31 agosto 2014

EXPONDO OS ERROS DA BÍBLIA NVI / NIV - 02

Em tempos difíceis como os que vivemos, não podemos nos dar ao luxo de perder de vista o que seja a verdadeira palavra de Deus, preservada pelos séculos em uso pelos Cristãos, sendo alimento saudável e vivo a todos quantos a ela recorrerem. Deus prometeu, e tem cumprido, a perfeita preservação de sua palavra através dos tempos:

(ACF1) "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás." (Dt.12:32)

(ACF) "Os meus dias são como a sombra que declina, e como a erva me vou secando. (12) Mas tu, SENHOR, permanecerás para sempre, a tua memória de geração em geração." (Sl.102:11-12)

(ACF) "As obras das suas mãos são verdade e juízo, seguros todos os seus mandamentos. (8) Permanecem firmes para todo o sempre; e são feitos em verdade e retidão." (Sl.111:7-8)

(ACF) "O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração. (12) Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança." (Sl.33:11-12)

(ACF) "Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre." (Is.59:21)

A lista de passagens que tratam deste assunto poderia se estender por páginas. E em todas temos sempre a mesma promessa: - Que a palavra de Deus estará conosco para sempre e que o evangelho de Jesus é eterno:
(ACF) "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão." (Mc.13:31)
(ACF) "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo." (Ap.14:6)

Com base neste argumento e com a plena convicção na inerrância, infalibilidade e inspiração divina da palavra de Deus, vem este servo do Senhor responder com mansidão às alegações encontradas no texto do Prof. Carlos Oswaldo Pinto, intitulado "NVI - O difícil caminho em busca de uma melhor tradução":
(ACF) "Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes." (Tt.1:9)

O texto do Prof. Carlos Oswaldo Pinto pode ser lido na íntegra no seguinte endereço na Internet:
http://www.uol.com.br/bibliaworld/nvi/artigo01.htm

História resumida do texto grego recebido (Textus Receptus):
Por muitos séculos antes da "Reforma Protestante", o estudo do idioma grego foi virtualmente inexistente na Europa ocidental, mas em 1453 com a tomada de Bizâncio, capital da parte oriental do antigo Império Romano, por invasores muçulmanos, houve uma debandada de eruditos cristãos do oriente para o ocidente, trazendo consigo cópias de manuscritos das sagradas escrituras em sua língua original, o grego. Este fato reavivou o estudo do grego no ocidente, onde até este ponto circulavam apenas traduções antigas da palavra de Deus feitas a partir de 150 d.C. em Siríaco, Copta, e Latim. A versão em latim da palavra de Deus, conhecida como Vulgata, foi por ordem do Papa Damaso I "corrigida" por Jerônimo, passando a revisão a ser conhecida como a Vulgata de Jerônimo e a ser imposta pelo romanismo em contrapartida à antiga Vulgata latina, contudo destarte os esforços dos romanistas, ainda hoje restam cópias desta antiga versão.

Na geração seguinte de eruditos em grego estava Erasmo de Roterdã, o qual preparou uma edição do Novo Testamento tendo como base vários dos melhores manuscritos gregos trazidos pelos que fugiram de Bizâncio, alguns dos quais estavam disponíveis no momento da tradução, outros que foram copiados durante a preparação para o lançamento de sua Bíblia em Latim, também vários textos dos pais da igreja, os quais faziam referência a textos bíblicos em seus escritos, além da tradução da Bíblia para o Latim (a Antiga Vulgata) e para o Copta. Sua primeira edição impressa surgiu em 1516 e foi seguida por outras quatro edições. Neste meio tempo, tendo início em 1502, foi ordenada pelo Cardeal Francisco Ximenes de Cisneros a compilação uma Bíblia poliglota, o que foi levado a cabo por um grupo de eruditos da Universidade de Complutum em Alcala (Espanha), com base em um outro conjunto de manuscritos bizantinos. O trabalho resultante foi publicado com o título de "Poliglota Complutensiana" em 1522. Mesmo tendo sido realizado por católicos, este foi um trabalho que teve grande valor e qualidade por ter-se atido aos manuscritos gregos que formaram sua base.

