14 dezembro 2014

DOUTRINAS QUE NÃO PODEM SER COMPROMETIDAS - PARTE II



2) A HUMANIDADE É DEPRAVADA, PECADORA E CONDENADA COM JUSTIÇA.

Nossa cultura está mergulhada no Positivismo.Nossas igrejas estão vivendo os sonhos materiais do Arminianismo. Ambas as filosofias colocam o homem no assento de motorista de sua jornada. Ambas acreditam que os seres humanos são capitães do seu próprio destino. Mas a Bíblia nos diz que não podemos confiar em tais capitães. Não podemos nem mesmo entender os nossos próprios motivos, muito menos podemos compreender a nossa jornada física e espiritual. A Bíblia nos diz que a humanidade é nascida em pecado, do mesmo modo como uma fagulha salta do fogo. Ela lembra aos cristãos que somos filhos da ira, mortos em delitos e pecados e até mesmo a nossa fé é um dom de Deus.

As Escrituras registram que ninguém busca Deus e que ninguém O conhece. Somente o Espírito Santo, usando a Palavra escrita, pode trazer a conversão. A Palavra de Deus até, corretamente, nos insulta ao contar que nossos atos são tão indignos diante de Deus, como com panos de imundícia de sangue menstrual.

Mesmo depois de confiar em Jesus como Salvador, lutamos contra o velho homem, a nossa natureza pecaminosa. Podemos andar como imaturos e parecer com o mundo, ser amantes da cultura, e entristecer o Espírito Santo. A verdade é que se nem sequer podemos confiar em nós mesmos, muito menos [devemos confiar] no mundo.

A doutrina sobre [nossa] depravação deveria nos causar humildade e cautela. Ela deveria derreter o orgulho e criar em nós expectações realistas sobre as nossas habilidades espirituais e motivos. Algumas pessoas no mundo evangélico bombasticamente se jactam de como podemos mudar o mundo. Como se, se focalizássemos nossos esforços, pudéssemos causar um reavivamento. E como se, se simplesmente nos reunirmos, a energia que produzimos leve Deus a agir. O Senhor é visto no céu, simplesmente como um garçom esperando para [atender nossas ordens e desejos, e] nos servir. TEMOS O PLANO! Basta clamar a Ele, vez ou outra, para Ele nos servir de tomada de eletricidade!

Nosso povo precisa lembrar-se e ensinar que o podere o plano são dEle. Nós, por natureza, não temos a força e muito menos os insights para sabermos o que fazer. O Pai elegeu usar-nos, mesmo com a nossa estupidez, mas o plano é realmente dEle! O que Ele espera de nós é contrição e humildade.

3) A VERDADE É ABSOLUTA E PODE SER CONHECIDA

A Verdade Absoluta é uma “doutrina” crítica, se você quiser, a qual é extremamente importante para o nosso tempo. A cultura nos diz que já não existem absolutos. Ela nos diz que a verdade proposicional não pode ser conhecida. A realidade pessoal experimental é o que conta. Em outras palavras, “Você cria a sua própria realidade”. “O que é correto para você é correto”.

Novamente, Francis Schaeffer viu este tempo chegando e escreveu:O que Hegel fez foi algo mais profundo do que apenas trocar uma resposta filosófica por outra. Ele mudou as regras do jogo em duas áreas:EPISTEMOLOGIA, a teoria do conhecimento e dos limites e validade do conhecimento e da METODOLOGIA, o método pelo qual nos aproximamos da questão da verdade e do conhecimento... Uma razão central pela qual que os cristãos não entendem seus filhos é que seus filhosjá não pensam no mesmo arcabouço dentro do qual seus pais pensaram. Não é meramente que eles venham com respostas diferentes. A metodologia mudou, isto é, o exato método pelo qual Eles chegaram ou tentaram alcançar a verdade, mudou. (ESCAPE DA RAZÃO)

David McCallum expande em seu livro A MORTE DA VERDADE. Ele diz que agora a nossa cultura aceita as básicas idéias do pós-modernismo. A realidade está na mente dos que a contemplam.

As pessoas não podem pensar independentemente porque elas são “tolhidas” pela cultura. Ninguém mais pode provar coisa alguma, especialmente pela história. E mais especificamente pela história citada na Bíblia. McCallum observa que, ironicamente, as pessoas estão mais interessadas na espiritualidade,mas rejeitam o Cristianismo bíblico! William H. Smith (WORLD, April 20, 1996)acrescenta que a Igreja desde a Reforma tem sempre praticado o “pensamento delimitador de fronteiras” com cercas de doutrinas estabelecidas pelas Escrituras. Ele mostra que o paradigma tem mudado para um “pensamento fixado no centro”. Os pensadores deste gênero não se preocupam com as fronteiras, mas com a direção. Esses pensadores são relativistas sem muros[estabelecedores de fronteiras] e diriam: “O Evangelho pode incluir o que você desejar que ele contenha e é OK,se o seu coração é correto”. Você pode descrever Jesus e o Evangelho pela Bíblia ou pelos moldes dos mórmons ou da Nova Era. Cercas não contam.

