25 dezembro 2013

Lição 13 - "Tema a Deus em todo o Tempo"

TEXTO ÁUREO

“Lança o teu pão sobre as águas, porque, depois de muitos dias, o acharás” (Ec 11.1).

VERDADE PRÁTICA

Lançar o pão sobre as águas é fazer o bem e ter esperança quanto a um futuro desconhecido.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Eclesiastes 11.1-10
Introdução

Olhando pelo Retrovisor

Salomão chega agora ao final das suas reflexões sobre o viver debaixo do sol. Como era de se esperar, ele faz um contraste com vívidas palavras sobre a vida e seus diferentes momentos. São estágios bem definidos: Juventude e velhice; alegria e tristeza; vida e morte; presente e futuro; o temporal e o eterno.

O texto deixa-nos a sensação de que a sua reflexão é feita de trás para frente, do fim para o começo. Ele fala da juventude, mas é a partir de uma análise nua e crua da velhice. Fala da vida, mas é com os olhos fitos na morte; ele fala do presente, mas é a partir do futuro; fala da vida, mas é a partir da morte; fala do temporal, mas seus olhos estão voltados para o eterno; fala da criatura, mas seu alvo é o Criador; fala do nosso aprazimento aqui, mas sem perder de vista o julgamento final.

Aprendamos, pois, como esse entendimento nos ajuda na construção de uma fé sadia e fundamentada no temor do Senhor.

A Verdade que não Pode Ser Esquecida

A criatura

O livro de Eclesiastes inicia o capítulo 12 com uma exortação: “Lembra-te do teu Criador”. Uma das doutrinas bem definidas na Bíblia é a da criação por Deus de todas as espécies. Deus é o criador, e o homem como um dos seres viventes é a criatura (Gn 2.7). Mas o texto aqui não está interessado em provar a existência de Deus, para Salomão, que era teísta e escreveu para teístas também, esse era um fato bem definido. O que o sábio quer é que seus leitores não se esqueçam das suas temporalidades, que são homens e como tais não se passam de criaturas. O hebraico reforça mais ainda essa necessidade de ter isso bem definido em mente quando usa o termo zakar, que além de lembrar, significa também recordar, trazer à mente, fazer um memorial. A ideia é: lembre-se, ponha isso na sua mente e se possível faça um memorial, mas não se esqueça que você é uma criatura e que possui um Criador.

“Finalmente estamos prontos”, observa o comentarista bíblico Derek Kidner, “se a nossa intenção tem sido essa, para olhar além das vaidades terrenas para Deus, que nos fez para si. O título Criador foi bem escolhido, fazendo-nos lembrar a partir de passagens anteriores no livro, que só Deus vê o padrão da existência como um todo (3.11), que nós estragamos a obra de suas mãos com as nossas “astúcias” (7.29) e que a sua criatividade é contínua e inescrutável (11.5). A nossa parte, lembra-te dele, não é um ato perfunctório ou puramente mental: é deixar de lado a nossa pretensão à autossuficiência, entregando-nos a Ele. Isto é o mínimo que as Escrituras exigem do homem em seu orgulho ou em situações extremas. No seu sentido melhor e mais forte, a lembrança pode ser uma questão de fidelidade apaixonada, uma lealdade tão intensa quanto a do salmista para com sua terra natal: “Apegue-se me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria”.

 “Quando a lembrança significa tudo isto”, continua Kidner, “não pode haver meias medidas ou contemporização. A juventude e o todo da vida não são suficientes para extravasá-la. É neste espírito que de novo somos instados a enfrentar nossa mortalidade. Desta última vez o trecho é mais demorado. Ao mesmo tempo é uma das mais belas sequências de figuras de palavras deste mestre da linguagem, uma realização suprema de sua dupla ambição: achar “palavras agradáveis” e “palavras de verdade” (v.10).1

