29 abril 2015

LIÇÃO 05 - 03/05/15 - "JESUS ESCOLHE SEUS DISCÍPULOS"

LEITURA BÍBLICA:

 Lc. 5.1-11; Lucas 14.25-35


TEXTO ÁUREO

"E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo." (Lc 14.27).


VERDADE PRÁTICA

O chamado para a salvação é de graça, mas o discipulado tem custos


Introdução

 O apóstolo João declara o propósito de escrever seu evangelho: “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). João transmite-nos todo o volume de testemunho que o convenceu, e a outros da sua geração, quanto à divindade de Cristo, e tem confi­ança de que outros, igualmente, serão inspirados com a mesma convicção.

 O apóstolo apresenta três séries de testemunhos: 1) Os milagres de Cristo, que chama de “sinais”, porque demons­tram a divindade de quem os opera. Quantos milagres operados antes da crucificação João registra no seu livro? 2) As asseverações de Jesus quanto à sua natureza e mis­são.

Note quantas vezes João registra as reivindicações de Jesus, que começam com as palavras “eu sou”. 3) João registra os testemunhos de outras pessoas - de João Batista, dos primeiros discípulos e daqueles que receberam a cura da parte de Jesus.

 Este trecho é um exemplo da terceira série de evidênci­as. Citam-se aqui os testemunhos de João Batista e André, irmão de Pedro, como veremos.

 Quando Jesus emergiu da vida particular para entrar no ministério público, não tinha nenhum adepto ou se­guidor. Deus, porém, enviara um profeta para preparar o caminho diante dele - João Batista, para “preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1.17).

Foi no meio dos convertidos de João Batista que Jesus recebeu seus primeiros discípulos. Nosso trecho bíblico conta como três desses discípulos (inclusive o discípulo não mencionado pelo nome) deixaram a escola preparatória de João Batista para se tornarem estudantes da escola superior de Jesus.
Uma Declaração Que Chama a Atenção (Jo 1.35,36).

 “No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos [André e João]; e, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus”. Estudemos o significa­do desta proclamação, examinando as palavras, uma por uma.

 1. “EIS aqui o Cordeiro de Deus”. Literalmente, “veja”. O evangelista apela ao pecador que veja o Crucificado e, contemplando-o, lamente os pecados que causaram sua morte.

2. “Eis O Cordeiro de Deus”. Os sacrifícios de animais não operavam a perfeita redenção, haja vista que sempre tinham de ser repetidos. Nenhum sacerdote de Israel, can­sado por causa do serviço ao redor do altar, poderia voltar para casa, dizendo: “Minha esposa, finalmente ofereci o sacrifício final; o povo está completamente perdoado e purificado”. No entanto, qualquer um dentre os sacerdotes que obedeciam à fé (At 6.7) poderia ter dito isso, porque o Cordeiro perfeito, do qual os demais eram apenas símbolos, já fora oferecido (cf. Hb 10.11,12).

 3. “Eis o CORDEIRO de Deus”. O cordeiro era um animal sacrifical; João, portanto, identificava Jesus com o Sacrifício enviado da parte de Deus, “que tira o pecado do mundo”. Leia Isaías 53, que é um ponto alto na doutrina do sacrifício, por profetizar que o próprio Messias em pes­soa haveria de se tornar a expiação pela raça humana. Compare com Atos 8.32-35. Talvez João também se refe­risse ao cordeiro da Páscoa (cf. 1 Co 5.7).

No início do pe­ríodo da Lei, há o cordeiro da Páscoa, cuja aceitação por parte da nação de Israel redimiu-a do meio da nação gen­tia; quase no fim do período da Lei, há outro Cordeiro, rejeitado pelos israelitas - e, por causa deste pecado, foram espalhados entre os gentios.

 4. “Eis o Cordeiro de DEUS". Uma das mais marcantes diferenças entre a fé cristã e o paganismo é que os adoradores pagãos trazem sacrifícios na tentativa de se reconciliarem com os seus deuses, enquanto a mensagem do Evangelho declara que o próprio Deus enviou um sacri­fício em nosso favor a fim de nos reconciliar consigo (Rm 8.32; 2 Co 5.19).

Deus trouxe a nós o sacrifício que nos coloca mais perto de Deus, e até o Antigo Testamento apresenta a expiação como sendo a dádiva da graça divina: “Porque a alma da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas” (Lv 17.11).

Uma Apresentação Inesquecível (Jo 1.37-39)
 1. Os discípulos que procuram. “E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.” A congregação de João começou a deixá-lo; ele, no entanto, não sentiu ciúmes porque, afinal, foi justamente esta obra de apontar às pessoas o Messias que viera fazer: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (cf. Jo 3.25-30). O fiel obreiro cristão conduz as pessoas a Cristo, e não a si mesmo.