Os reformadores acreditavam que a verdade bíblica poderia e deveria ser declarada proposicional e sistematicamente. Suas confissões alcançaram fronteiras e testificaram ao mundo, de forma concentrada, as verdades proclamadas na Escritura. Não há dúvida de que os credos contêm fraquezas. Por causa da humanidade dos crentes em Cristo, nenhuma declaração doutrinária será perfeita. A declaração deve ser continuamente refinada e testada pela própria Palavra de Deus. Mas, lançar fora declarações proposicionais da verdade trará completamente sobre nós uma nova era das trevas, a qual será mais maligna do que todas as falhas atuais amarradas em um molho.

Embora decaído, o homem é criado à imagem de Deus e o Senhor tem dado em Sua Palavra o conteúdo necessário do qual o homem desesperadamente precisa. A Bíblia, então, estabelece a sua própria declaração sobre o que trata a Palavra de Deus. Ela se apresenta como a comunicação da verdade proposicional de Deus, escrita de forma verbalizada, dirigida aos que são feitos à imagem de Deus. Desse modo, a humanidade pode entender por que Deus fala conforme o nosso nível humano.

Mas agora a cultura nega veementemente o fato de que Deus falou claramente em Seu Livro! Trabalham a partir do que eles chamariam um Sistema Fechado, (isto é, se existe um Deus, Ele não pode atravessar para o mundo dos homens) mas o pensamento teológico secular e não bíblico de hojediria que é absolutamente impossível conhecer verdadeira mente a verdade conforme registrada na Escritura!

Assim, simplesmente almeje “sentir” Deus, e você pode fazer isso por “sentir” a si mesmo! As emoções se tornam a sua realidade. A realidade emocional se torna a mensagem! Podemos ver o resultado disso em nossas igrejas? Totalmente!

•  A "Adoração" predomina sobre o ensino.

•  "Sentir" Deus predomina sobre o conhecimento de Deus.

•  O "Sermonizar [com truques de oratória e domínio de massas]" predomina sobre o ensino.

•  Sermões “mais curtos” e impactantes predominam sobre a doutrina que pode mudar a direção à qual se dirige o crente.

•  A música predomina sobre as palavras.

•  Sermões sobre as “necessidades sentidas” predominam sobre a exposição doutrinária.

•  Sermões de "superfície bem fininha" predominam sobre o profundo estudo de verdades proposicionais.

•  Mensagens tópicas predominam sobre a exegese de verso-após - verso do Livro.

•  A febre de crescimento da Igreja predomina sobre a maturidade do crente.

•  "Uma atmosfera “cordial para o crente” predomina sobre a necessidade de confrontação e convicção.

•  Um transe de euforia emocional (provocado por música e dança e outras media) predomina sobre o arrependimento da mente e da alma. ·

O que aconteceu no Monte Sinai? Moisés disse à multidão: "Vocês viram e ouviram o grande poder de Deus"(Deuteronômio 29:2). De um certo modo, Moisés estava dizendo:

"O que vocês escutaram foi a comunicação verbalizada de Deus ao homem, numa situação definida, num espaço de tempo histórico”, Moisés não estava dando algum tipo de experiência existencial sem conteúdo, nem dando um passo anti-intelectual.


Ele estava dando ao Israel de Deus uma mensagem compreensível! Encontramos exatamente o mesmo tipo de comunicação acontecendo no Novo Testamento, como por exemplo, quando Cristo falou, em Hebraico, com Paulo, na Estrada de Damasco.

Embora todo o aprendizado e conhecimento sejam desviados pela limitação humana, mesmo assim a verdade é a verdade. Uma maçã pode ser vermelha. Mas se eu for cego, só vou saber a cor se alguém mo disser. O problema não é da maçã, mas dos meus olhos. Apropriadamente pesquisada, a história bíblica nos revela a verdade, mesmo com o nossa limitação no aprendizado.

Contudo, a verdade continua ali. O mundo não acredita que conheçamos a verdade, especialmente a verdade bíblica. A Bíblia é apresentada como um livro de recortes de grandes peças de mitologia e um pouco de história desconjuntada. Schaeffer continua:

“Está claro que, do ponto de vista das próprias Escrituras,existe uma unidade sobre todo o campo do conhecimento.