O Criador

Na reflexão de Salomão, Deus aparece do começo ao fim. Em Eclesiastes 12.1, ele fala de Deus como o Criador e em Eclesiastes 12.13, ele mostra Deus como o supremo Juiz. Deus está desde o começo até ao fim! A ideia que o hebraico bara, traduzido como criar, passa é o de moldar e formar a partir do nada. É a mesma palavra usada em Gênesis 1.1, quando diz que “no princípio criou (hb. bara) Deus os céus e a terra”. Foi Deus quem criou, moldou e deu forma a criatura a quem Ele chamou de homem! E mais, criou a partir do nada! Sem Deus o homem é um nada! Forçosamente esse fato nos remete a enxergarmos o homem como a criatura, Deus como o Criador; o homem como ser temporal, Deus como o ser eterno! Esse fato nos ajuda também a encarar a vida com mais humildade e prudência.

Em seu excelente livro Quem é Deus — elementos de teologia filosófica, o teólogo Battista Mondin comenta:
Para o homem, Deus é tudo: sua causa primeira seu fim último, a fonte de sua vida, a luz da sua inteligência, a chama da sua esperança, o objeto do seu amor. Por isso, o homem jamais deve cessar de buscá-lo com todas as forças do espírito, da mente, da vontade, em todos os instantes da sua vida. De fato, “os homens sempre procuram Deus, talvez nos ídolos, nos líderes políticos, no fragor do terrorismo, nos ídolos da música ou do esporte. Procuram alguma coisa de essencial, mesmo sem sabê-lo. Buscam a divindade (...) [...] Deus não pode ser tratado como uma moda, como não podem ser vistos como moda os átomos e as moléculas, a energia atômica e solar, a vida humana, a existência pessoal, o céu e a terra, o homem e o mundo. Com Deus está em jogo toda a nossa existência, presente e futura, a maneira de entender a vida, nosso projeto de humanização, os valores fundamentais aos quais confiamos a realização de nós mesmos. A realidade de Deus não nos é estranha; aliás, é a mais importante que existe; ela delimita o horizonte dos nossos pensamentos, das nossas ações, dos nossos afetos, dos nossos desejos, do nosso próprio ser. Como (e mais do que) o ar que respiramos, a água que bebemos, a luz que nos ilumina. Deus não pode ser uma moda. Ele é a realidade primeira, fundamental, onipresente e incompreensiva, que nos tira do nada com um puríssimo ato de amor, e com igual amor nos mantém no ser. É para Deus, pois, que corre espontâneo e insistente o nosso pensamento; para ele corre incansavelmente, como “a corça para a nascente da água.

Os Lados Presente e Futuro da Vida

Eterna juventude

Senhor, 0 tempo foge aos. saltos, aos arrancos,
Vai-se 0 brilho do olhar, vêm os cabelos brancos.
A mocidade passa e, sem que se pressinta,
A velhice depois é uma fogueira extinta...
O tempo esmaga 0 corpo, aperta a fronte, encurva A coluna de prata e torna a baça e turva A nitidez azul do espaço indefinido...
O olhar, indagador, misterioso, atrevido,
Que alcança a curva ideal da imensidão que embriaga
É como um círio aceso e que depois se apaga...
Não quero envelhecer, quero esta agilidade Em sublime, perpétua, heroica mocidade...
Quero voltar, Senhor, ao meu desembaraço Que sorvia num salto a vertigem do espaço.
Revivescer! Ressuscitar! Felicidade!
Sentir recuperada a antiga agilidade...
Romper com a manhã sem preconceitos falsos O cabelo revolto, os pezinhos descalços...
O corpo é como o bronze — o tempo, num momento Transforma, desfigura o altivo monumento!
Senhor, cuida de mim, Esperança Imortal,
Quero revivescer na vida espiritual,
Quero ressuscitar, sepultar o homem velho,
E ser um porta-voz da nova do evangelho...
Satisfaz esta sede imensa de verdade,
Transforma numa glória a minha mocidade...
Deus do Bem e do Amor, da Paz e da Virtude,
Conserva para sempre a minha juventude!
(Gióa Júnior, São Paulo)

