04 julho 2014

LIÇÃO 01 - 06/07/2014 - "TIAGO, FÉ QUE SE MOSTRA PELAS OBRAS"

TEXTO ÁUREO

Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17).


VERDADE PRÁTICA


A nossa fé tem de produzir frutos verdadeiros de amor, do contrário, ela se apresenta falsa.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE = Tiago 2.14-26

INTRODUÇÃO

A Epístola de Tiago é conhecida como uma das Epístolas Gerais do Novo Testamento. Esses livros receberam esse nome porque foram escritos como cartas circulares para serem lidas em várias igrejas. Esse aspecto está em contraste com a maioria das Epístolas Paulinas, que eram endereçadas a igrejas específicas ou a indivíduos.

Autoria

O autor identifica-se somente como “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo” (1.1). Havia vários homens importantes no Novo Testamento que se chamavam Tiago. No entanto, há uma forte evidência, defendida por muitos estudiosos da Bíblia, de que o autor era o líder da igreja em Jerusalém (At 15.13). Paulo se refere a ele como “Tiago, irmão do Senhor” e o inclui entre os “apóstolos” (Gl 1.19). Em Gálatas 2.9. ele caracteriza Tiago como um dos “pilares” da Igreja.

Este Tiago é mencionado duas vezes nos evangelhos Mt 13:55: Mc 6.3. Nas duas passagens ele é identificado como um dos irmãos de Jesus. Ele somente se tomou um seguidor do nosso Senhor após a Ressurreição. Ele estava entre os discípulos primitivos que, no cenáculo, esperavam pela descida do Espírito Santo e “perseveravam unanimemente em oração e súplica” (At 1.14).

A habilidade e fé de Tiago logo o colocaram num lugar de proeminência entre os cristãos primitivos. Quando Pedro deixou a Palestina (At 12.17), tudo indica que Tiago assumiu a liderança da igreja de Jerusalém. Três anos apos a conversão de Paulo, ele visitou os líderes de Jerusalém e lá viu “Tiago, irmão do Senhor (GI l:19). Em Atos 15, na assembléia que discutia a admissão dos gentios na Igreja, Tiago era o ministro que presidia a reunião. Na mesma visita a Jerusalém. Tiago. Cefas e João” estenderam a destra da comunhão a Paulo e Barnabé ( Gal 2:99). Na sua última visita a Jerusalém, quando Paulo apresentou seu relatório, Tiago, e todos os anciãos vieram ali (At 21.18).

De um homem nessa posição de responsabilidade e autoridade haveríamos de esperar uma carta pastoral de conselhos práticos concernentes a questões que afetavam a vida espiritual da Igreja. E isso que encontramos nesta epístola.


Destino

Tiago dirige sua carta “às doze tribos que andam dispersas ( 1:1). Estes provavelmente eram cristãos que em tempos passados haviam sido judeus e que foram espalhados pelas primeiras perseguições à Igreja. E bem possível que a saudação também incluísse os cristãos judeus ganhos para Cristo por Paulo e outros missionários onde foram estabelecidas igrejas em cidades gentias. Na maioria dessas igrejas havia pelo menos um núcleo de crentes judeus que aceitaram Cristo como resultado da pregação em suas sinagogas.

Data

Não há evidência na epístola ou de fontes externas que ajudem a determinar exatamente a data em que foi escrita esta carta. Alguns estudiosos conservadores argumentam que esta carta pode ter sido escrita em 45 d.C., outros já acreditam que ela foi escrita em 62 d.C. As datas mais precoces se baseiam no fato de que na epístola o autor não faz nenhuma menção do problema da admissão de gentios na Igreja. Sabemos que Tiago estava profundamente preocupado com esta questão numa época posterior.



Aqueles que propõem uma data posterior ressaltam a condição relativamente estabelecida da Igreja refletida na epístola. Tiago não parece estar muito preocupado em colocar os fundamentos e ressaltar doutrinas evangélicas para uma Igreja que está dando seus primeiros passos na fé. Isto favorece a idéia de a epístola ter sido escrita numa data posterior. Assim, o conteúdo sugere que esta carta foi escrita numa data posterior às cartas aos Gálatas e aos Romanos, nas quais o autor tratou de assuntos doutrinários fundamentais, O aspecto-chave não é o ano exato, mas o período. Se, como tudo indica, Tiago foi martirizado em 63 dc., a epístola obviamente foi escrita antes dessa data.

