09 janeiro 2015

LIÇÃO 02 - 11/01/15 - "O PADRÃO DA LEI MORAL"




TEXTO ÁUREO
 ”Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra.”  (Dt 4.13)

VERDADE PRÁTICA
 As chamadas “lei moral”, “lei cerimonial” e “lei civil” são, na verdade, três partes de uma mesma lei que o Senhor Jesus já cumpriu na sua totalidade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Deuteronômio 9.9-11; 10.1-5



INTRODUÇÃO
Quando Deus libertou Israel do Egito, não os deixou vagando indefinidamente, sem rumo. Deus os enviou para uma terra abençoada, que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. Nela eles seriam uma nação regida pdo próprio Deus, teriam seu espaço para viver, trabalhar, comemorar datas festivas e, acima de tudo, adorar a Deus.

Mas antes de chegar nessa nova terra, eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus, com seu próximo e consigo mesmos. Eles não seriam pessoas sem regras, que poderiam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes. Por isso, eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida. Essa lei foi dada por Deus. Os Dez Mandamentos, como são conhecidos, foram dados ao povo de Israel pelo Senhor, a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria

                                                    Origem das Tábuas

As Dez Palavras foram originalmente fornecidas, de forma oral, no monte Sinai, pelo anjo de Yehowah. (Êx 20:1; 31:18; De 5:22; 9:10; At 7:38, 53; veja também Gál 3:19; He 2:2.) Em seguida Moisés subiu ao monte, a fim de receber as Dez Palavras em forma escrita, em duas tábuas de pedra, junto com outros mandamentos e instruções. Durante a sua prolongada estada de 40 dias, o povo ficou impaciente e fez a estátua fundida dum bezerro, para adorar.

Ao descer do monte, Moisés viu este espetáculo de idolatria e atirou ao chão “as tábuas [que] eram o trabalho de Deus”, as próprias tábuas sobre as quais haviam sido escritas as Dez Palavras, destroçando-as. - Êx 24:12; 31:18-32:19; De 9:8-17; compare isso com Lu 11:20.


Mais tarde, Deus disse a Moisés: “Lavra para ti duas tábuas de pedra iguais às primeiras, e eu terei de escrever nas tábuas as palavras que apareceram nas primeiras tábuas que destroçaste.” (Êx 34:1-4) E assim, depois de passar mais 40 dias no monte, obteve uma cópia idêntica das Dez Palavras.Estas foram guardadas por Moisés numa arca de madeira de acácia. (De 10:1-5) As duas tábuas foram chamadas de “as tábuas do pacto”. (De 9:9, 11, 15).

Evidentemente, foi por esta razão que a arca revestida de ouro, feita mais tarde por Bezalel, na qual as tábuas foram por fim guardadas, era chamada de “arca do pacto”. (Jos 3:6, 11; 8:33; Jz 20:27; He 9:4) Esta legislação das Dez Palavras também era chamada de “o testemunho” (Êx 25:16, 21; 40:20), e de “tábuas do Testemunho” (Êx 31:18; 34:29), daí as expressões “a arca do testemunho” (Êx 25:22; Núm 4:5), e também “o tabernáculo do Testemunho”, isto é, a tenda na qual a Arca era abrigada. - Êx 38:21.


A respeito do primeiro conjunto de tábuas, declara-se que não apenas foram feitas por Yehowah, mas que também foram “inscritas pelo dedo de Deus”, evidentemente, denotando o espírito de Deus. (Êx 31:18; De 4:13; 5:22; 9:10) Da mesma forma, Yehowah fez as inscrições no segundo conjunto de tábuas, embora lavradas por Moisés. Quando se disse a Moisés, em Êxodo 34:27: “Escreve para ti estas palavras”, não se aludiu às próprias Dez Palavras, mas, antes, como numa ocasião anterior (Êx 24:3, 4), que ele devia escrever alguns dos outros detalhes pertinentes aos regulamentos do pacto. Assim, o pronome “ele”, em Êxodo 34:28b, refere-se a Yehowah, quando diz: “E ele [Deus, e não Moisés] passou a escrever nas tábuas as palavras do pacto, as Dez Palavras.” O versículo 1 mostra que foi assim. Mais tarde, ao lembrar tais acontecimentos, Moisés confirma que foi Yehowah quem reproduziu as tábuas. - De 10:1-4.

