02 outubro 2014

LIÇÃO 01 - 05/10/14 - "DANIEL NOSSO CONTEMPORANEO"



 

TEXTO ÁUREO:
 “Quando pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda)”(Mt 24.15).

VERDADE PRÁTICA: 
Daniel é um exemplo de perseverança na fidelidade a Deus e de integridade moral, estimulando-nos a confiar no projeto divino.

LEITURA BIBLICA:

 Daniel 1: 1,2; 7: 1; 12:4

Introdução

O livro de Daniel é conhecido como "O Apocalipse do Antigo Testamento". A palavra apocalipse significa um desvendamento, uma manifestação de coisas ocultas, uma revelação de mistérios divinos.

O livro de Daniel e o livro de Apocalipse têm muito em comum, embora em certos aspectos importantes eles sejam diferentes. As crises dramáticas, o choque de forças em uma escala cósmica e a ênfase acerca do fim dos tempos aparecem nos dois livros. Muitas das imagens simbólicas de Daniel estão refletidas no livro de Apocalipse. Os animais com chifres em Daniel, representando poderes terrenos, encontram seu correlativo nos animais do Apocalipse. Nos dois livros encontramos uma visão do Glorioso cuja presença impressiona o espectador. Em ambos os livros lemos a respeito de tronos e do trono em que está assentado o ancião de dias. Ambos retratam o clímax da história, quando os reinos dos homens se submetem ao reino triunfante e eterno de Deus.

Daniel e Apocalipse não são os únicos a tratar de aspectos apocalípticos. Uma série de outros livros, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, contém seções conhecidas como apocalípticas. Isaías 24-27 tem sido chamado de "Apocalipse de Isaías". Zacarias contém elementos apocalípticos distintos, como as visões dos símbolos místicos de cavalos e carruagens, de castiçais e de pergaminhos que voam. A prefiguração do Messias, como Sacerdote e Rei, é deduzida dos dois "ungidos", Josué e Zorobabel. E o julgamento final das nações descrito em Zacarias 14 é mais claramente apocalíptico.

No Novo Testamento, cada um dos três Evangelhos Sinóticos contém seções apocalípticas. Essas são encontradas em Mateus 24.1-25.46, Marcos 13.1-37 e Lucas 21.5-36. A seção em Marcos tem sido chamada "O Pequeno Apocalipse". Um apocalipse paulino é encontrado em 2 Tessalonicenses 1.7-2.12. Cada uma dessas seções claramente reflete elementos encontrados no livro de Daniel.

A literatura apocalíptica tem uma série de características distintas, ilustradas no livro de Daniel. Em primeiro lugar, existe o elemento de mistério manifestado por meio de visões e símbolos singulares. Também há o elemento da revelação. O aspecto apocalíptico está relacionado primariamente com o futuro e com a consumação do plano de Deus. Diferentemente da função da profecia, que proclama a palavra de Deus mais imediata dentro do contexto histórico, o apocalipse ultrapassa a história. Ele descreve acontecimentos do fim dos tempos por meio de cataclismos e julgamentos. O apocalipse revela o propósito final de Deus que se cumpre por meio de uma manifestação divina que rompe a ordem histórica. Mais importante de tudo, o elemento messiânico aparece claramente no apocalipse.
O livro de Daniel tornou-se durante o período intertestamentário, e por mais de um século na era cristã, um modelo e estímulo para um impressionante número de escritos apocalípticos. Nenhum desses escritos foi aceito no cânon das Escrituras, porque deixam de apresentar as marcas essenciais de inspiração que Daniel possui. Mas esses escritos revelam o anelo e a esperança do povo de Deus em tempos de intensa provação.

Lugar no Cânon
O lugar de Daniel nas Escrituras do Antigo Testamento nunca foi seriamente contestado. Entre os judeus, bem como entre os cristãos ao longo dos séculos, esse livro tem lido altamente estimado. Ele contém as marcas da inspiração divina e as qualidades superiores requeridas dos escritos reconhecidos como Escrituras. Esse livro traz a mensagem de Deus e claramente apresenta a revelação de Deus sobre a vida e a história. Ele traz inculcada a qualidade do eterno e do imutável.

Na Bíblia Hebraica, Daniel não aparece entre os Profetas (Nebhiim), mas entre os Escritos (Kethubhiim). Alguns têm se queixado de que isso foi feito para diminuir a autoridade de Daniel devido ao testemunho claro que o livro dá acerca do Messias. Mas esse motivo não parece plausível em vista do lugar de autoridade que o livro recebe no cânon sagrado. Se, de fato, havia o intento sério de diminuir a autoridade de Daniel, ele teria ficado fora do cânon. Pusey explica que Daniel, na verdade, não era técnica nem profissionalmente um profeta, mas um estadista. Ele não possuía o ofício profético. Por isso ele não constava entre os profetas nas Escrituras hebraicas.  Mas Daniel cumpriu a função profética. Por isso, seu livro está no cânon das Escrituras Sagradas e sua mensagem é reconhecida nas próprias Escrituras como profecia. Young segue uma linha de raciocínio parecida, respeitando a posição de Daniel nas Escrituras hebraicas.

Autoria
Ao longo dos séculos, tanto entre os judeus quanto entre os cristãos, o livro tem sido tradicionalmente atribuído a Daniel. Em diversas seções importantes o texto é atribuído diretamente a Daniel. A primeira pessoa do singular: "Eu, Daniel", é usada repetidas vezes. O capítulo 7 começa da seguinte forma: "teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça; escreveu logo o sonho e relatou a suma das coisas" (Dn 7.1).

Mas nos últimos cento e cinqüenta anos a autoria do livro de Daniel tem se tornado um grande campo de batalha. Tornou-se um hábito atribuir o livro a um autor desconhecido que viveu na época de Antíoco Epifânio, 175-169 a.C. De acordo com essa posição supõe-se que o livro de Daniel é uma alegoria escrita parcialmente em códigos para encorajar e inspirar os judeus que estavam sofrendo debaixo da tirania e perseguições de Antíoco. As histórias do livro, portanto, não deveriam ser entendidas de forma literal, mas simbolicamente.

O livro, portanto, deveria figurar na categoria de pseudepígrafes (escritos posteriores que adotavam nomes de grandes homens do passado), devido a algumas semelhanças com essa categoria.

