16 janeiro 2015

LIÇÃO 3 - 18/01/15 - "NÃO TERÁS OUTROS DEUSES"


TEXTO ÁUREO:
 "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR." (Dt 6.4)


VERDADE PRÁTICA:
 O primeiro mandamento do Decálogo é muito mais que uma apologia ao monoteísmo; trata-se da soberania de um Deus que libertou?Israel da escravidão do Egito. 


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:

 Deuteronômio 5.6,7; 6.1-6

INTRODUÇÃO

NÃO TERÁS OUTROS DEUSES

O Decálogo é monoteísta e introduz essa doutrina no sistema mosaico que influenciou o pensamento teológico dos antigos hebreus, vindo a se culminar com a manifestação do Filho de Deus. O monoteísmo aqui era uma inovação, visto que as nações da época eram politeístas. A Mesopotâmia é o berço da civilização humana e o centro irradiador da idolatria. A terra do Nilo foi grandemente afetada por essa idolatria. E Israel e seus ancestrais tiveram vínculos com as culturas mesopotâmica e egípcia.

Abraão veio da Mesopotâmia e a nação de Israel se formou no Egito. Como nação, Israel seguia em direção à Terra Prometida, onde estavam os cananeus, idólatras como todos os seus vizinhos. A idolatria era a cultura predominante na época. Esse era o mundo religioso do Oriente Médio de então, com cultos envolvendo sacrificio de crianças e prostituição.

FORMAS DE ADORAÇÃO PAGÃ

São três as principais formas de adoração no paganismo do Antigo Oriente Médio: politeísmo, henoteísmo e monolatrja. Foi nesse contexto que viveram os patriarcas do Gênesis e em que a nação de Israel foi formada.

O politeísmo é a crença em muitos deuses. O termo deriva de duas palavras gregas, polys,’“muito”, e theos,’“Deus”. Era a religião dos antigos mesopotâmios, egípcios, gregos, romanos e do atual hinduísmo. O henoteismo é uma forma primitiva de religião que admite a existência de muitos deuses; no entanto, apenas um deles tem a supremacia. O termo, aplicado em 1881 por F. Max Müller, historiador alemão das religiões, significa literalmente “um Deus”, do grego heis/hen , o numeral “um”, e theos, “Deus”. 

A forma henoteísta deve ser definida como uma crença em um Deus, mas admitindo a existência de outros deuses, como ocorre à doutrina das atuais testemunhas de Jeová.

A palavra monolatria vem de monos, “único”, e latreia, “serviço sagrado, culto”. O termo surgiu com o orientalista alemão Julius Wellhausen (1844-1918). Define-se como adoração ou culto “de uma deidade única para cada grupo étnico-político (clã, tribo, povo), não para toda a humanidade, de sorte que se admitem tantos deuses legítimos como povos” (GUERRA, 2001, p. 613).

Assim, o henoteísmo deve ser entendido como uma forma de crença do qual a monolatria é o tipo correspondente de adoração. A ideia de henoteísmo e monolatria formarem um estágio intermediário entre politeísmo e monoteísmo não tem sustentação bíblica, visto que a religião original da raça humana era monoteísta. Não se conhecia a idolatria antes do dilúvio. A Bíblia afirma que todas essas formas falsas de adoração são uma degeneração do monoteísmo original (Rm 1.21-25).

A IDOLATRIA DO MUNDO ANTIGO

Abraão nasceu em Ur dos caldeus, cidade da Mesopotâmia (Gn 11.27-31). Seus ancestrais serviam a outros deuses ( Js 24.2, 15). A localização geográfica é a Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque. Os babilônios adoravam a diversos deuses, que eram personificações da natureza, como Sin, o deus-sol de Ur e Harã; Istar, a deusa do amor e da guerra; e Enlil, deus do vento e da terra. Bel era o nome de outra divindade (do acádico, belo, “senhor”), equivalente a Baal, deus dos cananeus. Com o tempo, Bel veio a ser identificado como Marduque ou Merodaque, o patrono da cidade de Babilônia, que se tornou o principal deus no panteão babilônico (Is 46.1; Jr 51.44). Os assírios adoravam, entre outros deuses, a Adrameleque e a Nisroque (2 Rs 17.31; 19.37; Is 37.38).