OS DEZ MANDAMENTOS
Os Dez Mandamentos é uma tradução da expressão hebraica ?aséreth haddevarím, encontrada apenas no Pentateuco, que designa as dez leis básicas do pacto da Lei de Deus; comumente chamadas de Dez Mandamentos. (Êx 34:18; De 4:13; 10:4).

Este código especial de leis é também chamado de “Palavras” (De 5:22) e de “as palavras do pacto”. (Êx 34:28).

A Septuaginta grega (Êx 34:28; De 10:4) reza déka (dez) lógous(palavras), combinação da qual deriva a palavra “Decálogo”.


No Antigo Testamento, o Decálogo é uniformemente referida como “as dez palavras” (Exo 34:28; Deut 4:13; Deut 10:4), ou simplesmente como “as palavras” faladas por Yahweh (Exo 20:1; Exo 34:27; Deut 5:22 Deut 10:2), ou como “as palavras da aliança” (Exo 34:28). No Novo Testamento, eles são chamados de “mandamentos” (Mat 19:17; ), como acontece com a maioria de nós em terras cristãs.

A lei de Moisés não consiste apenas num compêndio religioso; trata de profecias, histórias, registros genealógicos e cronológicos, regulamentos, ritos, cerimônias, exortações, preceitos morais, civis e cerimoniais, instrução para sacerdotes, sacrifícios, ofertas, festas e o tabernáculo. A grande diversidade de conteúdo e suas várias formas de apresentação dos dados da revelação têm impressionado o espírito humano até hoje. A estrutura literária dessa parte das Escrituras Sagradas é complexa e sobre ela muitas’ interpretações e especulações têm sido levantadas ao longo dos séculos.

O Decálogo é o exemplo mais conhecido da forma categórica ou absoluta que se caracteriza pelo comando absoluto, geralmente pelo uso da segunda pessoa do singular no futuro ou no imperativo, e algumas vezes no plural. Isso aparece nos mandamentos negativos ou positivos. O mandamento com o verbo no particípio hebraico também é considerado categórico ou absoluto por muitos, como em: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado” (Gn 9.6); ou: “Quem ferir alguém, que morra, ele também certamente morrerá” (Êx 21.12). As expressões “quem derramar” e “quem ferir” estão no particípio, na língua original. Mas há quem afirme que a referida forma é casuística.

Os quatro primeiros referem-se aos deveres do homem para com Deus. Os outros seis, incluem os deveres do homem para com os seus semelhantes.

1º = “Não terás outros deuses diante de mim” (v.3). Refere-se ao único Deus. Nenhuma adoração a santos, anjos ou a outra criatura ou objeto é permitido pelo Senhor.
2º. “Não farás para ti Imagem de escultura”; ”não te encurvarás a elas nem as servirás” (v.4-6). Lembra que Deus é Espírito e não admite ser adorado por meio de imagem de homem ou de qualquer criatura.
3º. “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (v.7).Evidencia a santidade de Deus, não sendo permitido o uso de seu nome de modo vão, desrespeitoso ou frívolo.

