07 fevereiro 2014

Lição 6 - 09/02/14 - A peregrinação de Israel no deserto até o Sinai

TEXTO ÁUREO

“Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1Co 10.11)

VERDADE PRÁTICA

Os erros e pecados de Israel servem-nos de alerta para que não venhamos a cometer os mesmos enganos.


LEITURA BÍBLICA = Êxodo 19: 1-6 = Números 11: 1-3

INTRODUÇÃO

Muitas coisas na história de Israel são chocantes. Quão rapidamente a descrença surge após os atos poderosos de Deus. Eles caminharam em terra seca através do Mar Vermelho enquanto Deus destruía o exército Egípcio. Três dias depois o louvor se tornou em murmuração. Isso exemplifica bem a natureza humana!

A LIDERANÇA DE MOISÉS

Israel louvou a Deus no Mar Vermelho e sem dúvida ainda recolheu o espólio dos Egípcios afogados (Êxodo 14:30-31). Com essa feliz disposição de espírito Moisés os conduziu para viajar. Durante três dias eles caminharam através do deserto seco e árido. Podemos notar a mudança de humor deles quando o cansaço e a irritação chegaram.

ISRAEL CHEGA A MARA

Finalmente Israel chegou a um lugar onde havia água. O humor deles melhorou ao pensarem em quanto se refrescariam. Seus temores quanto a segurança de suas família e rebanhos acabaram. De repente, no entanto, a esperança se esvaiu. As águas eram amargas. Eles ataquem Moisés com espírito de murmuração.Vamos considerar algumas lições deste episódio:

Deus com freqüência nos guie à situações que provam a nossa fé. As provações não eram um sinal de que Deus os abandonou ou que Moisés estivesse errado.

A resposta apropriada para a os problemas e necessidades é a oração, não a murmuração. A primeira menção de murmuração nas Escrituras é encontrada no versículo 24. A murmuração reflete sempre uma atitude de pecado e rebelião. A atitude de Moisés em clamar a Deus em tempos de necessidade é muito melhor (Filipenses 4:6-7).

Os estudantes da Bíblia vêem na árvore mencionada no versículo 25 um tipo da cruz de Cristo. Os filhos de Deus, como os outros, sofram muitas vezes com as providências desanimadoras e dolorosas. Entretanto, nossas águas amargas são adocicadas pelo conhecimento de que Deus trabalha para que todas as coisas contribuam para o nosso bem (Romanos 8:28, Tiago 1:2-4).

É a cruz do Calvário que torna possível esta providência especial (Gálatas 3:13, I Pedro 2:24). Deus nos abençoa em Cristo (Efésios 1:3, Romanos 8:32). Como Noemi, cujo nome significa "agradável" nós muitas vezes pensamos que a amargura será o destino de nossas vidas (Rute 1:19-22). Como Noemi, nós devemos aprender que nuvens carregadas de problemas, com freqüência derramam chuvas de misericórdia.

A VIAGEM PARA O MONTE SINAI

 Em Mara e em Elim (15.22-27)

Os israelitas andaram três dias no deserto (a leste do mar Vermelho) e não acharam água (22). A fé do povo precisava de mais provas. Uma grande vitória como a travessia do mar Vermelho proporcionou uma visão maravilhosa da onipotência de Deus; mas não treinou a fé para os problemas cotidianos. A necessidade diária de comida e bebida prova a fé do povo mais que os obstáculos maiores. Mas Deus estava treinando seu povo em todos os aspectos da vida, por isso os levou às águas amargas de Mara (23; ver Mapa 3). Imagine a comovente decepção de pessoas sedentas encontrando água e verificando que era impotável.

Viajantes nesta região do deserto de Sur (ou de Etã, Nm 33.8) confirmam que as fontes são extremamente amargas, que o lugar é “destituído de árvores, água e, exceto no começo de primavera, pastagens”.

O povo murmurou contra Moisés (24). A liderança é cara, porque a culpa pela adversidade recai nos líderes. Estas pessoas sabiam que Moisés era homem de Deus; por isso, o pecado também era contra Deus. Grandes experiências com Deus não curam necessariamente o coração mau e queixoso. A murmuração cessa apenas quando crucificamos o eu e entronizamos Cristo somente (Ef 4.31,32).

A única coisa que Moisés poderia fazer era clamar ao SENHOR (25). Não há dúvida de que Deus teria fornecido água potável em resposta à fé paciente de Israel, se tivessem permanecido firmes. O Senhor às vezes satisfaz nossos caprichos em detrimento da fé. Aqui, as águas se tornaram doces, quando Moisés lançou um lenho nelas, mas a fé de Israel continuou fraca. Desconhecemos método natural que explique este milagre.

Deus usou esta ocasião para ensinar uma lição a Israel, dando-lhes estatutos e uma ordenação (25). Se as pessoas ouvissem a Deus e obedecessem inteiramente à sua palavra, elas seriam curadas de todas as enfermidades que Deus tinha posto sobre o Egito (26).

Assim como Deus curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhes as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida. Deus queria tirar o espírito de murmuração do meio do povo e lhe dar uma fé forte.

Nem todas as experiências da vida são amargas. O próximo acampamento de Israel foi em Elim, oásis com doze fontes de água (uma para cada tribo) e setenta palmeiras (27). Tivesse Israel suportado a amargura das águas de Mara, logo estaria festejando em Elim. A pouca paciência de muitos crentes embota o fio aguçado da vitória alegre quando esta ocorre. Elim era um lugar bonito para acampar, mas não era o destino dos israelitas.

O Maná e as Codornizes (16.1-36)

a) Outra murmuração de Israel (16.1-3). Israel deveria ter aceitado os “estatutos” de Deus e crido em sua “ordenação” (15.25). O fato de não terem agido assim resultou em mais reclamações. Tinham deixado para trás um deserto (Sur) e entrado em outro (Sim) a caminho do monte Sinai e já fazia um mês que viajavam (1). Pelo visto, o suprimento de comida estava diminuindo e não havia evidência externa de novas provisões. Deus permitiu que o problema surgisse como prova para a fé de Israel. Mas o povo murmurou contra Moisés e contra Arão (2), desejando ter morrido no Egito com os estômagos cheios em vez de morrer de fome no deserto (3). Parece que comiam bem no Egito, e agora as coisas estavam piores. Claro que o alimento é necessário para a vida física, mas Deus não esquecera do povo. Ele teria suprido as necessidades de maneira mais satisfatória se Israel tivesse permanecido pacientemente firme na fé.

b) A promessa de pão e carne (16.4-12). Não há que duvidar que o tempo todo Deus sabia como alimentaria os israelitas no deserto. Quando murmuraram, o Senhor revelou seu plano de fornecer pão dos céus (4) para colherem a porção para cada dia — “a ração para cada dia” (Smith-Goodspeed). Até no fornecimento de pão Deus faria uma prova: Queria ver se o povo andaria em sua lei ou não. No sexto dia, as pessoas achariam quantidade suficiente de pão para durar dois dias, em cumprimento da lei do sábado (5).

