17 setembro 2014

Lição 12 - 21/09/14 - "OS PECADOS DE OMISSÃO E DE OPRESSÃO"

Texto Áureo:
"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado"(Tg.4:17)

Verdade Prática:
Os pecados de omissão e opressão são tão repulsivos diante de Deus quanto ás demais transgressões.


INTRODUÇÃO

Nesta Aula, trataremos a respeito dos pecados de omissão e de opressão. Veremos a contundente reprimenda de Tiago à opressão dos ricos contra os pobres. Segundo Tiago, os ricos exploravam os pobres (Tg 2:5,6). No ambiente de Tiago, podemos pensar particularmente em senhores de terras judeus da região palestina, que possuíam grandes áreas e estavam preocupados somente com o lucro que poderiam obter de suas terras. Tiago ousa anunciar a condenação desses ricos proprietários de terras (Tg 5:1) e justifica tal condenação com base no acúmulo egoísta de riquezas (Tg 5:2,3), na fraude contra os que trabalhavam para eles (Tg 5:4), na vida autoindulgente que levavam (Tg 5:5) e na opressão que mantinham contra “o justo” (Tg 5:6).
Qual o propósito de Tiago pregar esta mensagem de denúncia contra não-cristãos, numa Epístola endereçada à Igreja? Por dois propósitos principais: Primeiro, para que os fiéis, ouvindo sobre o miserável fim dos ricos, não invejem sua fortuna; Segundo, para que os fiéis, sabendo que Deus será o vingador dos males que sofreram, possam com calma e resignação suportá-los. Seguramente, esta mensagem de Tiago é, também, para os dias de hoje.

I. O PECADO DE OMISSÃO (Tg 4:17).
“Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.
1. A realidade do pecado. Um Dia o ser humano resolveu voluntariamente desobedecer a Deus (Gn 3:1-24). Então, o pecado tornou-se uma realidade fatal. Ao pecar, o homem tornou-se servo do pecado (João 8:34), dominado totalmente por ele (Gn 4:7), sem condição alguma de modificar esta situação. Entretanto, a história não terminou com esta tragédia. Bem ao contrário, a Bíblia Sagrada nos ensina que, mesmo antes da fundação do mundo, dentro de sua presciência, Deus já havia elaborado um plano para retirar o homem desta situação tão delicada (Ef 1:4; Ap 13:8). Este plano, já existente mesmo antes da criação do mundo, foi revelado ao homem no dia mesmo de sua queda, quando o Senhor anunciou que haveria de surgir alguém da semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente e tornaria a criar inimizade entre o homem e o mal e, consequentemente, amizade, comunhão entre Deus e o homem (Gn 3:15). O Plano divino para a salvação da humanidade foi plenamente cumprido no sacrifício inocente, amoroso e vicário de nosso Senhor Jesus Cristo (João 1:29;Gl 4:4,5).

O pecado foi uma atitude do homem contra o propósito para ele estabelecido por Deus. Deus havia determinado a obediência à Sua Palavra, às Suas ordens, mas o homem, dotado que era de liberdade, não observou a ordem dada por Deus e, por conseguinte, o homem desviou-se do critério estabelecido pelo Senhor e o resultado disto foi o fracasso espiritual, a separação entre Deus e o homem, pois o que faz divisão entre Deus e o homem é, precisamente, o pecado (Is.59:2).

Este sentido do pecado, aliás, fica realçado pela terminologia que as Escrituras utilizam para se referir ao pecado, a saber:
a) transgressão (Hb 2:2) - o pecado é uma transgressão, ou seja, é um desvio de uma norma estabelecida por Deus ao homem.

b) impiedade (Rm 1:18) - o pecado é impiedade, ou seja, uma demonstração de falta de amor e de piedade para com Deus. Jesus mesmo disse que amar a Deus é, sobretudo, obedecer a Deus (Jo.15:14).

c) injustiça (Rm 1:18) - o pecado é injustiça, ou seja, um procedimento contrário à justiça. Ora, a Bíblia diz que Deus é nossa justiça (Jr.33:16), de modo que o pecado é uma ofensa contra o Senhor.

d) desobediência (Hb 2:2) - o pecado é desobediência, insubmissão, rebelião contra o Senhor. É o contrário à obediência.

e) iniquidade (1João 5:17) - o pecado é o contrário à equidade, à justiça distributiva. O pecado é uma atitude que contraria a ordem estabelecida por Deus, que foge aos parâmetros estatuídos pelo Senhor.

