04 setembro 2014

CUBANOS CRENTES SOFREM PRESSÃO POR CAUSA DO EVANGELHO



A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) lançou um relatório que revela um aumento preocupante nas violações à liberdade religiosa em Cuba. O documento está em inglês e disponível para download


De acordo com a CSW, algumas dessas violações incluem: assédio grave e espancamentos violentos de pastores e obreiros leigos; maus tratos por parte de agentes de segurança do Estado a dezenas de mulheres que participam de cultos matinais aos domingos; fechamento, confisco e demolição de igrejas. 

De janeiro a julho de 2014, foram registradas 170 violações à liberdade religiosa no país. Em contrapartida, em 2011, houve 40 casos no total.


Diferentes e numerosos casos de violação da liberdade religiosa têm sido relatados pelos cristãos em Cuba, mesmo após uma aparente atuação do governo Raúl Castro na direção de “modernizar” a economia e sociedade cubanas, aproximando-as do livre mercado e do que se entende por Estado Democrático de Direito, concepções ainda bem distantes da realidade cubana.
Seja como for, uma das atitudes mais demonstrativas desse incipiente processo de abertura foi o fim das restrições para viagens ao exterior e para visitas dos emigrados, medida esta que passou a vigorar desde 14 de janeiro deste ano, e que, possibilitou, por exemplo, a vinda da blogueira Yoani Sanches ao Brasil. Mas, concomitantemente, como tem sido na história recente de Cuba, um número grande de cristãos naquele país têm sofrido perseguições de natureza religiosa nas mais variadas formas e intensidades, em alguns casos até com expropriações de bens e assassinatos.
Christian Solidarity Worldwide (CSW) – aliada da ANAJURE – documentou, somente em 2012, 120 casos de violações concernentes à liberdade religiosa, alguns envolvendo igrejas e denominações inteiras. Em 2011, foram 30 casos, mas o número total ao longo dos anos não pode ser precisado, chegando a centenas de pessoas.
As restrições ao livre exercício religioso têm atingido a igreja católica com mais frequência, mas as igrejas evangélicas, particularmente as denominações batista, metodista e pentecostais, em diferentes partes da ilha, também reportaram assédio constante e pressão de agentes de segurança governamentais para restringir sua liberdade religiosa.
Um dos casos mais emblemáticos foi descrito pelo pastor Bernardo de Quesada, que contou que oficiais do governo cubano ameaçaram destruir uma propriedade pertencente à igreja central da cidade de Camaguey. Familiares de líderes religiosos também estão sendo alvo de perseguição por parte do governo. Os pais de um líder de louvor chegaram a ter a eletricidade de sua residência cortada.
Participantes do Movimento Apostólico, uma rede de igrejas independentes que teve rápido crescimento no país socialista, vêm sofrendo, desde 2008, sistemáticas retaliações por parte do governo, no intuito de impedir suas atividades. Funcionários do Partido Comunista chegaram a declarar publicamente que o governo tem a intenção de erradicar do país o Movimento Apostólico. Com isso, pessoas filiadas a este segmento evangélico, em todos os níveis, têm sido apontadas para uma espécie de perseguição religiosa mais direcionada, ação típica dos estados que vivem sob a égide de regimes de exceção, como é o caso de Cuba.
Outro caso conhecido relatado pela revista norte-americana Christianity Today foi da Primeira Igreja Batista Trinidad, em Santa Clara, que teve sua conta bancária bloqueada. Cerca de US$ 27 mil ficaram congelados por agentes do governo no ano de 2010. As razões são sempre enquadráveis em pura perseguição religiosa.
