01 novembro 2014

UM CONTO DE TRÊS CIDADES



INTRODUÇÃO

Um conflito ruge nesta era, o qual tem sido chamado “a batalha pela Bíblia”. Esta batalha (mais parecida com uma guerra) está sendo travada em vários níveis. Alguns negam que a Bíblia seja, de fato, a Palavra de Deus. Outros negam que a Bíblia seja a completa Palavra de Deus revelada. Enquanto alguns eruditos batalham sobre [qual foi] a inspiração original e alguns debatem sobre os textos gregos, outros estão lutando a batalha das traduções inglesas [da Bíblia].

Enquanto ruge a batalha da confusão teológica da palavra e das vendetas pessoais, muitos estão clamando por respostas. À medida em que examinamos o campo de batalha, vários pontos devem ficar claros. O primeiro ponto é que esta é uma batalha. Em cada nível, ela é travada sobre se você e eu temos ou podemos ter a Palavra de Deus.

Se a Bíblia apenas contém a Palavra de Deus, mas ninguém sabe quais as partes que são a Sua Palavra, e as que não são, o que adianta isso? E por que debater sobre a perfeita inspiração, se Deus não preservou a Sua Palavra? E o que dizer sobre todas aquelas traduções? Todo o problema se resume a isto: Você e eu podemos possuir [segurar nas nossas mãos e ler com os nossos olhos] a pura Palavra de Deus? E, se podemos, onde encontrá-la?

Outro ponto a ser examinado é que esta batalha pela Bíblia é muito importante. Nada é mais importante do que saber se podemos ou não conseguir a verdade de Deus. Se a Palavra de Deus não é a fonte da verdade absoluta, então o que o é? Somos deixados carregando uma mala vazia. Contudo, os que afirmam fidelidade à Bíblia não parecem fazer o bastante, para enfraquecer o seu poder. Eruditos diluem o texto bíblico. Publicadores sempre aparecem com bíblias melhores do que nunca, todos os meses. Pregadores corrigem livremente as palavras do Deus vivo. E homens jovens se arrebanham em seminários (melhor seria chamá-los de cemitérios), para serem ensinados sobre as falhas na Palavra de Deus.

Ninguém precisa levantar a voz para defender que tem uma pintura que seja obra de Rembrandt. Eles têm ou não têm uma pintura de Rembrandt. Até mesmo uma cuidadosa imitação é sem valor, comparada à obra original. Do mesmo modo, nós temos ou não temos a Palavra de Deus. Visto que a Palavra de Deus, por causa do Seu próprio caráter, deve ser absolutamente pura, então uma palavra contendo impurezas não pode ser a Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é incorruptível. (1 Pedro. 1:23). “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.” (Provérbios 30:5). Outras formas de material impresso (sermões, folhetos, “bíblias” corrompidas, etc.) podem conter porções da Palavra de Deus, mas não podem ser chamadas a Palavra de Deus.
Sim, esta é uma batalha de todos. E esta batalha é importante. Mas, um terceiro ponto precisa ser mostrado. Esta batalha não é nova. A partir do Jardim do Éden, quando Satanás negou a Palavra de Deus e Eva mudou-a, a correção da Bíblia tem sido um dos hobbies favoritos do homem.

Tomem, por exemplo, o texto do Novo Testamento. Sua alteração não tem sido apenas a obra recente de homenzinhos com óculos grossos, voejando sobre manuscritos antigos. Não, as maiores corrupções do Novo Testamento aconteceram durante os primeiros dois ou três séculos depois que ele foi escrito. No final deste período, a vasta maioria das leituras discordantes já havia sido escrita e os diferentes textos gregos de hoje já podiam ter sido compostos. Estes séculos, durante o qual as linhas de batalha foram traçadas, estabelecem a moldura de “O Conto de Três Cidades”.

Um Conto de Três Cidades

Um conto de três cidades é um conto de intrigas e engodo - o qual precipita as forças de Deus e de Satanás numa batalha sobre a integridade da Bíblia. Esta guerra sobre a Palavra, a qual começou no belo jardim do Éden, continua rugindo hoje, com fúria maior. As igrejas de Deus, os homens de Deus e o povo de Deus não podem se contentar em permanecer neutros, quando o assunto é tão grave. Contudo, muitos continuam determinados a viver suas vidas espirituais como desertores. [N.T. - O pior é que a maioria dos desertores são os que pregam a Bíblia nos púlpitos cristãos].