Deus queria que estes israelitas soubessem que aquele que os tirou do Egito ainda estava com eles. A tarde sabereis (6) e amanhã vereis (7). A glória mencionada no versículo 7 diz respeito à realização da mão de Deus no suprimento do pão, ao passo que a glória referida no versículo 10 era a manifestação especial de Deus na nuvem.

Moisés repreendeu os israelitas por murmurarem contra ele e Arão, pois nada significavam — era Deus quem os conduzia (7). Quando Deus lhes desse carne e pão para comer, eles saberiam que o Senhor ouvira as murmurações feitas contra ele (8).

De certo modo, fornecer comida desta maneira era uma repreensão. Deus não forneceu comida só porque reclamaram; Ele queria que soubessem que Ele era o Senhor e que não estava contra seus servos, mas contra quem murmurava.

Os filhos de Israel seriam humilhados diante de Deus. Arão os reuniu, dizendo:
Chegai-vos para diante do SENHOR, porque ouviu as vossas murmurações (9). Quando se aproximaram e olharam para o deserto, de repente a glória do SENHOR apareceu na nuvem (10). “A prova inconfundível da presença de Deus na coluna de fogo autenticou as palavras de Moisés e preparou o povo para a glória mais encoberta do milagre que ocorreria.” A glória do Senhor deu a estes fracos seguidores de Deus a oportunidade de ver o mal dos seus corações quando contemplassem a fidelidade de Deus para com eles. Com a realização do milagre da carne e do pão, eles saberiam que o SENHOR era o seu Deus (12). Ele teve paciência com estes crentes fracos, cuja fé necessitava de crescimento; em outra época, depois de terem tempo para amadurecer (Nm 14. 11,12), eles foram punidos por causa da permanência na incredulidade.

c) Deus envia codornizes e pão (16.13-21). As codornizes, que subiram e cobriram o arraial (13), faziam seu trajeto habitual de migração “pelo mar Vermelho, em grande quantidade nesta época do ano, e cansadas pelo vôo longo, [...] podiam ser capturadas facilmente perto do chão”.

Na manhã seguinte, houve um orvalho ao redor do acampamento (13). Quando o orvalho se secou, encontraram “uma coisa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra” (14, ARA). Quando viram, as pessoas perguntaram: Que é isto? (15). Moisés respondeu: Este é o pão que o SENHOR vos deu para comer. “O nome maná é proveniente da pergunta [Que é isto?], ou a semelhança no som tem relação com as duas palavras originais [man hu].”

Há quem procure identificar o maná bíblico com as substâncias naturais encontradas nesta região. Embora semelhantes em certos aspectos, estas substâncias naturais não se ajustam à narrativa bíblica. Não surgem em grande quantidade, nem podem ser o principal alimento. Ocorrem somente durante curto período do ano. O maná da Bíblia:

1) Foi o principal alimento nutritivo para Israel por quarenta anos;
2) Era fornecido em quantidades grandes;
3) Ocorria ao longo do ano inteiro;
4) Aparecia somente em seis dos sete dias da semana; e
5) Criava bichos se fosse guardado por dois dias, exceto no sábado. 
Obviamente este maná era um milagre de Deus, sendo um tipo do Cristo que desceu do céu (Jo 6.32-40).

As instruções para colher o maná eram inequívocas. Cada família tinha de colher quantidade suficiente para o consumo de um dia: um gômer por cabeça (16), cerca de 1,3 litro, e segundo o número de pessoas da família.

Pelo milagre do aumento ou da diminuição de acordo com a necessidade vigente,46 não sobejava para quem colhesse muito, nem faltava para quem colhesse pouco (18).

Moisés foi claro em dizer que nada do maná deveria ser deixado para o dia seguinte (19). Alguns israelitas, que ainda precisavam aprender acerca da obediência explícita, guardaram uma provisão de maná até o dia seguinte, mas criou bichos e cheirava mal (20). Considerando que o maná guardado para o sábado não estragava (24), ficou evidente a desobediência dos ofensores, os quais foram punidos com a deterioração do alimento.

Neste episódio, a lição de Deus para Israel, como também para os cristãos, é que os crentes têm de depender de Deus dia após dia. A vida de Cristo no cristão é preservada a cada momento por sua permanência em Deus. A obediência diária e cuidadosa resulta em provisão regular; o descuido traz perturbação e julgamento. Israel aprendeu a colher o maná pela manhã, antes que o sol o derretesse (21); o alimento espiritual colhido de manhã cedo suporta o calor do dia.

ISRAEL  NO MONTE SINAI

Os israelitas chegaram ao lugar onde Deus queria fazer deles uma comunidade religiosa peculiarmente sua. Os meses “no monte Sinai realizaram duas coisas: 1) Israel recebeu a lei de Deus e instruções sobre o caminho de Deus; e 2) a multidão que saiu do Egito unificou-se no início de uma nação”.’ Este período é de grande importância para compreendermos a vontade de Deus revelada no cerne da lei.

As teorias críticas do século XIX, que negavam a existência do Tabernáculo e tornavam a maioria destas leis mero reflexo de costumes vigentes em séculos posteriores, foram amplamente abandonadas nos últimos anos. Hoje em dia, a maioria dos estudiosos admite que o âmago destas leis foi dado no monte Sinai por Moisés. Quem advoga que a lei é a revelação de Deus aceita que sua forma atual é substancialmente o teor recebido por Moisés. Mesmo quando os críticos negam esta idéia, não conseguem entrar em consenso sobre quais leis são mais recentes.

O CONCERTO PROPOSTO POR DEUS, 19.1-25

A Apresentação do Concerto no Monte Sinai (19.1-8)

No terceiro mês depois da saída do Egito, os filhos de Israel chegaram a deserto do Sinai. A tradição judaica afirma que o dia foi o Pentecostes e que a Festa de Pentecostes comemorava o recebimento da lei. Porém, a expressão hebraica no mesmo dia não é suficientemente específica para indicar um dia exato.


Quando os israelitas acamparam defronte do monte (2) Sinai, estabeleceram-se na ampla área que fica em frente à montanha. A maioria dos estudiosos identifica que o local é a atual Jebel Musa. A área diante da montanha era bastante espaçosa para acomodar grande número de pessoas e era bem provida de água.

