05 agosto 2013

OPOSIÇÕES BÍBLICAS AO NEO PENTECOSTALISMO(II)




Contestação II – Acerca de “Deus”

Há uma falta de compreensão de Deus. Isso revela que a teologia neopentecostal é muito debilitada biblicamente falando. O Deus da Bíblia nos apresenta que ele é SOBERANO: “Ele, em seu poder, governa eternamente; os seus olhos vigiam as nações; não se exaltem os rebeldes”. (10). “Pois do SENHOR é o reino, é ele quem governa as nações”. (11). Negar a soberania de Deus é um ato rebelde e descompromissado com a verdade (12). Quando eu ensino que Deus está submetido às leis nas quais ele próprio criou estou negando a sua soberania. Pois como Deus vai criar leis para ele obedecer se ele é Deus? As leis de Deus foram para a sua criação e as suas criaturas. A não ser que se acredite que haja alguma lei que ele não tenha feito na qual controla a divindade. O que seria um pensamento desaforado e extrabíblico. A grande contradição desse pensamento é que a Bíblia diz que Deus criou todas as coisas: “... Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”. (13). “O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade”. (14). Deus pode até se submeter às suas leis para nos dar exemplo, mas afirmar que através de petições que fazemos por meio da fé vai automaticamente levá-lo a nos dar ou obrigá-lo a fazer, isso fere claramente a sua soberania. Quando falamos em “soberania divina” não podemos deixar de falar na “Sua vontade” a “vontade de Deus”. Foi assim que Jesus nos ensinou a orar: “... Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu”. (15). Mais adiante diz a Bíblia: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. (16). Jesus Cristo nos estimulou a orar, a pedir, a bater na porta, a buscar e etc. Mas ele não tinha em mente que havia leis espirituais nas quais se eu as usasse obrigá-lo-ia a nos dar. Esse tipo de doutrina é maligna, como assim nos adverte a Bíblia: “Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna”. (17).

Contestação III – Acerca da “Expiação Espiritual de Cristo no Inferno”

Esse pensamento deriva do pensamento dualista de meteria e espírito. Ora, se eu acredito que o mal está na matéria, Cristo, como espiritual, deveria expiar o pecado no mundo espiritual. Para que o seu sacrifício seja do bem e aceito. Entretanto, além da objeção que farei mais adiante, a Bíblia não diz que Cristo foi ao inferno sofrer pelos nossos pecados. Isso é o que chamamos de interpretação “além” da Bíblia (18). É preciso fazer muitas alterações nas doutrinas da Bíblia, bem como rejeitar outras e mesclando com muita fábula humana para que esse disparate seja aceito (19). A Palavra de Deus nos adverte: “... rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. (20).

Contestação IV – Acerca da “Fé”

A fé é definida na Bíblia como “confiança” na seguinte passagem: “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do SENHOR, nosso Deus”. (21). Onde “gloriaremos” sofre os efeitos da polissemia.

A fé é definida na Bíblia como “certeza” e “convicção” na seguinte passagem: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem”. (22). Certeza de que as promessas de Deus serão concretizadas. E convicção disso, mesmo não vendo.

A fé é caracterizada como uma busca por Deus e uma conseqüente recompensa: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. (23)

