados sem a justiça pela qual aparecemos diante de Deus, porque somos culpados.

Há uma justiça preparada para nós em Jesus Crista, e essa é uma justiça completa e perfeita. Ninguém pode ser beneficiado por ela a não ser aqueles que se desvencilham da confiança própria e são levados sinceramente a crer nele. “Não tendo a minha justiça que vem da lei. Não devo pensar que minhas práticas exteriores e boas obras sejam capazes de expiar as minhas más obras, ou que ao colocar as boas obras ao lado das más posso vir a equilibrar as contas com Deus. Não, a justiça da qual dependo é essa que vem pela fé em Cristo, não uma justiça legal, mas uma justiça evangélica, a saber a justiça que vem de Deus, pela fé, determinada e conferida por Deus”. O Senhor Jesus Cristo é o Senhor da nossa justiça (Is 45.24; Jr 23.6).

Se Jesus não fosse Deus, não poderia ser a nossa justiça; a excelência transcendente da natureza divina colocou esse tipo de valor e virtude nos seus sofrimentos, para que se tornassem suficientes para pagar os pecados do mundo e para produzir uma justiça que seja eficaz para todos que crêem. Até é o meio estabelecido do interesse verdadeiro e do beneficio salvífico pela compra do seu sangue. E “...pela fé no seu sangue” (Rm 3.25). 3. Para que possa conhecer a Crista (v. 10): “...para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e a comunicação de suas aflições”. A fé é chamada de conhecimento (Is 53.11). Conhecê-lo aqui significa crer nele: esse é um conhecimento experimental da virtude da sua ressurreição e a comunicação de suas aflições, ou sentir a eficácia e virtude delas.

Observe: O apóstolo era tão desejoso de ser santificado quanto de ser justificado. Ele tinha tanto desejo de conhecer o poder da morte de Crista e da ressurreição destruindo o pecado nele, e elevando-o à novidade de vida, quanto tinha de receber o beneficio da morte e ressurreição de Crista em sua justificação. 4. Para que possa ser feito conforme Ele, e isso também se refere à sua santificação. Somos então feitos conforme a sua morte quando morremos para o pecado, como Cristo morreu pelo pecado, quando somos crucificados com Cristo, e a carne e suas tendências são mortificadas:

“...o mundo está crucificado para nós e nós, para o mundo, por meio da cruz de Cristo” (veja Rm 6.14). Essa é nossa conformidade com a sua morte.

O apóstolo tinha o seu coração voltado para o céu e a sua felicidade: “.. para ver se, de alguma maneira, eu possa chegar à ressurreição dos mortos” (v. 11).

1. A felicidade do céu é aqui chamada de ressurreição dos mortos, porque, embora a alma do fiel, quando parte, esteja imediatamente com Cristo, no entanto, sua felicidade não será completa até a ressurreição geral dos mortos no último dia, quando a alma e o corpo serão glorificados juntos. Anastasis às vezes significa o estado futuro. O apóstolo tinha os seus olhos voltados para isso; esse era o seu objetivo.

Haverá uma ressurreição dos injustos, que ressuscitarão para vergonha e desprezo eterno (veja Dn 12.2); devemos cuidar para escapar dela: mas a ressurreição alegre e gloriosa dos santos é chamada de a ressurreição, kat’ exochen — por eminência, porque isso ocorre por meio da ressurreição de Cristo, como sendo a cabeça e os primeiros frutos; ao passo que os ímpios ressuscitarão somente pelo poder de Cristo, como seu juiz. Para os santos será, de fato, uma ressurreição, um retorno para a felicidade, para a vida e para a glória; ao passo que a ressurreição dos ímpios é um levantar do túmulo, apenas um retorno para a segunda morte. Ela é chamada de ressurreição dos justos e de ressurreição da vida (Jo 5.29), e os verdadeiros cristãos são considerados “... dignos de alcançar o mundo vindouro e a ressurreição dos mortos” (Lc 20.35).

