29 maio 2015

IGREJAS DA ESCÓCIA E DA FRANÇA IRÃO ACEITAR MINISTROS HOMOSSEXUAIS CASADOS POR UNIÃO CIVIL


                                          
A igreja, que em sua fundação foi orientada pela doutrina presbiteriana, irá manter a visão tradicional do casamento entre um homem e uma mulher no religioso, mas irá permitir parcerias civis homossexuais.

A Igreja de Escócia irá permitir que homossexuais casados por união civil atuem como ministros e diáconos. A decisão foi tomada pela Assembléia Geral em Edimburgo no sábado (16), onde a moção foi aprovada por 309 votos a favor e 182 contra.

O movimento enfrentou uma série de debates e votações antes da decisão final. A igreja, que em sua fundação foi orientada pela doutrina presbiteriana, irá manter a visão tradicional do casamento entre um homem e uma mulher, mas irá permitir que congregações individuais nomeiem ministros ou diáconos que estejam em uma parceria civil homossexual.

"É hora de parar de dar nomes uns aos outros, é tempo de evitar a ideia de que devemos nos definir por nossas diferenças em vez de nos definir pelo que temos em comum - o nosso batismo em Cristo, a nossa dependência da graça de Deus, a nossa vontade de servir os pobres, e assim por diante", disse o Reverendo John Chalmers em um discurso posterior.

O debate antecede a aprovação do casamento gay religioso, mas a alteração da proposta menciona apenas as parcerias civis. Uma nova Assembléia irá acontecer na quinta-feira (21) para considerar se a nova lei irá incluir ministros casados com aval da igreja.

Augustus Nicodemus, vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, esclarece que a doutrina da igreja no Brasil não está de acordo com conceitos deturpados adeptos a outras igrejas de linhagem presbiteriana. “Muitos não sabem que o termo ‘presbiteriana’ define apenas um sistema de governo, não uma teologia. A rigor, uma igreja presbiteriana é aquela que é governada por presbíteros. Assim, há igrejas que se dizem presbiterianas mas que são renovadas ou de linha pentecostal", exemplifica no blog “O tempora! O mores!”.

Por fim, Nicodemus se posiciona firmemente em relação à visão da igreja sobre o casamento: “A IPB é conservadora na sua doutrina e mantém o conceito da inerrância das Escrituras. Como tal, não reconhece o ‘casamento’ gay.”

A iniciativa de acolher os casais homossexuais com uma bênção formal às uniões já regularizadas no registro civil será uma decisão facultativa de cada pastor.

A decisão foi aprovada neste domingo (17) pela ampla maioria dos participantes de um sínodo protestante. A bênção aos casais homossexuais recebeu 94 votos a favor e apenas três contra, no mesmo dia em que associações programaram manifestações para marcar o Dia Internacional de Combate à Homofobia.

O pastor Laurent Schlumberger, que participou do sínodo ocorrido em Sète (sul), ficou impressionado com o clima que ele descreveu como "excelente" durante a votação. Segundo o reverendo, a sessão foi marcada pela "confiança e fraternidade" entre os participantes. Schlumberger é presidente do conselho nacional da Igreja Protestante Unida (Epuf), a mais antiga corrente do protestantismo instalada no território francês. A instituição reúne 250 mil fiéis e 500 pastores em todo o país.

O reverendo Marc Pernot, pastor do Oratório do Louvre, uma das principais paróquias protestantes de Paris, disse em entrevista à RFI ter ficado "um pouco surpreso" com o resultado favorável e "contente com o consenso sobre a questão". Até agora, o reverendo Pernot só podia abençoar os casais de pessoas do mesmo sexo em um local privado. Ele explicou que o fato de ser autorizado a abençoar as uniões homossexuais em público, nas instalações da igreja, é uma conquista importante para muitos fiéis.

A iniciativa de acolher os casais homossexuais com uma bênção formal às uniões já regularizadas no registro civil será uma decisão facultativa de cada pastor. O benefício é concedido dois anos depois da regulamentação do casamento gay na França, promulgado em maio de 2013.

Precedente

Até agora, só a Missão Popular Evangélica francesa autorizava seus pastores a acolher homossexuais em suas celebrações. Essa igreja é, no entanto, menos representativa do que a Igreja Protestante Unida, uma corrente histórica no protestantismo francês.

Segundo o especialista e historiador de religiões Odon Vallet, a decisão da Epuf revela uma evolução do "Movimento Casamento para Todos", que militou pela legalização do casamento gay. Em outros países, onde a presença dos protestantes é mais numerosa, como nos Estados Unidos, no Canadá e em países escandinavos, a bênção a casais do mesmo sexo é mais frequente.

"Para o protestantismo, ao contrário do catolicismo, o casamento não é um sacramento", explica Vallet. "É um fato social, importante, mas não um ato de veneração", diz o historiador. Ele considera que a aceitação do casamento entre pessoas do mesmo sexo é algo "inimaginável" na Igreja Católica, mas nota que alguns padres contrariam a proibição.


Fonte: RFI - Portugal

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