Percebemos, portanto, que o pecado não é uma ilusão, como se tem dito ultimamente, nem tampouco uma invenção proveniente de uma tradição religiosa, mas uma pura realidade. O pecado é um gesto de rebelião contra Deus, o mau exercício da liberdade de que o homem foi dotado quando de sua criação.

2. O pecado de comissão (Gn 3:17-19). A partir da realidade do pecado, algumas formas de pecados podem ser verificadas nas Escrituras. Uma delas é o pecado da comissão, ou seja, realizar aquilo que é expressamente condenado por Deus. A pessoa sabe que é proibido, mesmo assim comete o pecado.
Conhecimento implica em responsabilidade. As pessoas conhecem a vontade de Deus, mas deliberadamente a desobedecem. Nosso pecado torna-se mais grave, mais hipócrita e mais danoso do que o pecado de um incrédulo ou ateu. Mais grave porque pecamos contra um maior conhecimento. Mais hipócrita porque declaramos que cremos, mas desobedecemos. O apóstolo Pedro diz: “Porque melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado” (2Pe 2:21).

Por que as pessoas que conhecem a vontade de Deus, deliberadamente a desobedecem?

Em primeiro lugar, por orgulho. O homem gosta de considerar-se o dono do seu próprio destino, o capitão da sua própria alma. Os gentios, como todos sabemos, são o resultado da comunidade pós-diluviana que se instalou em Babel e que, ali, se rebelou contra Deus. Ora, todos eles tinham, naquela comunidade, pleno conhecimento de Deus, tanto que resolveram construir “…uma torre cujo cume toque nos céus, e nos façamos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra” (Gn 11:4b). Isto é uma clara demonstração de que tinham conhecimento de que havia um Deus no céu e que pretendiam construir uma vida independente de Deus.

Em segundo lugar, pela ignorância da natureza da vontade de Deus. Muitas pessoas têm medo da vontade de Deus. Pensam que Deus vai fazê-las miseráveis e infelizes. Mas a infelicidade reina onde o homem está fora da vontade de Deus. O lugar mais seguro para uma pessoa estar é no centro da vontade de Deus.

O que acontece àqueles que deliberadamente desobedecem a vontade de Deus? Eles são disciplinados por Deus até se submeterem (Hb 12:5-11). Eles perdem recompensas espirituais (1Co 9:24-27). Enfim, eles sofrerão consequências sérias na vinda do Senhor (Cl 3:22-25).

3. O pecado de omissão (Tg 4:17). ”Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado”.

Tiago diz que quem sabe fazer o bem e o não faz comete pecado. O que seria o “bem” aqui? Que pecado de omissão é este? É não levarmos Deus em consideração. “Fazer o bem” significa levar Deus em consideração em todos os aspectos da vida e viver na dependência dEle a cada momento. Se sabemos que devemos agir desse modo, mas não o fazemos, pecamos claramente. É evidente que o princípio tem uma aplicação mais ampla. Em todas as áreas da vida, temos a responsabilidade de fazer o bem sempre que surge a oportunidade. Se sabemos o que é certo, temos a obrigação de viver de acordo com esse conhecimento. A negligência é pecado contra Deus, nosso próximo e nós mesmos.

II. O PECADO DE ADQUIRIR BENS À CUSTA DA EXPLORAÇÃO ALHEIA (Tg 5:1-3)

O Rev. Hernandes Dias Lopes disse: “O dinheiro é o maior deus deste mundo. Por ele as pessoas roubam, mentem, corrompem, casam-se, divorciam-se, matam e morrem. O dinheiro é mais do que uma moeda, ele é um espírito, um deus, ele é Mamom. Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro. Ele é o mais poderoso dono de escravos do mundo. O problema não é possuir dinheiro, mas ser possuído por ele. O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo patrão. Não é pecado ser rico. A riqueza é uma bênção. Davi disse que riquezas e glórias vêm de Deus (1Cr 29:12). Moisés disse que é Deus quem nos dá sabedoria para adquirirmos riqueza (Dt 8:18)”. O problema é colocar o coração na riqueza (Sl 62:10). A raiz de todos os males não é o dinheiro, mas o amor ao dinheiro (1Tm 6:10). 1. O julgamento divino sobre os comerciantes ricos (Tg 5:1). “Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir“.

