29 outubro 2014

UMA REFLEXÃO SOBRE AMORES IMPRÓPRIOS E SUAS CONSEQUENCIAS


Para a maioria das pessoas, esse título pode parecer estranho, pois sempre falamos positivamente a respeito do amor. De fato, reconhecemos sua importância essencial em nossas vidas. O amor deve ser uma das nossas principais motivações. Devemos amar a Deus e ao próximo, como o Senhor Jesus mandou. 
Entretanto, não podemos ter apenas uma visão linear a respeito deste tema. Seria correto dizer que o “amor é tudo”? Toda forma de amor vale a pena? Vale tudo por amor? São dizeres românticos, porém exagerados.
O amor tem sido utilizado como desculpa para muitas coisas, até para matar, quando o motivo real costuma ser o ciúme. 

  
Homossexualismo, prostituição, adultério e fornicação (sexo entre solteiros) têm tido o suposto amor como justificativa, o que é totalmente contrário à vontade de Deus. 
É preciso aprender que o amor pode fazer mal, assim como a água que sustenta a vida também pode matar. Da mesma forma, muitas pessoas têm sido destruídas em nome do amor.
O amor impróprio pode ser mais perigoso do que o ódio, porque, do ódio você se protege, enquanto o amor é recebido de braços abertos. 
A bíblia contém instruções que limitam o amor. Está escrito: “


Não ameis o mundo nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (IJo.2.15). 


A Palavra de Deus também manda odiar: “Odiai o mal e amai o bem” (Am.5.15). “Detestai o mal” (Salmo 97.10). Não podemos amar todas as coisas indistintamente. 
Amar nem sempre é certo. Em alguns casos, é proibido. Estamos considerando aqui vários tipos de amor, sejam falsos ou verdadeiros, inclusive elementos que são confundidos com amor, tais como paixão e sexo, mesmo porque, em algumas relações, uma parte ama de fato, mas a outra não, como se a verdade e a mentira pudessem conviver em harmonia. 
Enquanto um tem bom propósito, o outro vive apenas uma “relação de consumo” em busca da satisfação de seus desejos físicos. Relações assim podem deixar feridas duradouras e cicatrizes permanentes. 
O amor pode ser errado mesmo sendo verdadeiro. Dinheiro roubado também é verdadeiro, mas nem por isso devemos desejá-lo.


A FORÇA QUE NOS MOVE

Não deveríamos ser movidos apenas por sentimentos e desejos, mas, principalmente, por compromissos e convicções. Não vamos negar ou anular os sentimentos, mas não podemos ser controlados, a priori, por eles. Quando dirigimos um carro, somos levados pela lei da gravidade? Não necessariamente. Na descida, tiramos proveito dela, mas, na subida, precisamos da força do motor. O mesmo acontece na relação entre sentimentos e convicções na condução das nossas vidas. 
  
Estamos diante de dois extremos perigosos. Deus nos livre de sermos insensíveis. Deus também nos livre de sermos guiados pelos sentimentos. 


Os mandamentos de Deus existem, entre outras razões, para que não sejamos movidos apenas pelo que sentimos e desejamos. Os 10 mandamentos são bons exemplos disso. Em Êxodo 19 está a aliança entre Deus e Israel. Esta é a base de tudo. No capítulo 20, estão os 10 mandamentos como que dizendo: “Agora vocês deverão viver de acordo com o compromisso feito com Deus e não por sentimentos, que podem ser incertos e variáveis”. 

  
Os dois primeiros mandamentos proíbem a idolatria, e o que é isso, senão um amor errado, um tipo de amor mal orientado? A idolatria é um amor que faz mal. Trata-se de amar alguém ou alguma coisa no lugar de Deus, ou seja, acima dele. Exemplos claros disso estão nas seguintes passagens bíblicas: 


“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (ITm.6.10).


“O que ama o dinheiro nunca se fartará dele; quem ama a abundância nunca se farta da renda” (Ec.5.10).

“O que ama os prazeres padecerá necessidade; o que ama o vinho e o azeite nunca enriquecerá” (Pv.21.17).

“A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz” (João 3.19).

“Quem ama a sua vida perde-la-á” (Jo.12.25).

“Demas me abandonou, amando o presente século” (2Tm.4.10).

Salomão amou muitas mulheres e isto foi a causa da sua ruína espiritual (IRs.11.1).

Amores indevidos ou descontrolados são prejudiciais. É o caso, por exemplo, de quem ama as coisas e os animais em detrimento das pessoas.

Voltando aos 10 mandamentos, lemos: “Não adulterarás” (mesmo se for por amor). O mesmo se aplica às proibições “não furtarás” e “não cobiçarás”. 
“Seis dias trabalharás” e isso não depende do seu sentimento a esse respeito. “No sétimo dia, não farás obra alguma”, ainda que ames o teu trabalho. Então, vemos que as regras são superiores ao amor e ao ódio. 
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”, não importando se o amas ou odeias (embora devesses amá-lo).


RELAÇÕES ILÍCITAS

Em Levítico 18, existe uma lista de relacionamentos proibidos, não se podendo usar o amor como justificativa para praticá-los. São proibidas as relações sexuais entre filha e pai, filho e mãe, irmão e irmã, sobrinho e tia, homem com homem, humanos com animais, etc.