Subiu Moisés a Deus (3), que manifestou sua presença no monte, conforme está indicado pelo fato de a nuvem (cf. 13.21) cobrir o monte. Enquanto Moisés subia, o SENHOR o chamou e lhe ordenou que desse uma mensagem para Israel. Disse Deus:

Eles viram o que fiz aos egípcios (4), e como foi mostrada misericórdia para os israelitas. O que Deus fizera estava notoriamente exposto a quem quisesse ver. Ele os carregara sobre asas de águias. Estas águias — “o abutre fusco (ou grifo), pássaro majestoso e enorme abundante na Palestina”,— carregavam seus filhotes em cima das asas até que soubessem voar. Deus tirara Israel do Egito com mão forte.

E Deus os trouxe para si. Eram escravos do Egito, onde pertenceram a Faraó. Pelo poder divino foram arrebatados do usurpador e levados ao seio de Deus. Agora lhe pertenciam de maneira inédita.

Deus estava pronto para colocar este povo numa relação de concerto (5) com Ele. Este concerto tinha a significação de vínculo ou acordo. Na prática social, havia dois tipos de concerto. Um era o acordo entre iguais, no qual dividiam-se privilégios e obrigações e cada parte perdia o direito próprio de agir independentemente, O outro era um concerto entre partes não iguais, como, por exemplo, entre um rei e seu povo. Neste tipo de concerto, a parte mais forte fazia uma promessa ou dava um presente “condicionado com certas exigências ou obrigações a serem satisfeitas pela parte mais fraca”. A liberdade da parte mais forte não era eliminada por semelhante concerto. Para Israel, no monte Sinai, o concerto foi “a promessa de Deus, já endossada pelo presente da libertação concedida”, de que Israel seria sua “possessão e instrumento especial”. O cumprimento da promessa dependia da fé e obediência de Israel.


Israel seria a propriedade peculiar (5) de Deus dentre todos os outros povos mas somente se o povo cumprisse as condições do concerto. “Ao mesmo tempo que reivindicava direito peculiar sobre Israel, Deus não queria se separar das outras nações, deixar de cuidar delas ou abandoná-las para que fizessem o que bem entendessem.” Na verdade, Israel deveria ser uma bênção para todas as outras nações.

Como povo de Deus, Israel seria para Deus um reino sacerdotal e povo santo (6). Em certo sentido, todo indivíduo era um sacerdote com acesso direto a Deus. Aqui temos o ensino do sacerdócio universal de todos os crentes (ver 1 Pe 2.5).

A santidade de Deus é a “causa originária da criação do povo santo. [...] Jeová se mantém puro em sua personalidade, protege sua glória por sua pureza, sua universalidade por sua particularidade; portanto, é o Santo. E assim Ele cria para si mesmo um povo santo que, em sentido peculiar, existe para [...] [ele] e se mantém indiferente das noções e formas de adoração que conflitam com as verdadeiras visões de sua personalidade”. O propósito de Deus na redenção era trazer o homem dos caminhos maus do pecado para a vida de santidade.

Chamou Moisés os anciãos do povo (7, os líderes das tribos e das famílias) e expôs diante deles todas estas palavras que Deus falara. Pelo visto, as pessoas ficaram profundamente comovidas e responderam: Tudo o que o SENHOR tem falado faremos (8). E fácil fazer promessas a Deus quando somos impulsionados por profundo sentimento religioso. Na maioria das vezes, não percebemos tudo que está envolvido no compromisso, mas as promessas podem ser sinceras e nos lembrarão da responsabilidade assumida. Se as pessoas tomarem decisões sem este temor religioso, seguirão o caminho da incredulidade.

Emoção religiosa não é coerção. Estas pessoas eram livres para aceitar ou rejeitar as propostas de Deus. O Senhor não força os homens a fazer um concerto com Ele, mas cria a atmosfera que possibilita a escolha favorável. Sem haver primeiro o trabalho de Deus o homem nunca reage favoravelmente.

A Santificação do Povo (19.9-15)

O povo precisava se aprontar para desfrutar a maior experiência da vida humana — ouvir a voz de Deus. O Senhor disse a Moisés três coisas: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa; o povo ouvirá, falando eu contigo; e te crerá eternamente (9). Alguns israelitas recusaram reconhecer Moisés como porta-voz de Deus; quando passavam por dificuldades, muitos em Israel hesitavam em confiar no servo de Deus. Apesar de tudo que Moisés dissera e fizera, os descrentes ainda afirmavam que era só a voz dele e que ele fazia mágicas. Mas agora estas pessoas “veriam” Deus na nuvem espessa e ouviriam a voz de Deus sem intermediários. 
Assim, Deus autenticaria as palavras de Moisés.

De muitas formas é mesmo impossível acreditar que as palavras que uma pessoa fala são as palavras de Deus até ouvirmos pessoalmente Deus nos falar sem rodeios. Pelo que entendemos, os israelitas ouviam um som que não era a voz de Moisés, através do qual eles reconheciam Deus falando com eles (20.1; ver Dt 4.11,12). Para a maioria dos cristãos, a voz de Deus é ouvida pela voz do Espírito Santo no coração (Rm 8.16). Quando sua voz é ouvida, então a palavra de Deus através do homem, audível ou escrita, torna-se meio de fé. Ainda vigora a promessa relativa às pessoas que crêem em Moisés eternamente, visto que cristãos e judeus consideram Moisés o porta-voz de Deus.

Para que Israel estivesse preparado para ouvir Deus diretamente, Moisés tinha de santificá-los hoje e amanhã (10). Esta santificação exterior, símbolo da pureza interior que só Deus dá (cf. comentários em 13.2), levaria dois dias inteiros. A limpeza externa abrangeria: 1) Lavar o corpo, 2) lavar as roupas e 3) abster-se de relações sexuais.1° Mesmo depois desta santificação, o povo tinha de ficar separado do monte por limites (12), ou cercas, para que nenhum homem ou animal tocasse o monte. Se tocasse, seria morto imediatamente. Se pessoa ou animal transpusesse a cerca, ninguém deveria tocar nessa pessoa ou nesse animal (13; cf. NTLH), pois fazer isso significaria toque direto no monte. Tal ofensor deveria ser morto a pedradas ou flechadas.