A epístola foi destinada a fomentar o viver cristão prático, como era o caso das seções éticas das cartas de Paulo. Já havia se passado um longo período desde os primeiros dias da Igreja, e atitudes e práticas corrosivas estavam começando a aparecer. Tiago fala contra esses males com seriedade e uma severidade santa, exortando os cristãos em toda parte a permanecerem fiéis aos ensinamentos e práticas da fé.


Observa-se com freqüência que Tiago é o livro com uma característica judaica mais marcante do Novo Testamento. Por causa desse aspecto e por causa da ênfase em um comportamento piedoso, o livro pode ser comparado à literatura sapiencial do Antigo Testamento. Devido à sua preocupação com a justiça social, Tiago é freqüentemente chamado de o Amós do Novo Testamento. Há também nessa epístola uma similaridade marcante com os ensinamentos de Jesus IM Sermão do Monte. Isso talvez faça sentido já que Tiago foi criado na mesma família de Jesus e estava próximo dele durante os anos anteriores ao ministério público do nosso Senhor. Hayes escreve: “Tiago diz menos acerca do Mestre do que qualquer outro autor do NT, mas o seu discurso é mais parecido com o do Mestre se comparado ao discurso dele?

A profunda preocupação com os resultados práticos da fé cristã parece às vezes torná-lo um oponente à ênfase de Paulo no que tange à salvação somente pela fé. Foi essa ênfase de Tiago que fez com que Martinho Lutero denominasse o livro de Tiago de “epístola de palha”. Mas Lutero estava, errado. A posição de Tiago não é um ataque à salvação pela fé; ela é um protesto contra a hipocrisia. Tiago quer que o mundo saiba que a fé é uma forca transformadora. A salvação pela fé resulta em um viver santo. Isto não contradiz o ensino de Paulo — ele o complementa. As duas ênfases compreendem as duas facetas de uma fé cristã completa — redenção e vida santa. Tasker apresenta uma avaliação apropriada da função singular do livro:

Propósito e Natureza

Esta epístola tem um valor especial para o cristão individual durante o que podemos chamar de segundo estágio do seu progresso como peregrino. Depois de ser levado a aceitar o evangelho da graça e vir a ter a certeza jubilosa de que é um filho de Deus redimido, se ele deseja avançar no caminho da santidade, e para que as implicações éticas da sua nova fé possam ser traduzidas em realidades práticas, então ele precisa do estímulo e desafio da epístola de Tiago.

O AUTOR, 1.1

As cartas no primeiro século geralmente iniciavam com o nome do autor, seguido pelo nome do receptor e uma fórmula de saudação na mesma ordem que aparecem nesta carta. O autor identificou-se simplesmente como Tiago. Provavelmente, nenhuma outra explicação era necessária para os cristãos daquela época. Eles logo compreendiam tratar-se de Tiago de Jerusalém. o reconhecido líder da Igreja.

AS CREDENCIAIS DO AUTOR

Com um verdadeiro espírito cristão, Tiago apresentou-se aos seus leitores, não como o líder da Igreja, mas como servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo.

O termo servo ( doulos) é literalmente um servo ou escravo. O termo escravo era entendido quando usado em relação ao homem, No entanto, quando esse termo era usado em relação a Deus, os leitores judeus compreendiam tratar-se de um adorador.

As vezes trata-se de maneira negativa o fato de Cristo ter sido mencionado somente três vezes nesta epístola ( 1.1; 2.1;5.8 ). Pode-se supor que a razão não era um desinteresse por parte de Tiago, mas sim que os leitores cristãos conheciam o fundamento da sua mensagem. Em todo caso uma evidente declaração da suprema lealdade cristã na frase de abertura do apostolo. Servo de Deus era uma frase comum do Antigo Testamento. Tiago acrescenta a ela a dimensão distintamente neotestamentária — um adorador do Senhor Jesus Cristo. O autor desta carta é um homem que serve a Deus e aceita a divindade de Jesus.