O Princípio da Preservação

Antes de revelar o início desta estória, alguns princípios devem ser compreendidos. O primeiro princípio é que Deus prometeu, sem exceção, preservar não apenas a Palavra [no sentido global] que Ele deu ao homem, mas também as palavras [no sentido individual, toda e cada uma delas]. Esta promessa é confirmada sempre que Deus nos ordena a ler, memorizar, meditar, aprender e obedecer, as palavras que Ele nos deu. Em parte nenhuma da Bíblia Deus sugere a possibilidade de não termos [alguma de todas as] Suas palavras. A promessa da preservação é declarada, conforme o Salmo 12:6, 7: "As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. Tu asguardarás, SENHOR; desta geração as livrarás para sempre” [tradução da King James Bible]. Esta passagem exige responsabilidade dos cristãos do tempo de hoje. De acordo com Deus, Suas palavras são preservadas [perfeitamente] puras. Se elas são preservadas, então é melhor que as encontremos e nelas creiamos sem "corrigi-las".

O Princípio da Corrupção

O segundo princípio a ser compreendido é que muitos “corromperão a Palavra de Deus”, conforme declarado por Paulo, na 2 Coríntios 2:17. Paulo também advertiu contra "falsificar a Palavra de Deus” (2 Coríntios 4:2). Esta maligna prática da corrupção nos garante o fato de que muitas cópias corrompidas da Palavra de Deus têm sido e continuarão sendo feitas. O homem que afirma que todas as bíblias são as palavra de Deus não conhece o princípio da corrupção escritural ou então o nega. Corromper as palavras de Deus não é uma exceção ou apenas um acidente, é uma indústria.

A Exclusividade da Palavra de Deus

Estes dois princípios [da preservação e da corrupção] tomados em conjunto demonstram outra verdade importante. Visto como Deus em Seu poder está preservando a Palavra e visto como o diabo e suas forças estão corrompendo-a, a Bíblia não pode ser considerada como qualquer outro livro antigo. A crítica textual suficiente para a Ilíada de Homero não funcionará com a Palavra de Deus! E conquanto os erros em Homero não importem realmente, erros na Palavra de Deus podem enviar uma geração inteira para o inferno. A não ser que o poder preservador de Deus e a influência corruptora de Satanás sejam considerados, a evidência manuscrita não é mais honesta do que os políticos dos últimos anos.

Bíblias modernas existem numa miríade de formas, porque mudanças intencionais foram feitas nas cópias [manuscritas] da Palavra de Deus, pelos que não acreditam no seu ensino. Sem dúvida, os eruditos modernos afirmam que nenhuma das leituras discordantes, na multidão de versões, afeta qualquer doutrina principal. Esta afirmação demonstra uma baixa opinião do valor da Escritura. Cada mudança feita na Palavra pura afeta a doutrina, porque “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” (2 Timóteo 3:16). Quando qualquer passagem perde este proveito, então ela deixa de ser pura.

As Três Cidades Apresentadas

Com estes princípios estabelecidos e explicados, a estória pode ser agora iniciada.Um Conto de Três Cidades começa no Império Romano, durante o tempo de Cristo. As três cidades (Roma, Alexandria, e Antioquia) eram as três maiores e mais influentes cidades no Império Romano. Contudo, para os cristãos, sua influência referente à corrupção e preservação da Bíblia é de importância muito maior.

Como capital do Império Romano e a maior cidade do império, Roma governava o mundo antigo. Roma enfatizava a forma, o legalismo e a tradição, tendo se tornado o centro das adiçõesà Bíblia. Os apócrifos são um exemplo de como Roma acrescentava à Escritura. Da Itália, Roma dominava a teologia e a vida espiritual do sul da Europa e do norte da África.

Alexandria no Egito, a segunda maior cidade, era a capital mundial da ciência, educação e erudição. Grandes mentes gravitavam e eram atraídas para Alexandria. Esta cidade de nascimento de Filo e de Orígenes dominava a teologia das cidades ao redor do Egito e da Palestina. Tal como é a prática da erudição moderna, Alexandria fez subtrações na Palavra de Deus. O texto alexandrino ainda é a base das modernas corrupções da Bíblia [N.T. - Com a falsa alegação de usarem melhores e mais antigos textos].