Salomão, portanto, discorrerá sobre a mocidade, da juventude se valendo de várias figuras que retratam com vivacidade esse estágio da vida. O alvo é mostrar a nossa finitude e com isso nos fazer enxergar quão frágeis somos diante da vida. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ec 12.1). Em Eclesiastes 11.9, ele já havia falado da juventude como uma fase de “recreação”, de “satisfação” e “primavera”. Todas essas metáforas criam uma imagem de exuberância que é característica da juventude. Na juventude, portanto, ninguém costuma se preocupar com lembranças, fazer memorial, guardar a história. Daí a exortação da necessidade de termos um referencial na vida e andarmos sempre com os olhos fitos nele. Em o Novo Testamento o autor sagrado mostra quem é esse referencial (Hb 12.2).



A velhice

Se a juventude é vista como um estágio onde se começa a viver a vida com toda a sua intensidade, a velhice aparece como um estágio final onde nada disso parece fazer mais sentido. Aqueles corpos fortes, cheios de vigor, agora estão alquebrados pelos anos e dando sinais claros que estão parando. O sábio não doura pílula, mas mostra de uma forma metafórica como a velhice é bem diferente da juventude. O prazer já não será aquele de antes, o sol não terá mais aquele mesmo esplendor, braços, pernas e dentes já não serão tão fortes, os olhos já não enxergam tão bem, a voz se torna fraca e os ouvidos já não escutam com precisão, o apetite já não é mais o mesmo e os cabelos já embranqueceram. Enfim, é um vaso frágil e sujeito a quebrar a qualquer instante!

Lançando mais luz sobre este texto, o Comentário Bíblico Vida Nova sublinha:
A redução da luz (2a) se refere a diminuição da capacidade de se alegrar. O retorno das nuvens (2b) se refere à sucessão de perplexidades, quando a velhice se aproxima. Guardas da casa é uma referência aos braços; os homens outrora fortes, as pernas; os moedores da boca, aos dentes; os teus olhos nas janelas é uma referência à visão (3). O versículo 4 faz várias referências à audição debilitada, ao envolvimento reduzido com o mundo exterior e ao sono irregular. O verso 5 (deixando a representação um pouco de lado) fala do medo de altura. Como floresce a amendoeira é uma alusão ao cabelo embranquecendo. Gafanhoto retrata o andar desajeitado. Perecer 0 apetite significa que o desejo sexual diminuiu. A morte (a casa eterna) e o pranto vêm em seguida. O verso 6 apresenta duas figuras da morte: em uma, um copo de ouro está preso ao fio de prata; a morte rompe a corrente. A segunda figura é a de um cântaro quebrado junto à fonte. A morte ocorre quando a roda se desfaz, o cântaro se quebra, e as águas da vida não são mais renovadas. O versículo 7 dispensa o recurso as figuras.

As Dimensões da Existência HumanaCorporal

Tudo o que vivemos na vida, suas alegrias como as suas tristezas, seus acertos como também seus erros, seu presente como seu passado, só são possíveis em razão da existência de nossa dimensão corporal. Possuímos um corpo e Salomão chama a atenção para esse fato: “E o pó volte à terra, como o era” (Ec 12.7a). Esse texto mostra que o nosso corpo está sujeito às limitações do espaço e do tempo. Aqui debaixo do sol não deveríamos nos esquecer de que nosso corpo possui essa dimensão temporal. A propósito, a física define nosso corpo sendo um estado limitado da matéria. Nosso corpo possui limites! Por isso o que seremos amanhã depende muito do que fazemos com o nosso corpo agora.

A Escritura não vê nosso corpo como sendo algo mau ou ruim. Não, pelo contrário, a Bíblia mostra que a nossa dimensão temporal é tão importante quanto a espiritual (1 Co 6.19,20). Devemos, pois, cuidar do nosso corpo e fazer uso dele para a glória de Deus.

A real importância da dimensão corporal do homem não tem sido bem entendida na nossa cultura ocidental. Isso se deve à influência da cultura grega que herdamos. Para os gregos, que se valiam de métodos metafísicos nas suas análises antropológicas, a parte mais importante do homem era a sua alma e não o seu corpo. Para eles, a alma seria a mais perfeita, portanto, a causa da existência e não o corpo que seria o seu efeito. Todavia os judeus, tendo em Filo de Alexandria o seu expoente maior, e o cristianismo paulino já viam o homem nas dimensões: somática (corpo); psíquica (alma) e espiritual (espírito).