2. O apóstolo estimula aqui essa ressurreição alegre.Ele estava disposto a fazer qualquer coisa, ou sofrer qualquer coisa, para obter essa ressurreição. A esperança e perspectiva dela o enchiam de coragem e constância através de todas as dificuldades que enfrentava no seu trabalho. Ele fala como se eles estivessem correndo o risco de perder ou não alcançar essa ressurreição. Um medo santo de não alcançar a ressurreição é um excelente motivo para exercer a perseverança. Considere isso: Seu cuidado para ser encontrado em Cristo tinha como objetivo obter a ressurreição dos mortos. Paulo não esperava obtê-la por meio dos seus próprios méritos e justiça, mas por meio do mérito e da justiça de Jesus Cristo. “Permite-me ser achado em Cristo, para que eu possa obter a ressurreição dos mortos, ser achado um crente nele e interessado nele pela fé”. Observe:

(1) Ele reconhece seu estado de imperfeição e provação: “Não que já a tenha alcançado ou que seja perfeito” (v. 12). Observe: As melhores pessoas do mundo vão prontamente reconhecer sua imperfeição no estado presente. Ainda não alcançamos a perfeição; ainda não somos perfeitos; ainda há muita deficiência em todos os nossos deveres, graças e confortos. Se Paulo não tinha alcançado a perfeição (ele que tinha atingido um grau tão elevado de santidade), muito menos temos nós.

Novamente: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado” (v. 13), ou logizomai. “Faço esse julgamento do caso; raciocino dessa forma comigo mesmo”. Observe:
Aqueles que acham que têm graça suficiente provam que não têm graça suficiente, ou melhor, que não têm graça nenhuma; porque, onde há a verdadeira graça, aí há um desejo por mais graça e uma necessidade para alcançar a perfeição da graça.

(2) As ações do apóstolo diante dessa convicção.Considerando que ele ainda não tinha alcançado, ele continuava avançando: “Mas prossigo (v. 12), dioko — continuo com vigor, como alguém que deseja ganhar o prêmio. Esforço-me para alcançar mais graça e fazer mais bem e nunca pensar que já fiz o suficiente: para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus”. Observe: [1] De onde vem a nossa graça? De estarmos presos por Cristo Jesus.

A nossa felicidade e salvação não estão no fato de alcançarmos a Cristo primeiro, mas de Ele nos alcançar. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). A nossa segurança não está no fato de conquistarmos a Cristo, mas de Ele nos conquistar. “. .. mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus, para a salvação” (1 Pe 1.5). Considere então: O que é a felicidade do céu? E alcançar aquilo para o que fomos também presos por Cristo. Quando Cristo nos alcançou, foi para nos levar ao céu; e alcançar aquilo para o que Ele nos alcançou é obter a perfeição da nossa felicidade. Ele acrescenta (v. 13). . uma coisa faço (esse era seu grande cuidado e preocupação), e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim”. Existe um esquecimento pecaminoso de pecados passados ou misericórdias passadas, que precisam ser lembrados para o exercício do arrependimento constante e da gratidão a Deus. Mas Paulo esqueceu as coisas que estavam para trás porque não estava contente com a medida atual da graça: ele queria mais e mais. 

Assim ele epekteinomenos — estendeu-se para a frente, dirigindo-se para o seu alvo. Este é um indicativo de uma preocupação intensa.

(3) O alvo do apóstolo: “prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (v. 14). Ele seguia firme em direção ao alvo. Assim como aquele que corre uma corrida e nunca desiste antes do final, mas continua seguindo em frente o mais rapidamente possível, assim aqueles que têm o céu em mente devem continuar seguindo em frente com desejos santos e esforços e preparativos constantes. Quanto mais preparados estivermos para o céu mais rapidamente deveremos seguir em frente. O céu é chamado aqui de alvo, porque é isso que cada cristão genuíno tem em vista, semelhante- mente ao arqueiro que mantém os seus olhos fixos no alvo que deseja acertar. Feio prêmio da soberana vocação. 