 2. A pergunta perscrutadora. “E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais?” O Senhor não deixa que ninguém o siga em vão; mostrará o seu rosto àqueles que o seguem em sinceridade. Note que as palavras “que buscais?” são um gracioso convite aos que o procuram, para que abram o seu coração a Ele. Ele a todos pergunta: “Que buscais?” Estão procurando verda­de, poder, perdão, amor, paz, vitória, esperança, forças? Ele pode nos oferecer tudo quanto buscamos e de que necessi­tamos. Além disso, a pergunta é um desafio, no sentido de ver se estamos procurando as coisas certas, porque ele procura discípulos sinceros e que entendam o que estão fazendo.

 3. A pergunta tímida. “E eles disseram-lhe: Rabi (que, traduzido quer dizer, Mestre), onde moras?” Apesar de se sentirem um pouco acanhados na sua presença, os jovens ficaram tão impressionados em seu primeiro contato com Jesus que desejavam saber mais acerca dele; queriam saber o seu endereço, visando a uma visita mais prolongada. Lição: não devemos nos limitar a uma olhada passageira em Cristo; devemos saber onde Ele habita, para que nos receba como hóspedes.

 4. O convite gracioso. “E ele lhes disse: Vinde, e vede.” Este convite é a melhor resposta aos que duvidam e aos interessados - é o apelo à experiência. Podemos dar às pes­soas uma excelente receita culinária, e fazer grande esforço de descrever quão delicioso é certo prato, mas nada se compara com levar o próprio ouvinte a experimentar a comida por si mesmo. “Provai, e vede que o Senhor é bom” (Sl 34.8)

Uma Entrevista Que Transforma a Vida (Jo 1.39)
 “Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aque­le dia”. O escritor inspirado não nos conta os detalhes daquela inesquecível visita; sabemos, no entanto, que o contato com o radiante Mestre contribuiu com algo de vital à vida de André. Nunca mais foi o mesmo depois daquela entrevista. “Senti um calor estranho no meu coração”, dis­se João Wesley, descrevendo seu primeiro contato vivo com Cristo, e certamente André sentiu-se assim durante a sua festa espiritual com o Mestre. Quem aceitar o convite de Jesus (“Venha ver”) receberá outro convite (“Venha cear”). O primeiro é para os que ainda não são do seu rebanho; o segundo é para os que já entraram no seu aprisco.

Uma Grande Descoberta (Jo 1.40)
 André saiu daquela casa transbordando com uma pode­rosa convicção e, enlevado pela descoberta que tanto o emocionara, foi correndo falar com o seu irmão Pedro, anunciando as novas que fariam palpitar o coração de qual­quer verdadeiro israelita: “Achamos o Messias”. Muitos judeus podem dizer, até hoje: “Cremos na vinda do Mes­sias, oramos e ansiamos por aquele acontecimento”, mas nenhum judeu que não crê em Jesus pode dizer, juntamen­te com André: “Achamos o Messias”.

 Note que André veio a ser testemunha de Cristo no dia da sua conversão. As coisas maravilhosas que Cristo sus­surra nos ouvidos do homem, em segredo, ficam ardendo no seu íntimo até que ele conte aos outros.

Um Serviço de Amor (Jo 1.42)
 André não se restringiu a contar as novas: queria que seu irmão as experimentasse por si mesmo. Lemos, portan­to: “E levou-o a Jesus” - o serviço mais gentil que uma pessoa pode fazer a outra. Não é necessário que alguém seja grande pregador ou gênio espiritual para assim fazer.

 André começou o trabalho em seu próprio lar: “Este achou primeiro a seu irmão”. O melhor preparo a um mis­sionário é começar em casa; se não conseguimos levar outras pessoas a Cristo em nossa própria terra, como o faremos em outras terras? Quando o endemoninhado liber­to por Jesus quis seguir viagem com Ele, o Mestre respon­deu: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti” (Mc 5.19).

Uma Recepção Graciosa (Jo 1.42)
 “E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” Cefas, em hebraico, quer dizer “pedra” ou “rocha”. O que Cristo quis dizer com isto?

 1. Na Bíblia, a mudança de nome frequentemente sig­nificava mudança da natureza da pessoa, da sua situação ou experiência (Gn 32.28). Este encontro com Jesus se constituiu em ponto crítico na vida de Pedro - a hora em que ele passou a ser de Cristo.

 Dan Crawford conta acerca do valor que os congoleses dão a nomes:
 “O homem que se transforma muda também de nome. Um jovem perto de mim recebeu um aumento salarial, e tomou dinheiro adiantado para comprar um nome.

Para ele, o nome era um patrimônio tão valioso como um imóvel, pertencendo-lhe como se fosse seu cachorro ou sua arma. O jovem queria comprá-lo so­lenemente, à vista. Naturalmente que possuía nome, mas achava seu nome de nascimento por demais in­fantil: não é verdade que fora dado por conjectura, e sem o consentimento dele? Não é verdade que o nome deve ser um legítimo reflexo do caráter da pessoa?... Não é de se estranhar, portanto, que quando você diz ao africano que no céu teremos uma nova natureza, este responde: ‘Devemos, portanto, receber um nome novo”’ (ver Ap 2.17).