Neste ponto entra em cena Robert Estienne (Stephens). Sendo simpatizante da causa de Calvino e homem de grande engenhosidade e habilidade lingüística, não passou despercebido pelo então Rei da França, Francisco I2, que o fez impressor oficial do rei, tendo a incumbência de imprimir várias obras em latim, hebraico e grego.

Na função de impressor do rei, Robert Estienne criou algumas das obras-primas da tipografia francesa, assim consideradas até nossos dias. Em 1539, ele começou a produzir a primeira e considerada a melhor Bíblia hebraica completa já impressa na França. Em 1540, Estienne introduziu ilustrações em sua Bíblia latina. Contudo, ao contrário das ilustrações fantasiosas de eventos bíblicos, ele utilizou gravuras instrutivas, baseadas em evidências arqueológicas, ou em medidas e descrições encontradas na própria Bíblia. Estas ilustrações eram xilogravuras retratando assuntos como a arca da aliança, as vestes sacerdotais, o tabernáculo e o templo de Salomão.

À esta época, Robert Estienne encomendou a Claude Garamond, o maior fundidor de tipos para impressão de então, um tipo grego especial, em três corpos, para que pudesse realizar uma impressão crítica do Novo Testamento em grego, utilizando-se também da coleção de manuscritos pertencentes ao rei Francisco I, e assim, baseando-se principalmente no trabalho de Erasmo e na Poliglota Complutensiana, bem como nos quinze manuscritos pertencentes ao rei, compilou várias edições do texto grego em 1546, 1549, 1550 e 1551. Em 1552 ele retirou-se de Paris para Genebra onde juntou-se definitivamente à causa protestante (vitória da verdadeira palavra de Deus!). 

Embora as primeiras duas impressões do texto grego feitas por Estienne fossem pouco melhores que a obra de Desidério Erasmo, Estienne acrescentou na terceira edição os cotejos e as remissões dos 15 manuscritos do rei, inclusive do Códice Bezae Cantabrigiensis, do quinto século. Esta edição teve aceitação tão ampla, que se tornou mais tarde a base do Textus Receptus, ou Texto Recebido, em que se basearam muitas das traduções posteriores, inclusive a tradução para o português realizada por João Ferreira de Almeida. Sua quarta edição de 1551, é basicamente a terceira edição, mas com a separação do texto em capítulos e versículos, separação esta adotada até hoje em nossas Bíblias.

Baseando-se na edição de Estienne 1551, Theodore Beza, um proeminente teólogo e erudito de Genebra, produziu nove outras edições do Novo Testamento em grego entre 1565 e 1604. Beza teve acesso a vários manuscritos antigos, incluindo cópias da Peshitta, da versão siríaca e de sua tradução para o latim feita por Tremellius, textos estes que não estavam disponíveis a Estienne. A edição de 1598 de Beza ficou famosa por ter sido utilizada como uma das bases principais para a tradução do Novo Testamento da King James Authorized Version em 1611.
Os textos dos Elzevirs de 1624 e 1633 são praticamente uma reimpressão do texto de Beza 1565 com não mais que 50 pequenas diferenças ao todo. Os Elzevirs eram impressores notáveis, e suas edições do Novo Testamento em grego foram precisas e elegantes. Através da Europa as edições dos Elzevirs vieram a ocupar lugar de honra, e foram utilizadas como padrão para comentários e comparações. A edição dos Elzevirs de 1633 se proclamava como sendo o "Textus Receptus", e desde então a edição de Estienne de 1550 (a terceira) ficou sendo conhecida como o "Textus Receptus" na Inglaterra e a edição dos Elzevirs de 1633 ficou com esta titulação no restante de Europa.