Observe: O chamado cristão é uma soberana vocação. Sua fonte é do céu e seu destino é o céu.

O céu é o prêmio da soberana vocação; to brabeion — o prêmio pelo qual lutamos, e corremos, e combatemos, o que alvejamos em tudo que fazemos, e o que recompensará todos os nossos esforços. Manter os nossos olhos no céu é muito proveitoso na caminhada cristã. Isto serve de norte para tudo que fazemos e para nos vivificar em cada passo que damos; ele é de Deus, de quem devemos esperá-lo.  A vida eterna é o dom gratuito de Deus (Rm 6.23), por meio de Cristo Jesus; ela deve vir a nós por meio da sua mão. O único caminho para o céu é por intermédio de Cristo.

Advertências e Exortações = vv. 15,16

O apóstolo, tendo se colocado como exemplo, estimula os filipenses a segui-lo. Que tenhamos o mesmo sentimento do bendito Paulo. Vemos aqui qual era o seu sentimento; vamos ter a mesma opinião e firmar nosso coração em Cristo e no céu, como ele fez.

Ele mostra que essa era a coisa com a qual todos os cristãos genuínos estavam de acordo, ou seja, de fazer de Cristo tudo neles e firmar seu coração em outro mundo. Embora os cristãos genuínos possam divergir em seus sentimentos acerca de outras coisas, nisto eles concordam, ou seja, que Cristo é tudo nos cristãos, que ganhar a Crista e ser achado nele envolve nossa felicidade tanto aqui quanto na vida futura. E, portanto, vamos andar de acordo coma mesma regra e ter o mesmo sentimento. 

Tendo tornado Cristo tudo em nós, para nós o viver é Cri sto. Vamos concordar em avançar para o alvo e tornar o céu o nosso destino. 2. Essa é uma boa razão para que os cristãos que diferem em questões menores suportem uns aos outros, uma vez que estão de acordo quanto à questão principal: “... se sentis alguma coisa doutra maneira — se vós diferis uns dos outros e não tendes a mesma opinião em relação a comidas e dias, e outras questões da lei judaica —, no entanto não julgueis uns aos outros, enquanto todos se encontram em Cristo como seu ponto essencial, e esperam encontrar-se em breve no céu como seu lar. 

Quanto a outras questões de diferenças, não coloqueis grande ênfase nelas, pois também Deus vo-lo revelará. Independentemente das questões em que difirais, esperai até que Deus vos dê uma melhor compreensão, o que Ele fará no seu devido tempo. Entrementes, naquilo a que Chegastes, vós deveis estar em harmonia em relação aos caminhos de Deus, estar unidos em todas as grandes coisas nas quais estais de acordo, e esperar por mais luz nas coisas menores em que diferis”.

O Apóstolo Recomenda seu Próprio Exemplo - vv. 17-21

Ele termina o capítulo com advertências e exortações.
Ele os adverte para que não sigam os exemplos de mestres maus e enganadores (vv. 18,19): “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo”. Observe:

1. Há muitos que se dizem cristãos, mas que são inimigos da cruz de Cristo e do desígnio e dos propósitos dela. O caminho deles mostra claramente o que de fato são. “por seus frutos os conhecereis” (Mt 7.20). O apóstolo adverte as pessoas contra esse tipo de pessoas: (1) Com muita freqüência: .. muitas vezes vos disse”. Nós damos tão pouca importância às advertências feitas a nós que temos necessidade de ouvi-las repetidas vezes. “.. escrever-vos as mesmas coisas” (v. 1). (2) De maneira comovida e afetuosa: “...agora também digo, chorando”.
Paulo, em ocasiões apropriadas era um pregador choroso, da mesma forma que Jeremias foi um profeta choroso. Observe: Um velho sermão pode ser pregado com uma paixão renovada; o que pregamos com freqüência pode-se pregar novamente, se o fizermos de maneira amorosa e estivermos debaixo do poder dessas palavras.