A CSW também divulgou, recentemente, o episódio envolvendo o pastor Omar Gude Perez, que foi impedido de trabalhar como pastor depois de intensa e perversa perseguição. Preso por ideologia, Perez, a esposa e dois filhos tiveram finalmente a autorização para a emigração após 18 meses esperando a documentação adequada (confira reportagem aqui).
Segundo Andrew Johnston, diretor jurídico da CSW, “a CSW tem feito deste caso uma prioridade desde que soubemos da prisão do pastor Gude, em 2008. Nós estamos imensamente felizes pois a família Gude Perez foi finalmente autorizada a aceitar a oferta de asilo nos Estados Unidos, onde eles estarão aptos a praticarem sua fé em liberdade”, declarou.
Segundo Johnston, a decisão de deixar Cuba foi difícil para a família, mas as constantes perseguições por parte do governo e a proibição oficial sobre sua atuação no ministério religioso não lhe deram outra opção. O diretor jurídico da CSW disse ainda que a entidade continuará dando o suporte necessário ao seu trabalho, e continuará chamando a atenção para as violações de liberdade religiosa por parte do governo cubano que ainda hoje ocorrem.
O presidente da CSW, Dr. Mervyn Thomas, pediu ao líder cubano, Raúl Castro, que garantisse melhorias significativas na defesa da liberdade religiosa em 2013, tendo em vista esse aumento dramático de violações em todo o país, especialmente no tocante à atuação do governo que reprimiu e tem reprimido organizações religiosas e indivíduos.
O caso de Cuba é emblemático no que diz respeito às violações na liberdade religiosa. As principais organizações e agências internacionais de defesa das liberdades civis fundamentais têm apontado um crescimento considerável dos índices de perseguição ao cristianismo. Na passagem da blogueira Yoani Sanches recentemente ao Brasil, pelas suas falas, ficou claro o quanto o povo Cubano vive em permanente estado de restrição às suas liberdades mais básicas, desde a simples obtenção de certos produtos alimentícios até o direito de professarem plenamente sua fé. Em vídeo divulgado recentemente pela CSW, de modo autoritário e claro, uma funcionária do próprio governo cubano fala abertamente sobre as medidas que as autoridades daquele país usaram e estão usando para impedir o exercicio da fé cristã por parte de alguns grupos. Medidas, inclusive, de força e violência. É algo abominável, corrupto, autoritário e antidemocrático o que é denunciado pela CSW. A ANAJURE está observando atentamente estes acontecimentos e atuando junto ao Governo Federal brasileiro no sentido de, diplomaticamente, lutar contra este tipo de prática que, por certo, fere o Estado Democrático de Direito e os princípios mais básicos dos direitos humanos fundamentais”, disse o Dr. Uziel Santana, presidente da ANAJURE.
O vídeo a que se refere o presidente da ANAJURE é o que está abaixo, onde num seminário em 2010, a diretora do Escritório para Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, Caridad Diego, discursando para um grupo de líderes do Conselho Cubano de Igrejas admite abertamente o uso de medidas persecutórias por parte do Governo cubano contra um determinado grupo de evangélicos. O vídeo foi enviado somente agora, de modo clandestino, à CSW por receio de que os líderes presentes à reunião fossem retaliados pela divulgação.
A situação em termos de liberdade religiosa em Cuba é realmente preocupante, mesmo no Governo de Raúl Castro.
Veja o video:
Obs.:   Legendas do Vídeo:
Cuba: Caridad Diego e a perseguição governamental ao Movimento Apostólico
Por anos, igrejas afiliadas ao Movimento Apostólico, uma rede evangélica de igrejas em Cuba, têm reclamado de perseguição e dado evidências de repetidas violações à sua liberdade religiosa.


