26 setembro 2014

LIÇÃO 13 - 28/09/14 - "A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO"

TEXTO ÁUREO

“Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg 5.16).

VERDADE PRÁTICA

Se vivermos os princípios da Epístola de Tiago teremos uma vida cristã que agradará ao nosso Deus.


LEITURA BIBLICA = TIAGO 5: 7-20

INTRODUÇÃO

A vida cristã aqui, é alternada por momentos de alegria e aflição e tristeza. Para cada um deles, no entanto, a Palavra de Deus indica os meios da graça disponíveis ao crente. Em ocasiões de alegria, louvar e adorar ao Senhor é a atitude mais apropriada. Nos momentos de doença, tristeza e aflição, o caminho é a oração da fé, que, feita por um justo, “pode muito em seus efeitos”.
Tiago conclui a sua epístola com uma série de recomendações úteis à vida do crente, em particular, e da Igreja de forma geral. Ele faz recomendações quanto à conduta cristã, envolvendo assuntos tais como: juramento, irrepreensão na palavra, aflição e oração, alegria e louvor, doença, unção com óleo e cura, confissão e perdão, e restauração de desviados à comunhão da Igreja.

Tiago não tenta provar a doutrina da Segunda Vinda, nem anunciá-la. Para ele, a Segunda Vinda é uma esperança viva para a Igreja Primitiva. Ele cita a iminência e realidade da vinda (parousia) do Senhor como um motivo para os cristãos permanecerem firmes: Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor (v. 7).

Dois tipos de paciência são sugeridos. O primeiro diz: Sede [...] pacientes (v. 7) — não se apressem em retaliar contra as injustiças cometidas contra vocês por homens descritas nos versículos 1-6. O segundo diz: Sede [...] pacientes (v. 8)—aceitando pacientemente a demora de Deus em relação ao retorno do nosso Senhor.

A ilustração da época de plantio e colheita foi tirada da experiência palestina. O fruto da terra é a colheita de grãos. Ele era precioso porque a vida do lavrador e sua família dependiam dele. Na Palestina, o grão é plantado no outono e recebe a chuva temporã no final de outubro. Ele recebe a chuva [...] serôdia em março e abril, pouco antes de estar maduro. Durante todo esse tempo, o agricultor espera pacientemente pela colheita. A razão da sua paciência é sua esperança confiante na colheita.

Tiago interpreta sua própria parábola: Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima (v. 8). A vinda do nosso Senhor era uma grande fonte de esperança para os primeiros cristãos. Porventura temos essa mesma expectativa em relação à vinda do Senhor? Tasker escreve:
Se a volta do Senhor parece muito distante, ou se a relegamos a um futuro tão remoto que tão exerce nenhum efeito sobre a nossa perspectiva ou nossa maneira de viver, fica claro que deixou de ser para nós uma esperança viva. É possível que tenhamos permitido que a doutrina da sua volta em glória para julgar os vivos e os mortos tenha sido abafada pelo ceticismo ou se transformado em algo diferente, talvez como a transformação gradual da sociedade humana por valores cristãos, que parou de exercer qualquer tipo de influência em nossas vidas. Na medida em que permitimos que isso aconteça, cessamos de ser cristãos do Novo Testamento.

A PRESSÃO NOS INDUZ À IMPACIÊNCIA, 5.9
O foco aqui muda da paciência com os pecadores fora da igreja para a paciência um com o outro dentro da Igreja. Alguém escreveu o seguinte:
Caminhar em amor com os santos de cima
Será uma maravilhosa glória;

Mas, caminhar com os santos aqui em baixo,Bem, isso já é uma outra história!

Em tempos de dificuldades, a paciência é provada e somos tentados a nos queixar (v. 9; lit., gemer, ou seja, reclamar ou resmungar) uns contra os outros. Tiago adverte os cristãos a não apontarem para erros de outra pessoa, para que não sejais condenados. A proximidade da vinda de Cristo serve como advertência contra o fracasso do cristão bem como para a consolidação da sua contância. Além do mais, o juiz está à porta. O retorno de Cristo está próximo; Ele será o Juiz de todos os homens; portanto, não devemos assumir o papel de julgar os outros, quer fora quer dentro da Igreja (cf. Mt 7.1-5).