Todos estes regulamentos tinham a função de ensinar ao povo a necessidade de santidade, a qualidade impressionante de Deus, e a exigência de absoluta obediência a Deus. A desatenção era intolerável; até um animal inocente teria de morrer se o dono não o mantivesse afastado do monte. Deus desceria diante dos olhos (11) do povo, mas este não deveria presumir intimidade com Ele. O caminho ainda não estava aberto para as pessoas irem à presença de Deus com ousadia (Hb 4.16).

Embora no versículo 12 haja a proibição de subir o monte, algumas pessoas tinham a permissão de subir quando a buzina (13) soasse longamente. Pelo que deduzimos, as pessoas mencionadas no versículo 13 pertencem a um grupo especial; em outro momento, Moisés, os sacerdotes e os setenta anciãos (24.1,2) tiveram permissão de subir. Mesmo assim, deveriam subir depois de ouvirem a buzina. O versículo alude ao ajuntamento de pessoas quando Deus estava prestes a falar,’2 embora o original hebraico signifique mais que isso. O sentido dos versículos 16 e 17 favorece a opinião de que a buzina chamava Israel do acampamento para o pé do monte. Por isso, Moisés... santificou o povo (14; cf. comentários em 13.2).

Deus no Monte Sinai (19.16-25)

Com todas essas preparações e avisos, o povo estremeceu (16) quando Deus manifestou sua presença. Chegara o momento de verem Deus, assim os israelitas puseram? se ao pé do monte (17). A experiência tinha o propósito de criar um verdadeiro temor de Deus nas pessoas e prepará-las para respeitar a lei de Deus.

Além dos trovões e relâmpagos (16) e do sonido de buzina mui forte, a montanha estava em chamas; subia fumaça do fogo, como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente (18). Fumegava é melhor “estava coberto de fumaça” (NVI). Até Moisés tremeu de medo com a visão (Hb 12.21). Apesar de todo esse medo, com o clangor cada vez mais longo e forte da buzina, Moisés falava, e Deus lhe respondia em voz alta (19). A mesma voz que ele ouvira na sarça ardente agora falava do monte em som claro e apavorante que todos ouviam.

Chamou o SENHOR a Moisés (20) para subir ao monte, ação proibida para os outros, e Moisés subiu. Quase imediatamente, Deus mandou Moisés de volta para reforçar o aviso para o povo não traspassar os limites do monte santo (21). Os sacerdotes, que se chegam ao SENHOR (22), receberam uma mensagem especial. Quanto a santificar, ver os comentários no versículo 10 e em 13.2. Estas pessoas não eram os levitas, que ainda não tinham sido separados; eram provavelmente os primogênitos que exerciam funções sacerdotais (ver 24.5). Talvez conjeturaram que tinham tanto direito quanto Moisés de subir ao monte. Deus conhecia suas intenções, por isso ordenou que Moisés voltasse para evitar uma catástrofe. O SENHOR lançar-se sobre eles seria na forma de praga, ou com fogo ou morte direta, como no caso de Uzá (2 Sm 6.7,8).

Moisés, desconhecedor das possíveis intenções do povo, lembrou Deus que todas as precauções foram tomadas e que ninguém subiria involuntariamente o monte Sinai (23). Mas Deus sabia mais que Moisés; o servo do Senhor tinha de falar novamente para o povo que somente ele e Arão (24) poderiam subir. Aqui Deus está deixando claro que Ele escolhe quem quer, e que outros têm de permanecer em sua vontade. Também é importante discernir a voz de Deus e segui-la, mesmo quando achamos que não há perigo. Deus conhece os corações dos homens e as pessoas não. Quanto a santifica-o (23), ver comentários em 13.2. Moisés (25) obedeceu, evitando assim uma tragédia.

“A Santidade de Deus”, revelada no capítulo 19: 1) Requer santidade em quem se aproxima de Deus, 5,6,10,11; 2) Separa Deus de todas a suas criaturas, 12,13; 3) Manifesta a presença de Deus em majestade aterrorizante, 16-20; 4) Comunica-se com os pecadores, 7-9,21-25.

A IDOLATRIA DOS ISRAELITAS

Não se passou muito tempo. Menos de quarenta dias após o solene compromisso de guardar a lei do Senhor, os filhos de Israel, em pleno deserto, quebraram o pacto feito com Deus. Eles viram a poderosa mão divina, fazendo- os passar a pé enxuto pelo Mar Vermelho; viram as aves migratórias caírem sobre o arraial pela tarde, e, pela manhã, o pão do céu, o maná, enviado por Deus para saciar sua fome, bem como água em abundancia para saciar sua sede. Entretanto, pouco tempo depois, o povo estava a cometer um pecado abominável contra o seu Deus, encurvando-se diante de um ídolo, o bezerro de ouro. Esta é uma lição triste, de aspectos negativos. da qual, contudo, o Senhor pode proporcionar-nos ensinamentos de advertência para a nossa vida cristã.

A DEMOCRACIA PARA O PECADO (Êx 32.1-2).

O povo de Israel, ao sair do Egito, estava sob o governo de Deus, ou seja, a Teocracia. Moisés era o representante do Senhor, como líder humano, escolhido diretamente pelo “Eu Sou”.
Contudo, quando Moisés subiu ao monte, para encontrar-se com Deus, a fim de receber dEle as tábuas da lei, demorou-se mais do que o povo imaginava. Em conseqüência, foi convocado um ajuntamento da multidão para falar com Arão, o lider-substituto. Acreditamos que alguns não concordaram com os objetivos da reunião. Entretanto, a maioria absoluta desejava expor suas idéias. Em lugar da Teocracia, ali estava um ensaio de Democracia, ou seja, o governo do povo, posto em ação. Este, sem dúvida, é o melhor governo humano que se conhece. Contudo, pode ser levado para o mal. Foi o que aconteceu.

1. Perderam a fé em Deus(v.1). O povo, ao invés de ir buscar ao Senhor, ante a demora de Moisés, preferiu ajuntar- se e ir falar com Arão, fazendo-lhe uma proposta maligna. Diz a Bíblia: “Vendo o povo que Moisés tardava”. Eles estavam agindo pela vista e não por fé. Se tivessem guardado a fé, não se apressariam. Alguém já disse: “a fé começa, onde termina a ansiedade; a ansiedade começa, onde termina a fé”.

2. A proposta pecaminosa (v. lb). O povo disse a Ano que ele, que estava no lugar de Moisés, deveria levantar-se e fazer deuses, que fossem diante deles, pois não sabiam o que teria acontecido ao homem que os tirou da terra do Egito.