OS RECEPTORES

A carta é endereçada às doze tribos que andam dispersas. Em termos judaicos as doze tribos significavam Israel como um todo. Da maneira como Tiago usou o termo, ele referia-se aos cristãos judeus. (Veja Int., “Destino”). Parece provável que embora Tiago tivesse como foco da sua atenção os judeus convertidos, estas palavras incluíam todo Israel espiritual, i.e., os cristãos em toda parte.

A SAUDAÇÃO,

Saúde (chairein; lit., regozijar-se) era a saudação comum nas cartas do primeiro século, como foi o caso de Cláudio Lísias a Félix ( At 23.26). Essa forma de saudação é usada somente mais uma vez no Novo Testamento, na carta de Tiago apos a assembléia de Jerusalém (At 15.23). Esse fato serve como prova de que Tiago irmão de Jesus escreveu esta epístola que leva o seu nome.

Sua morte. De acordo com Josefo, historiador, corroborado por Hegesipo, “judeu cristão”, Tiago morreu apedrejado por ordem do sumo sacerdote Anano. Este, reunido o Sinédrio, colocou o apóstolo diante do templo e ordenou que ele negasse que Jesus era o Messias, ante enorme multidão. Tiago, em lugar disso, bradou que Jesus era “o filho de Deus e juiz do mundo” (Halley). Foi jogado ao chão, apedrejado e espancado. Agonizante, ele orou como seu irmão, Jesus: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Seu martírio ocorreu por volta do ano 62.

Seu exemplo. Esse corajoso servo de Deus, irmão de Jesus, deixou-nos um exemplo extraordinário de fé e humildade. Sendo irmão do Salvador, nunca se aproveitou disso para ter privilégios. Pelo contrário, foi humilde e fiel até a morte.


O TEMA DA EPÍSTOLA DE TIAGO

Embora haja comentaristas que vêem “as doze tribos dispersas”, como tema principal da epístola, parece-nos razoável aceitar que o tema principal de Tiago é “a religião pura”, no seu aspecto prático encontrada em Tg 1.27. Como base nesse tema, estudaremos alguns aspectos importantes:

1. Com relação a fé. Tiago aponta-nos dois tipos de fé: a verdadeira e a falsa. A primeira, se manifesta através do amor expresso em atitudes visíveis e não apenas teóricas ou subjetivas (Tg 2.18); a segunda (a falsa), se limita à crença interior, egoísta e desprovida de ação (Tg 2.14, 20).

2. Com relação as obras. O apóstolo da fé pragmática ressalta que as obras importantes, não para a salvação, mas para o testemunho cristão, são as que resultam da genuína fé em Cristo (Tg 2.22-24).

3. Com relação as epístolas paulinas. Ao longo dos séculos, há quem procure enfatizar possíveis discrepâncias entre a epístola de Tiago e as epístolas de Paulo, no que se refere à justificação pela fé ou pelas obras. Mas não há contradição alguma entre os escritos dos dois apóstolos. Ambos foram inspirados pelo mesmo Espírito para escreverem as mensagens enviadas por Deus à Sua Igreja.

A IMPORTÂNCIA DA EPÍSTOLA DE TIAGO

1. Para os destinatários originais. A epístola de Tiago foi endereçada, no seu tempo, “às doze tribos que andam dispersas” (Tg 1.1), as quais tratavam-se, não dos israelitas, que professavam o judaísmo, mas dos judeus convertidos que estavam na diáspora. Aqueles crentes passavam por sérios problemas:

a) Estavam dispersos (1.1). O pastor, bispo e ancião (presbítero) Tiago tinha o cuidado denodado com as ovelhas dispersas, pois sabia que elas, distantes de sua pátria, estavam vivendo a instabilidade dos que se acham longe do lar. Precisavam de apoio espiritual, ensino, e encorajamento.

b) Estavam passando por tentações (1.2,3). Certamente, ficaram muito fortalecidos, quando, ao abrirem o pergaminho da epístola de Tiago, leram, logo no início: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência”. Que conselho, que incentivo aos irmãos distantes, na dispersão. Tiago enviou-lhes uma palavra de encorajamento. Em Pv 25.25, lemos: “Como água fria para uma alma cansada, assim são as boas-novas de terra remota”.

c) Estavam passando por conflitos entre eles. Havia falta de sabedoria. O apóstolo mandou dizer-lhes: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (1.5).

d) Estavam passando por crise de integridade. Havia acepção de pessoas. O seu pastor exortou-os a não fazerem distinção entre os mais pobres e os ricos, entre eles (Tg 2.1-4).