Importante se faz dizer que entre a primeira edição de Erasmo e o Texto Recebido (Textus Receptus), existem apenas 335 diferenças em 140.000 palavras, sendo que a esmagadora maioria das diferenças entre os textos dizem respeito a pequenos erros tipográficos, a sinônimos, ou a diferenças menores, como em Mt.8:23 onde lê-se "no barco" lia-se "o barco", originando um erro de concordância. O mesmo pode ser observado em Mt.13:2 e 14:22. 

Em outras passagens temos diferenças como em Mt.9:18 onde lia-se "um certo chefe", passou-se a ler "um chefe". E ainda outras como em Mc.5:38 em que passou a ser omitido o "e" após "alvoroço", ou como a inversão de ordem dos versículos 13 e 14 de Mateus 23.

Diferenças estas que podem ser consideradas como realmente mínimas, mas que mereceram a devida atenção por parte daqueles que estavam tratando com o texto sagrado, de modo a que o resultado fosse o que "homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo".(II Pe.1:21)

Postura espiritual

Quando estamos tratando de questões referentes à Palavra de Deus, não podemos deixar de levar em conta que Satanás está desde o início dos tempos lutando contra a pura Palavra de Deus. Foi Satanás quem levantou dúvidas a Eva sobre a palavra de Deus, perguntando:
(ACF) "...É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?" (Gn.3:1)

Portanto, não há como tratar deste assunto sem que estejamos, sob oração, nos colocando à disposição do Espírito de Deus para que nos use como instrumentos de sua vontade, levando sempre em conta as próprias escrituras, comparando as coisas espirituais com as espirituais, e não nos deixando levar em nenhum momento por paixões humanas. Sejamos então cuidadosos e sábios, seguindo os padrões bereanos, examinando tudo e retendo o bem.

(ACF) "Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (At.17:11).

(ACF) "Examinai tudo. Retende o bem." (I Ts.5:21)
Após esta introdução e debaixo desta postura, passaremos então a analisar o texto do Prof. Carlos Oswaldo Pinto:

Novas traduções

"...Sua visão frutificou em um vasto número de Sociedades Bíblicas espalhadas por três continentes que tomaram sobre si a tarefa de traduzir e distribuir as Escrituras por todo o planeta. A tarefa continua, não apenas porque ainda há línguas que nada possuem da Palavra de Deus, mas porque aquelas que já a possuíam passam por constantes modificações, léxicas, sintáticas e semânticas, exigindo que hoje seja satisfeito o mesmo anseio presente na Praça das Águas em Jerusalém, 430 anos a ntes de Cristo -- ouvir e compreender claramente a santa Palavra de Deus."

Sim, é fundamental que sejam feitas traduções e distribuições da Palavra de Deus para todo o planeta. Contudo, a tradução exige que se tome como base a verdadeira palavra de Deus, e não o que alguns homens por sua própria vontade ou com base em sua erudição pensem ser a palavra de Deus:
(ACF) "Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes. (20) Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?" (I Co.1:19-20).


E no caso de já haver sido traduzida a palavra de Deus a partir de uma base fidedigna, é mister que atentemos para o fato de que a língua é viva e que se modifica com o passar do tempo. Assim, pequenas correções ortográficas, ou sintáticas ou semânticas podem se fazer necessárias, como bem constata o Prof. Oswaldo, mas devemos estar sempre observando se o resultado está inteiramente de acordo com o texto original, com base em uma tradução por equivalência formal, tentando ocasionar a menor descaracterização possível da tradução existente, pois é muito importante que tenhamos concordância entre leitura e memorização dos textos bíblicos, prática esta que hoje está sendo abandonada devido à enorme quantidade de diferentes versões existentes:
(ACF) "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. (2) Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite." (Sl.1:1-2)

Uma questão mercadológica?
"Num mercado longe de ser saturado, a NVI se estabeleceu como uma opção significativa para quem deseja ouvir a voz de Deus na sua leitura pessoal das Escrituras."