O filósofo Battista Mondin mostra a importância da nossa dimensão corporal, pois sem um corpo:

-Não podemos nos alimentar.
-Não podemos nos reproduzir.
-Não podemos aprender.
-Não podemos nos comunicar.
-Não podemos nos divertir.

Ele destaca ainda que é mediante o corpo que o homem é um ser social. Os fantasmas nos assustam porque não tem corpo. É mediante o corpo que o homem é um ser no mundo.
Valorizemos e, portanto, cuidemos do nosso corpo!

Espiritual e psíquica

Se por um lado possuímos uma dimensão corporal, por outro Eclesiastes 12.7 revala também que possuímos uma outra dimensão — a espiritual: “E o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.7b). Aqui são duas dimensões, mas não independentes uma da outra. O homem é um ser integral, constituído de espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). Salomão omite em Eclesiastes 12.7 a parte psíquica, porque já falou dela com exaustão em todo o livro de Eclesiastes, especialmente no capítulo 12.1-6. O hebraico ruach é traduzido como vento, fôlego, hálito e espírito.

O contexto desse capítulo, que faz um contraste entre o temporal e o eterno, não deixa dúvida de que esse termo significa “espírito” como a parte imaterial da qual o homem é constituído (1 Ts 5.23; 2 Co 5.8; Fp 1.23). Assim como cuidamos da nossa parte matéria devemos também cuidar da espiritual (2 Co 7.1; 1 Tm 4.8).

Se por um lado corremos o risco de negligenciar a nossa dimensão corpórea, por outro corremos o risco de superestimar a dimensão espiritual. Há cristãos que espiritualizam tudo! Caem numa passividade mental extremamente perigosa. Um outro dia um amigo pastor contou-me uma história cômica, mas que na verdade revela o erro onde muitos crentes estão caindo. Há na sua igreja um irmão que dizia não fazer nada sem Deus mandar. Não usava sua razão para nada, caiu numa total passividade mental. Meu colega observou que a situação chegou ao extremo quando certo dia recebeu uma ligação daquele irmão. Ainda não eram seis horas da manhã quando aquele irmão ligou perguntando ao pastor se poderia ir ao banheiro!

Como pastor também já pastoreei crentes assim. Nos casos que acompanhei pude constatar nesse irmão um tipo de esquizofrenia profunda que necessitava urgentemente de tratamento. São pessoas que começam a dialogar com uma voz interior e que passam a ser totalmente dependentes dos comandos dado por essa voz. Acreditam que essa voz seja Deus, mas na verdade trata-se de um distúrbio mental que precisa ser tratado com oração e medicamentos.

Prestando contas de tudo

Guardando o mandamento

Após falar da brevidade da vida e da necessidade de se buscar em Deus um sentido para a mesma, o sábio conclui: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12.13). Há duas coisas que precisam ser sublinhadas nesse conselho. A primeira é que a vida é dinâmica, mas precisa de regras, normas ou mandamentos para ser vivida. É um chamado à observância da Palavra de Deus. Essa Palavra, ou mandamento, (hb. mitsvah) é constituída de preceitos, que são fundamentados em princípios. Para nosso próprio bem, devemos observar a sua letra e também o seu espírito. Em segundo lugar, o sábio diz que é um dever nosso guardar essa Palavra ou mandamento. Dever é algo que está acima da minha vontade ou desejos. Posso não gostar de remédios, mas para o bem da minha saúde preciso tomar o medicamento receitado. Posso não ter a mínima vontade de pagar impostos, mas se não o fizer vou arcar com as consequências. Se Deus mandou devemos obedecer.

