16 janeiro 2014

Lição 03 - 19/01/12 - AS PRAGAS DIVINAS E AS PROPOSTAS ARDILOSAS DE FARAÓ


TEXTO ÁUREO: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo”(Ef 6.1 1).

VERDADE PRATICA = Como salvos por Cristo,  podemos pela fé vencer o Diabo em suas investidas contra nos.

LEITURA BÍBLICA = Êxodo 3: 19,20; 7:4,5; 8:8,25; 10: 8,11,24

INTRODUÇÃO

Após a chamada de Moisés para ir a Faraó, Deus o instruiu sobre como proceder diante do governante egípcio. Moisés ainda temeu e questionou quanto a sua capacidade (Êx 4.1). Deus fez com que a vara de Moisés se transformasse em cobra (Êx 4.3); prometeu ir com ele (Êx 4.12) e indicou o irmão, Aarão, para ser o seu profeta ou porta-voz (Êx 4.13- 16). Moisés pôs-se a caminho, segundo a Palavra de Deus. Nesta lição, veremos como a vontade de Deus é soberana e dela ninguém pode escapar.

AS PRAGAS ATINGEM O EGITO

1- Um homem no lugar de Deus: “Eis que te tenho posto por Deus sobre Faraó” (Êx 7.1). E o mesmo que dizer que Moisés tinha a autoridade de Deus sobre o rei egípcio. Grande responsabilidade a de Moisés. Hoje, também, Deus põe pessoas no ministério, na Igreja, na família, como seus servos honrados, como seus representantes.

2- A vontade diretiva de Deus:Deus usou sua soberana vontade, no sentido diretivo ou volitivo para impor seus desígnios sobre Faraó. Nesse caso, era impossível Faraó escapar. Jó, o patriarca, discerniu essa vontade, quando indaga: “Se Ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá?” (Jó 11.10). Usando o profeta Isaías, o Senhor diz: “e ninguém há que possa escapar das minhas mãos: operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13). Essa ação de Deus é diferente da sua vontade permissiva. Por ela, Ele permite que os homens façam o que bem entenderem, até o dia em que disser:

“Basta” e puser fim a todos os remos humanos. Deus resolveu endurecer o coração de Faraó para: a) Multiplicar no Egito os seus sinais e maravilhas (Ex 7.3); b) Mostrar aos egípcios que Ele,

Jeová, é Senhor (Êx 7.5 c) Para mostrar o Seu poder em Faraó (Ex 9.16); d) Para que o Seu nome fosse anunciado em toda a terra (Ex 9.16); e) Trazer juízos sobre todos os deuses do Egito (Êx 12.12); t) tirar os filhos de Israel do Egito com mão forte (Êx 7.5).

OS JUÍZOS DE DEUS SOBRE O EGITO

1. As águas tornam-se em sangue (Êx 7.19-21): (SH) O Rio Nilo era sagrado. Deus tornou o rio e todas as fontes em sangue. Não se tratou, como dizem os céticos, de que as águas se tornaram barrentas(SC). Os magos do Egito fizeram seus truques e conseguiram imitar Moisés (v.22). Faraó não se humilhou (v.23).

2. A praga das rãs (Êx 8.1-15): Ante a recusa de Faraó, Deus feriu todos os termos do Egito com rãs. (SE) Estas estavam sobre as camas, nos fornos, nas amassadeiras, por toda a parte (v.3). Os magos imitaram o milagre (v.7). Satanás é imitador. Faraó começou a sentir a mão de Deus. Chegou até a pedir orações (v.8). Moisés orou. As rãs desapareceram (v.13). Mas Faraó “agravou o seu coração” (v.15).

3. As pragas dos piolhos (Êx 8.16-19): Nesta terceira praga, não houve “aviso prévio” a Faraó. O pó da terra transformou-se em piolhos, que incomodavam a todos (v.17). Os magos tentaram imitar, mas não puderam (v.18). Isso prova que Deus permite o inimigo ir até certo ponto, mas seu poder maligno é limitado. Faraó não libertou o povo, mesmo reconhecendo que era “dedo de Deus” (v.19).

4. A praga das moscas (Êx 8,20- 32): Deus mandou moscas sobre todo o Egito, exceto sobre a terra de Gósen, em que habitava o povo de Israel (v.22). (SG) Faraó sugeriu que o povo sacrificasse a Deus ali mesmo, naquela terra (v.25), e que não fossem longe (v.28). Moisés orou e as moscas desapareceram (v.31). Mas Faraó não cedeu.

5. A praga da peste dos animais (Êx 9.1-7): Com exceção do gado dos hebreus, todos os animais morreram (v.6). Faraó resistiu.

6. A praga das sarnas (Êx 9.8-12): Houve erupção de sarna em todo o Egito. Os magos não podiam parar (v.11). Faraó não cedeu.

7. A praga da saraiva (Êx 9.13-35): Deus mandou trovões, chuvas e fogo que corria pela terra, ferindo animais, homens e árvores (v.23-25). Só não havia saraiva na terra de Gósen (v.26) e no gado dos egípcios que creram em Deus (Êx 9.20). Passada a praga, Faraó não cedeu.

8. A praga dos gafanhotos (Êx 10.1-20): Com essa praga, Faraó quis dar permissão seletiva, indagando sobre quem dentre os israelitas deveria sair para adorar a Deus no deserto (v.8). Ele achava que ainda estava no controle da situação, em condições de dizer quem deveria ou não deveria ir render culto ao Senhor. Ante a indagação de Faraó, Moisés deu uma resposta desconcertante, dizendo-lhe que, para adorar a Deus, fora do Egito, haveriam de ir, para começar, os meninos, depois os mais velhos, as filhas, acompanhados dos animais, pois o povo teria “festa ao Senhor” (v.9). O Diabo não quer que a família inteira busque a Deus. Mas todos deveriam ir render culto ao Senhor.

9. A praga das trevas (Êx 10.21- 29): Para os egípcios, Rã era o deus-sol. Todos os dias, nas casas e nos campos, à margem do Nilo, havia pessoas, desde cedo, em atitude de adoração, voltadas para o nascer-do-sol. Aliás, hoje, há falsas seitas e religiões que cultuam o Sol, numa repetição daqueles cultos falsos. Ali, no Egito, Deus, o criador do Sol, resolveu dar uma lição nos idólatras do astro rei. Foi provocado pelo Senhor o maior eclipse solar de que,o Egito tivera conhecimento. De repente tudo, ficou tão escuro, dentro e fora das casas, e no palácio de Faraó, que tinha-se a impressão de que as trevas eram palpáveis. Enquanto isso, na terra de Gósen, todos tinham luz. Deve ter sido um espetáculo muito estranho.

10. A morte dos primogênitos. (Êx 11.1-10; 12.29-31):Após as nove pragas, Deus não mais se dirigiu a Faraó, pois ele, na sua arrogância, não quis mais sequer ver o rosto de Moisés (Êx 10.28). O Senhor chamou o líder de Israel. e lhe notificou que ainda restava uma praga, a última, ante a qual Faraó não mais teria condições de resistir. O Senhor disseque, à meia noite, sairia pelo meio do Egito, decretando a morte dos primogênitos, quando haveria grande clamor no País (Ex 11.4-6).