Àquela altura, o povo não reconhecia mais que fora Deus Todo-Poderoso que o havia tirado do Egito, mas “este homem” era visto como o que fizera tal prodígio. Era a fé em decadência, a visão obscurecida pelo pecado, era o povo desnorteado, tão pouco tempo depois deverem grandes livramentos dos céus. Hoje, acontece coisa semelhante. Quando as lutas chegam pesadas, muitos crentes clamam ao Senhor e Ele os ouve. Dias depois, a bênção de Deus é esquecida, e, em, seu lugar, o coração se enche de sentimentos que não agradam ao Senhor.

3. O líder fraqueja (v.2). Arão, profeta de Deus, irmão de Moisés, participante da chamada divina, para a liderança do povo de Israel, agora, estava ouvindo do povo uma proposta totalmente contrária à lei, e em especial ao Decálogo. Sua atitude deveria ter sido a de buscar a orientação do Senhor. Orar, clamar a Deus. E certamente, ele teria tido a resposta correta para dar ao povo. Mas não o fez. Preferiu ser agradável ou temeu a rebelião.

a. Ardo concorda com o erro. Mandou arrancar os pendentes de ouro das orelhas das mulheres, dos jovens e das jovens. É interessante notar que toda essa quinquilharia ou bijuteria o povo adquiriu na escravidão do Egito. O povo obedeceu.
Muito perigoso o espírito de rebelião contra Deus. O povo é capaz de se desfazer até de ouro, para realizar seus propósitos maus.


0 BEZERRO DE OURO (v.4-6).

Tomando as jóias de ouro do povo, Arão moldou o metal com um buril (instrumento de gravar em metal) e fez um bezerro de fundição. Ao que tudo indica, o ídolo não era de ouro maciço. Normalmente, era de madeira por, dentro, coberto de metal (Is 40.19,20). No Egito, Israel conhecia os falsos deuses, dentre os quais o boi Ápis, uma escultura do culto daquele país. Certamente, quando, pela falta de fé, sentiram-se sem seu líder, quiseram substituir oculto divino por um culto pagão.

Diante do bezerro de ouro, no outro dia, bem cedo, o povo ofereceu sacrificios e ofertas ao ídolo. Em seguida, assentaram-se a comer, a beber e, ao final, foram folgar. Nesse culto, segundo estudiosos do Velho Testamento, havia expansão da carne, da sensualidade e da concupiscência. É lamentável, mas em muitas igrejas ditas pentecostais, o culto está tomando um sentido carnal.

Não há mais glorificação a Deus. Quase não se ora de joelhos. As músicas não evocam ao Senhor, mas lembram ambientes mim- danos, pela letra e pelo ritmo. Isso só acontece, porém, porque os pastares, obreiros do Senhor, têm fraquejado, permitindo que o “fogo estranho” seja introduzido no lugar de adoração a Deus.

0 DESAGRADO DE DEUS (v.7-10)

1. Deus viu o pecado do povo. Enquanto Moisés não sabia o que estava acontecendo lá em 
baixo, pois sentia-se na gloriosa presença de Deus, o Senhor que tudo vê, estava a contemplar o quadro de pecado e desvio do povo e de Arão. Diante da desobediência, Deus considerou-se separado do povo, mas ainda o via como o povo de Moisés (v.7). Deus viu todos os detalhes: a confecção do bezerro, o sacrifício pagão e a festança carnal. Esse fato nos lembra que mesmo que o obreiro, õ pastor, o dirigente, não veja o que está acontecendo no meio do povo, nada passa desapercebido ao Senhor. Deus é um Deus que vê e ouve (Gn 16.13; 1 Sm 16.7; SI 33.13; Êx 2.24; Sl 4.3).

2. A ira de Deus contra o povo (v.9-14). O Senhor, após dizer que o povo havia se corrompido, acentuou que via a sua obstinação. Em seguida, como que pedindo a anuência de Moisés, disse: “Deixa-me, que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma: e eu farei de ti uma grande nação” (v.l0).

3. A humildade e súplica de Moisés (v.11-13). A proposta do Senhor a Moisés era, sem dúvida, um teste difícil para sua personalidade. Todo o povo seria destruído, mas ele seria uma grande nação. Porém, com humildade e fidelidade, o grande líder passou no teste e, ao invés de buscar seus interesses pessoais, continuou a suplicar em favor do povo: “Ó Senhor, por que se acende o teu furor contra o teu povo, que tu tiraste da terra do Egito com grande força e com forte mão?” (v. 11). Moisés fez ver a Deus que os inimigos haveriam de zombar do Senhor.

Terminando a oração, ele lembra ao Senhor a promessa feita a Abraão, a Isaque e a Jacó, de lhes fazer uma nação tão numerosa quanto as estrelas do céu. Essa grandeza de espírito de Moisés, demonstrada em seu amor pelo povo, mesmo sabendo que o povo havia pecado, é o que falta em muitos líderes evangélicos, hoje. Alguns não se preocupam em prejudicar a igreja, desde que consigam vantagens pessoais à custa do cargo de pastor; São Paulo os chama de “obreiros fraudulentos” (2Co 11.13). São “falsificadores da palavra” (2 Co 2.17a).

4. Deus reconsiderou sua intenção (v. 14). Diante da súplica de Moisés, em favor do povo, abdicando do seu próprio engrandecimento, o Senhor “arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo”. Há pessoas que se confundem com essa afirmação, e indagam: “E Deus se arrepende?”. Em outras passagem, encontramos registros idênticos (Gn 6.6; 1 Sm 15.35; Am 7.3). A dificuldade aumenta, quando lemos em Nm 23.19, que “Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa...”. Acontece que o arrependimento de Deus é bem diferente do arrependimento do homem, O homem arrepende-se por causa de seus erros, de seus pecados e falhas; tem o sentido de remorso.

Quanto a Deus, não há, a rigor, o de que arrepender-se.  A expressão significa que Ele mudou de plano, ou, na sua soberania, reconsiderou sua decisão, sempre redundando em algo melhor.

O Pecado da Idolatria

Curiosamente, o primeiro mandamento de Deus no Sinai, a primeira ordenança do Decálogo, foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). Deus conhecia o coração do povo e sabia o quanto era propenso à idolatria, depois de anos vivendo no idólatra Egito.

As Sagradas Escrituras nos advertem, em 1 João 5.21, contra o pecado da idolatria: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!”. E o apóstolo Paulo adverte o mesmo à igreja em Corinto, citando como exemplo negativo justamente o pecado do povo de Israel no deserto (1 Co 10.14,18-21).

A idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia, porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o próprio Deus, o único que é digno de toda honra, toda glória, todo louvor e toda adoração. Entretanto, apesar de tão claro, este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. É triste dizer, mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que, obviamente, não devem receber a nossa adoração.

Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra, barro ou metal. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida, quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter.