Será que a palavra de Deus se tornou um artigo mercadológico? Como um carro, por exemplo? - Quando vamos comprar um carro escolhemos marca, modelo, se terá duas ou quatro portas, selecionamos um conjunto de opcionais para acompanhar o veículo, e assim por diante. Será que a compra de uma Bíblia, livro sobre o qual baseamos tudo o que acreditamos e tudo o que fazemos (nossa única regra de fé e prática), é como a escolha de um carro? Escolheremos a "palavra de Deus" que mais nos agrada, ou ainda aquela que tenha os opcionais que mais desejamos?

Estas perguntas devem ser respondidas não sob a ótica de um editor de livros, preocupado com os lucros de sua empresa, mas sob a ótica de um pobre pecador, com o coração quebrantado, sedento de água viva e do "leite racional, não falsificado" (I Pe.2:2).

Não podemos tomar a questão sob uma ótica mercadológica. A palavra de Deus não é um artigo que possa ser formatado ao gosto e ao sabor das vontades humanas, exatamente por não se tratar de algo humano:
(ACF) "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (II Pe.1:21).

Uso do Texto Crítico

"...o autor de E.E. dá a entender que a NVI utilizou acriticamente o chamado Texto Crítico (doravante TC)... Tal alegação é decididamente falsa..."

Em verdade, não é assim tão falsa, uma vez que o CT (Comitê de tradução) de fato usou em praticamente todos os casos o TC. Como pode ser depreendido da própria explicação do Prof. Oswaldo:
"Como todo comitê, o CT operava em termos de votação e quando questões textuais se nos apresentavam, eram resolvidas por um sistema de voto. Os membros do CT cuja preferência era pelo Texto Majoritário (TMaj) aceitaram o sistema sabendo das implicações de serem minoria."

Se a decisão sobre o que é ou não a palavra de Deus coube ao comitê de tradução através de votação, e se em sua maioria seus componentes tinham preferência pelo TC, claramente esta foi a opção majoritária. Pode até ter havido (como de fato houve) em alguns pontos específicos a opção por uma leitura diferente, contudo não é difícil constatar-se que a NVI é uma legítima representante do TC em praticamente sua totalidade.

Laranjas e bananas

"De igual modo, sugere que a adoção da filosofia de equivalência dinâmica para uma tradução signifique negar a preservação das Escrituras. Trata-se claramente de misturar bananas e laranjas. Qualquer pessoa que já tenha de alguma forma lidado com exegese e tradução das Escrituras (ou qualquer outro tipo de literatura) sabe que é impossível existir plena equivalência verbal (correspondência unívoca) ao passar um texto de uma língua para outra. Mas, aparentemente, é isso que sugere o texto de E.E. "

Esta afirmação apresenta-nos um problema, pois é sim possível efetuar-se uma tradução por equivalência formal entre duas línguas, tratando as impossibilidades de tradução direta, sempre que surgirem, através da adição de itálicas, o que indica a quem estiver lendo o texto que naquele ponto uma palavra foi adicionada para que pudesse haver uma perfeita fluência do texto na língua de destino, mas que esta palavra não se encontra no texto de origem.

Devemos estar atentos, pois estamos tratando da palavra de Deus e não de "qualquer outro tipo de literatura", e que as regras aqui devem ser diferentes. Não podemos interferir com o que "homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (na NVI "impelidos pelo Espírito"), não podemos impor nossa própria interpretação do texto original ao traduzi-lo para outra língua, por mais hábeis que sejamos no manejo desta, sob pena de o resultado ser nossa visão da palavra de Deus e não a própria palavra de Deus. Causa-me profunda estranheza o fato do Prof. Oswaldo ver a tradução das Escrituras sob o mesmo prisma da tradução de "qualquer outro tipo de literatura", creio que isto sim é misturar laranjas com bananas.

Apocalipse 22:16-21

"O manuscrito que Erasmo usou para o livro de Apocalipse, tomado de empréstimo ao erudito humanista Johann Reuchlin, não continha Apocalipse 22:16-21, que Erasmo retroverteu do latim para o grego!"