A fé é caracterizada como uma necessidade para a salvação (24), para justificação (25), para a realização de milagres (26). Porém a fé não faz o milagre acontecer. Os milagres contidos na Bíblia são de autoria divina (27). Há casos em que a fé não foi necessária para o milagre acontecer: A cura do cego de nascença (28), o deficiente junto ao tanque de Betesda (29), a multiplicação dos pães (30) e etc. Fazendo uma ilustração para entendermos melhor esta conceituação, vamos falar de energia elétrica. Existe a energia elétrica e os condutores de eletricidade (ferro, cobre, água). Digamos que a energia elétrica é a vontade de Deus e os condutores seja a fé. Veja bem, para chagar energia elétrica em sua casa precisa-se dos fios condutores? Sim, sem os condutores de eletricidade não tem como chegar energia elétrica em nossa casa. Para que algo que pedimos a Deus seja respondido por ele devemos ter a fé para receber. O fato de possuir condutores de eletricidade faz a energia elétrica existir? Não, os condutores de eletricidade não possuem energia própria. Como o nome já diz, são apenas “condutores”. A fé não possui poder próprio. Sem a vontade de Deus não há milagres, bênçãos ou qualquer outra coisa. A energia elétrica depende dos condutores de eletricidade? Não, os condutores apenas conduzem a energia. Eles não transformam a energia, não guardam e nem geram energia. A fé não pode criar respostas divinas positivas para nossas orações. A fé apenas conduz a vontade de Deus até nós. Seja ela sim ou não. A vontade de Deus é soberana e independente (31).

A fé é caracterizada como única. A divisão feita da fé como “dom do Espírito Santo” (32), como “salvífica” e até como “natural”, acontece apenas para estudarmos melhor o assunto. Porém a Bíblia nos admoesta a mantermos uma só fé: “Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. (33). Essa fé foi entregue ao povo de Deus arrependido separado para Ele (34). Assim, todos têm fé, sem acepção de ninguém (35).

A fé não é uma força que emana poderes sobrenaturais influenciando Deus para abençoar as pessoas. Este conceito de fé é totalmente pagão. Deus é totalmente independente de influências externas: “... terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer”. (36). Claro que essa passagem não fecha a questão, pois a Bíblia também tem passagens que mostram Deus incentivando o seu povo a orar e a buscar as suas bênçãos (37). Entretanto, essa passagem, retira o mito ou a superstição criado em torno da fé.

Deus não precisou ter fé para criar o universo, pois Ele é antes de tudo, até mesmo antes da fé (38). A fé está ligada intimamente a humanidade que, depois da queda, precisa dela para relacionar-se com Deus (39).

Entendemos a criação de Deus pela fé, mas Ele apenas usou da sua palavra para criar: “É pela fé que entendemos que o Universo foi criado pela palavra de Deus e que aquilo que pode ser visto foi feito daquilo que não se vê”. (40). Não existe nenhuma declaração nesse texto que diga que Deus usou de fé. O termo “fé” dentro do contexto está associado ao entendimento do ser humano quanto a criação de Deus. Ele “chama à existência as coisas que não existem” (41) pelo poder de sua palavra (42) e não de sua fé.

Contestação V – Acerca da “Bíblia”

Hagin, como todos os seus seguidores, põe muita ênfase na diferença entre as palavras gregas “logos” e “rhema” traduzidas como “Palavra de Deus”. Dizem que “logos” significa a palavra genérica, impessoal, apenas escrita nas páginas da Bíblia e o “rhema” é quando esta palavra se torna pessoal, direta, aplicável na vida pessoal de que lê as Escrituras. Porém não há, segundo os biblicistas mais acurados, tal diferença no uso destas palavras no original.

Notem, por exemplo, Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta, capítulo 1.23,25 (“Stephanos Greek Text 1550”):

“23anagegennhmenoi ouk ek sporav fyarthv alla afyartou dia logou [palavra] zwntov yeou kai menontov eiv ton aiwna...25 to de rhma [palavra] kuriou menei eiv ton aiwna touto de estin to rhma [palavra] to euaggelisyen eiv umav“. (Bíblia Online 3.0).

Tradução Almeida Revista e Atualizada:

“23 Pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra [logos] de Deus, a qual vive e é permanente... 25 a palavra [rhema] do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra [rhema] que vos foi evangelizada”.

Como podemos ver na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos.