2. Ele nos apresenta o caráter daqueles que eram inimigos da cruz de Cristo. (1) Cujo deus é seu ventre. Eles só se importavam com os seus apetites sensuais. E um ídolo abominável e um escândalo para qualquer pessoa, especialmente para os cristãos, sacrificar o favor de Deus, a paz da nossa consciência e sua felicidade eterna. Glutões e beberrões fazem do ventre o seu deus e buscam de todas as formas agradar e cuidar dele. A mesma atenção que pessoas boas dão a Deus os sensualistas dão aos seus apetites.

A respeito deles, o apóstolo diz: Eles “não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre” (Rm 16.18). (2) Eles se gloriam em sua confusão. Eles não somente pecavam, mas se vangloriavam das coisas de que deveriam se envergonhar. O pecado é a vergonha do pecador, especialmente quando se gloria nele. “Eles estimam aquilo que é o defeito e a vergonha deles”. (3) Eles se ocupam com coisas terrenas. Cristo veio por meio da cruz para crucificar o mundo para nós e nós para o mundo; e aqueles que se ocupam com coisas terrenas agem diretamente contra a cruz de Cristo e o grande desígnio dela. Eles se agradam de coisas terrenas e não têm nenhum prazer nas coisas que são espirituais e celestiais. Eles colocam seu coração e paixão nas coisas terrenas; eles as amam, e chegam a idolatrá-las e têm confiança e satisfação nelas. Ele apresenta esse caráter para mostrar quão absurdo seria para os cristãos seguir o exemplo de tais pessoas ou ser conduzidos por elas; e, para nos dissuadir de fazê-lo, ele apresenta o destino delas. (4) Cujo fim é a perdição.

O caminho parece agradável, mas morte e inferno estão no fim dele. “E que fruto tínheis, então, das coisas de que agora vos envergonhais? Porque o fim delas é a morte” (Rm 6.21). E perigoso segui-los, embora estejam indo junto com a correnteza; porque, se escolhermos o caminho deles, temos motivos para temer o fim. Talvez ele esteja fazendo alusão à completa destruição da nação judaica.

Ele se apresenta a si mesmo e a seus irmãos como exemplos, em oposição a esses maus exemplos: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós” (v. 17).

Observem e sigam o exemplo deles. Ele faz a descrição de si mesmo pela consideração que tem por Cristo e o céu: “Mas a nossa cidade está nos céus” (v. 20). Considere isso: Cristãos genuínos, mesmo enquanto estão aqui na terra, têm sua cidade, ou pátria, nos céus. Sua cidadania está ali, politeuma. Como se tivesse dito: Continuamos ligados àquele mundo e somos cidadãos da Nova Jerusalém.

Este mundo não é o nosso lar, mas aquele é. Lá estão os nossos maiores privilégios e interesses. E, uma vez que nossa cidadania está lá, nossa pátria está lá. Pelo fato de estarmos unidos àquele mundo, mantemos uma harmonia com ele. A vida de um cristão está no céu, onde está o seu Salvador, e onde ele espera estar em breve; ele pensa nas coisas que são de cima; e onde estiver o seu coração lá estará a sua cidade. O apóstolo tinha insistido em que seguissem a ele e aos outros ministros de Cristo: “Por quê”, eles podiam perguntar, “se vocês são um grupo de pessoas pobres, desprezadas e perseguidas, e não têm nenhuma aspiração no mundo; quem seguirá vocês?”“Não”, ele diz, “mas a nossa cidade está nos céus.

Temos uma relação próxima e uma grande ambição em relação ao outro mundo, e não somos tão insignificantes e desprezíveis como somos retratados. E bom ter comunhão com aqueles que têm comunhão com Cristo, e relação com aqueles cuja cidade está nos céus.

1. Porque esperamos o Salvador do céu (v. 20): donde também esperamos o Salvado o Senhor Jesus Cri sto. Ele não está aqui, mas ressuscitou, Ele entrou por trás do véu por nós; e esperamos sua segunda vinda desde então, para reunir todos os cidadãos dessa Nova Jerusalém com Ele.