Uma coisa é gostar, admirar e respeitar; outra bastante diferente é “endeusar”, idolatrar. Logo, segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes. A idolatria a coisas também.

Qual foi a última vez que você gastou tempo com Deus em oração? Qual foi a última vez que abriu a Bíblia para estudá-la ou para lê-la devocionalmente para a sua edificação espiritual? Qual foi a última vez que você evangelizou alguém? Qual foi a última vez que dedicou tempo para ajudar as pessoas? Será que a maior parte do seu dia é dedicada a coisas que realmente valem a pena ou só a futilidades?

O apóstolo Paulo afirma em Colossenses 3.5: “Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, ao apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria”. Paulo se refere ao “apetite desordenado”, ou “afeição desordenada”, e chama a “avareza” claramente de “idolatria”. Avareza é apego às coisas materiais. Quando valorizamos mais os bens materiais do que o espiritual, estamos de cabeça para baixo espiritualmente. Estamos longe de Deus.

O profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria sutil no meio dos crentes. Disse ele, conforme registrado em 1 Samuel 15.23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, Ele também te rejeitou a ti...”.

Ora, o que significa a palavra “porfiar”? Ela quer dizer, segundo oDícion4rio Aurélio a Língua Portuguesa, “discutir com calor”, “insistir”, “teimar”, “competir” e “disputar”. Ou seja, insubordinação, disputa entre irmãos, espírito de competição dentro da igreja, teimosia, arrogância, contenda, tudo isso, afirma Samuel é pecado de idolatria. Você já parou para pensar nisso?

Paulo afirma que uma das características do Anticristo, e que é própria do espírito do Anticristo, é se levantar “contra tudo o que se chama Deus ou se adora” e querer “se [assentar] como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Ts 2.4). Não se engane: há muita gente que começa bem, mas acaba, infelizmente, perdendo a visão espiritual e, por isso, tem o seu coração cheio de altares. É gente que afirma que serve a um único Deus, mas possui um coração idólatra, repleto de “deuses”, quando também não adora a si mesmo.

O cristão não deve ser dominado ou escravizado por nada. Apenas Deus deve ser o Senhor soberano de sua vida.

Subsídio para o Professor


INTRODUÇÃO
Nesta Aula trataremos acerca da caminhada do povo de Israel até a região do Sinai. Veremos como Deus guiou e sustentou seu povo durante a árdua jornada pelo deserto, a despeito da infidelidade, do pecado da murmuração e do pecado da idolatria. Só precisou três dias de peregrinação para demonstrar que era um povo obstinado. Em cada dificuldade deparada os hebreus murmuravam e demonstravam ingratidão. A idolatria no Egito era tão forte que chamuscou a alma do povo hebreu, demonstrado isso de forma tangível, na planície do Sinai, quando eles cultuaram um bezerro de ouro. Mas, a fidelidade de Deus e seu amor, foram determinantes para que Ele cuidasse, dia a dia, dos descentes de Abraão. Deus tem um compromisso com a sua Palavra, Ele vela para cumpri-la. Apesar de nossas fraquezas, Deus não nos deixa sozinhos em nossa jornada rumo à Pátria Celestial.

I.  ISRAEL PEREGRINA PELO DESERTO
Depois, fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur, e andaram três dias no deserto; e não acharam água. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Êx 15:22,24).
Após a travessia do Mar Vermelho e livre definitivamente dos egípcios e do seu ardiloso rei, os hebreus agora iniciam sua Jornada de Fé rumo à Terra Prometida. O deserto é a sua trajetória até Canaã. Mas primeiramente tinha que passar pelo Sinai, porque ali, ao pé do monte Sinai, Israel receberia a lei, firmaria aliança perpétua com o Senhor e seria devidamente organizado como nação.
As dificuldades da caminhada são maiores do que podemos imaginar. Toda a viagem por ali terá sido muito penosa. Para atravessar o deserto de forma resiliente é necessária uma força motriz, a Fé. Sem este elemento propulsor não se atravessa o deserto incólume. É quando entramos na experiência do deserto que somos postos à prova, a fim de que se manifeste até que ponto conhecemos Deus e o nosso próprio coração.
Por que Deus guiou o seu povo por uma região tão medonha? Segundo Paul Hoff, Deus tinha que concretizar alguns propósitos:

a) Deus colocou os israelitas na escola preparatória do deserto, a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a Terra Prometida. Ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem desenvolvidos espiritualmente para servir ao Senhor uma vez que entrassem. Embora tenham sido libertados da escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de covardia, murmuração e rebeldia.
b) Deus desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, Deus começou a submetê-lo a uma série de provas, tendo em vista desenvolver e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir estas coisas era recebê-las do Senhor. O deserto era uma praça de esportes onde se podia desenvolver os músculos espirituais.
c) Deus conduziu-os ao deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (ler Dt 8:2-5). As provas e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência, no cuidado e no amor de Deus.
O apóstolo Paulo referiu-se às experiências de Israel no deserto como elementos que nos servem de exemplo e de advertência a fim de que não caiamos nos mesmos erros (1Co 10:1-13).

1. Israel chega a Mara (Êx 15:22-25). A primeira prova da Fé do povo hebreu, após o milagre do Mar Vermelho, aconteceu depois de três dias de viagem. Os hebreus estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto, e após esses três dias de peregrinação, encontraram apenas águas amargas em Mara. As águas estavam impróprias e impotáveis para serem bebidas. Certamente, Deus estava provando a fé do seu povo recém-liberto da escravidão. Todavia, a Fé dele, mais uma vez, foi reprovada. O povo cometeu, pela segunda vez, o perigoso pecado da murmuração - “E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?”(Ex 15:24). Os hinos de louvores entoados pelo triunfo sobre o exército de Faraó no milagre do Mar Vermelho foram depressa substituídos pelas palavras de descontentamento; o aspecto das coisas depressa mudou. Em relação a Deus a murmuração é uma reclamação descabida. Quando você murmura, você está dizendo que Deus não está sendo suficiente. Por isso a murmuração em ralação a Deus é pecado.

Uma grande vitória como a travessia do Mar Vermelho proporcionou uma visão maravilhosa da onipotência de Deus, mas não treinou a fé para os problemas mais corriqueiros, como a necessidade diária de comida e bebida. Às vezes, grandes experiências com Deus não são suficientes para curar o coração duro e queixoso. Segundo Silas Daniel, é preciso que aja um arrependimento e um quebrantamento sinceros, seguidos de uma submissão total a Deus. Ou, como afirma o apóstolo Paulo, “crucificarmos o eu e entronizarmos Cristo somente” (Ef 4:31,32).