Um triste exemplo foi o caso dos filhos de Davi. A bíblia diz que Amnom amou sua irmã Tamar (2Sm.13.1), mas isso não seria justificativa suficiente para um relacionamento íntimo. Nesse texto, o amor tem sentido sexual. Ele insistiu e estuprou a irmã. O príncipe Amnom era o primogênito de Davi (ICr.3.1) , podendo tornar-se o próximo rei de Israel. Contudo, sua carreira e sua própria vida foram encerradas pelo pecado cometido. Depois do incesto, Absalão, outro filho de Davi, matou Amnom. 


Amores errados podem conduzir à morte, sendo o aborto um tipo de assassinato originado, muitas vezes, de relações amorosas que nunca deveriam ter começado.


AMOR PRECOCE

O amor pode fazer mal quando acontece fora do tempo. Adolescentes, aos 13 anos, já querem namorar, e namoram. Algumas vezes, isso leva à prática sexual e à gravidez indesejada, causando mudanças definitivas em suas vidas. Entre outros efeitos, o amor fora do tempo pode prejudicar os estudos e impedir a formação profissional. Algumas coisas, mesmo sendo boas em sua essência e agradáveis na prática, são impróprias pelo simples fato de serem intempestivas.

JUGO DESIGUAL

Outra forma de amor prejudicial é o jugo desigual, ou seja, o relacionamento amoroso entre crente e ímpio (2Co.6.14). Durante o namoro, isto pode não representar grande problema, mas depois do casamento, as incompatibilidades ficam cada vez mais evidentes, principalmente quando vêm os filhos. 
Todos os tipos de relacionamentos citados são proibidos e/ou desaconselháveis porque fazem mal. Acredite e não pague pra ver.


O QUE FAZER?

Alguns dirão que nada pode ser feito contra o amor. Será? Seria correto dizer que o amor é uma força incontrolável? O mundo ensina assim. Existe mesmo um Cupido que nos atinge com suas flechas sem que possamos reagir? Somos vítimas indefesas diante do amor? Não. 
Se existem mandamentos relacionados ao amor, isso indica a possibilidade de controle.

“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef.5.25). (Observe que o amor é seguido por uma ação).
“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt.5.44).
“Não ameis o mundo nem o que no mundo há” (IJo.2.15).
A placa de parada obrigatória pressupõe a existência de freios no carro. Se o seu carro não tem freios, é um problema pessoal que não deve ser considerado como padrão.

AÇÃO PREVENTIVA

Devemos ter atitudes preventivas a respeito do amor impróprio, dos relacionamentos ilícitos ou inadequados. O que pudermos fazer, devemos fazê-lo antes que algo aconteça. Proteja-se contra o amor indevido. É preciso precaver-se contra envolvimentos pecaminosos, que a própria consciência denuncia. As opiniões dos pais e da sociedade também são importantes, desde que não sejam contrárias à palavra de Deus. Não aceite o inaceitável. 
Como foi escrito a respeito da mulher adúltera: “Afasta para longe dela o teu caminho e não te aproximes da porta da sua casa” (Pv.5.8). 
Depois do envolvimento, fica muito difícil se desvencilhar, pois “o amor é forte como a morte” (Ct.8.6).


Tome decisões preventivas. O solteiro deveria tomar a decisão de não ter relacionamento sexual antes de se casar e de nunca se envolver com uma pessoa casada. O cristão deveria tomar a decisão de nunca namorar uma pessoa ímpia.

A decisão deve ser tomada antes que qualquer oportunidade desse tipo apareça, assim como a vacina precede a doença. Não se deve esperar pela possibilidade para então se pensar e até orar a respeito. Não é necessário orar sobre um assunto já definido pelas Sagradas Escrituras. Não se deve perguntar se “é de Deus”. Deve-se antes reconhecer que “é de Satanás” tal situação. Ainda que, em alguns casos, Deus tenha transformado a maldição em bênção, não podemos fazer da exceção a regra. Apesar de tudo, depois que um homem e uma mulher se unem em matrimônio, o relacionamento se torna sagrado e não deve ser desfeito. 
Não desperte o amor fora do tempo ou em circunstância indevida (Ct. 2.7; 3.5; 8.4).


Não provoque. Não brinque. Não use os relacionamentos como passatempo, como quem diz: “Eu não estou fazendo nada, você também não, então vamos namorar”. 

Abismos têm sido escolhidos como lugar de diversão, o que, algumas vezes, acaba em tragédia. 

Não conquiste o que não deve ter. Evite. Afaste-se. Não aceite o assédio. O amor começa com aceitação.


“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração porque dele procedem as fontes da vida” (Pv.4.23).

Tudo isso é para o seu próprio bem, mas a escolha é sua.

José do Egito rejeitou o relacionamento errado com a esposa de Potifar. Mais tarde, ao tornar-se governador do Egito, ele encontrou aquela que seria sua mulher. É preciso determinação para rejeitar o mal até que se encontre o bem. 
A bíblia fala também a respeito de um amor superior, o amor de Deus, que é derramado pelo Espírito Santo em nossos corações (Rm.5.5; Gal.5.22). Esse amor, fruto do Espírito, não causa nenhum mal, mas apenas contribui para a nossa plena felicidade.


Pr. Anísio Renato de Andrade

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