4º., “Lembra-te do dia do sábado para o santificar” (v.8). Lembra que Deus é o Senhor, criador de todas as coisas; lembra a sua soberania sobre a criação. A palavra sábado, em heb. shabbath, do verbo sabath, significa “cessar” ou “descansar” de trabalhar. Para os judeus, era um concerto perpétuo (Êx 31.12-18).
5º., “Honra a teu pai e a tua mãe” (v.12). Impõe o respeito à autoridade paterna, como símbolo do respeito à autoridade de Deus. É o primefro mandamento com promessa (Ef 6.2,3).
6º. “Não matarás” (v.13). Defende a preservação da vida como dom de Deus, proibindo o homicídio. No tempo de Moisés, era penuitida a,pena de morte pela autoridade judicial (Ex 21.12-15).
7º. “Não adulterarás” (v.14). Refere-se à santidade e pureza do casamento. O Senhor Jesus, no Novo Ccxicesto, trouxe nova maneira de aplicar esse mandamento, tornando-o mais abrangente (Mt 5.28).
8º. “Não furtarás” (v.15). Valoriza o respeito à propriedade dos bens alheios. Há muitas maneiras de desrespeitar esse mandamento. Não é só pela apropriação indevida de coisa materiais; não pagar o salário condignamente, é furtar o direito do trabalhador.
9º. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (v.16). Uma pessoa pode prejudicar a boa reputação de alguém, mediante uma calúnia. O Código Penal é severo, quando dispõe sobre os crimes de calúnias, injúria ou difamação. É interessante notar-se que, em muitas igrejas, alguém é excluído por causa do adultério (72 mandamento), mas ninguém é excluído por causa dos pecados contra 090 mandamento. Isso é praticar dois pesos e duas medidas, 6 juízo ontrário a Palavra de Deus.
10′. “Não cobiçarás…” (v.17). Cobiçar é atitude mental, interior, apenas sentida pelo pecador. Deus não quer santidade apenas no exterior. Ele quer a santidade do corpo, da alma e do espírito. O último mandamento proibe cobiçar a casa do próximo, sua mulher, seu servo ou serva, seu boi ou jumento, etc. Esse mandamento é tão importante quanto os outros, pois o pecado, antes de ser praticado, começa na mente, no desejo interior (Tg 1.14,15).

No Velho Testamento, o Decálogo é o princípio básico do Velho Concerto. No Novo Testamento, o Sermão da Montanha (Mt 5.6 e 7), proferido por Cristo, é mais abrangente, pois inclui todos os princípios do Decálogo, em conformidade com a vida cristã, expressanoN. Testamento. Jesus resumiu toda a lei em dois mandamentos: Amar a Deus e amar ao próximo (Mt 22.37-40; Rm 13.8-10).

 A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI

Os Propósitos da Lei


Quando Deus libertou Israel do Egito, não os deixou vagando indefinidamente, sem rumo. Deus os enviou para uma terra abençoada, que daria seus frutos nas estações certas e tornaria a vida dos israelitas muito agradável. Eles receberiam essa terra por uma obra da graça de Deus. Nela eles seriam uma nação regida pdo próprio Deus, teriam seu espaço para viver, trabalhar, comemorar datas festivas e, acima de tudo, adorar a Deus.

Mas antes de chegar nessa nova terra, eles precisavam entender que deveriam ter regras específicas de convivência com Deus, com seu próximo e consigo mesmos. Eles não seriam pessoas sem regras, que poderiam fazer o que quisessem sem prestar contas de suas atitudes. Por isso, eles deveriam ter uma lei que organizasse a vida. Essa lei foi dada por Deus. Os Dez Mandamentos, como são conhecidos, foram dados ao povo de Israel pelo Senhor, a fim de que os israelitas pautassem sua existência pelo que Deus queria.

Os objetivos de Deus com a Lei foram, inicialmente:
Providenciar um padrão de justiça que pudesse ser alcançado. Quando pensamos que Deus deu sua lei ao povo de Israel, podemos pensar que a abrangência dessa lei refere-se apenas aos judeus. Entretanto, é preciso fazer aqui uma observação: princípios e regras devem ser analisados em nosso estudo. Princípios são ordenações gerais que têm por objetivo regular determinadas situações. Esses princípios são expostos em regras, ou seja, quando Deus desejou proteger o fruto do trabalho dos israelitas, ordenou que não se furtasse. Os princípios desse mandamento são a proteção da propriedade e a valorização do trabalho, e eles são expostos na regra “não furtarás”. Portanto, os princípios estão no topo, e as regras, na base. Regras podem variar com o passar do tempo, com o local e o povo, mas os princípios não (Dt 4.8; Rm 7.12).