2. Para os crentes de hoje.

a) Peregrinos e forasteiros. A exemplo dos convertidos no tempo de Tiago, os crentes em Jesus também estão dispersos pelo mundo, como “peregrinos e forasteiros” (1 Pe 2.11a). Da mesma forma, nós hoje como Igreja do Senhor, estamos, além de dispersos pelo mundo, vivendo sob tentações as mais pesadas.

b) Conflitos e crises. Há conflitos sérios na cristandade e, também, de certa forma, uma verdadeira crise de identidade em muitas igrejas, num embate entre os “marcos antigos” e a modernidade avassaladora.

OS PROPÓSITOS DA EPÍSTOLA DE TIAGO

1. Encorajar os crentes em suas provações. Os primeiros cristãos experimentaram provações e tentações as mais diversas. O Diabo os fustigava com as ameaças do Império Romano; o judaísmo os acusava de traidores e blasfemos. Tiago escreveu-lhes, exortando-os a terem “grande gozo” nas tentações, sabendo que “a prova” da fé haveria de produzir paciência (Tg 1.1,2). Esse ensino está de acordo com o que Paulo exorta em Rm 5.3-5.

2. Corrigir doutrinas erradas quanto à salvação. Havia, entre os destinatários da epístola, dificuldades em entender a justificação, como aspecto fundamental da salvação. Uns criam que a justificação era somente pela fé, independente das obras, interpretando os ensinos paulinos (ver Gl 6.16); outros, no entanto, talvez supervalorizavam o sentido das obras. Tiago escreveu- lhes, colocando “os pontos nos is”.

3. Mostrar o resultado prático da fé. Tiago mostra que a fé precisa ser vivida, demonstrada, através das obras que dela resultam, de maneira que os crentes são exortados “a demonstrarem uma fé ativa, e não uma profissão de fé vazia” (2.14 16).

DESCREVER O QUE É UM CRISTÃO VERDADEIRO:

1. Entra em provações, 1.1-12.
2. Encontra tentações, 1.13-21.
3. Pratica a Palavra, 1.22-27.
4. Não faz acepção de pessoas, 2.1-9.
5. Importa-se em seguir a moral da lei, 2.10-13.
6. Pratica boas obras, 2.14-26.
7. Refreia a sua língua, 3.1-18.
8. Conserva-se separado do mundo, 4,1 T(i,
9. É firme, 5.7-12.
10. Vive uma vida rica de oração, 5.13-20. Pelas sentenças, muitas vezes curtas e interessantes, é apresentado um quadro, onde Tiago alcança o seu alvo, que é dizer o que é o cristianismo prático.

A FÉ DÁ FORÇA À FIRMEZA, cap 1:

1. Não somos livres de tentações, vv 2-15.

a. Pelas circunstâncias exteriores difíceis, somos postos em prova, vv 2-12;
b. Pelo nosso próprio desejo, seduzidos a pecar, vv 13-15, mas é possível resistir e ficar firmes.

2. Podemos ter a experiência de que a Palavra é poder, vv 16-27.

a. Fez-nos renascer, v 17;
b. É implantada em nós, v 21;
c. Vai salvar-nos na tentação (se for praticada);

A FÉ DÁ FORÇA ÀS BOAS OBRAS,

1. A fé é morta se não traz consigo obras, vv 1- 17; aqui Tiago indica aquilo que testifica duma fé morta:

a. Fazer acepção de pessoas, v 1;
b. Conduzir ao desprezo os pobres e os símplices, v 6.