De fato o códice 1r, o qual estava à mão de Erasmo durante a confecção de sua primeira edição do texto grego, não continha os versículos citados, pois lhe faltava a última folha. Contudo Erasmo, já havia tempos, estava compilando material para sua tradução da Bíblia em Latim, tendo neste processo consultado e compilado material de vários outros manuscritos, aparato este que com certeza foi utilizado para a colocação dos versículos faltantes em 1r.

Não faz sentido pensar que houve qualquer outra atitude por parte de Erasmo, até porque seria impossível fazer uma tradução do latim para o grego, e chegar a um resultado que fosse exatamente, palavra por palavra, o encontrado na grande maioria dos manuscritos em grego. Este fato fica claro ao vermos que não existem diferenças nestes versos, comparando-se quaisquer das edições de Erasmo. Hoje existem fortes evidências que na verdade Erasmo utilizou-se da leitura encontrada no manuscrito 2049 em sua primeira edição do texto grego.

A alegação de que Erasmo teria traduzido da Vulgata latina para o grego não se sustenta também pelo fato do texto de Erasmo e o texto da Vulgata terem várias pequenas diferenças (apesar do texto da Vulgata, nestes versos, praticamente não ter sofrido corrupção). Vejamos, por exemplo, o final do verso 20 de Apocalipse 22:
Vulgata: amen veni Domine Iesu (Amém, vem Senhor Jesus).
Erasmo: Amen. Nai, erchou, kurie Iesou (Amém, ora vem Senhor Jesus).
O texto de Erasmo inclui a exclamação Nai (ora) inexistente no texto latino (e também inexistente no TC).

E se, como quer o Prof. Oswaldo, Erasmo realmente tivesse traduzido estes versos a partir do latim para o grego, teria feito um trabalho realmente impressionante e digno de nota, conseguindo uma perfeita preservação do texto original, na língua original, a partir de uma tradução incorreta deste texto em uma outra língua! É como se partindo de uma Bíblia incorreta em português (como a NVI) chegássemos ao texto grego original, palavra por palavra!

Preservação pelo TR

"Talvez o autor de E.E. acredite que a inspiração das Escrituras se estenda também à tradução que Erasmo fez dessa porção de Apocalipse. Afinal, ele afirma que 'Deus preservou sua Palavra através do Textus Receptus.' "
Entre todas as edições do TR há somente umas 300 palavras diferentes em 140.000, cerca de 0,002 %, e entre a primeira e a última edição do texto grego de Erasmo existem menos de 100 palavras diferentes em 140.000, ou cerca de 0,0007 %. Nada sequer próximo às mais de 1.400 diferenças encontradas, somente nos evangelhos3, entre o Sinaiticus e o Vaticanus, a base do TC, e das quase 10.000 diferenças entre o TC e o TR, ou seja, 7% de todo o texto do Novo Testamento !!!!!

Muitos são os argumentos a favor do TR, contudo o desenvolvimento de explicações detalhadas sobre estes argumentos fugiriam ao escopo deste estudo (Alguns argumentos adicionais podem ser encontrados em outro estudo de minha autoria intitulado "Em Defesa da Palavra de Deus"). Mas, com base em todos os argumentos apresentados seja neste estudo ou em tantos outros já escritos, mas especialmente consultando a própria palavra de Deus, não há porque duvidar que, sim, Deus preservou perfeitamente sua Palavra através do TR.

Qual deveria ser a base do TR

"Qual das edições de Erasmo deveria ter sido tomada como base para o TR?" 

Qualquer uma delas poderia ter sido tomada como base, como ficou demonstrado acima, contudo em umas poucas passagens (bem poucas mesmo) ocorreram correções importantes entre a primeira e a terceira edições de Erasmo.

"Qual TR é o verdadeiro TR?"

O TR é o TR, basta vermos acima a distância de apenas 0,002 % entre quaisquer das edições do texto grego recebido. Mas, convencionou-se que a edição de Estienne de 1550 (a terceira) seria chamada de Textus Receptus.