Para aqueles que entendem existir uma inspiração divina e, portanto, sobrenatural, não há motivo justificável para rejeitar a fé cristã tradicional acerca da integridade do livro de Daniel. Procurar possíveis motivos para uma outra autoria do livro que leva o seu nome é injustificável. Se levarmos em conta todos os questionamentos que foram levantados contra a sua autoria, concluímos que é necessário mais do que credulidade. É necessário fé. Essa fé busca aquietar-se e ouvir o que Deus tem a nos dizer em nossos dias acerca do firme propósito que Ele estabeleceu para o presente e nas eras futuras.

Daniel não está sozinho e indefeso na Bíblia. Sem dúvida, a referência mais impressionante e de maior autoridade é sobre Daniel 9.27. Jesus faz referência a esse texto na sua mensagem apocalíptica: "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel..." (Mt 24.15; também cf. Mc 13.14). Jesus parece claramente dar o seu endosso para a legitimidade de Daniel como profeta e para a veracidade da sua mensagem.
Referências relacionadas por dedução à profecia de Daniel são também bastante numerosas nos ensinamentos de Jesus, particularmente em seu uso da expressão "Filho do homem". Em Mateus 24.30, lemos: "verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória".

Essas palavras parecem ecoar o que lemos em Daniel 7.13-14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem [...] E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino" (cf. Mt 16.27-28).

Quando Paulo escreve sobre o "homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora" (2 Ts 2.3-4), ele está se referindo claramente a Daniel11.36: "e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis".

Referências de Daniel refletidas no livro de Apocalipse são suficientemente numerosas para justificar a inferência de que a autoridade desse livro do Novo Testamento sustenta a integridade do seu correlato do Antigo Testamento.
É interessante notar que os integrantes da comunidade de Qumrã, que produziram os manuscritos bíblicos mais antigos conhecidos atualmente, tinham um interesse especial pelo livro de Daniel. Com base nos fragmentos recuperados das suas cavernas fica claro que possuíam inúmeras cópias desse livro. Devido aos tempos turbulentos em que viviam logo após o reinado de Antíoco até a destruição de Jerusalém em 71 d.C., eles tinham um profundo interesse na esperança apocalíptica.

O Ambiente Histórico
O próprio livro de Daniel descreve de maneira precisa o ambiente histórico e a época quando foi escrito. O cerco e a invasão que levou Daniel e seus companheiros príncipes ao exílio ocorreu no terceiro ano de Joaquim. Isso aconteceu nos primeiros dias da ascensão do império babilônico. Nabopolassar tinha se livrado do jugo da Assíria e, junto com seu filho, Nabucodonosor, estava subjugando todos os países do Oriente Próximo, além do Egito. Judá também caiu debaixo do poder da Babilônia. Desde 606 a.C., o ano do exílio de Daniel, até 536 a.C., o ano da queda da Babilônia diante de Ciro, da Pérsia, o reino babilônico ascendeu e entrou em decadência. Grande parte desse período foi ocupada pelo reinado do poderoso Nabucodonosor (606 até 561 a.C.). Nesse período, e no início do período persa, Daniel viveu e serviu. É provável que ele tenha ultrapassado a idade de noventa anos.  

O período da vida e de serviço de Daniel coincidiu com uma época de muita turbulência internacional. A Assíria, que havia assolado as terras do Oriente Médio durante séculos, foi banida para sempre pelas forças conjuntas dos seus antigos súditos, os babilônios, os medos e os citas. O Egito, que por mil anos havia procurado controlar não somente a África, mas as terras do Mediterrâneo oriental foi reduzido à sujeição.

A Babilônia ascendeu de forma meteórica. Sob o comando de Nabucodonosor, um líder militar, organizador político e construtor cívico, a terra dos caldeus assumiu uma posição de poder, prosperidade e liderança mundial muito além do que se tinha conhecido até então.

Mas, enquanto os antigos impérios estavam desaparecendo e um novo império escrevia sua breve, mas brilhante história, o próprio povo de Daniel, o povo da promessa, estava passando por uma noite escura de provação. Exilados e longe da terra da promessa, servos em uma terra pagã, eles penduravam suas harpas nos salgueiros e aguardavam pelo romper do dia.

Embora o livro de Daniel apresente uma perspectiva mundial em suas implicações e que alcança o fim dos tempos, seu foco principal está nas terras do Oriente Médio e do Mediterrâneo. O livro não menciona os reinos e civilizações que precederam a época de Daniel. Ele não tem nada a dizer acerca de civilizações e da ascensão e queda de dinastias do Extremo Oriente, da China e da Índia. Seu foco principal é a terra onde o drama da redenção deveria ser representado com seu evento-alvo, a vinda do Messias e a consumação do seu Reino.

Mensagem do Livro
O livro de Daniel é o desvendar de um mistério. E, se por um lado desvenda o mistério, por outro, o envolve em surpresa e admiração, deixando grande parte do mistério da revelação em aberto.

Daniel era um homem de extraordinária sabedoria e percepção. Vivendo no meio de grandes e repentinas mudanças mundiais, ele foi capaz de manter seu equilíbrio e sanidade, observando o que estava acontecendo com um olhar atento. Ele serviu a reis. Ele foi um valoroso conselheiro de governantes. Porém, mais importante de tudo, ele tinha um relacionamento íntimo com o Deus dos céus. Ele estava com os seus pés firmemente plantados na terra, entre os acontecimentos terrenos. Mas, a sua cabeça ficava numa atmosfera mais clara; ele vivia diante da realidade de coisas eternas.
 

Algumas verdades tornam-se claras na mensagem de Daniel, revelando o plano de Deus para a Terra e seus habitantes. Em primeiro lugar, poderes terrenos e circunstâncias são temporários. As tiranias mais poderosas ficam no poder durante um curto período. Em segundo lugar, Deus faz com que a ira do homem acabe se transformando em louvor a Ele e faz com que todo o resto seja impedido. Tanto Nabucodonosor, o déspota enfurecido, quanto Ciro, o soberano sábio e cordial, testificaram dessa verdade. Em terceiro lugar. Deus mantém as suas promessas para o seu povo; Ele não esquece. 

Em quarto lugar, Deus tem seu próprio tempo para realizar a sua obra. Ele nunca se adianta nem se atrasa. Em quinto lugar, os reinos desse mundo são designados para dar lugar ao reino do nosso Senhor e do seu Cristo. Em sexto lugar, embora Deus tenha uma visão eterna e cósmica, Ele tem um interesse amoroso em relação aos afazeres mais insignificantes de um indivíduo.