Os textos hieroglíficos das pirâmides enumeram cerca de duzentos deuses e relatos mitológicos. Os antigos egípcios empregavam o termo Ta Neteru, “terra dos deuses”, para o seu país. Havia uma proliferação de deuses e templos no Egito, e cada grande cidade contava com suas tríades de acordo com as dinastias: em Ábidos, Osiris, Isis e Hórus; em Mênfis, Ptah, Sekhmet e Nefertum, e, em Tebas, Amom, Mut e Khonsu. O templo do sol, bëth shemesh, em hebraico, “casa do sol”           ( Jr 43.13), é termo traduzido por “Heliópolis” na LXX, vindo do grego, hëlioupóleõs24 “cidade do sol”. Não confundir com a cidade de Bete-Semes, em Judá (2 Rs 14.11).

Aqui se trata da antiga cidade egípcia de Om, seu nome hebraico, ou Heliópolis em grego (Gn 41.45, 50 LXX). A cidade era dedicada ao deus-sol, conhecido também como Rã; é a atual Teu el Hisn, 16 km ao nordeste do Cairo.

Os cananeus adoravam a Baal (Jz 6.3 1), Baal-Berite ( Jz 8.33). Seu plural é baalim. Baal era também conhecido pelas cidades onde eram cultuados: Baal-peor da cidade de Peor (Dt 4.3; 0s9.10), Baal-Meom, da cidade de Meom (Nm 32.38; Ez 25.9) e Baal-Zefom (Nm 33.7). Astarote ou Astarte ( Jz 10.6), identificada em nossas versões como “postes sagrados”, deusa cananeja da fertilidade” era deusa nacional dos sidônjos (1 Rs 11.5, 33). Aparece como “bosque” na Versão Almeida Corrigida, “poste-ídolo” na Atualizada, e “Aserins” na Tradução Brasileira São os ídolos de madeira e de pedras (Jr 3.9; Dt 4.28). A madeira simbolizava a fertilidade feminina, a deusa Aserá, mãe dos deuses cananeus e a pedra representava a fertilidade masculina na religião dos cananeus.

Quemos ou Camos era o deus nacional dos moabitas (Nm 21.29; Jz 11.24; 1 Rs 11.7, 33; 2 Rs 23.13; Jr 48.7, 13, 46). Malcam ou Milcom (1 Rs 11.33) era o deus nacional dos amonitas Mil- com, em hebraico milkom, e Moloque, molech,26 em hebraico, seriam dois deuses ou nomes diferentes do mesmo deus? (1 Rs 11.5, 7, 33). 

Parecem ser nomes alternativos, O termo malkãm significa “seu rei”, mas a Septuaginta, a Vulgata Latina e a Peshita traduzem esta palavra como nome próprio. É uma questão de vocalização da palavra. As consoantes hebraicas aqui são exatamente as mesmas ( mlkm) e o texto antigo era consonantal. Dagom e Baal-Zebube eram deuses dos filisteus (Jz 16.23-24; 2 Rs 1.2-3, 6,16).

Os gregos do período do Novo Testamento tinham vários deuses: Zeus, o pai dos deuses; Hermes, o deus mensageiro; Afrodite, a deusa do amor; Dionísio, o deus do vinho; Atenas, ou Pala Atenas, nascida da cabeça de Zeus, deusa padroeira da cidade de Atenas. Hesíodo, em sua obra Teogonia, a Origem dos Deuses, apresenta uma lista interminável deles. Para os romanos, o pai dos deuses era Júpiter; o deus correspondente a Hermes era Mercúrio (At 14.11-13); Afrodite era similar a Vênus e assim por diante.

Esses deuses da mitologia greco-romana apresentavam os mesmos vícios e as mesmas características dos humanos: ódio, inveja, ciúme, imperfeições... eles comiam, bebiam etc. Era muito comum um homem ter o seu deus devocional, prestando-lhes cultos em particular, além de oferecer libações a outros deuses. Por isso havia nas casas romanas os penates ou nichos, espécies de altar com uma representação do deus adorado naquele lar.

Em Éfeso, a deusa Diana, Ártemis para os romanos, era cultuada no templo daquela cidade, que era uma das sete maravilhas do mundo antigo. 