Tiago conclama os ricos a chorar, lamentando pelas desventuras que estavam prestes a lhes sobrevir. As palavras “chorai e pranteai” eram frequentemente usadas no Antigo Testamento pelos profetas para descrever a reação dos ímpios quando o Dia do Senhor (o dia do juízo de Deus) chegasse (veja Is 13:6; 15:3; Am 8:3).

Em breve, os ricos iníquos se encontrariam com Deus e se encheriam de vergonha e remorso. Veriam que tinham sido mordomos infiéis e chorariam pelas oportunidades perdidas. Lamentariam a cobiça e o egoísmo. Seriam convencidos das injustiças que haviam cometido contra seus empregados. Veriam a pecaminosidade de ter buscado segurança nos bens materiais, e não no Senhor. E derramariam lágrimas amargas pelo modo desenfreado com que haviam satisfeito todos os seus desejos. O alvo aqui são todos os ricos, crentes ou descrentes, que conduzem os seus negócios de maneira desonesta e opressora contra os menos favorecidos.

2. O mal que virá (Tg 5:2). ”As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça”.

Não atentando para a brevidade da vida e a transitoriedade dos bens materiais, os ricos orgulham-se e confiam na quantidade de bens que possuem (Jr 9:23; 1Tm 6:9,17). Tiago diz que a instabilidade das riquezas é a advertência mais evidente das “misérias” futuras dos ricos. As riquezas que estão “apodrecidas” e as roupas que se transformam em farrapos indicam a transitoriedade da vida. O seu dinheiro, a sua segurança e o seu luxo são equivalentes a coisas apodrecidas porque não lhes servirão para nada na eternidade.

Nada daquilo que é material permanecerá para sempre neste mundo. As sementes da morte estão presentes em tudo aquilo que está neste mundo. É uma grande tolice pensar que a riqueza possa trazer estabilidade permanente. Assim diz o apóstolo Paulo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a sua esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos concede abundantemente todas as coisas para delas gozarmos” (1Tm 6:17). Além disso, a vida é passageira: “Sois um vapor que aparece por um pouco, e logo se desvanece” (Tg 4:14) e não podemos levar nada desta vida: “Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos daqui levar” (1Tm 6:7). Jesus disse para o rico insensato: “insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”(Lc 12:20).

3. A corrosão das riquezas e o juízo divino (Tg 5:3). “O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias”.
Não há nenhum pecado em ser previdente, fazer investimentos, prover para si, para a família e para ajudar outros (2Co 12:14; 1Tm 5:8; Mt 25:27). Mas é pecaminoso acumular o que não é nosso. Os ricos referidos por Tiago ajuntavam o que deviam pagar aos trabalhadores. Anos depois, os romanos saquearam todos os seus bens e suas riquezas foram espoliadas. É uma grande tragédia uma pessoa ajuntar tesouros para os últimos dias e não ajuntar tesouros no Céu. Confiar na provisão e não no Provedor é um pecado. Quem assim age, vive corno se nossa pátria fosse a terra e não o Céu (Lc 12:15-21). Confiar na instabilidade da riqueza ou na transitoriedade da vida é tolice (Tg 4:14; 1Tm 6:17). A vida de um homem não consiste na quantidade de bens que ele possui (Lc 12:15).

III. O ESCASSO SALÁRIO DOS TRABALHADORES “CLAMA” A DEUS (Tg 5:4-6)

1. O clamor do salário dos trabalhadores (Tg 5:4). “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos“.
Aqui, Tiago condena a aquisição de riquezas obtidas pela retenção de salários. Os trabalhadores que ceifaram os campos foram privados do pagamento a que tinham direito. Mesmo que esses ceifeiros reclamassem, dificilmente seriam indenizados, pois não tinham quem defendesse sua causa com sucesso. Seus clamores, no entanto, chegaram aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Aquele que comanda as hostes no Céu defende o povo oprimido na Terra. O Senhor Deus Onipotente o socorrerá e vingará. Assim, a Bíblia condena não apenas o acúmulo de bens, mas também o enriquecimento por meios desonestos.

2. A regalia dos ricos que não temem a Deus cessará (Tg 5:5). “Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança“.