2. Porque na segunda vinda de Cristo esperamos ser felizes e glorificados ali. Existe um bom motivo para termos nossa cidadania no céu, não somente porque Cristo está lá agora, mas porque esperamos estar lá em breve: que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso (v. 21). Existe uma glória reservada para o corpo dos santos, que será deles na ressurreição. O corpo agora, no melhor das hipóteses, é um corpo abatido, to soma tes tapeinoseos hemon — o corpo da nossa humilhação: esse corpo tem sua origem da terra, é sustentado fora da terra e está sujeito a muitas doenças e à morte no final. Além disso, ele com freqüência é motivo e instrumento de muito pecado, e é chamado de o “... corpo desta morte” (Rm 7.24). Ou pode-se entender a sua humilhação quando na sepultura. Na ressurreição, esse corpo será um corpo abatido, decomposto à podridão e ao pó; “... o pó volte à terras como o era” (Ec 12.7). Mas ele será transformado em um corpo glorioso; e não somente ressuscitado para a vida, mas ressuscitado para obter grandes vantagens. Observe:
(1) A prova dessa mudança, isto é, o corpo glorioso dessa mudança; quando Ele foi transfigurado no monte, “... o seu rosto resplandeceu como o so4 e as suas vestes se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2).

Ele foi para o céu cingido de um corpo, para tomar posse da herança em nossa natureza, e não ser somente o primogênito dentre os mortos, mas o primogênito dos filhos da ressurreição. Seremos “...conformes à imagem de seu Filho, afim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). (2) O poder que será usado para operar essa mudança: “... segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”. Existe uma eficácia do poder, uma “...sobreexcelente grandeza do seu poder”, e a “... operação da forçado seu poder” (Ef 1.19).

E uma questão de consolo saber que Ele pode sujeitar todas as coisas a si, e mais cedo ou mais tarde converter todas as coisas para o seu beneficio. E a ressurreição será efetuada com o seu poder. “... eu o ressuscitarei no último Dia” (Jo 6.44). Que isso confirme a nossa fé na ressurreição, pois não somente temos as Escrituras, que nos asseguram que isso ocorrerá, mas também conhecemos o poder de Deus, que pode efetuá-lo (Mt 22.29).

Como a ressurreição de Cristo foi um exemplo glorioso do poder divino, e, portanto, Ele foi declarado Filho de Deus em poder pela ressurreição dos mortos (Rm 1.4), assim será a nossa ressurreição: e sua ressurreição é uma evidência permanente, bem como um padrão, da nossa ressurreição. E então todos os inimigos do reino do Redentor serão completamente conquistados. Não somente aquele “...que tinha o império da morte”, isto é, o diabo (Hb 2.14), mas o “último inimigo será aniquilado”, isto é, a morte (1 Co 15.26), ela “...será tragada na vitória” (cap. 15.54).


Subsídio para o Professor


INTRODUÇÃO
O apóstolo Paulo toma emprestado da cultura grega a figura do atleta. Este para alcançar o prêmio final de uma maratona se esforça, dedica-se e trabalha com todo o esmero. Paulo não havia se enganado com a falsa ideia de que a perfeição plena era já uma realidade em sua vida. Pelo contrário, como um atleta que se prepara à exaustão, o discípulo de Cristo deve deixar os entraves desta vida e manter o foco na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Paulo se achava qual um atleta numa corrida, esforçando-se e correndo o máximo, totalmente concentrado no que fazia, a fim de não ficar aquém do alvo que Cristo estabeleceu para a sua vida. Esse alvo era a perfeita união entre Paulo e Cristo (Fp 3:8-10), sua salvação final e sua ressurreição dentre os mortos (Fp 3:11). Sem dúvida, esta é a suprema aspiração do autêntico cristão.