Agressividade, sim ou não?

No início de seu texto o Prof. Oswaldo disse que:
"Os dois artigos que mencionei acima são bastante agressivos"
E no decorrer da sua explanação diz ele assim:
Será que Beza fazia parte desse sinistro complô para minar a confiança do povo de Deus nas Escrituras?

Será que o autor de E.E. se sente à vontade em companhia de tais parceiros?
E agora quem está sendo agressivo??

Será que há como defendermos nossas posições sem agressividade? Sem ataques desnecessários e infundados à figura de Theodore Beza ou ao autor do folheto contrário à NVI ou ao CT ou a qualquer outra parte? Uma postura belicosa, realmente não se faz necessária, ao contrário, é contraproducente.

Defendamos, pois, nossas posições, mas em um clima de paz e civilidade cristãs.
Preservação de uma tradição antiquíssima apenas ou preservação da palavra de Deus?

"...o valor do TR está em preservar uma tradição antiquíssima e bem documentada que se acha expressa na maioria dos manuscritos (à qual Erasmo e seus sucessores imediatos jamais tiveram acesso) e que essa tradição precisa ser confrontada com outros tipos-textuais para que se prove a sua superioridade..."
Bom!! Vemos por este parágrafo que o Prof. Oswaldo tem claro entendimento de que o TR preserva a palavra de Deus conforme encontrada em 5210 manuscritos gregos, em um número ainda maior de manuscritos latinos, nas traduções antigas da palavra de Deus (Peshitta em siríaco, a Antiga Latina, que é a Vulgata original e a Copta, entre outras), assim como no Diatesseron e nas referências textuais encontradas nos escritos dos pais da igreja; e que todo o texto sagrado foi assim preservado através dos tempos pelo TR.

Pena não ter compreendido que Deus preserva sua Palavra em uso por seus filhos. Não houve qualquer tempo em que não fosse possível ter-se acesso à verdadeira e pura palavra de Deus, fosse através de pessoas escolhidas e assinaladas para falar em nome de Deus ou, como é o caso aqui, através da perfeita preservação do texto bíblico. Assim temos uma preservação pública e contínua da palavra. E isto rigorosamente não aconteceu com os manuscritos principais do TC, os quais foram utilizados como base para a tradução da NVI. O códice Vaticanus, ficou séculos guardado em uma biblioteca no Vaticano (onde está até hoje, vindo daí seu nome) e ninguém pôde, por séculos, de fato analisá-lo diretamente. Ele veio à tona graças aos esforços de Konstantin Tischendorf que em 1866 obteve permissão para examiná-lo durante quatorze dias, em cada dia por apenas três horas, com o propósito de comparar (colatar) algumas passagens mais difíceis. Utilizando-se deste tempo, Tischendorf conseguiu copiar o manuscrito e publicou uma edição da sua cópia em 1867.

O outro manuscrito usado como base principal para o TC é o códice Sinaiticus. Este códice também foi trazido à luz por Konstantin Tischendorf. Em 1844 ao visitar o Convento de Santa Catarina, localizado aos pés do monte Sinai (daí o nome do códice), encontrou em uma cesta de lixo alguns manuscritos de aparência antiga que estavam prestes a se tornar combustível para o fogão do convento. Tischendorf então os selecionou e separou. Eram quarenta e três folhas de pergaminho da Versão Septuaginta. Antes de retornar, Tischendorf tentou comprar dos monges o restante do manuscrito, mas estes vendo o interesse do pesquisador, preferiram reter o restante a vender-lhe naquele momento pelo valor que estava sendo oferecido. Em 1846 Tischendorf publicou o que havia conseguido do Sinaiticus sob o título de códice Frederico-Augustanus, pois este rei saxão foi o patrocinador de sua viagem. O manuscrito completo tinha partes do Velho Testamento incluindo os apócrifos, o Novo Testamento completo, além da forjada "Epístola de Barnabé" e também parte do texto falseado intitulado "Pastor de Hermas". É interessante notar que se Vaticanus e Sinaiticus não saíram das mesmas penas, com certeza vieram da mesma escola de escrita. Podemos observar este fato com facilidade pela similaridade do colofão4 colocado ao término de cada capítulo, que quando não idêntico, é sempre muito semelhante.