A lei de Deus também mostra o pecado do homem. Ela não faz do homem um pecador, mas mostra o quanto ele é inclinado a desobedecer às regras e princípios que Deus determinou.  Paulo comenta isso em Romanos 5.20: “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse”, isto é, fosse devidamente conhecida. “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20), ou seja, o conhecimento pleno dele.”Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7.7). Ou seja, Paulo deixa claro que a lei traz o conhecimento de nossos pecados. Ela não os cria, mas os denuncia.


A lei mostra ainda a santidade de Deus. Deus é santo, e não pode tolerar o pecado. A lei mostra que o padrão de Deus para uma vida justa deve ser buscado pelo homem. Com o passar do tempo, percebeu-se que essa busca pela justiça não poderia ser alcançada sem a ajuda de um Salvador, a quem Deus enviou ao mundo, seu Filho Jesus Cristo. Apenas por Ele podemos nos aproximar da santidade de Deus e buscá-la para um viver santo neste mundo decaído.

Outras Maneiras de Alistar Estas Leis
A divisão acima das Dez Palavras, conforme se encontra em Êxodo 20:2-17, é a natural. É a mesma fornecida por Josefo, historiador judeu do primeiro século EC (Antiquities of the Jews [Antiguidades Judaicas], III, 91, 92 [v, 5]), e pelo filósofo judeu Filo, também do primeiro século EC, em The Decalogue (XII, 51). Outros, porém, inclusive Agostinho, juntaram as duas leis contra deuses estranhos e contra imagens (Êx 20:3-6; De 5:7-10) num só mandamento, e, então, a fim de ainda ter dez, dividiram Êxodo 20:17 (De 5:21) em dois mandamentos, criando assim um nono contra cobiçar a esposa do próximo e um décimo contra cobiçar sua casa, e assim por diante. Agostinho buscou apoio para a sua divisão teórica no alistamento paralelo posterior do Decálogo, em Deuteronômio 5:6-21, onde se encontram duas palavras hebraicas diferentes no versículo 21 (”Nem deves desejar [forma da hebr. hhamádh] . . . Nem deves almejar egoistamente [forma da hebr. ‘awáh]”), ao invés de no texto anterior de Êxodo 20:17, onde apenas o único verbo (desejar) ocorre duas vezes.


Moisés, a Lei e a Nação de Israel
Em 1943 AEC, Deus escolheu Abrão para ser seu servo especial e mais tarde fez-lhe um solene juramento devido à sua fidelidade em dispor-se a oferecer seu filho Isaque em sacrifício, ainda que esse sacrifício não se consumasse. (Gênesis 12:1-3; 22:1-14) Naquele juramento, Deus disse: “Juro por Mim Mesmo, o SENHOR [hebraico: ????, YHWH] declara: Por teres feito isto, e não teres negado teu filho, teu dileto, dar-te-ei Minha bênção e farei teus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu . . . Todas as nações da terra se abençoarão a si mesmas por meio de teus descendentes [”semente”, Al, rev. e corr.], porque obedeceste a Minha ordem.” Este voto juramentado foi repetido ao filho e ao neto de Abraão, passando então à tribo de Judá e à linhagem de Davi. Este conceito estritamente monoteísta de um Deus pessoal tendo tratos diretos com humanos era ímpar naquele mundo antigo, e veio a formar a base da religião judaica. - Gênesis 22:15-18; 26:3-5; 28:13-15; Salmo 89:4, 5, 29, 30, 36, 37 (Salmo 89:3, 4, 28, 29, 35, 36).