A terceira e maior cidade do império era Antioquia da Síria. Localizada ao leste, Antioquia dominava as regiões da Síria e Ásia Menor, as terras da primitiva obra apostólica. Antioquia era conhecida pelo seu luxo e sabor cosmopolitanos, mas também por uma interpretação literal da Escritura. Embora minimizado pela erudição de hoje, o texto sírio foi a base da Versão King James de 1611.

Estas três cidades ficavam localizadas em três países importantes, em três continentes diferentes. Elas representavam as três raças principais. Por que elas são tão importantes? Porque estas três cidades se tornaram tão influentes na história da transmissão do texto bíblico? Estas perguntas e mais devem ser respondidas no texto que se segue. Mas, nunca esqueçam que Deus prometeu preservar a Sua Palavra. Nossa maior preocupação deveria ser nunca julgar ou criticar a Palavra, mas encontrá-la, lê-la, estudá-la, memorizá-la, obedecê-la, pregá-la e, se for necessário, morrer por ela.

Alexandria
A História de Alexandria

Localizada no Mar Mediterrâneo, no pais do Egito, no continente da África, Alexandria é uma cidade ativa, ainda hoje. Este grande porto marítimo fica numa área conhecida como a “Terra de Cão” (Salmo 105:23). Alexandre o Grande fundou a cidade em 332 a.C., durante a sua conquista do mundo. Ela se desenvolveu rapidamente, tornando-se a maior metrópole do mundo antigo, alcançando uma população estimada em um milhão, no primeiro século d.C., sendo superada apenas por Roma.

Sob o governo dos Ptolomeus egípcios, Alexandria tornou-se o centro literário e científico do mundo. Sua universidade moldava muito do pensamento filosófico do tempo. A famosa biblioteca de Alexandria continha meio milhão ou mais de livros e pergaminhos. Vigorosamente buscados eram os estudos de Matemática, Astronomia, Poesia e Medicina. Alexandria era uma cidade grega quanto à sua fundação e seu pensamento; mas, por causa da mente aberta da cidade, ela se tornou conhecida pela sua coleção [salada misturada] cosmopolitana de religiões e filosofias, no mundo então conhecido. Foi neste ambiente que o teólogo judeu Filo primeiro combinou o Judaísmo com o Platonismo, a fim de estabelecer uma enfoque alegórico [de interpretação] do Antigo Testamento.

A Escola de Alexandria

Na prática, Filo (nascido em 20 a.C.) foi mais um filósofo grego do que um teólogo judeu; por isso, a sua maior influência não aconteceu no reino judaico. Ele determinou-se usar o Antigo Testamento a fim de apoiar a sua filosofia grega. Por isso, ele estabeleceu um sistema de interpretação alegórica (espiritualização da Escritura), a fim de transformar a Escritura em qualquer coisa que lhe aprouvesse. Ele ensinava que a significação mais oculta e mais profunda de uma passagem da Escritura era muito superior à significação clara e literal da passagem. Sua interpretação alegórica tornou-se uma riqueza de ideias para a escola alexandrina de ensino do pensamento cristão, no segundo e terceiro séculos. Tal escola teológica foi estabelecida em Alexandria, no século 2 d.C., por um homem chamado Pantenus, tendo sido continuada por Clemente de Alexandria. A escola enaltecia a filosofia grega e enfatizava a interpretação alegórica da Escritura. A escola tornou-se conhecida pela sua erudição e filosofia e, mais tarde, ela seria iria alcançar uma grande proeminência através de um homem chamado Orígenes (o qual viveu em 185-254 d.C).

Influência de Orígenes

Na maioria dos livros sobre a história da igreja, Orígenes é louvado como um dos maiores eruditos bíblicos do seu tempo. Nesses livros, o gênio mental e fervor religioso de Orígenes não são questionados, mas apenas o seu conhecimento da verdade bíblica e a sua relação espiritual com Deus. Orígenes possuía apenas uma capa e nenhum par de calçados; ele era despojado, nunca bebia vinho e devotava a maior parte do seu tempo ao estudo, à oração e dormia no puro chão.