 Após instituir a Páscoa, exatamente à meia-noite, conforme prometera, o Senhor feriu todos os primogênitos do Egito, desde o que se assentava no trono, até o primogênito do encarcerado, do que estava atrás do moinho, e até dos animais (Êx 11.5; 12.29). “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

A PRIMEIRA E SEGUNDA PROPOSTA

A reação e a contraproposta de Faraó (8.25-32). A reação de Faraó a esta praga foi imediata. Ele fez uma contraproposta: Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra (25). Mas Moisés tinha a resposta na ponta da língua. Não conviria aos israelitas sacrificarem no Egito, porque o sacrificio de animais sagrados aos egípcios lhes seria uma abominação (26), levando-os provavelmente a apedrejar os israelitas. Moisés manteve seu pedido de caminho de três dias ao deserto (27). Quando Deus ordena, não há lugar para barganhas com homens perversos.

Faraó reconheceu que Moisés tinha razão. Ele concordou em deixar Israel ir, mas somente a curta distância deserto adentro (28). Moisés acreditou no que Faraó disse (quem sabe entendendo as palavras não vades longe como referência aos três dias de viagem) e prometeu rogar ao SENHOR (29). Mas advertiu: Somente que Faraó não mais me engane. Deus, conforme a palavra de Moisés, retirou as moscas e não ficou uma só (31).

A completa suspensão desta praga fez com que o rei ficasse mais inflexível e não deixou ir o povo (32). Em face de tão grande apresentação da verdade, o próprio Faraó endureceu ainda mais o coração (cf. comentários em 7.13). Sua vontade estava cada vez mais renitente contra Deus e seu povo.

Os versículos 20 a 32 mostram “O Coração Rebelde”. 1) Sofre no julgamento, 20-24; 2) Sugere uma contraproposta, 25,26; 3) Faz fraudulentamente uma concessão, 28; 4) Recebe sinais da misericórdia de Deus, 29-31; 5) Recusa o plano de Deus, 32.

A TERCEIRA PROPOSTA DE FARAÓ

A tentativa de acordo (10.7-11). Os servos de Faraó (7), os funcionários da corte mais próximos ao rei, começaram a argumentar. Primeiro, os magos ficaram impressiona- dos com o poder de Deus (8.19). Segundo, alguns egípcios creram o suficiente para retirar o gado e os escravos do campo quando a praga foi anunciada (9.20). Agora altos funcionários egípcios criam que aconteceria o que Moisés dizia. Suplicaram a Faraó que não permitisse mais que este Moisés lhes fosse por laço (7; ou “cilada”, ARA). A única salvação para o Egito era ceder e deixar o povo israelita ir. A palavra homens aqui (7) se refere a todo o povo. Os servos sabiam, melhor que Faraó, que o Egito estava quase arruinado.

Por esta razão, Moisés e Arão (8) foram levados outra vez à presença do rei. Pela primeira vez, Faraó cedeu antes do início da praga. Deu permissão para os israelitas partirem, mas tentou fazer outro acordo. Ele permitiria a ida dos homens se deixassem suas famílias e rebanhos. Seu objetivo era destruir a totalidade da proposição opondo-se aos detalhes. Moisés deixou claro que todos iriam — os meninos, os velhos, os filhos, as filhas, as ovelhas e os bois (9).

Sempre é bom saber perfeitamente os próprios planos ao lidar com um oponente da verdade. O versículo 10 é mais bem traduzido por um tipo de juramento: “Esteja o Senhor convosco, se algum dia eu vos deixar ir com seus pequeninos! Vede que tendes algum propósito mau em mente” (ATA). O rei considerava a concessão plena do pedido como se fosse uma blasfêmia: “Tão improvável quanto vos deixarei ir com vossos filhos é tão improvável que vós ides em vossa viagem, sendo igualmente tão improvável que Jeová estará convosco”.56 Faraó ficou enfurecido ao sentir a pressão e ver a firmeza de Moisés. Ele poderia chegar a um acordo, mas nunca ceder completamente.

Faraó admitiu o que sabia desde o princípio. Este povo queria a liberdade. Acusou essas pessoas de serem mal-intencionadas (10). Teria a garantia do retorno dessa gente ao Egito retendo os filhos. Os varões (cf. 7) poderiam ir (11); Faraó insinuou que desde o início era isso mesmo que eles queriam. Sentia-se exasperado e imediatamente expulsou Moisés e Arão da sua presença.


A PROPOSTA FINAL DE FARAÓ

A SITUAÇÃO CAÓTICA DO EGITO = Não houve anúncio para esta nona praga. Sob as ordens de Deus, Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias (22), trevas que podiam ser apalpadas (21).

A maioria dos estudiosos concorda que foi o hamsin, uma tempestade de areia tão temida no Oriente, que ocasionou estas trevas. O milagre estava em que veio segundo a palavra de Deus (21) e não ocorreu onde o povo de Deus habitava (23). As trevas eram tão densas que os homens não se viam uns aos outros. Não é necessário supor a inexistência de luz artificial ou o fato de as pessoas não se movimentarem em seus lares.6° Toda a atividade comercial e empresarial cessou e a população egípcia ficou em casa.

Agora Faraó estava pronto para outra contraproposta. Depois de chamá-lo, disse a Moisés: Ide, servi ao SENHOR; somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas (24). Igual a Satanás! Cede quando é forçado, mas busca uma pequena concessão. Muitas pessoas sucumbem às sugestões malignas e aceitam a proposta. Mas Moisés não! Ele declarou: Nem uma unha ficará (26). Moisés sabia qual era a ordem de Deus, embora ainda não dispusesse de todas as razões. Esperava mais instruções conforme o desdobrar dos acontecimentos.

Os cristãos nunca conseguirão plena vitória enquanto derem lugar ao diabo. Há quem insista que um pequeno pecado não faz mal, ou que sempre fica algum mal no coração. Mas a Palavra de Deus é clara: “Que [...j vos despojeis do velho homem” (Ef 4.22); “Despojai-vos também de tudo” (Cl 3.8); “Não deis lugar ao diabo” (Ef 4.27). Nenhum acordo com Satanás jamais resultará em vitória total ou liberdade completa para o filho de Deus.

O Senhor ainda tinha algo a tratar com Faraó. Deus desejava mostrar o que Ele faz com quem lhe resiste tão cabalmente. Em vez de Faraó permitir a saída de Israel, Deus endureceu ainda mais o coração do monarca (27; cf. comentários sobre 7.13). A raiva deflagrou-se furiosamente sobre Moisés, quando Faraó ordenou que o servo de Deus se afastasse para sempre, ameaçando-o de morte se o visse novamente (28). Pelo menos por uma vez Moisés ouviu a voz da verdade em Faraó, e respondeu: Bem disseste; eu nunca mais verei o teu rosto (29). Faltava pouco para Deus terminar com Faraó. Não havia muita coisa que este tirano pudesse fazer, preso como estava nos laços do seu coração arrogante.

Nos capítulos 8 a 10, vemos “Os Perigos das Concessões ao Pecado”. 1) Permanecendo perto do mundo: Sacrificai nesta terra, 8.25,28; 2) Negligenciando a religião em família: Deixai os varões irem, 10.8-11; 3) Retendo os bens materiais: Deixai as ovelhas e as vacas ficarem, 10.24; 4) Vencendo por total compromisso: Nem uma unha ficará, 10.26.