2. A mudança de nome foi, neste caso, uma promessa de poder transformador. Talvez Pedro pensasse, consigo mesmo, na presença do Mestre: “Como poderei eu, homem de caráter fraco e instável, ser digno de entrar no reino do Messias?” (cf. Lc 5.7,8). O Senhor, percebendo os temores íntimos de Pedro, queria dizer: “Sei que o homem chama­do Simão é conhecidamente impulsivo, impetuoso e instá­vel. Tenha, porém, bom ânimo. Assim como sei quem é você, assim também sei o que você será. Venha a mim assim como você é, e eu o farei uma pedra firme no meu Reino. Como sinal desta promessa, seu nome será Cefas.”

 O Senhor sempre é o mesmo: recebe-nos em nossa fraqueza, sabendo que poderá nos tornar fortes.

 3. O novo nome foi sinal da autoridade de Cristo exercida sobre Pedro, assim como um rei pode alterar o nome de alguém que levou cativo (cf. Dn 1.7). Daquele momento em diante, Pedro ficou pertencendo a Cristo e, com todo amor, chamava-o de Mestre.

Ensinamentos Práticos

 1. A maior necessidade do homem. Sacrifícios, alta­res e templos em todas as terras e época testificam esta verdade: os homens sempre sentiram o fato de as coisas andarem erradas no seu relacionamento com o poder superior, e que a apresentação de um sacrifício com der­ramamento de sangue é necessária para retificar a situ­ação. Cada pessoa que honestamente examinar o seu pró­prio coração sentir-se-á constrangida a dizer “Amém!” à declaração bíblica: “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Muitos remédios têm sido oferecidos para curar a falta de harmonia que há na alma humana; João Batista, porém, apontou o re­médio divino: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o peca­do do mundo!”

 2. Uma pergunta perscrutadora. “Que buscais?” Esta pergunta sugere duas lições. 1) A necessidade de termos nítida consciência de qual é o nosso objetivo na vida.

Muitas pessoas são levadas à deriva pela vida, impulsionadas pelas circunstâncias; sabem quais as suas neces­sidades imediatas; não podem, porém, apontar um obje­tivo supremo para atingir, nem mencionar um grande propósito que controle a sua vida. Jesus, para despertar nas pessoas o reconhecimento de quão fútil é a vida que vão levam, pergunta-lhes: “Que buscais?” 2) A pergunta desafia as pessoas a se tornarem discípulos sérios. Mar­cos Dods escreve:
 “Cristo deseja ser seguido com toda a seriedade. Tan­tos o seguem porque uma multidão está indo atrás dele, levando outras pessoas consigo; tantos o seguem porque está na moda, sem possuírem opinião própria; muitos o seguem como por experiência, e vão ficando para trás quando surge a primeira dificuldade; muitos seguem com ideias errôneas quanto àquilo que esperam da parte dEle... Cristo não manda ninguém embora simplesmente pela sua lentidão em entender quem é Ele e o que Ele tem feito pelos pecadores. Com esta pergunta, no entanto, nos faz entender que aquela atração vaga e misteriosa que, qual ímã escondido, atrai a ele as pessoas, deve ser trocada por uma compreensão nítida quanto ao que nós mesmos esperamos receber dEle para suprir as nossas necessidades. Ele não rejeitará pessoa alguma que res­ponda, com sinceridade: “Buscamos a Deus, buscamos a santidade, buscamos serviço contigo, buscamos a ti.”

 3. “Vinde, e vede". E um desafio aos que duvidam e questionam. Certo cristão aceitou o desafio de um não-crente para debater com ele em público. Depois do discurso do não-crente, o cristão, sem falar uma palavra, tirou uma laranja do bolso, descascou-a, comeu-a e depois pergun­tou: “Bem, como estava a laranja?” “Como vou saber?”, retrucou o não-crente. “Nem sequer provei dela”. Respon­deu o crente: “Como o senhor pode conhecer o Cristianis­mo quando não o experimentou?”

 Um interessado pode ouvir e ler acerca de Cristo; o melhor caminho, no entanto, é chegar diretamente a Ele para experimentar seu poder. Para se explicar aos índios da floresta tropical o que é o gelo, mais valeria um pedaço para examinarem do que uma hora de preleções sobre o assunto.

4. Testemunho de Cristo. O testemunho de André su­gere três lições:
1) “Este achou primeiro a seu irmão”. Quanto mais estreitos os laços de parentesco entre quem testemunha e quem ouve, mais enfático será o testemu­nho. Há mais força de convicção entre os que se conhe­cem intimamente do que na mensagem falada em públi­co. Quando alguém encontra Cristo de forma tão real que sua alegria é tão óbvia como quando encontra um excelente emprego ou vaga universitária, seu testemu­nho não deixará de convencer aos que o conhecem.