O que Tiago está condenando aqui é quando, nos nossos negócios, no tratamento com as demais pessoas, nós cristãos vivemos como pessoas do mundo na hora de fazer relacionamentos financeiros com as pessoas, na hora de olhar para vida e ver que o alvo da vida é simplesmente viver nos prazeres, viver regaladamente, engordar o coração, acumular riquezas. Tiago diz que estas riquezas serão testemunhas no Dia do juízo contra nós. Elas se levantarão no Dia do juízo como testemunha de acusação. Ele diz que essas pessoas estão engordando o coração para o dia de matança. Eles estão lá se banqueteando, mas na verdade, na linguagem do brasileiro, estão cevando um boi. Cevar um boi é engordá-lo. Você pega um boi e dá comida pra ele, então ele vai engordando, vai ficando cada vez mais gordo e ele diz: puxa, o meu patrão gosta muito de mim porque está me dando tanta comida! Só que o patrão está esperando o dia em que ele vai degolar o boi. Então, a figura aqui é do rico tendo o seu coração engordando para o dia da matança, aquele Dia em que Deus vai executá-lo. Deus está cevando o mundano. Ele está engordando os ímpios para aquele Dia, em que finalmente ele vai fazer justiça e juízo neste mundo.

3. O pobre não resiste à opressão do rico (Tg 5:6). “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu”.

Aqui, Tiago acusa os ricos de haverem condenado e matado o justo, sem que ele tivesse resistido a eles. É bem provável que as pessoas pobres que não podiam pagar as suas dívidas fossem lançadas na prisão ou forçadas a vender todas as suas posses. Sem meios de sustento, e sem oportunidades até mesmo para trabalhar para pagar suas dívidas, essas pessoas pobres e suas famílias frequentemente morriam de fome. Deus também considerava isto um assassinato. O pobre não tinha como resistir. O seu único recurso contra os ricos iníquos era clamar a Deus.

CONCLUSÃO

Deus não está alheio às injustiças que acontecem e, conforme assevera Tiago, aqueles que praticam maldades contra inocentes, que oprimem os outros, que promovem injustiças, receberão a sua paga inexoravelmente (Tg 5:1), ou ainda aqui na Terra ou na eternidade, caso não se arrependam dos seus nefandos atos.


Prezado irmão, se você está sofrendo alguma injustiça na sua vida, lembre-se: Deus não está blindado em um canto do Universo, surdo e cego, sem atentar para a sua causa. Não! Ele simpatiza com a sua causa. Ele não suporta a injustiça, e Ele sabe muito bem tudo o que você está passando. O Senhor dos Exércitos, isto é, aquele que peleja por nós, está ouvindo o seu clamor (Tg 5:4b). 

Subsídio para o Professor

I - O PECADO DE OMISSÃO (Tg 4.17)

1. A realidade do pecado.

I. Definição

No grego é amartia, Esse termo é derivado de uma raiz que indica «errar o alvo», «fracassar». Trata-se do fracasso em não atingir um padrão conhecido, mas antes, desviando-se do mesmo. Essa palavra, porém, veio a ter também um significado geral, indicando o principio e as manifestações de pecado, sem dar qualquer atenção a seu significado original. O trecho de I João 3:4 usa o vocábulo anomia, «desregramento», desvio da verdade conhecida, da retidão moral. O pecado tanto é um ato como é uma condição. É o «estado» dos homens sem regeneração, que se manifesta na forma de numerosos e perversos atos. Pecar é afastar-se daquilo que DEUS considera a «conduta ideal», do homem ideal, exemplificado em JESUS CRISTO. Isso conduz à «impiedade» que consiste na oposição a DEUS e a seus princípios, em autêntica rebelião da alma. E isso leva à «parabasis», «transgressão» contra princípios piedosos reconhecidos. Isso leva o individuo à «paranomia.., a «quebra da lei», o «afastamento» da lei moral (ver Atos 23:3 e II Pede ?:16)__ Nossos pecados também são «passos em falso», Isto é, «paraptoma, no grego (ver Mat, 6:14 e Efé. 2). Propositadamente «caímos para um lado», «desviamo-nos pela tangente», apesar de estarmos instruídos o bastante para não fazê-lo.
Desse modo, o N.T. descreve o «pecado» sob boa variedade de modos, cada um dele com uso de um quadro falado sobre o que isso significa. CRISTO JESUS é a cura de cada uma dessas manifestações do pecado, pois a sua expiação apaga a divida; e a santificação em CRISTO transforma o pecador, para que seja um ser santo e celestial. E DEUS é fiel e justo, conferindo esse imenso beneficio aos homens que se submetem a ele, isto é, que exercem fé em CRISTO e ao seu mundo eterno (ver Heb. 11:1).