A QUARTA E ÚLTIMA PROPOSTA

De um lado, os egípcios nas trevas. De outro, na casa dos israelitas, havia luz abundante. Da mesma forma hoje, para o crente, há luz em profusão, pois ele tem Jesus, que é a luz do mundo e quem nEle está não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

Diante de tão grandioso sinal, Faraó, que já tentara reter os meninos e as meninas, sem sucesso, agora, chamou Moisés e disse que saíssem todos, mas que ficassem as ovelhas e as vacas. Estes, porém, faziam parte do culto, pois seriam oferecidos em holocausto ao Senhor. Moisés, o líder, não aceitou tal proposta. Disse que não ficaria “nem urna unha” (Êx 10.26). Tal atitude nos sugere algo muito importante. Quando o crente é liberto do pecado, não deve deixar nada de sua vida espiritual a serviço do mundo, ou seja, do contexto de coisas que envolvem o pecado, sob o maligno.

CONCLUSÃO

Um dos livros da bíblia que mais fala de batalha espiritual é o livro de Êxodo. Nesse livro, que trata da libertação do povo de Deus do cativeiro egípcio, Faraó é um símbolo do Diabo, e o Egito é um símbolo do mundo. Quando Moisés foi a Faraó, pedindo-lhe que deixasse o povo sair em liberdade, após aqueles sofridos 430 anos de cativeiro, o Faraó tentou impedi-los, usando de astúcia. Diante da palavra de Moisés para que se desse um basta àqueles anos de escravidão e sofrimento, Faraó reage com uma iniciativa dura e depois com 03 propostas sedutoras, a fim de que o povo se mantivesse no seu cabresto e na sua jaula. Notem que a metodologia usada por Faraó é a mesma que o Diabo usa hoje, a fim de manter o povo de Deus longe das bênçãos de Deus e da comunhão com Deus.

À proposta de Faraó, Moisés responde de maneira fantástica, como está escrito em Êxodo 10.26: “E também os nossos rebanhos irão conosco, nem uma unha ficará; porque deles havemos de tomar, para servir ao SENHOR, nosso Deus...”. Que ajamos como Moisés: nem uma unha que é nossa fique nas mãos do Diabo. Tudo que temos e tudo que somos é de Deus, pertence a Deus e deve ser colocado a serviço de Deus. Logo, se porventura tem algo seu que está nas mãos do Diabo, tome de volta. Não deixe nada nas mãos do Diabo. Nem uma unha sequer. Tome de volta tudo que Deus lhe deu.


Subsídio para o Professor


Neste capítulo examinaremos duas situações que ocorreram por ocasião da presença dos israelitas no Egito: as pragas enviadas por Deus e as propostas de Faraó no sentido de manter os israelitas cativos.

Deus havia dito a Faraó, por meio de Moisés e Arão, que deixasse seu povo ir embora daquela terra. Deus poderia simplesmente retirar Ele mesmo o povo da escravidão, mas preferiu usar Moisés como instrumento para aquela obra. Isso nos deve fazer lembrar de que Deus tem todo o poder, e pode fazer o que desejar, mas ainda assim, em muitas situações, prefere se valer de instrumentos humanos para executar sua vontade. Que isso nos sirva de lição, tendo em vista que, não raro, somos tentados a imaginar que Deus realmente precisa muito de nós para a sua obra, e que sem nós Ele não faria nada. Na verdade, Ele pode usar quem quiser para fazer a sua vontade, e opera apesar de nós, e não apenas por nossa causa.

O Encontro de Faraó e Moisés

E curioso observar a capacidade que certas pessoas possuem de tentar negociar com Deus. Faraó fora advertido de que deveria libertar os israelitas, mas preferiu resistir à voz de Deus. Se analisarmos a forma com que Deus se utilizou para falar àquele monarca, veremos que foi dada a ele oportunidade de reconhecer o poder de Deus antes que males terríveis assolassem o Egito.

Primeiro o Senhor falou através de Moisés

Deus prioriza advertir Faraó por meio de Moisés, o octogenário pastor do deserto. Como já nos é sabido, o rei não acreditou nas palavras do libertador.

E, depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto. Mas Faraó disse: Quem é o Senhor, cuja voz eu ouvirei, para deixar ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel. (Ex 5.1,2)

Essa foi a resposta de Faraó. Quem é o Senhor? Não o conheço, e como não o conheço, não deixarei os hebreus saírem livres. Não raro, essa tem sido uma resposta comum da própria humanidade: Porque devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em consideração que o Egito tinha vários deuses, e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época? Esse Deus poderia ter embaixadores melhores para representá-lo. Mas à medida que o texto se desenrola, Faraó percebe que está lidando com um Deus que escolhe bem seus enviados, e que não se permite ser ridicularizado por ninguém.

Deus utiliza pragas para convencer Faraó

"Há um preço alto a ser pago quando desobedecemos a Deus. Na dúvida, veja o que aconteceu à geração que saiu do Egito e que ficou enterrada no deserto. Não de como desculpas seus filhos para que você não sirva a Deus"

A palavra de Moisés e os sinais que ele fez por orientação divina não foram suficientes para tirar de Faraó sua dureza de coração. Deus enviaria pragas por toda a terra do Egito, para mostrar com mão forte que a permanência de Israel naquelas terras seria extremamente custosa aos súditos de Faraó.

Depois dessa resposta direta de Faraó, de que não conhecia a Deus e não deixaria o povo de Israel sair do Egito, Deus trouxe a primeira praga àquela nação: o Nilo se transformou em sangue. O Nilo era considerado uma divindade para os egípcios, pois em uma região dependente do rio, sem dúvida ele era uma bênção para as colheitas e para a vida como um todo.

Mas o Rio Nilo não era um deus. E foi isso que Deus mostrou aos egípcios.
Veio a segunda praga: as rãs encheram o Egito.

Deus estava julgando outra “divindade” egípcia,Heqt, a responsável pela natalidade, segundo o Comentário Devocional da Bíblia. Uma coisa é reverenciar um animal na beira do rio. Outra coisa é ver centenas desses animais na sua casa, espalhados na cozinha, na sua cama e em todos os cômodos da casa. Após essa praga, Moisés então é chamado por Faraó para que termine com ela:E Moisés disse a Faraó: Tu tenhas glórias sobre mim. Quando orarei por ti, e pelos teus servos, e por teu povo, para tirar as rãs de ti e das suas casas, de sorte que somente fiquem no rio? E ele disse: Amanhã.

E Moisés disse: Seja conforme a tua palavra, para que saibas que ninguém há como o Senhor, nosso Deus. (Ex 8.9,10)

Quando questionado por Moisés acerca de quando iria orar por ele, Faraó disse “amanhã”. O rei tinha a oportunidade de se livrar da praga das rãs naquele mesmo dia, mas preferiu esperar até o dia seguinte. Moisés deu a oportunidade ao rei, e este preferiu protelar o livramento do seu próprio povo! É como se Moisés estivesse dizendo a Faraó: “A prioridade de acertar as coisas é sua. Quando quer que ore por você e por seu povo? Pode ser hoje. Por que não agora?” Mas Faraó não estava realmente interessado em receber uma oração. Ele queria mesmo é que a praga das rás sumisse e que Moisés desistisse de pedir que seus irmãos fossem libertos da escravidão.