Isto certamente demonstra fervor e devoção religiosos. Por outro lado, em razão da sua doutrina, Orígenes certamente não merece a reputação de grande erudito da Bíblia. Ele ensinava que o Pai é a causa original do Filho e que o Espírito Santo era subordinado e criado pelo Filho. Ele cria na necessidade do batismo para a remissão de pecados e aprovava o batismo infantil. Ele ensinava que, mesmo os [homens] condenados e os demônios seriam levados à sujeição voluntária a Cristo, após terem sido suficientemente castigados. [N.T. E que as estrelas podiam se converter ao Evangelho]. Orígenes desenvolveu um método formal de interpretação das escrituras do Novo Testamento, aplicando a interpretação alegórica de Filo. Desse modo, ele pôde apoiar todas as doutrinas supracitadas e muito mais.

Os teólogos e eruditos que rejeitam o método de interpretação alegórica de Orígenes e suas conclusões doutrinárias, em geral afirmam que o seu mérito está na sua obra de crítica textual. Ele é famoso pela sua obra em produzir um correto texto grego da Bíblia. Contudo, é possível que as falsas doutrinas de Orígenes afetem a sua crítica da Bíblia? Dois exemplos deveriam bastar. Enquanto editava o texto do Novo Testamento, Orígenes removeu a palavra ”carpinteiro” em Marcos 6:3, [simplesmente] porque ELE [Orígenes] achou que ela ali não devia ficar. Ele removeu também o mandamento “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” de Mateus 19:16-22, [simplesmente] porque, ELE [Orígenes] não podia explicar sua presença ali, e ELE [Orígenes] decidiu que, desse modo, ela deveria ter sido acrescentada. Quantas vezes Orígenes aplicou este método de correção da Bíblia só o próprio Deus sabe.

O texto grego formado em Alexandria durante o tempo de Orígenes tornou-se conhecido como Texto Alexandrino. Este texto é principalmente representado por dois manuscritos gregos: o Sinaiticus (encontrado por Tischendorf, em 1844 em um mosteiro ortodoxo grego, ao sopé do Monte Sinai) e o Vaticanus (descoberto na Biblioteca do Vaticano, em 1481). Estes manuscritos são a base da maioria das subtrações feitas nas bíblias inglesas, desde 1611. Uma vez que Orígenes apoiou as leituras discordantes que compuseram o texto alexandrino, os eruditos o consideram como uma das testemunhas mais importantes ao texto corrompido, o qual é usado nas modernas traduções da Bíblia. Depois da morte de Orígenes, Alexandria continuou a ter grande influência sobre o texto do Novo Testamento. Até mesmo hoje, o texto alexandrino é aceito pela maioria dos eruditos como sendo o mais próximo dos originais.

Menções [de Alexandria] na Bíblia

Alexandria é muito raramente mencionada na Bíblia, mas estas referências dizem ao estudante da Bíblia muito sobre a direção que a cidade iria tomar. Seu comércio e negócios de navegação são evidentes no fato de que os navios que levaram Paulo, de Cesaréia a Roma para o julgamento, eram navios de Alexandria (Atos 27:6; 28:11). A oposição de Alexandria à sã doutrina é demonstrada pelos judeus alexandrinos, que se encontravam no templo disputando com Estêvão (Atos 6:9). Porém, a passagem mais reveladora sobre Alexandria é encontrada em Atos 18:24 onde, "E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras." Temos aqui um homem que era eloquente no discurso e muito versado nas Escrituras, mas “conhecendo somente o batismo de João” (v.25). Por esta razão, Áquila e Priscilla, convertidos do apóstolo Paulo, "o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus." (v.26). O elevado grau de treinamento e conhecimento superior de Apolo confirma a ênfase sobre a erudição em sua cidade natal. Contudo, as falhas no conhecimento e nos erros na doutrina bíblica também mostram os problemas característicos de Alexandria. Estes problemas iriam continuar em Alexandria, durante o período histórico da igreja primitiva. As cópias antigas dos manuscritos do Novo Testamento que foram influenciadas pelos eruditos alexandrinos são caracterizadas pela sua omissão de importantes frases e versos doutrinários.