I. A ASPIRAÇÃO PAULINA
1. “Prossigo para o alvo”.  “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”(Fp 3:14). Paulo utiliza neste texto a analogia do atletismo, a fim de mostrar aos filipenses que o crente em sua caminhada também precisa se esforçar para conhecer a Cristo. Como um corredor esforçando-se para chegar à linha de chegada, Paulo prosseguia para alcançar o final da corrida e receber  “o prêmio”. O objetivo de Paulo era conhecer a Cristo, ser como Cristo, e ser tudo o que Cristo tinha em mente para ele. Esse objetivo absorvia a sua energia. Isto fornece um exemplo útil. Não devemos permitir que nada desvie os nossos olhos do nosso alvo que é conhecer a Cristo. O pleno conhecimento de Cristo é o prêmio final pelo qual os crentes alegremente deixam de lado todas as outras coisas. Com a simplicidade de um atleta em treinamento, devemos deixar de lado tudo que seja prejudicial e abandonar tudo o que possa nos distrair de sermos cristãos eficazes.
2. O sentimento de incompletude de Paulo. Embora tenha sido um homem de Deus, um vaso de honra, um servo fiel, um instrumento valoroso na pregação do evangelho e na implantação de igrejas, Paulo nunca ficou satisfeito com suas vitórias espirituais. À semelhança de Moisés, ele sempre queria mais (Ex 33:18).“… uma coisa faço…” (Fp 3:13b). O apóstolo Paulo tinha seus olhos fixos na meta e não se desviava de seu objetivo. Ele era um homem dedicado exclusivamente à causa do evangelho. Não se deixava distrair por outros interesses. Sua mente estava voltada inteira e exclusivamente para fazer a vontade de Deus.
Uma “insatisfação santa” é o primeiro elemento essencial para avançar na corrida cristã. Muitos cristãos estão satisfeitos consigo mesmos ao se compararem àqueles que já estão trôpegos e parados. Paulo não se comparava com outros, mas com Cristo. Ele ainda não chegou à perfeição (Fp 3:12), muito embora seja amadurecido na fé (Fp 3:15). Uma das características dessa maturidade é a consciência da própria imperfeição. O cristão maduro faz uma auto-avaliação honesta e se esforça para melhorar. A luta contra o pecado ainda não terminou, pois a perfeição não se alcança na presente vida - “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal varão é perfeito e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tg 3:2). Veja mais: Rm 7:14-24 e 1João 1:8.
3. O engano da presunção espiritual. Os judaizantes se vangloriavam de sua “perfeição”, quer fosse como judeus que professavam guardar a lei em sua inteireza, quer como judeus cristãos que se “gloriavam” da circuncisão. Os cristãos gnósticos, por sua vez, reivindicavam serem iluminados, como homens do Espírito. Paulo, porém, explicitamente negou aquilo que eles afirmavam ter obtido, isto é, a “perfeição”.
A presunção espiritual é um engano e um sinal evidente de imaturidade espiritual. A igreja de Sardes julgava a si mesma uma igreja viva, mas na avaliação de Jesus estava morta (Ap 3:1).A igreja de Laodicéia se considerava rica e abastada, mas Jesus a considerou uma igreja pobre, cega e nua (Ap 3:17). Sansão pensou que ainda tinha força quando, na realidade, a perdera (Jz 16:20).O despertamento espiritual de uma igreja começa não pela altivez espiritual, mas pela humildade e o reconhecimento de que ainda precisa buscar mais a Deus. Tenhamos, pois, o mesmo sentimento que tinha Davi: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? (Sl 42:1,2).