O significado das palavras gregas:

“Logos”, no original grego é “palavra” que pode assumir contornos diferentes. Às vezes significa apenas uma expressão de pensamento como: a) corporificação de uma idéia (43); b) uma direta declaração de Deus (44); c) uma afirmação do próprio Cristo (45); d) A revelação da verdade dada por Cristo (46). “Logos” é um título para o Filho de Deus (47).
“Rhema”, no grego é mero sinônimo de “logos”. O que comumente se propaga através da Teologia da Prosperidade de que “rhema” significa uma palavra personalizada de Deus a partir da palavra geral, não tem nenhum respaldo bíblico. Esta conotação dos pregadores da Teologia da Prosperidade é dualista.

Quando os pregadores da Teologia da Prosperidade estão pregando, geralmente dizem que “receberam um Rhema de Deus”. Na verdade estão fazendo é uma eisegese* do texto bíblico. (* interpretação superficial vinda de fora para dentro do texto).

A Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã põe um ponto final quando esclarece dúvida sobre o uso de Logos e Rhema na Bíblia:

“Na LXX (septuaginta) as palavras Rhema e Logos são usadas para traduzir a palavra hebraica “dabar”. Na frase bem conhecida “veio a palavra do Senhor”, é traduzida por Logos em 2Sm.24.11; 1Rs.6.11 e etc., e por Rhema em 1Sm.15.10; 2Sm.7.4; 1Rs.17.8 e etc.(...) O Novo Testamento usa ambas, rhema e logos, com aparente indiferença a qualquer variação relevante de significado.”

Contestação VI – Acerca do “Homem”

Somo deuses?

Em nenhum texto das escrituras aprendemos que Deus fez o homem um deus, ou que ele tenha prometido que a humanidade um dia viria a ser deus. Somente uma interpretação muito superficial e fora do contexto das Escrituras levaria alguém a provar isso. A Bíblia repete tanto no Antigo Testamento como Novo Testamento que só há um Deus (48). As Escrituras também insistem que Deus é um ser único, distinto da sua criação. Seus atributos de eternidade, onisciência, onipotência e soberania demonstram que ele é ímpar (49).

Não se pode, entretanto, esquecer que há dois textos da Bíblia que parecem mostrar que somos chamados de deuses: Sl.82.6 e Jo.10.34,35 (uma repetição do mesmo salmo citado anteriormente).

A colocação do texto pode parecer devastadora e convincente para aqueles que não concordam com a Teologia da Prosperidade. Porém na época quem lia o texto não tirava esta conclusão. Sabe porque? Por que todos na maioria eram judeus, o hebraico era língua do povo. A palavra “deuses” ou “Deus” do nosso idioma literalmente dão significado de divindade. Apenas no uso metafórico podemos aplicá-las a pessoas. Na língua hebraica, idioma em que foi escrito o Antigo Testamento, a palavra “Elohiym” (traduzimos deus ou deuses) não é uma palavra literalmente aplicada a divindade, mas a governantes, juizes e anjos. O uso da palavra era comum atribuída a pessoas, por isso não vejo nada de mais em cima destes textos. No evangelho de João, Jesus apenas recita o mesmo texto hebraico. Pois os judeus pegavam em pedras para apedrejá-lo por dizer ser filho de Deus (50). A questão levantada por Jesus era que, se os juizes eram chamados de “elohiym” (deuses), como podiam objetar ele quando se dizia filho de Deus? (rodapé da Bíblia Apologética pág.1202 citação de Jo.10.34).

Fomos feitos réplicas ou imagem de Deus?

Mesmo a Bíblia não contendo a expressão que somos feitos réplicas de Deus, os defensores da Teologia da Prosperidade insistem que a terminologia latina “imago Dei” significa exata cópia de Deus. Mas, esta expressão teológica surgiu por outros motivos. A questão na época era se todos os homens tinham ou não a imagem de Deus. Uns sustentavam que os descrentes não tinham a imagem de Deus, já outros acreditavam que todos os homens, sendo crentes ou descrentes, tinham a imagem de Deus. E nesta discussão chegou-se a conclusão que todos os homens têm a imagem de Deus. Declaração afirmada pelo Pacto de Lausanne.