O livro de Daniel foi um livro para Daniel e para o atribulado povo remanescente Deus dos seus dias. Esse também é um livro para todas as gerações, designado para manter a história em perspectiva. O livro continua sendo relevante para os nossos dias. Certamente, estamos mais próximos do tempo da consumação do Reino de Deus do que qualquer povo que viveu antes de nós. Em dias de profunda escuridão e conflitos cruciais vamos extrair esperança e coragem da mensagem transmitida a Daniel.

A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL
O livro de Daniel é introduzido por um ambiente histórico claramente focado.
Interessantemente, essa breve seção está na língua hebraica, enquanto que a parte seguinte do livro (2.4-7.28) encontra-se na língua aramaica ou na língua dos caldeus Depois, a seção final do livro volta a ser em hebraico. Intérpretes têm diferido em relação aos motivos desse aspecto incomum. A explicação mais plausível para isso é que essa seção e a parte final do livro foram escritas na língua dos judeus, referindo-se especial mente ao povo de Deus no exílio. A parte escrita na língua dos caldeus refere-se às nações gentias, tendo a Babilônio como alvo imediato. As duas línguas eram comuns nos tempos  de Daniel e ambas eram entendidas pelo povo do exílio e dos séculos subseqüentes. O uso dessas duas línguas semelhantes ajudava a manter em relação estreita o ambiente histórico do livro e sua relevância ao povo a quem foi escrito.

O livro de Daniel registra: No ano terceiro do reinado de Joaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou (1; veja Quadro A). Isso seria menos do que três anos após Neco ter indicado Joaquim como rei. Os destinos políticos estavam mudando rapidamente.

Enquanto Nabopolassar era, na verdade, o monarca do novo reino da Babilônia seu vigoroso filho, Nabucodonosor, era seu herdeiro reconhecido e co-regente com ele Nabucodonosor acabara de ajuntar seu despojo e os reféns quando uma chamada emergencial veio da Babilônia. Seu pai havia falecido e ele precisava se apressar para ocupar o trono.  Dessa forma, Daniel e seus três companheiros, com outros jovens príncipes da corte de Judá, foram levados para uma terra estranha a 800 quilômetros de casa. E junto com eles vieram alguns tesouros sagrados da Casa de Deus (2) em Jerusalém para adornar o Templo de Bel na Babilônia. Sinar era a principal planície da Babilônia. 

Ambiente para Estudar o Livro
Daniel, o homem em si
1. O nome "Daniel" significa "Deus é meu juiz".
2. Daniel era um homem de fé profunda e persistente. Quando jovem, "resolveu..., firmemente, não contaminar-se" (1:8), mesmo quando nesse tempo ele estivesse desobedecendo uma ordem do rei sob o qual ele estava cativo. O princípio de obedecer a Deus acima do homem guiou-o através de toda a sua vida e foi exemplificado novamente quando era um velho, talvez perto dos noventa anos, quando ele foi lançado na cova dos leões por recusar uma ordem do rei (Daniel 6).
3. Daniel foi abençoado por Deus por causa desta fé. Ele serviu como estadista, conselheiro e profeta de Deus, aos reis da Babilônia e mais tarde aos reis dos medos e dos persas. Ele anunciou destemidamente aos reis ateus que Deus impera nos reinos dos homens.
4. Daniel era um contemporâneo tanto de Jeremias como de Ezequiel, ainda que nenhuma referência indique que estes homens tenham passado tempo juntos ou conferenciado um com o outro. Jeremias tinha provavelmente vinte anos a mais do que Ezequiel e Daniel, que tinham aproximadamente a mesma idade. 

Os três profetas fizeram sua obra em lugares diferentes:
a. Jeremias permaneceu em Jerusalém (626-586 a.C.)
b. Daniel viveu na cidade capital da Babilônia (605-534 a.C.)
c. Ezequiel estava na Babilônia com os exilados judeus (592-570 a.C.).
5. Nada sabemos sobre a vida pessoal de Daniel além do que é revelado no próprio livro. Em tempos anteriores, o termo "eunuco" era usado para se referir àqueles da nobreza em vez de ter nosso uso comum, portanto, se Daniel era casado ou não, é incerto.
A data da sua obra (605-534 a.C.)
1. Daniel estava entre os primeiros cativos levados de Jerusalém para a Babilônia em 605 a.C. e continuou lá durante o período de setenta anos durante os quais os israelitas estiveram em cativeiro (veja Daniel 1:1,21;10:1; Jeremias 25:11;29:10).

2. Datas importantes a lembrar:
a. 612 a.C. - Queda de Nínive, capital do império assírio.
A Assíria tinha dominado o mundo desde os dias de Tiglate-Pileser em 845 a.C. Nabopalasar subiu ao trono da Babilônia e se rebelou com sucesso contra os assírios em 625 a.C. Nabucodonosor, seu filho, foi o general que conduziu o exército babilônio contra Nínive, derrotando-o em 612 a.C.
b. 605 a.C. - A batalha de Carquêmis provou a supremacia babilônia.
Depois que a Assíria foi vencida, os egípcios se levantaram e o faraó Neco veio com seu exército lutar contra os babilônios em Carquêmis. De novo, Nabucodonosor provou sua astúcia vencendo duramente os egípcios e então perseguiu-os no caminho para o sul, através de Judá. Em Jerusalém, contudo, ele soube da morte de seu pai Nabopalasar. Retomou imediatamente à Babilônia para assumir o trono de seu pai, mas levou consigo alguns reféns dos judeus. Daniel e seus três amigos estavam entre os primeiros cativos levados. Não nos é dito quantos outros foram levados.
c. 597 a.C. - Uma segunda leva foi encaminhada para Babilônia, incluindo Ezequiel.