      O pecado é a transgressão da lei. O autor sagrado oferece-nos uma definição possível de «pecado», bastante lata, mas não a única possível. O pecado pode ser praticado por «omissão» (ver Tg. 4: 17); e os pagãos, que não tinham lei - no sentido de uma legislação divinamente dada mesmo assim pecavam (ver o segundo capítulo da epístola aos Romanos). A «lei», neste caso, certamente é a «lei mosaica», e não a nova lei do ESPÍRITO, revelada no evangelho. Porém, apesar de poderem ser dadas outras definições de pecado, o autor sagrado não estava interessado em qualquer delineamento completo do que pode ser o pecado. Para o seu argumento, bastava que o chamasse de «transgressão da lei». O «desregramento» dos gnósticos era ato condenado peremptoriamente na legislação mosaica, pelo que o conceito de pecado como «transgressão da lei» servia de instrumento adequado para ser usado contra os falsos mestres. E possível que essa definição de pecado tenha sido escolhida porque os mestres gnósticos negavam a autoridade do A.T. O autor afirma, por conseguinte, a despeito do que os gnósticos asseveravam em contrário, que a lei de DEUS, revelada no A.T., os condenava. Os gnósticos desconsideravam o sétimo mandamento, além de outros similares.

Julgavam-se acima da lei. No entanto, a lei os condenava. -É como se então o autor advertisse a seus leitores: «Cuidai para que não sejais numerados entre eles. Corinto deve ser confrontado com Moisés”.

«A gravidade do pecado ou de atos pecaminosos é salientada pela identificação dos mesmos com o ‘desregramento’. termo que parece indicar o pecado em toda a sua enormidade e blasfêmia, a julgar pela caracterização do anticristo, em 2 Ts. 2:7,8, como o ‘iníquo’ , e suas atividades como o ‘mistério da iniquidade’. O trecho de Mt. 24:12 também cita o aumento da iniquidade como um dos sinais da tribulação messiânica. Os cismáticos iluminados e jubilosos talvez dessem excessiva importância ao fato de que não estavam acima de toda a lei, sem apreciarem que não estavam ’sem lei para com DEUS, mas sob a lei de CRISTO’ (I Co. 9:21). Irineu aludiu aos hereges, que supunham que ‘devido à nobreza de sua natureza, em grau algum podiam contrair polução, sem importar o que comessem ou fizessem’ (Contra Heresias, 11. 14:5); e em outra oportunidade fala daqueles para quem o bem e o mal são apenas questões de opinião humana (op. cit., 11.32.1) ».

1. O pecado é cósmico em sua natureza. Nenhum ser humano peca sozinho. O pecado sempre fará parte de uma rebelião cósmica contra DEUS e contra a retidão. I João 3:8 enfaticamente assevera que aquele que «pratica o pecado” é do diabo. Esse ser maligno é intitulado «o deus deste mundo» (ver 2 Cor. 4:4), e muitos são seus súditos e escravos. Será necessária uma providência cósmica para remover o pecado, e o julgamento tomará conta disso.
2. Mas o pecado também é pessoal. Embora as forças satânicas forneçam a agitação (ver Ef. 6:11 e 55), o individuo é responsável pelas suas ações, e, portanto, ele é convocado a arrepender-se. O homem não pode alterar o quadro cósmico, mas pode ser pessoalmente redimido.
3. Sem importar se cósmico ou pessoal, o fato é que o pecado é, definidamente, uma questão de rebeldia.
O pecado tem por escopo destruir uma alma eterna (ver I Pe. 2:1). O pecado é algo muito mais sério do que aquilo que gostamos de pensar a seu respeito.
4. Foi preciso a missão de CRISTO para dar solução ao problema do pecado (ver Rm. 5: 1; CI. 1:20 e Ef. 1:10).

IV. Como é que Todos Pecaram Rm. 5:12
1. Alguns intérpretes dizem: «Em Adão, isto é, todos os homens participaram, em Adão, do pecado original, e contra esse pecado é que o juízo foi proferido. Essa ideia é frisada por causa da analogia com o ato isolado de justiça que nos outorgou a justificação. A expiação de CRISTO foi exatamente esse ato, mediante o qual somos justificados, e não mediante inúmeros atos de justiça que porventura pratiquemos. Por semelhante modo, somos julgados por causa de um único ato - o pecado de Adão - do qual todos participamos. Há evidências rabínicas em favor dessa ideia.