Estas omissões não são erros [não propositais, aleatórios] – os eruditos sempre subtraem à Palavra de Deus. Como exemplo de suas subtrações, examinemos a passagem de Marcos 16:9-20. Esta passagem [12 versículos completos] está faltando tanto nos manuscritos do Sinaíticus como nos do Vaticanus. Portanto, em versões mais recentes, ela é omitida, ou uma nota marginal questiona o seu lugar no texto divino. Contudo, estes versos são encontrados em [todos] os [1800] manuscritos gregos [do Evangelho de Marcos], exceto nos dois supracitados e são encontrados em todos os manuscritos latinos, com exceção de um. Os manuscritos Vaticanus e Sinaiticus foram escritos entre 325-350 d.C. Mas, aproximadamente 150 anos antes de Marcos 16:9-20 ter sido deletada, a passagem foi citada como escritura por vários escritores: Justino Mártir (c. 150), Taciano (c. 175), Irineu (c. 180) and Hipólito (c. 200). Desse modo, a evidência da maioria das testemunhas e da maior antiguidade, ambas apoiam extraordinariamente a passagem. Por que, então, os eruditos ainda preferem omitir os versos? Evidentemente, porque ainda desejam seguir a erudição alexandrina.

Conclusão [sobre Alexandria]

 Alexandria tornou-se o centro mundial da educação e erudição. Aqui, tanto o Judaísmo como o Cristianismo tentaram misturar o seu pensamento com o platonismo grego. Depressa, a sabedoria humana sobrepujou as palavras da Bíblia e os eruditos apoiaram-se em interpretações alegóricas para derivar da Bíblia aquilo que eles de antemão estabeleceram com sendo a verdade. Contudo, isso não foi suficiente. A ciência da crítica textual precisava ser desenvolvida, a fim de remover frases das Escrituras que eram ofensivas à sua própria doutrina. A partir daí, Alexandria tornou-se o lugar conhecido pela sua subtração da Palavra de Deus.

Roma
Informação do background

 Roma está localizada no país da Itália, no continente europeu. A data da fundação da cidade de Roma é desconhecida. No mundo antigo e no mundo cristão, a maior influência de Roma era nas áreas de forma e organização. Esta influência foi crescendo, oito séculos antes do tempo de Cristo. Roma obteve o controle da península italiana em cerca de 275 a.C. Em 133 a.C, Roma governava um império mundial, estendendo-se da Síria até a Espanha. No tempo de Cristo, Roma era a maior cidade do mundo (população: 1,2 milhões) e era a capital do Império Romano. Evidentemente, ela se tornou o centro da Igreja Católica Romana e, desde 1871, tem sido a capital do país da Itália.

Menções [de Roma] na Bíblia

A cidade de Roma é mencionada nove vezes na Bíblia pelo nome. Destas nove referências devemos dar especial atenção à 2 Timóteo 1:16-17. O Apóstolo Paulo escreveu a 2 Timóteo, enquanto estava na prisão romana, e, nesta epístola, ele enaltece um homem chamado Onesíforo, porque ele o ajudou: “O SENHOR conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou, e não se envergonhou das minhas cadeias.” Roma era, portanto, conhecida como um lugar que perseguia os cristãos. Quando Constantino declarou o Cristianismo como a religião estatal, a perseguição [aos V-E-R-D-A-D-E-I-R-O-S crentes] não cessou. Os que se punham de pé [para defender, lutar] por suas crenças ainda sofriam nas mãos da igreja-estado que estava se desenvolvendo.

Também precisamos dar atenção a uma referência indireta à cidade de Roma, no livro profético do Apocalipse. O capítulo 17 do Apocalipse fala sobre a mãe das prostituições, a qual se embriagará com o sangue dos santos. Ela é, claramente, a religião mundial, que enganará multidões, durante a Grande Tribulação. Sobre a mulher, ela é descrita como sendo “a grande cidade que reina sobre os reis da terra”. (Apocalipse 17:18). A identificação da cidade é feita no verso 9, o qual declara os “sete montes, sobre os quais a mulher está assentada”. Sempre e sempre, Roma é identificada pelos historiadores antigos como a cidade das sete colinas ou sete montanhas. Portanto, Roma será o centro da futura religião mundial.

Desenvolvimento Doutrinário
O desenvolvimento doutrinário de Roma pode ser facilmente compreendido pelo estudo de três homens. Embora estes três homens não tenham nascido em Roma, eles influenciaram grandemente a posição de supremacia da cidade, quando traduziram a bíblia católica romana, estabelecendo o método alegórico de interpretação.