Joaquim (Jeconias, Conias) tinha sucedido ao reino de seu pai, Jeoaquim. Contudo, durou somente três meses antes que Nabucodonosor viesse para remover seu rei rebelado e 10.000 judeus, entre os quais estava Ezequiel (2 Reis 24:8-16; Ezequiel 1:1-3).
d. 586 a.C. - Jerusalém caiu e o templo foi destruído.
Zedequias tinha sido instalado como governador em Jerusalém, mas foi fraco e vacilante. Finalmente, onze anos depois, o exército babilônio devastou totalmente Jerusalém (2 Reis 25: 1-7). A maioria dos judeus que não foram mortos foram levados cativos para a Babilônia. Jeremias preferiu permanecer atrás com alguns poucos sobreviventes (Jeremias 40-44).
e. 536 a.C. - Babilônia cai, e a primeira leva retoma a Jerusalém.
Ciro, o rei persa, envia de volta a primeira leva para Jerusalém, guiada por Zorobabel (leia os livros de Esdras e Neemias). A fundação do templo foi lançada em 520 a.C. e completada em 516 a.C. (leia Ageu e Zacarias).
f. 457 a.C. - Uma segunda leva retoma com Esdras.
A nação é reorganizada e a palavra de Deus é lida.
g. 444 a.C. - uma terceira leva retoma com Neemias.
O muro é reconstruído em volta de Jerusalém.

Tema do Livro de Daniel: "O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens" ( DanieI 2:21; 4: 17,25,32,34-35; 5:21).

O livro trata do conflito entre o reino de Deus e os reinos do mundo. Naturalmente, por trás disto está o conflito entre Deus e as divindades pagãs. Deus prometeu estabelecer seu próprio reino e defender a causa de seus santos que o serviam naquele reino (Daniel 2:44;7:27). A verdade desta profecia é comprovada pelo fato que Deus é ainda conhecido em todo o mundo, mas todas as divindades pagãs dos dias de Daniel foram esquecidas.
Há Respostas para os Ataques contra sua Autenticidade?

As predições proféticas
1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o livro teria que ser escrito cerca de 165 a.C. porque, dizem eles, era impossível terem sido compostas tão minuciosas predições a respeito dos eventos vindouros. Daniel revelou a Nabucodonosor a história política envolvendo três impérios mundiais que sucederam ao império babilônio.
2. Resposta: A prova da inspiração gira em torno deste argumento central. Se Daniel escrevesse como um historiador ele não seria inspirado, mas a profecia cumprida é uma das provas mais fortes que os homens simplesmente não especularam; em vez disso, Deus revelou coisas antes que elas acontecessem ( Isaías 42:9; 44:7).
a. Daniel foi inspirado (2 Timóteo 3: 16; 2 Pedro 1 :21).
b. Ezequiel, um contemporâneo, referiu-se a ele três vezes (Ezequiel 14: 14,20; 28:3).
c. Jesus confirmou a veracidade de Daniel quando ele o declarou ser um profeta (Mateus 24:15).

Os milagres
1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que os milagres da fornalha ardente e da cova dos leões estão ao nível dos contos de fadas infantis.
2. Resposta: Teríamos que jogar fora toda a Bíblia se cada narrativa de milagre tiver que ser rejeitada. Os milagres são atos sobrenaturais (João 3:2).
Se eles tivessem que ser explicados pela lógica humana, nada sobre eles faria com que se honre e reverencie o Pai celestial (veja Juízes 7:2).

A linguagem
1. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o uso de três palavras gregas em Daniel 3:5 ("harpa", "saltério" e "cítara") prova que foi escrito num tempo posterior, no período grego.
Resposta: Estas palavras são nomes de instrumentos musicais e, como as palavras italianas "piano" e "viola", estes instrumentos levaram seus nomes originais para onde quer que fossem transportados.
2. Objeção: Os teólogos liberais alegam que o uso de quinze antigas palavras persas tais como "príncipes" (1:3) e "manjar do rei" (1:5) indicam uma data posterior.
Resposta: O uso destas palavras somente demonstra que a vida de Daniel tocou não somente a corte babilônia como também a persa.
3. Objeção: Os teólogos liberais alegam que dois autores escreveram o livro, baseados no fato que Daniel 2:4 - 7:28 está escrito em aramaico, enquanto o resto está em hebraico. (Eles afirmavam que era "aramaico tardio" até que os rolos do Mar Morto foram descobertos que continham partes de Daniel escritas em aramaico do 2° século que não era nada semelhante ao aramaico de Daniel, provando que era uma composição do 6° século).
Resposta: O aramaico era a língua oficial do império babilônio e se tornou língua internacional, como o inglês é hoje. As línguas semitas hebraica e aramaica têm qualidades semelhantes às das línguas românicas do francês e do italiano. Mas, assim como os franceses não entendem os italianos, os hebreus não entendiam o aramaico dos funcionários assírios e, mais tarde, dos babilônios. Durante o exílio, ocorreu uma mudança nos hábitos do falar dos judeus. Eles começaram a falar o aramaico, que finalmente afastou o hebraico e se tornou a língua falada e escrita da Palestina.
a. O fato que o livro de Daniel usa ambas as línguas não prova que é obra de dois autores diferentes, mas que o único autor usou dois estilos distintos (capítulos 1-6 e capítulos 7 -12). Se estas duas partes também tivessem sido separadas pelas duas línguas existiria  um caso mais forte. Contudo, O tanto o aramaico como o hebraico são encontrados em cada parte e, f) o aramaico se sobrepõe em ambas as partes, ligando-as. Portanto, estes fatos servem como uma forte confirmação de que um só autor seguiu um modelo consistente.
b. Não sabemos por que a língua muda nestes lugares a não ser que ambas as línguas fossem entendidas comum ente pelos judeus nos dias de Daniel.
Afirmações históricas
1. Objeção: Teólogos liberais têm contestado muitas afirmações como sendo historicamente inexatas.
2. Resposta: A maioria dos argumentos que são apresentados atualmente será discutida quando estudarmos o texto. Contudo, esteja certo de que o arqueólogo fez o máximo para silenciar esta objeção. Vezes e mais vezes os arqueólogos têm verificado a exatidão das afirmações de Daniel.
Conclusão
O exemplo de Daniel, um homem fiel da juventude à velhice, desafia e motiva cada um de nós na nossa busca da vida eterna na presença de Deus. Nossas circunstâncias são diferentes, mas a mesma base de fé em Deus que guiou o profeta na Babilônia 2.600 anos atrás nos levará à comunhão eterna com Deus.

O LIVRO DE DANIEL E SEU AUTOR
Neste trimestre, estudaremos Daniel, livro maravilhoso, cheio de revelações sobre “as coisas que estão por vir”. Nesta primeira lição, veremos como ele está estruturado, e aprenderemos a respeito da pessoa de seu autor.