II. A MATURIDADE ESPIRITUAL DOS FILIPENSES (Fp 3:15,16)Pelo que todos quantos já somos perfeitos sintamos isto mesmo; e, se sentis alguma coisa doutra maneira, também Deus vo-lo revelará. Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos o mesmo” (Fp 3:15,16).
1. Somos perfeitos (Fp 3:15)? Ainda não! Leia Romanos 7:14-24 para se conscientizar disto! Todavia, nos esforçamos para que um Dia cheguemos à estatura de varão perfeito (Ef 4:13), que se dará, certamente, na nossa glorificação, ou seja, quando o nosso corpo corruptível for revestido da incorruptibilidade - “Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória (1Co 15:53,54)
O apóstolo Paulo, apesar de todas as suas experiências, desde o seu encontro com o Cristo ressuscitado no caminho para Damasco, não considerava ter alcançado a perfeição, mas também não transigia em afirmar: “esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo”. Com estas palavras Paulo demonstra que o discípulo de Cristo sempre deve encarar a sua peregrinação cristã como um caminho inacabado. A vida que Deus dá ao discípulo é uma caminhada de construções e crescimentos. Uma hora ele pode cair, mas o Senhor o acolhe e levanta. Outra vez, ele pode se sentir imaturo, mas o Senhor o ensina. A vida do discípulo de Cristo está em constante desenvolvimento.
2. O cristão deve andar conforme a maturidade alcançada (Fp 3:16). “Mas, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra e sintamos o mesmo”. Neste texto, a palavra grega “stochein”, “andemos, é um termo militar que significa “permanecer em linha“. Não basta correr com disposição e vencer a corrida; o corredor também deve obedecer às regras. Nos jogos gregos, os juízes eram extremamente rígidos com respeito aos regulamentos, e o atleta que cometesse qualquer infração era desqualificado. Em Filipenses 3:15,16, Paulo enfatiza a importância de os cristãos lembrarem as “regras espirituais” que se encontram na Palavra de Deus. A Bíblia está cheia de exemplos de pessoas que começaram bem a corrida, mas não chegaram ao fim por não levarem as regras de Deus a sério. Devemos correr sem carregar pesos inúteis do pecado e olhar firmemente para Jesus, o nosso alvo.Portanto, a maturidade cristã envolve agir com base na instrução que já recebemos, a saber, a doutrina de Cristo, que é a Palavra de Deus. Assim, esse “andemos segundo a mesma regra”(Fp 3:16) significa que devemos ter o mesmo modo de viver de Cristo, tanto nas atitudes, ações e comportamento em geral. Foi agindo dessa maneira que os crentes de Antioquia foram chamados de cristãos, porque tudo que eles faziam se parecia com Cristo (At 11:26).
3. Exemplo a ser imitado (Fp 3:17). ”Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam“.Paulo desafiou os filipenses a buscarem a semelhança de Cristo seguindo o exemplo do próprio Paulo, assim como os exemplos de outros cujas vidas eram baseadas na dele (aqueles crentes maduros mencionados em Fp 3:15). Isto não era egoísmo da parte de Paulo, porque ele sempre enfocou Jesus Cristo e rogou aos crentes para também seguirem o exemplo de outros que seguiam a Cristo. Eles não deveriam seguir os falsos obreiros ou os inimigos da cruz(Fp 3:18). Em vez disso, como Paulo enfocava a sua vida em ser como Cristo, eles também deveriam fazer o mesmo. Portanto, ele rogou que eles o imitassem como um guia prático de conduta.O fato de Paulo poder dizer às pessoas para seguirem o seu exemplo é um testemunho de seu caráter. Você pode fazer o mesmo? Que tipo de seguidor um novo cristão se tornaria se ele lhe imitasse? Às vezes, de brincadeira, ouvimos alguém dizer: “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Não era assim com o apóstolo Paulo. Ele pôde apresentar sua vida como modelo de devoção total a Cristo e sua causa.