2. Outros afirmam que Rm. 5:12 fala de pecados individuais (e essa opinião é esposada pela maioria dos intérpretes). Também há evidências rabínicas quanto a esse ponto de vista.

3. Talvez seja melhor misturar esses dois pontos de vista. O homem nasce com o pecado original. Ele pecou em Adão. Mas cada individuo também tem seu próprio pecado. E ambas as modalidades o condenam. Isso está em consonância com os princípios ensinados em Rm 2:6, o de que cada um será finalmente julgado de acordo com suas próprias obras. O pecado de Adão é a raiz; os pecados da humanidade são os ramos; e os pecados individuais são os frutos. A sentença de julgamento recai sobre a árvore inteira, e não apenas sobre uma parte da mesma.

Como ilustração do que Paulo procurava dizer aqui, podemos usar uma árvore, com suas raízes, com seu desenvolvimento acima do solo e com seus frutos. A realidade de tudo quanto uma árvore é, se origina de suas raízes. Uma árvore, entretanto, é bem mais do que apenas as suas raízes; pois também consiste no grande tronco que se eleva da superfície do chão.

Também inclui até mesmo os seus frutos. Ora, outro tanto sucede no caso do pecado. A raiz é o pecado de Adão, e o juízo divino foi pronunciado contra a raiz. Mas o pecado também desenvolveu o seu tronco, visível para todos, o que representa o principio do pecado, que opera neste mundo. Finalmente, o pecado tem os seus frutos, o que significa os atos individuais de todos os homens. Ora, tais atos também produzem o julgamento, determinando a intensidade do mesmo, porquanto a declaração bíblica, frequentemente repetida, é que os homens serão julgados de acordo com as suas obras. Portanto, para dizermos toda a verdade, o pronunciamento original do julgamento foi contra a transgressão de Adão, de cujo julgamento todos os homens são apresentados como participantes.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 145-146.

PECADO
Definição

O pecado é iniquidade, diz 1 João 3.4. A lei contra a qual se estima o pecado não é simplesmente a lei mosaica, mas sim toda e qualquer revelação de DEUS durante todos os tempos. Isto inclui os mandamentos específicos da Bíblia (tanto os negativos quanto os positivos), os princípios bíblicos de conduta (por exemplo, 1 Co 10.31) e leis que não se mencionam especificamente na Bíblia Sagrada, mas que podem ser consideradas diretrizes dadas pelos líderes indicados por DEUS (por exemplo, Hb 13.17; Ef 6.1). Portanto, o pecado não é somente alguma coisa contrária ao que DEUS disse que o homem não deveria fazer, mas é também algo contrário ao que DEUS não quer que o homem faça, com base nos princípios revelados. Dessa forma, uma definição completa e inclusiva do pecado seria: o pecado é tudo o que é contrário ao caráter de DEUS. Como a glória de DEUS é a revelação do seu caráter, o pecado é uma insuficiência do homem em relação à glória ou ao caráter de DEUS (Rm 3.23).
Os teólogos da Reforma ressaltam que o caráter de DEUS está revelado na lei de DEUS. Eles ensinam que isto é apresentado tanto positivamente, e de uma maneira geral nos Dez Mandamentos, que ordenam o amor a DEUS e o amor aos homens (cf. Rm 13.8-10); e negativamente (exceto para o quarto e o quinto mandamento) em uma forma mais específica nas oito proibições contidas nas duas tábuas da lei. Com base nisto é que o catecismo curto de Westminster define o pecado como “não querer conformar-se a, ou transgredir, a lei de DEUS”. No Sermão do monte, o Senhor JESUS CRISTO estabelece as duas promulgações da lei, a negativa e a positiva, como a base da vida cristã e o padrão da semelhança que DEUS deseja para seus filhos (Mt 5.17,21,22,27,28,43-48);

A Origem do Pecado
Em nenhum lugar foi dito que DEUS é o autor, ou o criador responsável pelo pecado. Ele não tenta a ninguém para fazer o mal (Tg 1.13). Quando DEUS diz: “Eu… crio o mal” (Is 45.7) Ele está falando de desgraças ou de calamidades. Não é aceitável nenhum ponto de vista em que de alguma maneira se faça DEUS o autor do pecado, mesmo no sentido de que Ele é incapaz de evitar sua ocorrência ou aparição.