2. A fé viva expressa-se em obras,  vv 18-26, pois não pode ser de outra maneira, de vez que a fé da qual Tiago fala é alguma coisa que Deus criou pela Palavra. Por isso é urna força que transforma os homens. Ex: Abraão e Raabe.
  

A FÉ DÁ FORÇA PARA QUE A VIDA DIÁRIA SEJA ABENÇOADA, cap 3:

1. Pelo refreio da nossa língua, vv 1-12. Em sentenças curtas, interessantes, Tiago fala acerca do que a língua pode causar, não só o mal mas também o bem, se é que a fé torna-se uma força na vida do homem.

2. Pela sabedoria que nos caracteriza, vv 13-18, pois isto se torna uma bênção para nós e para outros, porque a sabedoria é “pacífica, moderada, tratável”, 17.

A FÉ - UMA FORÇA PARA O CARÁTER SANTIFICADO, cap 4:

1. Ela não existe sem mais nem menos, vv 1-4; Tiago descreve os grandes males que podem acontecer onde a fé não é operante: lutas, discussões e desejos.

2. Mas pode acontecer algo conosco, vv 5-17.

a. Onde nós nos humilhamos, v 6;
b. Chegamo-nos a Deus, v 7;
e. Purificamo-nos, v 8;
d. Entristecemo-nos e choramos, v 9, para que haja um término do pecado.

A FÉ DÁ FORÇA A UMA VIDA RICA DE ORAÇÃO, cap 5:

1. Onde nós esperamos o Senhor, vv 1-12.

a. Tiago dirige-se primeiramente àqueles que se aproveitam de outras pessoas, vv 1-6;

b. Depois aos que foram explorados, vv 7-12; ele os exorta a esperar no Senhor, que vai tratar a causa deles. Pela oração podem ser firmes como Jó.

2. Contamos com o Senhor, vv 13-20. não somente esperando o que vai fazer quando vier, mas o que Ele está fazendo agora. Aqui temos a palavra:

a. A “oração da fé salvará o doente”, v 15; e
b. “a súplica do justo pode muito”, v 16.

PENSAMENTOS FUNDAMENTAIS

“A fé sem obras é morta.” Pode-se dizer que isto é o pensamento principal da carta de Tiago. Sua apresentação, porém, tem causado preocupação. Parece não estar em concordância com aquilo que Paulo diz. Podemos, por exemplo, comparar Rm 3.28:
“O homem é justificado pela fé sem obras da lei”, com Tg 2.24: “Vêdes então que é pelas obras que,o homem é justificado, e não somente pela fé”; e observamos uma aparência de contradição.

Entretanto, podemos mostrar que aquilo que Paulo e Tiago tinham em vista, tem grande importância para a compreensão. Pode-se dizer que Paulo fala de “obras mortas”, quer dizer, tudo que o homem mesmo pode produzir. Isto nunca pode salvá-lo. Tiago, ao contrário, fala da “fé morta”, quer dizer, a fé que inclui aquilo que achamos por verdade e por isto pode produzir. Aquela fé nunca pode salvar.

Na realidade tanto Paulo como Tiago são unidos de que nunca podemos ser salvos por aquilo que nós produzimos - NEM PELA NOSSA FÉ OU NOSSAS OBRAS. Somos dependentes de que Deus faça alguma coisa, que Ele cria uma fé viva e essa fé nunca pode ser inativa. Como alguém tenha dito

“Somos salvos só pela fé,
Mas a fé nunca é só.”

Tanto Tiago como Paulo pode assinar abaixo. Temos visto no “conteúdo” desta carta que “apóstolo das obras” Tiago fala muito da fé. No mesmo tempo podemos constatar que “apóstolo da fé” Paulo fala muito das obras — assim por ex. em Ef 2.8-10 — somos salvos — não das obras (v 8) mas para as obras. Depois pode acontecer que a situação da igreja requer que às vezes acentua mais uma parte .e outras vezes a outra parte. Talvez isto seja a explicação mais simples “da diferença” entre Tiago e Paulo.

CONCLUSÃO

A epístola de Tiago tem ensinamentos práticos para os dias de hoje e um relacionamento muito estreito com os ensinos de Jesus. Assim, orientações, recomendações e mandamentos inspirados pelo Espírito Santo, constantes do livro, são de muita valia para todos os crentes.