Mas os seus adoradores também tinham miniaturas da imagem de Diana em seus penates. Demétrio, de Éfeso, era fabricante de nichos (At 19.24). Os mesmos adoradores desses deuses participavam também do culto do imperador.

O PRIMEIRO MANDAMENTO

A fórmula introdutória “Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo...” (Êx 20.1) é característica única do Decálogo, como explicou o rabino e erudito bíblico Benno Jacob: “Nós não temos um segundo exemplo de tal sentença introdutória” (JACOB, 1992, p. 543). Nem mesmo na passagem paralela, a fórmula é repetida, mas aparece de maneira reduzida ao “mínimo absoluto” (CHILDS, 1976, p. 593) para se ajustar à estrutura da narrativa (Dt 5.5).

No entanto, os outros códigos do sistema mosaico são introduzidos com um discurso de Deus a Moisés como no Código da Aliança: “Então, disse o SENHOR a Moisés”(Êx 20.22). Veja também Êxodo 34.32; Levítico 17.1; Deuteronômio 6.1. Fraseologia similar é usada para designar os Dez Mandamentos: “Estas palavras falou o SENHOR a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, e nada acrescentou; e as escreveu em duas tábuas de pedra e a mim mas deu”(Dt 5.22), mas ela não introduz o Decálogo. Tudo isso revela a origem e a autoridade divina da lei.

Após a fórmula introdutória, vem o que é considerado o prefácio de toda a lei: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20.2). Alguns críticos liberais, com base numa premissa falsa sobre a composição dos diversos códigos do sistema mosaico, querem sustentar a ideia de um Deus tribal ou nacional na presente declaração. São teorias subjetivas que eles procuram submeter a métodos sistemáticos para dar uma forma acadêmica a seus pressupostos. Mas o relato da criação em Gênesis e o relato do dilúvio, por exemplo, falam por si sós sobre a soberania de Javé em todo o universo como Senhor do céu e da terra, reduzindo tais ideias a cinzas.

Desde os tempos antigos, discute-se se esta declaração faz parte do primeiro mandamento. A auto revelação de Deus aqui é significativa. Javé já se havia revelado a Moisés antes (Êx 3.14, 15; 6.2, 3), mas aqui se trata de um relacionamento entre o humano ‘o divino, Deus e Israel. Na declaração “Eu sou o SENHOR, teu Deus”, apesar do uso na segunda pessoa, ele se dirige à nação inteira de Israel. O nome divino está vinculado ao resgate dos israelitas da terra do Egito, a grande libertação das garras de Faraó.


Esta redenção é o tema do livro de Êxodo. A “casa da servidão” é o símbolo da opressão social.
O Egito era uma terra boa e abençoada, como o jardim do Éden (Gn 13.10; Dt 10.11); no entanto, passou para a história como uma caserna ou quartel de escravos. Por isso, é lembrado nas páginas da Bíblia como a “casada servidão” (Dt5.6; 6.12; 7.8; 8.14; 13.5, 10;Js24.l7;Jz6.8; Mq 6.4). Os judeus consideram Êxodo 20.2 ou Deuteronômio 5.6 como parte do primeiro mandamento.

Os três primeiros mandamentos do Decálogo dizem respeito à teologia e os demais se referem à ética. Os hebreus herdaram dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó o conhecimento da existência de um só Deus. O núcleo do primeiro mandamento é:
“Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3; Dt 5.7).

Isso aponta para o monoteísmo, apesar de alguns críticos contestarem essa verdade, pois uma linha de interpretação sustenta a ideia de sistema henoteista ou monolatria nestas palavras. Gerhard von Rad ocupa oito páginas em sua obra Teologia do Antigo Testamento para justificar esta interpretação. Ele diz: “O primeiro mandamento nada tem a ver com monoteísmo... A auto apresentação cúltica: ‘Eu sou Javé, teu Deus’, pressupõe uma situação politeísta” (2006, p. 207). Assim, sua interpretação se baseia numa suposição. Von Rad considera o culto dos patriarcas a Javé no padrão do primeiro mandamento, mas nega ser monoteísta esta forma de adoração. Diz ainda que há inúmeros exemplos bíblicos desse suposto henoteismo ou monolatria (Gn 31.53; Jz 11.24; 1 Sm 26.19).

