04 agosto 2013

OPOSIÇÕES BÍBLICAS AO NEOPENTECOSTALISMO


A palavra “neopentecostalismo” é usada para designar todo o movimento que surgiu na década de 60 e 70 que nascente do “pentecostalismo clássico”, mas com a ênfase na saúde perfeita, prosperidade, triunfalismo e práticas esotéricas, acabou tornando-se um novo movimento pentecostal. Daí o termo “neo” (novo). Assim, todo pastor, membro e igreja que divulgam esse modismo são denominados de “neopentecostais”. Isto é, novos pentecostais. O neopentecostalismo possui cognomes bem familiares quando pesquisamos sobre o assunto. E para você não se confundir com palavras diferentes do que estamos falando aqui, são cognomes: Movimento da Fé, Teologia da Prosperidade, Confissão Positiva. Qualquer citação desses nomes aqui ou em textos de outras literaturas ou páginas da web estamos falando de “neopentecostalismo”.

SEUS GENITORES

Kenneth Hagin – O pai dos movimentos de fé

Nascido em Agosto de 1917, em McKinney – EUA. A partir dos anos 60 ele deu ao movimento de cura uma amplitude maior que seus antecessores. Junto a simples fé que Jesus Cristo cura enfermidades, Hagin pregou a confissão positiva como elemento essencial para cura divina.

Hagin foi pastor da igreja Batista em uma pequena igreja no Texas entre 1934 a 1937. Rompeu com os batistas por causa de sua insistência em pregar a cura divina e seu constante fascínio pelo sobrenatural. Em 1937 relata ter sido batizado com o Espírito Santo e no mesmo ano foi licenciado como pregador das Assembléia de Deus. Pastoreou várias igrejas nos Texas por 12 anos vindo a se desligar da igreja em 1949.

Hagin considerava suas profecias e revelações tão especiais e maiores que ameaçava os que ouviam o que ele ensinava. Sua arrogância chegava a ameaçar de morte pessoas, igrejas e pastores que não ouvissem ou não aceitassem sua mensagem. Relata que um pastor havia morrido por não ter aceitado sua mensagem (Understanding Your Cofession, pág.23).

Hagin não percebeu que esta posição ao invés de colocá-lo como especial diante de qualquer estudante sério das Escrituras o iguala aos falsos profetas fundadores de seita, que asseguram que a fonte de suas revelações é sobrenatural, incontestável e absoluta.

Além de Kenneth Hagin, vários outros nomes contribuíram com o neopentecostalismo, tais como: Kenneth Copeland, Benny Hinn, David Robertson, Oral Robertson, Fred Price e Paul Crouch.

AS RAMIFICAÇÕES NEO PENTECOSTAIS

Considerando o fato de que o neopentecostalismo também foi divulgado por pastores tradicionais (ou seja, não pentecostais). Podemos classificá-lo em dois grupos:

· Os que aceitam alguns dons: Conforme a definição já diz, os pregadores ou pastores neopentecostais fazem forte rejeição aos dons de profecia, interpretação das línguas, palavra de ciência e palavra de sabedoria. Bem como a manifestações de novos pentecostais conhecidos como do RÉTÉTÉ.

· Os que aceitam todos os dons: Podemos dizer que os que seguem essa ramificação realmente foram oriundos do pentecostalismo evangélico. Onde mesclaram a doutrina pentecostal clássica com novas doutrinas. Daí o porquê de se chamar “novo pentecostalismo”. Nesse grupo inclui o movimento G12, M12 e MDA onde geralmente as igrejas que adotam modelos em “células” aderem o novo pentecostalismo, com raras exceções. Ressalto aqui também que o movimento conhecido como RÉTÉTÉ se inclui nesse grupo dos novos pentecostais.

SUAS PRINCIPAIS DOUTRINAS

I – O poder das palavras

Os neopentecostais acreditam que a mente e a língua humanas contêm uma habilidade ou poder sobrenatural. Quando alguém fala, expressando a sua fé em leis supostamente divinas, seus pensamentos e expressão verbal positivos produzem uma “força” supostamente divina que irá curar, proporcionar riqueza, trazer sucesso e, de outras maneiras, influenciar o ambiente.

Segundo os pregadores neopentecostais, Deus responde automaticamente e realiza o que ordenamos quando confessamos nossas necessidades e desejos pela fé, de maneira positiva (chamam “confissão positiva”). Entretanto, esses pregadores também afirmam haver perigo em tudo isso. Essas leis cósmicas operam indiscriminadamente. Por exemplo, a “confissão negativa” - qualquer confissão dita de forma negativa produz também resultados negativos.

II – Deus

Um ser sobrenatural que opera mediante uma lei espiritual e que pode ser influenciado por homens e mulheres, a fim de realizar os desejos deles. O Deus do neopentecostalismo não só revela a doutrina da prosperidade sobrenaturalmente aos pregadores neopentecostais como também confirma as interpretações que eles fazem da Bíblia.

III – Expiação

Cristo ao morrer por nossos pecados ele teve que fazê-la espiritualmente. Descendo ao inferno e pagando lá o preço do pecado.

IV – Fé

Uma força ou poder espiritual que pode controlar a criação, comandar anjos, influenciar o futuro, e até manipular Deus. Pelo que afirmam que até Deus precisou de fé.

V – Bíblia

A chamam de “logos”, que é um livro que contém palavras de poder divino, o “rhema”, que é a palavra dita, expressa de Deus, que faz com que as coisas sejam realizadas. Desta forma, eles afirmam que podemos usar a palavra “rhema” para realizarmos no mundo espiritual e físico aquilo que desejamos.