III. A ASPIRAÇÃO CRISTÃ HOJE
Viver no centro da vontade de Deus deve ser a aspiração do cristão que é sincero em sua prática cristã. Todo esforço neste sentido é sem dúvida extremamente compensador. Devemos cumprir a vontade de Deus, não de boca, mas de atos concretos de obediência à Sua Palavra.
1. A atualidade do desejo Paulino. O propósito de Paulo em relação a si e aos cristãos de Filipos deve servir-nos de instrução, pois as dificuldades, tentações e demais obstáculos que serviam de empecilhos à vida de comunhão naquela época continuam atuais e bem maiores. Avida cristã não é um mundo de fantasia! Não é a falsa ideia de ter Deus na perspectiva de um papai Noel ou de um garçom que está disponível a servir o próprio capricho do ser humano. A vida de Paulo nos mostra uma verdade inevitável: a de quem quiser viver uma vida de fidelidade a Deus e de intensa busca pela maturidade espiritual precisa reconhecer que padecerá as mesmas angústias que o apóstolo padecia. Você ama ao Senhor? Deseja estar com Ele por onde quer que você ande? Então, o caminho é desembaraçar-se das coisas deste mundo, pois mesmo em angústias receberemos “o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus“. Precisamos ter uma vida centrada na Pessoa de Jesus Cristo, e ter uma vida centrada nEle é saber que apesar das angústias desta vida, todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam ao Senhor.
2. O cristão deve almejar a maturidade espiritual. Ao aceitarmos a Jesus e recebermos a salvação, candidatamo-nos à carreira cristã que exigirá esforço e determinação, a fim de que alcancemos a maturidade na fé. A salvação nos é dada pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. Mas, o crescimento espiritual na salvação depende de esforço e disciplina constante para que cheguemos à estatura de varão perfeito, segundo o modelo de Cristo Jesus. Então a salvação que alcançamos pela fé na obra redentora de Cristo, não é o fim, mas o início da caminhada. Nenhum esforço humano poderia ter causado a salvação, pois a redenção da alma é caríssima. Entretanto, uma vez salvo, temos o dever de desenvolver a nossa salvação até o ponto da maturidade plena no Senhor Jesus.Devemos nos conscientizar, pois, que a busca constante da maturidade espiritual é um desafio que está posto a todos nós que aspiramos a concretização do alvo que Jesus estabeleceu para todos nós, o Céu. O que era responsabilidade de Deus fazer, Ele efetivamente fez. Temos, então, de cumprir a nossa parte no processo, desenvolvendo-nos na fé, confiados no poder que Deus liberou-nos pela presença do Espírito Santo que em nós habita. Ainda não somos perfeitos na qualidade e proporção que o Senhor deseja. Mas, estamos a caminho, perseguindo a perfeição até que um dia cheguemos a estatura de varões perfeitos em Cristo. Certamente, não somos ainda o que gostaríamos de ser em outro mundo, mas graças a Deus, não somos mais aquilo que fomos um dia, e pela Graça de Deus somos o que somos.

3. Rejeitando a fantasia da falsa vida cristã. Qual a sua aspiração cristã hoje? Na sociedade atual, temos visto muitos cristãos lutando arduamente pela conquista de bens materiais, fama, prestigio e poder. As pessoas querem, a todo o custo, serem VIPs. Mas, o que adianta ter todos os bens nesta terra, ser VIP, ter prestigio e no fim de tudo não desfrutar da vida eterna com Cristo? Creio que o desejo maior do autêntico cristão deve ser a conquista do prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus, a salvação. Sigamos o exemplo da vida de Paulo; seu alvo era a pessoa de Jesus Cristo; seu ideal e sua aspiração constituíam em conhecer mais do Mestre.

CONCLUSÃO
No decurso da nossa vida, há todos os tipos de distrações e tentações, tais como os cuidados deste mundo, as riquezas e os desejos ímpios, que ameaçam sufocar nossa dedicação ao Senhor. Necessário é esquecer-se das “coisas que atrás ficam”, isto é, o mundo iníquo e nossa velha vida de pecado, e avançar para as coisas que estão adiante, a saber, a salvação completa e final em Cristo. Que posamos fazer a mesma declaração do apóstolo Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Cl 2:20).

Bibliografia:

Comentário Bíblico popular (Novo Testamento) - William Macdonald.
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia - J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI - EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão - nº 55 - CPAD.
Comentário do Novo Testamento - Aplicação Pessoal.
Filipenses - A alegria triunfante no meio das provas - Rev. Hernandes Dias Lopes.

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