Deus falou a verdade, numa forma linguística proposicional,segundo Ele mesmo, e segundo a história e o universo (O DEUS QUE ESTÁ ALI).

Quando Deus fala sobre a história ou Se revela nos lugares celestiais, a unidade da verdade ali está porque Deus falou a verdade dentro de todas as áreas do nosso conhecimento.

Embora o Senhor seja transcendente, e acima de nós,Ele condescendeu em revelar-Se nas Escrituras, por causa do Seu grande amor por nós. Esta revelação dEle é correta!

Outros previram este nosso tempo em que a verdade ea busca da verdade iriam diminuir na área dos estudos bíblicos. O grande reformador calvinista Charles Hodge escreveu, há 150 anos:

“É uma das mais distinguidas doutrinas dos protestantes que o conhecimento é essencial à fé. Esta é claramente a doutrina da Escritura.  “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quemnão ouviram? (Romanos 10:14),uma pergunta instrutiva do Apóstolo. A fé inclui a afirmação da mente sobre o que uma coisa é verdadeira e confiável... A verdade deve ser comunicada à mente e vista como possível, antes de qualquer evidência, a fim de ser crida.

Portanto, se não podemos conhecer Deus, não podemos crer nEle.(SYSTEMATIC THEOLOGY, Vol. 1, pp. 353-354)”

Hodge também declara:

“Ninguém hesita em dizer que houve um tal homem chamado de Washington,ou um tal evento chamado de Revolução Americana. Seeste testemunho sobre o homem pode nos dar um conhecimento claro e correto dos fatos além da experiência, certamente o testemunho de Deus é maior. O que Ele revela se torna conhecido. Nós o apreendemos conforme ele é verdadeiro. A convicção de que o que Deus revela se torna conhecido em sua exata natureza, é a exata essência da fé no testemunho divino. Então, temos certeza de que nossas idéias sobre Deus, fundamentadas no testemunho da Sua Palavra, correspondem exatamente ao que Ele geralmente é e se constitui em verdadeiro conhecimento. Também deve ser lembrado que, enquanto o testemunho do homem é para a mente, o testemunho de Deus não se limita apenas à mente, mas está dentro da mente”. (Ibid., p. 364).

Nosso povo precisa saber que os termos: doutrina, ensino, exegese e verdade não são palavras vãs. Elas refletem de fato que Deus tem nos dado um conhecimento absoluto e correto. A Palavra de Deus é suficiente para a verdade sobre nós mesmos, a verdade sobre o Senhor e sobre todo o nosso destino eterno!

Recentemente, os revisionistas têm convocado os Cristãos a abandonarem a sua fixação sobre o ”conhecimento na cabeça”.

Eles dizem que [os cristãos] estão se concentrando demais no conhecimento e pouquíssimo no sentimento e na criatividade.

[N.T.– Este é um típico ensino dos mestres pentecostais/carismáticos]. Ninguém nega o lugar da convicção do coração e da nossa sinceridade, compromisso e resposta a Deus. Mas, novamente, essa resposta é construída sobre tangível verdade e promessas. O pensamento e o conhecimento não podem ser deixados fora da fórmula.

Nosso povo precisa saber que a Bíblia é razoável e exige a razão para ser entendida. "Vinde e arrazoemos, diz o Senhor”(Isaías 1:18).

Paulo acrescenta na 2 Timóteo 2:15:“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.

Visto como somos tão finitos e obscurecidos espiritualmente, a oração e a obra dinâmica do Espírito Santo são certamente exigidas para a nossa iluminação. Mas Deus também age através do que é objetivo, escrito, razoável, mental e verbal. As Escrituras nos dizem claramente:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. (2Timóteo 3:16-17). "Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de

tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina”. (2 Timóteo 4:2). "... a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus." (Romanos 10:17). (Arndt & Gingrich observam que PISTIS [crença] pode ser também traduzido como: “confiável”, “confiança”,“convicção”, “segurança”).

Ao nosso povo deve ser ensinado que ele não pode desprezar a doutrina, ensino, instrução e reprovação. O ensino doutrinário e a exegese verso- a- verso devem ser restaurados e ensinados com entusiasmo, a fim de fortalecerem, novamente, as nossas igrejas.

Paulo lembra a Timóteo que“... ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos” (2 Timóteo 2:24-26).

Continuaremos amanhã...
Meu abraço.

Viva vencendo com a Doutrina de Cristo!!!

Seu irmão menor.

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