09 agosto 2013

Uma Assembléia de Deus, dentro de outra Assembléia de Deus

Assembleia de DeusAs comemorações do centenário das Assembleia de Deus no Brasil passaram e infelizmente a denominação declina por vários e sérios motivos. A velha guarda, os emblemáticos septuagenários e octogenários líderes estão saindo de cena da direção das grandes matrizes eclesiásticas e não sabemos o que virá depois das despedidas ou jubilação desses que nos foram pastores de verdade. A realidade é que existem fortes evidências da existência de uma Assembléia de Deus genérica forjada por uma ala mais liberal da cúpula assembleiana. Tal performática carrega uma nuvem de incertezas quanto ao futuro e integridade cristã da denominação, pois compromete estruturas de crença e liturgia, rompe ligaduras e despreza a herança doutrinal da casa religiosa.
Porque genérica? Porque já não tem mais a mesma ortodoxia e contundência pentecostal, porque boa parte de sua liderança desviou-se de seu propósito bíblico e pastoral, porque falta unidade doutrinária, porque existe uma notória heterodoxia em cada congregação local, porque baixaram guarda no combate aos modismos, porque falta administração transparente das finanças e, sobretudo pelo enfraquecimento de sua personalidade conservadora quanto ao modo de viver de sua membresia.  O desgoverno institucional de nossa nomenclatura evangélica provocou um efeito dominó que atingiu toda a comunidade assembleiana, de modo que os desmandos administrativos promoveram incontinências, enfraqueceram a direção nacional, puseram em dúvida a autoridade, respeito e crédito dos órgãos representativos e reguladores da denominação. Essa perda referencial é o que também provoca e agrava o esfacelamento da unidade desta centenária igreja evangélica.
Uma Assembleia de Deus distante daquela Assembleia que pregava um evangelho simples, mas com comprovação na vida das pessoas que abraçavam a poderosa mensagem pentecostal; distante não pelo fator cronológico, mas pela descaracterização de sua identidade, comportamento, ensino e ética.  Essa Assembleia de vestes mundanas, lascivas e escandalosas (é uma consideração figurada); de esforço galanteador a pregar uma prosperidade tendenciosa ao material; de entregar-se a uma secularização que extingue a espiritualidade e que reprime a pregação clara pela santidade é outra Assembleia que tenta tomar o lugar da verdadeira. Uma Assembleia mais política, mais elitizada, mais culta, mais tecnológica e infelizmente menos ela mesma do ponto de vista de sua razão histórica e pentecostal.
A denominação se modernizou em suas posições religiosas e comportamentais e isso a desfigurou, o processo gerou uma desconstrução institucional, pois comprometeu a conservação de seus bons costumes e os dissolveu numa massa ideológica fermentada pelo modernismo e humanismo seculares que trouxeram para dentro da igreja imoralidade, ganância, avareza e toda sorte de obras da carne. É importante salientar que seria incabível para a igreja atuar no XXI se mantivesse seus extremos fundamentalistas, mas daí a perder sua alma de preservadora da sã doutrina é outra questão. Por tal motivo a Assembleia de Deus está dividida dentro de suas próprias paredes, perdida em meio a convicções diversas e divergentes; e sob o mesmo teto denominacional o lado posicional é variado, pois coexistem cosmovisões que se atacam e se atracam em posicionamentos locais sem o necessário pronunciamento oficial da denominação (CGADB e CONAMAD e Convenções estaduais).  As ovelhas mais descoladas passeiam por pastagens de um evangelho secularizado beirando a uma espécie de humanismo de certa forma hedonista; enquanto isso as mais recalcadas com a perceptível crise existencial de nossa denominação se isolam em seus cantos de murmurias e deflagrações.
Atribuo à responsabilidade por tal desconfiguração a nossas proeminentes lideranças quanto a essa confusão de qual é a Assembleia que estamos congregando – afinal nenhum deles se pronuncia sobre o agravado problema. Em algum momento líderes importantes e vultosos de nossa denominação foram contaminados pela cobiça e deixaram o pastorado para tornarem-se donos e mandatários da igreja. Por astúcia e esperteza preocuparem-se com a perpetuação no poder, com isso desenvolveram esquemas de sucessões que beiram a nepotismo, para tanto desenvolveram uma política eclesiástica unilateral e fisiológica, construíram grupos partidários e forjaram frentes de oposição dentro do lastro eclesiológico da denominação pendendo-a para um lado obscuro de sua confusa imagem atual. Com tanta ocupação no esforço para alcançar ou manter-se no poder deixaram a denominação e as igrejas locais à deriva dos ventos de doutrina, dos aproveitadores de plantão e as expuseram fragilmente aos dardos do maligno que jamais perde oportunidade para atacar a obra de Deus.
Não é com alegria que escrevo o artigo, mas como membro e obreiro da Assembleia de Deus há uma esperança de que a denominação possa integrar boa parte de seus membros à verdadeira e universal igreja de Cristo. Oremos para que nossa liderança abra seus ouvidos e coração e ouça a voz de Deus e aceite a direção do Espírito Santo para nos conduzir tão somente pela nobre causa do Evangelho e não pelas tentadoras oportunidades do adversário que tenta levantar uma “Assembleia de Zeus” dentro da Assembleia de Deus!
Sara news
ive

Um comentário:

  1. Sou membro da Assembléia de Deus e discordo quando dizem que as transformações vem da liderança. O que tenho visto é que as influencias de costumes e modismos de outras denominações e também as mudanças na sociedade fazem com que muitos membros queiram uma posição diferente da denominação ocasionando mudanças que podem variar de um templo para outro e de um pastor para outro.Mas não acredito num desmoronamento da Assembleia como organização, pois existem ainda muitos líderes que são pessoas sérias. Como parte da igreja de Deus, nem se fala, pois o inferno não prevalece contra ela. Acredito no poder de Deus e na estratégia do Espirito Santo e portanto, somente com oração manteremos o padrão bíblico que é o único que interessa e que devemos obedecer.

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