O primeiro homem, Cipriano, (195-258 d.C.), muito fez no sentido de desenvolver a supremacia romana. Durante os primeiros séculos depois de Cristo, as igrejas de várias cidades grandes foram elevadas a altas posições de respeito e autoridade. Roma foi apenas uma destas cidades importantes. Contudo, Cypriano ensinou a doutrina da supremacia da Igreja de Roma sobre as outras igrejas. Ele também afirmou que alguém fora da Igreja Católica estaria perdido, criando, assim, o monopólio da salvação católica romana. Os ensinos de Cipriano foram usados mais tarde pelo Catolicismo Romano, a fim de estabelecer a sua tremenda força política sobre a maioria dos [assim chamados] "cristãos", durante a Idade Média.

O segundo homem, Jerônimo (340-420 d.C.), é importante por causa da sua influência sobre a Bíblia. Ele viveu como um eremita, durante vários anos. (com a ajuda de várias senhoras benfeitoras) e fundou um mosteiro em Belém. Ele promoveu grandemente a autonegação, o celibato do clero e a adoração a Maria. Em cerca de 382 d.C., o papa Damásio o comissionou a traduzir, novamente, o Novo Testamento para o Latim [desde o ano 157 d.C. ou pouco antes, já havia uma tradução para o Latim, feita pelos perseguidos Waldenses, mas sua pureza desagradava Roma]. Jerônimo usou a obra de Orígenes para ajudar na sua tradução, a qual foi aceita, mais tarde, como a Bíblia Católica Romana oficial. Cópias da já existente Antiga Vulgata Latina, a qual concordava mais aproximadamente com o verdadeiro texto, foram descartadas e, oportunamente destruídas. A Vulgata Latina de Jerônimo triunfou, para prejuízo das puras cópias da Palavra.

O terceiro homem, Agostinho (354-430 d.C.), foi o bispo de Hipona, no Norte da África, durante muitos anos. Embora não haja espaço para discutir sua doutrina, o seu método de interpretação precisa ser considerado. Ele estabeleceu o que veio a ser conhecido como o tipo ocidental de interpretação, o qual ensina que a Escritura deve conformar-se à interpretação da igreja. Assim, ele deu margem à exigência de Roma de que a interpretação da Bíblia deve adaptar-se à tradição da igreja. De alguns modos, Roma poderia ser comparada aos fariseus sobre quem Cristo disse: "Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens." (Mateus 15:8-9).
Algumas das ideias não escriturais da ICAR (tais como o monasticismo e o batismo de infantes) podem ter sido desenvolvidas em Alexandria, mas foram estabelecidas por Roma como perenes tradições.

Corrupção Bíblica

Enquanto a erudição alexandrina subtraiu da Palavra, a tradição romana acrescentou à Palavra. Não importa quão opostas estes dois enfoques possam parecer, os dois movimentos se juntaram no desenvolvimento das bíblias católicas romanas. Roma pegou as bíblias diluídas de Alexandria e nelas fez acréscimos, conforme suas tradições. Isso resultou em bíblias corrompidas, as quais ainda temos hoje. A imutável prática do Catolicismo Romano tem sido colocar a tradição acima da Palavra. Ora, esta prática foi transformada em dogma no Concílio de Trento, em 1546. Este concílio declarou que os livros apócrifos, junto com a tradição não escrita, devem ser recebidos como a venerada Palavra de Deus. Ao elevar a tradição, a Palavra de Deus foi rebaixada. Em verdade, isso deixa a Palavra de Deus sem qualquer efeito.

A tendência a acrescentar a Palavra de Deus pode ser vista nos manuscritos mais influentes do último século, o Vaticanus e o Sinaiticus. O manuscrito Vaticanus foi descoberto na Biblioteca do Vaticano, em 1481. Ele foi desconsiderado pelos eruditos gregos, mas elevado por Westcott e Hort, na tradução da Versão Revisada, em 1881, quatrocentos anos após sua descoberta. Este manuscrito acrescenta a Epístola de Barnabé, bem como os livros apócrifos, ao texto do Novo Testamento. O manuscrito Sinaiticus foi encontrado no Mosteiro de Santa Catarina, ao pé do Monte Sinai, em 1844. Ele contém O Pastor de Hermas e A Epístola de Barnabé , no texto do seu Novo Testamento. Esta tendência a acrescentar à Palavra de Deus também pode ser encontrada na versão da bíblia inglesa da New American Standard Version. Localizada no final de Marcos, em letras capitais, está a palavra ADIÇÃO, após a qual vem um pequeno parágrafo. Uma nota marginal explica que alguns dos manuscritos mais recentes e das versões [mais antigas] contêm este parágrafo. Absolutamente nenhuma indicação é dada quanto se isto é ou não é a Palavra de Deus.

