23 abril 2015

LIÇÃO 03 - 26/04/15 - "A TENTAÇÃO DE JESUS"

TEXTO ÁUREO:

Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, porem um que, como nos, em tudo foi tentado, mas sem pecado. ( Hb 4.15).

VERDADE PRATICA:

Jesus firmou-se na Palavra de Deus para vencer Satanás. Assim devemos agir para obter a vitória.

LEITURA BÍBLICA: LUCAS 4.1-13

A TENTAÇÃO DE JESUS

Embora Marcos (1:12,13) registre que Jesus foi tentado, só Mateus (4:1- 11) e Lucas (4:1-13) nos dão registros das três tentações específicas (o que dá a entender que as três tentações faziam parte da fonte informativa usada por Mateus e Lucas). Uma comparação entre esses dois evangelhos revela que a segunda e a terceira tentações que se encontram num deles encontram- se em ordem invertida no outro (i.e., pão, pináculo e remos em Mateus; pão, remos e pináculo em Lucas). Fitzmyer (p. 507-8) crê que Mateus tenha retido a ordem original, que se reflete na progressão lógica das tentações (do chão do deserto ao pináculo do templo e daí a uma montanha elevada) e na ordem decrescente das citações de Jesus, partindo de Deuteronômio (i.e., Deuteronômio 8:3, em Mateus 4:4; Deuteronômio 6:16, em Mateus 4:7; Deuteronômio 6:13, em Mateus 4:10). (Quanto a mais algumas razões, v. Gundry, p. 56.) Se a ordem de Mateus é original, precisamos perguntar então por que Lucas transpôs a segunda e a terceira tentação.

A resposta mais plausível é que Lucas desejava que as tentações alcançassem seu clímax em Jerusalém. Enquanto na versão de Mateus da tentação no pináculo do templo (veja Mateus 4:5), refere-se a Jerusalém como a “cidade santa”, Lucas deseja que a referência seja mais explícita, pelo que a chama pelo nome (4:9). Jerusalém desempenha papel importante na história narrada por Lucas a respeito de Jesus. Só no evangelho de Lucas está escrito a respeito de Jesus: “manifestou no semblante a intrépida resolução de ir para Jerusalém” (9:51) e passam-se uns dez capítulos até o Senhor chegar lá (i.e., 9:51—19:27). A importância de Jerusalém para Lucas deixa uma pista em Lucas 13:33: “Não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém” (v. o comentário sobre 13:31-35, abaixo). Para Lucas, o destino de Jesus é a cidade de Jerusalém; portanto, é apropriado que as cenas da tentação alcancem seu clímax nessa cidade.

A próxima pergunta concerne ao sentido da narrativa sobre as tentações. Aqui é necessário que se consigam respostas em dois níveis. Primeiro, é preciso apurar o sentido original dessa narrativa. Em segundo lugar, é preciso descobrir de que modo Lucas entendeu e usou essa narrativa. Vamos primeiro considerar o sentido original, O ambiente é o deserto (v. 1); o fato de Jesus ficar ali durante quarenta dias (v. 2), nos quais o Senhor nada comeu (v. 2), provavelmente é uma alusão ao jejum de Moisés no deserto, durante quarenta dias, no final dos quais Moisés recebeu e proclamou a palavra de Deus (v. Êxodo 34:28; Deuteronômio 9:9-18; talvez também Elias, 1 Reis 19:8). Que essa alusão tenha sido intencional é fato que recebe maior apoio ainda quando se verifica que todas as respostas de Jesus ao diabo são citações de Deuteronômio. Além do mais, tem-se demonstrado que cada uma dessas três tentações reflete tentações perante as quais os israelitas sucumbiram durante suas peregrinações pelo “deserto” durante “quarenta” anos (v. Filzrnyer, p. 5 10-2).

A primeira tentação (4:3,4) relembra o próprio período de provação de Israel: “O Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos” (Deuteronômio 8:2). Fazia parte do “teste” que os israelitas sentissem fome, de modo que confiassem em Deus quanto ao pão (o maná) e aprendessem que “não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, disso viverá o homem” (Deuteronômio 8:3).

Israel, no entanto, achou que essa lição era difícil demais para ser aprendida, pois o povo murmurou contra Moisés e Arão, e precisou ser humilhado (v. Êxodo 16:1-21). Quando o Senhor Jesus recusou-se a permitir que a tentação do diabo satisfizesse suas necessidades (i.e., ao ordenar que esta pedra se transforme em pão) como se Deus não pudesse ou não quisesse satisfazê-las Jesus afirmou sua fé e confiança em Deus e em sua provisão, exatamente os pontos cm que Israel havia sido derrotado (v. Deuteronômio 8:1-6).

