10 abril 2014

ANGELOLATRIA NA IGREJA E OS FALSOS CONCEITOS


Eu, João, sou o que ouvi e vi estas coisas. E quando as ouvi e vi, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus (Ap.22:8-9).

Existem muitas especulações quanto ao assunto dos anjos. Especulações essas desde a forma acadêmica de ensino por parte alguns, as constantes confusões doutrinárias dentro das igrejas evangélicas. A pura verdade é que a Bíblia revela as principais questões a respeito dos anjos, mas há pouca atenção teológica nas igrejas, principalmente pentecostais para o ensino profundo.
O Pr. Lúcio Pires (Campina Grande – PB) em excelente artigo, afirma que como em toda doutrina, há uma negligência muito grande também deste assunto nas igrejas e entre os Teólogos, que chega a ser verdadeira rejeição. Considerado pelos estudiosos contemporâneos como a mais notável e difícil das matérias. Marco da implantação de grandes seitas e heresias, do mundo atual.

A Origem dos Anjos

Para uma boa abordagem e introdução do assunto, precisamos primeiro saber a origem dos anjos. Os anjos não existem desde a eternidade, eles foram criados por Deus no momento de sua criação ( Ne.9.6 – Sl.148.2; Cl.1.16). A bíblia não indica com precisão em que parte foram criados, mas podemos entender que isso deve ter acontecido imediatamente após a criação dos céus e antes de ter criado a terra, segundo podemos ver em Jó 38:4-7, Gn.1.1; 2.1. Não podemos também definir número, mas sabemos que um "exercito" compreende grande quantidade, uma "legião" compreende um número grandioso (Dn.7.10; Mt.26.53; Hb.12.22). Deus certamente criou todos de uma só vez, pois os anjos não tem capacidade de propagar-se como o homem ( Mt.22.30 ).
A palavra portuguesa anjo possui origem no latim angelus , que por sua vez deriva-se do grego angelos . No idioma hebraico, temos malak . Seu significado básico é "mensageiro" (para designar a idéia de ofício de mensageiro). O grego clássico emprega o termo angelos para o mensageiro, o embaixador em assuntos humanos, que fala e age no lugar daquele que o enviou.

As Atividades Angelicais

No AT, onde o termo malak ocorre 108 vezes, os anjos aparecem como seres celestiais, membros da corte de Yahweh, que servem e louvam a Ele (Ne 9.6; Jó 1.6), são espíritos ministradores (1Rs 19.5), transmitem a vontade de Deus (Dn 8.16,17), obedecem a vontade de Deus (Sl 103.20), executam os propósitos de Deus (Nm 22.22), e celebram os louvores de Deus (Jó 38.7; Sl 148.2). São inúmeros os textos do AT que comprovam a realidade da existência dos anjos. Queremos, no entanto, destacar apenas os que se seguem: Gn 32.1,2; Jz 6.11ss; 1Rs 19.5; Jó 1.6; 2.1; Sl 68.17; 91.11; 104.4; Is 6.2,3; Nos textos alistados anteriormente, vemos os anjos em suas funções principais de servir e louvar a Yahweh, transmitir as mensagens de Deus, obedecer Sua vontade, executar a vontade de Deus, e também como guerreiros.
Foi provado que a Bíblia é a melhor literatura no mundo para se estudar acerca dos anjos. Ela é completa, verdadeira. Não existe nenhuma outra literatura que possua tantas informações acerca dos anjos como a Bíblia. Mesmo assim surge ainda um grave problema na igreja: A má interpretação bíblica acerca dos anjos.


Ideias erradas acerca dos anjos

Existem dezenas de ideias erradas acerca dos anjos e muitas destas estão invadindo a Igreja de Cristo. Essas ideias tem o poder de ferir a doutrina bíblia e causam muitas confusões doutrinárias no meio do povo. Mencionamos alguns desses erros.

O culto aos anjos nas igrejas

Nos últimos tempos a música evangélica tem estado excessivamente permeada pelo tema “anjos”. Inclusive uma das músicas evangélicas de maior sucesso, exalta de forma nada ortodoxa a ação dos anjos. Entre outras coisas, a música diz que “quando os anjos passeiam a Igreja se alegra, ela pula, ela grita, ela chora e congrega, enfrenta o inferno e expulsa o mal”. De uma forma discreta, o foco do culto é retirado do Senhor Jesus Cristo (que, aliás, nem é citado) e direcionado aos anjos. Ao invés da ação fortalecedora do Espírito Santo dentro da Igreja, é a classe angélica responsável por uma ação eficaz. Em muitos cultos os cristãos são exortados a esperar a cura do anjo, a sentir o anjo, a receber a bênção da mão do anjo. Isso são efeitos de um louvor não centralizado em Deus. Tudo isso é contrário a Palavra de Deus. Destrói os princípios da Bíblia.
Ser teocêntrico e cristocêntrico, tanto na fé quanto na prática cristã, é vital para a sobrevivência e até para o avanço do verdadeiro cristianismo. “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co 2.2). O contrário gerou e continua gerando inúmeras seitas e segmentos pseudocristãos. Um desses grupos fala em “brincar de roda com anjos, arcanjos e querubins”, numa referência também nada ortodoxa ao relacionamento dos cristãos com os anjos na eternidade.
Não devemos apagar, esquecer e ocultar o ministério angélico. Mas colocá-lo no centro de nossa adoração é correr sérios riscos.

Crentes mandando em anjos

Os anjos sempre agiram quando os homens clamaram ao Senhor. Deus é chamado de “O Senhor dos Exércitos”. Quando um crente tenta comandar anjos, dando-lhes ordens, ele está querendo tomar o lugar do único Senhor dos Exércitos. O próprio Jesus, como estivesse na condição de homem não glorificado, iria rogar ao Pai para que este enviasse anjos (Mt 26.53). Em nenhum lugar das Escrituras, seja no Antigo ou no Novo Testamento, os homens são exortados a pedir ajuda aos anjos, mas, sim, ao Senhor, mesmo que isto resulte em intervenção angélica. Os anjos só executam as ordens de Deus (Sl 103.19-21). Leias esses versículos e observe como os anjos mandam nos homens:

Gn.19.15-17 - E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade. Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade. E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.
At. 12.8 - E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me.
Os anjos aqui estão mandando simplesmente por que estão obedecendo a Deus.

Anjos” que não são anjos

Muitos que não conhecem a Palavra de Deus não sabem que anjo não é sinônimo de “espírito bom”. A palavra anjo designa uma classe de seres espirituais criados por Deus. Todavia, parte desse grupo foi banida do céu e passou a seguir a Satanás (Ap 12.7), logo, trata-se de anjos malignos que, embora possam passar por anjos de luz (2Co 11.14), só tem por objetivo prejudicar os homens (2Co 12.7).
Portanto, o grande incentivo que as pessoas têm recebido nestes dias atuais para se relacionarem com anjos está lançando muitos que não têm discernimento a um envolvimento com “anjos malignos”.
A Igreja do Senhor Jesus Cristo não deve se deixar envolver pelos modismos dos que estão de fora, mas deve instruí-los sobre o verdadeiro ensino bíblico a respeito dos anjos. Estejamos sempre alertas!

Conclusão

Não vamos tirar o ministério do Espírito Santo e dá-lo aos anjos. Nem vamos idolatrar os seres que Deus criou para o serviço de suas ordens. Mas vamos entender a Bíblia de forma correta sem especulações ou enganos. Vamos confiar que no momento certo o Senhor sempre enviará os seus anjos ao nosso favor.

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