Quantas vezes deixamos para amanhã aquilo que Deus está de braços abertos para nos oferecer hoje? Isso pode significar deixar para amanhã o serviço a Deus, ou tomar uma decisão da qual já fomos orientados por Ele. Há momentos em que a resposta de Deus está diante de nós, e apenas precisamos dizer que a queremos nesse momento.

A Primeira Proposta de Faraó

Deus enviou mais duas pragas ao Egito: a dos piolhos e das moscas. A vida dos egípcios se tornou um inferno. Piolhos são parasitas que se alimentam de sangue, restos de pele ou secreções expelidas pelo corpo. Multiplicam-se com facilidade, e dificilmente saem de seus hospedeiros. As moscas são tão inconvenientes que costumam nos dar nojo quando se aproximam de nós ou pousam em algum objeto que nos está próximo. O Egito estava realmente em maus lençóis.

Com essas pragas, Faraó chama Moisés e Arão e lhes diz: “Ide e sacrificai ao vosso Deus nesta terra” (Êx 8.25).

Ao que parece, Faraó foi convencido pelos piolhos e moscas enviados por Deus, e fez uma concessão aos israelitas. O sacrifício poderia ser feito, sem problemas, desde que fosse feito no Egito. Quem quisesse sacrificar poderia fazê-lo, mas a escolha do local do sacrifício pertencia a Faraó, não a Deus. De certa forma, isso era cômodo para o rei. A força de trabalho escravo não iria muito longe. Mas esse não era o plano de Deus.

A adoração pretendida por Deus não foi planejada para ser feita em terras egípcias. Naquelas terras muitos israelitas morreram em sofrimento. Muitos bebês meninos foram lançados ao Nilo para morrerem afogados ou comidos por crocodilos. Naquelas terras os filhos de Deus haviam perdido sua liberdade. Deus pretendia receber culto e dar de presente aos filhos de Abraão uma nova terra para viverem.

A Segunda Proposta de Faraó

E Moisés disse: Não convém que façamos assim, porque sacrificaríamos ao Senhor, nosso Deus, a abominação dos egípcios; eis que, se sacrificássemos a abominação dos egípcios perante os seus olhos, não nos apedrejariam eles? Deixa-nos ir caminho de três dias ao deserto,para que sacrifiquemos ao Senhor, nosso Deus, como ele nos dirá. Então, disse Faraó: Deixar-vos-ei ir, para que sacrifiqueis ao Senhor, vosso Deus, no deserto; somente que indo, não vades longe; orai também por mim.E Moisés disse: Eis que saio de ti e orarei ao Senhor, que estes enxames de moscas se retirem amanhã de Faraó, dos seus servos e do seu povo; somente que Faraó não mais me engane, não deixando ir a este povo para sacrificar ao Senhor. (Ex 8.26-29)

Pensemos agora no diálogo entre Moisés e Faraó: O libertador não concorda com o rei quando ele propõe que o culto seja em um lugar inadequado à presença de Deus. Além disso, por que oferecer sacrifícios em um lugar onde eles eram motivo de deboche? Os egípcios detestavam pastores de ovelhas e qualquer pessoa que cuidasse de gado. Eles certamente apedrejariam os israelitas quando estes fossem oferecer seu culto. Não bastava serem escravos: eles teriam de passar pela humilhação de ver pedras voando por suas cabeças no momento do culto ao Senhor?

Deus não tinha esse plano para seus filhos. Tão importante quanto o culto que eles prestariam era a liberdade que receberiam. Eles sairiam da escravidão. Trabalhariam para se manter e prosperar em uma nova terra. Seriam protegidos por Deus e seriam uma nação. Criariam seus filhos longe da sombra do trabalho escravo e dos acoites com que estavam sendo submetidos. Esse era o plano divino.

Moisés indica que o local adequado à adoração seria a três dias de distância do Egito. Mas Faraó não está certo de que essa distância é segura para manter o povo escravo, e diz a Moisés que não vá muito longe. Por que essa preocupação do rei com um grupo de escravos? Para mantê-los no Egito e impedir-lhes a liberdade. Faraó chega a pedir que Moisés ore por ele também, mas não parece um daqueles pedidos sinceros de oração, e sim a finalização de um discurso que não tem por objetivo ser realizado.

“A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias de nossa renda (Pv 3.9). Porém, mais que bens, Ele deseja nossa inteireza de coração, e um coração não fixado nas riquezas deste mundo. Eis aqui a diferença.”

A Terceira Proposta de Faraó

Assim, foram Moisés e Arão a Faraó e disseram-lhe: Assim diz o Senhor, o Deus dos hebreus: Até quando recusas humilhar-te diante de mim? Deixa ir o meu povo, para que me sirva. Porque, se ainda recusares deixar ir o meu povo, eis que trarei amanhã gafanhotos aos teus termos, e cobrirão a face da terra, que a terra não se poderá ver; e eles comerão o resto do que escapou, o que ficou da saraiva; também comerão toda árvore que vos cresce no campo; e encherão as tuas casas, e as casas de todos os teus servos, e as casas de todos os egípcios, como nunca viram teus pais, nem os pais de teus pais, desde o dia em que eles foram sobre a terra até o dia de hoje. E virou-se e saiu da presença de Faraó. (Êx 10.3-6)

Deus enviou outra praga ao Egito: os gafanhotos. Faraó aparentemente não aprendeu a lição dos sinais de Deus. Charles Swindoll disse que os sinais que Deus mandou ao Egito eram “pragas que pregam”. Deus transformou o Nilo em sangue e depois mandou uma infestação de rãs àquela nação. Depois mandou piolhos e moscas. Depois os animais foram atacados e tumores cobriram os egípcios. A última praga enviada por Deus neste momento foi uma chuva de pedras em toda a nação.

Faraó não pareceu entender que estava lidando com um poder pessoal sobrenatural, sem precedentes na história do Egito. Ele estava lidando com o próprio Deus, que estava dando ao rei oportunidades para que voltasse atrás em seus pensamentos e libertasse Israel. Os prejuízos materiais no Egito estavam se avolumando, tornando insuportável a permanência dos israelitas em solo egípcio.

“E os servos de Faraó disseram-lhe: Até quando este nos dá de ser por laço? Deixa ir os homens, para que sirvam ao Senhor, seu Deus;ainda não sabes que o Egito está destruído?” (Êx 10.7).

 Os servos de Faraó decidiram envolver-se na questão. Eles perceberam que enquanto o Deus de Moisés não recebesse seu culto, os egípcios sofreriam terrivelmente as consequências. Mesmo assim, a proposta dos egípcios era uma proposta cruel, pois obrigaria os israelitas a separarem-se de seus filhos para que Deus fosse adorado. Se fosse pela opinião dos egípcios, a herança do Senhor não participaria do culto com seus pais.