As últimas palavras de Eclesiastes, são: “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec 12.14). São palavras de advertências sobre o julgamento a que todos nós estamos sujeitos. Nossas obras e nossas ações serão medidas. Para Deus os valores são bem definidos, há aquilo que será sempre certo e aquilo que será sempre errado. Há as obras boas e as obras más. O termo hebraico mishpat usado aqui possui o sentido jurídico de tomada de decisão. Chegará o dia em que o Justo Juiz decidirá o nosso destino (Rm 14.10,12). Não são palavras intimidatórias, mas palavras que nos chamam a viver com responsabilidade diante dos homens e de Deus.

A vida, pois, é um contraste entre a alegria e tristeza; juventude e velhice; vida e morte; passado e futuro. Não há como fugir da realidade da vida. Sabendo, pois, que a nossa vida debaixo do sol é tão fugaz, cabe a nós procurar viver da melhor maneira possível esse dom do Criador. Salomão, em sua sabedoria, nos deixa a receita: tema a Deus em todo o tempo.

Subsídio para o Professor

INTRODUÇÃO
Mais um ano letivo se finda. Não poderia terminar melhor sem o estudo dos livros de Provérbios e Eclesiastes. Neste 4º trimestre tivemos momentos de grandes reflexões acerca da vida nossa de cada dia. O capítulo 12 do livro de Eclesiastes encerra as reflexões de Salomão a respeito da vida, e este é o final do discurso: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau“ (Ec 12:13,14). Todo o livro de Eclesiastes deve ser interpretado conforme o contexto destes versículos. Salomão reconhece que a vida é passageira. Tiago a compara a um “vapor que aparece por um pouco e depois desvanece” (Tg 4:14). Ela é muito breve, por isso precisamos vivê-la de modo completo, isto é, temendo a Deus e obedecendo aos seus mandamentos, certo de que todos seremos um Dia julgados.

1. “TEME A DEUS” EM TODO TEMPO. Temer a Deus é reconhecer nossas limitações e a grandeza do nosso Criador. O Livro de Eclesiastes ordena cinco vezes que o homemtema a Deus (Ec 3:14; 5:7;7:18; 8:12,13; 12:13), reconheça quem é Ele e responda de forma adequada em adoração, reverência, amor, confiança e obediência.

O temor a Deus é o princípio da sabedoria e da vida abundante. Quem teme a Deus vive todas as fases da vida de modo a agradar a Deus. Desperdiçar qualquer fase da vida, longe de Deus, é suicídio espiritual.

Ser temente a Deus não é ter medo de Deus, mas, muito pelo contrário, ter respeito a Deus, comportar-se de modo que se reconheça que Deus é o Senhor e que nós somos apenas Seus servos.

Ser temente a Deus é reconhecer que Deus deve guiar nossos passos e que nós devemos obedecer-lhe, simplesmente porque Ele é o Senhor. Aqui repousa, aliás, a própria moralidade do servo do Senhor. Fazemos ou deixamos de fazer algo não porque tenhamos medo de Deus, mas porque reconhecemos que Ele é o Senhor e que a Ele cabe ordenar os homens sobre o que deve ser feito ou não.

Ser temente a Deus é ser dependente de Deus, é negar o convite feito pelo inimigo de sermos auto-suficientes e de querermos ser “pequenos deuses”, dizendo, para nós mesmos, o que é certo ou o que é errado, exatamente a mensagem satânica que está sendo disseminada no mundo, atualmente sob a roupagem do movimento Nova Era.

A Bíblia diz que o temor do Senhor é o princípio da ciência (Pv 1:7), é o princípio da sabedoria (Sl 111:10).

Jó era temente a Deus, reconhecia em Deus o senhorio sobre o universo e sobre a sua vida e, por isso, aborrecia o mal (Pv 8:13). É no temor de Deus que Jó depositava a sua confiança (Jó 4:6), não sendo diferente conosco nestes dias(Pv 14:26), pois, ao temermos a Deus, sabemos que Ele é soberano e, portanto, reina antes da fundação do mundo, tendo, pois, o absoluto controle sobre todas as coisas, o que nos deixa tranquilos quanto à Sua bênção sobre nós e o cumprimento de Suas promessas a nosso respeito.
Só poderemos alcançar a pureza se tivermos o temor do Senhor, pois só Ele é limpo (Sl 19:9). Não temer a Deus é ser ímpio e, portanto, sem qualquer parte com o Senhor e com a vida eterna (Sl 36:1; Rm 3:12-18).