O LIVRO DE DANIEL
1. Estrutura do livro. Este livro contém 12 capítulos e 357 versículos. Ele pode ser dividido em duas partes:
a. Parte histórica, que compreende os capítulos 1 a 6, registra acontecimentos presenciados por Daniel na Babilônia, inicialmente, sob o reinado de Nabucodonosor (cap. 1 a 4), depois, no governo de Belsazar (cap.5), e, finalmente, seu milagroso livramento nos dias de Dano, o medo (cap.6).
b. Parte profética, que compreende os capítulos 7 a 12, registra as visões que Daniel recebeu de Deus acerca da elevação e queda dos governos humanos, sobre o destino do povo de Israel, em relação à dominação das nações gentílicas, e o futuro dos judeus no plano de Deus. “O Altíssimo tem domínio sobre os remos dos homens, e os dá a quem quer” (Dn 4.32b). O livro de Daniel é chamado de o “Apocalipse do Antigo Testamento”.

Esta divisão é meramente didática, uma vez que, na chamada parte histórica, estão registrados episódios nos quais Daniel interpreta sonhos e visões de conteúdo eminentemente profético.

2. Autoria do livro. O autor do livro é o profeta Daniel. A moderna crítica teológica rejeita unanimemente esta autoria, apesar da informação contida no próprio texto (Dn 7.1; 8.2; 9.2), e da informação de Jesus, sem dúvida, o maior teólogo de todos os tempos. Ele citou em seu sermão escatológico o profeta Daniel (Mt 24.15).

Esta “moderna” teologia, que não acredita na existência da revelação profética pelo Espírito Santo, atribui a autoria do livro a um autor desconhecido que teria vivido por volta de 163 a.C. O espaço desta revista não nos permite analisar detalhadamente todos os argumentos que estes teólogos apresentam, e ficamos com o testemunho do próprio livro e com a sanção do Senhor Jesus, de que o profeta Daniel é o autor deste livro.
O livro foi escrito na Babilônia, durante o período da vigência do cativeiro babilônico.

DANIEL, O AUTOR DO LIVRO
1. Quem foi Daniel? Sobre o autor do livro, o profeta Daniel, sabe- se apenas aquilo que está relatado no livro por ele escrito. A Bíblia não registra o nome de seus pais, mas diz que pertencia à nobreza, era da linhagem real (Dn 1.3). Ele e seus três amigos, Hananias, Misael e Azarias, eram jovens de boa aparência, instruídos, bem educados (Dn 1.4), mas, sobretudo, servos de Deus, com profundas convicções (Dn 1.8). Daniel foi contemporâneo dos profetas Jeremias e Ezequiel.
2. O cativeiro babilônico. No ano de 605 a.C., no terceiro ano do reinado de Jeoiaquim sobre Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, fez o seu primeiro ataque a Jerusalém. Sitiou a cidade e levou para a Babilônia vasos sagrados da casa do Senhor (Dn 1.1,2; 2 Cr 36.4-7).
Nessa ocasião, levou alguns judeus cativos, entre os quais, Daniel e seus três amigos (Do 1.3). Estes foram, por ordem do soberano, escolhidos, para viverem no palácio, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus, para que, posteriormente. pudessem estar diante do rei, a seu serviço (Dn 1.4,5). Posteriormente, Nabucodonosor atacou Judá mais duas vezes.
3. A cidade de Babilônia. Foi propósito do rei Nabucodonosor fazer da cidade um monumento de beleza. Ficaram famosos os seus jardins suspensos. Ao Admirar o esplendor de sua cidade, um dia, Nabucodonosor exclamou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?” (Dn 4.30). E, por causa de sua soberba, foi castigado por Deus.

Babilônia era um grande centro de idolatria. Havia na cidade mais de 2.000 deuses. O principal era Merodaque, contra o qual profetizou Jeremias (Jr 50.2). Havia na cidade 55 templos dedicados a este deus.

Neste ambiente idolátrico, longe de sua pátria, os judeus, chorando de saudade de Sião, penduraram nos salgueiros as suas harpas (SI 137. 1,2). Veremos, a seguir como Daniel conseguiu manter-se fiel a Deus.

DANIEL, EXEMPLO PARA OS CRISTÃOS
1. Deus nos ensina, através do exemplo de seus servos. Deus ensina aos homens de muitas formas. Uma delas é através da maneira de quem vive uma vida de acordo com a sua vontade, O maior de todos os exemplos é o de Jesus, a expressa imagem da pessoa de Deus (Hb 1.3), que viveu entre nós uma vida modelo, cujo modelo devemos seguir. Ele mesmo disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). Ver, ainda, 1 Pedro 2.21; 1 João 2.6. Paulo escreveu: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Co 11.1). Ao escrever a Timóteo, ele diz que aquilo o qual lhe havia sucedido, tinha acontecido para exemplo dos que haviam de crer em Jesus, para o vida eterna (1 Tm 1.16). Também Daniel viveu uma vida exemplar, digna de ser imitada. Veremos isso em três diferentes contextos.
2. Daniel, um exemplo para os jovens. A Bíblia nada informa sobre quando e como se deu a conversão de Daniel. Mas quando, muito jovem, foi levado cativo para a Babilônia, era já um crente maduro.
a) Daniel é um exemplo, por ter buscado a Deus muito cedo na vida. “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade” (Ec 12.1). Quem se entrega a Jesus na sua juventude, ganha a salvação, mas também o privilégio de viver toda a sua vida para Cristo! Jovem, faça de Daniel o seu ideal! Entregue a sua vida a Jesus cedo! Outros exemplos de pessoas que começaram cedo a servir a Deus são Samuel (1 Sm 3.1-11), José (Gn 39.2), Davi (1 Sm 16.12), e Timóteo, o cooperador de Paulo (2 Tm 3.15).
b) Daniel é um exemplo, por ter cultivado uma vida de oração. Isto deu-lhe condições de conservar a sua identidade de servo de Deus, mesmo em uma sociedade pagã. O segredo da vitória de Daniel era o hábito de orar todos os dias três vezes (Dn 6.10), e, assim, quando influências e costumes idolátricos queriam AGIR, para envolvê-lo, tinha poder para REAGIR e manter-se vitorioso. Jovem, faça o mesmo! O segredo da vitória para todos nós é permanecermos aos pés daquele que nos amou! (Rm 8.37).
c) Daniel é um exemplo, por ter mantido firme o propósito de em tudo obedecer à Palavra de Deus. Quando entrou na escola palaciana, e viu que o cardápio, determinado para ele, entrava em colisão com os preceitos da Lei de Deus, “Daniel assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei” (Dn 1.8). Com a ajuda de Deus, conseguiu alimentar-se de acordo com a sua consciência. E Jeová o recompensou por sua fidelidade, ao dar-lhe conhecimento e inteligência, em todas as letras; e sabedoria e entendimento, em toda visão e sonhos (Dn 1.17). E, por causa da diferenciada capacidade que Deus lhe deu, Daniel permaneceu diante do rei, para servi-lo (Dn 1.19).
3. Daniel, um exemplo para todos os obreiros. Daniel ocupou um elevado cargo, tanto no reino da Babilônia (Dn 2.49; 5.29) como no império persa (Dn 6.1-3). Meu caro irmão, que ocupa uma função de responsabilidade na sociedade, seja em um cargo público, ou em uma empresa privada, tome Daniel como exemplo pessoal.