VI – Homem

Segundo a Confissão Positiva o homem é a duplicação de Deus. Keneth Hagin, o mais destacado mentor da “teologia da prosperidade”, afirma: “O homem... foi criado em termos de igualdade com Deus”. Keneth Copeland diz: “A razão para Deus criar Adão foi seu desejo de reproduzir a si mesmo... não era um deus pequenino. Não era um semideus. Nem ao menos estava subordinado a Deus”. Morris Cerullo disse: “Vocês sabiam que desde o começo do tempo o propósito inteiro de Deus era reproduzir-se?” Charles Capps comenta: “Deus duplicou a si mesmo em espécie!... Adão foi uma exata duplicação de Deus!” Valnice Milhomens: “Deus assumiu a natureza humana para que o homem assuma a natureza divina.” Assim, reduzindo Deus a categoria humana e o homem ao “status” divino, ensinam para multidões de desinformados e incautos que devem ser atrevidos, ousados e afoitos. Que o cristão não deve pedir, mas exigir seus direitos. Tudo que o crente fala, essa palavra é transformada em ação. O crente exige riqueza, prosperidade e saúde e, obviamente segundo essa interpretação, Deus é obrigado a “obedecer”.

VII – Prosperidade, bênçãos e maldições.

Crescimento espiritual no conhecimento do Deus que oferece saúde, riqueza, sucesso, paz pessoal, felicidade e a capacidade de realizar milagres maiores que os de Jesus. Bem como entendimento espiritual sobre bênçãos e maldições, forças independentes que atuam sobre a humanidade.

VIII – Satanás e o Mal

O mal estar impregnado em toda matéria (por influência do dualismo gnóstico). Por isso, toda doença, miséria, catástrofe e maldade procedem de Satanás. Percebe-se que há uma confusão que eles fazem entre Satanás e o mal.

Agora considere francamente o que você leu acima: o neopentecostalismo tem uma ortodoxia de Deus, de expiação, de fé, de Bíblia, do homem, de Satanás e de Mal?

OBJEÇÕES BÍBLICAS

Diante do que vimos acima, podemos assim fazer algumas colocações claras da ortodoxia bíblica sobre as doutrinas neopentecostais, reprovando assim a heterodoxia presente nas confissões de fé.

Contestação I – Acerca do “Poder das Palavras”

Os neopentecostais acreditam que as palavras proferidas têm poderes autônomos para realização de coisas sobrenaturais. “Significa trazer literalmente à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que fé é uma confissão.” (Revista Defesa da Fé No15 pág.38). Creio que esse pensamento acaba sendo aceito por muitos evangélicos por falta de compreensão do “poder” da língua. Dentro da visão bíblica, esse “poder” não é algo sobrenatural, como os neopentecostais tentam explicar através da confissão positiva, não é o “poder” tal qual tem a palavra de nosso Deus, que falou e as coisas foram criadas. De acordo com Tiago 3.6-10 o “poder” da língua está vinculado ao que falamos ou ensinamos no âmbito natural. Quando Tiago diz: “Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!” (v.5). Está referindo-se ao mexerico, fofoca, difamação, maledicência e até mesmo um ensinamento errado (veja v.1). Mais adiante diz: “carregado de veneno mortífero” (v.8). Também: “Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens...” (v.9). A palavra “amaldiçoamos” nesse texto sofre os efeitos da polissemia. Na verdade Tiago está se referindo a “maldizer” e não “amaldiçoar”. O que vai determinar o verdadeiro sentido do texto aqui é o seu próprio contexto. Veja bem, o início do verso diz que com a língua “bendizemos”, qual é o oposto de bendizer? A Bíblia declara que o “poder” da língua é natural, enquanto que a doutrina neopentecostal diz que é sobrenatural. Creio que devemos ficar com a Bíblia!

A doutrina neopentecostal da confissão positiva ou negativa é bíblica? O que dizer de algumas das várias confissões negativas registradas na Bíblia que pessoas de Deus fizeram? Eles estavam errados? De fato não eram neopentecostais! Observe algumas confissões: (1): “... basta ao dia o seu próprio mal”. (2): “... A minha alma está profundamente triste até à morte...”. (3): “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem”. (4): “Pois a nossa alma está abatida até ao pó, e o nosso corpo, como que pegado no chão”. (5): “Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero... e que haja entre vós contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos. Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram...”. (6): “... temendo que o Tentador vos provasse, e se tornasse inútil o nosso labor”. (7): “Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho”. (8): “... já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte...” (9): “... em nós, opera a morte... mesmo que o nosso homem exterior se corrompa...”.

E o que dizer das confissões positivas registradas na Bíblia? Aconteceram por causa do poder de Deus ou do poder da língua? Se a sua resposta é a confissão positiva pode está certo que sua afirmação já saiu dos limites do cristianismo e já entrou em terreno da magia! Neuza Itioka, em seu livro “Os Deuses da Umbanda” (Pág.29), definiu assim a magia: “Magia é um meio que os homens chamados ‘primitivos’ usam para influenciar as forças da natureza, utilizando-as para o bem ou para o mal, através da música, do canto, da dança, ou das orações mágicas. Feitiço é um meio para se manipular a situação com a ajuda do poder sobrenatural.” Esse conceito não é cristão, mas sim pagão.

Não descarto aqui a motivação para as pessoas serem positivas, otimistas e etc. Mas o caminho de coerência bíblica deve ser trilhado. Essa estória de que os “fins justificam os meios” não funciona quando se fere a Bíblia Sagrada!

Continuaremos amanhã...

Deus os abençoe em nome do Senhor Jesus.

Abraços.

Vivam vencendo!!!

Seu irmão menor.


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