“O Deus de Abraão e o Deus de Naor, o Deus de seu pai, julguem entre nós. E jurou Jacó pelo Temor de Isaque, seu pai” (Gn 3 1.53). O verbo “julgar”, no plural yishpetu,, “julguem” entre nós, mostra diferença entre essas divindades: o Deus de Abraão não é o mesmo de Naor.

Mas no Pentateuco Samaritano o verbo está no singularyishpot, “julgue”, e da mesma forma a Septuaginta, krinei,° “julgará”; isso indica o mesmo Deus. Quem pronuncia estas palavras é Labão, de acordo com sua perspectiva politeísta que coloca o Deus de Abraão no mesmo nível da sua divindade. Naor era politeísta ( Js 24.2) e jurou por seus deuses, Jacó no entanto, como monoteísta, jurou pelo Deus de Isaque, seu pai. Isso não significa que Jacó reconhecia as divindades da casa de Labão. Parece-nos forçado afirmar com base nesse relato Jacó como henoteísta ou monolátrico.

“Não possuirias tu aquele que Quemos, teu deus, desapossasse de diante de ti? Assim possuiremos nós todos quantos o SENHOR, nosso Deus, desapossar de diante de nós” ( Uz 11 .24). A ignorância religiosa grassava nos dias obscuros dos juízes de Israel, um período em que não havia reis em Israel e “cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 1 7.6) e fraseologia similar ( Jz 21.25). Foi um período de apostasia generalizada; os israelitas violavam com frequência o primeiro mandamento. 

Havia de tudo nessas tribos desorientadas — monolatria, henoteísmo, politeísmo—, menos o monoteísmo do Sinai ( Jz 17.1-6; 18.31). Assim, a teologia sincrética deJafé não deve surpreender a ninguém. Parece haver também uma confusão na teologia de Jefté, pois Quemos ou Camos é divindade nacional dos moabitas e não dos amonitas. Mas o território em questão era original- mente moabita é possível que o texto se refira ao período de Seom ( Jz 11.18-20).

“Ouve, pois, agora, te rogo, ó rei, meu senhor, as palavras de teu servo: Se o SENHOR te incita contra mim, cheire ele a oferta de manjares; porém, se são os filhos dos homens, malditos sejam perante o SENHOR; pois eles me têm repelido hoje, para que eu não fique apegado à herança do SENHOR, dizendo: Vai, serve a outros deuses” (1 Sm 26.19). Davi pede ao rei Saul que pare com suas perseguições.

Argumenta ainda que há duas razões possíveis para a inimizade entre ele e o rei:

1) Javé é quem incita Davi contra Saul; ou
2) isso vem dos homens.

No primeiro caso, o problema poderia ser resolvido com uma oferta de manjares. No segundo caso, que os responsáveis sejam amaldiçoados. Davi roga a Saul “para que eu não fique apegado à herança do SENHOR, dizendo: Vai, serve a outros deuses”. Em outras palavras, que não o obrigue a deixar sua terra forçando-o a adorar a Dagom, pois somente Javé é o seu Deus. Israel é a sua terra, a sua herança, e ele não pretendia deixar o país. Afirmar com base nessa passagem bíblica que Javé é um Deus tribal, uma divindade nacional, é forçar a exegese. Davi mesmo declara que Javé é o Deus de toda a terra (Sl 24.1, 2).

Estudos de críticos conservadores mostram que a ideia de henoteísmo no primeiro mandamento não se sustenta. Esse mandamento é considerado o mais genérico e o menos detalhado do Decálogo. O rabino Benno Jacob se pronunciou sobre o assunto da seguinte forma: “Nós não podemos ajudar, mas responder porque este mandamento não era usado para prover uma lição dogmática final acerca das falsas deidades, mas isto foi precisamente o que o Decálogo procurou evitar” (JACOB, 1992, p.5646).