O que caracterizou Daniel enquanto era alto funcionário?
a) Daniel era FIEL (Dn 6.4). A fidelidade é um adorno que dignifica qualquer servidor, seja em que posição for. O crente deve ser fiel a seus superiores, estejam eles presentes ou ausentes. O cristão precisa ser sincero a seus colegas, e também a seus subordinados. Necessita cumprir os deveres assumidos, e ter firmeza em suas palavras, que devem ser sim, sim, e não, não (Mt 5.37).
b) Daniel não tinha VÍCIO (Dn 6.4). O vício mais comum é a prática da mentira. O crente não pode mentir (Is. 63.8; Ef 4.25). A Bíblia diz que os mentirosos não serão salvos (Ap 21.27). Outro vício é a desonestidade. O crente deve ser honesto a toda prova (Rm 12.17; 1 Ts 4.12). Neemias foi governador em Jerusalém algum tempo. Ele disse que os seus antecessores haviam-se beneficiado a si mesmos, mas ele podia dizer: “eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.15).
4.  Daniel, um exemplo para os idosos. Mesmo em idade avançada, Daniel deu bom exemplo. Tinha mais de 80 anos, quando foi convocado para interpretar a escrita na parede cio palácio, e estava em condições espirituais de fazê-lo (Dn 5.13). Pouco tempo depois, no reinado de Dano, orava três vezes ao dia (Dn 6.10).

CONCLUSÃO
A maior bênção na velhice é se poder receber a mensagem que Daniel obteve no final de seus dias: “Vai até o fim, porque repousarás, e estarás na tua sorte no fim dos dias” (Dn 12.13). No envelhecimento, estaremos mais perto de alcançar o alvo de todo crente: ESTAR PARA SEMPRE COM O SENHOR (1 Ts 4.17). E isto é uma consolação (1 Ts 4.18).

Subsídio para O Professor


INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE DANIEL

 Conteúdo: uma série de histórias sobre como Deus traz honra a si próprio por meio de Daniel e seus três amigos na Babilônia, seguida de quatro visões apocalípticas que tratam de reinos futuros e do reino final de Deus.

 Profeta: Daniel, um dos primeiros exilados à Babilônia, escolhido para servir como administrador de província primeiro na corte babilónica, depois na persa.
 Data da composição: desconhecida; presumivelmente perto do fim do século sexto a.C. (c. 520 a.C.), embora muitos tenham suge¬rido que o livro date da primeira metade do século segundo a.C. (c.165 a.C.).
 Ênfases: a soberania de Deus sobre todas as nações e seus governantes; o cuidado de Deus pelos judeus no Exílio, com promessas de uma restauração final; o presente triunfo e a vitória final de Deus sobre a maldade humana.

VISÃO GERAL DE DANIEL
O livro de Daniel se divide nitidamente em duas partes (caps. 1-6 e 7-12). A primeira contém histórias da corte, principalmente sobre Daniel e três amigos seus, que se mantêm absolutamente leais a Javé, mesmo quando ascendem a posições de importância no Império Babilônico. Há quatro ênfases aqui: (1) na lealdade dos quatro hebreus a Deus, (2) no livramento milagroso deles por parte de Deus, (3) no reconhecimento da grandeza do Deus de Israel por parte dos reis gentios, e (4) em Daniel como intérprete de sonhos por intermédio de dom divino - todas elas realçando a soberania de Deus sobre todas as coisas, incluindo o rei que conquistou e destruiu Jerusalém.A segunda parte consiste numa série de visões apocalípticas sobre a ascensão e queda de sucessivos impérios, todos os casos envolvendo um governante tirânico vindouro (7.8,24,25; 8.23-25; 11.36-45) - mais frequentemente interpretado como sendo Antíoco IV (Epifânio), dos governantes selêucidas da Palestina (175-164 a.C.), que, devido à desolação que afligiu a Jerusalém e ao fato de ter profanado o Templo, viria a ser o primeiro de uma série de figuras do Anticristo nas literaturas judaica e cristã. Mas, em todos os casos, o foco final é no juízo de Deus sobre o inimigo e no glorioso reino futuro que a guarda o seu povo.

ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE DANIEL
Em primeiro lugar, é importante observar que na Bíblia hebraica o livro de Daniel integra os Escritos, e não os Profetas. Em parte isso se deve ao gênero do livro - histórias sobre um “profeta” e visões apocalípticas, em vez de oráculos proféticos. De fato, não há nada na literatura judaica ou cristã que se assemelhe a Daniel, um livro que combina histórias da corte e visões apocalípticas. Além disso, o propósito do livro é inspirar e encorajar o povo de Deus que está vivendo sob domínio estrangeiro, não chama-lo ao arrependimento à luz de juízos vindouros. Daniel, portanto, não é em momento algum chamado de profeta, mas visto, antes, como um homem a quem Deus revela mistérios.Será proveitoso, portanto, dar uma lida na breve descrição do gênero apocalíptico em Entendes o que Lês? (p. 301-303), já que os sonhos e visões nos capítulos 2 e 7-11 apresentam a maior parte das características que definem este gênero - o livro foi gerado numa época de opressão; trata-se, do começo ao fim, de uma obra literária; ele vem por intermédio de visões e sonhos concedidos por anjos; contém imagens de fantasia que simbolizam a realidade; e Daniel recebe a ordem de selar as visões para os últimos dias (8.26; 9.24; 12.4).Um fato interessante é que os capítulos 1 e 8-12 são escritos em hebraico, enquanto os capítulos 2-7 estão em aramaico, a língua franca no oriente Próximo no século sexto a.C. até o tempo de Cristo. Quanto a isso, há duas coisas a observar. Em primeiro lugar, a parte em aramaico consiste nas histórias e na primeira visão, sugerindo que estas podem ser lidas por todos; já a introdução e as visões interpretadas estão em hebraico, talvez implicando que se destinem apenas ao povo de Deus. Em segundo lugar, a parte do livro escrita em aramaico ordena-se segundo um padrão quiástico:
    Os capítulos 2 e 7 contém visões semelhantes de reinos futuros, concluindo o reino final e eterno de Deus.
    Os capítulos 3 e 6 são histórias de livramento milagroso, em que se fez oposição a Deus.
    Os capítulos 4 e 5 são histórias sobre o fim de dois reis babilônicos, que ambos reconhecem a grandeza do Deus de Israel.