A Bíblia indica que o pecado originou-se em Satanás, em sua rebelião contra DEUS. Tudo o que o Antigo Testamento dá a entender sobre a responsabilidade de Satanás é que “se achou iniquidade” no rei de Tiro (Ez 28.15), uma evidente alusão ao diabo. Em seu orgulho, ele tentou tornar-se semelhante ao Altíssimo (Is 14.12-14; cf. 1 Tm 3.6). Na experiência humana, o pecado originou-se na tentação de Adão e Eva no Éden, quando eles rebelaram-se contra DEUS ao dar ouvidos à voz de Satanás (Gn 3.1-6).

O efeito do pecado de Adão na vida moral dos seus descendentes é o problema envolvido no chamado “pecado original” e é o tema de diferentes pontos de vista.

A Extensão do Pecado
A Bíblia ensina o fato e a universalidade do pecado (1 Rs 8.46; Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.23; 5.13,19; Ef 2.1-3; Tg 3.2; 1 Jo 1.8,10). Isto é o que significa a depravação total ou a total incapacidade - a falta de mérito do homem aos olhos de DEUS. O termo depravação refere-se à corrupção ou contaminação da natureza humana como resultado do pecado de Adão. Segundo o catecismo curto de Westminster, o pecado de Adão e Eva consiste tanto da culpa do primeiro pecado de Adão quanto da consequente corrupção de toda a sua natureza.

A depravação total está relacionada com a penetração da maldade no homem, e em tudo o que ele faz, resultando na impossibilidade por parte do homem de realizar o que é verdadeiramente e espiritualmente bom aos olhos do santíssimo DEUS. No entanto, isto não significa que o homem seja totalmente mau, de qualquer modo, e que ele não consiga fazer boas coisas. Ele pode admirar e imitar muitas coisas que são nobres e realizar o bem, como atos de justiça civil e social. Mas todo esse bem não tem a capacidade de obter os favores de DEUS. O homem é incapaz de agir com motivos completamente isentos de egoísmo, somente para glorificar seu Criador, e em seu estado de pecado ele é totalmente incapaz de reconciliar-se com o justo Governante do universo.

Esta doutrina apoia-se sobre afirmações claras da Bíblia Sagrada. Em Gn 6.5 está declarado que “viu o Senhor que a maldade do homem multiplicara-se sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”, e Gn 8.21 complementa: “porque a imaginação do coração do homem é má desde sua meninice”. Estes versículos revelam a natureza interior do pecado do homem - no “coração”; sua constância - “continuamente”; sua abrangência - só “má”; e sua totalidade - toda a “imaginação”. Isaías confessa que todas as nossas boas obras são como trapo da imundícia (64.6), ensinando que o homem não consegue realizar nenhuma boa obra que seja realmente aceitável aos olhos de DEUS. O homem tem a tendência de pecar desde seu nascimento, desde o momento da concepção (Salmos 5.15) e seu “coração” (sua natureza interior) é mais enganosa e trapaceira do que qualquer outra coisa, e é desesperadamente corrupta, incuravelmente enferma (Jr 17.9).

Em Rm, Paulo dedica a primeira parte (1.18-3.20) à prova das proposições de que “todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS” (3.23). Ele argumenta que os pagãos não têm desculpa (1.18-32), o homem moral e justo permanece condenado por causa da desobediência à sua consciência (2.1-16) e os judeus religiosos infringem todas as leis escritas de que eles se vangloriam (2.17-3.8). O apóstolo conclui que todos são completamente depravados, porque nenhum é justo, nenhum faz o bem, são todos inúteis e os membros dos seus corpos são instrumentos da iniquidade (3.9-20). João conclui que o mundo inteiro, exceto os filhos regenerados de DEUS, permanecem (impotentes) sob o poder do maligno (1 Jo 5.19).