Em 1862, após várias lutas religiosas e políticas, e após a promessa de entrega de vultosa soma em dinheiro e de títulos honoríficos aos monges, foi permitido a Tischendorf levar o seu tão desejado manuscrito do Convento de Santa Catarina para São Petersburgo na Rússia. Logo em seguida Tischendorf publicou na Alemanha várias cópias deste manuscrito, ganhando muito dinheiro com esta publicação, como viria a ganhar também com a publicação do códice Vaticanus.
Assim, temos aí o retrato do que é tido pelo Prof. Oswaldo como "outros tipos-textuais", os quais devem ser comparados ao TR para que este possa "provar sua superioridade".

Será que frente à origem destes manuscritos seria realmente necessária tal comparação? Se ainda assim fosse aventada esta possibilidade, não bastaria olharmos para as diversas rasuras, correções e emendas nos textos destes manuscritos, ou para as claras tentativas de falsificação encontradas onde deveria estar o texto de Mc.16:9-20 no Sinaiticus, e pelo espaço em branco com o exato espaço que seria necessário para acomodar os versículos encontrado no Vaticanus, para que por estas razões fossem estes textos considerados espúrios?
Ou ainda, seria razoável o pensamento de que sendo estes manuscritos a verdadeira palavra de Deus, a Igreja do Senhor, perseguida e açoitada, tivesse sido privada dela por quatorze séculos?

Creio que se analisarmos com bom senso e imparcialidade esta questão, as respostas a estas perguntas serão óbvias e indicarão que não poderiam ser, e não são, estes textos a verdadeira palavra de Deus. A verdadeira palavra de Deus é o texto que tem sido incessantemente usado pelos crentes até os dias de hoje, o texto que tem sido bênção na vida de milhões de pessoas, que tem trazido a mensagem da salvação ao pecador e de crescimento ao salvo, e não dois manuscritos que estiveram encostados por séculos em prateleiras empoeiradas.
Marcos 9:24

"Aqui a NVI omitiu a palavra grega (senhor), o que o autor de E.E. classificou como negação da divindade de Cristo...A NVI seguiu o TC, omitindo a palavra. Legitimamente, o máximo de que o autor de E.E. poderia acusar o CT é de uma escolha textual ruim."

Sim, foi de fato uma escolha textual muito ruim!

Atos 8:37
"Esta passagem é alistada como um ataque à divindade de Cristo e à doutrina da salvação, com base na frase "creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus," supostamente proferida pelo etíope...A evidência em favor da frase (com cujo conteúdo claramente concordamos) é realmente muito frágil"

Em verdade, mesmo que não houvesse a aquiescência por parte do Prof. Oswaldo ou do CT ou de qualquer outra pessoa, a frase continuaria sendo clara verdade e pré-requisito a todos os que tencionam batizar-se. Devemos ter cuidado neste ponto, pois a palavra de Deus não depende de nossa concordância. Alguns podem, algumas vezes, até não concordar com o que está escrito e disposto nos textos sagrados, mas, ainda assim, o texto ali escrito é a palavra de Deus e como tal deve ser tratado.

Quanto à evidência textual desta passagem, ela não é tão frágil quanto afirma o Prof. Oswaldo, apesar de ter sido omitida nos manuscritos alexandrinos (usados como base para o TC) e em vários outros manuscritos mais recentes, ela é encontrada no Códice E e em vários outros manuscritos em grego (36, 88, 97, 103, 104, 242, 257, 307, 322, 323, 385, 429, 453, 464, 467, 610, 629, 630, 913, 945, 1522, 1678, 1739, 1765, 1877, 1891, etc.). É encontrada também em um grande número de manuscritos antigos em latim (do segundo ao quarto séculos, como os l, m, e, r, ar, ph, e o gig). Também encontramos referência a esta passagem em escritos de Irineu (202 d.C), de Cipriano (258 d.C), de Paciano (392 d.C) e de Ambrósio (397 d.C), além de estar referenciada no códice 4ap utilizado por Erasmo em sua primeira edição.