5) O testemunho pessoal é prova da convicção pessoal; quan­do alguém tem profunda convicção, não pode ficar tranquilo até compartilhá-la com outra pessoa.

6) O teste­munho pessoal faz parte do plano de Deus para a evangelização do mundo. No século que se seguiu à era apos­tólica, não houve notícia de “grandes” evangelistas e mis­sionários; não há registro de campanhas evangelísticas abrangendo cidades inteiras.


A Igreja, no entanto, cresceu com ritmo veloz. A explicação é que cada cristão considerou ser dever e privilégio testemunhar de Cristo. O escravo testemunhava perante seu dono; o operário, ao seu companheiro; o vendedor, aos seus fregueses; o filho, aos pais. Os pastores, evangelistas e missionários se destacam na liderança da obra de ganhar almas para Cristo, mas não podem ficar sem a colaboração dos membros das suas congregações.

SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR

                                                                 INTRODUÇÃO

Fundo histórico. Bem cedo no ministério de Jesus as multidões começaram a afluir em torno dele, alguns motivados pelos milagres que Ele operava. A maioria, porém, procurava-o por causa do seu ensino. Era conhecido como o "Mestre" ou "Rabi". Durante o seu ministério, Ele chamou certos homens para serem seus discípulos em sentido especial, para poderem aprender com Ele e acompanhá-la em suas viagens. Entre os primeiros a serem assim selecionados encontramos estes quatro jovens pescadores no Mar da Galiléia: Pedra, André, Tiago, e João. Durante o primeiro ano do seu ministério esses discípulos acompanhavam-no periodicamente, mas continuavam a morar em suas casas. No princípio do segundo ano, Ele os chamou para abandonarem suas redes e acompanhá-lo em todas as suas viagens. Ele os faria "pescadores de homens" (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20). Mas, tendo visitado algumas das vilas da Galiléia, voltaram a Cafarnaum e à sua ocupação secular - a pesca.

Nota geográfica. Na Bíblia, o Mar da Galiléia leva vários nomes. O nome Mar da Galiléia foi dado porque suas águas banhavam o lado oriental da província da Galiléia.

Era conhecido como o Lago de Quinerete (Dt 3.17; Nm 34.11; Js 13.27), por causa de sua configuração ser em forma de harpa. "Quinerete" em hebraico significa "harpa".

É conhecido como Lago de Genesaré, devido à sua proximidade à planície de Genesaré situada a noroeste.

Também é conhecido como o Mar de Tiberíades, por situar-se à sua margem a cidade de Tiberíades, que era a capital da Galiléia desde a sua fundação até o tempo de Herodes Agripa. (O nome Tiberíades era uma homenagem ao imperador romano Tibério I, que se manteve no poder de 14 a 37 d.C.)

O lago, que mede cerca de 20 km de comprimento por 10 Km de largura, recebe as águas do rio Jordão, ao norte. Ao sul as águas seguem pelo mesmo rio, em direção ao Mar Morto. É situado cerca de 100 Km ao norte de Jerusalém e está colocado qual jóia de cor azul celeste na superfície da terra, aproximadamente 200 m abaixo do nível do mar. A profundeza da água varia de 25 a 50 metros. Há abundância de peixe, e até hoje se vêem pescadores, como Pedro e seus sócios exercendo a profissão.

Por causa de sua proximidade com as correntezas de ar muito frio procedentes do monte Líbano e do monte Hermom, que colidem com o ar quente que vem do deserto, o Mar da Galiléia muitas vezes sofre violentas tempestades, como essas que a Bíblia descreve.

O historiador Flávio Josefo informa que no seu tempo (o tempo de Cristo) existiam nas margens desse lago dez cidades com uma população de pelo menos 15.000 habitantes cada uma. Foi nesta região que Jesus viu "as multidões, e compadeceu-se delas...” (Mt 9.36).

OS PESCADORES ATAREFADOS (Lc 5.1,2)

1. Ganhar almas, o melhor trabalho. Enquanto as multidões comprimiam-se em torno de Jesus, desejosas de ouvir a Palavra de Deus, um pouco mais à frente, na praia, vemos alguns dos discípulos atarefados com a lavagem das redes, trabalho necessário para cuidar bem da sua indústria. Talvez alguém os criticasse como sendo inatenciosos à Palavra do Mestre. Mas J não se importou com isso. S a Cristo não significa deixar totalmente de lado os afazeres cotidianos. A Bíblia ensina-n sermos fiéis também com asas responsabilidades, emprego, família, cuidados dom etc., mesmo em tempos de grande avivamento. Jesus nos ordena fidelidade em tudo. Os fiéis pastores de ovelhas viram os anjos na noite do primeiro Natal. Assim Jesus escolheu homens ao trabalho que faziam pescadores ou como funcionário de alfândega, para serem discípulos.