Para cumprir suas promessas feitas a Abraão, Deus lançou o fundamento para uma nação firmando um pacto especial com os descendentes de Abraão.

Este pacto foi instituído por meio de Moisés, o grande líder hebreu e mediador entre Deus e Israel. Quem era Moisés, e por que é ele tão importante para os judeus? O relato bíblico de Êxodo nos diz que ele nasceu no Egito (1593 AEC) de pais israelitas que eram escravos no cativeiro junto com o restante de Israel. Foi ele “a quem o SENHOR escolheu” para conduzir o Seu povo à liberdade em Canaã, a Terra Prometida. (Deuteronômio 6:23; 34:10) Moisés cumpriu o papel vital de mediador do pacto da Lei dado por Deus a Israel, além de ser seu profeta, juiz, líder e historiador. - Êxodo 2:1-3:22.

Em que consiste a Lei de Moisés? 
Quando se faz referência à Lei de Moisés nas igrejas, geralmente está se falando dos Dez Mandamentos. Mas esse é um engano, pois cumprir a Lei Mosaica é muito mais: ela é composta de todo o código de leis formado por 613 disposições, ordens e proibições. Em hebraico a Lei é chamada de Torá,que pode significar lei como também instrução ou doutrina. O conteúdo daTorá são os cinco livros de Moisés, mas o termo Torá é aplicado igualmente ao Antigo Testamento como um todo.

Jesus Cristo e a Lei de Moisés 

É interessante observar que Jesus posicionou-se claramente a favor do código legal mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Entretanto, Ele rejeitou com veemência as ordenanças humanas e as obrigações impostas apenas pela tradição judaica (compiladas, posteriormente, no Talmude), afirmando: “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição. Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe seja punido de morte. Vós, porém, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que podereis aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta para o Senhor, então, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua mãe, invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes” (Mc 7.8-13). 

Jesus defendeu firmemente a Palavra de Deus. Ele considerava o Pentateuco como realmente escrito por Moisés, inspirado por Deus e normativo para Sua própria vida e Seu ministério, pois afirmou: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem uma vírgula ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus” (Mt 5.18-19).

A Lei de Moisés foi entregue a Israel 
A Lei fez de Israel algo especial, transformando-o em parâmetro para todos os outros povos. A Bíblia exprime essa verdade da seguinte maneira:“Porque tu és povo santo ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra” (Dt 7.6). Por conseqüência, o Israel do Antigo Testamento era a única nação cuja legislação, jurisdição e jurisprudência tinham sua origem na pessoa do Deus vivo.

A LEI E A GRAÇA



A Igreja de Jesus deve cumprir a Lei? 
 Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5.23), validou toda a Lei Mosaica, inclusive as 613 disposições, ordens e proibições, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16.17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências.


O Senhor Jesus, porém, não apenas se ateve pessoalmente a toda a Lei de Moisés. Foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “…o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4). 

Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei : “…eu sou santo…” e exige de nós: “…vós sereis santos…” (Lv 11.44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “…eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7.14). 

A lei expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lO, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Além disso, a Lei é o fundamento que um dia norteará a sentença que receberemos quando nossa vida for julgada por Deus. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.

Lembremos que Jesus disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). O Filho de Deus está afirmando que veio a este mundo para cumprir a Lei com todas as suas 613 disposições, ordenanças e proibições. Ele realmente cumpriu todas elas, pelo que está escrito: “…o fim da lei é Cristo” (Rm 10.4). Ele conduziu a Lei ao seu final; ela está cumprida. Por que Ele o fez? Encontramos a resposta quando lemos o versículo inteiro: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Jesus cumpriu a Lei para todos, mas Sua obra é eficaz apenas para todo aquele que crê.Segundo a Bíblia, que tipo de fé é essa? É a fé que sabe…

Jesus estabeleceu uma ética muito superior… 
…à ética da Lei de Moisés. Ela exige: “Não adulterarás” (Êx 20.14). Mas Jesus disse: “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.28). A lei de Moisés impõe: “Não matarás” (Êx 20.13). Mas Jesus ensina: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44). 