A segunda tentação (4:5-8) faz alusão à tendência de Israel de prostrar-se perante outros deuses: “Havendo-te, pois, o Senhor teu Deus introduzido na terra que, sob juramento, prometeu a teus pais... guarda-te, para que não esqueças o Senhor... Não seguirás outros deuses, nenhum dos deuses dos povos que houver à roda de ti, porque o Senhor teu Deus é Deus zeloso no meio de ti” (Deuteronômio 6:10-15). O diabo oferece a Jesus todos os remos do mundo (v.5), bastando que o Senhor o adorasse (se prostrado que adorares, v. 7).
Diferentemente dos israelitas, que com tanta freqüencia caíam na idolatria, Jesus declara com toda a firmeza sua lealdade exclusiva a Deus, recusando a oferta dodiabo e mencionando Deuteronômio 6:13.

A terceira tentação (4:9-12) relembra a ousadia de Israel em exigir de Deus, em Massá cem Meribá, que o Senhor lhes suprisse água (Deuteronômio 6: 1 61, com alusão a Exodo1 7:1-7). Diferentemente do povo de Israel, Jesus não procurou testar seu Deus (não tentarás o Senhor teu Deus, v. 12; tirado de Deuteronômio 6: 16a). À luz dessas alusões, fica claro que a narrativa da tentação era entendida originariamente como demonstração da fidelidade inamovível de Jesus a Deus e seus mandamentos. Essa fidelidade o qualifica para o papel messiânico.

Todas as propostas colocadas diante de Jesus pelo diabo refletem algumas idéias e crendices populares a respeito do que o Messias haveria de fazer quando viesse. Assim como Deus havia feito pelo povo que peregrinava no deserto, assim também se esperava que o Messias traria pão do céu, subjugaria todos os remos sob Israel e executaria sinais maravilhosos, capazes de convencer a liderança religiosa israelita (v. Lucas 11:16).

Entretanto, poder-se-ia levantar agora uma pergunta: Que novo significado, se é que há algum, Locas atribui à narrativa das tentações? Ela vem logo depois da genealogia, que conclui com estas palavras: “filho de Adão, filho de Deus” (3:3 8); é possível que Locas veja na tentação de Jesus (“Se és Filho de Deus...”; v. a nota abaixo) um paralelismo da tentação de Adão, o primeiro “filho de Deus” (v. o comentário sobre 3:38, acima). Enquanto o primeiro filho de Deus caiu em pecado por causa de seu fracasso, não conseguindo obedecer à ordem de Deus, o segundo Filho de Deus permaneceu fiel às ordens de Deus. Entretanto, as três tentações provavelmente não devem corresponder às tentações sofridas por Adão, corno sugeriu recentemente um autor (J. Neyrcy).

É verdade que a tentação para que a pessoa comesse (do fruto proibido, no caso de Adão; do pão, no caso de Jesus) correspondem entre si, pelo menos superficialmente, mas as outras tentações, não. As tentações da tradição dos evangelhos refletem as idéias encontradas em Deuteronômio 6 e 8, e não as que vemos em Gênesis 3.
O evangelista oferece nada mais que uma comparação genérica entre Jesus e Adão, ambos “filhos de Deus”, por meio dos quais o destino da raça humana é tão drasticamente afetado.

Lucas viu na tentação uma sombra do que havia adiante esperando Jesus em Jerusalém. Isso se torna óbvio, como já salientamos, por causa da referência a Jerusalém (v. 9), e pelo fato de Lucas fazer da tentação em Jerusalém a tentação maior, a máxima. Além do mais, quando Locas diz passadas que foram as tentações de toda sorte, apartou-se dele o diabo, até momento oportuno (v. 13), é certo que o evangelista prevê o retorno do diabo em cena, próximo à hora da paixão de Cristo em Jerusalém (v. Lucas 22:3,31,32). Para Lucas, Jesus está engajado num combate com o diabo e, até esse momento, pelo menos, permanecia incólume, sem um arranhão.

Finalmente, podemos fazer averiguações sobre a natureza da experiência sofrida por Jesus. Refletem essas tentações realmente fatos históricos, observáveis? Ou teriam sido elas, como alguns estudiosos têm manifestado (Leaney, p. 115), meras visões ou ilustrações parabólicas da oposição inspirada pelo diabo contra o ministério de Jesus? Não é fácil chegar a uma conclusão, porque há problemas relacionados a essas duas formas de interpretação.

Mas a que parece mais plausível é a que afirma serem as tentações dc Cristo de natureza visionária. O contexto das tentações sugere essa interpretação. Jesus passara longo tempo em oração, em solidão e em jejum. A oração e o jejum com freqüência precedem visões celestiais (v. Daniel 9:3,20,21; Atos 10:30). Durante esse tempo de meditação, Jesus estuda a direção que seu ministério deve tomar. Enquanto Jesus faz isso, as tentações diabólicas se lhe sobrevêm, com o objetivo de desviá-lo de sua missão divina.

Estando comprometido integralmente com a palavra de Deus, e estando “cheio do Espírito Santo”, Jesus afasta o tentador. (Talbert [p. 44-46] observa que Cristo derrota a Satanás pelo uso adequado das Escrituras.) Tendo saído vitorioso dessa provação, Jesus está pronto agora para anunciar o evangelho.

Notas Adicionais

Com respeito à ordem das três tentações, Talbert (p. 47) observa que o “salmo 106 apresenta as tentações sofridas por Israel na mesma ordem da narrativa de Lucas (alimento, falsa adoração, tentar ao Sctihor Deus), ordem que se encontra também em 1 Coríntios 10:6-9”. Isso poderia sugerir que a ordem de Lucas é a tradicional, e que foi Mateus quem alterou a seqüência.

4:1/ Marcos 1:12 declara: “E logo o Espírito o impeliu para o deserto”, e um pouco menos enfaticamente Mateus 4:1 diz: “A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito, ao deserto”. Porém Lucas, mantendo-se firme em seu tema da “plenitude do Espírito”, diz o seguinte: Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto. Não apenas havia Jesus sido concebido pelo Espírito Santo (1:35), mas o Espírito havia descido sobre ele em seu batismo (3:22), de tal modo que poderia suportar as tentações e iniciar seu ministério (v. 4:14,18).

4:2 / tentado pelo diabo: Lucas persistentemente usa a palavra diabo (lit., “caluniador”) na história da tentação, embora empregue a palavra “Satanás” (lit., “adversário”) noutras passagens (v. 10:18; 11:18; 13:16; 22:3,3 1). Satanás era considerado o chefe dos demônios e dos poderes das trevas. Sua missão é contrapor-se à vontade de Deus. Assim, a história das tentações de Cristo retrata uma situação de luta entre o bem e o mal.

4:3 / Se és Filho de Deus (v. também 4:9): Nesse tipo de construção frasal, a palavra que se traduziu por “se” tem o sentido de “uma vez que”. O diabo não tem dúvidas a respeito da identidade de Jesus, porque isso se fez plenamente evidente por ocasião do batismo (3:22). Em vez disso, o diabo está fazendo propostas cujo objetivo é desviar Jesus de sua missão.

4:9/sobre o pináculo do templo: Há incerteza hoje a respeito do local exato do templo que poderia ser considerado o pináculo (ou o “lugar mais alto do templo”). E provável que a hipótese mais popular e razoável seja o canto do templo que dava uma vista para o vale do Cedrom. Desse vale, o canto a sudeste parecia ser o “pináculo” do templo (Fitzmyer, p. 516-7; Lachs, p. 51). V. a nota sobre 19:45,47, abaixo.

4:12 / Não tentarás o Senhor teu Deus:Lachs (p. 51) cita o seguinte paralelismo rabínico, de grande interesse: “R. Yannai disse: ‘Jamais uma pessoa deve colocar-se num local perigoso [de propósito], dizendo que Deus operará um milagre para salvá-la, pois, tal milagre poderá jamais ocorrer’ (b. Shabbath 32a)”.


Subsídio para o Professor


Introdução

A tentação é uma realidade com a qual todo crente, em algum momento, irá se deparar. Não existe ninguém que seja imune à tentação, pois até mesmo Jesus, o homem perfeito, foi tentado! A resposta à tentação não é, portanto, negá-la, mas enfrentá-la à luz da Palavra de Deus.

Nesta lição iremos aprender como Jesus enfrentou a tentação e derrotou Satanás. Veremos a sutileza do Diabo em tentar o Filho de Deus em um momento de extrema carência e necessidade física, e como o Filho do Homem o derrotou ao dizer "não" a cada uma de suas propostas. Por fim, destacaremos que a vitória de Jesus é também a nossa.

Tentação É um desejo violento da alma humana a fazer algo que pode ser certo ou errado. Do latim temptatio ou tentatio, ataque, tentativa; é o ato ou efeito de tentar; movimento interior que nos instiga a fazer o mal; apetite, desejo violento. Deus nos criou com um coração que tem desejos (Sl 37.5), depois da queda, este coração deseja o que é contrário a Deus e à Sua Palavra. Lidar com o pecado e com aquilo que nos leva a ele, tem sido o grande desafio de cada crente ao longo de todos esses séculos. É importante lembrar que a tentação está intimamente ligada ao pecado, mas não é o pecado em si. Na verdade, ela é algo que antecede qualquer ato pecaminoso. Ninguém precisa sair atrás da tentação porque ela vem muito naturalmente. Ela vem ao pobre, ao rico, aos crentes e aos descrentes. O crente novo é tentado, e também o crente antigo. Jesus Cristo foi tentado.

Sem a tentação e o direito de escolher entre o bem e o mal seríamos uma máquina, e Deus não nos isenta das nossas responsabilidades na hora da escolha. Os próprios discípulos de Jesus lidaram com isso e não é diferente conosco. Naqueles momentos de agonia que antecederam Sua crucificação, Jesus ainda buscava o crescimento espiritual e a preparação daqueles homens para os grandes desafios que teriam pela frente. O primeiro desafio de Jesus é claramente coordenado pelo Espírito Santo que O conduz a uma área deserta para jejuar. Em seguida, permite que o enfraquecido(fisicamente), Salvador seja testado por Satanás.

A vitória de Cristo demonstra o tema de Lucas. Jesus é um ser humano ideal, diferentemente de Adão e Eva, que caíram (4.1-13). Mateus deixa claro que foi o próprio Espírito Santo que O levou ao deserto para ser tentado. Não partiu de Satanás tal atitude. Jesus não foi guiado ao deserto por uma força maligna, mas foi conduzido pelo Espírito Santo. Foi pela expressa vontade de Deus que esta crise se produziu na vida de Jesus. Não é que o Senhor queria ver se Jesus cairia ou não, mas uma demonstração da impossibilidade da Sua queda. À semelhança de Adão, Jesus foi tentado, com uma diferença: Adão foi tentado no Jardim do Éden e caiu, Jesus foi tentado no deserto e venceu a Satanás.

Prosseguindo com uma ilustração e depois continuaremos com o estudo:

Conta-se a história de um vendedor que estava procurando uma vaga para estacionar seu carro. Rodou alguns quarteirões uma vez, duas vezes, várias vezes, e finalmente, já em desespero, deixou o carro numa , e pôs no para-brisa um bilhete: “Seu guarda, dei varias voltas no quarteirão e não achei vaga; se não fizer a entrevista com um cliente perco o emprego. Perdoa-nos as nossas dívidas”. – O guarda encontrou o bilhete e deixou outro com a multa: “Há 20 anos que dou voltas neste quarteirão. Se não multá-lo, quem vai perder o emprego sou eu. Não nos deixes cair em tentação!”

Ninguém precisa sair atrás da tentação porque ela vem muito naturalmente. Ela vem ao pobre, ao rico, aos crentes e aos descrentes. O crente novo é tentado, e também o crente antigo. Jesus Cristo foi tentado. Sem a tentação e o direito de escolher entre o bem e o mal seríamos uma máquina, e Deus não nos isenta das nossas responsabilidades na hora da escolha.

Um televisor não tem o direito de escolher se liga ou não; se sintoniza no canal 2 ou no canal 7. O alarme de um despertador funciona as 05h30min da manhã porque alguém o programou.
Sem o direito de fazer escolhas, o nosso valor moral seria o mesmo de um inseto ou de um animal – agiríamos apenas por instinto.

Por isso, a tentação é uma encruzilhada em nossa vida com os letreiros trocados. No caminho do bem diz: “CAMINHO DA TRISTEZA”; e no caminho da miséria, da desgraça indica: “CAMINHO DA FELICIDADE”. Por isso que o Senhor Jesus nos disse que deveríamos vigiar e orar para não cairmos em tentação (Mt 26.41).

O QUE É TENTAÇÃO?

A tentação é um estímulo ou indução a um ato que pareça atraente, ainda que seja inapropriado ou contradiga alguma norma ou convenção social sendo, consequentemente, proibido. A definição de tentação pode ser aplicada a uma ampla gama de ações, por exemplo, o desrespeito a uma restrição alimentar, a trapaça, a ostentação de artigos de luxo, a procrastinação.

Tentação é o esforço do diabo para tentar persuadir, seduzir, e induzir alguém a fazer especialmente algo sensualmente agradável ou imoral. É aquela voz dentro da gente que diz: “Vá em frente, fulano, nada vai acontecer… Ninguém vai ficar sabendo não”.

A TENTAÇÃO DE JESUS É O MODELO DA TENTAÇÃO DO CRENTE



A partir da tentação de Jesus podemos compreender o que significa a tentação para nós. Há na Bíblia duas grandes histórias de tentação. No começo da história sagrada há a tentação dos nossos primeiros pais, Adão e Eva (Gn 3); mais adiante a narrativa da tentação de Jesus (Mt 4.1-11; Mc 1.12,13 e Lc 4.1-13).

- A primeira tentação trouxe como resultado a queda do homem.
- A segunda tentação trouxe a queda de Satanás.

Adão e Eva foram tentados no Jardim do Éden e caíram. Jesus foi tentado no deserto e triunfou, ou seja, ou Adão é tentado em nós, e nós caímos, ou Jesus é tentado em nós, e Satanás é quem cai.

A tentação de Jesus se repete, na verdade, o padrão da tentação dos nossos primeiros pais. Veja Gn 3.6; 1Jo 2.15,16 e Mt 4.1-11.

“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 36).

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”(1Jo 2.15,16).

Observem um detalhe: de Gênesis a Mateus há um intervalo de cerca de 1500 anos. De Mateus a primeira carta de João há um intervalo aproximadamente de 50 anos. Mas é impressionante que os conceitos são os mesmos, a matriz existencial é a mesma, a leitura que fazem do ser humano e a luta com as forças transcendentes é a mesma. Só o resultado que é diferente, pois Jesus venceu a tentação.

Não tenho dúvidas que o verdadeiro sentido da vida vai muito além das conquistas terrenas, da prosperidade material, da vazão aos instintos e apetites físicos, da realização e experimentação do prazer sensual. O verdadeiro sentido da vida está na Pessoa de Deus. Em 1Jo 2.17 lemos:

“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.

- Uma vez perguntaram a Confúcio: “O que mais o surpreende na humanidade?” E ele respondeu: “Os homens que perderam a saúde para juntar dinheiro e depois perderam o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecerem o presente, de tal maneira que acabaram nem vivendo o presente e nem o futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido”.


Analisemos a tentação de Jesus


PRIMEIRO, FOI O ESPÍRITO SANTO QUE LEVOU JESUS AO DESERTO (MT 4.1)

Mateus deixa claro que foi o próprio Espírito Santo que o levou ao deserto para ser tentado. Não partiu de Satanás tal atitude. Jesus não foi guiado ao deserto por uma força maligna, mas foi conduzido pelo Espírito Santo. Foi pela expressa vontade de Deus que esta crise se produziu na vida de Jesus. Não é que o Senhor queria ver se Jesus cairia ou não, mas uma demonstração da impossibilidade da Sua queda.

À semelhança de Adão, Jesus foi tentado, com uma diferença: Adão foi tentado no Jardim do Éden e caiu, Jesus foi tentado no deserto e venceu a Satanás.

SEGUNDO, O TEMPO QUE O SENHOR ESTEVE NO DESERTO (MT 4.1,2)

O evangelista Mateus nos diz que o Senhor foi levado ao deserto para ser tentado e depois de 40 dias e 40 noites teve fome. O deserto é um lugar desconfortável, severo e agressivo. Era o deserto de Jericó, um lugar ermo, cheio de montanhas e cavernas, de areia escaldante durante o dia e frio intenso durante a noite. O deserto era lugar de solidão. Os grandes homens caíram não em lugares ou momentos públicos, mas na arena da solidão e nos bastidores dos lugares secretos. O deserto é o lugar das maiores provas e também das maiores vitórias. O deserto é o campo de treinamento de Deus.

O texto nos diz que o Senhor esteve no deserto por 40 dias e 40 noites. O número 40 é o número da provação. Quarenta dias durou o dilúvio (Gn 7.12), o jejum de Moisés no Sinai (Êx 34.28), a caminhada de Elias até o Horebe (1Rs 19.8). Quarenta anos Israel permaneceu no deserto (Sl 95.10). Israel esteve 400 anos no Egito, isso é 40×10. Quarenta dias e quarenta noites Jesus foi tentado por Satanás no deserto. Em Marcos 1.12,13 nos diz assim:

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam”.
Jesus foi tentado durante quarenta dias, o tempo todo.

TERCEIRO, O PROPÓSITO DE JESUS SER TENTADO

Por que o Espírito Santo impeliu Jesus ao deserto para ser tentado? Qual era o propósito?

O texto começa dizendo “A seguir” – ou seja, após o batismo de Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Há uma relação íntima entre o batismo e a tentação. No primeiro Jesus se dedicou ao caminho da cruz. Já no segundo, o diabo lhe apresentou meios pelos quais Ele podia efetuar seu ministério sem precisar ir à cruz.

Em primeiro lugar, Jesus foi tentado para provar a sua perfeita humanidade. A Bíblia nos fala que o Filho de Deus encarnou, ou seja, tornou-se como um de nós. Jesus foi 100% homem e 100% Deus. Mas quem foi tentado foi Jesus homem e não Jesus Deus. Porque o homem é tentado, mas a Deus ninguém tenta. Veja o que nos diz Tiago 1.13:

“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”.

A Bíblia também nos diz que Jesus tornou-se semelhante a nós em todas as coisas, exceto no pecado. Conf. com Hb 4.15:

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Jesus passou por tudo isso para nos mostrar que em tudo Ele foi tentado, mas não para nos mostrar que podemos ficar sem pecar. Pelo contrário, Ele conhece as nossas fraquezas e se comparece de nós, mesmo que venhamos a pecar. Aliás, tanto o texto de Hebreus 4.15, quanto 1Jo 1.7-10, 2.1,2 que nos diz:

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”.

Em segundo lugar, Jesus foi tentado para vencer o diabo. Hernandes Dias Lopes nos diz que lutamos com um inimigo derrotado. O evangelista Marcos nos diz que o Senhor Jesus venceu Satanás o amarrando e roubando-lhe os seus bens. Veja o que ele nos diz:
“Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa”. (Mc 3.27)

Isso é o Senhor tirou de Satanás o domínio que ele tinha nessa terra. Jesus está libertando aqueles que estavam sob o seu domínio e os transportando para o Seu Reino. Paulo escrevendo aos Colossenses nos diz assim:

“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” (Cl 1.13,14).

Jesus venceu Satanás no deserto, triunfou sobre todas as suas investidas. Esmagou sua cabeça na cruz, triunfou sobre ele definitivamente. Satanás é um inimigo limitado e está debaixo da autoridade absoluta de Jesus.

“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”(Cl 2.14,15).

QUARTO, AS OFERTAS DE SATANÁS

A Bíblia nos diz que Satanás tentou Jesus os quarenta dias. Quando lemos o texto aqui em Mateus a impressão que temos que o tentador só o tentou no final, mas não foi assim que ocorreu. Há dois textos que nos mostram isso:

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam” (Mc 1.12,13).

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome” (Lc 4.1,2).

Satanás é um ser oportunista. Ele é como um vírus oportunista que ataca quando a nossa imunidade está baixa. Se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá atacar com todas as forças, embora ele ataque todos os dias, mas se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá triunfar sobre nós. Temos como exemplo Davi que caiu em adultério. Era tempo de guerra e ele estava em casa. O resto você já conhece.


Vamos analisar a tentação de Jesus:


1ª – A primeira tentação foi de ordem física (Mt 4.2-4)

Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites na solidão do deserto, embora Marcos nos diga que Jesus estava com as feras – naquele deserto havia hienas, lobos, serpentes, chacais, panteras e leões. Era um lugar de abandono, mas também de grande perigo.

Depois de quarenta dias de jejum Jesus estava com seu corpo totalmente debilitado. Nesse período Jesus jejuou e orou incessantemente – o Espírito estava pronto, mas a carne estava para entrar em tentação. A fome castigava seu estômago. É nessa oportunidade que Satanás se aproxima e lhe diz: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Satanás propôs a Jesus usar seu poder para satisfazer sua necessidade, ou seja, fazer uma coisa boa de modo errado: mitigar a fome atendendo a voz do diabo.

Aprenda uma coisa meu irmão: ainda que o diabo lhe dê um conselho aparentemente bom, não dê ouvidos a ele, pois o que procede dele nada presta. Nem o testemunho dele em relação a Jesus o Senhor aceitou (Mc 3.11,12). Não foi dado a anjos proclamar a salvação e muito menos aos demônios (que são anjos caídos), mas aos homens. Até Paulo recusou tal testemunho (At 16.16-18).

Só que o intento de Satanás de levar Jesus transformar pedras em pães era maior que um apelo à fome. Havia a sugestão de evitar a cruz, tornando-se um reformador social popular. Isso quase ocorreu quando Jesus multiplicou os pães e os peixes em Jo 6.

Mas veja o resultado da multiplicação e o que o Senhor Jesus fez:
“Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte” (Jo 6.14,15).

Não era e não é esse tipo de Reino que o Senhor veio estabelecer na terra, mas um reino espiritual. Mas quantas igrejas estão embarcando na Teologia da Missão Integral que na verdade é uma nova roupagem da Teologia da Libertação. É bom deixar claro que a Teologia da Missão Integral dialoga com o marxismo. E os que defendem essa teologia ainda dizem que é impossível dialogar com o mundo sem dialogar com o marxismo. O marxismo mudou a face do Ocidente por, pelo menos, setenta anos.

O tempo todo Satanás tentou impedir que o Senhor fosse até a cruz. E hoje tenta evitar que a mesma seja pregada também pela igreja.

Outra razão para essa tentação era tentar fazer Jesus não confiar na provisão do Pai. Mas a resposta de Jesus a Satanás foi contundente: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. O Senhor cita as Escrituras para rechaçar o tentador. Jesus cita o texto de Dt 8.3 mostrando para o diabo que a fome espiritual é muito maior que a fome física. Pois a fome física pode ser saciada em qualquer lugar, mas a fome de Deus só Ele pode saciar. E mais, assim como o Pai sustentou o seu povo no deserto com mana que caia do céu, da mesma forma o Senhor poderia vir ao seu encontro e saciar a Sua fome.

Assim como o Pai alimentou uma multidão no deserto, da mesma forma o Senhor iria alimentá-lo. O mesmo o Senhor tem feito conosco todos os dias. Em Mateus 6.25-30 Ele nos conforta dizendo que o Senhor nos dá o de comer, beber e vestir. E no verso 11 do capítulo 6 Ele nos ensina a orar dizendo: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”.

Quantas vezes Satanás tenta pôr em dúvida a bondade e a providência de Deus, abrindo-nos outras oportunidades para atender nossas necessidades imediatas.

Satanás fala a mesma coisa com cada um de nós muitas vezes, assim como falou com Jesus: “Se és Filho de Deus…”, aqui Satanás não está lançando dúvidas ao coração de Jesus, mas está dizendo: “Já que você é o Filho encarnado do Deus Altíssimo” você tem autoridade para transformar pedras em pães. O mesmo o diabo fala com cada um de nós: “Já que você é filho de Deus” porque está passando por essa luta, por essa enfermidade, por esse problema familiar. Mas aí que entra a nossa confiança de que o Senhor há de intervir em nossa vida sem precisarmos buscar os conselhos tortos do diabo. Isso é crer na providência de Deus.

2ª – A segunda tentação é de ordem espiritual e psicológica (Orgulho)(Mt 4.5-7)

Esta segunda tentação está ligada a primeira, pois Jesus disse que confiava plenamente no Pai, então Satanás habilmente usa a própria palavra de Deus contra Jesus para tentar induzi-lo a se jogar do pináculo do templo para que o Pai o amparasse. E para isso ele cita o Salmo 91.12. Satanás sugere a Jesus a provar a Sua fé em Deus, submetendo Sua promessa a um teste, isso não passava de um grande sofisma.

SOFISMA – Argumento falso intencionalmente feito para induzir outrem ao erro.
Isso gera fanatismo.

Quero ilustrar isso lhe contando um caso que ocorreu em uma igreja nos Estados Unidos:

Uma grande igreja na região rural de Indiana, nos Estados Unidos, tinha uma triste fama, devido ao seu fanatismo.

Os membros dessa igreja criam que a fé pura podia curar qualquer doença e que buscar ajuda em qualquer outro lugar ou pessoa – por exemplo, de médicos – demonstrava uma falta de fé em Deus. Os artigos de jornais mencionaram pais que, atônitos, observavam seus filhos travarem batalhas perdidas contra a meningite, ou pneumonia, ou vírus comum da gripe – enfermidades que facilmente poderiam ser tratadas.

Um artista de um jornal desenhou pequenas lápides de túmulos para assinalar os locais onde pessoas haviam morrido depois de se recusarem tratamento médico, em obediência ao ensino da igreja. Havia 52 lápides ao todo.

De acordo com as reportagens, mulheres grávidas que seguiam o ensino da igreja morriam ao dar luz numa proporção oito vezes maior do que a média nacional, e a taxa de mortalidade infantil era três vezes maior. Apesar disso, a igreja estava crescendo e tinha se estabelecido em dezenove Estados e em outros cinco países.

Um pai contou a um jornal da sua vigília de oração enquanto observava seu filho de quinze meses de idade lutar contra uma febre durante duas semanas. A doença inicialmente provocou surdez, depois cegueira. O pastor da igreja conclamou ainda mais fé e persuadiu o pai a não chamar um médico. No dia seguinte, o menino estava morto. A autópsia revelou que ele morrera de uma forma de meningite facilmente tratável.

Satanás sempre usará de sofisma contra nós. Mas veja o que o apóstolo Paulo nos fala em 2Co 10.4,5: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus”.

O fanatismo leva as pessoas a se decepcionarem com Deus

Por isso Jesus falou: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Jesus rebate o sofisma de Satanás usando de outro texto não fora de contexto, mas de forma correta. Jesus fala do que os Israelitas fizeram tentando o Senhor em Massá (Êx 17.6, Dt 6.16), pois quando faltou água eles começaram a perguntar se o Senhor estava no meio deles (Êx 17.7).

O Senhor Jesus dá a Satanás uma resposta simples e objetiva: “O Senhor nunca desampara o Seu povo”. Não há necessidade de provar se o Senhor está ou não conosco, se Ele prometeu Ele irá cumprir as Suas promessas. Não precisamos tentar a Deus para obrigá-Lo a evitar um desastre.

Um bom exemplo disso é quando Jesus ressuscita a filha de Jairo, diz para eles darem de comer para ela. A menina morreu porque não comia então dá-lhe de comer para que não morra novamente, em outra palavras foi isso que Jesus disse. Não precisamos forçar o milagre. Deus não ficará enciumado se andarmos com precaução, com cuidado, sem tentá-Lo.

SATANÁS GOSTA DE ESPETÁCULO

A intenção de Satanás era fazer Jesus não ir até a cruz, nunca se esqueça disso. Aqui ele tenta seduzir Jesus a ter uma entrada triunfal no Seu ministério. Jesus é tentado a pular do pináculo do templo com as multidões reunidas no pátio abaixo, provavelmente à hora do sacrifício da tarde – um salto que no caso de qualquer outro que o tentasse seria suicídio. Mas Satanás diz que se Jesus fizesse tal coisa os seus anjos o guardariam. Assim Ele seria o astro da levitação, o Deus todo poderoso entrando no ministério de forma espetacular.

Com isso Satanás estava tentando fazer Jesus fugir do caminho da cruz pela desobediência à sua vocação de Servo Sofredor, desprezado e rejeitado pelos homens sobre quem recairia a iniquidade de todos nós. A doutrina de Satanás é que os fins justificam os meios, ou seja, que, uma vez obtida a soberania universal no final, não importava como ela houvesse sido atingida.

Mas o nosso Deus não gosta de aplausos! Ou seja, Ele não precisa fazer show para ser reconhecido como Deus.

3ª – A terceira tentação é de ordem religiosa – apostasia (Mt 4.8-10).

A terceira tentação foi a apostasia. A isca é o desejo de poder. Poder total sobre um mundo que jaz no maligno. Jesus é convidado a fazer um acordo com o maligno, para que Ele, Jesus, reinasse por meio de intrigas, de guerras, através do mal. Mas Jesus não veio para estabelecer um reino terreno como muitos pensam; mas estabelecer o Reino de Deus dentro do coração dos homens.

Satanás sabendo que Jesus estava focado no Reino de Deus, então lhe oferece um reino sem cruz, desde que Jesus o adorasse. Assim o Reino de Deus seria estabelecido sem trabalho ou lágrimas, nem risco de vida, sob a simples condição de que Jesus lhe prestasse reverência.

Satanás estava dizendo para Jesus que o Reino de Deus deveria ser imposto com armas diabólicas da crueldade, impiedade e poder, dominando as pessoas, ao invés de conquistar homens e mulheres através do sacrifício remidor na cruz. Mas acontece que o Reino de Deus nunca será estabelecido por meios satânicos.

Essa oferta tem sido oferecida até hoje para muitas pessoas, e, infelizmente, muitos tem aceitado. Observe quantas guerras religiosas temos contemplado em nosso meio. Igrejas contra igrejas, pastores contra pastores, irmãos contra irmãos. Cada um querendo estabelecer o seu próprio reino e não o Reino de Deus. Com essas atitudes quem tem sido adorado é o próprio Satanás. Em muitos púlpitos ele está sentado e sendo adorado como deus.

Quantos pastores orando por avivamento, mas avivamento para sua igreja e não para a igreja do “concorrente”. Querem a sua igreja cheia, ainda que seja com pessoas vazias do Espírito Santo. Para alguns o importante é o movimento.

A RESPOSTA DE JESUS

Veja o que o Senhor disse a Satanás diante dessa proposta imoral: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto” (Dt 6.13). O Senhor cita mais uma vez as Escrituras Sagradas com intrepidez. Ele não se deixa levar, mais uma vez, pela proposta imoral do diabo.

Satanás quer dizer “Adversário”, e é exatamente isso que ele é; ele é o adversário direto do nosso Deus e nosso também. Ele sempre irá tentar “facilitar” as coisas para nós. Para isso o preço é muito alto, é o preço da APOSTASIA. E quantos estão se apostatando da fé para poderem ter o seu próprio reino. E por ele dão a própria vida. Por Deus não, mas pelo reino pessoal vão até o fim.

Com essa palavra de Jesus Satanás o deixou, mas como nos fala em Lucas 4.13: “Até momento oportuno”, ou seja, Satanás não desistiu, mas foi até a cruz tentando o Senhor. Se ele fez isso com o próprio Deus encarnado quanto mais fará com cada um de nós. Como disse Pedro em sua primeira carta:

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe 5.8,9).

Pedro falou do que conhecia muito bem, pois na noite em que Jesus foi preso ele negou o Seu Mestre três vezes. Pedro foi tragado pelo medo, pela covardia e pelo rugido de Satanás. Pedro cedeu à tentação, mas Ele foi resgatado pelo Senhor e restituído no ministério. Por isso ele nos alerta para termos cuidado, “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10.12).

QUINTO, A VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO

Ninguém está livre da tentação, mas de resisti-la sim. Tentação não é pecado, ceder a ela é. Veja nas próprias palavras de Tiago 1.13-15 essa realidade:

“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.

A Bíblia nos diz que Jesus em tudo foi tentado, mas sem pecar. E como Ele venceu a tentação?

1º – A Bíblia nos diz que Jesus encarnou nas mesmas condições de Adão. Nele não havia a semente do pecado. Jesus tinha um caráter santo, e mesmo sendo tentado no deserto não cedeu a tentação.

2º – Porque Ele resistiu ao diabo firmemente. A própria Palavra nos ensina a fazer a mesma coisa: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

3º – Porque Ele conhecia e praticava a Palavra de Deus. O Salmo 128.1 nos diz: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!” Foi assim que o Senhor venceu a tentação, no temor do Senhor e andando em Seus caminhos. Só podemos trilhar o verdadeiro caminho conhecendo o caminho. E o caminho nos é mostrado em Sua Palavra, pois ela nos ensina como devemos andar e proceder em Sua presença.

Eva torceu a Palavra de Deus e o diabo também a torceu tentando levar Jesus à queda. Mas Jesus conhecia a palavra e não se deixou levar pelo engano de Satanás. Saiba de uma coisa meu irmão, o diabo é um péssimo exegeta. Como disse Hernandes Dias Lopes: “A Palavra de Deus na boca do diabo é palavra do diabo e não Palavra de Deus”.

CONCLUSÃO

Diante de tudo que foi falado creio que podemos concluir dizendo algo prático e extremamente importante: “Todos nós devemos esperar tempos de provas”. Se Satanás não desistiu de Jesus, ele também não desistirá de nenhum de nós. Por isso devemos vigiar e orar o tempo todo e em todo tempo. Ele é um ser maligno e perseverante. Sempre haverá suas investidas, não pense que ele se afasta e não volta. O apóstolo Paulo nos deixou isso bem claro quando escreveu a sua carta aos Efésios 6.10-13. Veja como ele nos alerta:

“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”.

Mas nós temos um grande conforto, Deus sempre está ao nosso lado. Ele nunca nos abandona. Aliás, o Senhor nos diz também que “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13).

O texto de Mateus termina dizendo que “com isso, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram”. Lute até o fim, não esmoreça. Não ceda a tentação. O Senhor também enviará o sustento para você e para mim também.

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