22 fevereiro 2014

União Europeia: Os Automóveis vão Ajudar o "Big Brother"



Aproximadamente a partir de 2016, em todos os automóveis produzidos nos 28 países da União Europeia serão inseridos bloqueadores eletrônicos especiais com comando por rádio.

Este dispositivo permitirá à polícia imobilizar a partir do seu painel central qualquer automóvel cujos passageiros despertem alguma suspeita. Foi a organização europeia Statewatch, especializada na proteção dos direitos humanos, quem divulgou esta informação.

Se estes planos secretos não viessem à luz tendo como pando de fundo o escândalo em torno do “dossiê Snowden” e da Agência de Segurança Nacional dos EUA, é bem provável que não houvesse nenhuma indignação especial em seu torno. A Comissão Europeia asseverou aos cidadãos que tudo isso não passa de uma medida que ajudará a deter um sequestrador, um eventual criminoso ou, inclusive, um motorista que tenha ultrapassado a velocidade permitida. Os EUA justificam-se mais ou menos da mesma maneira: toda a vigilância é efetuada somente contra os suspeitos de terrorismo e somente para o bem dos cidadãos. Mas se soube que a Agência de Segurança Nacional registra cerca de cinco bilhões de dados sobre a localização dos telefones celulares por dia. É um tanto demais por os “suspeitos de terrorismo”.

A fim de evitar que Bruxelas siga as pegadas da América, os europeus exigem agora que a direção da União Europeia explique o que é o novo sistema, qual a sua finalidade e que normas legislativas serão aprovadas a fim de impedir a arbitrariedade dos serviços de segurança.

A ideia desta inovação nasceu nas entranhas do Comitê Permanente para a Cooperação Operacional em matéria de Segurança Interna, conhecido pela abreviatura COSI. Este órgão é coordenador pan-europeu do trabalho operacional dos serviços de segurança e da polícia. Ele foi instituído em 2010 e desenvolveu quase imediatamente o programa Rede Europeia de Tecnologias de Manutenção da Atividade de Segurança, Enlets. Foi resolvido que o desenvolvimento, teste e introdução de novos dispositivos iria levar seis anos. Portanto, o sistema pode ser posto em funcionamento aproximadamente a partir do ano de 2016. Em 2012, a Enlets recebeu mais de meio-bilhão de euros para a realização do seu programa.

Os parlamentares europeus exigiram publicar imediatamente todos os aspetos do programa secreto e fornecer respectivas informações a Estrasburgo.

O maior problema desta última inovação policial da União Europeia consiste em que as suas possibilidades são muito maiores do que tinha sido declarado. Estes dispositivos podem não somente parar os carros.

Podem também determinar a sua localização, os dados do seu proprietário, o seu endereço, a direção que seguia, a quantidade de gasolina no seu tanque, ouvir as conversas dentro do carro e revelar quem é que está viajando, de onde e para onde vai, e quem são os passageiros. Como vemos, é grande a tentação dos serviços secretos de efetuar a “espionagem complementar”.

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