Conclusão [sobre Roma]

O Novo Testamento está sendo corrompido por homens que afirmavam o estar corrigindo, mesmo antes de todos os livros do Novo Testamento terem sido escritos (2 Coríntios 2:17). Sempre houve e sempre haverá os que manejam “a Palavra de Deus com astúcia" (2 Coríntios 4:2). Os dois motivos principais para mudar a Palavra de Deus são a erudição e a tradição. A erudição encontrada em Alexandria geralmente subtrai da Palavra, enquanto a tradição, conforme encontrada em Roma, geralmente acrescenta à Palavra. Estas duas influências explicam as corrompidas bíblias de hoje.

Desse modo, o estudo da Bíblia se torna um processo de múltipla escolha. Se você gosta de uma palavra ou sentença, deixa ficar [na Bíblia]. Se não gosta, descarta [da Bíblia]. Se você gostaria que uma palavra ou sentença estivesse na Bíblia, mas lá não está, você a acrescenta [como se fosse palavra de Deus]. Por que permitir que a Bíblia nos mude, se podemos, facilmente, mudar a Bíblia? Mas, onde fica a pura Palavra de Deus?

Será que não existe uma Bíblia preservada em existência? A resposta é sim! Deus não ficou sem uma absoluta testemunha da verdade. Ele tem preservado a Sua Palavra! No próximo capítulo, consideraremos o poder de preservação e o uso que Deus fez da Antioquia (da Síria) bem como das áreas ao redor da Síria e na Ásia Menor, a fim de conservar a Sua Palavra isenta da corruptora influência do homem.

Antioquia
Importância Histórica

Antioquia ficava localizada na Síria, no continente asiático. Os habitantes nativos de Antioquia descendiam de Sem, um dos filhos de Noé, através de Arão. (Gênesis 10:22). Por favor, observem que Deus não usou os jafetitas da Europa, nem os camitas da África, a fim de preservar a Sua Palavra. Ele usou os semitas da Ásia, sobre os quais Noé profetizou: “Bendito seja o Deus de Sem” (Gênesis 9:26). Esta escritura mostra que Deus iria usar os semitas de um modo especial, através da história. Ele estabeleceu Sua nação escolhida, a nação de Israel, através de Abraão, que era um descendente de Sem. Ele ofereceu salvação à humanidade através dos judeus, pois Jesus Cristo declarou: “A salvação vem dos judeus” (João 4:22). Ele também revelou-Se à humanidade, na Bíblia que foi escrita por judeus e entregue aos judeus (Romanos 3:1-2). Se o povo escolhido de Deus, Sua oferta de salvação e Sua Palavra escrita vieram através de Sem, conforme a profecia de Noé, por que não iria Deus usar os filhos de Sem, a fim de preservar o Seu livro? Os sírios de Antioquia eram os semitas que Deus usou para preservar o Novo Testamento, durante os primeiros séculos após ter sido ele escrito. Antioquia tem uma grande influência na área da Ásia Menor, bem como na Síria. Estas áreas foram as primeiras localizações dos maiores reavivamentos e mais amplo evangelismo. A maioria dos livros do Novo Testamento, foi escrita ou recebida nesta parte do mundo. Pela Sua maravilhosa providência, Deus colocou Antioquia em um especial lugar de importância. Antioquia tornou-se o antigo centro dos cristãos crentes na Bíblia e na preservação da Bíblia.

Muito é revelado sobre um mestre da Bíblia ou grupo cristão, quando se examina a sua proposta na interpretação da Escritura. O mesmo se aplica ao estudo de Roma, Alexandria e Antioquia. Roma optou pela proposta da interpretação eclesiástica. Em outras palavras, as antigas tradições e os teólogos da ICAR determinam a significação da passagem. A proposta de Alexandria foi a da interpretação alegórica. A Escritura deveria ser espiritualizada por eruditos, a fim de conformar-se às suas crenças filosóficas. Somente Antioquia tomou a interpretaçãoliteral. Conforme esta proposta, a Bíblia significa o que ela diz e diz o que ela significa. Não há necessidade de mudar ou manipular a Escritura, porque a Palavra de Deus já é perfeita. Então, quem é que você deseja para copiar o seu próximo manuscrito da Bíblia: os tradicionalistas de Roma, ou os eruditos de Alexandria, ou os literalistas de Antioquia?