Então, Moisés e Arão foram levados outra vez a Faraó, e ele disse- lhes: Ide, servi ao Senhor, vosso Deus. Quais são os que hão de ir? E Moisés disse: Havemos de ir com nossos meninos e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas, e com as nossas ovelhas, e com os nossos bois havemos de ir; porque festa do Senhor temos. Então, ele lhes disse: Seja o Senhor assim convosco, como eu vos deixarei ir a vós e a vossos filhos [...]. (Êx 10.8-10)

Deus não nos chama para que o sirvamos sem que nossas famílias estejam incluídas tanto na adoração quando na recepção de bênçãos. Ele deseja ser adorado por toda a família, da mesma forma que pretende abençoar toda a família. Sabemos que em nossas igrejas nem todas as famílias estão completas, pois há pais cujos filhos estão longe do Senhor. Sabemos que há filhos que aceitaram a Jesus e estão orando por seus pais. Sabemos que há cônjuges que intercedem por seus consortes, e Deus ouve essas orações. O plano divino para a salvação inclui toda a família, e não apenas parte dela.

O coração de Faraó ainda não estava amadurecido para entender que não se poderia brincar com o poder de Deus. Depois de concordar com a ida das crianças, ele volta atrás em sua decisão: “[...] olhai que há mal diante da vossa face. Não será assim; andai agora vós, varões, e servi ao Senhor; pois isso é o que pedistes. E os lançaram da face de Faraó” (Êx 10.10,11).

O rei manda lançar fora de sua presença Moisés e Arão, e deixa claro que as crianças não iriam, somente os homens. Isso garantiria a próxima geração de escravos no Egito.

Deus se importa com nossos filhos? Sim. Mas pensemos nessa passagem: O interesse de Faraó pelas crianças corresponde ao mesmo interesse de Satanás por nossos filhos. Por que levá-los à igreja? Por que ler a Bíblia em casa com eles? Por que passar um tempo investindo no culto doméstico? Por que passar tempo com nossos filhos mostrando-lhes o exemplo de adoração que Deus espera que tenhamos?

Cada geração precisa ter sua própria experiência com Deus, e essa experiência pode ser apresentada aos nossos filhos e crianças com o nosso exemplo. O culto a Deus foi a base da resposta de Faraó: Para que levar as crianças ao deserto e lá oferecerem um culto a Deus? O lugar é péssimo, sem lugar para se acomodarem, beberem água, descansarem de uma longa jornada e não tem nada para se fazer lá. Mas foi isso que Deus disse? Não.

Muitas vezes achamos que nossos filhos não conseguirão a maturidade necessária para viverem uma vida com Deus. O deserto pode não ser o melhor lugar do mundo para onde viajar e passar férias com crianças, mas se Deus está lá, tudo muda.

Confiemos a Deus nossos filhos. Não façamos como os israelitas fizeram antes de entrar na Terra Prometida; ficaram com medo das batalhas que travariam e alegaram que seus filhos seriam presa de guerra:

Depois, falou o Senhor a Moisés e a Arão, dizendo: Até quando sofrerei esta má congregação, que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações dos filhos de Israel, com que murmuram contra mim. Dize-lhes: Assim como eu vivo, diz o SENHOR, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros. Neste deserto cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, meterei nela; e eles saberão da terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós, o vosso cadáver cairá neste deserto. E vossos filhos pastorearão neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto. Segundo o número dos dias em que espiastes esta terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e conhecereis o meu afastamento. Eu, o Senhor, falei. E assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto, se consumirão e aí falecerão(Nm 14.26-35).

 um preço alto a ser pago quando desobedecemos a Deus. Na dúvida, veja o que aconteceu à geração que saiu do Egito e que ficou enterrada no deserto. Não dê como desculpas seus filhos para que você não sirva a Deus. Aqueles israelitas alegaram que seus filhos seriam presas de guerra. Na prática, eles não queriam confiar no Senhor. Tinham visto as pragas no Egito, o Mar Vermelho se abrindo, e, ainda assim, foram incrédulos. E Deus resolveu atender à sua reivindicação: já que as crianças são o “temor” dos pais e a desculpa para não cumprirem o que Deus mandou, elas entrarão na Terra Prometida, mas não os seus pais, que tiveram medo de obedecer ao Senhor.

A Última Proposta de Faraó

Então, disse o Senhor a Moisés: Estende a tua mão para o céu, e virão trevas sobre a terra do Egito, trevas que se apalpem. E Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve trevas espessas em toda a terra do Egito por três dias. Não viu um ao outro, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações. (Êx 10.21-23).

As pragas anteriores não ensinaram o Egito e seu monarca, e por isso Deus mandou outra praga: a escuridão. Por três dias os egípcios conviveram com a escuridão. Isso pode nos soar como que primitivo, mas em uma época em que não havia luz elétrica e as pessoas dependiam de outros recursos para poderem iluminar seus caminhos, trevas de noite eram aceitáveis, mas de dia não. Como o Egito ficou sem luz?

O certo é que se no último encontro Moisés e Arão foram lançados da presença de Faraó, desta vez foram chamados com a seguinte resposta:
Então, Faraó chamou a Moisés e disse: Ide, servi ao Senhor; somente fiquem vossas ovelhas e vossas vacas; vão também convosco as vossas crianças. Moisés, porém, disse: Tu também darás em nossas mãos sacrifícios e holocaustos, que ofereçamos ao Senhor, nosso Deus. (Êx 10.24,25)
Um grande avanço nas negociações estava acontecendo. Israel poderia ir aonde quisesse para oferecer seus sacrifícios. Poderia ir com todos os adultos. Ah, desta vez, as crianças poderiam ir também. Mas o gado não. Para quê gado no deserto? Deus não ia se preocupar com animais sendo oferecidos, pois já receberia todas as pessoas. Os bens a serem oferecidos não fariam parte do acordo.
Essa proposta de Faraó não está longe de nossos dias. Somos desafiados diariamente a oferecer nossos bens ao Senhor. Quando digo isso não estou me referindo a todos os dias dar uma oferta no santuário ou colaborar com a ajuda a pessoas necessitadas. Estou me referindo ao fato de o Diabo tenta nos fazer crer que os bens que temos em nosso poder são nossos, e não do Senhor.
A questão não se refere ao fato de Deus precisar ou não de nossos bens para ser adorado. Creio que o honramos com as nossas fazendas e as primícias de nossa renda (Pv 3.9). Porém, mais que bens, Ele deseja nossa inteireza de coração, e um coração não fixado nas riquezas deste mundo. Eis aqui a diferença. Quando entendemos que tudo o que temos — quer pouco, quer muito — é do Senhor, não nos prendemos a eles. Não podemos ser reféns das bênçãos de Deus. Elas são presentes que Deus nos dá, mas não para que nos fixemos nelas.
Deus seria adorado com tudo o que o povo de Israel possuía, e isso incluía os animais para o sacrifício. O curioso é que os egípcios desprezavam a atividade pastoril dos israelitas, mas desejavam-lhes os bens. Como se não bastassem os anos de escravidão, Faraó queria impedir que aquilo que eles tinham conseguido com trabalho fosse negado a Deus.
Que isso nos sirva de lição. Os bens que temos em mãos são do Senhor, e a Ele devem ser oferecidos.
Cada proposta de Faraó foi rejeitada. Que tenhamos o discernimento adequado para, da mesma forma, rejeitar aquilo que o mundo tenta nos impor como correto. Faraó fez suas propostas, e Moisés as rejeitou. Façamos o mesmo.