2. Para o seu trabalho Deus chama homens que batalham.Examinando os evangelhos, notamos que Jesus escolheu nenhum homem ocioso. Nem tampouco escolheu algum que "esperava ser chamado' nosso dever é buscar primeiramente o reino de Deus, isto buscar o Rei para a nossa vi buscar a sua justiça (Mt 6.33 todos nós é dada a promessa receber poder para testificar Jesus (At 1.8). Mas, se Jesus nos  chamar para alguma obra especial, isso é com Ele (Jo 15.16). Jesus lança mão de certos  homens para servirem à Igreja "dons ou com o exercício ministério específico, como se em Ef 4.8-11: "E ele mesmo uns para apóstolos, e outros p profetas, e outros para evangelizar tas, e outros para pastores e doutores". E de todos eles Deus espera a máxima fidelidade.

Ponto doutrinário. interessante notar como a multidão apertava Jesus "para ouvir a lavra de Deus" (Lc 5.1). Há m tas razões por que o povo de D atribui tanta importância vir a Palavra do Senhor.

A Bíblia é verdadeira 119.160; Jo 17.17). Ela é perfeita (SI 19.7), viva e eficaz (Hb 4.12), pura (SI 12.6), e preciosa (SI 19.10).

Quando a Palavra é recebida, podemos esperar os seguintes resultados:

a. A regeneração ( Tg 1.18; 1 Pe 1.23).

b. A fé que é produzida no coração do crente, e que o faz obediente às Escrituras. João disse que escreveu o seu Evangelho, a fim de produzir a fé (Jo 20.31). Paulo opinou que "a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo" (Rm 10.17).

c. A santificação do crente, que é produzida pelas Escrituras (Jo 17.17; Ef 5.26). Tanto o coração (Jo 15.3) como o caminho (SI 119.9) do crente são purificados pela Palavra.

d. O crescimento na graça resulta da Palavra (1 Pe 2.2) ..

e. A Palavra de Deus também produz o verdadeiro gozo (SI 19.8; 119.111).

O MARAVILHOSO MESTRE (Lc 5.3-9)

1. O poder da palavra de Cristo (Lc 5.3-7). Devido à enorme multidão que se ajuntara Jesus entrou no barco de Simão Pedro e pediu-lhe que se afastasse um pouco da praia. Jesus então sentou-se e continuou a ensinar o povo. Tendo terminado, Ele pediu a Pedro que saísse ao alto mar e lançasse as suas redes, para apanhar peixes.

Costume antigo. Empregavam três métodos de pescar:

a. Lançar redes da praia ou de perto da praia.

b. Lançar redes dos barcos que estariam em movimento.

c. O uso de anzóis. (Até hoje costumam pescar durante a noite no Mar da Galiléia.)

Pedro, que havia trabalhado a noite toda, e sem resultado, não considerou razoável esta ordem de Jesus. Estava cansado e realmente não queria tentar novamente apanhar peixe quando evidentemente não era um momento próprio para isso. Também Pedro poderia estar pensam do assim: "Que é que um carpinteiro de Nazaré pode saber de pescaria neste Mar da Galiléia, Será que ele conhece os hábito do peixe melhor do que nós, pro· fissionais no assunto?"

Nota sobre pescar à noite. Segundo os profissionais, o melhor tempo para a pesca com rede era durante a noite escura; e o tempo mais desfavorável era de manhã quando o brilho do sol atrapalhava a pescaria. Contudo, mesmo com a hora desfavorável, e Pedro e seus companheiros bem exaustos após uma noite de trabalho infrutífero, este grupo de pescadores, liderado por Pedro, obedeceu à ordem de Jesus.

Durante este ano de convivência com Jesus, Pedro chegou a conhecer o Mestre. Amava-o e confiava nele. Viu Jesus fazer coisas impossíveis ao homem natural. Assim, confiando na Palavra de Cristo, Pedro saiu para o alto mar e lançou as redes. Isto significava que a sua confiança estava em Jesus e não nas circunstâncias presentes.

Por sua confiança e obediência à voz do Mestre, Pedro demonstrou o espírito que Noé tiinha ao construir a arca em terra seca, e o mesmo espírito que Moisés também demonstrou ao levantar a sua vara sobre o Mar Vermelho, esperando que Deus abrisse caminho onde caminho não existia.

O resultado foi que os pescadores apanharam uma grande multidão de peixes, de forma que a rede estava para se romper. Assustados, Pedro e seu irmão André fizeram sinal aos seus sócios, Tiago e João, pedindo que trouxessem outro barco e os ajudassem. Mesmo assim, tão grande era o número de peixes que os dois barcos quase iam a pique.

Claramente o contexto desta lição nos ensina lições preciosas sobre a tarefa de "pescar as al mas" para Jesus. Não podemos nos contentar com o conforto e o luxo duma igreja "na praia"! A ordem do Mestre_ é sair para o "alto mar", às "águas profundas e perigosas" até, em direção à humanidade necessitada! Lá estão os "peixes"! Mas devemos obedecer à ordem de Cristo e depender exclusivamente de sua Palavra. Enquanto Pedro seguia a sua orientação como pescador profissional, confiante na sua própria força, nada apanhou. Mas quando saiu com aquela simples fé em Jesus, os resultados foram surpreendentes.