Menções [de Antioquia] na Bíblia

Não interessa o que sabemos, historicamente, sobre um lugar. O importante ainda é: "O que diz a Escritura?” A cidade de Roma é mencionada nove vezes no Novo Testamento e é caracterizada como um lugar de perseguição (2 Timóteo 1:15-17). Embora mencionada apenas três vezes pelo nome, Alexandria é claramente um lugar de falsa doutrina, conforme a Escritura (Atos 6:9; 18:24-26). Mas a nossa grande quantidade de informação bíblica é reservada à cidade de Antioquia. Ela é mencionada, pelo nome, 19 vezes e tem grande influência para nós, hoje. De fato, a igreja de Antioquia é o maior exemplo de Cristianismo bíblico em todo o Novo Testamento. A fundação e o primitivo ministério da igreja de Antioquia são considerados em Atos 11:19-30. Atos 13:1-4 narra a chamada e envio dos primeiros missionários para fora de Antioquia, Paulo e Barnabé. Conforme estas duas passagens, aprendemos sete características da igreja de Antioquia. Primeira, a igreja em Antioquia era uma igreja de pregação. (Atos 11:20, 23). Segunda, ela era uma igreja de testemunho (Atos 11:21, 24).Terceira, era uma igreja de ensino. (Atos 11:26; 13:1). Quarta, era uma igreja serviçal. Em Antioquia, "Os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos” (Atos 11:26).Quinta, ela era uma igreja doadora (Atos 11:29-10). Sexta, ela era igreja igreja de oração. (Atos 13:2-3). E sétima, era uma igreja missionária. (Atos 13:3-4). Fundada sobre estes princípios, a igreja em Antioquia continuou em seu ministério bíblico, durante vários séculos. Por que, então, deveria alguém estranhar que Deus tivesse usado a influência de Antioquia na preservação da Escritura? Pois, foi exatamente o que Ele fez.

A Preservação do Novo Testamento
Existem cerca de 4.000 ou 5.000 manuscritos do Novo Testamento. Eles foram classificados conforme suas leituras discordantes características, feitas pelos vários eruditos e divididos em famílias. Embora todas as divisões dos manuscritos sejam obra do homem e, portanto, sujeitas à disputa, uma das divisões mais aceitas separa os manuscritos em três famílias: Estas famílias são chamadas: a ocidental, a alexandrina e a síria. O texto ocidental está relacionado a Roma, o texto alexandrino está relacionado a Alexandria e o texto sírio está relacionado a Antioquia. Os textos ocidental e alexandrino são representados por uma minoria de manuscritos e corrompem a sã Palavra de Deus. O texto sírio representa a grande maioria dos manuscritos e, como um todo, preservam a sã Palavra de Deus. Este texto puro ainda é preservado para nós, hoje, na Bíblia inglesa King James, Versão de 1611 (No Brasil conhecida como a versão "Revisada Fiel, da Trinitariana", ou como a "ACF, Almeida Corrigida Fiel".).

Livro após livro tem sido escrito, nos últimos cem anos, de ambos os lados, sobre o assunto das diferenças textuais. Mas a verdadeira questão é se Deus preservou ou não a Sua Palavra. Se Ele o fez, poderia ter usado qualquer um, de qualquer modo, embora a história aponte, definitivamente, para Antioquia. Se Ele não o fez, então a Bíblia está corrompida além da possibilidade de ser consertada, e fomos deixados sem qualquer autoridade final da verdade. Ficamos cegos em um mundo entenebrecido pelo pecado, em rebelião contra Deus[Conforme se comportam os que não conhecem a Sua Palavra]. Mas temos as puras e preservadas palavras de Deus. Abra a sua Versão King James de 1611 e leia, estude, e pregue a mesma. Suas palavras não contêm erro e engano. Então, podemos proclamar a sua mensagem sem apologia!

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