05 julho 2014

COBRAR PARA PREGAR? JAMAIS!!



Não é de hoje que recebo convites para ministrar a Palavra de Deus e não é de hoje que os representantes das igrejas me perguntam: “Quanto você cobra?”, “Qual o seu cachê?”. A estas perguntas eu respondo sempre. Não cobro nada, mas aceito uma oferta de qualquer valor. Faço isso por alguns motivos:

Em primeiro lugar o termo “cachê” provém do francês cachet e, desde o século XVII, é usado para designar a retribuição dada a um artista por representação ou concerto. Segundo Houaiss, alude à “remuneração que ator, músico ou outro artista recebe por apresentação”. Trata-se de uma “quantia paga a quem se apresenta em públicos especialmente a artista que se apresenta num espetáculo (de teatro, música, dança, variedades etc.) ou que participa de uma produção cultural ou publicitária”. O pregador bem como um cantor não está indo SE apresentar, mas sim apresentar a todos o Autor e Consumador da nossa fé.


O problema nos grandes “cachês” é que as pessoas preferem “contratar” um “astro gospel” por um alto valor do que reverter esse valor para a obra de Deus. Pessoas que não ofertam nem dizimam para Deus, mas se dobram e se desdobram para juntar um montante para o homem. Esses convidados (pregadores, cantores, etc...) estão presentes apenas enquanto o evento acontece, depois eles se vão, mas o Senhor está presente na igreja todos os dias, e mesmo assim honramos mais o homem que a Deus.


Em segundo lugar deve-se exigir dinheiro para ministrar a Palavra de Deus? Ora, não foi o próprio Senhor Jesus, ao enviar pregadores, ensinou: “de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8). Entretanto, quem convida um conferencista, por assim dizer, deve honrar o seu ministério, ser-lhe gratidão, cobrindo todas as suas despesas, hospedando-o bem e lhe dando uma “oferta”. Isso é uma forma de reconhecer que o preletor, ao atender o convite, afinal, ele absteve-se de estar com a família, deixou a sua igreja local, renunciou atividades importantes e abriu mão de um período de tempo que poderia usar em seu benefício e da família. Contudo, não podemos exigir um valor fixo. Se a igreja não puder pagar o convidado não irá cantar ou pregar? Isso é colocar o dinheiro acima da obra de Deus. Uma vez que quem capacitou o homem foi Ele. E nos capacitou para que a Sua obra fosse feita. Quando buscamos primeiro o Reino de Deus e a sua justiça Ele cuida (Mt 6.33).


Por isso afirmo sem titubear, prefiro pregar a Palavra de Deus de graça e não ter valor para homem, do que prega-la por um alto preço e não ter valor para Deus. Ele já pagou um alto preço por mim, não preciso nem devo cobrar para anunciar o que Ele fez na Cruz. “Mais importa agradar a Deus do que aos homens” (At 5.29).


Não é de hoje que temos observado uma avalanche de pregadores profissionais, que se especializaram num mercado que cresce a cada dia. Não há dúvida que o obreiro é digno do seu salário (Lc 10.7), uma vez que Paulo escreveu que: "Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho" (1 Co 9.14).

Lamentavelmente se tornou comum os pastores cobrarem para pregar o Evangelho da Salvação Eterna. Infelizmente sei de casos de pastores cobrando até R$ 15 mil para "ministrar" numa conferência. Além disso, muitos destes exigem hotel 5 estrelas, cardápio variado, carro do ano a disposição e segurança full time. 

Pois é, definitivamente a pregação do Evangelho tornou-se um grande bussiness onde o mais importante é fechar bons negócios. Eu sou absolutamente contra aqueles que cobram para pregar. Jesus nunca cobrou para anunciar a salvação, como também nenhum dos apóstolos estabeleceram cachê para anunciar Cristo. Paulo, apesar de ter experimentado em seu ministério necessidades que envolvessem a obra missionária, nunca exigiu que a igreja lhe enviasse ofertas, antes recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado. A verdade é que nenhum dos apóstolos do Senhor jamais estipularam uma quantia para pregar a palavra de Deus em alguma cidade.

Não há pagamento melhor que ver pessoas se rendendo aos pés do Mestre. Não pagamento melhor do que ter a certeza da Salvação que é dom gratuito de Deus. Não há pagamento melhor que pregar a Cristo Crucificado. Não há pagamento melhor que ser ministro do Evangelho. Não há pagamento melhor do que aquele que recebemos na Cruz. Ele já pagou um alto preço por nós, por que querer ainda pagamento para falar do seu grande feito?

Sola Scritura.

Anderson Ribeiro

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