As igrejas e o movimento têm obtido negativas quanto ao direito ao registro e reconhecimento oficial. Um dos principais líderes, Pr. Omar Gude Perez, cumpre pena de 6 anos e meio de prisão por causa de acusações forjadas. As autoridades têm reiteradamente ameaçado confiscar as casa e os bens da família.
Outros líderes têm relatado casos de perseguição, detenção arbitrária, confisco de suas casas, propriedades pessoais ou mesmo da própria igreja. As igrejas têm sido por vezes completamente demolidas sem prévio aviso, enquanto outras têm sido fechadas.
O governo cubano não fornece explicações e sustenta que há liberdade religiosa em Cuba.
Entretanto, no início de 2010, Caridad Diego, líder do Escritório para Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, discursou para um grupo de líderes da Conselho Cubano de Igrejas e admitiu abertamente a perseguição governamental a respeito das igrejas afiliadas ao Movimento Apostólico. Algumas das pessoas presentes ficaram tão chocadas pela sua confissão, que clandestinamente filmaram seu discurso.
O vídeo foi levado para fora do país e líderes do Movimento Apostólico pediram a CSW (Christian Solidarity Worldwide) que o tornasse público para que o mundo pudesse saber que, nas próprias palavras do governo oficial, eles são vítimas de uma campanha de perseguição sancionada oficialmente.
 Fala da Sra. Caridad Diego
“Nós temos tido que viver como homens e mulheres, nós que estamos aqui hoje, todos nós, você de sua igreja e nós, das instituições que dirigimos, como pessoas que têm a responsabilidade de servir, primeiramente, o povo cubano e, portanto, tudo que pudermos fazer para servi-lo deve ser prioritário e, para isso, é importante para nós que vocês se preparem bem e multipliquem a cada dia seu conhecimento. Os movimentos que mencionei, o “Ministério de Crescimento na Graça”, o “Movimento Apostólico Nacional de Fogo e Dinamismo”, não devem atingir as raízes, as origens, a história das igrejas cubanas.
À medida que atingirmos maior unidade, maior fraternidade, maior preparação bíblica e teológica, será mais difícil para doutrinas como estas se infiltrarem, será mais difícil para elas causarem maiores danos. O  Movimento Apostólico Nacional de Fogo e Dinamismo tem pego pessoas de igrejas estabelecidas para se tornar parte de um movimento ilegal que tem divulgado um livro difamando nossos heróis e mártires, nossas instituições, expõe à chacota pública todas as outras religiões, como se fosse a única e verdadeira, além disso não responde a qualquer estrutura governamental ou eclesiástica, indo de encontro a qualquer organização estabelecida.
E, em assuntos tão delicados para nós cubanos, pois em outros países talvez eles não sejam tão sensíveis, a população considera seus símbolos patrióticos, sua história, com as virtudes e imperfeições de sua história, que foi construída por homens que deram o melhor de suas próprias vidas para o futuro. Este futuro que nós desfrutamos. Mas nestas publicações tudo isso é questionado, e mesmo estigmatizado assim como nós.
Acredito que seja importante mencionar isso neste workshop, porque há muitos mais lá que podem espalhar esta mensagem. Nós estamos tomando medidas, e vamos continuar tomando medidas; as mãos de nossas autoridades não vão vacilar, e não digo isso como um modo de alerta, mas para informar que as ilegalidades que grupos como este estão cometendo podem ser contidas, em todas as províncias e em todo o território, medidas podem ser tomadas contra estas irregularidades.
E, se por vezes temos sido pacientes, e alguns têm dito: ‘Bom, Caridad, eles têm feito isto e aquilo e ninguém tem tomado qualquer medida’. Bem, nós temos tomado medidas. Há algumas que demorarão um pouco mais de tempo, porque as informações tem que ser levantadas para que se apliquem medidas efetivas.
Medidas estão sendo aplicadas, e há alguns pretensos líderes destes tipos de organizações que têm sido retirados de suas casas, que perderam seus templos.
Nós estamos agora trabalhando com o Ministério da Justiça, para ver como nós recuperamos os templos que eles usurparam de igrejas reconhecidas legalmente, porque não há um estatuto que nos ajude legalmente a recuperá-los, mas nós estamos trabalhando nisto.
Há pessoas que têm sido retiradas de suas casas, e até perdido bens materiais ‘adquiridos irregularmente’. Nós estamos realmente tomando medidas. Há pessoas que visitam o nosso país e não estarão mais aptas a entrar novamente no país; há pessoas que têm sido multadas por facilitarem a violação do status de imigração por estrangeiros em Cuba; nós temos confiscado literatura, porque não tem entrado no país pelos canais apropriados, mas ‘por baixo do pano’”.
Tradução do Vídeo: Jorge Alberto
anajure.org.br



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