Assim, apesar desta passagem, como bem cita o Prof. Oswaldo, não ser encontrada na maioria dos manuscritos sobreviventes, ela tem sim sólido suporte textual.

Atos 9:5-6
"A origem mais provável desta frase no TR é a passagem paralela em At 26:14. A omissão da palavra (uma legítima diferença textual entre o TC e o TMaj) na primeira frase do verso 6 é claramente mitigada pela sua presença nos versos 5 e 10."

Neste caso a omissão não é apenas de uma palavra como faz parecer o Prof. Oswaldo, apesar da palavra mencionada estar também faltando. Vejamos os versículos na ACF e na NVI:
(ACF) "E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.(6) E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer." (At.9:5-6 ACF)

(NVI) "Saulo perguntou: 'Quem és tu, Senhor?' Ele respondeu: 'Eu sou Jesus, a quem você persegue. (6) Levante-se, entre na cidade; alguém lhe dirá o que deve fazer'" (At.9:5-6)

Como pode ser claramente visto pelas referências acima, a extirpação de texto na NVI (TC) é profunda, incluindo a referência ao momento em que Saulo se coloca inteiramente aos pés de Cristo: "Senhor, que queres que eu faça?", um dos mais sublimes testemunhos apresentados em todo o Novo Testamento, o momento em que o perseguidor "implacável" foi aplacado pela graça salvadora de Jesus, tendo seu coração sido preparado de antemão pelo Espírito Santo através da semente lá colocada pelo testemunho de Estêvão.

Temos que ter presente o fato de que cada texto na palavra de Deus tem seu propósito e razão de ser, nada está lá por acaso, não há como extirparmos partes da palavra de Deus sob a alegação de que em outro versículo encontraremos o mesmo texto. Se assim fosse, poderíamos, por exemplo, eliminar Êxodo 20:1-17, pois em Deuteronômio 5:6-21 temos uma repetição do mesmo texto. Repito, nada está na palavra de Deus sem uma razão de ser. E não nos cabe decidir se um texto tem ou não importância, isto foi decidido pelo Espírito Santo ao inspirar homens santos a escreverem a revelação de Deus aos homens.

Este verso, tal como está apresentado no TR, estabelece esplendidamente a divindade de Cristo, mas para esclarecimento não somente espiritual (que já deve estar suficientemente estabelecido), mas também para esclarecimento intelectual, vamos analisar a evidência textual que suporta a leitura desta passagem conforme se encontra no TR:
Em uma olhada superficial a evidência textual pode parecer fraca, mas como veremos não é este o caso: A passagem pode ser encontrada em traduções antigas da palavra de Deus realizadas a partir de 150 d.C, como a Antiga Latina, a Peshitta, a Copta, a Eslovaca, a Georgiana, a Etiópica, e ainda outras. Pode também ser encontrada nos unciais5 C e W do quinto século, nos D e K do nono século e ainda em alguns outros. Pode ser encontrada na maioria dos cursivos6 e lecionários7 em grego. Pode ser encontrada nos manuscritos latinos ar, c, h, l, p, ph e t. Além de poder ser encontrada também no códice E e no 431.

A evidência interna também corrobora que Cristo disse de fato estas palavras quando de seu encontro com Saulo, como ficou atestado pelos textos correlatos encontrados em At.22:10ss e em At.26:14ss.

Desta forma, por quaisquer ângulos que venhamos a ver esta questão, teremos sempre a certeza de que a palavra de Deus é mesmo a que ficou preservada através do TR.

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