Ele explica. É que no Sinai só existiam Javé e Israel, e nada havia a ser dito sobre as nações e seus deuses, portanto o rabino acrescenta: “Não existia outro deus para o Decálogo”. A mais rudimentar regra da hermenêutica diz que nunca se deve interpretar um texto isoladamente, fora do seu contexto. Aqui, esse contexto mostra a proibição de sacrificar e servir a outros deuses é absoluta e sem concessão, o que remete ao monoteísmo (Êx22.20; 23.13; 34.14; Dt 6.4, 14; 13.2). 

É assim que essas e outras passagens do Pentateuco explicam o primeiro mandamento. Existe um só Deus e Deus é um só; esse pensamento permeia a Bíblia inteira (2 Rs 19.15;Jo 17.3).

Os ídolos, de fato, não são deuses (Dt 32.2 1; Gl 4.8). Apenas são chamados assim por existirem na mente dos seus adoradores (1 Co 8.5), mas não reais de fato. O objeto de adoração dos gentios são representações demoníacas; os pagãos adoram os próprios demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; 1 Co 10.20).

Não existe Deus além de javé (Is 44.6; 45.5, 6). Os cristãos devem manter distância dos idolos (1 Co 10.14; 1 Jo 5.2 1).

O monoteísmo é instituído como confissão de fé na lei de Moisés, e o Decálogo introduz esta doutrina. O monoteísmo é a crença em um só Deus, como sugere a própria palavra: monos, “único”, e theos, “Deus”. O termo é usado para designar a crença em um e somente um Deus. A ênfase nesta unidade contrasta de maneira visível com o henoteísmo e a monolatria, além do politeísmo. Os patriarcas do Gênesis, Abraão, Isaque e Jacó, eram monoteístas e instruíram seus descendentes nessa crença (Dt 13.6; 28.64;Jr 19.4).

O Deus de Israel revelado no Antigo Testamento é o mesmo Deus do cristianismo (Mc 12.29-32). O Senhor Jesus não somente ratificou o monoteísmo judaico do Antigo Testamento, como também afirmou que o Deus Javé de Israel, mencionado em Deuteronômio 6.4-6, é o mesmo Deus que ele veio revelar à humanidade (Jo 1.18). O monoteísmo cristão é trinitário porque a sua base é de um só Deus que subsiste em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19). O monoteísmo judaico é chamado de monoteísmo ético, pois Javé é um Deus com propósito ético e a afirmação de um só Deus é feita com base ética.

Os Dez Mandamentos são chamados de “Decálogo Ético”. A doutrina de Deus é uma “questão de vida ou morte”, pois, Jesus disse: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

O apóstolo Paulo anunciava aos gentios o mesmo Deus de seus antepassados: “O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca” (At 22.14). Veja o que ele ensina nas epístolas: “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Co 8.6); “Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um” (Gl 3.20); “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós” (Ef 4.6). A fé cristã não admite a existência de outro Deus além do Deus de Israel (Mc 12.32). É o monoteísmo judaico-cristão.



Subsídio para o Professor

INTRODUÇÃO

1. Deus não começa ordenando, Ele começa se revelando!

• Nossa obediência a Deus deve brotar da consciência de quem Ele é (Conhecer a Deus – YHWH).
• Se não entendermos quem Ele é, não entenderemos o que Ele quer.
• Quando conhecemos alguém, sabemos o que lhe agrada ou não. Quando amamos esse alguém, o nosso desejo é agradar-lhe.

2. Deus revela ao Seu povo quem Ele é através das coisas que Ele faz(“que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”).

Tt 3.3-7: “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna”.

3. Amar a Deus é o centro da nossa obediência a Ele.

A REVELAÇÃO DE DEUS NO PRIMEIRO MANDAMENTO

O primeiro mandamento é o testemunho da exclusividade e singularidade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação.
Seis verdades, seis atributos de Deus são revelados através desta autodeclaração divina:

1. É um Deus e Senhor exclusivo – o Alpha e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Início, o Absoluto, a Suprema Autoridade, que tudo ordena, exige e completa.

2. É um Deus pessoal (“teu Deus”) – “Teu” é pronome possessivo. Deus está pronto a se entregar totalmente, com toda abnegação divina, e faz isso através de seu único filho, Jesus Cristo, que se entregou por nós. Por isso, podemos dizer hoje: “Ele é meu Deus”.