EXEMPLOS DE PACIÊNCIA, 5.10,11
Exemplos de piedade e devoção sempre servem de encorajamento para o cristão. Tiago provavelmente tinha as palavras de Jesus em mente: “bem-aventurados sois vós quando vos [...] perseguirem [...] por minha causa. Exultai [...] porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.11-12). É por isso que ele diz: Eis que temos por bem-aventurados (v. 11, “Eis que temos por felizes”, ARA).

“Nós, semelhantemente a Jesus, pronunciamos uma bem-aventurança aos profetas que foram homens tão pacientes”. Tiago nos lembra do nosso privilégio bem como do nosso sofrimento. Se sofremos por Deus, estamos em boa companhia. Por que os profetas, em vez de Jesus (cf. 1 Pe 2.21), foram escolhidos por Tiago como exemplos de paciência? Mayor considera diversas possibilidades, entre elas que “Tiago deseja que eles vejam Jesus como o Senhor da glória em vez de o padrão de sofrimento”.

Dos profetas que sofriam com paciência e que falaram em nome do Senhor (v. 10), Tiago volta-se agora para um homem que tem sido conhecido como “o maior exemplo” de paciência. Essa é a única referência a Jó no Novo Testamento, embora Tiago entenda que seus leitores estejam familiarizados com a história de Jó:
Ouvistes qual foi a paciência de Jó (v. 11). A paciência dos profetas era uma atitude de longanimidade em relação aos seus compatriotas que os perseguiam. A palavra usada para descrever a paciência de Já (hypomene) significa persistência ou tolerância’ Á paciência singular de Jó podia ser reconhecida na sua determinação em suportar quaisquer que fossem os infortúnios, sem perder sua fé em Deus. A frase o fim que o Senhor significa “o alvo do Senhor”. O apóstolo sabia que o propósito final de Deus sempre é bênção para o homem que suporta com paciência a aflição. Provavelmente, citando dos Salmos, ele conclui: “porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (v. 11, ARA; cf SI 103.8; também Ex 34.6).

O JURAMENTO É PROIBIDO, 5.12
Superficialmente, a admoestação desse versículo não parece estar relacionada com o contexto. Há, no entanto, uma conexão com o pensamento do versículo 9. Debaixo da pressão das circunstâncias, há uma tendência de se falar explosivamente e se usar o nome de Deus em vão com juramentos precipitados e irreverentes. Talvez seja com relação ao versículo 9 que Tiago diz: Mas, sobretudo — i.e., acima todas as formas desprotegidas do falar emocional e queixoso — não jureis. Nesse mandamento o autor está parafraseando as palavras de Jesus (Mt 5.34-37; veja CBB, vol VI).

Nem Tiago nem Jesus tinham a intenção de proibir o juramento sério ou oficial ordenado nas Escrituras (cf. Dt 6.13; 10.20; Is 65.16; Jr 4.2; 12.16). Ambos estavam preocupados com o uso irreverente do nome de Deus e advertiam contra o falar desonesto que requeria um juramento para apoiar cada afirmação. O caminho para evitar ofensa desse tipo é fazer uso de uma linguagem simples e sincera — que a vossa palavra seja sim, sim e não, não.

UNÇÃO DE ENFERMOS E COMO DEUS OUVIU A ELIAS
1. Chamar os presbíteros da igreja (v.14). “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja...” Por que os presbíteros? Como os presbíteros ou bispos do tempo do apóstolo, os pastores e obreiros de hoje, devem ser chamados a orar pelos enfermos e ungi-los com azeite, pois para fazer jus a esses nomes, são crentes idôneos e dedicados à oração.

2. Receber a oração da fé. “E orem sobre ele...”(v.14). Os familiares ou irmãos em Cristo, devem chamar os presbíteros e estes oram sobre o enfermo. Aqui, sem dúvida, cabe a prática da imposição das mãos (Mc l6.18b), como gesto ou sinal de fé, através de mãos abençoadas por Deus, que transmitem virtude. Não é errado recorrer aos médicos (Mt 9.12). Contudo, é fundamental buscar primeiro a oração da fé, no nome do Senhor.