Terminologia: São inúmeros os termos que denotam o pecado e o mal em hebraico. Na verdade, existem mais palavras para o mal do que para o bem. Há pelo menos oito palavras básicas: (1) Heb. ra’, “terrível” ou “temível” (Gn 28.17), “mau”, é usada para denotar alguma coisa nociva ou prejudicial e não se restringe a coisas moralmente más. (2) Heb. rasha’, “maldade” (Êx 2.13), que é sempre usada no sentido de uma culpa moral resultante da uma vida sem regras. (3) Heb. ‘asham, “culpa” (Gn 26.10), quase sempre limitada ao ritual relacionado com o Tabernáculo e com o Templo em Levítico, Números e Ezequiel. (4) Heb. hata’, hattat (Êx 20.20), que literalmente significa “errar o caminho”, “errar o alvo” (Jz 20.16; Jó 5.24; Pv 8.36), e inclui o conceito de cometer um erro deliberadamente - e não simplesmente um engano inocente. (5) Heb. ‘awon, “iniquidade” (1 Sm 3.13), que frequentemente significa “culpa”, estando os dois conceitos - de iniquidade e de culpa - intimamente relacionados. Tem a conotação de desonestidade, ou de afastar-se intencionalmente do caminho correto da justiça de DEUS. (6) Heb. shagag, shaga, “errar” (Is 28.7), quando usado em relação à lei, claramente implica que o pecador, na sua ignorância, é responsável por conhecer a lei (Lv 5.18; cf. 4.3,13). (7) Heb. ía’o, “andar errado”(Ez 48.11), indica que o erro é sempre deliberado e não acidental. (8) Heb. pasha’, “rebelar-se” (2 Rs 3.5,7; Is 1.2), que é normalmente traduzido como “prevaricar” (1 Rs 8.50; Jr 2.8,29). O uso dessas palavras conduz a algumas conclusões relativas à doutrina do pecado como revelada no Antigo Testamento: (1) A ideia de pecado é a de algo que é fundamentalmente uma desobediência a DEUS. (2) Embora a desobediência envolva tanto aspectos positivos quanto negativos, a ênfase está definitivamente na aceitação positiva do mal e não simplesmente na omissão negativa do bem. Em outras palavras, o pecado não é simplesmente errar o alvo (como tantas vezes é definido), mas sim atingir o alvo errado deliberadamente, e com conhecimento. (3) O pecado toma formas variadas, e os israelitas tinham pleno conhecimento da forma particular que seu pecado tomava, pela disponibilidade de tantas palavras variadas.

O Novo Testamento usa 13 palavras básicas para descrever o pecado: (1) Gr. kakos, “mau” (Rm 13.3), denota o mal moral, embora em algumas ocasiões seja usada para denotar o mal físico. (2) Gr. poneros “iniquidade” (Mt 5.45), que com duas exceções é usada referindo-se à iniquidade moral. (3) Gr. asebes, “impiedoso” (Rm 1.18), que é o oposto de ensebes, “piedoso”, e, frequentemente, aparece com outras palavras para pecado como em 1 Timóteo 1.9. (4) Gr. enochos, “culpado” (Tg 2.10; Mt 26.66), normalmente denota uma culpa que é merecedora da morte. (5) Gr. hamartia, “prostituição” ou “impureza” (1 Co 6.13), qualquer afastamento do caminho da justiça; é a palavra mais abrangente para pecado. (6) Gr. adikia, “injustiça” (1 Co 6.9), significa qualquer comportamento injusto no sentido mais amplo. (7) Gr. anomos, “transgressor” (1 Tm 1.9), que significa o desrespeito à lei, algumas vezes traduzida como iniquidade. (8) Gr. parabates, “transgressor” (Tg 2.9,11), normalmente refere-se à transgressão da lei mosaica e sempre a alguma lei específica. (9) Gr. agnoeo, “ser ignorante”, algumas vezes usada para descrever a ignorância inocente (Rm 1.13), e algumas vezes a ignorância culpável (Rm 10.3; Ef 4.18). (10) Gr. planao, “desviar-se” (1 Pe 2.25), que sempre significa errar com culpa ou ser enganado (por exemplo, Tt 3.3), com a possível exceção de Tiago 5.19. (11) Gr. paraptoma, “uma ofensa” (Gl 6.1), que na maior parte das referências é uma transgressão deliberada. (12) Gr. hypocrites, “hipocrisia” (1 Tm 4.2). (13) Gr. parapipto, “recair” ou “desviar-se” (Hb 6.6), que implica uma deliberada apostasia (q.v.). Algumas conclusões podem ser obtidas a partir do uso dessas palavras, com respeito à doutrina do pecado no Novo Testamento: 

(1) Sempre existe um padrão claro, contra o qual se comete o pecado. 
(2) Em última análise, qualquer pecado é uma rebelião contra DEUS e uma transgressão dos seus padrões.
(3) O mal pode assumir múltiplas formas.
(4) A responsabilidade do homem é definida e claramente compreendida.

Tenham todos uma boa aula.

Deus os abençoe.

Meus sinceros desejos de seu crescimento.

Abraços.

Viva vencendo!!!

Seu irmã menor.

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