Contudo, isto não quer dizer que Pedro não trabalhou. Sim, ele e seu irmão André tiveram que remar para o alto mar. Remar é trabalho! Tiveram que lançar a rede, e isto também é trabalho! Os peixes não pularam para dentro do barco de Pedro! Tiveram que trabalhar ao puxar a rede e isso foi que deu trabalho como nunca!

Vemos Pedro e André bem suados! Tiveram de pedir a ajuda dos companheiros. Os resultados vieram porque o Senhor estava operando com eles. O apóstolo Paulo assim disse: “Eu plantei, Apoio regou; mas Deus deu o crescimento" (1 Co 3.6-9). Os obreiros são simplesmente coopera dores com Deus.

2. Assombrados e humilhados (Lc 5.8,9)Nos primeiros momentos, Pedro estava tão ocupado, que mal pôde compreender aquilo que havia acontecido. Mas, vendo os barcos cheios de peixes, e compreendendo que era exclusivamente obra de Jesus, Pedro prostrou-se aos pés do Senhor, dizendo: "Senhor, ausenta-te de mim (deixa o barco e deixa-me sozinho), que sou um homem pecador" (Lc 5.8). Pedro e os seus companheiros estavam todos grandemente admirados com o acontecimento inesperado, e até assombrados com tal milagre. Também agora foi Pedro, como geralmente acontecia que se tornou o porta-voz da opinião de todos.

Entendendo a atitude Pedro. Quando Pedro deparou com aquela enorme multidão peixes, ele sentiu-se muito indigno para estar na companhia Cristo (Lc 5.8,9).

 "Simão Pedro era um homem ardoroso, impulsivo, e voto a seu Mestre. Estava sempre tão pronto a confessar Mestre a sua falta de dignidade como antes havia declarado sua devoção a Ele. Agora está compreendendo como fora incrédulo, e como não quisera obedecer à ordem de Cristo a lançar redes. Esta incredulidade consistia em pecado e, assim, a confessou. A pesca maravilhosa c venceu-o do seu pecado. Muitas vezes Deus usa os acontecimentos providenciais para nos convencer da nossa incredulidade do nosso pecado. Pedro disse: ... sou pecador" (v.8). "A palavra grega por ele usada é ‘aner’ (homem pecador), palavra indica, não os homens em geral (como indica a palavra 'anthropos'), mas um certo homem, era ele! Pedro sentiu-se o pecador de todos os homens. Tanto ele sentiu esta emoção pediu que Jesus se afastasse dele. Sentia-se pecador demais para estar na presença de alguém tão verdadeiro como seu Mestre. (Cf. a palavra Isaías ao ser-lhe revelada a gloria do trono de Deus: Ai de mim! 6.5). Jó também assim se expressou sou, dizendo: 'Por isso me a mino ... '" (Jó 42.6.), disse Ed W. Rice.

OS DISCÍPULOS COMISSIONADOS (Lc 5.10,11)

1. Pedro reanimado e chamado (Lc 5.10). Jesus imediatamente disse a Pedro: "Não temas!" Esta palavra foi para demais assombrados. Jesus tão lembrou a Pedra a obra p a qual ele já fora chama Usando a linguagem dos pesca dores, bem conhecida por Pedra, Jesus o chamou para ser "pescador de homens". Observamos aqui que a palavra "pescador" (v. 10), no grego, é "zogreu" e significa "apanhar vivos. Pedra foi chamado para "apanhar vivos" os homens, que estavam "mortos" em ofensas e pecados (Ef 2.1), a fim de levá-las "vivos" para a vida eterna.

A mesmo palavra "zogreu" é usada em 2 Tm 2.26 onde fala dos homens "apanhados" por Satanás, que os conduz à morte eterna. Cooperemos então com Jesus, apanhando os homens para serem salvos eternamente, como o fez Pedra. Vamos evitar qualquer cooperação com o Diabo que unicamente quer destruir, roubar e matar.

2. Obedecida à chamada (Lc 5.11). Os discípulos nesta altura dos eventos compreenderam que Jesus agora os chamava para uma vida ainda mais chegada à sua pessoa. Até este ponto moravam em suas casas e seguiam a Jesus periodicamente em suas viagens pelas redondezas. Essa chamada era de tempo parcial. Mas agora estavam diante duma decisão importante. Felizmente aceitaram este novo desafio. Tão logo chegaram a terra e deram destino aos peixes, esses discípulos deixaram tudo: sua empresa e seu trabalho, para obedecerem à chamada de Cristo. Para traz ficou a vida de costume. Daquele momento em diante eram apóstolos e seguidores de Jesus, dando o seu tempo integral à obra do reino de Deus.