2. “E GUARDA OS SEUS MANDAMENTOS”.  O mandamento divino é constituído de princípios eternos e, para o nosso próprio bem, temos de observá-los e acatá-los integralmente fazendo tudo quanto o Criador requer de nós, pois esta é a vontade de Deus - “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1João 5:3).
Existem cristãos que não apreciam o ensino bíblico, declarando que só o amor é importante, como se o cristianismo fosse algo para viver em superficialidade. Observemos que Jesus ordenou, em primeiro lugar, a obediência aos seus mandamentos, como prova de nosso amor para com Ele: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos“(Jo 14:15). Verificamos pelas Escrituras que o valor que damos a seu ensino, mostra o relacionamento que temos com Ele: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele”(1Jo 3:24). Estar nEle garante plena confiança, permite que O sirvamos, que prossigamos no caminho com autenticidade. Estar firmado nEle é um fator de estabilidade na vida cristã.

Guardar os mandamentos de Deus é guardar a sua Palavra. Desobedecer aos seus mandamentos é não obedecer à Sua Palavra. Não obedecer à Palavra de Deus de forma consciente e deliberada peca contra o Espirito Santo. Uma menção bíblica explícita a respeito deste pecado contra o Espírito Santo é encontrada no sermão inspirado de Estevão, o primeiro mártir da Igreja. Em At 7:51, em meio àquela multidão enfurecida de judeus que o haviam levado ao Sinédrio, Estevão acusa os israelitas de cometerem o pecado de resistência contra o Espírito Santo: “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim vós sois como vossos pais”. Estamos, portanto, neste caso, diante de um pecado contra o Espírito Santo. Pelo que podemos verificar, a resistência ao Espírito Santo caracteriza-se por ser uma rejeição de obediência à Palavra de Deus. Conforme nos dá conta Estevão, o povo de Israel cometera este pecado e, por isso, havia rejeitado a Jesus, o seu Messias, porque haviam se recusado a ouvir a Palavra de Deus, a obedecer aos mandamentos divinos, tornando-se “incircuncisos de coração e de ouvido”, “homens de dura cerviz”. Jesus declarou: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19:17).

3. ”PORQUE ESTE É O DEVER DE TODO HOMEM“. “Dever” é algo que está acima da minha vontade ou desejos. Posso não gostar de remédios, mas para o bem da minha saúde, preciso tomar o medicamento receitado. Posso não ter a mínima vontade de pagar impostos, mas se não o fizer, vou arcar com as consequências. Se Deus mandou devemos obedecer. No original, essa frase está expressa assim: “isso é tudo do homem“. Isto sugere que sem um relacionamento correto com Deus o homem não se realiza, nem se entende; não compreende seu mundo, nem a sua razão de existir.

4. AGUARDANDO O JULGAMENTO - “Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. A mensagem final do Livro de Eclesiastes faz-nos lembrar de uma verdade solene e inabalável: a prestação de contas do ser humano perante Deus, por todos os seus atos. O Senhor julgará a todos nós, crentes e incrédulos, isto é, todos os nossos atos, bons e maus. Deus julgará cada pessoa (Hb 9:27). Esse julgamento será de acordo com a Palavra que Deus revelou através de seu Filho - “Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia” (João 12:48).