Assim, estas histórias nos contam que Deus está no controle final de toda a história humana (caps. 2 e 7), o que se ilustra com histórias tanto de libertação milagrosa (caps. 3 e 6) quanto da “derrubada” dos dois reis babilônicos (caps. 4 e 5). Todas essas histórias são primorosamente narradas. Para aproveitá-las totalmente, não é má ideia tentar lê-las em voz alta; é assim que se pretendia, originalmente, que o texto fosse lido.Também é importante, na leitura de Daniel, ter consciência de duas situações históricas; (1) a do próprio profeta e (2) a prevista por ele em suas visões. Assim, os capítulos 1-6 descrevem questões na corte babilônica, do tempo de Nabucodonosor até o primeiro dos governantes persas da Babilônia (c. 605-530 a.C.) - do tempo antes da queda de Jerusalém, quando os primeiros cativos de Judá foram levados à Babilônia, até o tempo logo depois da queda do Império babilônico em 539.As visões (caps. 7-12) retomam esse período. A Babilônia foi seguida do longevo Império Persa (539 a c. 330 a.C.). então veio o breve Império Grego de Alexandre (333-323 a.C.) que, quando este morreu, foi dividido entre quatro generais (v. 8.19-22). Especialmente interessante para se entender a história judaica intertestamentária é a longa disputa pela Palestina entre os selêucidas (da Antioquia [o norte]) e os ptolomeus (do Egito [o sul]), a que se alude na visão de Daniel 11 (v., p. ex., as notas de estudo na Bíblia de Estudo NVI e da BÍBLIA PENTECOSTAL). A ascensão de Antíoco IV, crucial para Daniel, é descrita em 11.21-32; Antíoco IV buscou eliminar tudo que fosse judaico em Jerusalém, forçando os israelitas a adotar a política de helenização que ele impôs às suas terras. Assim, ele proibiu que se guardasse a Lei, e mostrava favor especial pelos helenizantes (v. 11.28). Seu plano de tomar o Egito acabou sendo frustrado por Roma; ao voltar para casa ele passou por Jerusalém, derramando sua fúria sobre os judeus - que lhe resistiram -, profanando finalmente o Lugar Santo ao erigir nele uma estátua de Zeus, em 167 a.C. (11.30,31). Esse evento, que acabou levanto à revolta dos macabeus registrada nos livros apócrifos de 1 e 2 Macabeus, é vislumbrado em Daniel 7-11. Dá para imaginar como teria sido ler o livro de Daniel durante esse período - tanto as histórias nos capítulos 1-6 (Deus honra a lealdade e humilhará os reis arrogantes!) quanto as próprias visões (Deus predisse todas essas coisas).Finalmente, é importante observar que a vinda do reino messiânico é retratada como ocorrendo depois da derrota de Antíoco, o que de fato ocorreu um século e meio depois - o único reino digno de menção após o de Antíoco não sendo o de Roma, mas o de Cristo.Em consonância com toda a tradição profética hebraica, esses eventos históricos vindouros eram vistos contra o pano de fundo do grande futuro escatológico final de Deus (v. Introdução aos Profetas, p. 205).

UMA CAMINHADA POR DANIEL
1.1-21 Narrativa introdutória: Daniel e seus amigos na corte de Nabucodonosor

Observe como essa narrativa inicial não só apresenta as histórias que se seguem, mas fornece informações valiosas para uma boa leitura do livro de Daniel. Os versículos 1 e 2 dão o contexto histórico, mas também prenunciam 5.1,2. Daniel e seus companheiros sobressaem a todos os outros oficiais de província forçados ao serviço do rei - e isso precisamente porque mantêm a lealdade à aliança quanto às leis alimentares (1.6-20); mas observe também a pequena inserção no versículo 17, que prenuncia a história seguinte. E finalmente, observe que Deus é visto como dirigindo essas questões (v. 9,17).

2.1-49 O sonho de Nabucodonosor é interpretado por Daniel.

Essa narrativa serve a três propósitos: exaltar a Deus acima de Nabucodonosor (v. 27,28,36-38,44,45,47), incluindo a exaltação de Daniel aos olhos do rei por parte de Deus (v. 46,48,49); apresentar Daniel como o agente de Deus para interpretar sonhos (v. 14-45); e prenunciar as visões posteriores (v. 31-45). Observe como os dois últimos itens são ressaltados na oração de Daniel (v. 20-23); observe, além disso, que embora o sonho seja interpretado, não há interesse adicional nele a essa altura, meramente intrigando o leitor quanto às visões que hão de vir. Observe finalmente como o versículo 49 prenuncia a história seguinte, em que Daniel não figura.

3.1-30 Salvos da fornalha ardente de Nabucodonosor
is que o rei, que o profeta designa como “a cabeça de ouro” (2.38), erige ele próprio uma monstruosa estátua de ouro, e ordena que todos oficiais da província a adorem. Mas assim como Deus zelou por eles no capitulo 1, os três hebreus são livrados (dessa vez milagrosamente) em virtude de sua absoluta rejeição da idolatria (3.16-18). O vigor dessa narrativa deve-se em parte a suas frequentes repetições. Mas sua maior força está na moral que ela contém: o maior rei da terra não é páreo para o Deus eterno; Deus não só liberta em grande estilo os três hebreus da arrogância e ira de Nabucodonosor, mas o rei ainda os promove (v. 30), e ele próprio reconhece a grandeza do Deus deles (v. 28,29), o que por sua vez prenuncia a história a seguir.