O resultado da pesca maravilhosa. O milagre da pesca, milagrosa resultou em que os discípulos abandonaram tudo para seguir a Cristo (Lc 5.11). Assim, abandonaram a pescaria e tomaram-se seguidores e discípulos constantes de Jesus. Mais tarde Pedro lembrou ao Senhor sobre o quanto ele e os outros haviam deixado para segui-Ia. Os barcos, as redes, os peixes, as casas, as esperanças da vida, o conforto, 06 costumes etc. eram para eles tanto quanto seriam para qualquer pessoa c até mais. Mas deram 'tudo': ninguém pode fazer maior sacrifício do que isto", disse Edwin W. Rice.

Embora uma vez, após a ressurreição de Cristo, Pedro voltou à pescaria, Jesus tratou com ele com muito amor e chamou-o de novo para ser o seu 'Obreiro (Jo 21.15-19). Mas depois do Pentecoste, Pedro e os demais discípulos nunca mais voltaram às suas redes. Sim, foi no Dia de Pentecoste que Pedro realmente pôde compreender a expressão de Jesus ao dizer-lhe que ele seria "pescador de homens", pois nesse dia 3.000 pessoas converteram a Cristo (At 2.41).

Para Pedro e os demais discípulos deve ter sido coisa difícil resolver separar-se de tudo para seguir a Jesus. Moravam em casas relativamente confortáveis e a indústria da pesca ia bem, a ponto de precisarem de empregados (Mc 1.20). (Provavelmente, Zebedeu, pai de Tiago e João, e os jornaleiros continuaram com o negócio quando os discípulos saíram.) Contudo, eles, sem vacilação, decidiram a acompanhar a Jesus.

Que esta decisão foi firme prova-se pelo incidente ocorrido cerca de um ano depois. Após ter Jesus alimentado os 5.000 homens e ensinado o povo acerca do seu corpo e do seu sangue, as multidões o abandonaram, apesar de muitos deles serem pessoas que até se consideravam seus discípulos. Jesus então perguntou aos doze: "Quereis vós também retirar-vos?" Mas nesta hora foi Pedro, o mesmo Pedro que dissera: "Senhor, ausenta-te de mim" (Lc 5.8), que replicou:

"Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (Jo 6.67,68).

É Deus que determina se um crente deve dar o seu tempo integral à obra de evangelização ou ao ministério da igreja. Mas o essencial para todos é a escolha de Cristo como o Salvador pessoal, pois este é o único caminho para a vida eterna. Ser "pescador de homens" é também o dever de todos nós. Esta é a obra mais importante a que nos podemos dedicar.


OS DOZE APÓSTOLOS

1. A procedência dos primeiros discípulos. Eram galileus. No conceito judaico, Cristo não nasceria na Galiléia e nem de lá surgiriam profetas (Jo 7.41-52). Jesus não chamou seus discípulos da corte herodiana. Na Escritura lemos: “Não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento” (1 Co 1.26). Não os escolheu de Jerusalém, dentre os principais sacerdotes e anciãos, mas da Galiléia, exceto Judas Iscariotes, que era judeu.

2. As qualidades dos primeiros apóstolos. Jesus chamou, primeiro, dois pares de irmãos: Pedro e André, Tiago e João (Mc 1.16-20). Eles eram discípulos de João Batista. Submeteram-se ao batismo do arrependimento. O
s mais dispostos a seguir a Cristo, aceitaram de bom grado as regras da nova vida dc fé. Além disso, compunham duas famílias estruturadas, que trabalhavam juntas (Lc 5.9-11).

3. Exerciam uma profissão modesta. Eram pescadores. Cristo não despreza o homem, por exercer uma profissão humilde. Quem estiver pronto a trabalhar e a aprender, será útil à causa do Mestre.

A ESSÊNCIA DA CHAMADA

Todas as palavras de Jesus eram plenas de objetividade.

1. 0 teor da chamada. “Vinde a mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mc 1.17). Três fatos importantes compõem o chamado de
Cristo:

a. “Vinde a mim”. Vir a Jesus é condição essencial para que alguém seja enviado a pregar o Evangelho de Cristo.

b. “Eu vos farei”. Nenhum homem, por si mesmo, pode elevar-se à categoria de ministro de Cristo, pois Ele mesmo disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5); “O homem nada pode receber, sem que do céu lhe seja dado” (Jo 3.27). Leia também Zacarias 4.6 e Tiago 1.17.

c. “Pescadores de homens”. Jesus não os chamou apenas para proferirem belos discursos. Escolheu-os para participarem de seu plano de salvação. Pescadores de homens significa ganhadores de almas para o reino de Deus.

2. Jesus chamou-os para o trabalho. Não os escolheu para uma vida cômoda, cheia de regalias. Chamou pescadores, experientes no trabalho árduo, e de riscos constantes, que exigia coragem para enfrentar os perigos, e vigilância para evitar possíveis tragédias. Estas condições determinam o perfil de homem chamado por Cristo, nos dias atuais. Tem que ter disposição para trabalhar e libertar os escravos de Satanás, e vigiar, para não ser enlaçado nos seus ardis (1 Pe 5.8).