"Por que devo obedecer a Deus se nem sei quem é Ele? Parece uma lógica correta levando em consideração que o Egito tinha vários deuses, e que o próprio Faraó era tido como uma divindade. Como seria possível reconhecer como Deus um Ser que envia um pastor do deserto para falar com o rei da maior potência da época?"

Detalhes sobre as pragas:

1- PRIMEIRA PRAGA: AS ÁGUAS DO EGITO TORNAM-SE EM SANGUE :
Ex 17:19-25 - O Nilo era considerado sagrado pelos egípcios. Muitos de seus deuses eram associados direta ou indiretamente àquele rio e à sua produtividade. Por exemplo:
Khnum - “guardião do Nilo”;
Hapi - “espírito do Nilo e sua essência dinâmica” - acreditavam que ele se manifestava algumas vezes nos crocodilos do Nilo;
Osíris - “deus do submundo ou mundo inferior”; o Rio Nilo era a sua corrente sanguínea;
Neith - “deusa guerreira que protegia o maior peixe (lates) do Rio Nilo”;
Hathor - “era protetor dos peixes pequenos (chromis)”;
Sobek – “deus-crocodilo, muito venerado no Baixo Egito, próximo às margens do Nilo”.
O rio Nilo era um deus para os egípcios e suas águas eram consideradas águas da vida, em virtude de fertilizarem o solo. Agora, esse deus vai se transformar numa abominação simbolizadora da morte. Quando isso aconteceu, os egípcios começaram a cavar poços perto do rio, à procura de água boa, porquanto todas as águas do Egito tornaram-se sangue: todas as nascentes, todos os rios, lagoas, águas empoçadas, até mesmo as águas dos recipientes domésticos. De repente, o doador da vida se transformara numa grande ameaça de morte.

2-SEGUNDA PRAGA: MULTIPLICAÇÃO DE RÃS
Ex 8:1-15 - Na mitologia egípcia, as rãs eram a corporificação do poder vivificador. Em larga escala, representavam fartura, bênção e a certeza de boa colheita. Este conceito decorria do retorno do Rio Nilo ao seu leito normal, após o período de inundação, que deixava muitas piscinas e poças habitadas por rãs. Estas podiam ser ouvidas em coro nos campos egípcios.
Os agricultores acreditavam que o “som” das rãs era uma evidência de que os deuses estavam controlando o Nilo (principalmente o deus Hapi - espírito do Nilo), fazendo com que a terra ficasse fértil, para que pudessem completar o seu trabalho.
Essas associações levaram os egípcios a deificar a rã e fazer a teofania da deusa Heqt - “deusa rã” -, esposa do deus Khnum, e símbolo de ressurreição e emblema de fertilidade.
Há quem diga que os magos fizeram truques, empregando ilusionismo, transmitindo a impressão de terem produzido as duas primeiras pragas. Entretanto, a Bíblia diz claramente que eles FIZERAM O MESMO QUE MOISÉS (Ex 7:22; 8:7). Satanás realizou através de seus ministros dois sinais, com o fim de dissuadir o Faraó da ideia de permitir a saída do povo.
Deus permite que o diabo vá até certo ponto, mas não a mais do que isso na reprodução de sinais e maravilhas - Mt 24:24.
Os bruxos conseguiram realizar apenas as duas primeiras pragas, mas não conseguiram desfazê-las, o que é um sinal a mais da limitação dos poderes das trevas diante de Deus.
Depois que faraó chamou Moisés e Arão e eles oraram, as rãs morreram.

3-TERCEIRA PRAGA: INVASÃO DE PIOLHOS
Ex 8:16-19 – A palavra “piolhos” (ken) aparece apenas no presente contexto (cf Sl 105:31; Is 51:8).
O filósofo Filo, de Alexandria, o maior judeu escritor da diáspora, indicou que era um inseto pequeno que não apenas penetrava nos ouvidos e narinas, mas picava a pele, deixando nela uma coceira intolerável. Em Êxodo 17, registra-se que esta praga irritava não só os homens, mas a todos os animais.
No Egito também era adorado o deus Thoth (o deus da sabedoria e do mistério). Era crido como o deus escrevente, o juiz, cuja sabedoria e autoridade eram marcantes sobre todos os outros deuses. Ele anotava todos os pensamentos, palavras e ações dos homens durante a sua vida e as pesava na balança da justiça divina. Atribuíam a ela a invenção da magia ou das artes secretas, mas nem mesmo este deus pode ajudar os sacerdotes-magos a imitar a terceira praga. Também pudera! Todo o pó da terra foi usado por Deus; Ele não deixou nenhum resquício de pó para os magos conseguir imitar o milagre da terceira praga.
Os magos reconheceram a derrota quando se viram incapazes de transformar o pó em borrachudos, por meio de suas artes secretas (Ex 8:16 a 19). O poder deles foi ultrapassado pelos representantes de Jeová.

4-QUARTA PRAGA: AS MOSCAS:
Ex 8:20-32 - A palavra hebraica AROBH, traduzida por moscas tem o sentido de vespas e escaravelhos. Na septuaginta essa palavra foi traduzida por KUNÓIMA, que não é a simples mosca caseira, mas uma espécie conhecida como MOSCA CANINA, espécie que ataca principalmente os seres humanos, e que constitui uma terrível aflição no Egito.
A praga das moscas não alcançou a terra onde estavam os hebreus, e isto deu um aspecto especial à manifestação de Deus, significando Sua providência em proteger Seu povo.
Faraó, exasperado, propôs a Moisés que oferecesse sacrifícios ao seu Deus ali mesmo, no Egito.
Moisés alegou que os sacrifícios a Deus eram, aos olhos dos egípcios, uma abominação, e isso os levaria a apedrejarem os hebreus. É que os animais que haveriam de ser sacrificados eram sagrados para os egípcios. A matança de ovelhas, bodes e bois encheria aquele povo de ódio. Moisés usou essa alegação como um meio diplomático de rejeitar a proposta do rei. Mas, em verdade, ele não podia negociar; precisava cumprir uma ordem expressa de Deus: TIRAR O POVO DO EGITO.
Faraó deu permissão para a partida da terra, mas fez duas exigências:
(1ª) - Não deviam ir muito longe; e
(2ª) - Deviam orar por ele.
Moisés cumpriu a sua parte no acordo, mas Faraó, não. Uma vez livre da humilhação da praga, endureceu seu coração e mais uma vez proibiu que o povo de Israel partisse.