3. Receber a unção em nome do Senhor. “Ungindo-o com azeite em nome do Senhor” (v.14c). A unção é prática adotada pelos seguidores de Jesus. Os discípulos a utilizavam (Mc 6.13). “O azeite, sem dúvida, simboliza o Espírito Santo e Seu poder sanador: a unção com azeite estimula a fé” (Bíblia de Estudo Pentecostal).

Duas crianças, cuja mãe estava muito doente, foram a uma cruzada evangelística. Lá, viram o pregador ungir com azeite. De volta à sua casa, tomaram azeite de cozinha, ungiram a mãe e ela se levantou curada. Temos visto muitas pessoas curadas através desse ato de fé.

4. “A oração da fé salvará o doente” (v.15a). Tiago falava para pessoas crentes, salvas em Jesus. Salvação, nesse versículo, refere- se à cura propriamente dita. “. . . e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (v.15b). Aí, vemos a cura da enfermidade física, e, no caso de ter havido pecados, o doente seria perdoado, sem dúvida após sua confissão. “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros para que sareis” (v. 16). Fechando o texto sobre a oração da fé, Tiago diz que “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (v.16b) e toma o exemplo de Elias, que, orando, mudou o clima, fazendo vir a seca e, depois, chuva (vv.17,18). Lembremo-nos de que o Deus de Elias é o nosso Deus!

RECOMENDAÇÕES QUANTO À ORAÇÃO
Tiago começa e termina a sua epístola tratando sobre oração. Ele tinha consciência de que a oração exerce um papel de inestimável valor na vida individual do cristão, bem como na vida da Igreja como um todo. Quanto a isto, Tiago diz que:
1. Devemos orar quando aflitos (v.13). Em aflição, Davi orou ao Senhor muitas vezes. Ele orou dizendo: “Olha para a minha aflição, e livra-me...” (Sl 119.153).
Pela última vez no Getsêmani, em aflição e em agonia profunda, Jesus orava intensamente, “e o seu suor tornou-se grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” (Lc 22.44).  Deus tem os seus ouvidos atentos às orações resultantes da fé e aflição dos Seus filhos queridos.

2. Devemos orar pelos enfermos (v.14). Tiago recomenda que os doentes da Igreja chamem os presbíteros para que orem sobre eles, ungindo-os com óleo em nome do Senhor para que sejam sarados. Aqui, nem de leve, sugere ungir com óleo a roupa do doente para que ele seja curado, a carteira profissional de um desempregado que busca emprego, e nem mesmo fotos de pessoas problemáticas, para que alcancem vitória. Também não é qualquer pessoa que pode ministrar a cura através do azeite.  A unção com óleo tem que ser sobre o doente, e só os ministros da Igreja deverão administrá-la.



3. Devemos confessar as nossas culpas uns aos outros (v.16). Não apenas confessar as nossas culpas uns aos outros, devemos orar uns pelos outros também, “para que sareis”, numa evidente alusão tanto à cura física quanto à restauração espiritual decorrente da confissão. Os membros das nossas igrejas no Brasil precisam aprender mais e melhor o ensino bíblico concernente à confissão. Eles têm que aprender que “o que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pv 28.13).  O pecado na vida do crente tem sido uma constante causa de enfermidades, e a não confissão do pecado tem sido a causa de muitos crentes não serem curados.

4. Há grande eficácia na oração (vv.16-18). Após dizer que a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (v.16), Tiago nos dá o exemplo de Elias, “homem sujeito às mesmas paixões que nós”, que orou pedindo que não chovesse, e não choveu, e depois orou para que chovesse, e choveu torrencialmente. O ensino básico de Tiago, é que o Céu e todas as riquezas espirituais estão à mercê do crente que ora. Quando oramos, consentimos com Deus naquilo que, por fé, sabemos que Ele está determinado a fazer. Deste modo, orar com eficácia é consentir com Deus nas Suas realizações.

CONVERTENDO O DESVIADO
1. A situação do desviado. A situação de um crente desviado é a pior possível. Já conhecendo a verdade, sua culpa é maior. Às vezes, o Diabo toma conta da vida de tal pessoa, sendo “os últimos atos desse homem piores do que os primeiros” (Mt 12. 45b).

O Diabo faz de tudo para que o desviado fique sem condições de voltar para a igreja. É por isso que alguém diz que a “Igreja dos desviados” é maior que a Igreja dos que permanecem nos caminhos do Senhor.