Deus jamais faria outro deus. Sua palavra não pode contradizer-se:

“Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.” (51).

Nenhuma afirmação de que somos “filhos de Deus” declarada pelos teólogos da prosperidade, usando até passagens da Bíblia, irá nos convencer que somos da mesma natureza que Deus ou que somos deuses. O texto de João 1.18 não deixa brecha para essa interpretação:

“Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
A palavra “unigênito” significa “único gerado” (dicionário eletrônico da Bíblia Online 3.0) do grego “monogenes”, isto é, único do seu tipo, exclusivo (idem, palavra grega no 3439).
Somos “filhos de Deus” por adoção, como nos ensina as Escrituras:

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai... E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (52, o grifo é meu).

“Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (53, o grifo é meu).

Essa “nova natureza” que recebemos não é uma natureza divina como pregam os teólogos da prosperidade, mas uma natureza diferente da velha, que é escrava do pecado, dominada pela natureza pecaminosa e influenciada pelo diabo. Uma natureza dependente de Deus e influenciada pelo seu Espírito. Em Romanos 6.15-23 o apóstolo Paulo trata esta nova natureza como “escrava da justiça” e a velha como “escrava do pecado”.
Não precisamos fazer muitos esforços para percebermos que estes “teólogos” não são formados em teologia, pois se são, ou esqueceram de estudar a doutrina da regeneração, doutrina de Deus e doutrina do homem ou formularam uma heresia em cima dos assuntos.

Ainda tem o texto de 2Pedro 1.4 que usam como base para afirmar que recebemos uma natureza divina. Vejamos o comentário da Bíblia Apologética sobre o texto:

“Kenneth Copeland declara: ‘Ora, Pedro disse que mediante grandíssimas e preciosas promessas tornamo-nos participantes da natureza divina. Muito bem, somos deuses. Somos uma classe de deuses! ’ (Programa Praise the Lord pela TBN 05 de fevereiro de 1986. EUA...). Resposta Apologética – Os versículos 5-11 que se seguem, mostram que Pedro não estava dizendo que os cristãos se tornam Deus ou deuses, mas que eles passam por uma transformação moral de sua natureza. Escapando da corrupção que pela concupiscência que há no mundo (v.4), para uma natureza que reflete o caráter de Deus (v.5-11). Sob hipótese nenhuma, esse texto pode ser distorcido para significar que os crentes sejam deuses ou uma classe de deuses”. (Pág.1389).

Ser participante da natureza divina é bem diferente de ter natureza divina. Somos participantes porque temos em nossas vidas o Espírito Santo. Neste sentido participamos ou estamos dentro dos planos divinos. Foi Jesus que nos deixou esta grandíssima e preciosa promessa em Jo.14.16,17.

Contestação VII – Acerca da “Prosperidade, bênçãos e maldições”.

Existem três tipos de teologias no que diz respeito à aquisição de posses: Teologia da Miséria - TM (não-materialista – 54); Teologia da Prosperidade - TP (prosperidade é a recompensa do justo – 55) e Teologia da Mordomia Cristã - TMC (os bens são confiados em proporções variadas – 56).

As teologias da miséria e prosperidade buscam o extremo, enquanto que a teologia da mordomia cristã busca o equilíbrio, por isso é a mais bíblica. Vejamos alguns pontos cruciais entre as três e você perceberá isso:

· Os bens materiais: Para a TM são maldições, para a TP são direitos adquiridos, enquanto que para a TMC são oportunidades que Deus concede por sua graça;

· O Dinheiro: Para a TM deve ser rejeitado, para a TP é propriedade dos filhos de Deus, enquanto que para a TMC deve ser administrado.

· A riqueza: A TM tem o conceito de rejeição, a TP tem o conceito de propriedade, enquanto que a TMC tem o conceito de administração.

Continuaremos amanhã.
Te aguardo aqui.

Grande abraço.
Vivam vencendo as falsas doutrinas!!!
Seu irmão menor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário