06 janeiro 2015

SARA NOSSA TERRA FAZ CAMPANHA DE RESTITUIÇÃO PARA 2015, MAS COBRA DE $ 300 A $ 1000 REAIS - PATIFARIA GOSPEL

 

O ano de 2015 mal começou e as campanhas de benção já estão rolando...
O Bispo Robson Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra, no intuito de angariar mais parceiros e colaboradores, deu início a campanha “ANO PROFÉTICO DA RESTITUIÇÃO”. No vídeo abaixo você ouvirá as seguintes frases:

“Chegou o ano profético da restituição e a hora de ter de volta o que você perdeu”
“Receba a unção e a benção para tomar posse do que é seu”
“Participe do mover profético e escolha como será a sua semeadura”
 
Veja o vídeo: 
 
 

Sem rodeios, o que ele faz é o seguinte: 1) induz os ouvintes a acreditarem que em 2015 Deus quer presenteá-los com bens materiais; 2) coloca como condição para isso, a adesão a sua campanha, 3) cobra o investimento “profético” – 300 (ganha um livro), 600 (ganha uma Bíblia Rosa), 1000 (ganha uma caneta dourada, que será usada somente uma vez onde o fiel deverá selar um contrato mais importante de sua vida (???)); 4) de tabela, ele ainda difunde seus produtos no mercado religioso.

Observe. Há exato um ano atrás, no culto da virada, a Igreja Batista da Lagoinha, revelou para seus fiéis que o ano de 2014 seria um ano diferenciado: "o ano da restituição". Ana Paula até cantou aquela canção horrorosa que até comentei  "tempo de luto acabou" (se não lembra, deixe lá no mar do esquecimento e não relembre clicando AQUI).

Pois é, Rodovalho faz o mesmo agora (com requintes mais avançados vide IURD), ou seja, Restituição ainda é café requentado que ainda funciona porque a clientela é “povo marcado, povo Feliz”, de fácil manipulação.

Por fim, é preciso “desenhar” para percebermos que há uma total subversão do Evangelho em campanhas como esta? É difícil notar que eles remontam o comércio destruído por Jesus? É complicado perceber que “Restituição” é promessa deles e não de Cristo?

O Evangelho não precisa de muletas! Só que infelizmente, todos os anos, eles insistem em começar o ano usando-as, afinal elas lhe dão bons lucros... e mamom agradece!

(...) esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. [Filipenses 3:13-14]

COMENTÁRIO DE WÁLDSON:

Mais um golpe na praça, ops, na igreja 'do gospel':
Infelizmente, não se trata de um caso isolado. Historicamente, muitos grupos e líderes evangélicos têm enfrentado sérios problemas na sensível área das finanças. Não é sem razão que o dinheiro e seu uso estão entre os temas mais frequentes da Bíblia. Na maior parte dos textos que falam do assunto, o tom é de grave advertência quanto aos perigos que espreitam nessa área. O apóstolo Paulo chega a ponto de afirmar que os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada e que o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1Tm 6.9-10). Existem alguns elementos no ambiente cultural evangélico e pentecostal que contribuem para esses problemas.  

Os reformadores protestantes do século 16 contestaram um sistema religioso cujos líderes eram tidos como detentores de um poder espiritual especial. Eles insistiram no princípio bíblico de que os crentes são sacerdotes de Deus (1Pe 2.5,9; Ap 1.6) e, portanto, são todos iguais diante dele. Sem desmerecer a figura dos ministros cristãos, eles os qualificaram simplesmente como instrumentos escolhidos por Deus através dos fiéis para exercer um ministério de ensino, pastoreio e serviço, não tendo qualquer status espiritual superior. Todavia, com o passar dos anos muitas igrejas herdeiras da Reforma têm ficado fascinadas com o antigo sacerdotalismo questionado pelos reformadores.