2. Salvando uma alma da morte. Tiago diz que se alguém converter um que se desviou da verdade (v.19), “salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados” (v.20). É tarefa difícil lidar com pessoas que abandonam a igreja. Geralmente, ficam cheias de mágoas e ressentimento. É importante que, nas igrejas, haja alguém que se dedique ao ministério de ir em busca dos feridos de alma, caídos à beira do caminho.

RESTAURANDO O APÓSTATA, 5. 19,20
Tiago abre a sua exortação conclusiva como havia aberto a sua primeira: Irmãos (v. 19); é a última vez que ele usou o seu apelo amoroso em sua carta. Três linhas de pensamentos ligam esses versículos à passagem anterior. 1) Há uma continuidade do tema de pecado e confissão nos versículos 15,16. 2) Lidar com um doente penitente era somente um método de evangelização, porque nem todos os pecados levam à enfermidade física. 3) Embora não esteja explícito, podemos supor que Tiago compreendia que esse ministério de restauração era realizado com a mesma “oração fervorosa” que havia acabado de escrever.

A epístola apresenta diversas advertências sérias e reprovações fortes, mas é evidente aqui como em outras partes, que o alvo maior do autor é corrigir aqueles que estão em perigo. Para Tiago, um irmão em perigo é um irmão a ser recuperado. Por meio da palavra Saiba (v. 20) ele deixa claro a cada cristão a importância dessa tarefa e a extensão das suas conseqüências. Se urna pessoa se tem desviado da verdade (v. 19) significa que ela se afastou da fé em Cristo e da obediência a Ele. Outras passagens que comparam a verdade com a fé salvadora são as seguintes: João 1.17 e Romanos 1.18. A cláusula alguém o converter é melhor traduzida por: “alguém o trouxer de volta” (NVI).

Os termos alguém (v. 19) e aquele (v. 20) deixam claro que esse ministério da evangelização pessoal amorosa é dever e privilégio de todos os cristãos, não apenas para “os presbíteros da igreja”. Quando Tiago fala de algum de entre vós (v. 19) e um pecador (v. 20), ele nos faz lembrar da preocupação do nosso Senhor com uma ovelha perdida e o filho pródigo. Em todo o seu ensinamento social, Tiago não perde de vista o supremo valor da alma individual. Quando ajudamos um cristão desviado a voltar ao caminho reto, da mesma maneira em que levamos uma pessoa a Cristo, salvamos da morte urna alma — da morte espiritual nesta vida e da morte eterna futura (cf. Jo 5.24).

As últimas palavras da epístola: e cobrirá uma multidão de pecados, são tiradas de Provérbios 10.12, como ocorre em 1 Pedro 4.8. De quem são esses pendes ocultos? As aplicações nesses dois textos dão a dica do significado aqui. Em Provérbios, pecados cobertos são conseqüências sociais. Da mesma forma em que o ódio incita à contenda, assim o amor cobre, ou impede, esses resultados perversos.

Pedro estimula a caridade (amor) porque o amor cobre ou previne pecados da ira e retaliação em outra pessoa. Nas duas situações, a ação do homem justo é colocada em uma relação direta com os pecados da outra pessoa envolvida. Dessa forma, entendemos aqui que são os pecados do transgressor e os males sociais que resultam dos seus pecados que são tratados. O Novo Testamento ensina de forma clara que nenhum homem é salvo pelas “obras de justiça” — nem pela obra graciosa de trazer de volta a Cristo o desviado. Nossos pecados são cobertos somente pela k em nosso Senhor Jesus Cristo. Mas há graça para nós e para o desviado. Charles Wesley escreveu:
Graça abundante há em ti
Graça para cobrir todo o meu pecado.
Que as correntes curadoras afluam;
Tornem-me e mantenham-me puro por dentro.

A carta termina sem uma saudação de despedida. Moffatt comenta que ela termina “repentinamente, mas não inapropriadamente”. A nota conclusiva de Tiago é uma ênfase culminante na tarefa de evangelização do Novo Testamento. “Nenhum dever do cristão está mais em conformidade com a mente do Senhor ou expressa melhor o amor cristão, do que o dever de ajudar o desviado a voltar ao caminho reto. Doremus Hayes diz o seguinte acerca dessa epístola: “Todo aquele que se delonga na teoria e é limitado na prática, precisa mergulhar no espírito de Tiago; e visto que há esse tipo de pessoas em cada comunidade e em cada geração, a mensagem dessa epístola nunca se tornará obsoleta”.

CONCLUSÃO
Diante das aflições, precisamos ter atitude correta. Em lugar de murmuração, devemos recorrer à oração. Graças a Deus, que, pela vida espiritual abundante, Jesus nos concede, alegria plena diante da qual devemos cantar louvores ao Seu nome. Os doentes têm a oração da fé a seu dispor, corroborada pela unção com óleo, feita em nome do Senhor. Que Deus nos ajude a viver de acordo com a Palavra em qualquer circunstância.

SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR

INTRODUÇÃO
Nesta última lição deste trimestre, analisaremos diversos conselhos práticos para a vida cristã ensinados por Tiago, tais como: a importância de se esperar em Deus com paciência, tendo como exemplo a figura agricultor e do patriarca Jó; o apóstolo exorta que utilizemos o eficaz recurso da oração nas aflições, enfermidades e confissão de pecados. E, por fim, exorta-nos a resgatarmos os irmãos que se desviaram fazendo-os regressarem a comunhão perdida.

I - O AGRICULTOR: UM EXEMPLO DE ESPERANÇA, PACIÊNCIA E PERSEVERANÇA
“Tiago agora passa a aconselhar o pobre oprimido. Suas instruções são no sentido do pobre suportar com paciência sua situação econômica e social à vista da iminente volta, do Senhor. Como exemplo de alguém que deve exercitar a paciência, Tiago cita o caso do lavrador que espera “o precioso fruto da terra”. Na Palestina, as primeiras chuvas (outubro/novembro) vinha depois da semeadura e as últimas chuvas (abril/maio) quando os campos já estavam amadurecendo. Ambas eram de suma importância para o sucesso da colheita. Do mesmo modo o cristão, diz Tiago, não deve perder a paciência diante das adversidades, mas deve estabelecer firmemente o seu coração à vista do fato de que “a vinda do Senhor está próxima” (MOODY, sd, p. 24 - acréscimo nosso).
CARACTERÍSTICAS DO AGRICULTORDEFINIÇÃO E REFERÊNCIAS
a) Esperança. “Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra” (Tg 5.7-a).No grego “elpis” que quer dizer “expectativa favorável e confiante”. Tem a ver com o que não se vê e o futuro (Rm 8.24,25).
b) Paciência“aguardando-o com paciência” (Tg 5.7-b).No grego “hupomone”, que significa literalmente“permanência em baixo de”. A paciência que só se desenvolve nas provas (Tg 1.3).
c) Perseverança“até que receba a chuva temporã e serôdia” (Tg 5.7-c).No grego “proskarteresis” que significa“constância”“paciência”. A forma verbal desta palavra significa “aderir”“persistir”“ocupar-se em”“passar muito tempo em” (Ef 6.18).

II - TIAGO EXORTA QUANTO A PACIÊNCIA, PRUDÊNCIA E A ORAÇÃO
2.1 Exortação a paciência tendo como modelo o patriarca Jó (Tg 5.10,11).Além dos lavradores, também, os profetas são citados como exemplos de “sofrimento e paciência”. Jó era tradicionalmente considerado um profeta, e aqui foi explicitamente citado como um exemplo de perseverança. Este é o único lugar do NT, onde Jó foi mencionado. O ponto principal da ilustração de Jó é que a paciente perseverança mantém-se sobre a convicção de que as dificuldades não são sem significado, mas que Deus tem alguma finalidade e propósito nelas, o que Ele há de realizar” (MOODY, sd, p. 24). A Bíblia ensina que a tribulação produz paciência (Rm 5.3; Tg 1.3).