5-QUINTA PRAGA: A MORTE DO GADO:
Ex 9:1-7 - As pragas no gado eram comuns no Egito e essa pestilência deve ter destruído não apenas a propriedade egípcia necessária para a vida, mas a santidade dos animais na teologia egípcia e a impotência de Faraó em intervir.
As vacas eram sagradas à deusa Ísis e Ápis, este último um dos principais deuses do Egito: Era um bezerro que vivia num palácio, alimentado com aveia perfumada que era comida em pratos de ouro e ao som de música.
A morte repentina do gado que estava no campo por ordem do Deus dos hebreus, foi um pesado golpe no prestígio de Ísis e Ápis. Ainda mais que o gado dos hebreus nada sofreu.
A distinção entre o gado dos egípcios e o dos hebreus aumenta o elemento de miraculosidade da praga. Era o poder de Deus que, em última análise, se responsabilizava pela diferença entre os hebreus e os egípcios. Deus não apenas julgou Faraó e os deuses do Egito, mas também poupou o Seu povo ao mesmo tempo.

6-SEXTA PRAGA: ÚLCERA:
Ex 9:8-12 – Os egípcios eram conscientes da possibilidade de doenças infecciosas e chagas. Isto era refletido no fato de Sekhmet (a deusa cabeça de leão, que supostamente tinha o poder de criar e extinguir epidemias) e os deuses Tot, Ísis e Ptah, considerados com habilidades curativas. Um sacerdócio especial era devotado a ela, chamado Sunu.
Amuletos e outros objetos eram empregados pelos egípcios contra males em suas vidas.
A recusa de Faraó em não libertar o povo de Israel trouxe a sexta praga, sendo esta a terceira vinda sem anúncio.
Iniciou-se através do lançamento simbólico de cinzas da fornalha por Moisés e Arão, e tumores arrebentaram em úlceras nos homens e nos animais, por toda a terra do Egito.
A palavra ÚLCERA significa PÚSTULA, FURÚNCULO.
Os dicionários definem uma pústula com um furúnculo ou borbulha, e sugerem que as pústulas malignas são características do antraz. A terminologia usada para descrever a doença identificada com a sexta praga sugere uma erupção da pele de natureza violenta. Ela não era leprosa ou maligna, mas devia ser igualmente temida, e, com toda a probabilidade, era mortal. Essa enfermidade feriu tanto os homens quanto os animais.
Os representantes de Faraó não apenas foram incapazes de duplicar os atos de Moisés, embaixador de Jeová, mas eles também foram feridos. O arrogante Faraó (que se considerava divino), os príncipes, os sacerdotes-magos, todos se viram, de repente, desprotegidos de seus deuses dentro do palácio, cheios de úlceras; e, lá fora, todo o povo e também os animais. Entretanto, os hebreus nada sofreram.
Esta praga culminou com grandes implicações teológicas para os egípcios. Enquanto não trazia mortes, buscavam ajuda dos muitos deuses responsáveis por curas. Além das já citadas, havia ainda os deuses Serafi e Imhotep (o deus da medicina e o guardião da ciência da cura). A inabilidade desses deuses em agir em favor dos egípcios certamente proporcionou profundo desespero e frustração. Mágicos, sacerdotes, príncipes e plebeus estavam todos igualmente afetados pelas dores deste julgamento, fazendo-os saber que o Deus dos hebreus era o Deus Todo Poderoso e superior a todos os ídolos feitos por mãos de homens.
Desta forma, o que podemos vislumbrar é o poder ilimitado do Senhor Deus, em cujas mãos os homens são como barro nas mãos do oleiro.

7-SÉTIMA PRAGA: SARAIVA:
Ex 9:13-35 – Antes de desferir mais este duro golpe, Deus mandou mensagem ao Faraó:
(1) - Ele podia ser facilmente destruído por Deus;
(2) - A sua vida estava sendo mantida pelo próprio Deus;
(3) - As pragas tinham o fim de levá-lo, bem como a todo o seu povo a compreenderem que nenhum de seus deuses tinha qualquer valor; nenhum poderia comparar-se a Jeová;
(4) - Através da obstinação do Faraó e das pragas, Deus estava mostrando Seu poder e anunciando Seu nome a toda a terra.
(5) - Faraó e seus servos poderiam evitar um grande prejuízo, se cressem em Deus, recolhessem seu gado do campo, para que não morresse com a saraiva.
Saraiva é o mesmo que chuva de pedras de gelo.
A vida e a economia do povo egípcio estavam diretamente ligadas ao sucesso nas colheitas. As grandes chuvas trouxeram prejuízos e desespero àqueles. Os adoradores de Nut (deusa do céu) avistaram não as bênçãos do sol rogadas a ela, mas a tragédia de tempestades e violência.
Esta praga também humilhou Ísis e Seth, (deuses responsáveis pelas colheitas na agricultura). A forte saraivada envergonhou também os deuses considerados como tendo controle sobre os elementos naturais.
Os egípcios também acreditavam que o deus Reshpu controlava os raios, e o deus Tot possuía poder sobre a chuva e os trovões.
A promessa dizia que no dia seguinte o Senhor traria uma grande tempestade sobre o Egito, devendo todos os animais, que estavam no campo, serem recolhidos para proteção. Esta recomendação foi obedecida por vários servos e seguidores de Faraó, irritando o rei do Egito.
De acordo com inscrições, estes animais foram trazidos de países vizinhos, como Síria e Líbia, após a quinta praga, a qual exterminou todo o rebanho egípcio.
Os trovões e relâmpagos foram tão violentos que o fogo destruiu muitas plantações. O aspecto miraculoso deste evento pode ser notado em Ex 9.26, onde encontramos que somente na terra de Gósen não choveu.
A severidade da tempestade, a infrequência desse fenômeno no Egito e a sincronização da chuva de pedras em relação à advertência de Moisés combinaram para criar a reação de Faraó – Ex 9.27.
Faraó também apelou para Moisés para rogar ao Senhor pedindo o fim da tempestade, e, o que é mais importante, concordou com uma liberação incondicional dos hebreus: “Eu vos deixarei ir, e não permanecereis mais aqui”.
Moisés não creu em sua declaração (Ex 9.28-32). Entretanto, levantou as mãos para o céu e a saraiva cessou. A oração de Moisés pode abrir e fechar os céus, mas não o coração de um homem voluntarioso. Não obstante, até mesmo a posição dos inimigos de Deus é obrigada a contribuir para Seu plano redentor.
Mais uma vez ficou demonstrado que não é Faraó quem controla a terra - nem mesmo os deuses do Egito. Jeová, o Deus de Israel, é o Senhor da criação - Sl 24:1.

8-OITAVA PRAGA: OS GAFANHOTOS:
Ex 10:1-20 – A praga de gafanhotos era muito temida no Egito, tanto que os camponeses tinham o hábito de orar a um deus gafanhoto e ao deus Min, que era encarado como protetor das colheitas.
Os gafanhotos são, talvez, o maior exemplo natural de força coletiva destrutiva de uma espécie. Um gafanhoto adulto pesa, no máximo, dois gramas e sua força destrutiva pode levar milhares de pessoas a passarem fome por anos.
Através de um forte vento oriental, que soprou durante todo o dia e toda a noite, gafanhotos foram trazidos do norte da Arábia em grande número. Mais uma vez, nota-se a natureza miraculosa do evento, pois nunca se viu nada igual na terra do Egito (Ex 10:14). Os gafanhotos destruíram, além das plantações, árvores frutíferas e de outras espécies.
O horror e o desespero assolaram o coração dos egípcios quando o restante de suas lavouras foi destruído por milhões de gafanhotos voadores. Seus recursos agrícolas eram considerados limitados e já tinham sofrido outras destruições causadas pelas pragas anteriores. Seus rebanhos tinham sido esgotados e muitos dos homens estavam incapazes de trabalhar, em decorrência das doenças trazidas pelas pragas.
Buscando manter seu orgulho e dignidade e não aparentar ser cego e obstinado quanto aos problemas em suas mãos, Faraó propôs a Moisés e Arão um terceiro acordo: Liberar os adultos para partirem, mas que deixassem as crianças (Ex 10:10 e 11).
Obviamente, esta oferta não foi aceita por Moisés, que saiu da presença de Faraó.
Talvez, não por profunda convicção espiritual, mas interessado em alívio imediato desta praga, Faraó convocou Moisés e Arão novamente à corte. A despeito de Faraó demonstrar obstinação e desonestidade, Moisés tornou da corte real e orou pedindo o fim da praga, que se findou com um forte vento ocidental.