3. A prontidão dos discípulos. Sem pensar em honrarias e sem temer dificuldades,eles deixaram suas redes de pescar, e prontamente se dedicaram ao labor de pregar o Evangelho, que “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16).

Aliás, a Igreja nasceu, quando ninguém tinha de que se orgulhar. O ministério não é motivo de orgulho e não serve para honrar comodistas, atraídos por interesses próprios.

A NATUREZA DA CHAMADA

A chamada de Cristo para o trabalho é de natureza comum e específica.

1. A chamada de natureza comum. A Igreja é o corpo de Cristo, composto de muitos membros, e todos devem contribuir para o seu desenvolvimento e edificação, mediante o testemunho, o conselho e a oração. “Para cada crente, o Mestre preparou um trabalho certo, quando o resgatou”.

2. A chamada de natureza específica. Além da participação de todos, existem ministérios distintos, para os quais há homens chamados por Deus. À luz das Escrituras, essas chamadas sempre foram precedidas de marcantes experiências espirituais, pelas quais as pessoas foram capacitadas a colocar em plano inferior todos os demais interesses.

Moisés, apesar de sua posição elevada e da instrução “em toda a ciência dos egípcios”, tornou-se “poderoso em suas palavras e obras” (At 7.22). Os quarenta anos como pastor de ovelhas, no deserto, contribuíram para torná-lo manso (Nm 12.3). Entretanto, só após a experiência da sarça ardente, foi capacitado para a grande missão de libertar o povo israelita, escravizado no Egito (Ex 3.2-10). Temos também os exemplos de Isaí as (Is 6.1-8) e de Saulo, no caminho de Damasco (At 9.1-22).

3. A chamada para um trabalho divino. Ela sempre comove o homem a sentir profundo amor pelas almas, sem pensar em recompensas materiais. Aliás, esta é uma condição imposta por Jesus: capacidade de vencer todos os obstáculos e de suportar os sacrifícios, por esta causa gloriosa.

4. Chamada divina, um desafio irresistível. A chamada divina manifesta-se na vida do candidato ao ministério, antes de sua consolidação. Constitui-se, na pessoa, um desafio irresistível, aponto de ela nada temer, mesmo consciente das inúmeras adversidades que enfrentará em favor do reino de Deus. A chamada divina o inflama. A paixão pelas almas o domina. O executar a sua missão, em qualquer circunstância, proporciona-lhe a maior felicidade, por tudo o que sofrerá.

5. A chamada e o preparo intelectual. A instrução, o preparo intelectual e o treinamento em um educandário cristão não constituem uma chamada divina para o santo ministério. Estes fatores, indubitavelmente, tornam mais amplas as oportunidades do servo de Deus e são úteis ao seu ministério. Ninguém pode ensinar o que não aprendeu. Os que se aventuram, envolvem-se em confusão, e caem no descrédito das pessoas entendidas no assunto.

6. O mérito das escolas de preparação. Quanto aos seminários e institutos, a formação e o nível espiritual deles determinarão, em grande parte, a condição espiritual do ministro. Por outro lado, nenhum preparo intelectual substitui a meditação na Palavra de Deus e a oração. A isto, temos denominado de “velho método”, pois o encontramos na Bíblia, desde tempos remotos: “Moisés e Arão caíram sobre os seus rostos...” (Nm 14.5-7). Diante dos problemas da primeira comunidade cristã, os apóstolos buscaram soluções que lhes permitissem dedicar-se à oração e ao ministério da palavra (At 6.4).

CHAMADA E HABILITAÇÃO

Conhecimento profundo das Sagradas Escrituras, aliado à poderosa unção do Espírito Santo, completa a habilitação daquele que é chamado por Deus para o seu serviço.

1. A divina condição para o trabalho. O ganhador de almas, com a mente esclarecida pela Palavra de Deus, e a alma inflamada pelo zelo e santo amor, e o coração abrasado pelo Espírito Santo, tem condição de entender e expor com segurança a razão de sua fé e esperança (1 Pe 3.15).

2. Homem capaz, para uma obra excelente. “Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja” (1 Tm3.l). É lógico:para uma excelente obra é necessário um homem capaz. Em adição a isto, aplicamos a pergunta de Paulo: “E para estas coisas quem é idôneo?” (2 Co 2.16).

3. A responsabilidade do ganhador de almas. Certa ocasião, ouvimos de um obreiro improdutivo esta desculpa: “Cada um tem seus diferentes dons”. Isto é verdade, mas não se aplica aos descuidados e indolentes, que agem como senão fossem responsáveis pelos seus insucessos. Se, de fato, possuímos diferentes dons espirituais, estes resultarão em notável êxito no nosso ministério. Buscamos zelosamente os dons espirituais, para a edificação da Igreja (1 Co 14.12). Os ministérios (Ef 4.11,12) também exercem suas funções na edificação do corpo de Cristo, e visam um fim proveitoso (1 Co 12.7).


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