4.1-37 A demência de Nabucodonosor
Essa expressão absoluta da soberania de Deus sobre os reis da terra é narrada de forma magnífica, realçada em parte pelo fato de que toda a narrativa é um relato do rei para as nações (v. 1). Ela começa com o reconhecimento da parte do rei de que apenas o reino de Deus é para sempre (v. 2,3; cf. 2.44), prenunciando mais uma vez as visões posteriores (7.14,18,27), e conclui na mesma nota (4.34,35) - depois de o rei arrogante ser rebaixado por Deus à condição de um animal. Observe que Daniel também volta à cena como o intérprete de sonhos (v. 8-27).

5.1-31 O banquete de Belsázar e a ruinada Babilonia
Enquanto lê a historia, visualize o drama; atente também, no entanto para as formas como a história funciona - para lembrá-lo de que o Império Babilónico veio ao fim porque o seu rei não honrou o verdadeiro Deus (v. 23) e para relatar isso num contexto em que o rei está desafiando a Deus ao usar os utensílios sagrados do templo de Jerusalém (v. 2; cf. 1.2) com propósitos idólatras. Mais uma vez, Daniel é a figura central, interpretando agora os escritos na parede.

6.1 -28 Daniel na cova dos leões
Esse terceiro ataque à fé judaica (v. caps. 1 e 3) tem novamente Daniel como protagonista, mas agora com a Babilônia sob domínio persa. Observe o quanto ele corresponde ao capítulo 3: Daniel conhece o decreto, bem como seu propósito e consequências - ser lançado à morte imediata -, mas se recusa a deixar de orar ao seu Deus, é di¬vinamente livrado, e o rei presta homagem ao “Deus vivo” (v. 26). Observe também como Dario ecoa o reconhecimento de Nabucodo¬nosor, afirmando a eternidade de Deus (v. 26,27; cf. 4.34,35).

7.1-28 A visão dos animais do mar
As quatro visões desses capítulos são precedidas da data em que ocor¬reram, Daniel já sendo um homem relativamente idoso. A primeira ecoa itens de 2.36-45, e ao mesmo tempo prepara o leitor para as se¬guintes. Observe que, neste caso, o interesse se concentra no pequeno chifre e no reino messiânico vindouro. Esses elementos são sublinha¬dos: (1) pela forma como a narrativa é construída (o pequeno chifre é apresentado [v. 8], a que se seguem, respectivamente, a cena na corte divina [v. 9,10] e então a sua ruína final [v. 11], e o reino eterno do Altíssimo e e seus “santos”  [v. 18]); (2) pela falta de interesse presente nos outros reinos (v. cap. 8); e (3) pelo interesse singular de Daniel no quarto animal e no pequeno chifre (v. 19,20). Observe também que a parte final da própria visão, a opressão dos santos por parte do pequeno chifre, só é mencionada nos versículos 21,22, para que a interpretação possa se concentrar nesse aspecto, na derrota final do pequeno chifre e no reino eterno de Deus (v. 25-27).8.1-27 A visão do carneiro e do bode
O segundo e terceiro reinos do capítulo 7 são agora concebidos como um carneiro e um bode, e interpretados como os medos e os persas, seguidos da Grécia. A vitória de Alexandre, o Grande, sobre a Pérsia é retratada (v. 6-8,21), bem como a subsequente divisão do império entre seus quatro generais (v. 8b,22), de onde acabaria vindo o peque¬no chifre (v. 9-13,23-25). Observe mais uma vez o foco da visão - os fatos de que ele ataca os santos e sua adoração, e de que ele próprio será destruído, mas não por meio de poder humano.

9.1-27 Interpretação da profecia de Jeremias
A oração de Daniel (v. 4-19) constitui a parte central do livro, refletindo o merecido Exílio de Israel por sua infidelidade à aliança, mas exprimindo esperança no perdão e na misericórdia de Javé (o único lugar em Daniel em que aparece o nome “Javé”). A oração é enquadrada pela necessidade de uma nova aplicação dos setenta anos de Jeremias (v.1-3,à luz da devastação a ser causada pelo pequeno chifre). A resposta (v.20-27) consiste num uso de números típico do gênero apocalíptico, o número original sendo multiplicado por sete (= ao cabo da devastação causada pelo pequeno chifre), o que, mais uma vez de maneira típica é retratado contra o pano de fundo do fim de todas as coisas.

10.1-12.4 O anjo entrega a revelação do futuro
Todas as visões até aqui apontam para essa visão final. Observe os intricados preparativos para ela no encontro de Daniel com o anjo em 10.1-21. O que se segue, após uma introdução (11.2-4) que retoma parte da visão em 8.19-22, é uma previsão do conflito entre os selêucidas e os ptolomeus pela “Terra gloriosa” (11.5-20; cf. Jr 3.19). Mas, como antes, tudo isso leva à ascensão e queda de Antíoco IV (Dn 11.21-45), o foco estando especialmente na sua devastação de Jerusalém, mas também predizendo, mais uma vez, o fim dele. E, assim como antes, seu fim é retratado contra o pano de fundo do fim de todas as coisas (12.1-4), cujos aspectos centrais serão a ressurreição dos mortos e a recompensa eterna dos justos.

12.5-13
Conclusão

Observe que as perguntas finais de Daniel, “Quanto tempo haverá até o fim destas maravilhas?”, E “Qual será o fim destas coisas?”, são novamente enunciadas por meio de esquemas numéricos crípticos, enquanto o próprio Daniel descansará até o dia da ressurreição.
O livro de Daniel, embora se concentre num período em particular da história de Israel, antevê o grande reinado eterno de Deus inaugurado por Jesus Cristo; ele teve, dessa forma, grande influência sobre as imagens usadas por João no Apocalipse.

Extraído de Como Ler a Bíblia Livro por Livro - Um guia de estudo panorâmico da Bíblia, de Gordon Fee e Douglas Stuart, Edições Vida Nova, 2013, páginas 241-248.


Obs.: Aproveite o domingo para fazer valer seu direito e dever de cidadão de escolher o novo presidente do Brasil.
Para os leitores do Blog, faço um pedido, por favor: vote em qualquer candidato, menos na reeleição do PT.
Você estará fazendo um bem ao Brasil

Abraços.

Viva vencendo!!!


 


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