2.2 Exortação quanto aos juramentos tendo como base o ensinamento de Cristo (Tg 5.12). “Uma vez mais, Tiago menciona as palavras de Jesus em seu ensino doutrinário (Mt 5.33-37). O irmão de Jesus e pastor da Igreja em Jerusalém não está condenando os juramentos solenes, pois eram uma antiga prática judaica, legalmente válida, quando se precisava atestar uma palavra empenhada (Êx 22.11). Assim como foi instado a fazer Jesus perante Caifás (Mt 26.63,64), e Paulo, ao expressar seu zelo para com a Igreja (Rm 1.9; 9.1). Tiago está condenando o uso leviano do santo nome de Deus ou de qualquer pessoa ou objeto sagrado para garantir a verdade do que se diz. Os cristãos devem ser conhecidos como pessoas cujas palavras são absolutamente dignas de crédito, sem nem mesmo a necessidade de juramentos” (JAMES, 2007, p. 09).

2.3 Exortação quanto a prática da oração tendo como exemplo o profeta Elias (Tg 5.13-18). Para exemplificar o poder da oração, Tiago cita o profeta Elias, que sendo um homem com as mesmas limitações que temos, orou ao Senhor para que não chovesse e não choveu; em seguida orou para que chovesse e assim foi (I Rs 17.1; 18.1). Segundo Tiago, a oração de um justo realiza muitas coisas (Tg 5.16-b), entre as quais podemos citar: (1) leva-o mais perto de Deus (Hb 7.25); (2) abre caminho para uma vida cheia do Espírito Santo (Lc 11.13; At 1.14); (3) dá-lhe poder para servir e para a devoção cristã (At 1.8; 4.31,33; Ef 3.14-21); (4) edifica-o espiritualmente (Jd 20); (5) dá-lhe compreensão da provisão de Cristo por nós (Ef 1.18,19); (6) ajuda-o a vencer a Satanás (Dn 10.12,13; Ef 6.12,18); (7) esclarece a vontade de Deus para ele (Sl 32.6-8; Pv 3.5,6 Mc 1.35-39); (8) capacita-o a receber dons espirituais (I Co 14.1); (9) leva-o a comunhão com Deus (Mt 6.9; Jo 7.37; 14.16,18,21) e, (10) outorga-lhe graça, misericórdia e paz (Fp 4.6,7; Hb 4.16).

III - CONSELHOS DE TIAGO PARA QUEM SOFRE, PARA QUEM ESTÁ ENFERMO E EM PECADO
Em sua epístola, Tiago deu o devido valor a prática da oração mencionando-a várias vezes (Tg 1.5,6; 4.2,3; 5.13-18). A Bíblia ensina o cristão a orar em todo tempo (I Ts 5.17). Todavia, o apóstolo elenca alguns momentos e circunstâncias na vida onde devemos buscar o socorro de Deus em oração:
3.1 Oração na aflição (Tg 5.13). Essa palavra do apóstolo visa descrever aqueles que sofrem por qualquer tribulação, aperto, necessidade, privação ou enfermidade. Diante de qualquer circunstância difícil diz Tiago “ore”. Temos diversos exemplos de pessoas que recorreram a Deus em momentos de aflição e foram por Ele aliviados (2 Cr 32.12,13; Sl 18.6; Lc 22.44; 2 Co 12.7-10). Mas, por quais razões devemos orar na aflição? (1ª)Porque a oração é um ato de fé que pode solucionar problemas e trazer alegria (Gn 25.21; I Sm 1.10-18); (2ª) porque a oração pode ajudar o crente a mostra-se capaz de suportar suas tribulações (II Co 12.8,9; Ef 6.18); (3ª) porque a oração pode distrair a mente do salvo em suas tribulações (Fp 4.6,7; I Pe 5.7); e, (4ª) porque a oração é um exercício espiritual que melhora a qualidade espiritual da alma, ainda que o homem mortal continue a padecer sob circunstâncias adversas (Lc 22.44; At 7.60).

3.2 Oração quando se está enfermo (Tg 5.14,15). Certamente o texto em foco refere-se aos doentes no corpo físico. A recomendação do apóstolo para aqueles que encontram-se nessa condição é de recorrerem ao presbítero a fim de pedir oração, crendo que sua saúde pode ser restaurada. Isto não é uma sugestão de que Deus sempre atende a oração do crente com um sim. Toda oração, inclusive a oração pela cura, fica sujeita à vontade de Deus (II Co 12.8,9; I Jo 5.14). Deve-se destacar também que a prática de ungir a cabeça do enfermo, não indica que o óleo possui poder curador. Embora na cultura judaica o azeite de oliveira era considerado com propriedades medicinais (Lc 10.34). A ideia original é que esse óleo fosse usado como um sinal visível e tangível do poder de Deus representando a unção do Espírito Santo. Biblicamente, o que pode proporcionar cura é o nome do Senhor conforme o próprio Jesus e os seus santos apóstolos ensinaram (Mc 16.17,18; At 3.6,7; Tg 5.14,15).