9-NONA PRAGA: AS TREVAS:
Ex 10:21-29 – A nona praga, assim como a terceira e a sexta, veio sem aviso prévio. Moisés estendeu sua mão ao céu e as trevas cobriram a terra por três dias (Ex 10:21 e 22).
À luz da teologia e prática egípcia, esta praga foi muito significativa:
(A) - O deus-sol Rá era considerado um dos maiores deuses do Egito. Tinham grande alegria e prazer pela fé que possuíam a este deus que provia, dia após dia, sem falhar, o calor e a luz do sol.
(B) - Outro significado importante com respeito a esta praga era o prestígio do deus Amon-Rá, a maior divindade de Tebas e um deus-sol. No período do Novo Reinado, este era o deus nacional, parte da trindade de deuses que incluía Amon-Rá, sua esposa Mut, e seu filha Khons. Amon-Rá era comumente representado por animais sagrados, como a ovelha e o ganso.
(C) - Inúmeras outras deidades eram associadas ao sol, céu e lua, como, por exemplo, Aten, o divino sol-disco. Este deus foi proclamado ser o único deus.
(D) - Atum era também outro importante deus, adorado principalmente em Heliópolis. Era o deus do pôr-do-sol e usualmente descrito em forma humana. Animais sagrados associados com este deus eram a cobra e o leão.
(E) - O deus Khepre, que sempre aparecia na forma de um besouro, era uma das formas do deus-sol Rá.
(F) - Outro muito importante deus era Hórus, sempre simbolizado por um disco de sol alado. Era considerado ser filho de Osíris e Isis, mas também o filho de Rá e o irmão de Seth.
(G) - Harakhte, outra forma de Hórus e identificado com o sol, era venerado principalmente em Heliópolis, a cidade do sol, e era representado por um falcão.
(H) - Entre as várias deidades afetadas por esta trágica escuridão estava Hathor, uma deusa do céu, além de deusa do amor e da alegria. Era a divindade titular da necrópole de Tebas, venerada particularmente em Denderah, e retratada com chifres de vaca ou como uma figura humana com chifres de vaca na cabeça.
(I) - A deusa do céu Nut também estava envolvida na humilhação desta praga.
(J) - E o que dizer do prestígio de Thoth, um deus-lua em Hermópolis? Ele também era o deus que escrevia e computava o tempo.
(K) - O prestígio do próprio Faraó também foi afetado, pois, dentre seus atributos divinos, ele era representante de Rá.
Existe uma enorme lista do grande número de outras deidades relacionadas com o sol, estrelas e luz, mas a relação acima é suficiente para indicar a tremenda importância do sol e de sua luz para os egípcios. O deus RÁ (o sol) havia sido derrotado pelo Deus dos hebreus.
Enquanto os egípcios não podiam deixar suas casas, pois nada podiam ver de tão escuro, os israelitas tinham luz e continuavam suas vidas normalmente. Foi o prenúncio amedrontador do juízo de Deus que se abateria sobre Faraó e seu povo, a saber, a morte de todos os primogênitos.
Em desespero de causa, Faraó propôs que saíssem deixando todo o gado. Ante a insistência de Moisés, Faraó, ardendo em ira, o protestou de morte, se novamente viesse perante sua face.
Faraó decretara a sentença para si mesmo, sua corte e seu povo: em cada casa o filho mais velho morreria. Faraó não queria ter conhecimento que a praga das trevas é derrotada pela luz de Jeová e que a praga da morte é anulada pelo sangue do Cordeiro.

10-DÉCIMA PRAGA: A MORTE DOS PRIMOGÊNITOS:
Ex 11:1-10; 12:29-42 – A última praga se baseia na ação de Deus, sem depender de mediação de Moisés ou de Arão. Omitindo Moisés e Arão da narrativa, o escritor sugere que a situação havia alcançado um ponto tão extremo que o próprio Senhor interveio mais diretamente na praga. O próprio Senhor iria atravessar a terra como Anjo da morte (Ex 11:4 cf 12:23, 27).
A morte dos primogênitos resultou na maior humilhação para os deuses egípcios:
(A) - Nekhbet, deusa-abutre, protegia com suas asas os soberanos do Alto Egito.
(B) - Os governantes do Egito realmente chamavam a si mesmos de deuses e filhos de Rá ou Amon-Rá.
(C) - Afirmava-se que Rá ou Amon-Rá tinham relações sexuais com rainha. O filho nascido era, portanto, considerado como um deus encarnado e era dedicado a Rá ou a Amon-Rá em seus templos. Assim, a morte do primogênito de Faraó realmente significava a morte de um deus (Ex 12:29).
Somente este fato já teria sido um duro golpe na religião do Egito. A completa incapacidade de todas as deidades se evidenciou em seres incapazes de impedir que todos os primogênitos do Egito morressem de uma só vez.
De acordo com as palavras de Moisés, a morte dos primogênitos causaria tristeza e luto como nunca se vira no Egito (Ex 11:6).
Como apontado, à meia-noite o Senhor completou o que tinha prometido, subjugando os primogênitos na terra do Egito. Não houve respeito à classe social ou status civil nesta praga. Tanto o primogênito de Faraó, quanto o de qualquer homem na prisão, morreram. Importante também é a citação da morte dos primogênitos dos animais.
Faraó pode encontrar escape para as pragas anteriores, ou talvez providenciar satisfatória racionalização delas. Mas não havia o que fazer agora. Seus efeitos e implicações eram perfeitamente claros. Seu filho, sempre tratado com carinho, “nascido dos deuses”, agora jazia na cama, pálido e sem vida.
O coração e o desejo de Faraó estavam quebrantados. Seu espírito agora mudou daquela arrogância e resistência, para uma grande preocupação. Assim, chamou Moisés e Arão no meio da noite e, sem discussão ou diálogo, simplesmente declarou que os filhos de Israel deveriam partir, sem imposições, condições ou exigências, nos termos de Moisés.
O reconhecimento do poderio do Senhor pode ser concluído com o pedido de Faraó a Moisés, contida na última frase do verso 32 do capítulo 12 de Êxodo: “…abençoai-me também a mim.” Ao Deus cuja existência e poder foram diversas vezes questionadas (Ex 5:2) ele agora rogava que o abençoasse.

Fonte:Lições Bíblicas CPAD – 4º Trimestre de 1991 – Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima

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