A tendência de colocar os líderes eclesiásticos em um pedestal, considerando-os “ungidos do Senhor” e, portanto, intocáveis, imunes a contestações e críticas, tem sido motivo de inúmeros males para a causa de Cristo. Muitos líderes evangélicos contribuem para esse nefasto culto da personalidade quando alegam possuir virtudes e dons especiais, atribuem a si mesmos títulos grandiosos e condicionam os seus liderados a obedecê-los cegamente, desprezando exortações bíblicas claras como 1Pedro 5.1-4. Em alguns casos extremos, essa atitude pode levar a tragédias como aquelas que envolveram os pastores Jim Jones, na Guiana, e David Koresh, em Waco, Texas.Triunfalismo. Durante a maior parte da Idade Média, a cristandade européia foi afligida por uma série de distorções, uma das quais recebeu o nome de “simonia”. Esse nome derivou de Simão, o mago, que tentou subornar os apóstolos para conquistar o “poder” de conferir às pessoas o Espírito Santo (Atos 8.18-19).

O termo simonia designava a comercialização de bens religiosos, em especial a compra e venda de cargos eclesiásticos. Os mais cobiçados eram os mais lucrativos, como a chefia dos bispados e dos grandes mosteiros. Esse vício floresceu graças à mentalidade triunfal de uma instituição que detinha a hegemonia do campo religioso e era extremamente rica e poderosa.

A atitude triunfalista é cultivada nas igrejas evangélicas sempre que os líderes e os membros se consideram tão próximos de Deus, tão abençoados e protegidos por ele, que nada poderá atingi-los. Ela se manifesta em chavões como “eu sou filho do Rei” ou “com o meu Deus eu salto muralhas”. O problema dessa atitude, além da falta de humildade, é a tendência de minimizar os pecados dos crentes, especialmente dos líderes, e de considerar as críticas e reveses que sofrem por causa dos seus erros como provações passageiras ou ataques do inimigo. Com isso, os problemas não são admitidos, tratados e solucionados de maneira bíblica e cristã.Falta de prestação de contas. O final dos anos 80 foi péssimo para a imagem dos evangélicos nos Estados Unidos. 

 Uma Teologia distorcida
Talvez a causa mais básica dos problemas que têm ocorrido seja uma interpretação bíblica tendenciosa e uma teologia falha, que surgiu há várias décadas na América do Norte com o nome de “evangelho da saúde e da riqueza” (health and wealth gospel) e chegou ao Brasil como “teologia da prosperidade”. O fundamento dessa ideologia afirma que a obra redentora de Cristo conquistou para os que nele crêem a vitória sobre todos os tipos de males, resultando em salvação, saúde física e sucesso financeiro.

Argumenta-se que os “filhos do Rei”, o dono da prata e do ouro (Ag 2.8), devem, por definição, ser prósperos em tudo, citando-se exemplos como Abraão, Daniel e outros personagens bíblicos.Ao mesmo tempo, são convenientemente esquecidos os muitos textos bíblicos que apontam na direção oposta, condenando a preocupação com os bens materiais, alertando para a armadilha espiritual representada pela ganância, bem como destacando o exemplo de Cristo e o discipulado cristão, descrito em termos de humildade, altruísmo e serviço ao próximo. Com o pragmático evangelho da prosperidade, muitas igrejas enchem seus templos e seus cofres, mas ao mesmo tempo oferecem pouca nutrição genuína para os seus fiéis e uma mensagem que em nada contribui para a solução dos graves problemas que assolam a vida do país. Por trás do discurso piedoso, essas igrejas tornam-se cada vez mais parecidas com o mundo ao redor.

Minha Conclusão

O Brasil vive um dos piores períodos da sua história. Apesar da relativa estabilidade econômica, o crime e a insegurança atingem níveis sem precedentes; as instituições públicas estão com sua imagem destroçada de modo praticamente irrecuperável em virtude da corrupção e impunidade; o sentimento predominante na sociedade civil é de cinismo, indiferença e perda do idealismo. Nesse ambiente desolador, as igrejas evangélicas e seus líderes podem mostrar que existe algo melhor, que há esperança nos valores e princípios apregoados pela fé cristã. Todavia, em primeiro lugar é necessário que pratiquem os valores bíblicos e cristãos em sua própria casa, vivendo de modo digno do evangelho de Cristo (Fp 1.27). Só assim terão autoridade espiritual, moral e ética para serem instrumentos de transformação.

Abraços.
Acordem!!!
Viva vencendo os mercenários!!!
Seu irmão menor.

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