CONCLUSÃO
A Lei expõe e condena os nossos pecados, porém, o Senhor Jesus Cristo, pelo seu sangue expiador, nos perdoa e nos justifica mediante a fé. [Comentário: Devem os cristãos hoje guardar os Dez mandamentos? A unidade da Escritura assume a continuidade da Lei de Deus. A Palavra de Deus nos revela uma ética contínua e justa: “A Escritura não pode ser anulada” (João 10.35b).

Subsídio para o Professor


INTRODUÇÃO
Veremos nesta lição que a Lei que foi dada por Deus tinha os seguintes propósitos: (a) prescrever a conduta de Israel; (b) definir o que era pecado; (c) revelar aos israelitas a sua tendência inerente de transgredir a vontade de Deus e de praticar o mal; e (d) despertar neles o sentimento da necessidade da misericórdia, graça e redenção divinas (Rm 3.20; 5.20; 8.2). Ainda estudaremos o que é a “Lei Moral de Deus”, quais os atributos divinos que estão inerentes nela, bem como a natureza e a função desta no AT e, por fim, concluiremos falando sobre Jesus e os Dez Mandamentos.

I - A LEI MORAL DE DEUS
Os Dez Mandamentos foi fruto de uma aliança ou pacto com Deus. O termo “pacto” ou “aliança” em hebraico é de berit”, e berit karat” que significa “fazer uma aliança”. Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. Por isso, após ouvir os detalhes do pacto, o povo de Israel respondeu com entusiasmo positivo (Êx 19.7,8). Esses mandamentos, dados por Deus a Moisés, no monte Sinai, tornaram-se a base da legislação levítica. “Podemos dizer que as leis morais de Deus são aquelas que são baseadas em sua própria natureza”. O próprio Deus é o padrão absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis”. Visto que a natureza moral do Senhor é permanente e não pode mudar (Nm 23.19; Is 41.4; Ml 3.6; Hb 1.11,12; Tg 1.17), as leis que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas e eternas.

II - ATRIBUTOS DIVINOS APLICADOS A LEI MORAL
A lei moral de Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez nas Escrituras indica plenitude ou completude. Assim, os Dez Mandamentos representam o padrão ético INTEIRO dado à humanidade por toda a Bíblia.
Sabemos que a Lei moral de Deus é baseada em seu caráter moral, pois os atributos de Deus são aplicados a essa Lei.

Vejamos:

CARÁTER MORAL DE DEUSCARÁTER MORAL DA LEI
A Bíblia diz que Deus é perfeito (Dt 32.4; Mt 5.48)As Escrituras declaram que “a Lei do SENHOR é perfeita” (Sl 19.7).
Jesus disse que “ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mc 10.18).Paulo disse, “sabemos que a Lei é boa” (Rm 7.12).
As Escrituras ensinam que Deus “somente é santo” (Ap 7.12).Paulo declara em Romanos que “a Lei é santa” (Rm 7.12).
“A lei é espiritual” (Rm 7.14)A Lei é procedente do Espírito de Deus (Jo 4.24)

III - A LEI MORAL COMO PARADIGMA DA LEI CIVIL
Há uma importante distinção entre leis morais e leis civis na Lei de Deus. As morais refletem o padrão da criação e vigorariam mesmo que não houvesse queda ou pecado. Por outro lado, as civís existem por causa da queda. Se não existisse o pecado não haveria necessidade de uma lei civíl para punir assassinos, ladrões, malfeitores e etc; haveria somente as leis morais sendo obedecidas perfeitamente por todos os homens, mas não as leis civís, pois não haveria transgressões para se punir. Neste contexto, as leis civís devem ser entendidas como instrumentos instituídos por Deus para que os homens possam, com justiça, lidar com os problemas da transgressão das leis morais (Is 1.23-26; 10.1-2). O Apóstolo João explicou que a exigência do sexto mandamento“Não matarás” (Êx. 20.13) não é somente externa, mas também interna: “Todo o que odeia a seu irmão é homicida”. (I Jo 3.15). Jesus explicou o mesmo em relação ao sétimo mandamento, “não adulterarás” (Êx 20.14), dizendo que: “Todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28). Enquanto as leis morais exigem absoluta retidão, interna e externa, diante de Deus, as leis civís somente estabelecem a obediência externa a alguns aspectos das leis morais.