3. É um Deus de relacionamento – Ele se relaciona com aquilo que criou. Deseja comunicar-se conosco e nos revelar a Sua vontade.

4. É um Deus presente e constante – “Eu sou” significa que Ele é no presente, e mais, Ele é “onipresente”. Deus é o mesmo hoje e sempre (Hb 13.8); Ele não muda. Não é um Deus do passado, é um Deus presente nas aflições do dia-a-dia (Sl 46).

• De todos os seres do universo, somente Deus tem dignidade “intrínseca”. “Intrínseco” significa “que pertence à essência do ser” ou lhe é “inerente”. Em outras palavras, somente Deus tem valor totalmente em Si e de Si. Todas as outras coisas recebem seu valor da associação com Ele.

5. Ele é um Deus de ação libertadora e salvadora – um Deus que não dorme, mas que atua, age e liberta o povo.

6. É um Deus fiel – Ele não muda de opinião ou de propósito eterno, é fiel a Si mesmo e ao Seu plano eterno para com os homens. “Sou quem sou”. Os homens podem mudar de idéias, convicções ou propósitos; Deus não muda (Ml 3.6), Ele reina soberanamente sobre todos de maneira absoluta e irrevogável.

UM MUNDO COM MUITOS DEUSES

1. Deus anuncia Sua exclusividade num mundo em que existiam muitos deuses (egípcios, cananeus, jebuseus).

a. Hoje, ao invés de Baal e Astarte, os deuses se chamam sucesso, prestígio, o próprio “eu”, fama etc.

b. Os Ídolos modernos trazem insegurança, necessidade de aceitação… escravidão!!

2. Se pertencemos só a Deus, estamos livres de pertencer aos tiranos que querem nos aprisionar.

• O objetivo do primeiro mandamento é proteger a nossa liberdade.

3. Quando amamos a Deus “tridimenssionalmente” (Mt 22.37), não nos apaixonamos pelas futilidades desse mundo:

Salmos 31:6: “Aborreces os que adoram ídolos vãos; eu, porém, confio no SENHOR”.

• Amar a Deus de todo o coração não significa odiar o mundo e as pessoas. Jesus entende o amor de Deus manifestado no amor ao próximo. Por isso, acrescentou ao primeiro mandamento um segundo: “Mas o segundo é semelhante a este: amarás o próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39).

4. O primeiro mandamento contém a condenação explícita de qualquer forma de idolatria, seja visível, ou invisível.

a. A revelação do Sinai é totalmente contrária à idolatria, na forma de imagens ou apegos insensatos. “Não terás outros deuses DIANTE de mim”.

5. A idolatria é uma loucura condenada nas Escrituras: Jr 2.26-28; 10.1-16; Is 40.18-20; 41.4-7; 44.9-20; Sl115.

a. “Sacrificar” a outros deuses leva a destruição (Êx 22.20). “Sacrificar” é dedicar-se.

b. Não lembrar e nem usar o nome de outros deuses (Êx 23.13). Usar o nome de alguém é identificar-se com tal pessoa.

c. Três espécies mais comuns de idolatria praticada em Israel: Altares, colunas e postes-ídolos (Êx 34.13,14). Deus não tolerará desde a idolatria mais extravagante, explícita, visível a mais íntima, implícita, invisível.

d. A idolatria é vista como prostituição espiritual, adultério (Êx 34.16). Podemos parafrasear 1Co 6.17 e 1Co 6.16: “Quem adora a um ídolo se torna um só com ele”.

6. Dt 11.16 refere-se a quatro quedas consecutivas no caminho da idolatria:

• O engano do coração
• O desviar-se
• O servir a outros deuses
• O prostrar-se diante deles

POR QUE “NÃO TERÁS OUTROS DEUSES DIANTE DE MIM”?

1. Porque Deus é Todo-Suficiente.
 
Não temos motivos para querer outros deuses ou precisar deles, porque Deus é suficiente.
Quando o povo de Israel estava “coxeando entre dois pensamentos”, diante do poder de Deus, entendeu que não necessitava de outro deus:
1 Reis 18:39: “O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!”

2. Porque só podemos provar fidelidade quando O adoramos e O servimos diante da idolatria e pressão que nos cerca.

Daniel adorava a Deus três vezes por dia (de janela aberta voltado para o templo de Jerusalém) na Babilônia, cercado de hostilidade e de paganismo.
 