3.3 Confissão de pecados contra Deus e contra o próximo (Tg 5.15-16). A origem das enfermidades está no pecado original, nem sempre num pecado pessoal (Gn 3.17-19; Jo 9.1-3). Todavia, existem casos também onde a pessoa encontra-se enferma por causa de uma transgressão cometida (Sl 32.3,4; II Cr 26.19; Jo 5.14). Por isso, Tiago diz: “e, se houver cometido pecados” lançando luz sobre esta verdade. Em caso de pecado que fira a santidade da igreja, o transgressor confessa a Deus e pede orientação ao pastor e/ou presbítero para que se necessário for, seja aplicada a disciplina pela igreja, dependendo da gravidade do pecado (Tg 5.15; I Co 5;6). No segundo caso, se o pecado está no campo dos relacionamentos interpessoais, o apóstolo recomenda “confessar as suas culpas uns aos outros”. Isso visa o encorajamento mútuo, como também a busca da reconciliação e perdão dos irmãos entre si.

IV - A PERSPECTIVA DE TIAGO EM RELAÇÃO AOS IRMÃOS DESVIADOS
4.1 A possibilidade do abandono da fé (Tg 5.19). A expressão “se algum dentre vós se tem desviado” indica claramente a possibilidade do crente se afastar da verdade que abraçou. “A palavra “se desviar” usada por Tiago no grego é “planao”, que quer dizer “desviar-se” ou “fazer desviar-se”em seu uso moral significa o desvio da fé para o pecado, da verdade para o erro” (CHAMPLIN, 2005, p. 84). O apóstolo possivelmente está fazendo alusão aos judeus cristãos que sofriam perseguições por parte dos judeus patrícios por haverem deixado o judaísmo e aceitado Jesus como Messias (I Ts 2.14; At 8.1,3; 12-1-3; 17.1-8; Hb 10.33,34). Nas Escrituras encontramos alguns exemplos dessa triste realidade. Os cristãos da Galácia estavam à beira de se desviar de que a justificação diante de Deus é pela fé, sem as obras da lei (Gl 3.1; 4.8-10; 5.7). Há casos individuais como Himeneu e Alexandre (I Tm 2.20; II Tm 4.14) e Demas (II Tm 4.10). A exortação a perseverar na fé indica claramente que a ideia de uma vez salvo, salvo para sempre é enganosa e extremamente nociva (Jo 8.31; 15.1-6; At 11.23; 13.43; 14.22; I Ts 3.2-5; Ap 2.25).

4.2 A possibilidade do regresso a fé (Tg 5.19,20). Assim como existe a possibilidade do crente desviar-se da verdade, Tiago diz que ele também pode ser reconduzido (Tg 5.19). A expressão “converter” literalmente é “fazer que a pessoa se volte completamente”. Trata-se de uma reviravolta completa que as Escrituras usualmente retratam como “arrependimento” (Is 6.10; Ez 33.11; At 3.19; 9.35; 2 Co 3.16). “O cristão, que se desvia do Caminho, mas que é reintegrado, tem todos os seus pecados absolvidos pelo poder do sangue remidor de Cristo, além de produzir grande júbilo espiritual em seus irmãos na Igreja, e a manutenção do bom testemunho dos cristãos perante o mundo (Hb 6.4-8; 2 Pe 2.20-21; 1Co 11.30; 1Jo 5.16)” (JAMES, 2007, p. 10).

CONCLUSÃO
Os conselhos do apóstolo Tiago são extremamente necessários para a saúde espiritual da igreja em todo tempo. Paciência, oração, confissão de pecados e amor ao próximo são atitudes que revelam o verdadeiro cristianismo.

Próxima Revista Lições Bíblicas para mesesw 10, 11 e 12/2014

Nenhum comentário:

Postar um comentário