Subsídio para o Professor

I - INTRODUÇÃO:
A epístola de Tiago tem uma história controvertida. Ao lado das cartas de I e II Pedro, I, II e II João e Judas, ela pertence àquela classe de epístolas do Novo Testamento chamadas de “gerais” ou “católicas” (no sentido de “universais”). Tal designação foi dada a estas sete cartas nos primórdios da história da Igreja, pelo fato de cada uma ser endereçada à Igreja em geral, e não a uma única congregação. Estas cartas também tiveram uma situação incerta em muitas áreas da Igreja Primitiva. Juntamente com Hebreus e Apocalipse, várias entre elas foram as últimas a receberem um “status” canônico. No caso de Tiago, apenas no final do quarto século as cristandades oriental e ocidental a reconheceram como Escritura.

II - O LIVRO DE TIAGO:
Tendo havido claramente as dificuldades que circundam este livro, no tocante a sua autoria, vejamos os vários “Tiagos” do Novo Testamento.
(A) - Tiago, pai ou irmão de um dos 12 apóstolos de Jesus, chamado Judas, não o Iscariotes (Lc 6:16 cf At 1:13) - O versículo não só diferencia os dois Judas como mostra que um deles era filho de um homem chamado Tiago.
(B) - Tiago, um dos discípulos, filho de Alfeu (Mt 10:3; Mc 3:18; Lc 6:15; At 1:13) - Era irmão de Mateus (Mt 9:9 cf Mc 2:14) - Mateus é chamado Levi e se diz que era filho de Alfeu. Logo, Mateus e Levi são a mesma pessoa, tendo por pai Alfeu e um irmão Tiago.
(C) - Tiago, o menor (Mt 27:56; Mc 15:40; Lc 24:10) - O termo “MENOR” pode significar “PEQUENO” ou “DE BAIXA ESTATURA” ou “FILHO” ou “JÚNIOR” - Sabe-se pouco sobre esse homem.
(D) - Tiago, irmão de João e filho de Zebedeu (Mt 10:2) - é aquele quem temos mais informações: foi o primeiro dos doze apóstolos a sofrer martírio, provavelmente no ano 40 d.C. (At 12:1-2) e, por isso, não é o autor do livro de Tiago.
(E) - Tiago, irmão de Judas (Jd 1) por meio de quem a epístola de Judas teria sido escrita.
(F) - Tiago, irmão do Senhor (Mt 13:55; Gl 1:19; 2:9) - Era incrédulo (Mc 3:21 cf Jo 7:5), mas, a partir do livro de Atos vemos uma surpreendente mudança (At 1:14). Por que? Vejamos I Cor 15:7. Ele era casado (I Cor 9:5). Suas palavras foram acatadas no Concílio de Jerusalém e governou a Igreja após a partida de Pedro (At 15:13; 21:18). Segundo historiadores, foi martirizado no ano 62 d.C., data que o torna o mais possível autor da epístola. Esta conclusão é apoiada pelas semelhanças existentes entre esta carta e o discurso de Tiago, no Concílio de Jerusalém (Tg 1:1 cf At 15:23) (Tg 2:5 cf At 15:13)

III - A QUEM SE DIRIGE?
Não há dúvidas de que Tiago escreve a pessoas que já são membradas na comunidade cristã:
(1) - Ele repetidamente chama os seus leitores de IRMÃOS;
(2) - Refere-se refere a assuntos internos da Igreja, como o tratamento a ser dispensado a pessoas pobres (Tg 2:1-7);
(3) - Refere-se à responsabilidade dos mestres (Tg 3:1-12);
(4) - Ele se considera regenerado, juntamente como seu auditório (Tg 1:8).