Em sua primeira prova após a travessia do Mar Vermelho, a Fé (o combustível) do povo foi reprovada. Eles não perceberam que Deus “ali os provou”. Moisés, porém, tinha Fé; ele confiava na providência divina. Então ele orou e Deus lhe mostrou um lenho, que foi jogado nas águas amargas e elas se tornaram boas para o consumo.

Não existe nenhuma prova de que o “lenho” que foi lançado nas fontes tivesse a propriedade de tornar potáveis as águas. Deus tornou-as potáveis. O milagre não somente mostrou que Deus tinha cuidado de seu povo, mas também simbolizou no começo desta viagem que o Senhor tiraria as amargas experiências futuras se os israelitas buscassem sua ajuda.

O que podemos apreender com a experiência de Mara:

a) Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.
b) A árvore lançada na água assemelha-se ao poder da cruz, não só porque redime, mas porque tem semelhança de uma vontade submissa a Deus. Ao aceitar as provas como permitidas por Deus, as amargas experiências tornam-se ternas.
c) A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se outro aspecto do caráter de Deus por meio de um novo nome: Jeová Rafa, ou seja, “o Senhor que te sara”. Deus provê cura. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural, assim Deus cura a seu povo, pois está em sua natureza curar. Deus é a saúde de seu povo. Se lhe obedecesse, Ele não traria nenhuma das enfermidades mediante as quais julgou os egípcios.

Segundo Leo G. Cox, “assim como Deus curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhes as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida”. Deus queria tirar o espírito de murmuração do meio do povo e lhe dar uma fé forte.

2. Rumo ao Sinai (Êx 16:1-21). Moisés agora conduz o povo rumo ao Sinai. Mas, para chegar lá teve que parar em três localidades: Elim, Sim e Refidim. Em cada uma dessas localidades houve um expediente especial da parte de Deus ao povo hebreu.

- A chegada em Elim - “Então, chegaram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas” (Êx 15:27). Elim era um verdadeiro oásis no deserto. Ali havia água em abundância e também palmeiras. O Senhor, que cura as águas de Mara, conduz seu povo a um lugar de descanso e refrigério. Assim como há épocas de severas provações, também há “tempos de refrigério” na presença do Senhor (Atos 3:19).

- De Elim, Moisés conduziu o povo pelo “deserto de Sim”. ”E partidos de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois que saíram da terra do Egito” (Ex 16:1). Nessa localidade os hebreus vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16:1-21).

Na localidade de Sim os israelitas sentiram fome e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém na realidade murmuravam contra o Senhor (Êx 16:8). Deus retribuiu-lhes o mal com o bem (2Tm 2:13); proveu codornizes e maná. A partir de então, o maná era fornecido diariamente, durante os quarenta anos de peregrinação no deserto (Êx 16:35); foi um fato completamente milagroso - “Eis que vos farei chover pão dos céus” (Êx 16:4); caía todas as noites, juntamente com o orvalho; a ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa. Quanto às codornizes foram fornecidas somente uma vez mais na marcha através do deserto (Êx 11:31,32).

Segundo Paul Hoff, a provisão de Deus no deserto de Sim nos fornece algumas lições:

a) Deus deseja ensinar a seu povo a confiar nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. Deus provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. Nunca falhou com seu povo nos quarenta anos de peregrinação.
b) Deus quis ensinar a seu povo a não ser preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse uma dádiva do céu, cada família tinha de fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito mais do que necessitava, nada lhe sobrava (Êx 16:18).

c) Deus desejava ensinar os hebreus a obedecer-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, aparecia bicho e apodrecia o maná. Ou se não cumprisse a ordem de recolher uma porção dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia não caía maná do céu. Desse modo Deus provou a seu povo (Ex 16:4) e o preparou para receber a lei.

d) O maná é um símbolo profético de Cristo, o Pão verdadeiro (João 6:32-35). Assim como o maná, Cristo, que veio do céu, tem de ser recolhido ou recebido cedo na vida (Êx 16:21; 2Co 6:2) e tem de ser comido ou recebido pela fé para tornar-se parte da pessoa que o come.

- De Sim, Moisés conduz o povo à localidade de Refidim - “Depois, toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do SENHOR, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo beber” (Êx 17:1). A palavra “Refidim”quer dizer “descansos ou lugares para descansar”.

Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, não acharam nada. Sob qualquer aspecto, Deus não estava tornando as coisas fáceis. A falta de água causou sofrimento cuja severidade podemos avaliar, mas isto não pode justificar a reação dos israelitas. Pela quarta vez, o povo murmurou contra Deus. Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em sua incredu­lidade provocaram a Deus. Desconfiavam do cuidado do Senhor e com sarcasmo falaram a respeito da presença do Senhor no meio deles (Êx 17:7) a qual se manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (Prova) e Meribá (Contenda). Moisés levou consigo os anciãos de Israel a Horebe a fim de que presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho (Êx 17:6).

A rocha de Horebe é uma figura profética de Cristo ferido no Calvário (1Co 10:4), e a água é a figura do Espírito Santo que foi dado depois que Jesus foi crucificado e glorificado. Moisés feriu a rocha só uma vez e a água manou continuamente. Assim, também, ira de Deus feriu a Cristo uma vez e a corrente do Espírito ainda flui.

Nessa localidade também ocorreu a batalha contra os Amelequitas (Êx 17:8). O juízo de Deus foi severo contra esses inimigos de Israel - “E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo a fio de espada” (Ex 17:13). O juízo severo foi pronunciado porque Amaleque levantou a mão contra o trono de Deus, isto é, recusou-se a reconhecer que era o Senhor quem operava maravilhas a favor de Israel. “E Moisés edificou um altar e chamou o seu nome: O SENHOR é minha bandeira” (Êx 17:15). Os crentes devem lutar contra os inimigos espirituais, mas devem lembrar-se também de que lutam sob a bandeira do Senhor e “na força do seu poder”. Foi após essa batalha que o sogro de Moisés, Jetro, trouxe finalmente a esposa de Moisés, Zípora, com seus dois netos para o genro (Ex 18:1-12). Também, Jetro sob inspiração divina, deu conselhos importantes a Moisés (Êx 18:13-27).


II. ISRAEL NO MONTE SINAI
1. O Monte Sinai (Êx 19:2). Finalmente, após três meses da saída do povo do Egito, o acampamento israelita se moveu mais uma vez, partindo de Refidim e chegando ao pé do monte Sinai, onde o povo ficaria por cerca de um ano (Êx 19:1,2; Nm 10:11).