Daniel 6:10: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas (não era segredo) do lado de Jerusalém (sabia para onde olhar), três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer”.

Salmos 138:1: “Render-te-ei graças, SENHOR, de todo o meu coração; na presença dos poderosos te cantarei louvores.

3. Porque só assim manteremos o nosso foco na vontade dEle e seguiremos em retidão
Quando não temos nenhum outro deus, mas servimos e adoramos somente o verdadeiro Deus, nos guardamos do mal, da queda e da desobediência.

4. Porque isso nos ajudará a nos posicionarmos diante dos apelos do mundo
Só assim manteremos o nosso coração focado na vontade perfeita de Deus
Josué 24:23: “Agora, pois, deitai fora os deuses estranhos que há no meio de vós e inclinai o coração ao SENHOR, Deus de Israel”.

Quais são as coisas que me prendem (pensamentos e decisões) no dia-a-dia? Com o que eu gasto meu tempo e recursos?

5. Porque assim venceremos as tentações

Mateus 4.8-11: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse:
Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram”.

Quando o nosso foco está unicamente no Deus Verdadeiro, não haverá espaço para as tentações prevalecerem.

Quando lemos os Dez Mandamentos de Deus o primeiro refere-se a “não terá outros deuses diante de mim” – Éxodo 20:3 . A advertência está lá porque durante toda a história humana, havia muitos falsos deuses e continua até hoje .

Deus através de Moisés reiterou mais uma vez em Éxodo 34:14 “porque não adorarás a nenhum outro deus; pois o Senhor, cujo nome é Zeloso, é Deus zeloso”. Cuidado que temos um Criador ciumento. A coisa lamentável é que os seres humanos são facilmente enganados e os falsos professores estão enganando a muitos. O mais perigoso de todos são falsificações espirituais ou seja, a Igreja Emergente , o Movimento Ecumênico liderado pela Igreja Católica, Mormonismo, Testemunhas de Jeová e muitos outros. Estes buscam aqueles que não têm uma comunhão íntima com o Senhor e não lêem a Bíblia. Precisamos ser como os de Berea pois receberam a palavra com toda avidez , examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim . Atos 17:11

A Bíblia tem muitas advertências e aqui estão algumas delas:
  •  Mateus 7:15 – “Guardem se dos falsos profetas, que vêm a vocês disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.”
  •  Mateus 24:24 – “ porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”.
  • Gálatas 1:6 – muitos vem pregando um “outro evangelho” em vez do verdadeiro evangelho salvador de Cristo.
  • 2  Pedro 2:1 – bem como “surgiram falsos profetas no meio do povo, assim como também haverá entre vocês falsos mestre, que introduzirão encobertamente heresias destruidora , negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.” 
  • 2 Coríntios 11:13 – “Falsos apóstolos , obreiros fraudulentos , disfarçando-se em apóstolos de Cristo”.
  • Jeremias 6:14 – Eles pregam “Paz , quando não há paz”.
Apocalipse 12:9 - diz que o próprio Satanás é o maior falsificador, pois ele “engana todo o mundo”, em sua tentativa de tornar-se um falso deus.

1 João 4:1 – Portanto, estamos avisados para “provar se os espíritos são de Deus “, e para “provar todas as coisas” para testá-las pela Palavra de Deus .

Apocalipse 22:19 - afirma que os homens, nestes últimos dias, arrogantemente, pensam que podem ” tirar as palavras do livro desta profecia “ mas essa hipótese só ” tirará sua parte do livro da vida “.

A Sagrada Escritura está sempre certa, pois “cada erva seca , e murcha a flor, MAS A PALAVRA DE NOSSO DEUS PERMANECE ETERNAMENTE.”Is. 40:8

CONCLUSÃO

Reserve este momento para sondar o seu coração e ver a sua vida à luz do primeiro mandamento. O que ocupa seus pensamentos na maior parte do dia? Suas tomadas de decisões são tomadas em cima de que valor principal? Há algo que você percebe um apego fora do normal? Você tem buscado conhecer a Deus como prioridade em sua vida?

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