O Novo Testamento menciona sete categorias de Julgamentos definitivos:
a) Julgamento da Igreja (2Co 5:10). O julgamento da Igreja é o chamado “Tribunal de Cristo”, que ocorrerá logo após o arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Neste tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm 14:10; 2Co 5:10). Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co 3:12-15.

b) Julgamento de Israel (Ez 20:34-38;Ml 3:2-5). O segundo julgamento é o julgamento de Israel, o povo escolhido de Deus. A Grande Tribulação será o instante em que Deus tratará com a nação israelita e, ao término da Grande Tribulação, Deus terá provado este povo e só o remanescente será salvo (Rm 9:27).

c) O Juízo sobre o Anticristo e o Falso profeta. Assim está narrado o fim do Anticristo e do Falso profeta: “E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre” (Ap 19.20). Portanto, o Anticristo e o Falso profeta, na batalha do Armagedon, serão aniquilados pela espada que sai da boca de Cristo (isto é, por sua Palavra), e serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre, que é o inferno propriamente dito (Ap 19:20). É o fim das duas “bestas”.

d) Julgamento das Nações (Mt 25:31-46). Esse julgamento acontecerá na terra sobre aqueles que sobreviveram ao Armagedon. Serão julgados com base no tratamento dado a mensagem do Reino, aos seus mensageiros e ao modo como trataram a nação de Israel. Esse julgamento terá como finalidade apartar os “bodes” das “ovelhas”, ou seja, decidir quem passará com Cristo o Reino milenial e quem não passará o milênio, ficando a aguardar o julgamento final e definitivo.

e) Julgamento dos anjos maus (1Co 6:3;Jd 6). Judas revela o fato de que anjos serão trazidos a julgamento: “e aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande Dia” (Jd 6). Serão julgados e condenados ao lago de fogo juntamente com o Diabo, logo após o Milênio e antes do juízo do Trono Branco (Mt 25:41).

f) O Juízo sobre o Dragão (Ap 20:9). Quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações hostis a Cristo que há nos quatro cantos da Terra, chamados de Gogue e Magogue(Ap 20:7-8). Aqui, Gogue e Magogue não devem ser confundidos com os dos textos de Ezequiel 38-39. Na passagem do Antigo Testamento, Magogue é um território extenso ao norte de Israel, e Gogue é seu governante. Neste texto de Apocalipse, as palavras se referem às nações do mundo em geral. Em Ezequiel, o contexto é pré-milenar; em Apocalipse, é pós-milenar.

Após os exércitos de Satanás ser devorados por Cristo, Satanás será, para sempre, destruído, esmagado - “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo sempre” (Ap 20:10). O julgamento divino é a destruição e ruína total de Satanás. No inferno (o lago de fogo e enxofre), ele não reinará, sendo sempre atormentado, dia e noite, eternamente.

g) Julgamento do Grande Trono Branco (Ap 20:11-15). Este é o chamado “Julgamento Final” ou “Juízo Final” ou, ainda, o “Juízo do Trono Branco”, que terá lugar depois do término do reino milenial de Cristo. Logo após os rebeldes serem devorados pelo fogo do céu que cairá sobre os exércitos que estarão a cercar o lugar santo em Israel, terá findado a história humana. O tempo deixará de existir e Deus chamará à sua presença todos os seres humanos que foram criados e que ainda não tinham sido julgados até então, ou seja, todo ser humano que não pertence nem à Igreja, nem ao Israel salvo e nem ao grupo dos mártires da Grande Tribulação, que já terão sido julgados. Estes outros homens são os que serão levados a julgamento neste último grande tribunal da história.

Portanto, quem negligenciou ou rejeitou a graça redentora de Deus não estará justificado no Dia do julgamento.

CONCLUSÃO
Salomão começou com uma avaliação negativista da vida como vaidade, algo irrelevante, mas no fim ele conclui com um sábio conselho, a indicar onde se pode encontrar o sentido da vida. No temor de Deus, no amor a Ele e na obediência aos seus mandamentos, temos o propósito e a satisfação que não existem em nada mais. Salomão nos mostrou que podemos desfrutar a vida, mas isso, de forma alguma, nos isenta de guardar e cumprir os mandamentos de Deus. Lembre-se: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem” (Ec 12:13). 

Desejo a todos que estiveram comigo em todo o ano 2013. que seu novo ano seja de mitas vitórias, alegrias com saúde, debaixo da mão de Deus e lutando para ser fiel a Ele.
Te aguardo aqui, na 5a. feira próxima.

Viva vencendo!!!

Seu irmão menor.


Próxima Lição Bíblica CPAD



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