Ao pé do monte Sinai Israel recebeu a lei e fez aliança com o Senhor. Foi devidamente organizado como nação e aceitou ao Senhor como seu Rei. Esta forma de governo chama-se teocracia. Todo o livro de Levítico, que trata do ministério e do culto ao Senhor, teve o seu desenrolar no acampamento do Sinai, ao pé do monte.

Segundo Paul Hoff, a lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com Deus (Gl 3:24). Mas junto com a lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça.
Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, e o motivo que levaria a cumprir a lei seria o amor e a gratidão a Deus por havê-los redimido e feito filhos seus. Todavia, não perceberam quão fraca é a natureza humana, nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o Pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (Jr 7:4-16; Mt 3:9; João 8:33). Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

2. A permanência no SinaiApesar de terem chegado ao Sinai em Êxodo 19:1, os israelitas não iriam partir até Números 10:11,12. Chegaram “ao terceiro mês” (Ex 19:1) após partirem do Egito; Números 10:11 relata que os israelitas partiram do Sinai “no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês“. Ou seja, o acampamento aos pés do Sinai durou cerca de onze meses. Seguramente, trata-se de um grande e importante momento nas vidas do povo de Deus. Mas, infelizmente, foi neste local que ocorreu o episódio mais marcante e emblemático da transgressão israelita em sua peregrinação no deserto, e que seria lembrado no Novo Testamento (1Co 10:7) como um dos maiores exemplos de apostasia da história - a criação do bezerro de ouro (Êxodo cap. 32). Com este ato insano Israel quebrou a aliança com o seu Deus. Pasme, isso ocorreu somente quarenta dias após haver prometido solenemente que guardariam a lei (Êx 19:8). Israel foi castigado, apesar da intercessão de Moisés e da misericórdia de Deus. Falaremos mais acerca desse episódio a seguir.

III. A IDOLATRIA DOS ISRAELITAS
1. O bezerro de ouro (Êx 32:1-6). Menos de quarenta dias depois de haver prometido solenemente que guardariam a lei, os israelitas quebraram a aliança com o Rei divino. Enquanto Moisés estava no monte com o Senhor, o povo israelita cansou-se de esperar seu líder e pediu a Arão que lhe fizesse uma representação visível da divindade. Isso mostra a tendência idólatra do coração humano. Não se contenta com um Deus invisível; quer ter sempre um Deus a quem se possa ver e apalpar. Israel queria servir a Deus por meio de uma imagem e a fez provavelmente na forma do deus egípcio, o boi Apis. Foi um grave pecado contra o Senhor (Êx 32:21). Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico (cf Lv 17:7; 1Co 10:19,20).

O primeiro mandamento de Deus no Sinai foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3). E o segundo mandamento foi não fazer imagens de escultura e nem se encurvar a elas (Êx 20:4-6). Segundo Leo G. Cox, “os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo (Êx 25:31-34) e no primeiro Templo (1Rs 6:18,29) haviam obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos. Deus apresentou os motivos para esta proibição: Ele é ‘Deus zeloso’, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem”. Está escrito: “ Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de esculturas” (Is 42:8).

Segundo Silas Daniel, “há muitos ‘bezerros de ouro’ construídos por aí e que nada tem a ver com o Deus da Bíblia, apesar de serem tratados como se fossem representações fidedignas do verdadeiro Deus. Há, por exemplo, o ‘bezerro de ouro’ do evangelho da autoajuda, da teologia da prosperidade, do teísmo aberto, da teologia da libertação, do ecumenismo, do liberalismo, etc. Que Deus nos livre dessas versões deturpadas dEle! Conheçamos e prossigamos em conhecer o Deus da Bíblia (Os 6:3), pois somente assim poderemos ter um relacionamento saudável e realmente edificante com o Senhor”.

2. Cuidado com a idolatria.  Silas Daniel diz que “a idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia, porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o próprio Deus, o único que é digno de toda a honra, toda glória, todo louvor e toda adoração. Entretanto, apesar de tão claro, este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. É triste dizer, mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que, obviamente, não devem receber a nossa adoração.

As Sagradas Escrituras nos advertem, em 1João 5:21, contra o pecado da idolatria: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. A Bíblia Viva traduz assim este versículo: “Meus queridos filhos, afastem-se de qualquer coisa que possa tomar o lugar de Deus no coração de vocês“. Na verdade, o que João está dizendo é: não abandone o real pelo ilusório. Todos os substitutos de Deus são ídolos e deles o crente deve guardar-se, vigilante.

Diz ainda Silas Daniel: “Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra, barro ou metal. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida, quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter. Uma coisa é gostar, admirar e respeitar; outra bastante diferente é ‘endeusar’, idolatrar. Logo, segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes”. Nossos ídolos podem ser qualquer coisa ou pessoa que ameace ocupar o trono do nosso coração. Substitutos de Deus podem exigir muito de nosso tempo, dinheiro e energia.

Segundo Silas Daniel, o profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria sutil no meio dos crentes. Disse ele, conforme registrado em 1Samuel 15:23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor. Ele também te rejeitou a ti…”. Segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “porfiar” significa “discutir com calor”, “insistir”, “teimar”, “competir” e “disputar”. Ou seja, “porfiar” significa insubordinação, disputa entre irmãos, espírito de competição dentro da igreja, teimosia, arrogância, contenda, tudo isso, afirma Samuel, é pecado de idolatria. Portanto, fiquemos distante deste ídolo!

CONCLUSÃO
Os israelitas, durante a sua peregrinação até o Sinai cometeram vários deslizes espirituais. Diante de cada dificuldade, eles logo murmuravam. Descontentes, reclamaram de Moisés, todavia, eles não estavam murmurando de Moisés, mas do próprio Todo-Poderoso que os libertara da escravidão. Eles ainda eram uma massa de gente briguenta, murmuradora e sem fé caminhando pelo deserto. Mas, Deus escolheu e separou Israel para que se transformasse em uma nação santa. O deserto era somente um lugar de passagem, porém se tornou uma grande escola para o povo de Deus. Qual é a sua reação diante das adversidades? Como evitar a murmuração e não cometer os mesmos erros dos israelitas? Mantendo viva a chama da fé. A fé nos faz ver o impossível (Hb 11:1). Sem fé é impossível vencer as dificuldades cotidianas sem murmurar. Depois do deserto, Israel estava pronto para conquistar a Terra Prometida. Depois dos “desertos” desta vida, também estaremos prontos para a eternidade com Deus.

Aproveite bem o assunto.

Viva vencendo!!!

Seu irmão menor.




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