IV - A MENSAGEM:
Aparentemente Tiago enfrentou uma situação em que as pessoas estavam professando fé em Cristo e participando da comunidade cristã sem perceberem as vastas implicações morais e éticas de tal envolvimento (Tg 2:14-16).
Para Tiago, ser membro de uma comunidade cristã significava:
(1) - Viver uma batalha dedicada contra o pecado (Tg 1:12-15, 19-21);
(2) - Contra a imoralidade (Tg 4:1-10);
(3) - E contra a injustiça (Tg 4:13-5:6)

V - A ÊNFASE TEOLÓGICA
É bastante comum a afirmação de que Tiago não tem nenhuma teologia. Contudo, é injusto acusar Tiago de não ser teológico. Além disso, apesar de a carta não se caracterizar por ensino doutrinário explícito, não podemos presumir que lhe faltem base teológicas (Tg 5:3 - Últimos dias) e também olha para o futuro, para o julgamento ligado com a vinda do Senhor (Tg 5:7-9).
O livro se preocupa com os aspectos práticos da conduta cristã e apresenta o modo pelo qual a fé opera na vida cotidiana. O propósito de Tiago foi oferecer instrução ética concreta. Comparado a Paulo, Tiago demonstra muito pouco interesse em teologia formal, embora a carta não esteja isenta de declarações teológicas (Tg 1.12; 2.1, 10-12, 19; 3.9; 5.7-9, 12, 14).
Muitos assuntos são tratados no livro, dando-se-lhe uma forma de uma série de máximas dispostas em formato de carta. Embora haja pouca estrutura formal no livro, suas muitas instruções explicam como ser praticante da Palavra (Tg 1.22).
Nos 108 versículos da carta há referências ou alusões a 22 livros do A.T. e, pelo menos, 15 alusões a ensinos diretos de Cristo, contidos no Sermão do Monte. Entre os assuntos principais nela tratados estão fé e obras (Tg 2.14-26),o uso da língua (Tg 3.1-12) e a oração pelos enfermos (Tg 5.13-16).

VI - POR QUE LER ESSE LIVRO?
Se procuramos maneira prática de viver como cristãos, este é o Livro certo. Tiago mostra que é possível crer em coisas certas e ainda assim viver de maneira errada. Porém, este Livro nos mostrará como transformar a correta doutrina em correto viver.

VII - POR QUE FOI ESCRITO?
Para advertir os crentes sobre alguns hábitos que haviam adquirido e que corroíam a essência de sua fé: coisas como favoritismo, calúnias, orgulho, mau uso das riquezas e gentios (Gl 6.6).

VIII - CONTEÚDO:
(1) - Saudação (1:1)
(2) - O teste da fé (1:2-4)
(3) - Deus responde à oração e dá sabedoria (1:5-8)
(4) - A futilidade das riquezas (1:9-11)
(5) - Promessa aos vencedores (1:12)
(6) - A tentação para a prática do mal não vem de Deus (1:13-15)
(7) - Todas as coisas boas procedem de Deus (1:16-18)
(8) - Contra a ira e o mau temperamento (1:19-21)
(9) - O fazer adicionado ao servir (1:22-25)
(10) - O abuso da língua (1:26)
(11) - Definição da verdadeira religião (1:27)
(12) - Contra o respeito humano (2:1-13)
(13) - Fé e obras opostas e unidas (2:14-26)
(14) - Os males da língua (3:1-12)
(15) - A sabedoria mundana (3:13-18)
(16) - Reprimenda contra os desejos mundanos (4:1-10)
17) - Mais males da língua (4:13-16)
(18) - O pecado de omissão (4:17)
(19) - Desgraça espiritual dos ricos (5:1-6)
(20) - A parousia e a paciência cristã (5:7-11)
(21) - Contra os juramentos (5:12)
(22) - Conduta na tristeza e na alegria (5:13)
(23) - Sobre a enfermidade (5:14-18)
(24) - Bem-aventurança de quem converte o errante (5:19-20)

IX - CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Essa carta faz um tratamento objetivo da hipocrisia. Tiago fala dos males de uma língua descontrolada, do uso do favoritismo para com os ricos ou da vanglória acerca dos planos. Não esperemos encontrar chavões piedosos aqui, e sim uma série de instruções contundentes, específicas e práticas para ajudá-lo a levar uma vida cristã autêntica.

Prezado irmão, a primeira Lição do Trimestre está riquíssima. Não deixe de aproveita-la, estudando e vivendo-a.

Grande abraço.

Viva vencendo!!!

Seu irmão menor.

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