IV - A NATUREZA E A FUNÇÃO DA LEI NO AT
Notemos os seguintes fatos no tocante a natureza e a função da lei no AT (STAMPS, 1995, pp. 146,147):
  • A lei foi dada por Deus em virtude do concerto que Ele fez com o seu povo. Ela expunha as condições do concerto a que o povo devia obedecer por lealdade ao Senhor Deus, a quem eles pertenciam (Êx 24.1-8).
  • A obediência de Israel à Lei devia fundamentar-se na misericórdia redentora de Deus e na sua libertação do povo (Êx 19.4).
  • A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (Êx 19.4-6; 20.1-17; 21.1-24.8). A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (Êx 20.2; Dt 28.1,2; 30.15-20).
  • Tanto no AT quanto no NT, a total confiança em Deus e na sua Palavra (Gn 15.6), e o amor sincero a Ele (Dt 6.5), formaram o fundamento para a guarda dos seus mandamentos. Paulo declara que Israel não alcançou a justiça que a lei previa, porque “não foi pela fé” que a buscavam (Rm 9.32).
  • A lei ressaltava a verdade eterna que a obediência a Deus, partindo de um coração cheio de amor (Gn 2.9; Dt 6.5) levaria a uma vida feliz e rica de bênçãos da parte do Senhor (Gn 2.16; Dt 4.1,40; 5.33; 8.1; Sl 119.45; Rm 8.13; 1Jo 1.7).
  • A lei expressava a natureza de Deus, seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal. Os fiéis israelitas deviam guardar a Lei moral de Deus, pois foram criados à sua imagem (Lv 19.2).
  • A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26). O antigo concerto agora foi substituído pelo novo concerto, no qual Deus revelou plenamente o seu plano de salvação mediante Jesus Cristo (Rm 3.24-26; Gl 3.19).
V - JESUS E OS DEZ MANDAMENTOS
Segundo Donald Stamps, a Lei Mosaica admite DIDATICAMENTE uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 - 23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx. 24.12 - 31.18) (STAMPS, 1995, p. 146 - acréscimo nosso). Vejamos uma comparação ao que a Lei dizia e o que Jesus disse:

OS DEZ MANDAMENTOS DIZIAM:JESUS DISSE:
“Não terás outros deuses diante de mim”. Êx 20.3[…] Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Mt 4.10
“Não farás para ti imagem de escultura […]”. Êx 20.4Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro[…] Lc 16.13
“Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão […]”. Êx 20.7Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus. Mt 5.34
“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”. Êx 20.8 E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado[…] Mc 2.27,28
“Honra a teu pai e a tua mãe […]”. Êx 20.12Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim… Mt 10.37
“Não matarás”. Êx 20.13Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo[…]. Mt 5.22
“Não adulterarás”. Êx 20.14Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Mt 5.28
“Não furtarás”. Êx 20.15E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa. Mt 5.40
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Êx 20.16 Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Mt 12.36
“Não cobiçarás […]”. Êx 20.17[…] Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. Lc 12.15

CONCLUSÃO
Concluímos que a “Lei Moral de Deus” é completa, perfeita, boa, santa e serve para nos conduzir como “aio” ao caminho que nos leva a sermos obedientes e fiéis ao nosso Senhor, e também aprendemos que o próprio Deus é o padrão absoluto de justiça visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter e por isso são “imutáveis e irrevogáveis”.

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